RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

O que está por trás do aumento de navios abandonados no mar

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 03:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

O número de navios abandonados por seus proprietários ao redor do mundo aumentou significativamente no último ano.

A instabilidade geopolítica é apontada como um dos principais fatores por trás do crescimento recente.

A crescente presença das chamadas "frotas fantasmas" pode ter contribuído para o forte aumento registrado no ano passado.

Esses navios costumam ser embarcações antigas, de propriedade obscura, muitas vezes sem condições adequadas de navegação.

O número de petroleiros abandonados e de outras embarcações comerciais disparou — Foto: AFP via BBC

Ao longo do último ano, houve um grande aumento no número de petroleiros e outras embarcações comerciais que vêm sendo abandonados por seus proprietários ao redor do mundo. O que está por trás desse aumento repentino? E qual é o impacto humano sobre os marinheiros mercantes afetados?

Ivan (nome fictício) falou com a BBC no mês passado a partir de um petroleiro que permanece abandonado fora das águas territoriais da China. Ele é um funcionário sênior de convés.

"Houve falta de carne, grãos, peixe — coisas simples para a sobrevivência", disse o fncionário russo. "Isso afetou nossa saúde e o clima operacional a bordo.

A tripulação estava com fome, a tripulação estava com raiva, e tentávamos sobreviver apenas dia após dia."

O navio — que não será identificado para proteger Ivan — transporta cerca de 750 mil barris de petróleo bruto russo, com valor nominal de aproximadamente US$ 50 milhões (R$ 260 milhões). Ele havia zarpado do Extremo Oriente da Rússia em direção à China no início de novembro.

A embarcação foi dada como abandonada em dezembro pela federação sindical internacional International Transport Workers' Federation (ITF), após a tripulação relatar que não recebia salários havia meses.

O navio permanece em águas internacionais. O nível de escrutínio em torno do caso é tal que a China, ao que tudo indica, não está disposta a permitir sua entrada em um porto.

No entanto, a ITF interveio para garantir o pagamento dos salários de Ivan e de seus colegas até dezembro, além de organizar o envio de alimentos, água potável e outros itens essenciais para o navio.

Às vezes, os navios são abandonados em portos; em outros casos, ficam à deriva no mar — Foto: ITF via BBC

Segundo a ITF, 20 navios foram abandonados ao redor do mundo em 2016. Em 2025, esse número saltou para 410, com 6.223 marinheiros mercantes afetados. Ambos os números do ano passado representaram um aumento de quase um terço em relação a 2024.

A instabilidade geopolítica é apontada como um dos principais fatores por trás do crescimento recente. Conflitos generalizados em várias partes do mundo e a pandemia de covid-19 provocaram interrupções nas cadeias de suprimento e grandes variações nos custos de frete, fazendo com que algumas empresas tenham dificuldade para se manter operando.

Mas a ITF afirma que a crescente presença das chamadas "frotas fantasmas" pode ter contribuído para o forte aumento registrado no ano passado.

Esses navios — geralmente petroleiros, como aquele em que Ivan está preso — costumam ser embarcações antigas, de propriedade obscura, muitas vezes sem condições adequadas de navegação, provavelmente sem seguro e com operações perigosas. Em geral, eles navegam sob bandeiras de conveniência (FOCs, na sigla em inglês), ou seja, são registrados em países com fiscalização regulatória muito limitada.

As embarcações dessas frotas fantasmas tentam operar fora do radar para ajudar países como Rússia, Irã e Venezuela a exportar petróleo bruto em violação às sanções ocidentais.

O caso da Rússia é um exemplo. Após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, o país passou a enfrentar sanções que limitaram o preço que poderia cobrar por seu petróleo.

Ainda assim, a Rússia encontrou compradores dispostos a pagar valores mais altos, como China e Índia — embora esta última tenha agora se comprometido a interromper as compras, conforme os termos de um recente acordo comercial com os Estados Unidos.

As bandeiras de conveniência (FOCs, na sigla em inglês) são usadas por navios mercantes há mais de um século como forma de os proprietários contornarem leis e regulações em seus países de origem. Nos anos 1920, por exemplo, era comum que navios de passageiros de propriedade americana fossem registrados no Panamá para driblar as normas da Lei Seca nos EUA e vender álcool a bordo.

Panamá, Libéria e Ilhas Marshall são hoje os Estados mais comuns de bandeira de conveniência, respondendo por 46,5% de todos os navios mercantes em termos de tonelagem. Mas a Gâmbia se tornou um novo ator nesse cenário nos últimos anos.

Em 2023, não havia nenhum petroleiro registrado na Gâmbia. Já em março do ano passado, o país havia se tornado, no papel, o Estado anfitrião de 35 dessas embarcações. Os países que oferecem esse tipo de registro recebem taxas consideráveis.

Navios com bandeira de conveniência aparecem com destaque nos casos de abandono. Em 2025, eles representaram 337 embarcações — ou 82% do total. O número exato de navios de "frotas fantasmas" dentro desse grupo não é claro, mas, dado o estado precário dessas embarcações e as estruturas de propriedade obscuras por trás delas, tudo indica que isso expõe tanto os navios quanto suas tripulações a riscos maiores.

De acordo com as diretrizes da Organização Marítima Internacional (IMO), um marinheiro é considerado abandonado quando o armador deixa de arcar com os custos de sua repatriação, ou o deixa sem a cobertura de custos e o apoio necessários, ou ainda rompe unilateralmente o vínculo com ele. Este último caso inclui a falta de pagamento dos salários contratuais por um período mínimo de dois meses.

O secretário-geral da ITF, Stephen Cotton, disse à BBC que "o abandono não é um acidente". E acrescentou: "Os marinheiros, na verdade, não sabem exatamente para onde estão indo. Eles assinam um contrato, vão para alguma outra parte do mundo e se deparam com muitos desafios diferentes."

No ano passado, tripulações da marinha mercante abandonadas ao redor do mundo tinham, juntas, US$ 25,8 milhões em salários atrasados, segundo dados de duas agências da ONU, a Organização Marítima Internacional (IMO) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A ITF afirma ter recuperado e devolvido quase dois terços desse valor, o equivalente a US$ 16,5 milhões. No navio em que Ivan está, os salários atrasados somavam cerca de US$ 175 mil no momento da primeira intervenção da ITF.

A nacionalidade mais afetada pelo abandono marítimo em 2025 foi a indiana, com 1.125 marinheiros — 18% do total. Filipinos (539) e sírios (309) aparecem em segundo e terceiro lugar.

Em setembro do ano passado, para proteger sua importante comunidade de trabalhadores do mar, o governo da Índia colocou na lista negra 86 embarcações estrangeiras por casos de abandono de marinheiros e violações de direitos. As investigações constataram que muitas delas tinham proprietários impossíveis de rastrear ou não recebiam qualquer resposta dos Estados de bandeira.

Mark Dickinson é secretário-geral do Nautilus International, um sindicato que representa profissionais do setor marítimo.

Ele responsabiliza os Estados que oferecem bandeiras de conveniência (FOCs) por uma "completa abdicação de responsabilidade" em relação às suas frotas mercantes e às tripulações que navegam sob essas bandeiras.

Segundo ele, é preciso haver "um vínculo genuíno entre os proprietários dos navios e as bandeiras sob as quais eles navegam". Esse vínculo já é exigido pelo direito marítimo internacional, mas não existe uma definição universalmente aceita do que ele significa na prática.

O navio de Ivan navegava sob uma bandeira gambiana falsa, sem registro e desconhecida pelas autoridades da Gâmbia. Desde então, ele foi aceito provisoriamente sob a bandeira de outro país africano, que, segundo informações, abriu uma investigação formal sobre a embarcação.

O inspetor da ITF Nathan Smith disse que espera que o destino do petroleiro só seja resolvido quando o petróleo for transferido para outro navio por meio de uma operação de navio a navio em alto-mar.

"Com certeza vou ter uma conversa adequada sobre as condições da embarcação, sobre pagamento e provisões. E vou recorrer à internet, onde podemos ver quais navios são proibidos, quais estão sob sanções."

Marinheiros como Ivan muitas vezes ficam à mercê dos contratos disponíveis. Com as viagens das chamadas frotas fantasmas sendo uma peça-chave da cadeia de suprimento do petróleo russo, será necessária uma cooperação internacional maior para proteger os trabalhadores do mar dos riscos inerentes ao serviço marítimo.

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Haddad diz que Brasil é ‘grande demais para ser quintal’ e defende parceria ‘madura’ com os EUA após queda de tarifas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 03:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

A Suprema Corte dos EUA anulou as tarifas de 40% impostas por Trump, que afetavam 22% das exportações brasileiras.

O tribunal justificou a decisão afirmando que Donald Trump excedeu seus poderes presidenciais na aplicação das taxas.

Mesmo com a anulação, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10%, que passará a valer também para produtos do Brasil.

Haddad assegurou que a competitividade brasileira não será prejudicada e defende uma relação "robusta" com os EUA.

Trump assina decreto com nova tarifa global de 10% depois que a Suprema Corte considerou o tarifaço do ano passado ilegal

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse neste sábado (21) que o Brasil é “grande demais para ser quintal” de qualquer país e defendeu uma relação “madura” com os Estados Unidos após a Suprema Corte norte-americana derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump.

Na sexta-feira (20), a Corte decidiu que Trump extrapolou os poderes da Presidência ao aplicar tarifas com base em uma lei de 1977. Com a decisão, deixam de valer as sobretaxas de 40% que atingiam 22% das exportações brasileiras.

Após o revés no tribunal, Trump anunciou uma tarifa global de 10%, que deve passar a valer também para produtos brasileiros. Segundo Haddad, a competitividade do Brasil não será afetada.

Em entrevista na Índia, o ministro afirmou que o país está construindo uma “ponte robusta” para restabelecer a relação com os Estados Unidos e disse acreditar que o processo deve se acelerar.

“Tudo o que nós queremos, em relação à Ásia, à Europa e aos Estados Unidos, é ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro”, afirmou.

“O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo.”

Mais cedo, Haddad afirmou que o Brasil agiu “de forma impecável” enquanto as tarifas estavam em vigor e disse que a decisão da Suprema Corte dos EUA favorece os países afetados pela medida.

Alckmin diz que decisão da Suprema Corte dos EUA é 'importante' para o Brasil e que tarifa global de 10% preserva competitividadeDecisão da Suprema Corte de derrubar tarifas é uma vergonha, diz TrumpTarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as tarifas para o Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante evento na Índia — Foto: Ricardo Reichhardt/TV Globo

Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, ele aplicou uma sobretaxa de 40%, levando o total a 50%.

A medida veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Ficaram fora da sobretaxa itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A nova alíquota entrou em vigor em 6 de agosto.

Em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de outros produtos, como café, carnes e frutas. Meses antes, em discurso na ONU, Trump afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.

Com a decisão da Suprema Corte e o novo anúncio feito nesta sexta-feira, o resultado final é uma tarifa de 10% sobre a maioria dos produtos brasileiros, segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos.

“Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço], acrescida do novo adicional temporário global de 10%”, afirma.

Ele ressalta que aço e alumínio continuam com alíquotas de 50%, que se somam aos 10% recém-anunciados.

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Trump diz que vai aumentar para 15% tarifa global de importação

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 02:46

Mundo Trump diz que vai aumentar para 15% tarifa global de importação O anúncio foi feito em uma postagem em sua rede social Truth Social, menos de 24h depois de informar que usaria um novo instrumento legal para aplicar a tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. Agora, o percentual aumentou. Por Redação g1

Donald Trump anunciou em sua rede social Truth Social o aumento das tarifas globais de importação para 15%. Percentual é maior do que anunciado antes, de 10%.

A Suprema Corte derrubou a política tarifária anterior, exigindo "autorização clara do Congresso" para tais medidas.

Trump justificou a elevação para corrigir "décadas de práticas comerciais injustas" e manter sua estratégia "Making America Great Again".

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou na tarde deste sábado (21) que elevará as tarifas globais de importação para 15%. Na sexta-feira, a Suprema Corte do país derrubou o tarifaço imposto no ano passado.

O anúncio foi feito em uma postagem em sua rede social Truth Social, menos de 24h depois de informar que usaria um novo instrumento legal para aplicar a tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. Agora, o percentual aumentou.

Segundo Trump, a medida tem o objetivo de corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que, na sua avaliação, prejudicaram a economia americana.

No comunicado, Trump afirma que, após “uma análise completa e detalhada” de uma decisão recente da Suprema Corte dos EUA contrária a parte de sua política tarifária, decidiu elevar imediatamente a tarifa mundial de 10% para 15%.

Na mensagem publicada por volta das 13h, o presidente disse que a elevação é legal e permitida pelos instrumentos jurídicos existentes, e que nas próximas semanas a administração Trump definirá “as novas tarifas legais e permissíveis” que serão aplicadas globalmente.

Ele também reforçou que a medida faz parte da estratégia para continuar o processo de “Making America Great Again — GREATER THAN EVER BEFORE!!!” (tornando a América grande novamente — ainda maior do que antes).

“…como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito imediato, elevando a tarifa mundial de 10% sobre os países (…) para o nível legalmente permitido de 15%.”

O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos.

Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte.

⚖️ O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump.

Na prática, os juízes confirmaram a decisão de instância inferior que concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA, de 1977.

Em reunião com governadores estaduais, Trump classificou a decisão como "uma vergonha" e disse que j tinha um "plano B" para manter as taxas sobre produtos importados, segundo a agência Reuters.

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Derrubada de tarifaço pela Suprema Corte dos EUA impacta US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras, estima CNI

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 02:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

Donald Trump classificou a decisão da Suprema Corte como "uma vergonha" — Foto: Getty Images

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar o chamado tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump a importações de alguns países impacta o correspondente a US$ 21,6 bilhões em vendas externas brasileiras ao país.

O cálculo foi feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC).

Sobre alguns produtos brasileiros, o presidente Donald Trump havia imposto uma sobretaxa que variava de 10% a 40% – derrubada pela Justiça dos EUA.A decisão do tribunal atingiu principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço e alumínio, não foram afetadas.

“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Ele destacou que a instituição seguirá monitorando os desdobramentos para avaliar com mais precisão os impactos para o Brasil.

Após a decisão da Suprema Corte, Trump classificou a definição como "uma vergonha" e informou que usará um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato.

O republicano afirmou ainda que há “métodos ainda mais fortes” à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. “Outras saídas serão usadas”, disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar “ainda mais dinheiro”.

Sob o impacto do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA recuaram, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões no ano passado — uma queda de 6,6%, ou US$ 2,65 bilhões.

Com isso, o déficit comercial do Brasil com os americanos cresceu de forma expressiva, somando US$ 7,53 bilhões no ano passado. O avanço foi de quase 2.900% na comparação com 2024, quando o déficit foi de US$ 253 milhões.

Dados da série histórica do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil registra déficits comerciais consecutivos com os EUA desde 2009, há 17 anos. O resultado negativo de 2025 foi o pior desde 2022, em um intervalo de três anos.

O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril para todos os países, embora alguns produtos tenham recebido taxação mais elevada, como aço e alumínio.Em agosto, foi anunciada uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil. Ainda assim, foi divulgada uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.Com o passar dos meses e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações avançaram e, em novembro, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau. Nesta sexta-feira, a Suprema Corte dos EUA derrubou tarifas adicionais de 10% a 40% que ainda vigoravam para alguns produtos brasileiros.

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Jornada diária de até 12h e salário em moeda estrangeira: a polêmica reforma trabalhista de Milei que gerou greves e protestos na Argentina

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 02:46

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A reforma trabalhista de Milei, já aprovada na Câmara, retornará ao Senado após a retirada de um artigo sobre licença médica.

O governo defende a reforma como "modernização" para gerar empregos formais, mas críticos a veem como um retrocesso de direitos.

A Argentina enfrenta alta informalidade, com quase metade dos trabalhadores sem direitos como seguro saúde e previdência.

A proposta redefine o cálculo de indenização por demissão e amplia a lista de "serviços essenciais" com restrições de greve.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) convocou greve e protestos, declarando que "direitos não são negociáveis".

Na Argentina, existe um amplo consenso de que uma reforma trabalhista é necessária — Foto: AFP/Getty Images

A Argentina está discutindo uma reforma trabalhista defendida pelo presidente Javier Milei, que pretende redefinir as condições de trabalho no país. Mas o assunto vem causando polêmica e polarização. O governo descreve a iniciativa como uma "modernização" das relações trabalhistas, enquanto críticos dizem que se trata de um grande retrocesso.

Na quinta-feira (19), a Câmara dos Deputados aprovou preliminarmente o projeto de lei, que já havia passado no Senado uma semana antes.

No entanto, um artigo polêmico sobre licença médica foi retirado pelo partido governista durante a votação na Câmara dos Deputados, o que significa que o projeto terá que retornar ao Senado para poder virar lei.

O debate de quinta-feira no Congresso ocorreu em meio a uma greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) — a principal central sindical do país — e manifestações na Praça dos Congressos, onde os deputados estavam reunidos.

Entre as propostas mais polêmicas estão a extensão da jornada de trabalho para um máximo de 12 horas, o cálculo da indenização por demissão e restrições na licença médica.

Para muitos setores da sociedade, a proposta de Milei representa um debate há muito esperado na Argentina, um país com longa tradição sindical e amplos direitos trabalhistas que muitos consideram antiquados.

"Nossa legislação trabalhista foi consolidada na década de 1970 e reflete um mundo diferente, um modelo trabalhista baseado em funcionários de escritório e operários de fábrica", disse Miguel Ángel Maza, professor de Direito do Trabalho, à BBC Mundo.

Hoje, o país enfrenta um nível recorde de informalidade, com quase metade dos trabalhadores sem direitos trabalhistas garantidos.

Esse número representa quase 6 milhões de pessoas que não têm direito a seguro saúde, licença médica, indenização por demissão ou contribuições para a previdência.

Entre os menores de 29 anos, a taxa de emprego informal chega a quase 6 em cada 10, e esse número é ainda maior entre as mulheres jovens, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos.

A insegurança no trabalho vem aumentando nos últimos 13 anos, com mais trabalhadores em empregos informais, de acordo com dados do Sistema Integrado de Pensões da Argentina e da Pesquisa Permanente de Domicílios.

Em meio ao debate parlamentar sobre a reforma trabalhista, a principal fabricante de pneus da Argentina anunciou seu fechamento — Foto: Getty Images/via BBC

Entre os principais pilares da reforma, o governo propõe permitir a extensão da jornada de trabalho diária de 8 para 12 horas sem a necessidade de pagamento de horas extras, desde que o período de descanso de 12 horas seja respeitado e o limite legal semanal de 48 horas não seja ultrapassado.

Para tanto, será criado um banco de horas extras para cada funcionário, que a empresa poderá compensar com folgas ou dias de folga em vez de dinheiro.

"Não é o ideal, mas a realidade é que muitas pessoas trabalham mais de 8 horas, muitíssima gente, e nem sempre recebem horas extras", diz Maza.

O governo defende que os trabalhadores poderão negociar, por exemplo, trabalhar mais horas todos os dias de segunda a quinta-feira e ter folga às sextas-feiras.

O projeto de lei permite o pagamento de salários em moeda nacional ou estrangeira, em uma economia onde o dólar tem grande importância, e também uma parte em "benefícios em espécie, moradia ou alimentação".

Este ponto implica que o empregador tem maior liberdade para negociar novas condições após a assinatura do contrato.

A fórmula para o cálculo da indenização por demissão está sendo redefinida, restringindo o que constitui remuneração do empregado.

Caso a medida seja aprovada, férias, bônus e outros itens não incluídos no salário mensal serão excluídos do cálculo.

O partido governista argumenta que se desenvolveu na Argentina uma "indústria de litígios trabalhistas" porque, devido a regulamentações vagas, juízes estavam concedendo indenizações que multiplicavam os salários por dezenas de vezes, incentivando os empregados a recorrerem à justiça.

Em relação às demissões, o governo propôs a criação de um fundo com contribuições patronais, que poderia ser usado para o pagamento das indenizações.

Essa porcentagem viria das contribuições patronais já existentes, portanto sem custos adicionais aos empregadores. Já o Estado receberia menos dinheiro.

O projeto ainda amplia a lista de "serviços essenciais" que têm fortes restrições ao direito de greve, incluindo o setor da educação e serviços alfandegários, entre outros.

A reforma estabelece alterações na lei sobre sindicatos. As assembleias sindicais não poderão interromper o funcionamento normal da empresa, precisarão da autorização do empregador e o trabalhador não será remunerado durante esse período.

A proposta inclui benefícios fiscais para incentivar as empresas a contratarem novos funcionários. As empresas que contratarem desempregados, trabalhadores autônomos ou ex-funcionários públicos receberão descontos nas contribuições previdenciárias patronais durante os primeiros quatro anos.

O artigo 44 do projeto de lei, que foi retirado pelo próprio governo após a primeira votação no Senado, estipulava que, em casos de licença médica ou acidentes não relacionados ao trabalho, os trabalhadores receberiam 50% ou 75% do seu salário, dependendo do caso. Hoje, o valor é de 100%.

A reforma de Milei surge em um momento de fechamento de vagas qualificadas na Argentina. O setor industrial acumulou uma perda de quase 65 mil empregos nos últimos dois anos, segundo a União Industrial Argentina (UIA).

Milei pôs fim às políticas protecionistas anteriores, que descreveu como as de empresários que "caçavam dentro de um zoológico" e que elevavam o custo dos produtos para os argentinos.

Para o partido governista, o problema tem origem em governos anteriores, com uma legislação atual contraproducente.

O governo acredita que o novo marco regulatório gerará mais empregos formais devido aos menores custos para as empresas.

"Esta lei representa um ponto de virada na história trabalhista argentina", afirmou a Presidência da República em um comunicado à imprensa após a aprovação do projeto pelo Senado.

"Após anos de litígios trabalhistas que beneficiaram apenas alguns, burocracia excessiva e regulamentações obsoletas diante de profundas mudanças econômicas e tecnológicas, estamos agora diante de uma profunda transformação que restaura a previsibilidade, o dinamismo e a liberdade do mercado de trabalho."

O documento enfatiza que a iniciativa é "uma reforma estrutural destinada a atualizar um sistema que, durante décadas, excluiu milhões de argentinos do emprego formal e dificultou a criação de empregos registrados".

Milei já havia insistido em diversas ocasiões sobre a necessidade de atualizar as normas trabalhistas na Argentina.

Antes da sessão na Câmara dos Deputados, um debate acalorado aconteceu na quarta-feira em uma comissão parlamentar, onde Gabriel Buenos, diretor de assuntos corporativos da Rappi, aplicativo de entrega em domicílio, defendeu a proposta.

"Apoiamos esse tipo de discussão. Precisamos de regras claras que permitam o desenvolvimento da economia de plataformas", afirmou Buenos, segundo a imprensa argentina.

O principal sindicato da Argentina colou cartazes em espaços públicos falando em perda de direitos trabalhistas — Foto: Getty Images/via BBC

Uma das principais críticas às mudanças é que elas equiparam o poder de negociação das empresas ao dos trabalhadores.

"A reforma tem uma falha fundamental muito grave e perigosa. Ela mascara a crença ideológica de que as relações de trabalho são relações comuns, de que o direito do trabalho não é necessário. É uma descrença na inferioridade do trabalhador em relação ao empregador", diz Maza.

"O direito do trabalho não é uma invenção peronista; ele surge do reconhecimento de que o trabalhador, individualmente, não pode negociar em igualdade de condições com o empregador", acrescentou.

Segundo o especialista em direito do trabalho, a nova lei incentivará a demissão de trabalhadores, pois os empregadores não hesitarão em usar o fundo criado especificamente para esse fim.

"Minha experiência me diz que o emprego provavelmente não aumentará após a medida, porque a contribuição para a previdência social não é o fator mais importante. O que os empregadores levarão em consideração ao contratar é se terão clientes e se a margem de lucro permitirá a sustentabilidade do negócio", afirmou.

O líder do bloco de oposição peronista, União pela Pátria, Germán Martínez, declarou antes da votação de quinta-feira que "a lei é horrível e absolutamente inconstitucional".

"Longe de ser uma lei que moderniza, é uma lei que nos faz retroceder e não acrescenta nenhum novo direito aos trabalhadores. Pelo contrário, o que ela faz é gerar um processo regressivo em termos de direitos, sem precedentes na Argentina", acrescentou à Rádio 10.

"Atacam os direitos dos trabalhadores, atacam a indústria nacional e o futuro do país. Direitos não são negociáveis", declarou a CGT (Confederação Geral do Trabalho) após convocar uma greve.

Os governadores das províncias de Buenos Aires, Terra do Fogo, Formosa, Santiago del Estero, La Rioja e La Pampa manifestaram sua rejeição à reforma.

"Estamos convencidos da necessidade de empreender reformas e transformações nos marcos regulatórios que governam o mundo do trabalho", disse o governador peronista Axel Kicillof nas redes sociais.

"No entanto, nenhuma reforma pode ter como objetivo desmantelar direitos arduamente conquistados ou reduzir proteções, mas sim, pelo contrário, reconhecer novas garantias em um mercado de trabalho instável", acrescentou o governador.

Em meio a acusações cruzadas e opiniões divergentes sobre o assunto, os mais céticos acreditam que a reforma pode simplesmente manter o status quo.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

É tempo de colher macadâmia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 02:46

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo É tempo de colher macadâmia Versátil, a macadâmia é rica em fibras, proteínas e vitaminas, sendo utilizada tanto na culinária quanto na fabricação de cosméticos. Por Nosso Campo, TV TEM

A macadâmia, noz australiana, é colhida no Brasil de fevereiro a setembro, com a região de Dois Córregos sendo um polo de destaque na produção.

Produtores preveem um aumento de 50% na safra atual, após uma queda de 80% no ano anterior, causada por altas temperaturas e pouca chuva.

A crescente demanda nacional impulsiona o cultivo, que inclui a transição para a produção orgânica, valorizando o produto e o meio ambiente.

Produtores de macadâmia esperam um aumento de 50% na safra atual, após uma queda de 80% no ano anterior — Foto: Reprodução/TV TEM

A macadâmia, noz originária da Austrália, é conhecida por ter uma das cascas mais difíceis de quebrar. No Brasil, as primeiras plantações comerciais surgiram na década de 1970, em São Paulo, e hoje a região de Dois Córregos se destaca no cultivo.

O processo de amadurecimento da noz ocorre de dentro para fora: mesmo com a casca externa ainda verde, o fruto já está maduro por dentro. Com o tempo, essa casca seca, escurece e se abre, revelando a casca dura da noz.

O ciclo leva cerca de 15 dias para que o fruto maduro caia do pé e mais sete dias para que a primeira casca comece a se abrir. A colheita, feita manualmente em propriedades como uma das visitadas, com 400 hectares, enfrenta os desafios do clima.

Enquanto o ano passado registrou uma safra bem abaixo do esperado, a expectativa para a produção atual é mais positiva. O produtor Thomas Augusto Magro explica a quebra anterior.

“Começou no inverno de 2024, período da florada da macadâmia. Tivemos altas temperaturas e baixo índice de chuva. Já vínhamos de um cenário de pouca precipitação desde o início do ano. Quando chegou o inverno com temperaturas elevadas, a flor acabou queimando com a intensidade do sol, e tivemos uma quebra de praticamente 80% na safra”, afirma.

Versátil, a macadâmia é rica em fibras, proteínas e vitaminas, sendo utilizada tanto na culinária quanto na fabricação de cosméticos. A colheita se estende de fevereiro a setembro.

Historicamente, 60% da produção brasileira era destinada ao mercado externo, mas as empresas têm buscado atender também à crescente demanda nacional. Esse crescimento impacta diretamente famílias como a de Luciana Maria da Silva, que encontrou na colheita sua principal fonte de renda.

“É daqui que sai a minha renda. Meu primeiro trabalho foi na colheita da macadâmia. Sou de Pernambuco, vim de lá e consegui emprego aqui”, conta.

Em outra fazenda, na cidade de Bocaina, a abordagem é diferente. A colheita é semimanual e, há cinco anos, o produtor Edwin Montenegro investiu na transição para a macadâmia orgânica. O mato alto na propriedade é um indicativo visual de que a área não recebe defensivos químicos.

A decisão pela produção orgânica, iniciada em 2022 após 20 anos de cultivo convencional, foi estratégica.

"A gente percebeu que tinha alguns benefícios, não só do ponto de vista de meio ambiente e de tratos culturais, mas também porque, com essa sintonia com a natureza, percebemos uma valorização do produto", explica Edwin.

Após sair do campo, a macadâmia segue para a indústria, onde passa por diversas etapas. O processo inclui a quebra e a separação da casca, seleção, limpeza, torra, pesagem e embalagem, garantindo qualidade e sabor até o produto final, pronto para o consumo.

"Ela entra na indústria e começa a quebrar a macadâmia, separa a casca da noz, passa pelo processo de seleção, depois tem o processo de limpeza, torragem, pesagem e embalagem", explica Edwin, que anda otimista com a safra, mas espera que o clima colabore.

"A safra desse ano, graças à chuva, está bem melhor. A gente estima que a gente vai aumentar em torno de 50%", conclui o produtor.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

‘Nos fazia chorar quase todo dias’: como lidar com chefes tóxicos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 02:46

Trabalho e Carreira 'Nos fazia chorar quase todo dias': como lidar com chefes tóxicos Ligações insistentes e fora do horário de trabalho, insultos e metas impossivelmente altas. As atitudes de chefes tóxicos já levaram muitas pessoas a se demitirem — mas nem todos podem fazer isso. Por BBC

'Nos fazia chorar quase todos dias': como lidar com chefes tóxicos — Foto: Getty Images via BBC

O emprego em uma pequena agência de relações públicas no Reino Unido parecia ideal: equipe unida, clientes importantes e a chance de construir uma carreira promissora.

O que Maya (nome fictício) não tinha previsto era que tudo isso vinha acompanhado de uma "chefe tóxica" que estabelecia "padrões impossivelmente altos" e repreendia publicamente os funcionários que não os atingiam.

"Ela costumava chamar a atenção das pessoas na frente de toda a equipe, lançando insultos como 'você é burro?' e 'este trabalho é uma porcaria'", conta ela à BBC.

Maya diz que o comportamento de sua gerente frequentemente ultrapassava os limites da gestão de desempenho e se transformava em ataques pessoais.

Ela cita o exemplo de uma colega que comentou que havia contratado um personal trainer para se preparar para o casamento e foi surpreendida com a foto de uma "noiva gorda" deixada pela chefe na mesa dela.

Alguns meses depois de começar no emprego, Maya percebeu que "todos os meus colegas choravam quase diariamente".

A equipe adoecia com frequência "devido a problemas de saúde mental", diz ela. Maya acabou saindo do emprego.

O caso dela não é isolado — pesquisas apontam que uma em cada três pessoas já pediu demissão por causa de um ambiente de trabalho tóxico ou de um chefe ruim.

Mas nem todo mau chefe é tóxico, e entender a diferença é importante, afirma Ann Francke, diretora executiva do Chartered Management Institute.

Muitos líderes se enquadram em uma categoria que o instituto chama de "chefe acidental", em que as pessoas são promovidas por suas habilidades técnicas em vez de sua capacidade de liderança.

Nesses casos, o mau comportamento geralmente é resultado de inexperiência ou de incerteza, e não motivado pela intenção.

Um chefe tóxico, diz ela, é diferente, pois "deliberadamente não demonstra empatia e, muitas vezes, também não tem autoconhecimento".

"Eles podem sabotar ativamente a equipe, se apropriar do trabalho dos outros ou liderar pelo medo e ter expectativas irreais", explica Francke.

O impacto vai além de conflitos de personalidade, criando ansiedade que pode prejudicar tanto a saúde mental quanto o desempenho dos funcionários.

"Se você sente um nó no estômago na segunda-feira de manhã, se encolhe pelos cantos para evitar confrontos ou se tem medo de se manifestar em reuniões por receio de represálias, isso é toxicidade, não um conflito de personalidade", afirma ela.

Rachel McAdams estrela Socorro!, que aborda o conflito entre um chefe tóxico e uma funcionária — Foto: Getty Images via BBC

Josie (nome fictício) conta que passou anos trabalhando para uma chefe que a mantinha sob constante vigilância.

"Ela me ligava, mandava mensagens e áudios sem parar o dia todo, das 7h da manhã às 22h", disse Josie à BBC. "Mesmo nos dias em que não estava trabalhando, ela queria saber onde eu estava o tempo todo."

Ela também tirava projetos de Josie e os dava para outras pessoas, além de excluir membros da equipe dos almoços em grupo.

Hannah (nome fictício) contou à BBC que era humilhada regularmente por sua chefe enquanto trabalhava para uma grande rede de supermercados.

"Minha chefe me obrigou a tirar o suéter e trabalhar no evento de regata em novembro (quando faz frio na Inglaterra)", disse ela à BBC. "Me senti uma idiota, Foi humilhante."

A tensão entre chefe tóxico e funcionário é explorada no recente filme Socorro!. No thriller com humor sarcástico os dois são forçados a confrontar questões não resolvidas no ambiente de trabalho depois de ficarem presos juntos em uma ilha deserta após um acidente de avião.

Em entrevista no lançamento do filme, a atriz Rachel McAdams, que interpreta a funcionária, disse que já passou por ambientes de trabalho difíceis e se lembra de um chefe particularmente ruim em um trabalho temporário durante um verão.

"Eu simplesmente pedi demissão", ela afirmou. "E meu conselho seria tentar uma demissão silenciosa, se possível, e, caso contrário, tentar praticar um pouco de meditação."

Muitas vezes, contudo, pedir demissão não é uma opção até que apareça outra vaga. Nesses casos, ou para quem quer tentar lidar com a situação antes de tomar uma decisão definitiva, Francke compartilha recomendações que podem ser úteis:

Conte para alguém: Encontre um mentor fora da sua linha hierárquica direta que entenda a organização e possa oferecer conselhos de forma honesta e independente.Confronte o chefe sobre o comportamento dele: Não faça isso de surpresa, mas marque uma reunião e exponha suas preocupações com calma, de maneira formal, apresentando exemplos específicos. Se seus colegas também forem afetados, considerem abordar o assunto de forma conjunta para mostrar o impacto mais amplo. Seu chefe pode não perceber o dano que está causando com seu comportamento.Proteja-se: Estabeleça limites, priorize seu bem-estar e crie um espaço fora do trabalho. Pode ser difícil, mas aprender a se distanciar da situação ajudará você a recuperar a perspectiva e planejar os próximos passos.Use o RH com cautela: Se sua organização tem um bom Recursos Humanos (RH), você certamente pode confiar nele, mas vale a pena verificar se o departamento tem um histórico de lidar com comportamentos inadequados em vez de ignorá-los.

Saiba quando recorrer a medidas mais drásticas: Se o comportamento for abusivo ou representar um risco reputacional para a empresa, pode ser necessário abrir um processo formal de denúncia, mas esse pode ser um passo difícil, por conta do temor de represálias.

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Decisão contra as tarifas de Trump cria nova incerteza nas relações comerciais dos EUA com a China

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 02:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

A Suprema Corte derrubou as tarifas abrangentes impostas por Trump, que reagiu com fúria e ameaçou impor novas taxas globais de 10% a 15%.

Apesar da decisão judicial fortalecer sua posição, a China deve agir com cautela antes da aguardada viagem de Trump a Pequim.

Analistas preveem que o governo Trump pode ativar um "Plano B", como uma investigação sobre o cumprimento de acordos comerciais pela China.

A decisão cria incerteza para outros parceiros comerciais dos EUA, especialmente aqueles que firmaram acordos para amenizar a turbulência inicial.

A decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas abrangentes impostas pelo presidente Donald Trump adicionou um novo elemento a uma já complicada relação entre Estados Unidos e China. Com ambos os países navegando em terreno instável para evitar uma guerra comercial total que poderia desestabilizar a economia global, ao mesmo tempo em que disputam uma posição de força nas negociações.

A decisão judicial de sexta-feira aparentemente fortalece a posição da China, mas analistas preveem que Pequim será cautelosa ao explorar essa vantagem, sabendo que Trump tem outros meios para impor taxas. Os dois lados também querem manter uma frágil trégua comercial e estabilizar as relações antes da aguardada viagem de Trump a Pequim.

“Isso dará à China um impulso moral em suas negociações com a equipe de Trump antes da cúpula, mas eles estão preparados para o cenário de que nada realmente mude na prática”, disse Sun Yun, diretora do programa da China no Stimson Center, um centro de estudos com sede em Washington.

Furioso com a derrota, Trump afirmou inicialmente que imporia uma tarifa global temporária de 10% antes de elevá-la para 15%, além de buscar caminhos alternativos para cobrar tarifas de importação. Ele defendeu as tarifas apontando para a China, que representa o maior desafio à predominância econômica, tecnológica e militar dos EUA.

“A China tinha centenas de bilhões de dólares em superávits com os Estados Unidos. Eles reconstruíram a China. Eles reconstruíram o Exército. Nós construímos o Exército da China ao permitir que isso acontecesse”, disse Trump a repórteres na sexta-feira. “Tenho um ótimo relacionamento com o presidente Xi, mas ele agora respeita nosso país.”

A Casa Branca confirmou que Trump viajará à China de 31 de março a 2 de abril para se reunir com o presidente Xi Jinping.

Tarifaço derrubado: quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o BrasilSuprema Corte pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões em tarifas de Trump, aponta instituto

É improvável que Xi “ostente ou brandisse” de forma contundente a decisão da Suprema Corte ao se reunir com Trump, devendo optar por tentar fortalecer sua relação com o presidente americano, disse Ali Wyne, assessor sênior de pesquisa e advocacy focado na política dos EUA para a China no International Crisis Group.

Quanto mais Xi conseguir fazer isso, “mais provável será que a frágil trégua comercial entre Estados Unidos e China se consolide de fato e que Trump esteja disposto a concessões na área de segurança que deem à China maior liberdade de manobra na Ásia”, afirmou Wyne.

Questionado sobre as implicações da decisão judicial, o porta-voz da Embaixada da China, Liu Pengyu, disse apenas que guerras tarifárias e comerciais não servem ao interesse de nenhum dos dois países. Ele pediu que Pequim e Washington trabalhem juntos para “proporcionar maior previsibilidade e estabilidade à cooperação econômica e comercial China-EUA e à economia global”.

A decisão da Corte também cria nova incerteza para outros parceiros comerciais dos EUA, na Ásia e em outras regiões, especialmente aqueles que firmaram acordos comerciais para amenizar a turbulência inicial provocada pelas tarifas de Trump.

“Eu esperaria que a maioria dos parceiros asiáticos agisse com cautela, com os acordos existentes sendo amplamente mantidos enquanto ambos os lados analisam as implicações nas próximas semanas”, disse Dan Kritenbrink, sócio do The Asia Group e ex-secretário assistente de Estado para Assuntos do Leste Asiático e do Pacífico no governo Biden.

Ele afirmou que observará o impacto sobre o Japão antes da visita planejada da primeira-ministra Sanae Takaichi a Washington em março. O Japão, aliado firme dos EUA, viu suas relações com Pequim se deteriorarem nos últimos meses.

Pouco depois de retornar à Casa Branca no início do ano passado, Trump invocou uma lei de poderes emergenciais e impôs tarifas de 20% sobre produtos chineses, alegando que Pequim não conseguiu conter o fluxo de substâncias químicas que podem ser usadas para produzir fentanil.

Posteriormente, Trump utilizou a mesma autoridade emergencial para impor tarifas recíprocas amplas a diversos países, incluindo 34% sobre a China. Pequim retaliou, e as tarifas chegaram temporariamente a ultrapassar 100% antes de ambos os lados recuarem.

Após várias rodadas de negociações comerciais e uma cúpula entre Trump e Xi na Coreia do Sul, em outubro, os dois países concordaram com uma trégua de um ano com uma tarifa-base de 10%. Trump também reduziu a chamada tarifa do fentanil para 10%, enquanto Pequim retomou a cooperação para restringir a exportação de mais substâncias que poderiam ser usadas para fabricar o opioide.

Wendy Cutler, vice-presidente do Asia Society Policy Institute, disse suspeitar que o governo Trump possa apresentar rapidamente um “Plano B”. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA conduz atualmente uma investigação sobre o cumprimento, por parte da China, de um acordo comercial anterior — o que poderia servir como plano alternativo da administração, afirmou. Caso a China seja considerada em descumprimento de suas obrigações, o governo dos EUA pode impor tarifas com base na legislação comercial.

O deputado Ro Khanna, principal democrata no Comitê Especial da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês, instou o governo a formular uma nova estratégia mais rigorosa que “responsabilize a China por suas práticas comerciais desleais e aproveite o poder coletivo de nossos aliados e parceiros”.

Gabriel Wildau, diretor-gerente focado em análise de risco político na China na consultoria Teneo, afirmou que Trump já demonstrou disposição para usar outras bases legais para impor tarifas à China, como fez em seu primeiro mandato, e que Pequim provavelmente parte do princípio de que as tarifas podem ser mantidas ou recriadas “com apenas dificuldade moderada”.

“Mas Pequim também mantém a esperança de convencer Trump a reduzir essa tarifa em troca de garantias de compras ou outras concessões”, disse Wildau.

O presidente Donald Trump, à esquerda, e o presidente chinês Xi Jinping posam antes da reunião de cúpula no Aeroporto Internacional de Gimhae, em Busan, Coreia do Su — Foto: Foto AP/Mark Schiefelbein

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Mega-Sena, concurso 2975: prêmio acumula e vai a R$ 116 milhões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 02:46

Loterias Mega-Sena Oferecido por: Mega-Sena, concurso 2975: prêmio acumula e vai a R$ 116 milhões Veja as dezenas sorteadas: 07 – 10 – 17 – 35 – 44 – 46. Quina teve 106 apostas ganhadoras; cada uma levou R$ 36.398,76. Por Redação g1

O sorteio do concurso 2975 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (21). — Foto: Reprodução/Caixa

O sorteio do concurso 2975 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (21), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio acumulou para R$ 116 milhões no próximo sorteio.

5 acertos — 106 apostas ganhadoras, R$ 36.398,76.4 acertos — 7.501 apostas ganhadoras, R$ 847,85.

As apostas podem ser realizadas até as 19h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.

O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada.

Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

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Ibaneis enfrenta resistência até de aliados para aprovar socorro ao BRB

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 02:46

Economia Blog da Ana Flor Ibaneis enfrenta resistência até de aliados para aprovar socorro ao BRB Após rombo com caso Master, governador do Distrito Federal pretende aprovar na Câmara Legislativa um projeto de lei que autoriza o uso de 12 terrenos públicos como garantia na ajuda ao banco estatal Por Antônio de Castro, TV Globo

Não é apenas a oposição, comandada por PT e PSOL, que dá dor de cabeça ao governador Ibaneis Rocha, do MDB, para aprovar o socorro ao Banco de Brasília (BRB) num dos momentos mais delicados da história do banco estatal, que tem no governo do Distrito Federal (GDF) seu controlador.

É uma situação inédita para o governador Ibaneis, que nunca enfrentou qualquer dificuldade para aprovar os projetos que enviou à Câmara Legislativa desde que assumiu o GDF, em 2019.

"Não há consenso. Aliados se rebelaram e não querem votar", diz um importante nome da base aliada de Ibaneis, na condição de anonimato.

Por isso, as conversas nos bastidores se intensificaram nos últimos dias e devem seguir até a próxima terça-feira (24), quando o GDF pretende ver aprovado o projeto de lei que autoriza o uso de 12 terrenos públicos como garantia na operação de socorro ao BRB.

Ibaneis Rocha, MDB, admitiu que esteve com Vorcaro, mas negou ter tratado da venda do Master para o BRB

A preocupação dos deputados distritais é maior neste ano eleitoral. "Eles não querem repetir o desgaste do ano passado, estão insatisfeitos", diz o aliado de primeira hora de Ibaneis.

Em 2025, a bancada governista aprovou, em tempo recorde, outro texto enviado pelo governador, autorizando os negócios com o Banco Master. Depois da explosão do escândalo BRB/Master, esses deputados distritais têm sido cobrados pelos eleitores.

O Banco Central determinou que o BRB faça um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir o rombo causado pelos negócios com o Master. As perdas se deram pela compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do banco de Daniel Vorcaro, que foi liquidado em novembro.

Aliados de Ibaneis lembram também que, em momentos assim, costumam se multiplicar os pedidos dos parlamentares, como cargos para cabos eleitorais, em troca do apoio político.

"Vai ser preciso atender pedidos", dizem os aliados. A prática de cobrar um preço pelo apoio político é conhecida na Câmara Legislativa.

Também há um entendimento entre os aliados ao Buriti que o ideal seria encerrar o tema o mais breve possível, numa tentativa de estancar o desgaste o quanto antes.

Pelo menos um nome não deve dar trabalho a Ibaneis Rocha no começo da próxima semana. O presidente da CLDF, Wellington Luiz, também do MDB, tem dado demonstrações seguidas de apoio irrestrito ao chefe do Palácio do Buriti.

Nos últimos dias, Wellington Luiz arquivou quatro pedidos de impeachment. Agora, deve ajudar a acalmar os ânimos entre os aliados.

O resultado de todas essas conversas será conhecido na próxima semana, quando sair o resultado da votação no plenário da Câmara Legislativa.

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