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Dona do Claude, IA rival do ChatGPT, faz pedido confidencial para IPO nos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 14:51

Tecnologia Dona do Claude, IA rival do ChatGPT, faz pedido confidencial para IPO nos EUA No fim de maio, a Anthropic levantou US$ 65 bilhões em uma rodada de investimento, atingindo uma avaliação de mercado de US$ 965 bilhões — valor que a colocou à frente da rival OpenAI. Por Reuters

A empresa norte-americana de inteligência artificial Anthropic, criadora do chatbot Claude, informou nesta segunda-feira (1º) que protocolou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos.

A companhia não divulgou o tamanho nem os termos da oferta. No fim de maio, a Anthropic levantou US$ 65 bilhões em uma rodada de investimento, atingindo uma avaliação de mercado de US$ 965 bilhões — valor que a colocou à frente da rival OpenAI.

Essa avaliação mais do que dobrou em relação aos US$ 380 bilhões registrados em fevereiro, quando a empresa captou US$ 30 bilhões em outra rodada de financiamento.

A rápida valorização da empresa no início de 2026 abalou os mercados e levou à venda de ações de companhias de software e tecnologia da informação.

Investidores demonstram preocupação de que ferramentas de IA cada vez mais autônomas possam pressionar modelos de negócios tradicionais e acelerar mudanças em diversos setores.

A OpenAI também se prepara para um pedido confidencial de IPO nos EUA nas próximas semanas, segundo uma fonte ouvida pela Reuters no fim de maio.

Com uma sequência de grandes empresas se aproximando do mercado de capitais, companhias como a SpaceX e outras gigantes de tecnologia disputam um volume limitado de recursos de investidores.

A eventual listagem da Anthropic deve se tornar uma das mais relevantes dos últimos anos, com potencial para influenciar índices de referência, fluxos de investimento e o cenário das bolsas norte-americanas.

Com valuation próximo de US$ 1 trilhão, a empresa poderia passar a integrar o grupo mais alto de companhias listadas nos EUA, ao lado de nomes que dominam o mercado acionário global.

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Reformas fiscais significativas são necessárias que dívida brasileira tenha firme queda, diz FMI

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 13:49

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,038-0,13%Dólar TurismoR$ 5,234-0,23%Euro ComercialR$ 5,855-0,49%Euro TurismoR$ 6,095-0,62%B3Ibovespa172.027 pts-1,01%MoedasDólar ComercialR$ 5,038-0,13%Dólar TurismoR$ 5,234-0,23%Euro ComercialR$ 5,855-0,49%Euro TurismoR$ 6,095-0,62%B3Ibovespa172.027 pts-1,01%MoedasDólar ComercialR$ 5,038-0,13%Dólar TurismoR$ 5,234-0,23%Euro ComercialR$ 5,855-0,49%Euro TurismoR$ 6,095-0,62%B3Ibovespa172.027 pts-1,01%Oferecido por

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou nesta segunda-feira (1) que o governo brasileiro tomou medidas para melhorar a situação das contas públicas, mas acrescentou que "reformas fiscais significativas" são necessárias para colocar a dívida pública em uma trajetória firme de queda.

A instituição enviou recentemente uma missão ao Brasil para analisar políticas e perspectivas econômicas do país, com base no chamado "Artigo IV" — que consiste em visitas regulares aos países-membros. Ao final da missão, o FMI divulga um comunicado.

O FMI diz que, preservar as receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo, ao mesmo tempo que se fornece apoio temporário e direcionado, e "implementar um esforço fiscal mais ambicioso", apoiado por reformas para lidar com a rigidez dos gastos e reduzir as despesas tributárias, "aumentaria a credibilidade fiscal, reduziria os custos de empréstimo e criaria espaço para investimentos prioritários.”

A instituição informou, ainda, que a economia brasileira tem se mostrado "notavelmente resiliente diante de múltiplos choques", e concluiu que o Banco Central reduziu a taxa básica de juros em março e abril de "forma adequada, em consonância com o regime de metas de inflação do Brasil".

De acordo com dados do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,4 ponto percentual, para 80,4% do PIB, o equivalente a R$ 10,44 trilhões.

Este é o maior nível para a dívida pública desde junho de 2021, quando somava 80,6% do PIB, ou seja, é o maior patamar em quase cinco anos.➡️No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, em pouco mais de três anos, a dívida já avançou 8,7 pontos percentuais. A alta na dívida está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, e com as despesas com juros.

➡️Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), conceito internacional — que considera os títulos públicos na carteira do BC —, o endividamento brasileiro foi bem maior em abril: 93,1% do PIB.

A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente.

➡️Acima de 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI).

Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado "arcabouço fiscal", ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos. Por estas regras:

a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação;a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano;o arcabouço busca justamente conter o crescimento da dívida pública no futuro.

Sem um corte robusto de despesas, necessário para manter de pé o arcabouço fiscal, especialistas em contas públicas estimam que a regra terá de ser abandonada, ou alterada, nos próximos anos.

Por conta disso, preveem uma expansão maior da dívida pública no futuro, o que pode resultar em aumento das taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras ao setor real da economia.

Analistas do mercado financeiro estimaram, na semana passada, que a dívida pública brasileira deve atingir 99,4% do PIB em 2035 (pelo conceito brasileiro) — patamar bem distante dos países emergentes e mais próximo da Europa.

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Organização Internacional do Trabalho suspende nomeação de representante dos EUA por atraso em pagamentos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 12:53

Trabalho e Carreira Organização Internacional do Trabalho suspende nomeação de representante dos EUA por atraso em pagamentos Maior financiador da agência da ONU, país acumula dívida de US$ 328 milhões e foi cobrado a quitar parte dos valores atrasados para manter o cargo. Por Redação

A OIT cancelou a nomeação de Sheng Li para o cargo de vice-diretor-geral devido aos atrasos nos pagamentos dos Estados Unidos à agência da ONU.

Diplomatas afirmam que o governo americano precisa pagar ao menos US$ 50 milhões para reverter a decisão, que gera incertezas financeiras e risco de demissões.

Maior financiador da OIT com 22% do orçamento, os Estados Unidos acumulam uma dívida de cerca de US$ 328 milhões com a organização sediada em Genebra.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) cancelou a nomeação do principal representante dos Estados Unidos para o cargo de vice-diretor-geral da agência da ONU devido aos atrasos nos pagamentos do país, informou a entidade nesta segunda-feira (1º).

"Sheng Li (Estados Unidos da América) não assumirá o cargo de vice-diretor-geral em julho, como estava previsto anteriormente", afirmou a OIT em comunicado enviado à Reuters.

O Departamento do Trabalho dos EUA não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da agência de notícias.

Sheng Li havia sido nomeado para a função em abril, após meses de atrasos no processo de escolha. Desde então, porém, a OIT informou ao governo americano que a nomeação não será efetivada enquanto o país não regularizar os pagamentos pendentes.

Segundo a organização, a decisão não impede que os Estados Unidos recuperem a posição caso quitem as dívidas.

"Essa decisão não prejudica a possibilidade de os Estados Unidos liquidarem seus atrasos e, assim, retomarem sua posição como maior contribuinte das contribuições obrigatórias", disse a OIT, acrescentando que mantém negociações com Washington.

Três diplomatas ouvidos pela Reuters afirmaram que o governo americano foi solicitado a pagar pelo menos US$ 50 milhões dos valores devidos. A situação aumenta as incertezas sobre a delicada condição financeira da agência e sobre possíveis cortes de empregos.

Tradicionalmente, os Estados Unidos ocupam o posto de vice-diretor-geral por serem o maior financiador da OIT, responsável por 22% do orçamento da organização.

De acordo com dados publicados pela agência, sediada em Genebra, os EUA acumulavam, até 29 de maio, uma dívida de 257 milhões de francos suíços (cerca de US$ 328 milhões), referente à contribuição de 2026 e a débitos pendentes de 2024 e 2025.

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Preços do petróleo sobem após troca de ataques entre EUA e Irã

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 11:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,031-0,24%Dólar TurismoR$ 5,231-0,28%Euro ComercialR$ 5,844-0,65%Euro TurismoR$ 6,099-0,55%B3Ibovespa172.437 pts-0,78%MoedasDólar ComercialR$ 5,031-0,24%Dólar TurismoR$ 5,231-0,28%Euro ComercialR$ 5,844-0,65%Euro TurismoR$ 6,099-0,55%B3Ibovespa172.437 pts-0,78%MoedasDólar ComercialR$ 5,031-0,24%Dólar TurismoR$ 5,231-0,28%Euro ComercialR$ 5,844-0,65%Euro TurismoR$ 6,099-0,55%B3Ibovespa172.437 pts-0,78%Oferecido por

Os preços do petróleo subiram mais de US$ 4 por barril nesta segunda-feira (1º), depois que o Irã e os EUA trocaram ataques e Israel ordenou que as tropas avançassem mais no Líbano em sua batalha contra o grupo militante Hezbollah, apoiado por Teerã.

🔎 Os futuros do Brent subiam US$ 4,7, ou quase 5%, a US$ 95,65 por barril, por volta das 10h45 (horário de Brasília). Os futuros do petróleo negociados nos EUA subiam cerca de US$ 5, ou 5,77%, para US$ 92,36 por barril.

Em maio, o Brent e o WTI perderam cerca de 19% e 17%, respectivamente. Foi a maior queda mensal de ambos os contratos em termos absolutos desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 reduziu a demanda por energia.

Os combates no Oriente Médio, depois que Washington sediou as negociações de paz entre Israel e Líbano na sexta-feira (29), diminuíram as esperanças de que os EUA e o Irã pudessem anunciar em breve uma extensão de seu cessar-fogo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta-feira que em breve decidiria sobre um acordo proposto para estender o cessar-fogo anunciado no início de abril.

Israel seria fundamental para qualquer acordo desse tipo, e o Irã tem dito repetidamente que o Hezbollah e o Líbano devem ser incluídos. Os EUA propuseram um plano de "redução gradual da escalada", disse uma autoridade dos EUA no domingo.

Estão aumentando as preocupações com as minas no Estreito de Ormuz, uma importante rota de transporte de petróleo e gás, disse o analista do IG, Tony Sycamore, em uma nota. "Mesmo que se chegue a um acordo, ele não vai gerar uma enxurrada de suprimentos", disse Sycamore.

Um repórter da Axios disse no X na sexta-feira que o Irã havia lançado mais minas no estreito no início da semana passada.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na segunda-feira que o atraso no processo diplomático para acabar com a guerra pode ser explicado pela falta de confiança, pelas posições contraditórias de Washington e pelos ataques de Israel ao Líbano.

As preocupações com a oferta superaram os dados econômicos do fim de semana da China, que mostraram a estagnação da atividade fabril. Isso aumentou as preocupações de que a segunda maior economia do mundo esteja perdendo força.

A Arábia Saudita provavelmente reduzirá seus preços oficiais de venda (OSPs) de petróleo bruto para a Ásia em julho, pelo segundo mês, segundo pesquisa da Reuters.

O Goldman Sachs disse no domingo que a fraca demanda de petróleo na China e na Europa representa um grande risco de queda para sua previsão de petróleo Brent para o quarto trimestre, de US$90 por barril, e para a previsão do WTI, de US$ 83, embora as interrupções no fornecimento do Oriente Médio ainda possam elevar os preços.

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Durigan diz que discussão para o fim da declaração anual do Imposto de Renda está ‘a todo vapor’ no governo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 10:58

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,041-0,03%Dólar TurismoR$ 5,237-0,17%Euro ComercialR$ 5,853-0,49%Euro TurismoR$ 6,104-0,46%B3Ibovespa172.655 pts-0,65%MoedasDólar ComercialR$ 5,041-0,03%Dólar TurismoR$ 5,237-0,17%Euro ComercialR$ 5,853-0,49%Euro TurismoR$ 6,104-0,46%B3Ibovespa172.655 pts-0,65%MoedasDólar ComercialR$ 5,041-0,03%Dólar TurismoR$ 5,237-0,17%Euro ComercialR$ 5,853-0,49%Euro TurismoR$ 6,104-0,46%B3Ibovespa172.655 pts-0,65%Oferecido por

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o governo está avançando nas discussões para acabar com a obrigatoriedade da declaração anual do Imposto de Renda (IR) como é feita atualmente.

Em entrevista à rádio CBN, Durigan disse que os estudos estão "a todo vapor" dentro da Pasta e que a meta é, em dois ou três anos, desobrigar todos os contribuintes de preencher a declaração.

"Eu não acho que seja para o ano que vem uma desobrigação universal, mas quero aumentar essa desobrigação, esse alívio para as pessoas […] espero que em dois ou três anos todo mundo fique sem declaração de Imposto de Renda", afirmou.

Segundo o ministro, o processo já começou neste ano. Cerca de 4 milhões de contribuintes não precisarão entregar a declaração e receberão a restituição automaticamente por meio do Pix.

"Esse ano nós temos 4 milhões de pessoas que não precisam declarar Imposto de Renda e vão receber restituição automática no seu Pix. Eu espero que o ano que vem a gente avance nisso", disse.

💰 A proposta se baseia no uso de informações que já são enviadas à Receita Federal por bancos, seguradoras, planos de saúde, empregadores e estabelecimentos que emitem notas fiscais.

De acordo com Durigan, com a implementação da reforma tributária, estados e municípios também passarão a compartilhar dados com a Receita, ampliando a integração das informações fiscais.

"Não é possível que todo mundo já tendo declarado no dia a dia as suas obrigações para a Receita, nós ainda vamos obrigar o contribuinte a parar, gastar tempo útil da sua vida para mais uma vez prestar informações que muitas vezes a gente já tem", afirmou.

"Eu cresci sentindo o estresse da minha família quando chegava nesse momento de declaração do Imposto de Renda. Eram grandes formulários, preenchidos à mão. Eu acho uma espécie de burocracia, uma obrigação", disse Durigan.

Segundo o ministro, a intenção não é extinguir benefícios tributários ou alterar regras de isenção, mas simplificar o cumprimento das obrigações fiscais para os contribuintes.

A Receita Federal recebeu 44,5 milhões de declarações do Imposto de Renda 2026 até o fim do prazo de entrega, encerrado na última sexta-feira (29), segundo dados do governo federal.

Na semana passada, o órgão também realizou o pagamento do primeiro lote de restituições, no maior valor já liberado em uma única etapa da história do Imposto de Renda. O lote incluiu ainda restituições residuais de anos anteriores.

Ao todo, mais de 8,7 milhões de contribuintes receberam os valores, que somaram R$ 16 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 8,64 bilhões foram destinados aos grupos com prioridade legal no recebimento da restituição.

Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos:

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Regra sobre trabalho em feriados no comércio entra em vigor; veja mudanças

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 10:19

Trabalho e Carreira Regra sobre trabalho em feriados no comércio entra em vigor; veja mudanças Norma, adiada ao menos cinco vezes, exige acordo coletivo para autorizar trabalho em feriados em 12 atividades do comércio. Por Redação g1 — São Paulo

A portaria que exige convenção coletiva para o trabalho em feriados em parte do comércio entrou em vigor nesta segunda-feira (1º), após ter sido adiada ao menos cinco vezes pelo governo federal.

A regra determina que empresas de 12 setores do comércio só poderão funcionar em feriados mediante acordo firmado entre empregadores e sindicatos de trabalhadores.

Segundo o governo, a medida fortalece a negociação coletiva e adequa a norma à Lei nº 10.101/2000, que prevê acordo para o trabalho em feriados no comércio.

Empresas que descumprirem as regras poderão sofrer multas administrativas e responder a ações trabalhistas, segundo especialistas.

Título: Regra sobre trabalho em feriados no comércio entra em vigor; veja mudanças — Foto: Cris Faga/Estadão Conteúdo

A portaria que exige convenção coletiva para o trabalho em feriados em parte do comércio entrou em vigor nesta segunda-feira (1º), após ter sido adiada ao menos cinco vezes pelo governo federal.

O último adiamento ocorreu em fevereiro, quando o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afirmou que a prorrogação reforçava o compromisso com o diálogo social e com a valorização da negociação coletiva.

Antes disso, a entrada em vigor da norma havia sido transferida para 1º de março deste ano. A medida enfrentou forte pressão de empresários e parlamentares. Até a sexta-feira (29), o governo não havia publicado um novo adiamento da regra.

Publicada originalmente em novembro de 2023, a portaria reforça a exigência de convenção coletiva entre empregadores e empregados para autorizar o trabalho em feriados, conforme determina a Lei nº 10.101/2000, atualizada pela Lei nº 11.603/2007.

Além disso, as empresas devem respeitar a legislação municipal. O texto altera dispositivos da Portaria nº 671/2021, editada no governo anterior, que autorizava o trabalho em feriados sem necessidade de acordo coletivo.

Segundo o MTE, a mudança restabelece a legalidade e valoriza a negociação coletiva como instrumento de equilíbrio entre os interesses de empregadores e trabalhadores.

A norma publicada pelo governo Lula não altera integralmente a regra da gestão Bolsonaro. Segundo o ministério, apenas 12 das 122 atividades autorizadas anteriormente serão afetadas. São elas:

varejistas de peixe;varejistas de carnes frescas e caça;varejistas de frutas e verduras;varejistas de produtos farmacêuticos (farmácias, inclusive as de manipulação);mercados, comércio varejista de supermercados e hipermercados, cuja atividade preponderante seja a venda de alimentos, inclusive os transportes a eles inerentes;comércio de artigos regionais nas estâncias hidrominerais;comércio em portos, aeroportos, estradas, estações rodoviárias e ferroviárias;comércio em hotéis;comércio em geral;atacadistas e distribuidores de produtos industrializados;revendedores de tratores, caminhões, automóveis e veículos similarescomércio varejista em geral.

Conforme a Portaria nº 3.665/2023, empresas dos setores mencionados acima só poderão funcionar em feriados se houver convenção coletiva de trabalho firmada entre empregadores e sindicatos de trabalhadores.

Na prática, a decisão unilateral do empregador não será mais suficiente para autorizar o funcionamento nesses dias. Será necessário que trabalhadores e empresas negociem e formalizem um acordo.

A convenção coletiva deverá estabelecer as condições para o trabalho em feriados, como pagamento em dobro, folgas compensatórias ou benefícios extras.

A medida revoga parcialmente uma regra de 2021, editada durante o governo Bolsonaro, que liberava o funcionamento do comércio nos feriados sem necessidade de negociação coletiva.

Segundo o governo, o objetivo da mudança é fortalecer o papel das negociações coletivas, ampliar as garantias aos trabalhadores e alinhar a portaria à Lei Federal nº 10.101/2000, que determina que o trabalho em feriados no comércio só pode ocorrer mediante acordo entre as partes.

⚠️ Com a portaria em vigor, empresas que descumprirem as regras poderão ser punidas com multas administrativas.

Segundo Fernanda Maria Rossignolli, sócia do HRSA Sociedade de Advogados e especialista em Relações de Trabalho, a nova regra reforça a necessidade de negociação coletiva para o trabalho em feriados no comércio.

“A principal mudança é a garantia de que o trabalho em feriados só poderá ocorrer se houver autorização expressa em Convenção Coletiva de Trabalho. Isso devolve aos sindicatos o poder de negociação e assegura que folgas compensatórias ou pagamentos de horas extras sejam previamente negociados e fiscalizados”, afirma.

A advogada explica ainda que empresas que funcionarem sem previsão em convenção coletiva poderão sofrer multas administrativas aplicadas pelo Ministério do Trabalho, além de responder a ações na Justiça do Trabalho.

“O funcionamento pode ser considerado irregular, gerando passivos trabalhistas significativos”, diz.

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Nova regra que limita uso do FGC para atrair investidores começa a valer; entenda o que muda

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 10:19

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,032-0,21%Dólar TurismoR$ 5,232-0,26%Euro ComercialR$ 5,856-0,45%Euro TurismoR$ 6,106-0,44%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,032-0,21%Dólar TurismoR$ 5,232-0,26%Euro ComercialR$ 5,856-0,45%Euro TurismoR$ 6,106-0,44%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,032-0,21%Dólar TurismoR$ 5,232-0,26%Euro ComercialR$ 5,856-0,45%Euro TurismoR$ 6,106-0,44%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%Oferecido por

As novas regras que tornam mais difícil para bancos usarem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como estratégia para atrair investidores e captar recursos no mercado financeiro começaram a valer nesta segunda-feira (1º).

As medidas foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no final de abril, após a crise envolvendo o Banco Master. O banco registrou forte crescimento em pouco tempo ao oferecer taxas de rendimento acima das praticadas por outras instituições financeiras, destacando a cobertura do FGC como garantia.

Com as novas regras, os bancos vão ter que acompanhar um indicador chamado “ativo de referência”. Na prática, ele funciona como uma espécie de termômetro da saúde financeira da instituição, ao medir a qualidade e a diversidade dos investimentos que ela tem.

Se o banco tiver muito dinheiro captado com garantia do FGC e pouca aplicação em ativos mais seguros, ele terá de mudar essa estratégia. Nesse caso, será obrigado a investir parte dos recursos em títulos públicos federais, que são considerados mais seguros porque têm baixo risco de calote.

Além disso, o Banco Central também refinou a forma como mede a capacidade de os bancos absorverem prejuízos. Ou seja, passou a considerar outros tipos de capital, além do patrimônio principal, que podem ser usados para cobrir perdas em cenários de crise.

Segundo o Banco Central, a medida aumenta a capacidade das instituições de enfrentar riscos e busca reforçar a segurança do sistema financeiro.

O BC também informou que, a partir de novembro de 2026, os bancos associados ao FGC passarão a receber informações mais detalhadas sobre os investidores que possuem aplicações cobertas pelo fundo.

Essas informações permitirão que as instituições financeiras e o próprio Banco Central tenham uma visão mais ampla sobre quais recursos estão ou não cobertos pelo FGC e qual o risco real que o fundo corre.

Em nota divulgada na última sexta-feira, o BC afirmou as mudanças "melhoram a qualidade das informações disponíveis e reforçam a capacidade das instituições financeiras de lidar com riscos, fortalecendo a solidez e a transparência do Sistema Financeiro Nacional".

O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada que protege investidores em caso de quebra de instituições financeiras. Atualmente, a cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Petrobras reduz em 14,2% preço do querosene de aviação a partir de junho

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 10:19

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,032-0,21%Dólar TurismoR$ 5,232-0,26%Euro ComercialR$ 5,856-0,45%Euro TurismoR$ 6,106-0,44%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,032-0,21%Dólar TurismoR$ 5,232-0,26%Euro ComercialR$ 5,856-0,45%Euro TurismoR$ 6,106-0,44%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,032-0,21%Dólar TurismoR$ 5,232-0,26%Euro ComercialR$ 5,856-0,45%Euro TurismoR$ 6,106-0,44%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%Oferecido por

A Petrobras vai reduzir em 14,2% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir de junho, o que corresponde a uma diminuição de R$ 0,93 por litro frente ao mês anterior, informou a estatal em comunicado nesta segunda-feira (01).

A queda dos preços do combustível de aviação, que ocorre após altas sucessivas desde março, reflete a "atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais" ocasionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, disse a Petrobras.

Nos últimos meses, a intensificação do conflito na região elevou os preços do petróleo, diante do temor de interrupções na oferta da commodity.

Como o querosene de aviação acompanha as oscilações do petróleo, o movimento pressionou os custos das companhias aéreas e contribuiu para a alta do combustível.

✈️ Com isso, a redução anunciada hoje pode aliviar parte da pressão sobre os custos das companhias aéreas e ajudar a conter reajustes nas passagens. Isso porque o querosene de aviação é um dos principais componentes das despesas do setor e costuma ter impacto direto sobre os preços cobrados dos passageiros.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas após os reajustes registrados nos últimos meses.

Apesar da queda anunciada para junho, o combustível ainda acumula alta de 54,5% em 2026. Em comparação com dezembro do ano passado, o preço médio do querosene de aviação está R$ 1,98 por litro mais caro.

Na semana passada, o governo federal prorrogou até 31 de julho a isenção de impostos sobre a venda e a importação de querosene de aviação e biodiesel. A medida integra o pacote anunciado em abril para reduzir os impactos da alta do petróleo sobre os combustíveis no país.

O benefício, que expiraria em 31 de maio, reduz custos para companhias aéreas e produtores de combustíveis e pode ajudar a limitar o repasse de preços aos consumidores.

Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, seus preços seguem as cotações internacionais do petróleo.

Por isso, a escalada da commodity em meio à guerra elevou os custos do setor aéreo em diversos países, aumentando a pressão por reajustes de tarifas e reduzindo as margens das companhias.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o conjunto de medidas tem custo estimado em R$ 30,5 bilhões.

O governo, porém, afirma que não haverá impacto nas contas públicas, já que os gastos serão compensados por outras receitas, como a arrecadação sobre o diesel e os royalties pagos pelas empresas pela exploração de petróleo.

subvenção ao diesel, importado e nacional;isenção de impostos federais sobre o biodiesel;subvenção ao gás de cozinha (GLP);subvenção ao querosene de aviação;linhas de crédito para o setor aéreo.

Como parte dessas ações, o Ministério da Fazenda definiu no sábado (31) uma subvenção de R$ 351,50 por metro cúbico de diesel — equivalente a R$ 0,35 por litro.

O benefício será pago a produtores e importadores do combustível por dois meses, com possibilidade de prorrogação.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Durigan afirma que terá reuniões com autoridades dos EUA após designação de PCC e CV como terroristas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 10:19

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%Oferecido por

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira (1º) que se reunirá nos próximos dias com autoridades dos Estados Unidos para discutir a decisão do país de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

Em entrevista à rádio CBN, Durigan afirmou que a medida pode gerar sanções contra instituições financeiras brasileiras e, em um cenário extremo, até afetar a operação do PIX.

Isso porque, segundo o ministro, se o governo dos Estados Unidos entender que uma instituição financeira brasileira foi usada para movimentar recursos ligados às facções, ela poderá ser alvo de punições do Tesouro americano.

Ainda assim, a decisão aumenta a pressão sobre bancos e empresas para reforçar mecanismos de identificação da origem dos recursos e de prevenção à lavagem de dinheiro.

Diante desse cenário, disse Durigan, bancos e outras instituições financeiras brasileiras já começaram a revisar regras internas de controle e monitoramento para reduzir o risco de sanções por parte das autoridades americanas.

Como o g1 já mostrou, a classificação dos EUA eleva o risco jurídico para as instituições. (Leia a reportagem completa aqui)

🛑 Isso porque qualquer apoio direto ou indireto pode ser enquadrado como crime pela legislação americana. Isso faz com que bancos e empresas adotem mais cautela, já que passam a responder a regras mais rígidas de sanções e controle.

"Basta você ter uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. A autoridade americana pode dizer que esse banco está sancionado pelo Tesouro dos Estados Unidos e não pode operar com o PIX porque o sistema estaria sendo usado para movimentar dinheiro de facção criminosa", exemplificou Durigan

O ministro ainda reiterou que o governo brasileiro trabalha para evitar impactos econômicos e proteger o sistema de pagamentos.

"O PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Nós não podemos ficar presos ao risco de uma intervenção ou de uma subserviência que tire a gente do caminho da inovação e de gerar infraestrutura de pagamento boa para as nossas empresas e famílias", afirmou o ministro.

Durigan também relacionou o tema à investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301, anunciada em julho do ano passado.

Entre os questionamentos apresentados pelo governo americano está o PIX, que foi citado na investigação sob a alegação de que poderia criar distorções competitivas para empresas dos EUA e fazer parte de práticas comerciais consideradas desleais.

Segundo Washington, essas práticas estariam restringindo o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro há décadas, embora a investigação não apresente evidências concretas para sustentar as acusações.

Para Durigan, as acusações feitas pelos Estados Unidos carecem de fundamento técnico e têm caráter político. O ministro citou a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA, onde se reuniu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o presidente Donald Trump.

Após o encontro, Flávio afirmou que Rubio se mostrou favorável à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Na semana passada, o governo brasileiro criticou integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que viajaram aos EUA e afirmou que há risco de interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.

O Planalto classificou a iniciativa como “deplorável” e disse que há tentativa de pressionar autoridades internacionais a adotar medidas contra o país. (leia a nota na íntegra)

O texto afirma que medidas externas podem trazer impactos econômicos e prejudicar políticas nacionais, citando também o PIX.

O ministro da Fazenda afirmou que o governo brasileiro pretende rebater os questionamentos por meio de negociações diplomáticas e da apresentação de informações técnicas às autoridades americanas.

"A gente tem respondido com muita diplomacia e contato bilateral com os Estados Unidos. Temos participado das audiências e esclarecido que essas alegações não têm fundamento técnico", afirmou.

"O presidente Lula tem defendido que o combate ao crime organizado precisa ser feito de forma conjunta, porque se trata de um problema transnacional. O que queremos é ampliar essa cooperação, e não criar obstáculos para ela", disse.

Apesar das preocupações levantadas pelo governo, Durigan afirmou que não há, neste momento, qualquer ameaça ao funcionamento do PIX. Segundo ele, a prioridade é preservar o sistema de pagamentos.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Dívida não some com liminar: entenda como ‘indústria do Limpa-Nome’ ilude devedores no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 10:19

Fantástico Dívida não some com liminar: entenda como 'indústria do Limpa-Nome' ilude devedores no Brasil O esquema envolvia associações de defesa do consumidor que acionam a Justiça para impedir que órgãos como Serasa e SPC divulguem as dívidas existentes. Por Fantástico

Uma investigação jornalística revela a "indústria do limpa-nome", esquema que usa liminares judiciais suspeitas para esconder temporariamente as dívidas de consumidores nos órgãos de proteção ao crédito.

Com quase 83 milhões de brasileiros inadimplentes, anúncios facilitados na internet prometem a retirada rápida do registro de restrição sem que as pendências financeiras sejam quitadas.

O esquema funciona por meio de associações de defesa do consumidor que acionam a Justiça para impedir que órgãos como Serasa e SPC divulguem as dívidas existentes.

Inicialmente concentradas em 3 estados do Nordeste em 2023, essas ações judiciais fraudulentas se espalharam para mais 6 estados brasileiros nos últimos 2 anos.

Ter o nome retirado dos cadastros de inadimplência não significa que a dívida deixou de existir. Essa é a principal diferença por trás da chamada "indústria do Limpa Nome", esquema investigado em diversos estados que promete devolver crédito a consumidores endividados por meio de liminares judiciais. Segundo investigadores, as decisões apenas ocultam temporariamente as restrições, enquanto os débitos permanecem ativos e podem voltar a aparecer posteriormente.

“Não tem fórmula mágica. Não caia nessa cilada de acreditar que uma dívida que realmente existe pode simplesmente ser camuflada e desaparecer da noite para o dia”, afirma André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil.

Promessas de limpar o nome em poucas semanas, ações judiciais coletivas e decisões liminares que fazem dívidas desaparecerem temporariamente dos cadastros de inadimplentes. Investigações conduzidas por Ministérios Públicos estaduais e órgãos do Judiciário apontam a existência de uma suposta "indústria do Limpa Nome", esquema que já teria ocultado cerca de R$ 130 bilhões em débitos nos últimos cinco anos.

O modelo funciona por meio de associações que se apresentam como defensoras dos direitos do consumidor. Elas ingressam na Justiça com ações coletivas pedindo que órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, deixem de exibir restrições financeiras de pessoas endividadas. Com isso, quem consulta o cadastro recebe a informação de que não há pendências registradas, mesmo quando as dívidas continuam existindo.

Segundo investigadores, o principal argumento utilizado nas ações é que os consumidores não teriam sido notificados sobre a negativação, exigência prevista no Código de Defesa do Consumidor. No entanto, as apurações indicam que, na maioria dos casos, a comunicação foi realizada regularmente.

Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes — Foto: Fantástico/ Reprodução

As investigações identificaram entidades registradas em municípios pequenos que concentraram milhares de beneficiários espalhados pelo país.

Em São Gonçalo do Piauí, cidade com menos de 5 mil habitantes, uma associação teria conseguido liminares que favoreceram cerca de 63 mil pessoas — número equivalente a mais de 13 vezes a população local. No endereço informado como sede, moradores afirmaram desconhecer a existência da entidade.

De acordo com promotores, listas de consumidores eram repassadas às associações, que passavam a representá-los judicialmente. Em alguns casos, os próprios beneficiários poderiam nem saber que haviam sido incluídos como associados.

A escolha de cidades menores também teria um objetivo estratégico: obter decisões judiciais mais rapidamente, já que essas comarcas costumam ter menor volume processual.

Uma das frentes investigadas envolve o Grupo Amigos do Consumidor (GAC), associação sediada em João Pessoa. Segundo o Ministério Público, a entidade mantinha uma filial formal em Caldas Brandão, município paraibano de cerca de 5 mil habitantes, mas moradores afirmaram nunca ter visto qualquer atividade da organização no local.

Promotores apontam que uma liminar favorável ao grupo foi concedida apenas 13 horas após o protocolo da ação. O juiz responsável pelo caso, Glauco Coutinho Marques, tornou-se réu em investigação que apura o recebimento de propina para favorecer a associação. O magistrado está afastado do cargo desde 2024. A defesa nega as acusações.

O Ministério Público denunciou sete pessoas ligadas ao esquema por crimes como corrupção, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os investigados negam irregularidades.

Outra frente de investigação ocorre em Caaporã, também na Paraíba. Segundo promotores, uma juíza teria concedido 19 liminares que beneficiaram milhares de devedores sem qualquer vínculo com o município. A magistrada é investigada e afirma ter atuado dentro dos limites de suas atribuições.

Especialistas alertam que a ocultação das dívidas pode gerar prejuízos para empresas e distorções no sistema de crédito.

Um empresário do setor de energia solar relatou prejuízo de aproximadamente R$ 3 milhões após conceder crédito a um cliente que aparecia com o nome limpo graças a uma decisão judicial, embora já possuísse registros de inadimplência que estavam ocultos.

Para investigadores, o efeito se espalha por toda a economia. Com mais risco de inadimplência, instituições financeiras elevam juros e endurecem critérios de concessão de crédito, o que acaba afetando consumidores que mantêm as contas em dia.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que monitora o crescimento de ações consideradas predatórias e fraudulentas e tem trabalhado com tribunais para identificar demandas repetitivas e abusivas.

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