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Governo vê riscos de manipulação emocional e coleta de dados em brinquedos com IA vendidos no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 09:49

Tecnologia Governo vê riscos de manipulação emocional e coleta de dados em brinquedos com IA vendidos no Brasil Nota técnica do Ministério da Justiça recomenda investigação de possíveis irregularidades e fiscalização sobre coleta de dados, transparência e proteção de crianças. Por Darlan Helder, g1 — São Paulo

Governo vê riscos de manipulação emocional e coleta de dados em brinquedos com IA vendidos no Brasil — Foto: Reprodução

Brinquedos com inteligência artificial vendidos no Brasil podem representar riscos para crianças, como manipulação emocional e coleta de dados pessoais, segundo uma nota técnica publicada neste mês pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

O estudo, que contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), afirma que esses produtos podem estar em desacordo com regras previstas no ECA Digital e recomenda que as irregularidades sejam apuradas pelos órgãos responsáveis.

O Sedigi pede que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) fiscalizem, entre outros pontos, se fabricantes e lojas informam corretamente os riscos desses produtos e como é feito o tratamento dos dados pessoais coletados pelos brinquedos.

Para elaborar o estudo, a Sedigi analisou seis dispositivos vendidos no Brasil por meio de marketplaces como Amazon, Mercado Livre, Shopee, AliExpress, Magazine Luiza, eBay e Casas Bahia. Os aparelhos são:

Loona (pet robótico);EMO (robô de companhia);Miko 3 (robô educativo);Aibi (pet robótico de bolso);Amazon Fire HD Kid Pro (tablet voltado a crianças de 6 a 12 anos);e Vector (robô autônomo).

Segundo a nota técnica, esses dispositivos costumam ter câmeras, microfones e outros sensores capazes de captar informações como biometria facial, voz e até características do ambiente doméstico.

Ao mesmo tempo, usam IA para manter conversas, simular emoções e adaptar suas respostas ao comportamento da criança, coletando dados continuamente durante a interação.

O documento afirma que esse tipo de vínculo pode favorecer a manipulação emocional e incentivar o uso excessivo dos brinquedos.

"Os vínculos estabelecidos com a criança, além de facilitar a manipulação emocional, podem incentivar o uso excessivo do brinquedo e potencialmente expor informações sensíveis a terceiros, sobretudo se houver falhas de segurança", diz a nota.

EMO é um robô infantil com IA que é vendido por R$ 3.084,23 no Brasil. — Foto: Reprodução/Amazon

A nota também cita como exemplo casos internacionais considerados preocupantes. Um deles é o da boneca My Friend Cayla, proibida na Alemanha após autoridades concluírem que ela podia gravar conversas acessadas por terceiros, levando o brinquedo a ser apelidado de "instrumento de espionagem".

Um dos aparelhos analisados pelo MJSP é o brinquedo Loona, um pet robótico que simula um animal de estimação. O brinquedo utiliza processamento de linguagem natural para entender comandos de voz, é integrado ao ChatGPT, conta com sensores para mapear a casa e usa uma câmera para reconhecer os usuários.

Em relação às plataformas de comércio eletrônico, o Ministério da Justiça afirma que elas também têm responsabilidade sobre a venda desses produtos.

Segundo a pasta, os sites devem informar de forma clara que o brinquedo utiliza IA e garantir que as embalagens e páginas de venda tragam avisos sobre o acesso à internet, os riscos à privacidade e a necessidade de supervisão parental.

"Os fatos relatados apontam para indícios de possíveis irregularidades, de caráter sistêmico, com potencial de afetar direitos fundamentais de crianças e adolescentes, o que recomenda apuração formal", conclui a nota.

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Dólar abre em alta nesta terça-feira, com juros e inflação no radar

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 09:49

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%Oferecido por

O dólar abriu a sessão desta terça-feira (7) em alta, com um avanço de 0,14% perto das 9h, cotado a R$ 5,1391. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.

▶️ Sem grandes destaques na agenda econômica, investidores seguem atentos às negociações entre Estados Unidos e Irã. Na véspera, dois navios comerciais e um petroleiro foram atingidos por mísseis na região do Estreito de Ormuz, segundo a agência marítima britânica UKMTO. De acordo com o site americano Axios, o bombardeio foi feito pelo Irã.

Os ataques voltam a levantar dúvidas sobre a duração e efetividade do cessar-fogo acordado entre Washington e Teerã, e podem aumentar as preocupações sobre uma nova interrupção do tráfego no Estreito, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo vendido no mundo.

▶️A reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também fica na mira dos mercados. O encontro, que tem início nesta terça-feira (7) em Ancara, na Turquia, acontece em um momento em que os membros da aliança discutem entre si e no qual a Ucrânia cobra ajuda para conter o poder de fogo da Rússia.

▶️ Além disso, os desdobramentos do tarifaço também seguem no radar. No início deste mês, grandes empresas como Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay se manifestaram contra as tarifas impostas pelo governo americano ao Brasil, alertando para impactos negativos na competitividade, nas cadeias de suprimentos e no bolso dos consumidores dos Estados Unidos se as barreiras forem adotadas.

▶️Investidores também seguem na expectativa pela ata da última reunião de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O documento, previsto para ser divulgado amanhã (8), deve conter comentários sobre a política de juros americana sob a gestão do novo banqueiro central dos EUA, Kevin Warsh.

▶️ Já no Brasil, as atenções ficam com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, previsto para sexta-feira (10). A expectativa é que o indicador mostre uma desaceleração, puxada principalmente pelo arrefecimento dos preços de alimentos.

O cessar-fogo acordado entre Estados Unidos e Irã voltou a ficar no centro das atenções, após dois navios comerciais e um petroleiro terem sido atingidos por mísseis no Estreito de Ormuz na última segunda-feira (6).

“Um petroleiro informou ter sido atingido por um projétil desconhecido no lado de bombordo, o que provocou um incêndio, enquanto navegava em direção ao sul”, escreveu a UKMTO em um comunicado.

O incidente levanta preocupações sobre novas retaliações dos Estados Unidos e uma nova interrupção no tráfego pelo Estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de 20% de todo o comércio de petróleo do mundo.

Já nesta terça-feira (7), o ministro das relações exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou o presidente americano, Donald Trump, e afirmou que não haverá mais negociações de paz a menos que o líder americano cesse suas ameaças de reiniciar a guerra.

Segundo Araqchi, as declarações violam os termos do memorando de entendimento alcançado no mês passado para suspender a guerra.

Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, operava em alta de 1%, cotado a US$ 72,71. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência dos EUA, avançava 0,90%, a US$ 69,17 o barril. Apesar dos ganhos do dia, os preços do petróleo seguem abaixo dos períodos mais críticos da guerra.

Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em queda, puxadas por empresas do setor imobiliário e conforme investidores aguardam pela ata da última reunião do Fed.

O CSI 300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen caiu 1,03%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, perdeu 1,26%.

No Japão, o índice Nikkei recuou 2,12%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 4,91% e o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,51%.

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Crescimento bilionário da fortuna de Trump reacende debate sobre conflito de interesses; compare as regras dos EUA e do Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 05:50

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%Oferecido por

O crescimento da fortuna do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu segundo mandato reacendeu o debate sobre ética pública e conflitos de interesse envolvendo chefes de Estado. Apenas no ano passado, após retornar à Casa Branca, Trump acrescentou mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,3 bilhões) ao patrimônio.

Segundo a declaração financeira divulgada pelo próprio presidente, a expansão da riqueza foi impulsionada por negócios da família, especialmente nas áreas de criptomoedas e licenciamento de marca.

A questão é que parte desse crescimento ocorreu enquanto o governo Trump promovia mudanças regulatórias favoráveis ao mercado de ativos digitais.

Segundo reportagem do jornal "The New York Times", o presidente e sua família ampliaram os negócios no setor ao mesmo tempo em que o governo flexibilizou regras para a indústria, o que configuraria possíveis conflitos de interesse.

Diferentemente de presidentes anteriores, Trump optou por não transferir seus ativos para um blind trust ("fundo cego", em inglês), opção tradicionalmente usada para reduzir a percepção de problemas entre interesses privados e decisões públicas.

🔎 O blind trust é um mecanismo em que uma pessoa transfere a administração de seus bens e investimentos para um gestor independente. Durante esse período, o proprietário não sabe como os ativos são administrados nem participa das decisões sobre eles.

Críticos ouvidos pelo jornal, entre eles representantes do Project on Government Oversight e da Transparência Internacional nos EUA, classificaram a situação como um conflito de interesses sem precedentes.

A Casa Branca rejeita as críticas. Em declaração ao jornal "Financial Times", a porta-voz Anna Kelly afirmou que Trump "implementou políticas que tornaram todos os americanos mais ricos e prósperos". Segundo ela, os negócios privados são administrados pelos filhos do presidente.

Embora o aumento do patrimônio de um chefe de Estado, por si só, não configure uma irregularidade, ele pode levantar questionamentos quando houver indícios de que decisões públicas tenham beneficiado interesses privados.

Para Michel Sancovski, sócio da área de Anticorrupção & Compliance do Tauil & Chequer Advogados associado ao Mayer Brown, "o aspecto central é se esse aumento decorreu do exercício do cargo ou de situações que possam comprometer a imparcialidade das decisões públicas".

Segundo ele, a análise também deve levar em conta se decisões do governo favoreceram ou podem ter favorecido o enriquecimento do próprio governante.

O debate sobre os negócios de Trump também chegou ao Congresso dos EUA. Entidades que acompanham o tema defendem a inclusão de uma emenda na Clarity Act, projeto que regulamenta o mercado de ativos digitais no país.

A proposta proibiria ocupantes de cargos eletivos e seus familiares mais próximos de lucrar com determinados negócios ligados ao setor durante o exercício do mandato. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Representantes e aguarda análise do Senado.

Projeto de nova cédula de dólar no valor de US$ 250 com o rosto de Donald Trump — Foto: Departamento de Gravura e Impressão via Washington Post

Pela legislação americana, o presidente e o vice-presidente estão isentos da principal lei federal sobre conflitos de interesse no Poder Executivo (18 U.S.C. § 208). Na prática, isso significa que o presidente pode manter empresas, investimentos e outros bens durante o mandato.

Em geral, a norma impede que autoridades tomem decisões oficiais que possam beneficiar seus próprios interesses financeiros. Por isso, é considerada um dos principais instrumentos de prevenção de conflitos de interesse e de combate à corrupção no governo federal.

Em contrapartida, a legislação exige a divulgação anual, em relatórios públicos, de informações detalhadas sobre patrimônio, renda, dívidas e participações societárias.

Além disso, a Constituição americana determina que o presidente não pode receber presentes, pagamentos ou benefícios de governos estrangeiros sem autorização do Congresso. Também proíbe que receba remuneração adicional dos governos federal ou estaduais além do salário do cargo.

🔎 Como a legislação não obriga o presidente a vender empresas nem a transferir seus bens para um fundo independente, muitos ocupantes da Casa Branca adotam essas medidas de forma voluntária para reduzir a percepção de conflitos de interesse.

O Escritório de Ética Governamental (Office of Government Ethics – OGE) fiscaliza o cumprimento das regras de ética no governo federal, mas não tem poder para obrigar o presidente a vender empresas, investimentos ou outros ativos.

No Brasil, não há uma lei voltada exclusivamente ao presidente da República sobre situações desse tipo. No entanto, a Lei de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013) também se aplica ao chefe do Executivo federal por sua condição de agente público.

A norma determina que o presidente deve evitar situações em que interesses privados possam interferir no exercício da função pública e proteger informações privilegiadas.

🔎 Pela legislação brasileira, conflito de interesses é qualquer situação em que um interesse privado possa influenciar de forma imprópria a atuação do agente público, mesmo que não haja prejuízo aos cofres públicos ou vantagem financeira.

Segundo Sancovski, a lei brasileira adota uma lógica preventiva. "A lei busca impedir que interesses privados interfiram na atuação do agente público antes mesmo da demonstração de um benefício econômico efetivo ou de prejuízo ao poder público", afirma.

Usar ou divulgar informações privilegiadas em benefício próprio ou de terceiros;Exercer atividades privadas incompatíveis com o cargo;Prestar serviços ou fazer negócios com pessoas ou empresas interessadas em decisões do governo;Tomar decisões que beneficiem empresas das quais ele, o cônjuge ou parentes até o terceiro grau participem;Receber presentes de pessoas ou empresas interessadas em decisões sob sua responsabilidade além dos limites previstos em regulamento.

A proibição de utilizar informações privilegiadas permanece válida mesmo após o fim do mandato. Por outro lado, a legislação também não impede que o presidente seja sócio ou acionista de empresas.

"O que a legislação veda é que ele atue na gestão ou na administração desses negócios enquanto estiver no cargo ou utilize a função pública para favorecê-los", explica Sancovski.

Segundo ele, o presidente também não pode participar de decisões governamentais nas quais seus interesses privados possam influenciar sua atuação.

A fiscalização do presidente e das demais autoridades do alto escalão do governo federal é feita pela Comissão de Ética Pública (CEP), vinculada à Presidência da República.

Entre as obrigações estão a entrega anual de informações sobre patrimônio, participações em empresas e atividades econômicas, além da divulgação diária da agenda oficial de compromissos.

A Comissão também pode ser consultada para avaliar se determinada situação configura conflito de interesses.

🛑 Se houver violação da lei, o agente público pode responder por improbidade administrativa. As punições incluem perda do cargo, suspensão dos direitos políticos, multa, ressarcimento ao poder público, quando houver dano, e proibição de contratar com o governo ou de receber benefícios fiscais por três anos.

A legislação deixa claro que um conflito de interesses pode existir mesmo sem prejuízo aos cofres públicos ou ganho financeiro para o agente público.

No Brasil, candidatos à Presidência da República devem declarar seu patrimônio à Justiça Eleitoral. Depois de eleito, o presidente da República deve encaminhar anualmente à Comissão de Ética Pública informações atualizadas.

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25 tipos de agrotóxicos são detectados no rio Tietê, mostra estudo da SOS Mata Atlântica

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 04:47

Agro 25 tipos de agrotóxicos são detectados no rio Tietê, mostra estudo da SOS Mata Atlântica Entre eles, está a atrazina, herbicida que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou, em 2024, como potencialmente cancerígeno. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

Um estudo da SOS Mata Atlântica detectou 25 tipos de agrotóxicos em coletas de água realizadas em 14 pontos diferentes do rio Tietê.

As amostras continham herbicidas, fungicidas e inseticidas. Essas substâncias são amplamente utilizadas em plantações de cana-de-açúcar, soja e citros na bacia.

A pesquisa identificou a presença de atrazina em níveis acima do limite permitido. O herbicida é proibido na União Europeia por riscos à saúde.

A expedição ocorreu entre os dias 9 e 14 de junho de 2025. Foram identificados microplásticos e 16 substâncias entre medicamentos e drogas ilícitas.

Pesquisadoras e pesquisadores coletaram amostras da água em 14 pontos do rio. — Foto: SOS Mata Atlântica

Vinte e cinco tipos de agrotóxicos foram encontrados ao menos uma vez em amostras de água coletadas em 14 pontos do rio Tietê durante uma expedição realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa.

As análises identificaram herbicidas, fungicidas e inseticidas amplamente usados em culturas predominantes na bacia do Tietê, como cana-de-açúcar, soja e citros (laranja e limão).

➡️ Após a aplicação nas lavouras, apenas parte dos agrotóxicos atinge as pragas. O restante pode ser carregado pela chuva ou infiltrar-se no solo, chegando a rios, córregos e outras fontes de água.

O estudo, conduzido pelo Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP, identificou a presença de atrazina, herbicida usado no Brasil para controlar plantas daninhas, mas proibido na União Europeia desde 2004 por causa dos riscos ao meio ambiente e à saúde humana.

Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a atrazina como uma substância com potencial para causar câncer.

Em alguns trechos do Tietê, a concentração de atrazina superou o limite estabelecido pela Resolução Conama nº 357/2005, que define os padrões de qualidade da água em rios brasileiros.

Os herbicidas tebutiurom e clomazona, por sua vez, foram encontrados em todos os pontos de coleta ao longo do rio. As maiores concentrações dessas substâncias foram registradas no trecho entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, região marcada pela intensa atividade agrícola.

Mesmo na região da nascente, em Salesópolis, considerada relativamente preservada, foram identificados herbicidas e inseticidas.

Veja abaixo a lista dos agrotóxicos encontrados e a frequência com que foram detectados nas amostras de água coletadas em 14 pontos do rio Tietê.

Tebutiurom: 100%Clomazona: 100%Diurom: 92,86%Ciproconazol: 85,71%Hexazinona: 85,71%Atrazina: 85,71%Terbutilazina: 85,71%Acetamiprido: 85,71%Azoxistrobina: 78,57%Ametrina: 78,57%Metalaxil-M: 71,43%Tebuconazol: 71,43%Metribuzim: 71,43%Prometrina: 64,29%Fipronil: 64,29%Imidacloprido: 57,14%Malationa: 50%Bentazona: 42,86%Tiametoxam: 42,86%Bromacil: 28,57%Propamocarbe: 21,43%Trifloxistrobina: 14,29%Fludioxonil: 14,29%Indaziflam: 7,14%Mesotriona: 7,14%

Segundo o estudo, os fungicidas e inseticidas encontrados no rio podem prejudicar peixes e outros organismos aquáticos. Entre os impactos estão alterações no funcionamento do organismo desses animais, mudanças de comportamento e desequilíbrios na cadeia alimentar.

O problema pode ser ainda maior quando diferentes agrotóxicos estão presentes ao mesmo tempo, já que a combinação dessas substâncias pode potencializar seus efeitos.

"Embora processos naturais de diluição e autodepuração ocorram ao longo do rio, especialmente nos trechos Médio e Baixo Tietê, a água dessas regiões é utilizada para abastecimento público, o que suscita preocupações adicionais", diz o relatório.

"Isso porque os sistemas convencionais de tratamento nem sempre são plenamente eficazes na remoção de diversos contaminantes orgânicos, incluindo diferentes classes de agrotóxicos", acrescenta.

A expedição percorreu mais de 1.100 quilômetros do rio Tietê entre os dias 9 e 14 de junho de 2025, da nascente, em Salesópolis, até a foz no rio Paraná, em Itapura.

Além dos agrotóxicos, as análises identificaram microplásticos em todos os pontos de coleta e 16 substâncias, entre medicamentos e drogas ilícitas, incluindo cocaína.

Equipe utilizou barcos em diversos trechos da expedição para poder coletar a água no ponto médio entre as margens. — Foto: SOS Mata Atlântica

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Recuperação extrajudicial dispara no Brasil; entenda por que mais empresas seguem esse caminho

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 04:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%MoedasDólar ComercialR$ 5,132-0,7%Dólar TurismoR$ 5,338-0,72%Euro ComercialR$ 5,872-0,65%Euro TurismoR$ 6,123-0,67%B3Ibovespa172.448 pts-0,93%Oferecido por

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, com dívidas de R$ 65,1 bilhões, chamou a atenção do mercado em 2026. Mas a gigante do setor de açúcar e etanol está longe de ser um caso isolado.

Após anos de juros elevados, entre os mais altos do mundo, um número crescente de empresas brasileiras tem buscado negociar com credores fora dos tribunais para evitar os custos e os impactos associados à recuperação judicial.

Os pedidos de recuperação extrajudicial saltaram de 16, em 2021, para 84 no ano passado. Os casos envolvem empresas de setores como indústria, mineração, varejo, agronegócio e logística, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre).

Esse aumento reflete o peso da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano, sobre muitas empresas brasileiras, especialmente as que contraíram empréstimos elevados durante a pandemia, quando a Selic caiu ao mínimo histórico de 2% ao ano.

Preços dos combustíveis exibidos em um posto de gasolina Shell em Copenhague, Dinamarca — Foto: Reuters

Mas esse movimento também é resultado de uma reforma aprovada em 2020, que fortaleceu o mecanismo no Brasil e promoveu "uma mudança cultural", segundo Juliana Biolchi, diretora do Obre.

Segundo Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital, a atualização tornou as reestruturações extrajudiciais mais flexíveis. A mudança permitiu que as empresas excluíssem algumas classes de credores e incentivou o início das negociações de dívida antes que fosse necessário recorrer à recuperação judicial.

Segundo Saragiotto, as reestruturações judiciais são complexas e custosas porque "envolvem todos os credores, afetando a reputação da companhia e o acesso às linhas de crédito, além da manutenção do negócio em si".

"No momento em que um pedido de recuperação judicial é deferido, a empresa ganha esse carimbo maldito", completa.

A recuperação extrajudicial permite que empresas em dificuldades negociem diretamente com grupos específicos de credores. Depois de aprovado por maioria simples, o plano passa a valer para todos os credores das classes afetadas, impedindo que quem rejeitou o acordo consiga barrá-lo.

Segundo Biolchi, a simplicidade do processo em relação à recuperação judicial fez com que ele passasse a ser "cada vez mais associado a crises financeiras menos agudas".

O mecanismo ganhou mais visibilidade em 2024, quando a rede varejista Casas Bahia obteve aprovação judicial para uma recuperação extrajudicial de cerca de R$ 4,1 bilhões.

Segundo a empresa, o plano não afetou fornecedores, parceiros comerciais, clientes nem funcionários.

Depois da Casas Bahia, vieram outros casos de grande repercussão, como o da rede de móveis Tok&Stok, também em 2024. Entre os pedidos mais recentes está o do GPA, que, em março, solicitou aprovação para reorganizar uma dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões.

Empresas do agronegócio, setor que enfrenta um elevado endividamento, também passaram a recorrer ao mecanismo, indicando que seu uso tem se espalhado por diferentes áreas da economia.

Impulsionado pelo caso da Raízen, o volume de dívidas das empresas que pediram recuperação extrajudicial em 2026 já supera R$ 109 bilhões. Em 2024, esse total foi de R$ 41,5 bilhões, refletindo o avanço do movimento e seus impactos no mercado.

"Os investidores estão muito mais preocupados com o risco de crédito do que estavam no passado", disse Caio Viggiano, diretor da área de renda fixa do Itaú BBA. Segundo ele, os conflitos globais, os juros elevados e a onda de reestruturações corporativas explicam essa mudança.

Especialistas acreditam que o número de recuperações extrajudiciais deve continuar crescendo nos próximos meses.

A Oncoclínicas, maior empresa de tratamento oncológico da América Latina, está entre as companhias que avaliam recorrer ao mecanismo, segundo reportagens da imprensa e uma fonte com conhecimento das discussões. Procurada, a empresa se recusou a comentar.

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Do café ao arroz: El Niño ameaça produção e pode elevar preços dos alimentos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 03:46

Agro Do café ao arroz: El Niño ameaça produção e pode elevar preços dos alimentos Economistas afirmam que o fenômeno climático pode reduzir a oferta de produtos como café, milho, frutas e leite, pressionando a inflação dos alimentos nos próximos meses. Por Vivian Souza, g1 — São Paulo

O El Niño pode reduzir a oferta de alguns alimentos e aumentar os preços nos supermercados brasileiros, apontam economistas consultados pelo g1.

El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele pode causar secas em algumas regiões produtoras e chuvas mais intensas em outras.

Ainda não é certo qual será a sua intensidade, porém, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) estima mais de 60% de chances de um evento muito forte no período de novembro a janeiro.

Os primeiros impactos devem ser sentidos nas hortaliças, que são mais sensíveis às mudanças no clima.

Se o El Niño for realmente mais intenso, alimentos cultivados por safra, caso do milho e do café, devem encarecer no ano que vem. Isso porque são culturas plantadas no segundo semestre.

Está cada vez mais claro: o El Niño pode reduzir a oferta de alguns alimentos e aumentar os preços nos supermercados brasileiros, apontam economistas consultados pelo g1.

"Certamente vai impactar preço dos alimentos. É meio que inevitável, principalmente se afetar as janelas de plantio ou mesmo prejudicar a produção na hora da colheita", afirma Leandro Gilio, pesquisador no Insper Agro Global.

🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele pode causar secas em algumas regiões produtoras e chuvas mais intensas em outras.

Ainda não é certo qual será a sua intensidade, mas a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) estima mais de 60% de chances de um evento muito forte no período de novembro a janeiro.

Os primeiros impactos devem ser sentidos nas hortaliças, que são mais sensíveis às mudanças no clima. Se o El Niño for realmente mais intenso, alimentos cultivados por safra devem encarecer no ano que vem.

Segundo Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, os principais produtos que devem ser afetados são milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz. O leite também pode ser impactado, dependendo do nível das chuvas no Sul do país.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a pecuária deve ser a atividade mais afetada no Centro-Oeste e no Norte, onde pode faltar água para as pastagens.

O instituto também prevê que algumas regiões do país podem ser beneficiadas. No Nordeste, o baixo volume de chuvas e o calor favorecem a colheita do feijão. Já no Sul, as chuvas acima da média podem ser boas para as culturas de inverno.

Por causa do El Niño, o Ministério da Fazenda deve aumentar sua previsão oficial para a inflação de 2026. A expectativa é que os preços subam mais do que o estimado em maio, quando a projeção era de 4,5%.

O El Niño causa irregularidade nas chuvas, que podem ser intensas depois de intervalos de estiagem. Com isso, aumenta o risco de floradas antes da hora e sem uniformidade nas lavouras de café. As flores que aparecerem podem ser abortadas ou formar grãos menores.

Outro ponto de atenção é que o fenômeno favorece temperaturas mais elevadas, episódios de calor intenso e perda de água do solo.

🔎 Para o café arábica, o mais popular no Brasil e mais sensível a esse tipo de estresse, pode haver ainda a perda da qualidade do produto.

Esse cenário traz preocupação para o setor, que iniciou o ano com uma expectativa de uma safra recorde, de mais de 66 milhões de sacas, afirma Celírio Inácio da Silva, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

As chuvas já registradas em regiões produtoras atrasaram a colheita do café conilon. Isso pode reduzir a qualidade e a produtividade, além de favorecer pragas e fungos.

"Isso vai fazer com que a oferta não seja tão boa quanto se imagina e o mercado internacional, já sabendo que os estoques estão vazios, começa a ter especulações e isso pode fazer com que o preço da matéria-prima vá subir", afirma o diretor executivo.

Já para o café arábica, a principal preocupação é a produção de 2027, a qual os produtores já investiram para um aumento da área de plantio. Caso o El Niño aconteça de forma mais intensa, o setor espera uma perda de 25% da produção, diz Silva.

Contudo, ele afirma que ainda não dá para prever quando isso acontecerá, dependendo de como o fenômeno vai se desenvolver nas regiões produtoras.

Em anos de El Niño, a produtividade média global de milho apresenta uma queda de cerca de 4%, aponta o Itaú BBA. Isso acontece principalmente em regiões tropicais, como o sudeste Asiático, o Sul da China e na África.

O comportamento é o oposto do da soja, que tem um crescimento da produtividade em até 5%, puxada principalmente por países como EUA, Brasil e Argentina.

🔎 No Brasil, o principal impacto costuma atingir a segunda safra de milho. As chuvas irregulares atrasam o plantio da soja no Centro-Oeste. Com isso, a colheita também atrasa e reduz o período ideal para plantar milho.

Com o El Niño, alguns produtores optam por diminuir a área plantada ou decidem trocar o grão pelo sorgo, afirma Glauber Silveira, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho).

Para ele, a previsão de excesso de chuva no Sul preocupa ainda mais do que a seca no Centro-Oeste, porque pode reduzir a produtividade e aumentar a incidência de doenças.

Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, afirma que a área plantada também cresce menos por causa dos custos mais altos e das margens menores de lucro.

Segundo ele, uma queda na produção do Mato Grosso pode afetar os preços do milho no mercado internacional.

Caso o preço do milho suba em 2027, a carne também deve encarecer, uma vez que o grão é ingrediente da ração usada na criação em confinamento, afirma Alves.

Além disso, a criação de animais pode ser prejudicada pela menor disponibilidade de pastagens, por causa do deficit hídrico e da seca.

🔎 Isso prejudica a produção de leite e dificulta o ganho de peso dos animais destinados ao abate, explica Danyella Bonfim, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O calor excessivo também causa estresse nos animais, que passam a comer menos.

No Sul do Brasil, as chuvas mais volumosas podem gerar podridão, perda de qualidade e atraso no plantio.

Alimentos como a cebola, batata, tomate e cenoura são os principais afetados, aponta o Itaú BBA.Já a maçã pode ser afetada no momento da florada e da formação dos frutos, com aparecimento de doenças. A uva, no Rio Grande do Sul, pode ter uma queda na produção por causa do excesso de umidade.Em algumas regiões, porém, a redução do nível dos reservatórios pode dificultar a irrigação. Isso preocupa produtores de frutas mais sensíveis, como a manga, o mamão e a uva.

Por exemplo, no Nordeste, o tempo seco e as altas temperaturas vão favorecer o melão e a melancia nas lavouras irrigadas.

Para a laranja, a expectativa é de que hajam temperaturas acima da média no cinturão citrícola paulista. O calor pode prejudicar a florada, que acontece entre setembro e novembro, e causando o abortamento das flores e a queda de frutos jovens, aponta o Itaú BBA.

A safra da laranja já estava estimada com redução, por causa da falta de rentabilidade, do menor consumo e de doenças na lavoura. Com o El Niño, a tendência é que ela seja ainda menor, elevando os preços do suco e diminuindo a qualidade das frutas, explica Wharlhey Nunes, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Segundo o Itaú BBA, o fenômeno pode provocar chuvas fora de época no Centro-Sul, região responsável por cerca de 90% da moagem de cana no país.

O excesso de umidade também pode reduzir a qualidade da matéria-prima e atrasar o acúmulo de sacarose. Com isso, aumenta o risco de colher a cana antes do ponto ideal de maturação.

Já nos plantios do Norte e Nordeste, a seca e o calor devem gerar estresse hídrico e térmico, comprometendo o desenvolvimento da planta.

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Do café ao arroz: El Niño ameaça produção e pode elevar preços dos alimentos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 03:46

Agro Do café ao arroz: El Niño ameaça produção e pode elevar preços dos alimentos Economistas afirmam que o fenômeno climático pode reduzir a oferta de produtos como café, milho, frutas e leite, pressionando a inflação dos alimentos nos próximos meses. Por Vivian Souza, g1 — São Paulo

O El Niño pode reduzir a oferta de alguns alimentos e aumentar os preços nos supermercados brasileiros, apontam economistas consultados pelo g1.

El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele pode causar secas em algumas regiões produtoras e chuvas mais intensas em outras.

Ainda não é certo qual será a sua intensidade, porém, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) estima mais de 60% de chances de um evento muito forte no período de novembro a janeiro.

Os primeiros impactos devem ser sentidos nas hortaliças, que são mais sensíveis às mudanças no clima.

Se o El Niño for realmente mais intenso, alimentos cultivados por safra, caso do milho e do café, devem encarecer no ano que vem. Isso porque são culturas plantadas no segundo semestre.

Está cada vez mais claro: o El Niño pode reduzir a oferta de alguns alimentos e aumentar os preços nos supermercados brasileiros, apontam economistas consultados pelo g1.

"Certamente vai impactar preço dos alimentos. É meio que inevitável, principalmente se afetar as janelas de plantio ou mesmo prejudicar a produção na hora da colheita", afirma Leandro Gilio, pesquisador no Insper Agro Global.

🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele pode causar secas em algumas regiões produtoras e chuvas mais intensas em outras.

Ainda não é certo qual será a sua intensidade, mas a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) estima mais de 60% de chances de um evento muito forte no período de novembro a janeiro.

Os primeiros impactos devem ser sentidos nas hortaliças, que são mais sensíveis às mudanças no clima. Se o El Niño for realmente mais intenso, alimentos cultivados por safra devem encarecer no ano que vem.

Segundo Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, os principais produtos que devem ser afetados são milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz. O leite também pode ser impactado, dependendo do nível das chuvas no Sul do país.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a pecuária deve ser a atividade mais afetada no Centro-Oeste e no Norte, onde pode faltar água para as pastagens.

O instituto também prevê que algumas regiões do país podem ser beneficiadas. No Nordeste, o baixo volume de chuvas e o calor favorecem a colheita do feijão. Já no Sul, as chuvas acima da média podem ser boas para as culturas de inverno.

Por causa do El Niño, o Ministério da Fazenda deve aumentar sua previsão oficial para a inflação de 2026. A expectativa é que os preços subam mais do que o estimado em maio, quando a projeção era de 4,5%.

O El Niño causa irregularidade nas chuvas, que podem ser intensas depois de intervalos de estiagem. Com isso, aumenta o risco de floradas antes da hora e sem uniformidade nas lavouras de café. As flores que aparecerem podem ser abortadas ou formar grãos menores.

Outro ponto de atenção é que o fenômeno favorece temperaturas mais elevadas, episódios de calor intenso e perda de água do solo.

🔎 Para o café arábica, o mais popular no Brasil e mais sensível a esse tipo de estresse, pode haver ainda a perda da qualidade do produto.

Esse cenário traz preocupação para o setor, que iniciou o ano com uma expectativa de uma safra recorde, de mais de 66 milhões de sacas, afirma Celírio Inácio da Silva, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

As chuvas já registradas em regiões produtoras atrasaram a colheita do café conilon. Isso pode reduzir a qualidade e a produtividade, além de favorecer pragas e fungos.

"Isso vai fazer com que a oferta não seja tão boa quanto se imagina e o mercado internacional, já sabendo que os estoques estão vazios, começa a ter especulações e isso pode fazer com que o preço da matéria-prima vá subir", afirma o diretor executivo.

Já para o café arábica, a principal preocupação é a produção de 2027, a qual os produtores já investiram para um aumento da área de plantio. Caso o El Niño aconteça de forma mais intensa, o setor espera uma perda de 25% da produção, diz Silva.

Contudo, ele afirma que ainda não dá para prever quando isso acontecerá, dependendo de como o fenômeno vai se desenvolver nas regiões produtoras.

Em anos de El Niño, a produtividade média global de milho apresenta uma queda de cerca de 4%, aponta o Itaú BBA. Isso acontece principalmente em regiões tropicais, como o sudeste Asiático, o Sul da China e na África.

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🔎 No Brasil, o principal impacto costuma atingir a segunda safra de milho. As chuvas irregulares atrasam o plantio da soja no Centro-Oeste. Com isso, a colheita também atrasa e reduz o período ideal para plantar milho.

Com o El Niño, alguns produtores optam por diminuir a área plantada ou decidem trocar o grão pelo sorgo, afirma Glauber Silveira, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho).

Para ele, a previsão de excesso de chuva no Sul preocupa ainda mais do que a seca no Centro-Oeste, porque pode reduzir a produtividade e aumentar a incidência de doenças.

Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, afirma que a área plantada também cresce menos por causa dos custos mais altos e das margens menores de lucro.

Segundo ele, uma queda na produção do Mato Grosso pode afetar os preços do milho no mercado internacional.

Caso o preço do milho suba em 2027, a carne também deve encarecer, uma vez que o grão é ingrediente da ração usada na criação em confinamento, afirma Alves.

Além disso, a criação de animais pode ser prejudicada pela menor disponibilidade de pastagens, por causa do deficit hídrico e da seca.

🔎 Isso prejudica a produção de leite e dificulta o ganho de peso dos animais destinados ao abate, explica Danyella Bonfim, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O calor excessivo também causa estresse nos animais, que passam a comer menos.

No Sul do Brasil, as chuvas mais volumosas podem gerar podridão, perda de qualidade e atraso no plantio.

Alimentos como a cebola, batata, tomate e cenoura são os principais afetados, aponta o Itaú BBA.Já a maçã pode ser afetada no momento da florada e da formação dos frutos, com aparecimento de doenças. A uva, no Rio Grande do Sul, pode ter uma queda na produção por causa do excesso de umidade.Em algumas regiões, porém, a redução do nível dos reservatórios pode dificultar a irrigação. Isso preocupa produtores de frutas mais sensíveis, como a manga, o mamão e a uva.

Por exemplo, no Nordeste, o tempo seco e as altas temperaturas vão favorecer o melão e a melancia nas lavouras irrigadas.

Para a laranja, a expectativa é de que hajam temperaturas acima da média no cinturão citrícola paulista. O calor pode prejudicar a florada, que acontece entre setembro e novembro, e causando o abortamento das flores e a queda de frutos jovens, aponta o Itaú BBA.

A safra da laranja já estava estimada com redução, por causa da falta de rentabilidade, do menor consumo e de doenças na lavoura. Com o El Niño, a tendência é que ela seja ainda menor, elevando os preços do suco e diminuindo a qualidade das frutas, explica Wharlhey Nunes, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Segundo o Itaú BBA, o fenômeno pode provocar chuvas fora de época no Centro-Sul, região responsável por cerca de 90% da moagem de cana no país.

O excesso de umidade também pode reduzir a qualidade da matéria-prima e atrasar o acúmulo de sacarose. Com isso, aumenta o risco de colher a cana antes do ponto ideal de maturação.

Já nos plantios do Norte e Nordeste, a seca e o calor devem gerar estresse hídrico e térmico, comprometendo o desenvolvimento da planta.

Mel brasileiro será defendido em audiência contra tarifaço nos EUABrasil deve atingir cota de exportação de carne para a China em agosto, e preço do boi gordo cai

Há 5 horas Economia Em audiência, setor produtivo quer mostrar que tarifas prejudicam os EUAHá 5 horasItamaraty vê ‘risco’ de EUA usarem ‘força militar’ contra o Brasil após PCC e CV serem declarados terroristas

Há 3 horas Política Hermanos x FaraósArgentina de Messi enfrenta o Egito pelas oitavas hoje; veja onde assistir

Há 3 horas Mundo Expulsão revogada 🟥Perfil de Balogun é invadido por torcedores rivais: ‘Corrupção’

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Menores que um pônei, mini-horses conquistam brasileiros e são criados como pets até em quintais de casa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 03:46

GLOBO RURAL Menores que um pônei, mini-horses conquistam brasileiros e são criados como pets até em quintais de casa Raça reúne cerca de 9 mil animais registrados e atrai compradores em busca de companhia, enquanto criadores transformam a atividade em fonte de renda. Por Redação g1

A raça brasileira de minicavalos ganha espaço no mercado do país. Os animais são criados principalmente como pets, inclusive em quintais.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, a veterinária Ana Maria Lorenzetti adquiriu um exemplar para seu jardim. O custo mensal de alimentação é de R$ 80.

O mini-horse brasileiro surgiu em 2002 a partir do cruzamento de pôneis nacionais menores com a raça norte-americana Miniature Horse.

No mesmo município, Rogério Andrade vive da criação de 48 animais. Os machos custam em média R$ 6 mil e as fêmeas R$ 8 mil.

Uma raça de pônei desenvolvida no Brasil tem ganhado espaço no mercado e se transformado em fonte de renda para criadores em diferentes regiões do país.

Menores do que os pôneis tradicionais, os chamados mini-horses (minicavalos, em português) são criados principalmente como animais de estimação e, em muitos casos, vivem até mesmo em quintais de casas.

Atualmente, existem cerca de 9 mil minicavalos registrados no Brasil, e a maior parte dos compradores busca esses animais para companhia.

Foi o caso da veterinária Ana Maria Lorenzetti, que mora na área urbana de Santa Cruz do Rio Pardo e realizou o sonho de ter um exemplar chamado Trovão.

A veterinária Ana Maria Lorenzetti, que mora na área urbana de Santa Cruz do Rio Pardo, com seu mini-horse chamado Trovão. — Foto: Reprodução Globo Rural

Ela conta que sempre via vídeos da raça nas redes sociais e decidiu adquirir o animal quando passou a morar em uma casa com jardim.

Hoje, Trovão divide espaço com cinco gatos e quatro cachorros, incluindo um Dobermann. Durante o dia, ele fica solto pelo quintal. À noite, permanece em um pequeno piquete e utiliza uma casinha para se abrigar da chuva.

Segundo a tutora, o gasto mensal com alimentação é de cerca de R$ 80. Além disso, é necessário recolher diariamente as fezes produzidas pelo animal.

Apesar dos cuidados, ela afirma que o mini-horse é dócil, amigável e se tornou um verdadeiro companheiro.

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HTrovão divide espaço com cinco gatos e quatro cachorros, incluindo um Dobermann. — Foto: Reprodução Globo Rural

A origem dos pôneis remonta a milhares de anos. Em regiões com poucos recursos naturais, cavalos menores tiveram mais facilidade para sobreviver e se reproduzir, dando origem às diversas raças de pôneis existentes atualmente.

No Brasil, a raça mais difundida é o pônei brasileiro. Em 2002, criadores passaram a selecionar os menores exemplares para reprodução e introduziram animais da raça norte-americana Miniature Horse. O cruzamento deu origem ao mini-horse brasileiro.

Enquanto o pônei pode medir até 1,15 metro de altura, o mini-horse tem limite de 89 centímetros para machos. Além disso, os criadores buscam animais mais proporcionais, com pescoço, cabeça e corpo mais leves, lembrando um cavalo em miniatura.

Na zona rural do mesmo município, em um sítio de apenas um hectare, vive Rogério Andrade, que encontrou na criação desses animais o principal sustento da família.

O interesse por equinos começou ainda na infância, quando ganhou o primeiro pônei aos 12 anos. Já adulto, decidiu investir na criação do mini-horse, raça que ajudou a desenvolver no Brasil.

Na propriedade de Rogério, a reprodução é feita por monta natural. O plantel reúne 25 éguas, três garanhões e cerca de 20 filhotes com até um ano de idade.

Segundo o criador, o custo mensal de manutenção de cada animal gira em torno de R$ 300, incluindo alimentação, vacinas e mão de obra.

A dieta é semelhante à de cavalos de grande porte, mas em quantidades menores. Enquanto um cavalo de aproximadamente 400 quilos consome até quatro quilos de ração por dia, um mini-horse adulto pesa cerca de 100 quilos e ingere aproximadamente um quilo diário, além de capim e suplementação mineral.

O preço varia conforme o porte e a pelagem. Os machos custam, em média, R$ 6 mil, enquanto as fêmeas são comercializadas por cerca de R$ 8 mil.

Antes da entrega, passam por banho, tosa higiênica e casqueamento. Por serem pequenos, podem ser transportados na carroceria de uma caminhonete.

Com o aumento da procura, Rogério afirma que a atividade deixou de ser apenas um hobbie e se transformou em seu principal negócio.

Na avaliação dele, a raça exige relativamente pouco espaço, tem custo de manutenção acessível e apresenta boa demanda, fatores que impulsionam o crescimento do mercado.

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Há 3 horas Mundo Expulsão revogada 🟥Perfil de Balogun é invadido por torcedores rivais: ‘Corrupção’

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Menores que um pônei, mini-horses conquistam brasileiros e são criados como pets até em quintais de casa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 03:46

GLOBO RURAL Menores que um pônei, mini-horses conquistam brasileiros e são criados como pets até em quintais de casa Raça reúne cerca de 9 mil animais registrados e atrai compradores em busca de companhia, enquanto criadores transformam a atividade em fonte de renda. Por Redação g1

A raça brasileira de minicavalos ganha espaço no mercado do país. Os animais são criados principalmente como pets, inclusive em quintais.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, a veterinária Ana Maria Lorenzetti adquiriu um exemplar para seu jardim. O custo mensal de alimentação é de R$ 80.

O mini-horse brasileiro surgiu em 2002 a partir do cruzamento de pôneis nacionais menores com a raça norte-americana Miniature Horse.

No mesmo município, Rogério Andrade vive da criação de 48 animais. Os machos custam em média R$ 6 mil e as fêmeas R$ 8 mil.

Uma raça de pônei desenvolvida no Brasil tem ganhado espaço no mercado e se transformado em fonte de renda para criadores em diferentes regiões do país.

Menores do que os pôneis tradicionais, os chamados mini-horses (minicavalos, em português) são criados principalmente como animais de estimação e, em muitos casos, vivem até mesmo em quintais de casas.

Atualmente, existem cerca de 9 mil minicavalos registrados no Brasil, e a maior parte dos compradores busca esses animais para companhia.

Foi o caso da veterinária Ana Maria Lorenzetti, que mora na área urbana de Santa Cruz do Rio Pardo e realizou o sonho de ter um exemplar chamado Trovão.

A veterinária Ana Maria Lorenzetti, que mora na área urbana de Santa Cruz do Rio Pardo, com seu mini-horse chamado Trovão. — Foto: Reprodução Globo Rural

Ela conta que sempre via vídeos da raça nas redes sociais e decidiu adquirir o animal quando passou a morar em uma casa com jardim.

Hoje, Trovão divide espaço com cinco gatos e quatro cachorros, incluindo um Dobermann. Durante o dia, ele fica solto pelo quintal. À noite, permanece em um pequeno piquete e utiliza uma casinha para se abrigar da chuva.

Segundo a tutora, o gasto mensal com alimentação é de cerca de R$ 80. Além disso, é necessário recolher diariamente as fezes produzidas pelo animal.

Apesar dos cuidados, ela afirma que o mini-horse é dócil, amigável e se tornou um verdadeiro companheiro.

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A origem dos pôneis remonta a milhares de anos. Em regiões com poucos recursos naturais, cavalos menores tiveram mais facilidade para sobreviver e se reproduzir, dando origem às diversas raças de pôneis existentes atualmente.

No Brasil, a raça mais difundida é o pônei brasileiro. Em 2002, criadores passaram a selecionar os menores exemplares para reprodução e introduziram animais da raça norte-americana Miniature Horse. O cruzamento deu origem ao mini-horse brasileiro.

Enquanto o pônei pode medir até 1,15 metro de altura, o mini-horse tem limite de 89 centímetros para machos. Além disso, os criadores buscam animais mais proporcionais, com pescoço, cabeça e corpo mais leves, lembrando um cavalo em miniatura.

Na zona rural do mesmo município, em um sítio de apenas um hectare, vive Rogério Andrade, que encontrou na criação desses animais o principal sustento da família.

O interesse por equinos começou ainda na infância, quando ganhou o primeiro pônei aos 12 anos. Já adulto, decidiu investir na criação do mini-horse, raça que ajudou a desenvolver no Brasil.

Na propriedade de Rogério, a reprodução é feita por monta natural. O plantel reúne 25 éguas, três garanhões e cerca de 20 filhotes com até um ano de idade.

Segundo o criador, o custo mensal de manutenção de cada animal gira em torno de R$ 300, incluindo alimentação, vacinas e mão de obra.

A dieta é semelhante à de cavalos de grande porte, mas em quantidades menores. Enquanto um cavalo de aproximadamente 400 quilos consome até quatro quilos de ração por dia, um mini-horse adulto pesa cerca de 100 quilos e ingere aproximadamente um quilo diário, além de capim e suplementação mineral.

O preço varia conforme o porte e a pelagem. Os machos custam, em média, R$ 6 mil, enquanto as fêmeas são comercializadas por cerca de R$ 8 mil.

Antes da entrega, passam por banho, tosa higiênica e casqueamento. Por serem pequenos, podem ser transportados na carroceria de uma caminhonete.

Com o aumento da procura, Rogério afirma que a atividade deixou de ser apenas um hobbie e se transformou em seu principal negócio.

Na avaliação dele, a raça exige relativamente pouco espaço, tem custo de manutenção acessível e apresenta boa demanda, fatores que impulsionam o crescimento do mercado.

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Sem regulamentação, mercados preditivos crescem no Brasil e viram desafio para o governo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 03:46

Tecnologia Sem regulamentação, mercados preditivos crescem no Brasil e viram desafio para o governo Enquanto o debate público se concentra nas casas de apostas, plataformas de previsão operam em uma zona cinzenta e brasileiros usam brechas para driblar proibição. Por Matheus Gouvea de Andrade

Sem regulação, mercados de predições viram desafio no Brasil — Foto: Reprodução/ Kalshi e Polymarket

Em abril, o governo bloqueou 27 plataformas que faziam previsões sobre os mais diferentes temas, como as americanas Kalshi e Polymarket, para evitar a consolidação de um modelo de apostas sem controle e que não segue a legislação do país.

O mercado preditivo funciona como uma espécie de "bolsa de apostas" sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como "Vai acontecer ou não?", relacionados aos mais diversos eventos, como guerras, mudanças climáticas ou eleições.

Se o evento acontecer, como a vitória deu um político nas urnas ou de um vencedor em um reality show, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde.

A diferença em relação às apostas tradicionais é que, nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios. Já nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si. Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.

Apesar de proibidos, usuários brasileiros encontram lacunas para acessar a esses conteúdos. Além do uso de VPNs para driblar os bloqueios, a forma de pagamento nestes sites é outra dificuldade. Enquanto no caso de casas de apostas ilegais o governo vem intensificando verificações sobre transações com o Pix, os mercados de predição operam, sobretudo, usando criptomoedas.

Questionada, a Meta apontou que "anunciantes que desejam promover jogos de azar ou jogos online precisam solicitar permissão por escrito e fornecer provas de que as suas atividades estão licenciadas por um regulador ou estabelecidas como legítimas nos territórios nos quais desejam veicular esses conteúdos".

A empresa destacou que órgãos governamentais podem pedir a restrição de conteúdos que violam as leis.

Os mercados de predições ganharam enorme tração nas eleições americanas em 2024 após uma disputa jurídica permitir ao Kalshi ofertar palpites nos vencedores daquele pleito. Desde então, eles vêm acumulando restrições, polêmicas e bilhões de dólares movimentados.

Neste ano, altos volumes apostados associados às ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela reforçaram os temores de que agentes com informações privilegiadas lucraram com os eventos nestas plataformas. Além disso, uma aposta sobre o uso de armas nucleares em 2026 saiu do ar após polêmica.

Na Copa, as plataformas oferecem apostas convencionais, como palpites no artilheiro do campeonato e o vencedor do torneio, assim como as bets tradicionais. No entanto, há mercados mais personalizados, como um que permitia apostar se Neymar entraria ou não em campo.

Em possibilidades ainda mais alternativas, apostava se também nas chances de Cristiano Ronaldo chorar em público durante a competição. No começo do torneio, a casa de análises Bernstein previu uma movimentação de 10 bilhões de dólares em apostas nestes mercados ligadas à Copa.

Propaganda que promete dinheiro fácil com bets cresce no Brasil — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

As diferenças no funcionamento das predições para as casas de apostas geram discussões regulatórias. Entusiastas do primeiro modelo frequentemente alegam que as características são mais próximas do mercado financeiro do que de uma bet. Uma das principais defesas é a de que a aposta ocorre contra outros usuários, e não contra a casa, como na outra modalidade.

Mercados preditivos funcionam com base na compra e venda de contratos futuros. Por exemplo, na Copa, a aposta no campeão será liquidada logo depois da final. O valor de um palpite varia de acordo com a oferta e a demanda. Quanto mais pessoas palpitarem sobre um aspecto, este contrato se valoriza. Neste modelo, o lucro da plataforma vem através de uma comissão a cada negociação.

Ou seja, o resultado final é indiferente para as receitas da operação. Maiores ganhos para a plataforma vêm através de um maior volume negociado. No caso do campeão da Copa, no começo de julho, apenas o Kalshi já tinha movimentado cerca de 850 milhões de dólares.

No caso das casas de apostas tradicionais, cada uma oferece um retorno de acordo com as probabilidades avaliadas de que um evento ocorra, as chamadas "odds". Neste modelo, é calculado, normalmente usando algoritmos, quanto se pode pagar a cada usuário vencedor por um resultado de forma que a casa ainda obtenha lucro, normalmente de 5%.

Gráfico mostra interesse repentino em María Corina Machado para o Nobel da Paz — Foto: Polymarket/Reprodução

Apesar das diferenças, estudos apontam que, assim como nas bets, a maioria dos usuários tende a ter perdas nos mercados de predição. Um estudo recente sobre o Polymarket mostrou que os ganhos são altamente concentrados, com 1% dos usuários detendo 76,5% dos lucros.

À DW, Charles Martineau, um dos autores da pesquisa e professor da Universidade de Toronto resumiu a lógica deste mercado para a grande maioria. " É muito difícil de ganhar dinheiro apostando em esportes. É possível lucrar com algumas sequências de apostas, mas para a pessoa comum, apostar muitas vezes resultará em prejuízo."

"Em plataformas como Kalshi e Polymarket, onde as apostas esportivas têm um alto volume de negociações, constatamos que os preços são tão eficientes que é praticamente impossível lucrar", aponta Martineau. Além disso, ele acrescenta: "uma coisa é certa: a introdução dos mercados de previsão levará algumas pessoas a desenvolver uma crescente dependência de jogos de azar".

Na visão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), a oferta destas plataformas de apostas em eventos esportivos no país demandaria licenças específicas, assim como ocorre com as casas que vem operando de forma regular desde o último ano. Na ausência de uma regulamentação, o acesso a estes sites deve ser barrado no território nacional.

"Estava havendo ofertas inclusive de mercados ilegais, como eleições. O governo agiu rápido em excelente momento, antes que o tema escalasse", avalia Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), ao comentar a decisão do governo de bloquear os sites.

Para Leonardo Henrique Roscoe Bessa, sócio do Betlaw e consultor do Conselho Federal da OAB, o cenário atual foi uma "resposta rápida", especialmente visando limitar as apostas em eleições, que são proibidas no caso das bets. Por sua vez, passado o período eleitoral e com a atual popularidade, a regulamentação destes mercados deve voltar à tona, projeta.

Bessa aponta que o uso de informações privilegiadas tende a ser uma dificuldade regulatória a mais, algo que é mais controlado no caso das bets. A legislação atual do setor aponta que potenciais envolvidos em partidas, como árbitros, jogadores e comissão técnica, não podem apostar.

No caso das predições, a atuação de agentes ligados aos eventos é menos controlada. "Quem tem informações, sai na frente", resume.

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