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Comissão aprova acordo Mercosul-UE; texto segue para plenário da Câmara

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 12:44

Política Comissão aprova acordo Mercosul-UE; texto segue para plenário da Câmara Acordo pretende criar a maior zona de livre comércio do mundo. Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que texto pode ser votado ainda nesta semana. Por Marcela Cunha, g1 — Brasília

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul aprovou nesta terça-feira (24) o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Na prática, o tratado pode criar a maior zona de livre comércio do mundo.

Com a aprovação, o texto seguirá para o Plenário da Câmara. No último sábado (21), o presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a proposta deve ser votada pelos deputados nesta semana (entenda mais sobre a tramitação abaixo).

"Com as incertezas acerca da imposição de tarifas pelos Estados Unidos, resta ao Brasil lutar pela previsibilidade nas relações comerciais internacionais. Por isso, priorizaremos a votação do acordo Mercosul-UE para a próxima semana", disse nas redes sociais na ocasião.

🌍O tratado assinado em 17 de janeiro no Paraguai prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos.

Em seu parecer, o relator da proposta, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirma que o acordo dará melhores condições ao Brasil para defender e desenvolver os setores produtivos.

"O Acordo expande nossas oportunidades de inovação, com a importação de bens de capital e as possibilidades abertas por novas técnicas e tecnologias produtivas que podem encaminhar um novo ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico sustentável para a economia brasileira".

Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.

A expectativa é que o acordo comercial passe a integrar melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.

Apesar da investida de legisladores da União Europeia, que impuseram um revés ao acordo comercial ao encaminhá-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia — movimento que pode atrasar a implementação em até dois anos —, a expectativa de diplomatas é que o documento passe a ser aplicado de forma provisória já em março.

O processo de internalização do Acordo Mercosul-UE começa com o envio da mensagem presidencial ao Congresso Nacional, que foi realizado em 2 de fevereiro.

O texto do acordo foi recebido pela Câmara dos Deputados e analisado pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul. Agora que foi provado na comissão, o texto segue para o Plenário da Câmara.

Após a deliberação pela Câmara, o texto é encaminhado ao Senado Federal, onde também será discutido e votado.

Além da tramitação no Brasil, o acordo Mercosul-União Europeia precisa ser aprovado internamente por cada país do Mercosul, de acordo com seus próprios ritos legislativos.

Somente após a ratificação por todos é que o tratado estará plenamente em vigor. Até lá, o acordo pode entrar em funcionamento em momentos distintos em cada país, a depender do avanço dos processos internos.

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado aprovou a criação de um grupo de trabalho para acompanhar a tramitação do acordo comercial entre o Mercosul e União Europeia.

Segundo o presidente da Comissão, senador Nelsinho Trad (PAD-MS), o grupo de trabalho terá como foco os desdobramentos da implantação do acordo entre os blocos.

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Warner Bros avalia nova oferta da Paramount e reabre disputa com a Netflix

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 11:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1700,03%Dólar TurismoR$ 5,3760,15%Euro ComercialR$ 6,086-0,14%Euro TurismoR$ 6,343-0,01%B3Ibovespa189.913 pts0,56%MoedasDólar ComercialR$ 5,1700,03%Dólar TurismoR$ 5,3760,15%Euro ComercialR$ 6,086-0,14%Euro TurismoR$ 6,343-0,01%B3Ibovespa189.913 pts0,56%MoedasDólar ComercialR$ 5,1700,03%Dólar TurismoR$ 5,3760,15%Euro ComercialR$ 6,086-0,14%Euro TurismoR$ 6,343-0,01%B3Ibovespa189.913 pts0,56%Oferecido por

A Warner Bros informou nesta terça-feira (24) que recebeu uma nova proposta de aquisição da Paramount Skydance, apresentada dentro do prazo de uma semana concedido para a entrega de sua “melhor e última oferta”, encerrado na segunda-feira (23).

Em comunicado, o conselho afirmou que a proposta está sendo analisada com o apoio de assessores financeiros e jurídicos. A empresa ressaltou, porém, que o acordo de fusão já firmado com a Netflix permanece em vigor e continua sendo recomendado aos acionistas.

O valor da nova proposta não foi divulgado. Em dezembro do ano passado, a Paramount havia oferecido US$ 30 por ação, em dinheiro, diretamente aos acionistas da Warner.

Neste mês, acrescentou um bônus de US$ 0,25 por ação a cada três meses, caso a operação não seja concluída após dezembro de 2026, além de se comprometer a assumir a multa de US$ 2,8 bilhões que a Warner teria de pagar em caso de rompimento do contrato com a Netflix.

A empresa também tenta responder a críticas feitas em negociações anteriores, como a necessidade de maior garantia de financiamento.

No mês passado, a Netflix revisou sua proposta e passou a oferecer US$ 27,75 (R$ 143) por ação, em pagamento integral em dinheiro, totalizando US$ 82,7 bilhões (R$ 427 bilhões). A nova estrutura recebeu apoio unânime do conselho da Warner, controladora da HBO.

A extensão do prazo para a Paramount foi autorizada pela Netflix por meio de uma isenção temporária, conhecida como "limited waiver", que suspende provisoriamente determinadas obrigações contratuais.

Pelos termos do acordo, se o conselho da Warner considerar a nova oferta superior à da Netflix, a plataforma de streaming terá quatro dias para apresentar uma contraproposta.

A disputa entre Netflix e Paramount Skydance pelo controle da Warner Bros. Discovery começou no fim de 2025, quando a Netflix apresentou a primeira proposta formal para comprar a empresa.

Em janeiro, a Netflix anunciou uma oferta de cerca de US$ 82,7 bilhões, pagando US$ 27,75 por ação, inicialmente em uma combinação de dinheiro e ações — depois revisada para pagamento integral em dinheiro. O acordo previa a separação da unidade Discovery Global antes da conclusão da operação.

Pouco depois, a Paramount Skydance entrou na disputa com uma oferta hostil, mais alta, avaliada em cerca de US$ 108,4 bilhões, oferecendo US$ 30 por ação em dinheiro.

Apesar do valor maior, o conselho da Warner rejeitou a proposta da Paramount, por considerá-la mais arriscada, baseada em alto endividamento e com menos garantias do que o acordo com a Netflix.

🔎 A Warner reúne estúdios e franquias muito valiosos, como Harry Potter, Game of Thrones e os personagens da DC Comics, além de um enorme catálogo de filmes e séries. A aquisição daria à vencedora mais força para competir com gigantes como Disney e Amazon no mercado de streaming.

No mês passado, a Paramount entrou com uma ação judicial contra a Warner para obter mais informações sobre o acordo firmado com a Netflix.

A empresa também anunciou que pretende indicar diretores para o conselho da Warner, em uma tentativa de convencer os acionistas de que sua oferta hostil é superior à proposta da Netflix.

Neste mês, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação para avaliar se a compra da Warner pela Netflix pode gerar concentração excessiva no mercado de streaming e reduzir a concorrência.

Segundo o jornal "The Wall Street Journal", o órgão enviou intimações a empresas do setor para obter informações sobre contratos, estratégias e os impactos da operação na disputa por talentos criativos.

A Netflix afirma que a análise do governo faz parte do processo normal de revisão e nega que haja uma investigação específica por monopólio. A conclusão do negócio ainda depende de autorizações regulatórias, da aprovação dos acionistas e da separação da unidade Discovery Global.

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Governo suspende temporariamente importação de cacau da Costa do Marfim, maior fornecedor para o Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 11:48

Agro Governo suspende temporariamente importação de cacau da Costa do Marfim, maior fornecedor para o Brasil Ministério da Agricultura adotou medida após avaliação que apontou risco fitossanitário e possibilidade de mistura de grãos de países vizinhos nas cargas destinadas ao Brasil. Por Redação g1

O Ministério da Agricultura decidiu suspender, de forma imediata e temporária, as importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau da Costa do Marfim, maior fornecedor do produto para o Brasil.

A medida foi adotada com base em avaliação técnica que apontou risco fitossanitário nas cargas destinadas ao Brasil.

Segundo o Ministério da Agricultura, o elevado fluxo de grãos provenientes de países vizinhos para o território marfinense pode permitir a mistura de amêndoas de diferentes origens nas cargas exportadas ao Brasil.

Parte desses países possui status fitossanitário desconhecido para a cultura do cacau ou não tem autorização para vender o produto ao mercado brasileiro, diz o governo.

O ato determina ainda que a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e a Secretaria de Defesa Agropecuária adotem procedimentos para investigar possíveis casos de triangulação comercial, diante da suspeita de que amêndoas originárias de países vizinhos — como Gana, Guiné e Libéria — estejam sendo incorporadas a lotes declarados como marfinenses.

A suspensão das importações será mantida até que o governo da Costa do Marfim apresente manifestação formal e garantias de que os envios destinados ao Brasil não contenham cacau produzido em países sem autorização sanitária.

A decisão ocorre após uma agenda articulada pelo governador do Pará, Helder Barbalho, em Brasília. O estado é o maior produtor de cacau do país.

Barbalho se reuniu com o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e demais autoridades para defender interesses estratégicos dos produtores de cacau paraenses e brasileiros.

“Isso foi uma reivindicação dos produtores rurais. [….] Isso vai permitir com que os produtos nacionais sejam valorizados, com que a produção de cacau no Brasil possa melhorar o preço e possa fortalecer aqueles que produzem”, destacou o governador.

A decisão do Ministério atende a demandas das associações de cacaicultores e lideranças estaduais, que vinham alertando sobre riscos sanitários e impactos competitivos decorrentes do ingresso de produtos importados que poderiam agravar a situação das lavouras brasileiras e pressionar os preços internos, destacou o governo do estado, em nota.

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Arrecadação federal bate recorde histórico e soma R$ 325,8 bilhões em janeiro, maior valor em 32 anos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 10:45

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1750,13%Dólar TurismoR$ 5,3780,2%Euro ComercialR$ 6,0940,000%Euro TurismoR$ 6,3470,05%B3Ibovespa190.157 pts0,69%MoedasDólar ComercialR$ 5,1750,13%Dólar TurismoR$ 5,3780,2%Euro ComercialR$ 6,0940,000%Euro TurismoR$ 6,3470,05%B3Ibovespa190.157 pts0,69%MoedasDólar ComercialR$ 5,1750,13%Dólar TurismoR$ 5,3780,2%Euro ComercialR$ 6,0940,000%Euro TurismoR$ 6,3470,05%B3Ibovespa190.157 pts0,69%Oferecido por

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 325,8 bilhões em janeiro deste ano, informou nesta terça-feira (24) a Receita Federal.

O resultado representa um aumento real de 3,56% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 314,54 bilhões (valor corrigido pela inflação).

▶️Esse também foi a maior arrecadação já registrada em todos os meses desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, ou seja, em 32 anos.

▶️O recorde na arrecadação em janeiro deste ano está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 14,68 bilhões, com alta real de 32,56%. "Destaca-se, adicionalmente, o crescimento da arrecadação decorrente da tributação de Juros sobre o Capital Próprio", informou a Receita Federal.O Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), que também foi elevado no ano passado, apresentou uma arrecadação de R$ 8 bilhões em janeiro, com crescimento real de 49,05%. O governo também arrecadou R$ 1,5 bilhão com a taxação de apostas online e exploração de atividades de jogos de azar. A tributação das chamadas "bets" também foi elevada no fim de 2025.A arrecadação previdenciária totalizou R$ 63,45 bilhões, com alta real de 5,48%, por conta do crescimento de real na massa salarial, pelo aumento na arrecadação do Simples Nacional e pela alta de 17,02% no montante das compensações tributárias.O PIS/Pasep e a Cofins apresentaram uma arrecadação de R$ 56 bilhões, com aumento real de 4,35%. "Esse desempenho pode ser explicado pelo aumento de 2,84% no volume de vendas (PMC-IBGE) e de 3,45% no volume de serviços (PMS-IBGE) entre dezembro de 2025 e dezembro de 2024", diz a Receita.

▶️O governo também contou com o aumento de outros tributos, efetuados nos últimos anos, para melhorar a arrecadação em janeiro de 2026. São eles:

Tributação de fundos exclusivos, os "offshores";Mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;Retomada da tributação de combustíveis;Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas);Reoneração gradual da folha de pagamentos;Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse).

Assim como nos últimos anos, o governo espera contar com o aumento da arrecadação para tentar atingir a meta para as suas contas em 2026.

Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.

De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.

Com crescimento da economia e alta de impostos, arrecadação bate novo recorde histórico em janeiro — Foto: Reprodução/Pixabay

O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).

Na prática, portanto, a previsão é de que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo.Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.

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Novas tarifas dos EUA entram em vigor com taxa mais baixa de 10%

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 07:45

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

Os Estados Unidos passaram a aplicar, a partir desta terça-feira, uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos que não estejam cobertos por isenções.

A medida foi informada em um aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) e corresponde à taxa inicialmente anunciada pelo presidente Donald Trump na sexta-feira — e não aos 15% mencionados por ele no dia seguinte.

Após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas anteriores, justificadas por motivos de emergência, Trump anunciou uma nova taxa global temporária de 10%. No sábado (21), afirmou que elevaria esse percentual para 15%.

Em comunicado destinado a “fornecer orientações sobre a Proclamação Presidencial de 20 de fevereiro de 2026”, a CBP informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações “estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%”.

A decisão ampliou a incerteza em torno da política comercial dos EUA, sem esclarecer por que foi adotado o percentual mais baixo. O Financial Times citou um funcionário da Casa Branca segundo o qual o aumento para 15% ocorrerá posteriormente com uma ordem formal. A Reuters informou que não conseguiu confirmar essa informação de imediato.

A cobrança das novas tarifas começou à meia-noite, enquanto a aplicação das taxas anuladas pela Suprema Corte foi suspensa. Essas tarifas anteriores variavam de 10% a 50%.

A chamada Seção 122 da legislação americana autoriza o presidente a impor tarifas por até 150 dias a todos os países, com o objetivo de enfrentar déficits considerados “grandes e graves” na balança de pagamentos e problemas estruturais no sistema de pagamentos internacionais.

Na ordem tarifária, Trump argumenta que há um desequilíbrio significativo nas contas externas dos EUA, refletido em um déficit comercial anual de US$ 1,2 trilhão em bens, um déficit em conta corrente equivalente a 4% do PIB e a reversão do superávit de renda primária.

Na segunda-feira, o presidente advertiu que países não devem recuar de acordos comerciais recentemente firmados com os EUA. Segundo ele, eventuais recuos resultarão na adoção de tarifas ainda mais elevadas, com base em outras leis comerciais.

O Japão informou nesta terça-feira que pediu aos Estados Unidos garantias de que será tratado, no novo regime tarifário, de forma tão favorável quanto no acordo atual. A União Europeia e o Reino Unido também sinalizaram que desejam preservar os acordos já firmados.

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Banco Central anuncia novo liquidante para Banco Master

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 07:45

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Banco Central (BC) designou um novo liquidante e um responsável técnico para assumir a função de administrador do Banco Master.

O comunicado foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (24) e anuncia a designação de Sebastião Marcio Monteiro para substituir a EFB Regimes Especiais de Empresas LTDA entre os dias 20 de fevereiro e 6 de março.

Nesse período, o responsável técnico será Sebastião Marcio Monteiro. A mudança se deve a problemas de saúde e necessidade de afastamento temporário do responsável técnico do liquidante original, Eduardo Felix Bianchini, da EFB.

Agora, o novo liquidante, ou seja, o responsável por gerenciar o encerramento das atividades do Master, assume as demandas referentes à liquidação das seguintes empresas que compõem o Banco Master Múltiplo S.A:

Banco Master S.A., Banco Master de Investimento S.A., Banco Letsbank S.A., Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento.

🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em 18 de novembro de 2025, um dia depois de a Fictor Holding apresentar uma proposta de compra da instituição de Daniel Vorcaro — e pouco mais de dois meses depois de o BC rejeitar a aquisição pelo BRB (Banco de Brasília).

Um dia antes da liquidação, a Polícia Federal (PF) prendeu o dono do Master, o banqueiro Daniel Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero. O objetivo da operação, ainda em andamento, é combater a venda de títulos de crédito falsos.

A instituição emitia CDBs com a promessa de remunerar clientes com taxas muito superiores às praticadas pelo mercado, mas o pagamento não ocorria.

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Reforma tributária: estudos apontam que carga sobre vinhos e espumantes deve cair para 33%, diz Alckmin

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 05:48

Política Reforma tributária: estudos apontam que carga sobre vinhos e espumantes deve cair para 33%, diz Alckmin Patamar atual é de cerca de 40,5%. Tema será abordado em projeto sobre o chamado imposto seletivo, ainda a ser enviado pelo governo ao Congresso. Por Mariana Assis, Isabella Calzolari, g1 — Brasília

O presidente em exercício e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira (19) que estudos apontam que a carga tributária sobre vinhos e espumantes deve ficar em torno de 33% com a reforma tributária. O percentual seria inferior ao atual, de cerca de 40,5%.

No começo de janeiro, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse que a pasta poderia enviar o projeto de lei do imposto seletivo ao Congresso na volta do recesso legislativo, mas isso ainda não aconteceu.

🔎O Imposto Seletivo foi criado pela reforma tributária. O tributo é aplicado sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Na prática, essa categoria terá uma tributação maior do que a alíquota padrão.

Segundo Alckmin, o governo acompanhará de perto a regulamentação do imposto seletivo sobre o setor.

Alckmin fez a fala durante a Festa do Vinho, que ocorre no Rio Grande do Sul. Antes do evento, ele conversou com o setor de produção de uvas e vinhos, que apresentou dúvidas também em relação ao acordo Mercosul União Europeia.

Sobre isso, o presidente em exercício disse que a desgravação tarifária para os vinhos se dará em oito anos, enquanto que para os espumantes, em 12 anos.

Presidente em exercício Geraldo Alckmin participa de Feira da Uva em Caxias do Sul (RS) — Foto: Cadu Gomes/VPR

Ele afirmou, ainda, que Lula vai regulamentar as salvaguardas por decreto. "No próprio acordo Mercosul-União Europeia, tem um capítulo voltado a salvaguardas. E o presidente Lula vai regulamentar a salvaguarda por decreto. Então, nós teremos a salvaguarda regulamentada", disse Alckmin.

🔎As salvaguardas definem em que situações o Brasil poderá suspender temporariamente as vantagens tarifárias concedidas no acordo.

"Qualquer problema, você pode suspender aquele item. Se tiver um aumento grande de imposto de exportação, a salvaguarda você pode imediatamente acioná-la", explicou o vice-presidente. 

O g1 apurou que o texto está sendo elaborado pelo MDIC e Itamaraty e a minuta deve seguir nos próximos dias para análise da Casa Civil.

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Greve geral na Argentina paralisa fábricas da Stellantis, VW, Ford, Toyota e Mercedes

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 05:48

Carros Greve geral na Argentina paralisa fábricas da Stellantis, VW, Ford, Toyota e Mercedes O Brasil importa quase 200 mil veículos do país vizinho por ano, o equivalente a aproximadamente 40% do total. Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

A greve geral na Argentina é uma resposta direta à reforma trabalhista de Javier Milei, que propõe mudanças em jornada e regras de férias.

A paralisação afeta a produção de veículos cruciais para o mercado brasileiro, como a Ford Ranger e a Toyota Hilux.

Em 2025, o Brasil importou 40% de seus veículos da Argentina, totalizando cerca de 200 mil unidades.

A Stellantis interrompeu a fabricação de Fiat Cronos e Titano em Córdoba, enquanto a fábrica de Palomar já tinha pausa agendada.

A Volkswagen informou que a produção será retomada nesta sexta-feira, sem previsão de atrasos nas entregas ao cliente final.

Uma greve geral paralisou nesta quinta-feira (19) diversas fábricas de automóveis na Argentina. O movimento é uma resposta à reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, que prevê aumento da jornada de trabalho e regras mais duras para férias, indenizações, licenças médicas e negociações coletivas.

O país é um importante fornecedor do mercado automotivo brasileiro. Em 2025, o Brasil importou cerca de 200 mil veículos do país vizinho, o equivalente a aproximadamente 40% do total importado no ano.

Entre as montadoras impactadas estão as plantas argentinas da Ford, Volkswagen, Toyota, Stellantis e Mercedes-Benz. Ainda não há previsão de efeitos sobre o abastecimento em razão da paralisação.

A Ford produz em Pacheco a Ranger, que no ano passado vendeu mais de 34 mil unidades no Brasil. Ali perto, a Volkswagen monta a Amarok e, em Córdoba, a empresa alemã produz veículos pesados e transmissões que equipam alguns modelos do grupo.

Em Zárate, cidade a 90 km de Buenos Aires, a Toyota monta a Hilux e a SW4. A dupla faz sucesso no Brasil e, juntas, acumularam mais de 66 mil unidades vendidas em 2025. Na mesma fábrica, a Toyota também monta a Hiace, van lançada no Brasil no ano passado.

A Stellantis interrompeu a produção dos Fiat Cronos e Titano e da picape RAM Dakota em Córdoba por causa da greve. A fábrica de Palomar, que produz os Peugeot 208, 2008 e Partner, além do Citroën Berlingo, já tinha programado uma pausa para atualização da linha de montagem.

Segundo a empresa, nessa fábrica a produção será retomada integralmente em 2 de março. A fábrica da Renault em Santa Isabel também parou, mas a pausa técnica já estava agendada.

Segundo a Volkswagen, a fábrica ficará paralisada apenas nesta quinta-feira. A empresa informou que a produção deve ser retomada nesta sexta-feira e que a paralisação não deverá causar atrasos nas entregas ao cliente final. A VW afirma que não haverá impacto no estoque de veículos no Brasil.

A Stellantis Argentina diz que a greve geral é um fato que excede o âmbito da companhia e que a paralisação se encerra hoje.

A Ford confirma que a produção está parada, mas a previsão é que a produção retorne normalmente amanhã. A marca diz que há plena disponibilidade da Ranger nos estoques da rede e não há impactos previstos para o cliente final.

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O acordo bilionário da Bayer para indenizar usuários do glifosato

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 05:48

Agro O acordo bilionário da Bayer para indenizar usuários do glifosato Milhares processam empresa alemã nos EUA e afirmam ter desenvolvido câncer com uso do agrotóxico Roundup. Acordo de até US$ 7,25 bilhões pretende encerrar litígios. Por Deutsche Welle

O acordo proposto pela Bayer visa resolver processos que alegam que o herbicida Roundup, à base de glifosato, causa linfoma não Hodgkin.

A proposta prevê um fundo de indenização de até US$ 7,25 bilhões, com pagamentos anuais por até 21 anos.

A Bayer não admite culpa ou irregularidades, e o acordo exige a participação mínima dos demandantes para prosseguir.

A Suprema Corte dos EUA analisará em abril a alegação da Bayer de que a aprovação da EPA deveria invalidar ações estaduais.

A incerteza sobre um acordo bilionário para encerrar processos envolvendo o agrotóxico Roundup, à base de glifosato, pressionou as ações da Bayer na quarta-feira (18). Os papéis chegaram a cair 12%, apagando os ganhos do dia anterior.

Na noite de terça-feira (17), a empresa alemã comunicou que sua subsidiária Monsanto havia chegado a um acordo de até 7,25 bilhões de dólares (R$ 37,91 bilhões) nos EUA para encerrar dezenas de milhares de processos judiciais, atuais e futuros, que alegam que o herbicida causa câncer.

A medida representa um passo importante para a empresa alemã, que passou anos lidando com os riscos legais relacionados ao Roundup, adquirido como parte da compra da agroquímica Monsanto por 63 bilhões de dólares em 2018.

"A incerteza causada por litígios tem atormentado a empresa por anos, e esse acordo oferece à empresa um caminho para a resolução do problema", disse o CEO da Bayer, Bill Anderson.

Analistas do banco JPMorgan disseram que o acordo foi um passo na direção certa, mas observaram que a Bayer não divulgou quantos demandantes precisam aderir para que ele prossiga. Também não estava claro se eles estavam dispostos a aceitá-lo.

"Ainda existem considerações a serem feitas, como a necessidade de aprovação judicial e a possibilidade de uma alta taxa de desistências", disseram.

Os analistas afirmam que muito ainda depende de uma decisão pendente da Suprema Corte dos EUA sobre o mérito geral dos processos.

A Suprema Corte se prepara para ouvir, em abril, os argumentos da Bayer sobre a alegação de que a aprovação do Roundup pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) sem um alerta sobre o risco de câncer deveria invalidar as ações judiciais movidas em tribunais estaduais.

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A Bayer argumenta que os consumidores não deveriam poder processá-la sob lei estadual por não alertar que o Roundup aumenta o risco de câncer, visto que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) não encontrou tal risco e não exige tal advertência.

A Bayer argumentou que a lei federal não permite que ela adicione qualquer advertência ao produto além da já aprovada pela EPA.

Um porta-voz da Bayer destacou um parecer jurídico do procurador-geral dos EUA em dezembro, que mostrou que o governo do presidente Donald Trump concorda com a interpretação da lei feita pela Bayer.

Esse caso não seria afetado pelo acordo apresentado nesta terça-feira, mas o acordo eliminaria parte dos riscos da decisão da Suprema Corte.

Os pacientes teriam a garantia de receber a indenização mesmo que a Suprema Corte decida a favor da Bayer, e a Bayer estaria protegida de custos potencialmente maiores caso a Suprema Corte decida contra ela.

A empresa enfrenta ações judiciais relacionadas ao Roundup em tribunais estaduais e federais dos EUA. Os autores das ações alegam ter desenvolvido linfoma não Hodgkin e outros tipos de câncer após o uso do herbicida, em casa ou no trabalho.

A Bayer contesta a alegação de que o principal ingrediente do Roundup, o glifosato, cause linfoma não Hodgkin. O acordo não exige que a Bayer admita culpa ou irregularidades.

A empresa alemã afirmou que a proposta de acordo nacional, apresentada nesta terça-feira num tribunal estadual em St. Louis, no Missouri, estabeleceria um programa de indenização financiado por pagamentos anuais para um fundo especial por até 21 anos, totalizando até 7,25 bilhões de dólares.

O valor pago aos indivíduos variaria dependendo de como eles usaram o Roundup, da idade em que foram diagnosticados e da gravidade do linfoma não Hodgkin.

Os demandantes podem receber até 198 mil dólares ou mais, de acordo com um advogado que participou das negociações.

Pelos termos do acordo proposto, um trabalhador agrícola, industrial ou de gramados exposto por longo período ao Roundup receberia em média 165 mil dólares se tiver sido diagnosticado com uma forma agressiva da doença antes dos 60 anos.

Já um usuário residencial do Roundup diagnosticado entre 60 e 77 anos com uma forma menos agressiva da doença receberia em média 20 mil dólares. E aqueles diagnosticados com 78 anos ou mais receberiam em média 10 mil dólares.

O advogado Matt Clement, que representa cerca de 280 demandantes do caso Roundup, disse estar surpreso com o acordo proposto e esperar que muitos de seus clientes optem por não participar. Os pagamentos propostos "são extremamente baixos”, disse.

O acordo requer a participação de um número mínimo de demandantes. Se muitos optarem por não participar, a Bayer disse que se reserva o direito de cancelá-lo, mas não especificou quantas desistências teriam que ocorrer.

Cerca de 200 mil ações judiciais relacionadas ao Roundup foram movidas contra a Bayer nos Estados Unidos. Isso inclui mais de 125 mil demandantes que entraram com processos desde 2015, de acordo com os documentos do acordo.

A empresa já pagou cerca de 10 bilhões de dólares para encerrar a maioria dos processos judiciais relacionados ao Roundup que estavam pendentes em 2020, mas não conseguiu, na época, um acordo que cobrisse casos futuros.

Seu histórico com os poucos casos que foram a julgamento é misto, com 13 vereditos a favor da Bayer e 11 a favor dos demandantes, incluindo uma indenização de 2,1 bilhões de dólares concedida por um júri da Geórgia em março de 2025.

Outros casos já foram resolvidos por meio de acordos separados, incluindo dois recentes que contemplariam cerca de 77 mil ações, segundo os documentos judiciais.

Os vereditos abalaram a confiança dos investidores e as esperanças da empresa de que o pior já havia passado, e pressionaram a Bayer a encontrar uma solução abrangente para os processos judiciais ainda pendentes relacionados ao Roundup, movidos por cerca de 65 mil pessoas em tribunais estaduais e federais dos EUA.

O novo acordo nacional visa abordar a maioria desses processos restantes, bem como quaisquer casos adicionais apresentados em até 21 anos por pessoas que foram expostas ao Roundup antes do dia 17 de fevereiro de 2026.

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Suprema Corte dos EUA pode decidir nesta sexta sobre legalidade do tarifaço de Trump

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 05:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

A Suprema Corte dos EUA pode anunciar nesta sexta-feira (20) sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil.

A instância máxima da Justiça americana indicou na última semana que pode divulgar hoje, em plenário, decisões de casos já julgados pelos juízes — o que pode incluir o tarifaço.

A análise das tarifas de Trump envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que concluiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor a maior parte das taxas globais com base em uma lei federal destinada a situações de emergência.

Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço deve definir os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil.

A Suprema Corte dos Estados Unidos pode anunciar nesta sexta-feira (20) sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil.

A análise das tarifas de Trump envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que concluiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor a maior parte das taxas globais com base em uma lei federal destinada a situações de emergência. (leia mais abaixo)

Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço deve definir os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil. O processo judicial se arrasta desde o meio de 2025.

Além disso, a Suprema Corte pode estabelecer parâmetros para outros casos relevantes, definindo o alcance da autoridade de Trump. O republicano tem testado os poderes do poder Executivo ao adotar políticas de forma unilateral e interferir na dinâmica do comércio global.

A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal.

As ações contra as taxas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas.

Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década. O presidente americano já defendeu que as cobranças são um "remédio" necessário para a economia americana.

Em 5 de novembro, durante as sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. O debate durou mais de 2h30.

O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional.

Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder "inerente" dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indica uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de 6 a 3.

Em agosto de 2025, Donald Trump criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegais a maior parte das tarifas impostas por ele.

Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, o tarifaço permaneceu em vigor.

O republicano afirmou que o tribunal de apelações — que classificou como “altamente partidário” — errou ao determinar a suspensão das tarifas. Ele acrescentou que, “com a ajuda da Suprema Corte dos EUA”, pretende manter a taxação.

“Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (…) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social.

Na prática, Trump fez das tarifas um eixo de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores aos EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros.

Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou

Se a Suprema Corte declarar as tarifas ilegais, a estratégia comercial de Trump pode ser completamente alterada, incluindo o tarifaço anunciado em abril de 2025.

Além de derrubar as taxas, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões de dólares arrecadados com as tarifas, que funcionam como impostos sobre importações.

"Esperamos que isso seja considerado ilegal, mas também estamos nos preparando para o caso de se elas se consolidarem", disse Bill Harris, cofundador da Cooperative Coffees, cooperativa sediada na Geórgia (EUA), à BBC.

A empresa, que importa café de mais de uma dezena de países, pagou cerca de US$ 1,3 milhão (R$ 7,4 milhões) em tarifas entre abril e novembro do ano passado.

Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%.

A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que deixou de fora da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto.

Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.

Enquanto as discussões sobre o tarifaço perderam espaço no noticiário diante da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por agentes americanos — e de outros fatores geopolíticos —, os rumos da política tarifária voltaram ao radar à espera da decisão da Suprema Corte dos EUA.

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