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Planalto conta com encontro entre Lula e Trump durante o G7, na França

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 17:53

Integrantes do Palácio do Planalto contam com um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante a reunião da cúpula do G7, na França.

Lula confirmou nesta quarta-feira (3) sua ida à cúpula. O encontro de líderes vai acontecer entre os dias 15 e 17 de junho em Evian, na França.

Segundo afirmaram fontes do Planalto ao blog, não há agenda entre os presidentes marcada, mas como o grupo de líderes presentes é menor, um encontro será “inevitável”. Lula tentará falar de tarifas e reforçar parcerias com o presidente dos EUA.

🔎 O G7 é formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Lula foi convidado a participar do encontro este ano pelo anfitrião — o presidente da França, Emmanuel Macron.

O Brasil não faz parte do grupo, no entanto, desde que retornou ao Palácio do Planalto, em 2023, Lula tem sido chamado a participar das reuniões.

Uma investigação do escritório norte-americano concluiu, na terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países.

Essa sobretaxa, segundo o Ministério das Relações Exteriores, deve se somar à taxa proposta em outro relatório dos EUA, divulgado na segunda-feira (1º), que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos.

➡️ O primeiro texto previa a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O segundo, um adicional de 12,5%. Portanto, a sobretaxa passaria para 37,5%, próximos aos 40% impostos no ano passado — caso entre em vigor.

Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026 — Foto: Presidência da República

O presidente afirmou nesta quarta que não foi comunicado oficialmente pelo governo dos Estados Unidos sobre as propostas de novas tarifas comerciais a produtos brasileiros, e que pretende enviar uma nova carta a Donald Trump.

Ele disse que foi surpreendido pelo anúncio e que o país "não pode aceitar" o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil.

Lula deu a declaração durante reunião ministerial no Palácio do Planalto. Durante a fala inicial, o petista reforçou discursos anteriores, em que criticou o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, e o chamou de "latinoamericano frustrado".

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‘O Pix não sofre nenhuma ameaça’, diz ex-diretor da OMC sobre relatório dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 16:45

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0741,28%Dólar TurismoR$ 5,2771,25%Euro ComercialR$ 5,8850,99%Euro TurismoR$ 6,1350,98%B3Ibovespa170.150 pts-2,32%MoedasDólar ComercialR$ 5,0741,28%Dólar TurismoR$ 5,2771,25%Euro ComercialR$ 5,8850,99%Euro TurismoR$ 6,1350,98%B3Ibovespa170.150 pts-2,32%MoedasDólar ComercialR$ 5,0741,28%Dólar TurismoR$ 5,2771,25%Euro ComercialR$ 5,8850,99%Euro TurismoR$ 6,1350,98%B3Ibovespa170.150 pts-2,32%Oferecido por

O anúncio de que o governo dos Estados Unidos pode retomar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, ocorrido nos últimos dois dias, detonou uma disputa política entre os dois principais pré-candidatos à Presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lula acusa Flávio de ter pedido a imposição de tarifas ao Brasil durante visita a Donald Trump, nos Estados Unidos, na semana passada. Do outro lado, Flávio Bolsonaro acusa o governo brasileiro de não ter conseguido negociar com os Estados Unidos de forma satisfatória.

Mas embora a medida, caso implementada, possa afetar pelo menos 20% de todos os produtos exportados aos Estados Unidos, parte dos embates políticos tem se dado em torno de um ponto: o Pix.

Lula vem usando o argumento de que os Estados Unidos seriam contra o Pix, mecanismo criado pelo Banco Central que permite transações financeiras instantâneas e gratuitas. Flávio, por outro lado, usa como argumento o fato de que o Pix foi lançado em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro.

O documento divulgado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) na segunda-feira como resultado de uma investigação comercial fez diversas menções ao Pix, classifica o mecanismo como um "campeão nacional" e diz que ele representaria uma ameaça à atuação de empresas norte-americanas que atuam no segmento de meios de pagamento.

Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca na terça-feira (27/5). — Foto: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM/@FLAVIOBOLSONARO via BBC

Em meio a debate político, o diplomata brasileiro, ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) e consultor Roberto Azevêdo, minimiza as supostas ameaças sofridas pelo Pix.

"O Pix em si não sofre nenhuma ameaça", diz Azevêdo em entrevista à BBC News Brasil. Segundo ele, o único questionamento significativo dos norte-americanos sobre o Pix está no fato de ele ser operado pelo Banco Central, que é, ao mesmo tempo, o órgão regulador das empresas de meios de pagamento que concorrem com o Pix.

"No Brasil, está se fazendo muito alarde em torno do Pix, mas não acho que o Pix vai sofrer nenhuma alteração. Eles (os EUA) não vão pedir nada disso. O que eles gostariam é que o Pix fosse administrado de forma diferente e o pedido pode ser ou não atendido pelo Brasil", completa Azevêdo.

Com mais de 30 anos de diplomacia, Azevêdo é apontado por colegas brasileiros e estrangeiros como um especialista em negociações internacionais. No Ministério das Relações Exteriores (MRE), ele comandou o Departamento Econômico da pasta, entre 2005 e 2006.

Depois, foi indicado como embaixador do Brasil na OMC. Em 2013, assumiu a presidência do órgão, por indicação do governo brasileiro. Em 2017, foi reeleito para o cargo, mas renunciou em 2020 para assumir a vice-presidência da PepsiCo.

Em 2023, ele deixou o cargo e hoje atua como consultor e membro de conselhos em órgãos como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na entrevista, Azevêdo diz que o Brasil deve continuar tentando negociar para reduzir os impactos das tarifas que o governo dos EUA pode querer impor sobre o Brasil. Em tom cauteloso, Azevêdo diz acreditar que os governos de Brasil e dos Estados Unidos não teriam se empenhado efetivamente nas negociações sobre o assunto, mas evitou explicar o que teria levado o governo brasileiro a fazê-lo.

"O importante é ter a cabeça fria, negociar e procurar reduzir o impacto econômico, comercial e social no Brasil da melhor maneira possível e não criar animosidade e um clima de polêmica ou de guerra com fins estritamente eleitorais", diz.

Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre a possibilidade de imposição de tarifas a produtos brasileiros exportados aos EUA — Foto: Getty Images

BBC News Brasil – Qual é o impacto imediato desse anúncio em relação às tarifas para a economia brasileira?

Roberto Azevêdo – Voltamos à situação que vivíamos antes de a Suprema Corte norte-americana derrubar as tarifas em janeiro deste ano. O que está acontecendo agora é que aquelas tarifas estão sendo reintroduzidas em um patamar mais baixo. Até janeiro, as tarifas estavam num patamar de 40%. Agora, estão sendo reintroduzidas a 25%. Antes, era exorbitante, mas ainda é muito alto.

Azevêdo – Já eram bastante prejudiciais e continuarão sendo por vários motivos. Não apenas por fechar o mercado americano, mas por impedir a integração de determinados segmentos da cadeia produtiva brasileira nas cadeias de valor globais que passam pelos Estados Unidos. Os Estados Unidos são um mercado no qual o Brasil consegue vender produtos de alto valor agregado, ao contrário das nossas exportações para a China, para onde nós vendemos muitas commodities. Nos Estados Unidos, vendemos máquinas, equipamentos, produtos acabados e semimanufaturados. É um mercado muito especial e esse mercado vai se fechando progressivamente.

BBC News Brasil – O governo alega que havia uma negociação em curso, com um prazo de 30 dias que ainda não havia esgotado. Houve uma quebra de confiança na negociação?

Azevêdo – Essa negociação vinha acontecendo de maneira muito incipiente. Todas as informações que eu tenho são de que houve um ou dois contatos muito superficiais. Foram contatos em alto nível, entre o Jamiesson Greer (secretário de Comércio dos EUA) e nosso ministro da Indústria e Comércio (Márcio Elias Rosa). Mas é muito difícil chegar a resultados que alterem o contexto da decisão que foi proposta com negociações nesse estágio de tratativa. Precisaríamos ter algo mais avançado, uma coisa mais palpável e isso não estava presente. A proposta de adoção de medidas da forma que foi formulada não surpreende.

BBC News Brasil – O que resta ao governo brasileiro fazer para evitar que essas sanções sejam de fato impostas?

Azevêdo – Sobretudo, negociar, que é o que todos os outros países estão fazendo. Eu vejo algumas pessoas no Brasil falando em retaliação, em usar a lei de reciprocidade. Até podemos fazer, mas, francamente, nenhum outro país fez isso até hoje. Só a China. Mas a gente não pode comparar o poder de fogo da China com o brasileiro. A China fez isso e conseguiu fazer com que os Estados Unidos repensassem muito do que eles vinham fazendo. Mas a China é um mercado que é fundamental para os Estados Unidos. O Brasil não é. O Brasil não terá nenhuma capacidade de fazer os Estados Unidos reverem as suas estratégias por meio de retaliações ou medidas de reciprocidade. A gente tem que tomar cuidado para não deixar o discurso eleitoral ganhar o jogo e prevalecer sobre os interesses concretos e os interesses comerciais da economia brasileira […] O importante é ter a cabeça fria, negociar e procurar reduzir o impacto econômico, comercial e social no Brasil da melhor maneira possível e não criar animosidade e um clima de polêmica ou de guerra com fins estritamente eleitorais.

Azevêdo – Não sou eu que vou julgar qual é o impacto. Estou apenas dizendo que é necessário que nós tenhamos muito presente o fato de que quem vai pagar a conta desse atrito e dessa não convergência serão as empresas brasileiras, os trabalhadores brasileiros que estão empregados e que vão, possivelmente, perder o emprego ou ter seus salários afetados por essa situação de embate com os Estados Unidos.

BBC News Brasil – O presidente Lula tem atribuído esse anúncio à atuação política do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Qual é a sua avaliação em relação a isso? Qual é a responsabilidade que ele teve nisso?

Azevêdo – Acho que na parte política os políticos que se entendam. Haverá acusações de parte a parte. Um lado vai dizer que o outro não quer negociar. O outro vai dizer que o outro lado foi quem provocou isso. Essas acusações, para mim, não resolvem o problema e não vão levar adiante medidas e ações que possam reduzir o impacto contra a nossa economia.

BBC News Brasil – O Brasil tem negociado bem com o governo dos Estados Unidos ou o anúncio dessas tarifas mostra que não e que o governo falhou em tentar uma negociação?

Azevêdo – A negociação depende de dois lados. É preciso que os dois lados queiram negociar e eu não tenho muita certeza de que os dois lados tenham feito o necessário para engatar, efetivamente, uma negociação que levasse a um desfecho positivo ou mutuamente satisfatório. As negociações poderiam ter sido encaminhadas de uma maneira mais assertiva, mais construtiva, mais inovadora, mais criativa. Não acho que isso tenha acontecido e não vai ser agora, na reta final, que nós vamos conseguir mudar esse quadro de uma maneira muito significativa. Eu, particularmente, não acredito que isso vá acontecer.

BBC News Brasil – Mas, embaixador, objetivamente, houve falha do governo brasileiro nesse processo? E se sim, qual?

Azevêdo – Acho que os dois governos não demonstraram o empenho necessário para resolver esse problema de forma negociada.

BBC News Brasil – Há uma disputa de narrativas para saber quem foi o responsável por isso. Na sua avaliação, o senador Flávio Bolsonaro tem responsabilidade sobre isso ou quem tem responsabilidade sobre isso é o presidente Lula?

Azevêdo – Quem tem mais responsabilidade sobre isso é o presidente Trump. Foi ele quem tomou a decisão de adotar essas medidas para reindustrializar os Estados Unidos, para trazer investimentos para dentro dos Estados Unidos, para arrecadar recursos e arrecadar fundos para viabilizar programas de incentive fiscal que ele vem adotando em outras áreas. É uma decisão que não afetou apenas o Brasil, mas também outros vários países.

BBC News Brasil – O relatório que foi divulgado pelo escritório comercial dos Estados Unidos faz muitas menções ao Pix. Por que é que há essa ênfase tão grande na ferramenta Pix?

Azevêdo – Não tem uma ênfase diferente das demais. São seis temas que eles levantam. No relatório tem corrupção, desmatamento, etanol, tem propriedade intelectual, plataformas digitais. O Pix é uma delas. Não vejo nada de excepcional no tratamento que eles dão ao Pix. Pelo contrário, eles alegam que o problema do Pix não é o Pix em si, mas a forma como o Pix é administrado, porque ele é administrado pelo próprio órgão regulador que é o Banco Central. O questionamento é sobre o fato de que é o órgão central que impõe as regras sobre os concorrentes do Pix, que vêm a ser, por exemplo, Visa, Mastercard, etc. No Brasil, está se fazendo muito alarde em torno do Pix, mas não acho que o Pix vai sofrer nenhuma alteração. Eles (os EUA) não vão pedir nada disso. O que eles gostariam é que o Pix fosse administrado de forma diferente e o pedido pode ser ou não atendido pelo Brasil.

Azevêdo – O Pix aumentou a capacidade do consumidor brasileiro participar nas plataformas digitais nacionais. Nós, no comércio eletrônico e várias outras formas de engajamento econômico. Eles próprios reconhecem isso. O que eu ouço com frequência é o fato de que o Pix é operado pelo Banco Central e o Banco Central é o agente regulador. Portanto, seria desleal com os competidores do Pix o fato de que o Pix é operado pelo próprio agente regulador. Essa é a queixa que eu ouço e é isso que eu entendo que está sobre a mesa.

Azevêdo – Eu acho que tudo está sendo explorado de forma política, por um lado ou pelo outro lado. É inevitável. Estamos em um ano eleitoral. É claro que essas coisas vão ser exploradas do ponto de vista eleitoral. Seria absolutamente impensável que não fossem exploradas. O que nós não podemos é perder a perspectiva do impacto real sobre a economia.

BBC News Brasil – Há possibilidade de o governo recorrer à OMC, ser contra essas tarifas e qual a capacidade da OMC de resolver uma disputa como essa hoje?

Azevêdo – Tanto o Brasil quanto outros países já recorreram à OMC, mas como todos nós sabemos, o órgão de solução de controvérsias da OMC está inoperante e, portanto, não vai levar a nenhuma consequência prática. Levar o tema à OMC tem sempre o poder de elevar a visibilidade do assunto e questionar a legitimidade dessas medidas. Mas não podemos esperar um resultado juridicamente efetivo na OMC. Isso seguramente não irá acontecer.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão – GO — Foto: Ricardo Stuckert / PR

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Indicação dos EUA de novo embaixador no Brasil sem aval prévio do governo brasileiro incomoda Itamaraty

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 16:45

A indicação dos EUA de Daniel Perez como novo embaixador no Brasil, sem consulta prévia ao Brasil, gerou incômodo no Itamaraty.

Escolhido por Donald Trump, o parlamentar Daniel Perez teve seu nome enviado ao Senado americano. Os EUA estão sem embaixador no país desde janeiro de 2025.

Apesar do temor de interferência nas eleições brasileiras, fontes nos EUA afirmam que a lenta sabatina no Senado pode fazer com que Perez chegue ao país depois do pleito.

A indicação de um novo embaixador dos EUA sem consulta formal prévia ao governo brasileiro causou incômodo no Itamaraty e pode levar a um novo atrito entre Brasil e Estados Unidos.

🔎 Na formalidade diplomática, os governos costumam fazem uma consulta formal e confidencial sobre o nome que desejam indicar para comandar a embaixada – o chamado "agrément" – para só depois anunciarem o escolhido para ocupar o cargo de embaixador.

Daniel Perez, o escolhido pelo governo de Donald Trump para ser embaixador do país no Brasil é um parlamentar da Flórida. Ele é filho de cubanos e foi indicado pelo Departamento de Estado, responsável pelas relações exteriores dos Estados Unidos.

Seu nome foi enviado ao Senado norte-americano para aprovação. Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde janeiro de 2025.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington — Foto: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO

O blog apurou com integrantes do Itamaraty e do Planalto que a falta do "agrément" foi lida como um desrespeito por parte da diplomacia brasileira e acaba por reforçar a ideia de que o Departamento de Estado dos EUA é um núcleo do governo Trump que se movimenta contra o governo Lula.

Pelo menos um assessor próximo do presidente defende que a falha diplomática dos EUA deve levar o Brasil a avaliar com cuidado autorizar que o diplomata assuma o posto em solo brasileiro.

Sem a autorização, não é possível ocupar o cargo de embaixador no país. Outra fonte ouvida pelo blog diz que o tema ainda será debatido com o presidente Lula e não há posição prévia sobre o tema.

Daniel Perez, apontado por Trump como embaixador dos EUA para o Brasil — Foto: Câmara dos Deputados da Flórida

Mesmo assim, há preocupação com o momento da indicação de um novo embaixador, às vésperas das eleições gerais no Brasil. No ano passado, o Brasil ignorou o "agrément" de Israel para um novo embaixador no país.

Perguntadas sobre a preocupação do governo brasileiro de que o novo embaixador possa ter um papel na eleição de apoio a um candidato de oposição a Lula, em especial Flavio Bolsonaro, fontes que acompanham a indicação no governo dos EUA afirmam que o processo de sabatina no Senado pode ser lento e não há garantias de que Perez chegue ao Brasil antes das eleições.

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Exportações para os EUA recuam 14% em maio, mas balança comercial tem saldo positivo de US$ 7,8 bilhões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 15:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0851,49%Dólar TurismoR$ 5,2661,04%Euro ComercialR$ 5,8991,19%Euro TurismoR$ 6,1230,8%B3Ibovespa170.355 pts-2,21%MoedasDólar ComercialR$ 5,0851,49%Dólar TurismoR$ 5,2661,04%Euro ComercialR$ 5,8991,19%Euro TurismoR$ 6,1230,8%B3Ibovespa170.355 pts-2,21%MoedasDólar ComercialR$ 5,0851,49%Dólar TurismoR$ 5,2661,04%Euro ComercialR$ 5,8991,19%Euro TurismoR$ 6,1230,8%B3Ibovespa170.355 pts-2,21%Oferecido por

O Brasil registrou déficit em suas transações comerciais com os Estados Unidos em maio, informou nesta quarta-feira (3) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

🔎O déficit comercial significa que o Brasil importou mais produtos americanos do que exportou para os Estados Unidos. Para a economia brasileira, esse fato representa um cenário desfavorável.

De acordo com o governo, as exportações aos EUA somaram US$ 3,09 bilhões em maio, com queda de 14%, frente ao mesmo período do ano passado.Ao mesmo tempo, as importações totalizaram US$ 3,21 bilhões da economia norte-americana, com recuo de 11% na comparação com outubro de 2024.Com isso, o saldo ficou deficitário para o Brasil em US$ 121 milhões no mês passado.

No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, os dados do governo mostram uma queda de vendas externas aos Estados Unidos de 16%, o equivalente a US$ 2,7 bilhões a menos. No período, as exportações brasileiras para lá totalizaram US$ 14 bilhões.

Esse recuo ainda não contempla os efeitos da tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras anunciada nesta segunda-feira (1), sob a alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.

E nem mesmo de um adicional sobre 60 países — entre eles o Brasil — que teriam falhado em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. As duas sobretaxas, juntas, podem chegar a 37,5%.

▶️ Apesar da queda nas vendas para os EUA, a balança comercial como um todo registrou um saldo positivo de US$ 7,82 bilhões em maio deste ano, segundo dados oficiais do governo brasileiro.

🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário.

O saldo positivo registrou alta de 10,8% em relação ao mesmo período ano passado, quando somou US$ 7,06 bilhões.Esse também foi o melhor resultado para meses de maio desde 2024, quando foi registrado um superávit de US$ 8,3 bilhões.

As exportações somaram US$ 31,9 bilhões, com aumento de 12% pela média diária;As importações somaram US$ 24,1 bilhões, com aumento de 10,6% pela média diária.

US$ 15 bilhões é o volume das exportações que pode ser afetado caso tarifa de 25% seja aplicada, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Nos cinco primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 32,66 bilhões, informou o governo.

Com isso, houve aumento de 34,2% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 24,33 bilhões.

No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 148,57 bilhões – alta 9,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária.Já as importações somaram US$ 115,9 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, com alta de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária.

Os destaques das vendas externas em maio seguem sendo produtos básicos, como a soja, petróleo e minérios:

Soja: US$ 6,3 bilhões, com aumento de 14,6%;Óleos brutos de petróleo: US$ 3,81 bilhões, com queda de 9,3%;Minério de ferro: US$ 1,97 bilhão, com recuo de 15,2%;Carne bovina: US$ 1,7 bilhão, com crescimento de 50%;Óleos combustíveis: US$ 1,19 bilhão, com alta de 75%;Farelo de soja: US$ 1,03 bilhão, com aumento de 21,1%.

Já os principais consumidores de produtos vendidos pelo Brasil para o exterior seguem sendo China e a União Europeia, com Estados Unidos na terceira posição:

China: alta de 9,5%, para US$ 10,47 bilhões;União Europeia: aumento de 8,8%, para US$ 4,9 bilhões;Estados Unidos: queda de 14%, para US$ 3,09 bilhõesMercosul: queda de 15,6%, para US$ 1,89 bilhão;Asean: alta de 7,2%, para US$ 1,75 bilhões;África: alta de 10,2%, para US$ 1,17 bilhão;Oriente Médio: queda de 21,5%, para US$ 987 milhões;México: crescimento de 11,2%, para US$ 752 milhões.

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Google promete devolver mais água do que consome em data centers até 2030

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 14:50

Tecnologia Google promete devolver mais água do que consome em data centers até 2030 Plano prevê investimentos em projetos hídricos, proteção de bacias hidrográficas e mudanças no resfriamento para reduzir impacto ambiental. Por Redação g1, g1 — São Paulo

Vista aérea de um data center de propriedade da multinacional americana e empresa de tecnologia Google em Santiago — Foto: Getty Images

O Google anunciou, nesta quarta-feira (3), um plano para reduzir o impacto sobre a água usada no resfriamento de seus data centers, incluindo os que operam com inteligência artificial.

O plano é dividido em cinco etapas. A primeira é a mais ambiciosa e prevê repor mais água do que a consumida no resfriamento dos data centers até 2030, ao menos nos Estados Unidos.

Para atingir essa meta, a empresa afirma que ampliará o número de projetos voltados à gestão da água nas regiões onde ficam seus data centers e nas bacias hidrográficas próximas. Segundo o Google, a expansão desses projetos envolve um investimento de US$ 17 milhões, cerca de R$ 86,1 milhões na conversão direta.

Outras etapas incluem apoio à modernização dos sistemas de abastecimento e tratamento de água nessas cidades. “Isso inclui projetos que vão desde o reforço do abastecimento local até a detecção de vazamentos em tubulações”, disse o Google em nota.

Uma análise mais detalhada das bacias hidrográficas para novos data centers também está entre as propostas. No documento, o Google afirma que, se o uso de água representar risco ao meio ambiente ou ao abastecimento local, passará a adotar resfriamento a ar ou com água de reuso.

Operar um data center exige uma estrutura complexa de energia para que todos os equipamentos funcionem e sejam refrigerados de forma adequada.

Como podem ser usados por milhões de pessoas, esses espaços devem funcionar 24 horas por dia. Para garantir isso, as empresas adotam geradores e até suas próprias subestações de energia.

O treinamento dos modelos de IA mais conhecidos envolve um enorme volume de dados e só pode ser feito com chips de processamento modernos, que exigem mais energia e, por isso, esquentam mais.

Com equipamentos mais quentes, a única forma de controlar a temperatura é adotar um sistema de resfriamento líquido, por água ou óleo – data centers de nuvem podem ser refrigerados a ar porque consomem menos energia.

Data centers refrigerados a água preocupam por conta do alto consumo. Fazer até 50 perguntas para o ChatGPT pode consumir meio litro de água, segundo um estudo da Universidade da Califórnia, em Riverside.

O Brasil tem cerca de 180 data centers em funcionamento. Nenhum deles é voltado para inteligência artificial, mas quatro projetos desse tipo já foram anunciados no país. Eles poderão ter consumo de energia equivalente ao de 16,4 milhões de casas – saiba mais sobre os projetos.

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iFood diz que dados de 1,2 milhão de usuários foram vazados; veja o que foi afetado

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 14:50

Tecnologia iFood diz que dados de 1,2 milhão de usuários foram vazados; veja o que foi afetado Empresa afirma que incidente ocorreu em dezembro de 2025 e que senhas, meios de pagamento e dados bancários não foram comprometidos. Por Redação g1 — São Paulo

O iFood reconheceu nesta quarta-feira (3) um vazamento de dados envolvendo usuários da plataforma. Segundo a empresa, trata-se de um incidente isolado registrado em dezembro de 2025, que teria sido rapidamente contido por seus protocolos de segurança.

A empresa informou que o alcance do vazamento ficou restrito a cerca de 2% de sua base de clientes, o equivalente a aproximadamente 1,2 milhão de pessoas.

Informações como nome e CPF de usuários foram expostas, mas não houve comprometimento de credenciais de acesso às contas.

A companhia também informou que senhas, meios de pagamento e registros financeiros não foram afetados pelo incidente. Além disso, não há evidências de acesso a dados bancários ou informações relacionadas a transações realizadas na plataforma.

Na nota, o iFood afirmou que continua adotando medidas de proteção e que atua em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O iFood não encontrou qualquer evidência de que 43 milhões de dados de usuários foram vazados. Após sucessivas análises, identificamos que o material disponibilizado na internet se refere a um incidente isolado, ocorrido em dezembro de 2025, e que foi rapidamente neutralizado pelos nossos protocolos de segurança.

O evento envolveu dados cadastrais, como nome e CPF, sem qualquer comprometimento de senhas, meios de pagamento ou registros financeiros, com impacto restrito a cerca de 2% da nossa base de usuários.

O iFood lamenta o ocorrido e reforça para os usuários que todas as comunicações são feitas somente pelos canais oficiais da plataforma.

A segurança da nossa comunidade é prioridade e seguimos atuando em estrita conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para aprimorar constantemente nossos sistemas."

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Trump assina ordem que dá ao governo acesso antecipado a modelos de inteligência artificial

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 13:48

Tecnologia Trump assina ordem que dá ao governo acesso antecipado a modelos de inteligência artificial O objetivo é supervisionar modelos de IA com acesso voluntário concedido pelas empresas que desenvolveram essas tecnologias. A medida é muito semelhante a outra adotada por Joe Biden em 2023. Por France Presse

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião de gabinete na Casa Branca 27 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na última terça-feira (2) um decreto sobre inteligência artificial (IA), que prevê a possibilidade de o governo supervisionar os modelos mais avançados em nome da segurança digital.

O texto restabelece regras para a IA nos Estados Unidos e representa uma mudança de rumo no governo Trump, que até então reunia setores contrários a qualquer tipo de regulação em nome da competitividade com a China.

No início deste ano, o cenário mudou quando o Mythos, da Anthropic, gerou preocupação ao demonstrar capacidade de expor falhas em sistemas digitais, incluindo os de bancos, governos e hospitais. A empresa optou por não lançar o modelo ao público.

As novas regras foram acordadas com empresas líderes em IA nos Estados Unidos, como Google, OpenAI e Anthropic, para que elas submetam, de forma voluntária, seus modelos a uma avaliação do governo antes do lançamento.

O texto esclarece que a medida não deve estabelecer um controle prévio obrigatório do governo sobre os novos modelos.

A abordagem voluntária adotada por Trump é semelhante à de seu antecessor, Joe Biden. O decreto de 2023 previa que as empresas compartilhassem os resultados de testes de segurança. Trump revogou essa medida ao voltar à Casa Branca, por considerá-la restritiva demais.

De acordo com a nova medida, o Departamento do Tesouro, a Agência de Segurança Nacional e a agência CISA devem criar um centro de coordenação para a segurança digital em IA. O grupo vai atuar em conjunto com o setor privado e operadores de infraestruturas críticas para identificar falhas em sistemas e priorizar correções.

O responsável por assuntos públicos do Google, Kent Walker, definiu a medida como um “passo importante”, que "oferece aos defensores do ciberespaço mais ferramentas para deter atores maliciosos".

Uma versão anterior do decreto estava prevista para ser assinada em 25 de maio, mas Trump a cancelou poucas horas antes, afirmando que não concordava com “alguns aspectos” e que não queria “comprometer” a vantagem dos Estados Unidos em relação à China.

Analistas apontaram David Sacks, ex-assessor da Casa Branca para temas de IA, como uma voz influente que teria ligado para o presidente para convencê-lo a mudar de decisão.

O episódio revelou tensões dentro do governo entre defensores da regulação e o grupo contrário a qualquer tipo de controle.

O texto aprovado é quase idêntico à versão anterior. No entanto, o prazo para o exame voluntário dos novos modelos foi reduzido de 90 para 30 dias. “Na corrida pela IA, cada dia conta”, afirmou Sacks ao comentar a mudança.

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Volvo acaba com recarga gratuita em eletropostos e passa a cobrar de clientes da marca

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 12:49

Carros Volvo acaba com recarga gratuita em eletropostos e passa a cobrar de clientes da marca Nova política encerra um benefício antes exclusivo para veículos da Volvo e reduz em 27,5% o custo de recarga para carros de todas as marcas. Por Redação g1 — São Paulo

A Volvo anunciou que a recarga em seus eletropostos passará a ser cobrada de todos os usuários, inclusive dos proprietários de veículos da própria marca. A mudança entra em vigor no dia 15 de junho deste ano.

Segundo comunicado enviado aos clientes, os valores da recarga nos eletropostos instalados e operados pela Volvo seguirão as regras abaixo:

Caso o motorista não retire o veículo, impedindo o uso do carregador por outro usuário, será aplicada uma cobrança de R$ 5 por minuto. Essa regra vale apenas para carregadores rápidos e somente para os que estão instalados em rodovias.

A recarga rápida permite que o veículo recupere a maior parte da energia mais rapidamente. Como exemplo, o Dolphin Mini leva cerca de 30 minutos para ir de 30% a 80% de carga, enquanto o Volvo EX30 precisa do mesmo tempo para passar de 10% a 80% da bateria.

Já a recarga lenta pode passar de sete horas, chegando até 12,5 horas para o caso do Volvo EX30 e cerca de seis horas para o Dolphin Mini.

Carros elétricos carregamento carregador carregando carro elétrico natal rn Rio Grande do Norte — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

Com a mudança nos valores, proprietários de veículos de outras marcas passam a pagar menos. Atualmente, a tarifa é de R$ 4,00 por kWh, independentemente do tipo de carregador, mas esse valor não é cobrado dos veículos da Volvo.

A partir de 15 de junho, motoristas de veículos de outras marcas passarão a pagar 27,5% menos pela recarga. Já os proprietários de Volvo deixarão de ter gratuidade e passarão a pagar pelo serviço.

A principal vantagem para os veículos da Volvo deixa de ser a recarga gratuita e passa a ser a conveniência. Os motoristas poderão agendar um carregador com até 24 horas de antecedência e reservar o plugue até 20 minutos antes do horário desejado, além de contar com uma tecnologia que reconhece o veículo assim que ele é conectado ao carregador.

Com isso, a cobrança e a identificação do veículo acontecem automaticamente, sem a necessidade de usar um aplicativo específico.

O valor da recarga varia conforme a capacidade da bateria de cada veículo. Pela regra anterior, o proprietário do carro elétrico mais vendido do Brasil, o Dolphin Mini, precisa de R$ 152 para carregar os 38 kWh da bateria. Com a nova regra, esse custo cai para R$ 110,20.

Já o Volvo EX30 do exemplo anterior, que tem 69 kWh de bateria, passa a pagar R$ 200,1 pela recarga que antes seria gratuita.

Atualmente, o Brasil conta com 21.061 carregadores públicos instalados, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Desse total, 6.479 são carregadores rápidos e 14.582 são lentos.

A Volvo não informa quantos carregadores lentos possui, mas afirma que são “mais de mil”. Já no caso dos carregadores rápidos, a marca tem 76 unidades, o que representa 1,1% de toda a base instalada no Brasil.

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Entenda os principais pontos da reforma trabalhista que provoca greve geral em Portugal

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 11:50

Trabalho e Carreira Entenda os principais pontos da reforma trabalhista que provoca greve geral em Portugal A paralisação, convocada pela principal central sindical do país, a CGTP, é a segunda greve geral em seis meses e ocorre enquanto o governo tenta aprovar o pacote "Trabalho XXI", uma reforma que prevê mais de 50 alterações no Código do Trabalho português. Por Redação g1 — São Paulo

Uma greve geral em Portugal interrompeu serviços de transporte, fechou escolas e afetou hospitais nesta quarta-feira (3), em protesto contra uma ampla reforma trabalhista proposta pelo governo de centro-direita do primeiro-ministro Luís Montenegro.

A paralisação, convocada pela principal central sindical do país, a CGTP, é a segunda greve geral em seis meses e ocorre enquanto o governo tenta aprovar o pacote "Trabalho XXI", uma reforma que prevê mais de 50 alterações no Código do Trabalho português.

Segundo o governo, as mudanças buscam modernizar a legislação trabalhista, aumentar a produtividade e melhorar a competitividade da economia portuguesa.

Já os sindicatos afirmam que a proposta reduz direitos dos trabalhadores, amplia a precarização do emprego e facilita demissões.

Uma das principais mudanças propostas é a ampliação da duração máxima dos contratos de trabalho temporários.

Contrato a termo certo: tem uma data de término definida desde o início. Atualmente, ele pode durar no máximo dois anos. Pela reforma, o limite passaria para três anos.Contrato a termo incerto: são os contratos de trabalho com prazo indeterminado, como na substituição de um funcionário afastado ou em projetos com duração indefinida. Hoje, esse contrato pode durar até quatro anos. A proposta amplia o prazo para cinco anos.

Para os sindicatos, a medida aumenta a insegurança dos trabalhadores, especialmente dos jovens, ao prolongar períodos de contratação sem vínculo permanente.

A reforma também elimina as restrições atuais ao uso de terceirização (outsourcing) após demissões coletivas ou extinção de postos de trabalho.

👷Hoje, empresas portuguesas que realizam demissões desse tipo ficam impedidas de contratar serviços terceirizados para as mesmas funções durante um período determinado. A proposta revoga essa limitação.

Segundo o governo, a mudança aumenta a flexibilidade das empresas. Já as centrais sindicais afirmam que a medida facilita a substituição de trabalhadores próprios por mão de obra terceirizada mais barata.

Outro ponto que gerou forte reação dos sindicatos é a reintrodução do banco de horas individual, extinto em 2019.

🕐 Pela proposta, o trabalhador poderá realizar até duas horas extras por dia, elevando a jornada semanal para até 50 horas. O limite anual será de 150 horas adicionais, com compensação por meio de folgas posteriores.

A reforma também muda as regras do banco de horas coletivo, mecanismo que permite às empresas compensar horas extras com folgas futuras.

Atualmente, a adoção desse regime para um grupo de trabalhadores depende da aprovação em um referendo realizado entre os funcionários afetados.

Com a nova proposta, essa consulta deixaria de ser necessária: se pelo menos 75% dos trabalhadores concordarem com o acordo, a empresa poderá aplicar o banco de horas a todo o grupo, inclusive aos que votaram contra ou não participaram da decisão.

Os sindicatos argumentam que a mudança reduz o poder de decisão individual dos trabalhadores sobre a própria jornada de trabalho.

A proposta também altera as regras para casos em que a Justiça portuguesa considera uma demissão ilegal. Hoje, em Portugal, quando um tribunal conclui que um trabalhador foi dispensado de forma irregular, a regra geral é que ele tenha o direito de voltar ao emprego.

Com a reforma, empresas de qualquer porte poderão optar por indenizar o trabalhador em vez de readmiti-lo, mesmo após uma decisão judicial favorável ao funcionário.

Segundo o governo, a mudança dá mais flexibilidade às empresas e reduz conflitos nas relações de trabalho. Como compensação, aumenta o valor mínimo das indenizações pagas nesses casos.

🔎 O pacote também simplifica os procedimentos disciplinares e de demissão para pequenas e médias empresas, reduzindo exigências burocráticas e etapas formais nos processos de desligamento de funcionários. Críticos da reforma afirmam que as mudanças enfraquecem a proteção contra demissões injustificadas, enquanto o governo argumenta que elas tornam o mercado de trabalho mais ágil e competitivo.

O projeto do governo português também flexibiliza as regras do trabalho remoto (ou teletrabalho), permitindo maior adoção de modelos híbridos e reduzindo algumas exigências administrativas.

A reforma também flexibiliza as regras do teletrabalho, que passa a ser denominado oficialmente de "trabalho remoto".

Nos casos de regime híbrido, o contrato deverá especificar a proporção entre os dias de trabalho à distância e os presenciais. O trabalhador também poderá alterar temporariamente o local de onde exerce suas atividades apenas mediante comunicação ao empregador. A mudança passará a valer automaticamente caso a empresa não apresente objeção por escrito, substituindo a regra atual, que exige acordo entre as duas partes. Além disso, a proposta elimina a obrigatoriedade de exames médicos específicos antes da adoção do trabalho remoto. Segundo o governo, o objetivo é adaptar a legislação às novas formas de trabalho surgidas após a digitalização da economia e a expansão do home office.

📴 A proposta ainda prevê reforço do chamado "direito à desconexão", princípio que busca proteger os trabalhadores de contatos profissionais fora do horário de expediente.

Uma das novidades da reforma trabalhista portuguesa é a inclusão de regras específicas para o uso de inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho.

O governo afirma que a medida busca adaptar a legislação aos desafios da chamada Economia 4.0 e ampliar a adoção de novas tecnologias pelas empresas.

Segundo o Executivo, Portugal ainda apresenta um nível de utilização de inteligência artificial inferior à média da União Europeia, o que justificaria a modernização das regras trabalhistas.

A principal mudança prevista é a exigência de supervisão humana obrigatória em decisões tomadas com o auxílio de algoritmos ou sistemas de IA.

🤖 Pela proposta, empresas não poderão depender exclusivamente de ferramentas automatizadas para definir questões relacionadas à gestão de pessoal.

A exigência vale especialmente para processos considerados sensíveis, como recrutamento e seleção de candidatos, avaliações de desempenho e demissões. Nesses casos, deverá haver sempre um responsável humano acompanhando e validando as decisões.

A reforma também introduz mecanismos de regulação algorítmica, com o objetivo de aumentar a transparência sobre o uso de sistemas automatizados na gestão do trabalho e evitar que decisões importantes sejam tomadas sem supervisão ou critérios claros.

Segundo o governo português, as mudanças buscam conciliar a adoção de novas tecnologias com a proteção dos direitos dos trabalhadores em um mercado de trabalho cada vez mais digitalizado.

Entre as medidas estão o pagamento de 100% da licença parental compartilhada nos primeiros seis meses, a ampliação da licença obrigatória dos pais de 14 para 30 dias e a criação de licenças específicas em casos de interrupção da gravidez.

Licença parental mais ampla: a reforma prevê que os pais que dividirem a licença para cuidar do bebê recebam 100% do salário durante os primeiros seis meses de afastamento. Além disso, a licença obrigatória dos pais após o nascimento do filho passará de 14 para 30 dias.Licença em caso de interrupção da gravidez: a proposta cria um período específico de afastamento do trabalho para mulheres que sofrerem interrupção da gravidez, garantindo proteção laboral durante esse momento.Pagamento parcelado dos benefícios: em Portugal, os trabalhadores recebem normalmente um subsídio de férias e um subsídio de Natal, equivalentes a pagamentos extras ao longo do ano. Pela reforma, o funcionário poderá escolher receber esses valores parcelados mensalmente, junto com o salário, em vez de receber quantias maiores em datas específicas.Dois dias extras ligados às férias: os trabalhadores poderão solicitar até dois dias adicionais de descanso por ano, associados ao período de férias. Esses dias podem ser usados para prolongar ou antecipar as férias.

Após nove meses de negociações sem consenso com sindicatos e entidades patronais, o governo aprovou o pacote de reformas em maio e o enviou à Assembleia da República. O projeto ainda precisa ser analisado e votado pelos deputados para entrar em vigor.

Montenegro espera obter a aprovação do Parlamento nas próximas semanas, contando com o apoio do partido de direita Chega.

A greve geral em Portugal é a segunda mobilização nacional contra a reforma trabalhista em menos de seis meses. A primeira ocorreu em dezembro de 2025 e marcou a primeira greve geral em Portugal desde os protestos contra as medidas de austeridade registrados em 2013.

No entanto, o primeiro-ministro Luís Montenegro defende a reforma e afirma que as mudanças são necessárias para aumentar a produtividade e a competitividade da economia portuguesa.

Segundo ele, o país possui uma das legislações trabalhistas mais rígidas entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que limita a capacidade das empresas de se adaptar às mudanças do mercado.

Houve cancelamentos e atrasos de voos, interrupções no transporte ferroviário e no transporte público urbano, fechamento de escolas e redução do atendimento em hospitais e repartições públicas.

Companhias aéreas que operam rotas entre Brasil e Portugal, como TAP, Azul e Latam, também registraram alterações em suas operações devido à paralisação. (veja mais sobre os impactos)

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Nestlé compra yfood Labs, marca de refeições prontas para beber

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 11:50

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0430,68%Dólar TurismoR$ 5,2340,42%Euro ComercialR$ 5,8470,36%Euro TurismoR$ 6,0870,2%B3Ibovespa171.548 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0430,68%Dólar TurismoR$ 5,2340,42%Euro ComercialR$ 5,8470,36%Euro TurismoR$ 6,0870,2%B3Ibovespa171.548 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0430,68%Dólar TurismoR$ 5,2340,42%Euro ComercialR$ 5,8470,36%Euro TurismoR$ 6,0870,2%B3Ibovespa171.548 pts-1,52%Oferecido por

A Nestlé vai comprar a marca de alimentos inteligentes yfood Labs, informou a empresa em comunicado divulgado nesta quarta-feira (3). Essa será a primeira aquisição da companhia sob a liderança do novo CEO, Philipp Navratil, que assumiu o cargo em setembro.

A yfood Labs é uma empresa sediada em Munique e que oferece refeições prontas para beber e barras alimentares. Segundo a empresa, seus produtos possuem um "perfil nutricional completo" e foram feitos para suprir uma dieta balanceada.

A Nestlé já havia adquirido uma participação de 49% na yfood em 2023. A expectativa é que as ações restantes detidas pelos pelos fundadores da marca de alimentos inteligentes sejam transferidas para a Nestlé a partir de 3 de julho de 2026.

Na Europa, as vendas da yfood totalizaram aproximadamente 150 milhões de euros (R$ 875,9 milhões) em 2025, representando um crescimento de dois dígitos em relação ao ano anterior.

Desde quando assumiu o cargo na Nestlé, Navratil tem anunciado diversas mudanças na estratégia da companhia.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, a companhia informou que estava deixando o negócio de sorvetes para concentrar suas operações nos segmentos de Café, Nutrição e Cuidados com Animais de Estimação. Juntas, essas categorias respondem por mais de 70% das vendas da empresa.

A medida veio como uma tentativa de melhorar o desempenho da companhia, que registrou um lucro líquido de US$ 9 bilhões (R$ 45,1 bilhões) em 2025 — queda de 17% em relação ao ano anterior (US$ 10,9 bilhões, ou R$ 54,7 bilhões).

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