RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Por que estrangeiros estão comprando tantos imóveis no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 16:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

O Brasil "estar na moda" já tem reflexos no mercado imobiliário do país. Regiões como a Zona Sul do Rio de Janeiro e o litoral de Santa Catarina registram têm registrado um aumento robusto na busca de imóveis por estrangeiros nos últimos anos.

O interesse vai além de uma mera busca por um lugar onde se hospedar e tem sido encarado por vários compradores como um investimento. Mas o fenômeno também tem gerado efeitos indesejados, ajudando a alimentar uma alta do preço de aluguéis, o que deve elevar a pressão por regulações.

Em 2025, o Brasil registrou um recorde de 9,2 milhões de visitantes estrangeiros. E os cinco primeiros meses de 2026 já somaram 4,9 milhões.

Em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis, o período foi marcado por uma maior busca de imóveis por profissionais trabalhando em home office e os chamados nômades digitais. No caso carioca, a prefeitura local chegou a lançar em 2021 um programa visando atrair esse tipo de profissional.

"Os avanços nas vendas são identificados principalmente nos imóveis compactos recém-lançados. Em Ipanema e no Leblon, pesquisas mostram que 30% dessas unidades foram comercializadas para estrangeiros", afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin.

O diretor regional de relações internacionais do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC), Marco Aurélio Lievore, apontou que, num levantamento de uma imobiliária em Florianópolis, 83% das vendas foram para clientes argentinos buscando apartamentos na planta.

"Os empreendimentos buscados em sua grande maioria são estúdios. Há muitos estrangeiros que passam férias aqui e depois vem procurar um lugar para morar ou investir", conta.

Entre as nacionalidades, americanos e argentinos se destacam entre os investimentos. Europeus de uma série de países, como França e Suíça, aparecem também entre os principais compradores, enquanto há registro ainda de um interesse crescente de cidadãos dos Emirados Árabes Unidos.

Plataformas também tornaram mais atrativa a ideia de comprar um imóvel em outro país e obter renda à distância. Além disso, empresas vêm focando na oferta de serviços para o público externo, como na gestão destas propriedades.

A Lobie, empresa especializada na área, aponta que a participação de estrangeiros em sua carteira passou de cerca de 2% para 18% em três anos. Hoje, a companhia administra aproximadamente 1.620 estúdios de investidores de fora do Brasil.

"A vantagem desse tipo de imóvel para o comprador estrangeiro é a atratividade da cidade: ele pode utilizá-lo em períodos de férias e grandes eventos e, quando não for utilizado pelo próprio comprador, é um imóvel de grande procura", aponta Hermolin. "A receita obtida certamente paga a manutenção e deixa algum lucro", afirma.

Em países como a Argentina, imóveis são normalmente negociados em dólar, o que torna transações em reais no Brasil mais atrativas. Além disso, o diretor aponta grande potencial de valorização do mercado brasileiro, especialmente quando em comparação com regiões litorâneas mais saturadas no mundo, como Miami, nos Estados Unidos, e o Algarve, em Portugal.

Há ainda a facilidade nos trâmites na comparação com outros países. "O Brasil é um país fácil de conseguir residência, é algo que ajuda muito", aponta Lievore. No caso catarinense, ele aponta um fluxo recente de russos, que se intensificou após a guerra na Ucrânia, e que visam especialmente obter um passaporte brasileiro.

Uma resolução do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) permite aos estrangeiros que comprarem imóveis no Brasil solicitar autorização de residência. Pessoas físicas devem comprar um imóvel no valor mínimo de R$ 1 milhão e com recursos próprios de origem externa.

O mercado brasileiro também já é o terceiro do mundo com mais anúncios de Airbnb, atrás somente de Estados Unidos e França, mas com um dos crescimentos mais acelerados nos últimos anos.

Desde 2022, cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis tiveram suas ofertas de anúncios mais do que dobradas no Airbnb. No caso carioca, a plataforma AirDNA registra mais de 60 mil, enquanto a capital catarinense conta com 36 mil. Como comparação, em Barcelona, onde a modalidade será proibida a partir de 2028 pelos efeitos negativos no mercado imobiliário local, existem 26 mil anúncios.

"O Brasil vem registrando um crescimento nos anúncios acima do resto do mundo", resume Sofia Morais de Sousa, executiva de contas do AirDNA. Além dos municípios citados, São Paulo também se destaca em números absolutos, com mais de 61 mil anúncios.

Cidades no litoral catarinense exibem números comparativamente mais robustos. O AirDNA registra mais de 10 mil anúncios em Bombinhas, no Estado de Santa Catarina, que tem uma população de cerca de 25 mil habitantes.

Num levantamento publicado este ano, a plataforma Inside Airbnb listou a cidade no topo do ranking de concentração de anúncios no Brasil, com 210,3 por km2. Em seguida vem Balneário Camboriú, com 138,8 por km2 e mais de 10 mil anúncios ativos.

Neste caso, a região vem ainda se notabilizando pelos lançamentos de luxo, que são outra fonte de atração de estrangeiros. Segundo a construtora do Senna Tower, projeto que planejado para ser o prédio residencial mais alto do mundo, 16% dos apartamentos já vendidos foram para estrangeiros.

Há certa mudança no perfil dos turistas no país. Em 2021, o AirDNA registrava menos de 10% de estrangeiros como hóspedes no Brasil. No último ano, o número ficou acima de 20%. Ainda assim, segue bem diferente da Europa, onde o mercado doméstico costuma ser menos relevante. No caso da Espanha, 80% dos hóspedes são estrangeiros na plataforma, enquanto na Alemanha essa porcentagem é de 45%.

Ao redor do mundo, os efeitos do avanço das estadas de curta temporada vêm sendo acompanhados por pressões regulatórias. Além de impactos negativos nos preços dos aluguéis de longo prazo para habitantes locais, vizinhos costumam questionar mudanças no ambiente dos condomínios, incluindo hóspedes que não cumprem regras de convivência.

Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a locação de imóveis residenciais em condomínios para estadias depende de autorização em assembleia com aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos.

Por sua vez, a medida não é vista como suficiente para alterar o cenário da pressão imobiliária. Moradores já apontam aumento no custo dos aluguéis em certas cidades, como no caso de Florianópolis, que teve alta de 9% no último ano. "É o momento de entender o que está acontecendo, e a pressão no aluguel muda essa percepção", aponta Aline Cruviel, diretora de pesquisa e comunidade no Inside Airbnb.

"O discurso geral é de que é uma oportunidade de renda extra aos proprietários, mas na prática é um grupo restrito que consegue gerar renda, enquanto o todo acaba pagando os custos com a alta do aluguel", aponta. Cruviel destaca ainda empresas estrangeiras que observaram o mercado da América Latina como uma possiblidade de investimento.

Um destes casos é o da multinacional Blueground, que anuncia mais de 20 mil propriedades ao redor do mundo. No Brasil, a empresa adquiriu em 2023 a Tabas, que oferta aluguéis de curta temporada voltados principalmente para estrangeiros em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Na avaliação de Cruviel, "há uma postura de autoridades de atração de investimentos, mas que não se avalia muito o outro lado e as consequências disso".

"A tendência é de regulamentos, especialmente quando os aluguéis começam a subir", aponta Morais de Sousa. Ao redor do mundo, medidas como a limitação de número de moradias disponíveis para aluguel de curta duração em certas regiões vêm sendo tomadas.

Em Nova York, parte das regulamentações visa limitar a concentração de muitas hospedagens com os mesmos anunciantes, algo que avança no Brasil. A Seazone, empresa que atua como uma das maiores anfitriãs do Airbnb no país, divulga que possui mais de 3600 imóveis.

Pelo lado das compras por estrangeiros, o Canadá baniu em 2023 a aquisição de propriedades no país por cidadãos de outras nacionalidades por dois anos, medida que foi renovada em 2025 e deve vigorar até 2027. "Durante anos, o capital estrangeiro tem entrado no Canadá para comprar imóveis residenciais, aumentando as preocupações com a acessibilidade à habitação", argumentou o governo.

Em sentido semelhante, a Espanha avalia restrições que, nestes casos, se aplicariam a cidadãos de fora da União Europeia. Uma proposta é a imposição de impostos de até 100% nestas transações. Em Portugal, o chamado "visto de ouro" para estrangeiros que comprassem imóveis no país esteve em vigor por anos visando abrir portas para residência, no entanto, o programa foi limitado em 2023 em razão das pressões no mercado imobiliário.

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Incêndios no Canadá desencadeiam nova ameaça tarifária de Trump e colocam final da Copa em alerta

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 11:50

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou elevar as tarifas sobre o Canadá para compensar os impactos da poluição provocada pela fumaça dos incêndios florestais, que chegou até Nova Jersey, onde será disputada, neste domingo (19), a final da Copa do Mundo.

Uma das regiões mais afetadas pelos incêndios no Canadá gerou uma enorme nuvem de fumaça que escureceu o céu de áreas vizinhas dos estados de Nova York e Nova Jersey. Este último sediará a partida entre Espanha e Argentina, no MetLife Stadium, em East Rutherford.

Os organizadores do Mundial "acompanham de perto a situação", afirmou o diretor-executivo do grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo, Andrew Giuliani, durante uma coletiva de imprensa.

Densas colunas de fumaça vindas do Canadá e do norte de Minnesota levaram à emissão de alertas de má qualidade do ar em várias regiões dos Estados Unidos. Até o momento, não há registro de vítimas.

Um total de 937 incêndios permanecia ativo neste sábado no Canadá, a maioria fora de controle, segundo o Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais.

"Isto é 'Negligência Deliberada' e está se tornando um problema recorrente, custando bilhões de dólares aos Estados Unidos", escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.

O presidente americano acusou o Canadá de "não cuidar adequadamente" de suas florestas e de não realizar "tarefas básicas de manejo florestal e remoção de resíduos".

"O custo dessa poluição precisa ser incluído nas TARIFAS que o Canadá já paga atualmente", acrescentou.

O republicano também afirmou que pretendia ligar para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, "para descobrir o que eles vão fazer" em relação à fumaça.

A ministra canadense da Gestão de Emergências, Eleanor Olszewski, afirmou que seu país mantém "contato constante" com os Estados Unidos e destacou a "longa trajetória de cooperação no combate aos incêndios florestais".

Ela também ressaltou que o Canadá investiu US$ 12 bilhões (cerca de R$ 61,4 bilhões) em sustentabilidade florestal e prevenção de incêndios desde 2020.

A Estátua da Liberdade no porto de Nova York é vista através de uma camada de fumaça de incêndio florestal em Jersey City, Nova Jersey, EUA, em 16 de julho de 2026. — Foto: REUTERS/Mike Segar

Detroit, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, continuava sendo a cidade com o ar mais poluído do mundo, segundo o monitor IQAir.

Washington e Chicago apareciam logo atrás no ranking, e as autoridades recomendaram que a população evitasse atividades ao ar livre, exceto quando estritamente necessário.

Em Nova Jersey e no estado vizinho de Nova York, a região metropolitana registrava níveis de qualidade do ar considerados potencialmente prejudiciais para grupos mais sensíveis, embora a situação tenha melhorado após a névoa intensa que, na quinta-feira, quase tornou invisível o horizonte de Manhattan.

Peter Mullinax, meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS), afirmou à AFP que os ventos sobre a região dos Grandes Lagos poderiam empurrar mais fumaça para o Nordeste, mantendo o céu encoberto.

Segundo Joel Dreessen, meteorologista em Maryland, a principal preocupação para a partida de domingo é que "alguns modelos já começam a indicar que parte dessa fumaça poderá ser deslocada para o sul", disse à AFP.

Estádio de Nova York/Nova Jersey, em East Rutherford, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (17), dois dias antes da final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina. — Foto: Paul Ellis/AFP

Em cidades de todo o Meio-Oeste e Nordeste dos Estados Unidos, muitas pessoas passaram a usar máscaras ao ar livre para se proteger da poluição. Em Nova York, bibliotecas e estações ferroviárias distribuíam máscaras gratuitamente.

Chris Carlsten, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica que estuda os efeitos da fumaça dos incêndios sobre a saúde, afirmou à AFP que as partículas finas presentes na fumaça afetam principalmente os pulmões, enquanto a poluição associada ao tráfego de veículos tende a provocar mais problemas cardiovasculares.

Ele explicou ainda que as nuvens de fumaça podem conter resíduos de tinta, plástico e metal, além de partículas provenientes da queima de madeira e vegetação.

A região formada pelos estados de Michigan, Minnesota e Wisconsin, conhecida como Alto Meio-Oeste e mais próxima dos focos de incêndio, enfrenta condições especialmente severas, com índices de qualidade do ar classificados como "perigosos".

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Guerra entre EUA e Irã se intensifica com novos ataques no Golfo; petróleo atinge maior nível em mais de um mês

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 07:48

Mundo Guerra entre EUA e Irã se intensifica com novos ataques no Golfo; petróleo atinge maior nível em mais de um mês Irã diz ter atacado bases militares americanas e instalações estratégicas em países aliados dos EUA; confrontos avançam sobre infraestrutura civil e elevam temores de uma escalada ainda maior no conflito. Por Reuters

O Irã lançou novos ataques no Golfo neste sábado (18) contra aliados dos EUA. A ação ocorre após a 7ª noite consecutiva de ofensivas americanas na região.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido bases americanas e infraestruturas no Kuwait, Bahrein e Jordânia. Voos no aeroporto kuwaitiano foram suspensos.

Após acusações mútuas sobre o tráfego marítimo nesta sexta-feira (17), o preço do petróleo subiu mais de 4%. O valor atingiu o maior nível em um mês.

Ataques atingiram usinas de dessalinização. No sul do Irã, bombardeios destruíram pontes e deixaram mortos e cerca de 10 mil pessoas sem abastecimento de água.

O Comando Central dos EUA concluiu 7 dias de ataques. Donald Trump ameaçou realizar ofensivas aéreas em larga escala contra a infraestrutura do Irã.

Um mês após acordo, EUA bombardeiam Irã pelo 7º dia seguido; petróleo tem a maior alta desde abril

O Irã lançou novos ataques contra aliados de Washington no Golfo neste sábado (18), após a sétima noite consecutiva de ofensivas dos Estados Unidos contra alvos militares iranianos, incluindo instalações logísticas. Os confrontos intensificam a guerra uma semana após o rompimento do cessar-fogo.

O Kuwait foi alvo de ataques contínuos. Uma usina de dessalinização foi atingida, e as operações no Aeroporto Internacional do Kuwait foram suspensas devido a sucessivas ameaças de mísseis e drones. (acompanhe a cobertura ao vivo)

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado um centro de apoio militar dos EUA no Campo Arifjan e destruído uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambas no Kuwait.

Segundo a mídia estatal iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) também atacou a Base Aérea de Sheikh Isa, no Bahrein, onde estariam concentradas aeronaves de combate americanas, além de um centro de dados de inteligência.

Ainda de acordo com a TV estatal iraniana, a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído ao menos dois caças americanos e outras três aeronaves durante um ataque com mísseis e drones contra a base americana de Al Azraq, na Jordânia, na madrugada deste sábado.

"Como não existe nenhuma instituição internacional para impedir a selvageria das forças armadas dos EUA, não nos resta outro caminho senão o mandamento do Alcorão: 'Quem vos atacar, atacai-o da mesma maneira'", afirmou a Guarda Revolucionária em comunicado.

Na sexta-feira (17), os dois lados trocaram acusações sobre o tráfego marítimo. Os EUA disseram estar impondo um bloqueio naval, enquanto o Irã afirmou que passou a atacar embarcações que, segundo Teerã, violavam suas regras de navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo.

Os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira e atingiram o maior nível em mais de um mês, aumentando a pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto o Partido Republicano tenta manter sua maioria nas eleições legislativas de novembro.

Washington e Teerã vêm testando os limites da escalada desde o colapso do acordo de cessar-fogo na semana passada, aumentando o risco de um retorno à guerra em larga escala.

A infraestrutura civil também passou a ser alvo com maior frequência, apesar das preocupações sobre possíveis crimes de guerra.

A imprensa iraniana informou que vários mísseis atingiram instalações de energia e unidades de dessalinização na cidade de Jask, no sul do país, neste sábado, citando uma autoridade local.

Segundo a agência de notícias Tasnim, cerca de 10 mil pessoas em 20 vilarejos ficaram sem abastecimento de água.

No Kuwait, uma usina de geração de energia e dessalinização foi atingida em um ataque iraniano, informou o Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis do país. Foi o segundo ataque a uma instalação desse tipo em dois dias.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou anteriormente ter concluído o sétimo dia consecutivo de ataques, atingindo sistemas de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e instalações marítimas do Irã.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a escalada do conflito, especialmente com os "ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região", afirmou seu porta-voz na sexta-feira.

A mídia iraniana também noticiou ataques na madrugada deste sábado na província de Hormozgan, às margens do Estreito de Ormuz. Segundo a TV estatal, três pessoas morreram e oito ficaram feridas. Duas pontes e um túnel rodoviário também foram danificados.

Na sexta-feira, a imprensa estatal iraniana informou que ataques dos EUA atingiram pelo menos cinco pontes no sul do país.

Sete pessoas teriam morrido em ataques contra pontes no porto de Bandar Khamir, onde uma estação ferroviária também foi atingida. Mais a leste, um aeroporto em Iranshahr também teria sido alvo.

Trump ameaçou lançar ataques aéreos em larga escala contra a infraestrutura iraniana e também se recusou a descartar uma ofensiva terrestre contra a costa ou ilhas do país.

Autoridades americanas disseram que os ataques ao sul do Irã têm, em parte, o objetivo de ampliar as opções militares à disposição do presidente.

Essas ações aumentam o risco de o Irã retaliar contra infraestruturas estratégicas de países do Golfo ou de aliados iranianos no Iêmen ampliarem os ataques a embarcações no Mar Vermelho, o que pode provocar novas interrupções no fornecimento global de energia.

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‘Golpe do doce’: clientes que pagaram até R$ 330 após pesagem de doces poderiam desistir? É abuso?

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 18/07/2026 06:49

Empreendedorismo 'Golpe do doce': clientes que pagaram até R$ 330 após pesagem de doces poderiam desistir? É abuso? Consumidores relataram pagar valores muito acima do esperado após escolher doces vendidos por peso; especialistas explicam quando a cobrança pode ser contestada e quais são os direitos do cliente. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Uma caminhada pela feira, barracas cheias e um doce que parece irresistível. Do outro lado do balcão, o vendedor oferece uma degustação e informa o preço: R$ 19,90 por 100 gramas. O valor parece dentro do esperado.

O cliente escolhe a sobremesa, indica o corte e aguarda a pesagem. Mas a surpresa vem na balança: o valor final fica muito acima do esperado. Em alguns casos, a compra ultrapassou R$ 300.

Foi assim que uma sequência de denúncias colocou um estande de doces da Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), no Ceará, no centro de uma polêmica que rapidamente ganhou as redes sociais.

O episódio, que ficou conhecido nas redes sociais como "golpe do doce", reuniu vídeos e relatos de consumidores que afirmam ter sido surpreendidos pela cobrança e constrangidos durante a tentativa de contestar a compra.

A Doceria Deleites, responsável pelo barraca, negou qualquer irregularidade. Em vídeo divulgado nas redes sociais, um representante da empresa afirmou que o modelo de venda funciona como um sistema de autosserviço.

A repercussão foi rápida e o Ministério Público do Ceará e o Decon realizaram fiscalização no local, e a discussão ultrapassou os limites da feira. Afinal, o que aconteceu no Ceará poderia ocorrer em qualquer lugar do país.

Aí surge uma dúvida importante: quando uma cobrança elevada é apenas consequência de um produto caro vendido por quilo e quando ela pode representar uma prática abusiva?

💰 Sou obrigado a pagar?🔎 Como evitar surpresas?🚨 O que acontece com a empresa?📍 Caso Expocrato: que fim levou?

Daniela Poli Vlavianos, advogada especialista em defesa do consumidor, explica que a situação pode violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) quando o estabelecimento deixa de fornecer informações claras e suficientes para que o cliente compreenda, antes da compra, quanto efetivamente irá pagar.

A advoga reforça que a venda por peso é perfeitamente legítima e faz parte da rotina de inúmeros estabelecimentos. O problema surge quando as informações são insuficientes para que o cliente tenha uma noção razoável do valor final.

Por isso, quando o consumidor só toma conhecimento do preço após a pesagem ou no caixa, a cobrança pode ser questionada.

"Se o consumidor não recebeu informação adequada sobre o preço antes da conclusão da compra e somente toma conhecimento do valor após a pesagem ou no caixa, poderá questionar a cobrança e, conforme as circunstâncias, desistir da aquisição", afirma a advogada.

Esse entendimento não se limita a confeitarias. Situações semelhantes podem ocorrer em restaurantes por quilo, padarias, açougues e diversos outros segmentos que trabalham com preços variáveis.

Caso considere que houve falta de transparência, a orientação é comunicar imediatamente a discordância ao estabelecimento, solicitar o cancelamento da compra e reunir provas, como fotografias dos preços expostos, do produto e do comprovante da cobrança.

Persistindo o problema, o consumidor pode recorrer aos órgãos de defesa do consumidor e, se necessário, buscar a reparação judicial cabível.

Decon realizou fiscalização em stand de doces denunciado por consumidores e constatou práticas abusivas no estabelecimento. — Foto: MPCE/ Divulgação

Se, por um lado, o consumidor tem o direito de receber informações suficientes antes de comprar, por outro, cabe aos estabelecimentos adotar medidas que garantam transparência durante toda a venda.

E esse dever vai muito além de simplesmente informar o preço por quilo, pontua Bruno Boris, também advogado especialista em direito do consumidor.

"É uma situação que pode ocorrer com qualquer produto que dependa de peso, pois por vezes o consumidor pode não estar habituado a entender a quantidade, caso não esteja um exemplo de quantidade". afirma o advogado.

Segundo Daniela Poli, uma medida simples e bastante eficaz é expor um exemplar do produto com um peso de referência, como uma porção de aproximadamente 100 gramas, acompanhada do respectivo preço.

"Essa prática ajuda o consumidor a visualizar quanto custará o produto e diminui a possibilidade de surpresa no caixa. Embora não seja uma exigência legal, demonstra boa-fé e preocupação com a transparência, podendo inclusive servir como elemento favorável ao estabelecimento caso, futuramente, seja questionado sobre a clareza das informações prestadas", recomenda.

Empresas que descumprem as regras de informação ao consumidor podem enfrentar consequências administrativas e judiciais, segundo os advogados ouvidos pelo g1.

Quando há indícios de prática abusiva ou falta de transparência, órgãos de defesa do consumidor podem instaurar procedimentos e aplicar sanções previstas na legislação, incluindo multas e outras medidas administrativas.

Dependendo da gravidade da situação, o estabelecimento pode ser obrigado a corrigir irregularidades e se submeter a novas fiscalizações.

Daniela Poli ressalta que o consumidor tem direito à informação adequada e clara, à revisão de cobranças indevidas e ao cancelamento da compra quando a contratação ocorre sem a transparência necessária.

"Caso tenha sofrido prejuízo material ou moral, poderá pleitear a correspondente reparação judicial."

Se o pagamento já tiver sido realizado, ainda podem ser aplicadas as regras de restituição previstas no CDC a depender das circunstâncias de cada caso.

Foi justamente a suspeita de falhas nesse dever de informação que levou o caso da Expocrato a chamar a atenção das autoridades.

As reclamações começaram a ganhar força nas redes sociais após consumidores compartilharem experiências semelhantes no estande da Doceria Deleites durante o evento.

O empresário Breno de Freitas, por exemplo, relatou que dois pedaços de doce somaram R$ 117. Ao tentar desistir de parte da compra, afirma que ouviu de um atendente que deveria levar os produtos porque o sistema funcionaria como um self-service.

Outros consumidores também disseram ter questionado os valores ao chegar à balança. Alguns afirmaram ter pago R$ 137, R$ 177 e R$ 118 por diferentes porções de doce após não conseguirem cancelar a compra.

Diante da repercussão, o Ministério Público do Ceará, por meio do Decon, realizou uma fiscalização no estande.

Segundo o órgão, os preços não estavam apresentados de forma suficientemente clara e os produtos não possuíam referências de peso ou tamanho que permitissem ao consumidor estimar previamente quanto pagaria. A empresa foi notificada a promover adequações e poderá sofrer novas medidas administrativas caso as determinações não sejam cumpridas.

A Doceria Deleites, por sua vez, sustenta que informa tanto o preço por 100 gramas quanto o valor por quilo e nega qualquer prática abusiva.

O caso segue sob acompanhamento dos órgãos de defesa do consumidor e ainda poderá gerar desdobramentos administrativos.

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Tarifaço: quais os riscos e ganhos se o Brasil adotar a reciprocidade? Entenda o que está em jogo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 05:47

Agro Tarifaço: quais os riscos e ganhos se o Brasil adotar a reciprocidade? Entenda o que está em jogo Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a reação brasileira não deve vir no curto prazo: o governo Lula deve endurecer o discurso, mas preservar negociações e agir com cautela antes de um eventual uso da Lei da Reciprocidade. Por André Catto, g1 — São Paulo

Com a confirmação de que os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as discussões sobre qual resposta prática dará à medida.

O primeiro movimento veio logo após o anúncio da gestão de Donald Trump. Em nota divulgada na madrugada de quinta-feira (16), o Palácio do Planalto classificou a decisão americana como um "marco lastimável" e afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica.

🔎 A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. (leia mais abaixo)

Até o momento, porém, o governo ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação. Em entrevista coletiva ao lado de ministros, o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom de defesa da soberania, mas se limitou a dizer que a lei será aplicada "no momento adequado".

Enquanto isso, o tempo corre: a tarifa adicional de 25% entra em vigor na próxima quarta-feira (22). Apesar da extensa lista de produtos isentos — incluindo petróleo, café e carne bovina —, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão atingidos pela medida. (veja a lista completa)

Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade.

Isso porque uma reação precipitada pode trazer riscos. O eventual uso da lei, além de exigir amplas análises sobre os impactos para o mercado brasileiro, passa por um processo longo, que inclui uma série de novas discussões.

"A lei prevê várias fases. Primeiro, o caso passa pela Câmara de Comércio Exterior. Depois, por consulta pública. Envolve ainda consultas com o próprio governo dos EUA. Então, não é algo imediato", explica Welber Barral, ex-secretário do Comércio Exterior.

Um dos principais receios é o impacto sobre os preços para os consumidores brasileiros. A lógica é simples: caso o governo opte por sobretaxar produtos americanos, o Brasil também encareceria parte de suas importações.

Na prática, esse aumento de custos tende a ser repassado aos consumidores finais, criando um efeito duplo negativo para o país, explica o especialista em comércio exterior Jackson Campos.

"O Brasil perderia duas vezes. Primeiro, com as taxas já aplicadas sobre as exportações para os EUA. Depois, quando um eventual imposto de importação é repassado ao consumidor brasileiro", afirma.

Por isso, o governo trata qualquer reação com cautela. Além da aplicação de tarifas, a Lei da Reciprocidade prevê outros instrumentos de resposta aos EUA — e que seguem em análise.

Patentes: o Brasil poderia suspender parte das regras internacionais de propriedade intelectual, afetando a proteção de patentes de empresas do país alvo da medida.Serviços: poderia impor tarifas, sobretaxas ou outras restrições sobre serviços prestados por empresas do país alvo.Investimentos: poderia suspender benefícios, incentivos ou facilidades concedidos a investimentos de empresas do país alvo.Acordos comerciais: poderia suspender benefícios e concessões previstos em acordos comerciais firmados com o país alvo.

"A lei exige que as medidas tenham contrapartidas e sejam, dentro do possível, proporcionais ao dano sofrido por quem causou esse dano. Além disso, é preciso tentar minimizar os efeitos sobre a economia brasileira", afirma Jackson Campos.

Enquanto isso, há outro ponto de cuidado no radar do governo brasileiro: a preocupação com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas.

➡️ Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países.

"O próprio documento final emitido pelo governo americano afirma que, se o Brasil aumentar as tarifas em retaliação, Washington pode entender que os 25% não são suficientes e elevar ainda mais a taxa", lembra Campos.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, acredita que o principal risco de uma resposta aos EUA é "o Brasil retaliar e se machucar sozinho".

Ele lembra que a "munição" brasileira é limitada, já que boa parte do que o país importa dos americanos são insumos, máquinas e peças que entram na cadeia produtiva nacional.

"Se você taxa esses produtos, quem paga não é o americano, é o produtor rural de Mato Grosso que precisa da peça do trator. Uma retaliação mal calibrada seria um gol contra com narração épica", diz.

🔎 Na investigação comercial que resultou na aplicação da tarifa de 25%, o governo Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.🔎 As justificativas foram fortemente contestadas pelo governo brasileiro, que vê na medida uma tentativa de interferência em políticas internas do país, ao incluir temas considerados inegociáveis, como o PIX. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política, e não apenas comercial.

Nesse cenário, Aragão aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país.

Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. "Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho."Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. "Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo."A terceira seria atuar na chamada "segunda mesa": pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. "A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes."

Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA.

"As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão", diz.

🔎 A ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, já prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Reprodução

A proximidade das eleições no Brasil e nos EUA também influencia a movimentação dos dois governos. Por aqui, brasileiros vão às urnas para escolher o novo presidente, governadores, deputados e senadores. Por lá, as eleições de meio de mandato vão renovar a Câmara e parte do Senado.

Com isso, a avaliação dos especialistas é de que as negociações devem se prolongar, sem uma resposta concreta no curto prazo. Também pesa nessa avaliação o fato de que, embora negativas, as tarifas atingem setores específicos e não ameaçam a estabilidade econômica do Brasil.

"O governo brasileiro deve deixar isso um pouco de molho. Sabendo dos riscos de impacto nos preços, aplicar a Lei da Reciprocidade pode ser um tiro no pé a três meses da eleição", avalia Jackson Campos.

Enquanto isso, o grupo político do presidente Lula acompanha os possíveis impactos eleitorais do tarifaço sobre Flávio Bolsonaro, em meio ao envolvimento do pré-candidato do PL nas discussões sobre a medida.

Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou que a maioria dos brasileiros atribui a Flávio a responsabilidade da decisão dos EUA. Conforme informou o blog do Valdo Cruz, aliados do senador já admitem prejuízos para a campanha após a medida do governo Trump.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, ressalta que, diante do cenário, os avanços não vão depender necessariamente de vontade política, mas de calendário. A avaliação é que, de olho nas eleições, haverá uma escalada nos discursos, mas com cautela na prática.

"Muito barulho, nota forte, discurso e, ao mesmo tempo, técnico conversando com técnico às sete da manhã sobre lista de exceções. E as exceções, por sinal, são o termômetro. Se começarem a pipocar isenções setoriais, é sinal de que a coisa está sendo resolvida por baixo, mesmo com o barulho por cima", diz.

"A janela real de acordo eu vejo depois de outubro. Antes disso, o que dá para fazer é evitar dano permanente e manter os canais vivos — o que é, convenhamos, bem menos empolgante do que uma guerra comercial, mas bem mais útil", conclui.

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Os vencedores (e os perdedores) econômicos da maior Copa do Mundo de todos os tempos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 04:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

A maior Copa do Mundo de todos os tempos gera bilhões de dólares fora de campo, mas o retorno financeiro divide vencedores e perdedores na edição de 2026.

A Fifa destaca-se como a principal vencedora do torneio, com projeção de arrecadar cerca de US$ 13 bilhões no ciclo de 4 anos com ingressos e transmissões.

Torcedores enfrentam altos custos com ingressos de valores elevados e preços dinâmicos, além de reajustes expressivos em passagens de transporte e serviços de hospedagem.

Apesar do fluxo turístico nas 16 cidades-sede, especialistas apontam que os benefícios econômicos de longo prazo são mínimos e as reservas hoteleiras ficaram abaixo do esperado.

Os vencedores (e os perdedores) econômicos da maior Copa do Mundo de todos os tempos — Foto: Reuters via BBC

Com mais países participantes e mais partidas, há mais espectadores acompanhando os jogos, além de mais oportunidades de ganhar dinheiro.

Enquanto as estrelas do futebol mundial criam momentos históricos em campo, bilhões de dólares são gerados fora dele. Mas nem todos saíram ganhando.

A quantia de dinheiro que a Fifa, entidade máxima do futebol mundial, arrecada com a Copa do Mundo é astronômica. Ela gerou um valor recorde de US$ 7,6 bilhões (R$ 38 bilhões) com o Catar 2022 e espera-se que supere esse valor com a Copa de 2026, especialmente com o torneio expandido para 48 seleções.

Marion Laboure, estrategista do Deutsche Bank Research, afirma que a Fifa é "sem dúvida" a principal vencedora, com receitas próximas a US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões) ao longo do ciclo de quatro anos.

A receita da Fifa provém da venda de direitos de transmissão, licenciamento e de serviços de hospitalidade, contratos de patrocínio e venda de ingressos.

"A Fifa também entrou no mercado secundário com seu mercado oficial de revenda [de ingressos], cobrando uma taxa de 15% tanto do comprador quanto do vendedor", diz Laboure.

E podemos esperar mais disso em torneios futuros, com a Fifa considerando expandir a Copa mais uma vez para 64 equipes, o que poderia incluir países como China e Índia — e os bilhões de espectadores adicionais que isso acarretaria.

Além dos ingressos, os fãs também enfrentaram dificuldades com voos, alimentação e hospedagem. — Foto: Getty Images via BBC

Embora os torcedores possam ter realizado sonhos de uma vida inteira ao ir para a Copa, financeiramente falando, este torneio foi um desafio para eles.

As enormes somas desembolsadas apenas para pagar os ingressos e as críticas à estratégia de preços dinâmicos da Fifa, que aumenta os preços quando a demanda é alta, já foram amplamente noticiadas.

Até mesmo o presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu que "não pagaria" quando questionado sobre o possível preço de US$ 1 mil (R$ 5,1 mil) do ingresso para a estreia de seu país no torneio contra o Paraguai.

Ingressos para a final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, foram oficialmente oferecidos por US$ 32.970 (R$ 168 mil), enquanto alguns ingressos de revenda foram anunciados por mais de US$ 2 milhões (R$ 10,2 milhões).

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu os preços, argumentando que estavam em linha com os de outros eventos esportivos nos EUA.

Um exemplo que ganhou as manchetes foi o aumento nos preços das passagens de trem da New Jersey Transit. Uma viagem de trem de 30 minutos até o MetLife Stadium subiu para US$ 150 (R$ 765) durante o torneio, em comparação com os habituais US$ 12,90 (R$ 65) para uma passagem de ida e volta.

Embora as emissoras tenham tido que desembolsar grandes quantias para transmitir o torneio, os índices de audiência — e o desejo dos patrocinadores de exibir suas marcas — significam que elas também provavelmente lucrarão muito com a venda de espaços publicitários.

A Fifa introduziu pausas para hidratação nesta Copa do Mundo — uma medida que Infantino afirmou ser "puramente uma questão esportiva", sem gerar receita adicional para a entidade.

No entanto, os 90 segundos que os jogadores têm para se hidratar abriram uma nova oportunidade comercial para emissoras e patrocinadores que desejam exibir suas marcas, especialmente nos EUA, onde os torcedores de esportes americanos já estão acostumados com uma ideia invertida: lá os jogos praticamente acontecem entre os intervalos comerciais.

A Fox Sports, que teria pago US$ 485 milhões (R$ 2,4 bilhões) pelos direitos de transmissão nos EUA, apresentou os intervalos de hidratação como "patrocinados por" uma marca.

Segundo especialistas, um espaço publicitário de 30 segundos na Fox durante a Copa do Mundo custa em média entre US$ 200 mil e US$ 300 mil (R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão). Durante as partidas dos EUA nas fases finais, o valor chegou a US$ 750 mil (R$ 3,8 milhões).

Isso significa que os anúncios de pausas para hidratação podem render US$ 250 milhões (R$ 1,2 milhão) somente nos EUA, o que leva à especulação de que eles vieram para ficar.

"As pausas para hidratação são puro espaço publicitário. Eu ficaria extremamente surpresa se elas desaparecessem. O formato expandido permanecerá porque a escala agora é o modelo de negócios da Fifa", diz Laboure, do Deutsche Bank Research.

Os patrocinadores oficiais da Copa do Mundo pagam somas exorbitantes para associar suas marcas à competição, mas sem dúvida acabam se beneficiando financeiramente, com marcas como Adidas e Coca-Cola estampadas por toda parte.

A marca alemã de artigos esportivos está travando uma batalha com sua principal rival, a Nike, tendo investido cerca de US$ 67 milhões (R$ 342 milhões) em seu anúncio estrelado por Lamine Yamal, Jude Bellingham e Lionel Messi.

O primeiro bilionário do esporte britânico já apareceu em tantos anúncios — da Home Depot ao Bank of America — que é fácil esquecer qual marca ele está representando. — Foto: Getty Images via BBC

O principal anúncio da Adidas apresenta uma versão de inteligência artificial de David Beckham — que talvez não tenha tido agenda de comparecer pessoalmente às filmagens.

O primeiro bilionário do esporte britânico já apareceu em tantos anúncios — da Home Depot ao Bank of America — que é fácil esquecer qual marca ele está representando.

Apesar de ter pendurado as chuteiras há mais de uma década, Beckham continua sendo o rosto do futebol nos EUA, com o clube do qual é coproprietário, o Inter Miami, estimado em US$ 1,45 bilhão (R$ 7,3 bilhões) como a franquia mais valiosa da Major League Soccer.

Ele pode não ter conseguido ganhar a Copa do Mundo em campo quando era jogador, mas sem dúvida venceu o jogo comercial fora dele.

As 16 cidades anfitriãs nos EUA, Canadá e México têm recebido um grande número de torcedores e turistas, impulsionando o setor de hotelaria, os negócios locais e o turismo em geral.

Mas, embora os escoceses tenham esgotado até a última gota de álcool de Boston e conquistado o coração da cidade e de seus habitantes, especialistas afirmam que os benefícios econômicos a longo prazo são mínimos.

A Fifa estimou que cerca de US$ 41 bilhões (R$ 209 bilhões) seriam adicionados à economia global, dos quais US$ 17 bilhões (R$ 86 bilhões) impulsionariam somente a economia dos EUA, com a criação de 185 mil empregos, principalmente nos setores de hotelaria.

Mas Alexander Budzier, pesquisador em gestão na Universidade de Oxford e diretor executivo da empresa de gerenciamento de projetos Oxford Global Projects, afirma que os benefícios econômicos a longo prazo de sediar um evento esportivo tão grande simplesmente não se materializam.

Segundo ele, as cidades-sede costumam registrar uma grande queda no número de visitantes, já que muitos procuram evitar o caos do torneio.

E embora possa haver um aumento nas contratações, ele argumenta que normalmente se trata apenas de empregos com salários mais baixos no setor de hotelaria. "Isso gera empregos, mas não gera riqueza", afirma.

Dados oficiais mostram que as contratações em pubs, bares e restaurantes dos EUA aumentaram consideravelmente antes do torneio em maio, mas o crescimento foi de curta duração.

O único benefício econômico "que vale a pena", argumenta Budzier, são os projetos de regeneração que podem ser realizados, como a revitalização e a construção de moradias na região de Stratford, em Londres, após os Jogos Olímpicos de 2012.

Mas, devido ao fato de grande parte desta Copa do Mundo utilizar estádios, hotéis, centros de treinamento e infraestrutura de transporte já existentes, "não haverá benefícios econômicos provenientes do desenvolvimento".

A procura esperada por quartos de hotel não se materializou, com as entidades do setor relatando um número de reservas inferior nas cidades anfitriãs este ano em comparação com o ano passado.

A Associação Hoteleira da British Columbia, no Canadá, afirma que, embora os números finais de reservas ainda não tenham sido confirmados, junho e julho estavam "bem abaixo do ritmo dos anos anteriores", apesar de Vancouver sediar sete dos jogos no Canadá.

O texto afirma que os torneios "não criam 40 dias consecutivos de hotéis lotados", mas sim levam a uma alta demanda em torno de datas específicas.

A Associação Americana de Hotéis e Alojamentos (AHLA) acusou a Fifa de reservar um número excessivo de quartos para uso próprio, criando uma demanda artificial. A Fifa afirmou que não reconhece a acusação.

Laboure, do Deutsche Bank Research, afirma que o mesmo aconteceu na França em 1998, quando a demanda não atendeu às expectativas.

"Em abril, 80% dos operadores hoteleiros dos EUA disseram que as reservas estavam abaixo das previsões iniciais — dois terços dos hoteleiros de Nova York relataram reservas mais fracas do que o esperado, e em Seattle quase 80% fizeram o mesmo, com muitos chamando o torneio de 'não-evento'", disse ela.

A Copa do Mundo de 2026 está a caminho de se tornar o maior evento de apostas de todos os tempos, com uma estimativa de US$ 50 bilhões (R$ 254 bilhões) em apostas — cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) apostados por partida, de acordo com a empresa de serviços financeiros Macquarie, que possui interesses na indústria de jogos de azar.

O texto afirma que isso se deve principalmente à expansão do número de equipes, o que significa que foram disputadas mais de 100 partidas, em comparação com as 64 de 2022.

A Flutter Entertainment, proprietária das empresas de apostas Paddy Power, Betfair e Sky Bet, previu que o valor total das apostas seria o dobro do torneio anterior, devido ao crescimento do mercado nos EUA e também no Brasil.

Chad Beynon, analista da Macquarie, afirmou que as apostas ao vivo substituíram as apostas tradicionais antes da partida.

"Agora, tudo se resume a reagir ao que você vê em campo, ajustando sua perspectiva. Antes, era mais ou menos sentar, assistir e esperar — você tinha que fazer sua aposta antes da partida", diz ele.

As apostas esportivas nos EUA ainda são uma indústria relativamente nova. Até 2018, apostar em esportes era legal apenas em Nevada, Estado onde fica Las Vegas, mas uma decisão da Suprema Corte abriu caminho para que muitos outros Estados a legalizassem.

No entanto, ainda existem alguns Estados onde continua sendo ilegal, incluindo a Califórnia e o Texas.

Nessas regiões, houve grande crescimento dos mercados de previsão — uma indústria bilionária em rápida ascensão, popular entre os jovens — que não são classificados como jogos de azar, o que significa que podem ser usados para fazer apostas esportivas independentemente do Estado em que a pessoa esteja.

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Move Aplicativos: motoristas de app agora podem financiar carros usados, mas aprovar crédito vira desafio

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 04:51

Carros Move Aplicativos: motoristas de app agora podem financiar carros usados, mas aprovar crédito vira desafio Seminovos elétricos e híbridos flex fabricados a partir de 2024 passam a ser financiados com juros menores. Especialistas apontam endividamento dos motoristas como o principal gargalo. Por André Fogaça, g1 — São Paulo

O governo federal ampliou nesta semana o programa Move Aplicativos, que oferece financiamento com juros baixos para motoristas de app e taxistas. Agora, a linha de financiamento com juros mais baixos também passa a permitir a compra de carros usados.

O veículo precisa custar até R$ 150 mil;Modelo seminovo deve ser elétrico ou híbrido flex (modelos híbridos apenas a gasolina não entram no programa);Precisa ter sido fabricado a partir de 2024;A montadora deve estar habilitada no programa Mover.

Há poucos carros com sistema híbrido flex disponíveis por menos de R$ 150 mil no mercado de seminovos, segundo o preço médio divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Fiat Pulse: R$ 107.493;Fiat Fastback: R$ 117.746;Peugeot 2008 GT: R$ 146.415;Peugeot 208 GT: R$ 120.769.

BYD Dolphin Mini: R$ 98.136;BYD Dolphin: R$ 118.540;GWM Ora 03: R$ 120.391;GAC Aion UT: R$ 128.790;Chevrolet Spark EUV: R$ 139.020;Geely EX2: R$ 113.882;Renault Kwid E-Tech: R$ 81.412.

Volkswagen Polo, Chevrolet Onix Plus, BYD Dolphin e Fiat Pulse podem entrar no programa Move — Foto: arte/g1

Mesmo com a injeção de R$ 30 bilhões para financiar a venda de veículos com juros inferiores à metade dos praticados no mercado, poucos carros foram financiados para motoristas de aplicativo e taxistas.

Até 14 de julho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que R$ 1 bilhão foi empenhado no programa, o que representa apenas 3% do total reservado para garantir o financiamento dos veículos.

O g1 ouviu especialistas e representantes do setor para entender o que está travando o programa. Todos foram categóricos ao apontar a dificuldade dos motoristas em obter a aprovação do crédito.

“A maioria dos motoristas não tem condições, senão a gente estaria vendo esse valor explodir, como foi em programas anteriores. Então, é realmente a análise de crédito que está impedindo que o programa avance com mais velocidade”, apontou a economista Tereza Fernandez.

Ela vai além e comenta que, mesmo com a redução dos juros, o preço do carro ainda é alto. “Um motorista de Uber pagar R$ 120 mil em tantos meses, fica uma prestação salgada mesmo com esses juros”, aponta.

“O risco está todo com a instituição financeira. O risco de inadimplemento é alto. As instituições financeiras não estão liberando crédito, pois essa análise está com elas”, afirma o consultor automotivo Milad Kalume Neto.

Ele afirma que, das nove instituições financeiras que operam no programa, apenas duas são consideradas mais “acessíveis”.

Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), destaca que as famílias chegam ao financiamento já endividadas, o que reduz o número de interessados na renovação do veículo.

“As famílias estão muito endividadas. Tanto a dívida, quanto o serviço da dívida, que é o que as famílias gastam por mês para pagar juros e amortização, estão no recorde histórico”, diz Castelar.

“Eu entendo que haja uma reticência tanto do motorista em se endividar, já que ele já está muito endividado como consumidor. Como as instituições vão dar um crédito para quem já está muito endividado? Pode oferecer a você uma dívida, mas, se você está muito endividado, vai pegar essa dívida só por te oferecerem?”, complementa.

A dificuldade de acesso ao crédito para os motoristas foi confirmada por Leandro Cruz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipais do Estado de São Paulo.

Embora aprove a iniciativa do governo, Cruz afirma que uma parcela considerável dos motoristas chega “negativada” para financiar o veículo, e a instituição financeira acaba não aprovando a operação.

“O maior problema é que o trabalhador que trabalha muito, que faz de R$ 10 mil a R$ 12 mil, já está negativado. Esse trabalhador é o que mais tem condições de financiar, mas vem sendo negado quando pede o financiamento”, apontou Leandro.

Ele ainda lembra que a garantia oferecida por um modelo seminovo é menor que a do modelo zero km, aumentando os custos que o motorista poderá ter em um prazo menor.

“Tem que fazer uma cautelar muito minuciosa, pois tem cara que mexe na quilometragem, tem motorista que pegou carro de locadora com quatro meses de rodagem e fundiu o motor, ficando três ou quatro meses sem andar”, revela.

A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) também aprova a expansão do programa do governo federal, mas não comemora.

"É importante ter uma expectativa realista quanto aos seus efeitos imediatos. Se os critérios de análise de risco permanecerem os mesmos, uma parcela significativa desses profissionais continuará encontrando barreiras para acessar o financiamento", disse Everton Fernandes, presidente da Fenauto.

"Chamamos a atenção para dois pontos: O crédito ficará sujeito a critérios de aprovação das instituições financeiras que efetivamente são as que tomam o risco. Portanto, é razoável se esperar recusas de propostas por absoluta falta de condições de honrar o crédito. E em alguns casos vão requerer entrada para mitigar o risco de inadimplência", disse Enilson Sales, presidente da Anef.

Segundo dados do Serasa, o Brasil enfrenta um alto nível de endividamento. Em junho deste ano, foram contabilizados 83,7 milhões de endividados no país — 17,2% a mais do que em 2023, quando eram 71,4 milhões. Este é o maior número da série histórica, que indica alta por 18 meses consecutivos.

Procurado pelo g1, o BNDES afirmou não haver problemas na instituição para o repasse dos valores. (veja a íntegra da nota abaixo)

O BNDES acompanha a execução do Programa BNDES Move Motoristas em todo o território nacional, por meio do monitoramento de seus resultados e da interlocução com os agentes financeiros credenciados. Esse acompanhamento subsidia o aperfeiçoamento contínuo da operacionalização do programa, quando necessário.

O Programa BNDES Move Motoristas segue em pleno funcionamento, com operações e repasse de recursos sendo realizados por meio da rede de instituições financeiras credenciadas, conforme o modelo previsto.

Como é característico em programas dessa natureza, que envolvem etapas de habilitação, análise de crédito e contratação junto aos agentes financeiros, a aprovação das operações ocorre de forma gradual. A instituição financeira, a partir do encaminhamento do pedido da concessionária, fará a análise do perfil de crédito de cada motorista ou taxista e, se aprovado, concluirá a contratação com as condições do programa.

Os critérios de aprovação do financiamento seguem a política de crédito de cada instituição financeira credenciada, dentro dos parâmetros gerais do programa, como elegibilidade do veículo, do beneficiário e do uso (taxista, motorista de aplicativo ou cooperativa). O BNDES não define critérios individuais de aprovação de crédito, que são de responsabilidade de cada agente financeiro. O repasse de recursos para as instituições financeiras é realizado após a aprovação do crédito, com a apresentação da Nota Fiscal de compra do veículo ao BNDES.

As instituições que realizaram operações até agora foram Banco do Brasil, Banrisul, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Sicredi, Ailos, GM Financial, Volkswagen Financial Services, Banco Stellantis e Mobilize Financial Services. Além das diversas instituições financeiras já operando, outras ainda estão em processo de implementação do Programa em seus sistemas, com previsão de entrada em breve.

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Virada de chave: como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 04:51

Campinas e Região Virada de chave: como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira Fim da operação fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP), no último dia 30, e o recente início da produção da GWM na região de Piracicaba (SP) ilustram uma mudança maior e que impacta todo o mercado brasileiro; entenda. Por Bárbara Camilotti, g1 Campinas e região

O fechamento da fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP) e a inauguração da GWM em Iracemápolis (SP) mostram uma mudança no mercado automotivo brasileiro.

As montadoras, principalmente chinesas e focadas em eletrificação, estão ocupando fábricas deixadas por marcas tradicionais no país.

A BYD liderou as vendas de veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, seguida por GWM e Toyota, apontando domínio das marcas chinesas.

A Anfavea manifestou preocupação com o rápido avanço das importações chinesas e criticou a montagem de veículos por kits. Modelo exige menos mão de obra.

O último Corolla produzido em Indaiatuba (SP) em junho e os primeiros veículos eletrificados que começam a sair da fábrica da GWM em Iracemápolis (SP), na região de Piracicaba (SP), contam uma mesma história: a transformação do mercado automotivo brasileiro.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e um levantamento do g1 apontam que o Brasil não está perdendo fábricas de carros, mas trocando o perfil industrial.

Essa tendência, com maior impulso após a pandemia, tem como cenário fábricas deixadas por marcas tradicionais e, muitas vezes, ocupadas por montadoras focadas em eletrificação.

Isso ocorreu no interior de São Paulo com a Mercedes-Benz, em Iracemápolis, cuja fábrica foi ocupada pela chinesa GWM. Também ocorreu com a Ford, em Camaçari (BA) e em Horizonte (CE), que deram lugar a investimentos da chinesa BYD e da britânica MG Motor, respectivamente.

⚡Veículos eletrificados incluem modelos híbridos e elétricos, que utilizam eletricidade para reduzir ou substituir o uso de combustíveis fósseis.

Novas fabricantes também já anunciaram produção nacional de eletrificados. Veja no infográfico abaixo.

Segundo especialista ouvido pelo g1, a tendência é o desenvolvimento de veículos cada vez mais eficientes, tecnológicos e eletrificados, com forte presença da indústria chinesa nessa transformação.

Neste contexto, a Anfavea defende medidas para proteger a competitividade dos investimentos feitos pelas montadoras na indústria automotiva nacional para enfrentar o aumento das importações da Ásia. Além disso, a entidade é contra o modelo de montagem de carros que tem sido adotado pelas chinesas (entenda abaixo).

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que retomou temporariamente cotas de importação por estarem alinhadas a ações de renovação da frota, inovação e descarbonização — clique aqui e leia a nota na íntegra.

É #FAKE que Toyota vai deixar o Brasil MG4 Urban chega por R$ 129.990; elétrico será feito no Ceará

🚗 Crescimento do setor automotivo🐦‍🔥Transformação inédita🚪Entrada gradual no mercado brasileiro🚨Alerta na indústria nacional✔️Impacto no setor automotivo❓ O que diz o governo federal?

Infográfico mostra onde montadoras encerraram operações e onde decidiram investir — Foto: Arte/g1

Segundo a Anfavea, a produção nacional de veículos passou de 2,36 milhões de veículos em 2022 para 2,64 milhões em 2025.

📊Apenas no primeiro semestre de 2026, já foram produzidas 1,37 milhão de unidades. Ao mesmo tempo, os carros eletrificados deixaram de ser um nicho para se tornar um dos motores do mercado.

Em 2016, o Brasil vendeu pouco mais de mil veículos eletrificados. Dez anos depois, apenas no primeiro semestre de 2026, já foram mais de 215 mil unidades, de acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

O crescimento dos híbridos e elétricos também redesenhou a fatia do mercado brasileiro de eletrificados ocupada pelas montadoras tradicionais.

Em 2022, a japonesa Toyota liderava com folga e concentrava 55,3% das vendas do segmento de eletrificados. Na sequência apareciam montadoras tradicionais e marcas europeias de luxo, como Volvo, BMW, Land Rover e Mercedes-Benz.

Quatro anos depois, o cenário é outro. No primeiro semestre de 2026, as chinesas BYD e GWM lideram o mercado — a primeira com 46,08% de participação e 99 mil veículos vendidos. A Toyota caiu para o terceiro lugar, seguida de outras duas chinesas no ranking: Geely e Omoda Jaecoo.

É um dos maiores mercados automotivos do mundo.A eletrificação ainda está em fase inicial, deixando espaço para modelar o mercado.As barreiras à entrada foram historicamente menores do que em outros mercados desenvolvidos, que têm barreiras protecionistas.

Para o economista da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e especialista em ascensão geopolítica e tecnológica da China, José Eduardo Roselino, a indústria vive uma transformação sem precedentes.

"Por 100 anos a indústria automobilística só tinha inovações incrementais, pequenos aperfeiçoamentos que não mudavam a estrutura do automóvel. Isso está mudando agora. Estamos passando por uma transformação ligada à descarbonização e à transição energética, com veículos híbridos, híbridos plug-in, elétricos e outras novas tecnologias surgindo", disse.

Segundo ele, o avanço das montadoras chinesas está ligado ao domínio de tecnologias como software, semicondutores e sistemas eletrônicos.

Além disso, segundo ele, os chineses têm uma vantagem competitiva muito grande porque produzem em enorme escala e conseguem reduzir custos continuamente.

Venda de carros elétricos no Brasil é três vezes maior em 2026 do que comparada a 2025Brasil pode voltar a vender mais de 3 milhões de veículos em 2026 após 12 anos, diz AnfaveaGoverno renova cota para importação de carros elétricos sem imposto; montadoras reclamam

Caoa Chery em Jacareí, SP — Foto: Roosevelt Cássio/ Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

A história do ingresso das montadoras chinesas no mercado brasileiro pode ser dividida em fases. Inicialmente, a partir de 2009, elas eram importadoras de veículos a combustão. Na sequência, a partir de 2014, começaram a instalar fábricas locais.

Já na década seguinte que elas passaram a testar a aceitação de modelos eletrificados com os consumidores brasileiros. Para isso, decidiram investir em fábricas ociosas e desenvolver projetos de produção nacional.

A estreia de uma montadora chinesa, com fábrica no Brasil, foi a chinesa Chery, em Jacareí (SP), em 2014. A aposta na época era vender carro popular e de baixo custo.

Na época, impasses com o sindicato sobre piso salarial dos operários e as vendas que não decolaram frustraram os planos. A unidade acabou desativada em 2022 e a fábrica segue desocupada até hoje.

💰🏭Chery foi pioneira na industrialização dos automóveis chineses no Brasil e a BYD e GWM integram a fase mais recente de expansão.

Após a pandemia, gigantes como a BYD e a GWM (Great Wall Motor) entraram no país trazendo um novo conceito por meio de uma combinação de alta tecnologia, design avançado e propulsão elétrica ou híbrida com preços agressivos. Isso fez com que as marcas chinesas ocupassem uma fatia cada vez maior do mercado nacional.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) opera em SKD, com parte da montagem feita — Foto: BYD/Divulgação

Enquanto os números indicam crescimento do mercado, o avanço acelerado das marcas chinesas também tem gerado reações da indústria instalada no Brasil.

Durante apresentação dos resultados do setor referentes a junho, nesta terça-feira (7), a Anfavea manifestou preocupação especialmente com a velocidade de crescimento das importações chinesas, que passaram de 71 mil para 140 mil unidades em apenas um ano.

A Anfavea também critica a expansão dos modelos de montagem por kits semidesmontados, conhecidos como CKD e SKD. Segundo a associação, esse tipo de operação exige cerca de 70% menos mão de obra do que uma fábrica com produção integral.

🔩CKD: veículo chega totalmente desmontado para montagem local.🏭SKD: veículo chega semidesmontado, com parte da montagem já realizada na origem.

Por isso, a Anfavea defende que os novos investimentos sejam direcionados à fabricação completa dos veículos no país — uma forma de proteger não apenas as montadoras, mas também a cadeia de produção.

A reivindicação ocorre no momento em que o governo decidiu, a partir de 1º de julho, renovar por 6 meses a alíquota zero de kits de peças importados para veículos elétricos e híbridos – a decisão beneficia a BYD, por exemplo, que opera em SKD.

"A nossa preocupação é com o sistema produtivo. Não adianta a gente ter indicativo de que a gente tem que caminhar para uma produção sofisticada e completa, no caso de ter estamparia, montagem, pintura e soldagem no Brasil, e ao mesmo tempo ter incentivos para fazer outra coisa", afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

Fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP) encerrou as atividades e transferiu produção do Corolla para Sorocaba — Foto: Divulgação

➡ Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região e funcionário da Toyota desde a inauguração da unidade de Indaiatuba, em 1998, Derci Jorge Lima descreve a transferência da fábrica como o fim de uma trajetória de quase três décadas.

"É uma vida. Vinte e oito anos de trabalho é uma vida. Jamais passava pela nossa cabeça, enquanto trabalhador, enquanto sindicato, que essa empresa ia embora daqui", comentou.

Segundo ele, o sindicato tentou mobilizar lideranças políticas e a própria Toyota para reverter a decisão, mas não houve acordo. A negociação passou então a se concentrar nos programas de desligamento e compensações aos funcionários.

O dirigente afirma que mais de 4 mil postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos, foram impactados pela saída da montadora de Indaiatuba. Apesar disso, ele avalia que o mercado de trabalho automotivo segue aquecido.

"A gente espera que venha outra empresa, até mesmo uma montadora, que possa assumir esse espaço aqui, gerar emprego de novo", afirmou.

➡ Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Weller Pereira Gonçalves, destacou que o Vale do Paraíba tem passado por desafios com as mudanças no setor desde antes da pandemia.

"A Ford fechou as portas em Taubaté e [a fábrica] ainda está desativada. A GM, em São José dos Campos, já teve 13 mil funcionários na década de 1990 e atualmente tem 3 mil", disse.

A GM anunciou investimentos para a fábrica em São José dos Campos, mas Gonçalves afirmou que isso não necessariamente implica a geração de empregos diretos.

"Investimento nem sempre significa emprego. Às vezes traz linha de montagem, mas é automatizada", ponderou.

Segundo ele, a defesa do sindicato é pela nacionalização da produção das montadoras no país. Ele também criticou o fato de que as empresas que encerraram operações no país seguem normalmente com importações.

"Não defendemos incentivos fiscais para ninguém, mas se tiver, tem que ser justo. Senão, quem sai prejudicado é o trabalhador", afirmou.

➡ Já para o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e Região, a chegada da montadora chinesa BYD ao município baiano representou um alívio e uma guinada econômica após o fechamento da Ford, em 2021.

Para Júlio Bonfim, presidente do sindicato, o saldo do avanço das montadoras chinesas no Brasil é positivo: "Emprego, dinheiro no bolso, como é que você não fica feliz?", disse.

Segundo Bonfim, em cerca de dez meses a BYD contratou 5.500 funcionários — uma marca que a Ford havia levado 5 anos para atingir.

Sobre o estado de alerta da Anfavea e a insatisfação de marcas tradicionais, Bonfim disse que é preciso aceitar a nova realidade tecnológica e a forte concorrência que derrubou o preço dos carros.

"O mercado mudou. A realidade está acontecendo. Os carros chineses chegaram e chegaram mesmo pesado com tecnologia, qualidade", afirmou.

Dados divulgados pela Anfavea mostram que, em junho deste ano, as montadoras empregavam 114,5 mil pessoas. Em janeiro de 2020, antes da pandemia, eram 125,9 mil empregados.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disse que manteve o cronograma de recomposição das tarifas de importação para veículos eletrificados e retomou temporariamente as cotas de importação para promover a renovação da frota, inovação e descarbonização.

"A decisão tomada pelo Gecex – Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), composto por 10 ministérios – manteve o cronograma de recomposição tarifária para importação de carros eletrificados, que foi a 35% a partir de 1º de julho de 2026, para modelos CBU e SKD. No caso dos CKDs, a tarifa hoje está em 14% e será elevada a 35% a partir de 1º de janeiro de 2027, também obedecendo o cronograma original.

A retomada das cotas por um período limitado de seis meses converge com outras iniciativas do governo federal voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2.

Há várias iniciativas para o fortalecimento e o desenvolvimento da indústria automotiva no país, sendo a principal delas o programa Mover, que estimula investimentos em inovação e descarbonização, inclusive para fabricação de carros eletrificados. Os incentivos desse programa, da ordem de R$ 19,3 bilhões, já estimularam investimentos privados de R$ 190 bilhões, segundo dados da Anfavea e do Sindipeças."

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição mais importante do mundo em 2026 sem margem para erro, diz analista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 03:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

O Brasil enfrenta a eleição presidencial de 2026 pressionado por novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos e pelo endividamento público, limitando a margem para erros fiscais.

Para o analista Ruchir Sharma, o impacto direto das tarifas americanas é limitado, mas os efeitos políticos e sobre o investimento estrangeiro são complexos para o cenário eleitoral.

A reação inicial do mercado financeiro a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro tende a ser positiva, enquanto uma reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva geraria resposta negativa.

O analista alerta que a crescente dependência comercial da China é arriscada para o Brasil, devido ao enfraquecimento demográfico, endividamento e queda na demanda doméstica do país asiático.

O investimento global em infraestrutura de inteligência artificial atingirá US$ 2,5 trilhões este ano, configurando uma bolha tecnológica que apresenta sinais avançados de sobrevalorização e concentração excessiva.

Poucos analistas têm acompanhado a ascensão e queda das nações com a profundidade de Ruchir Sharma. Estrategista global, gestor de recursos e estudioso dos ciclos econômicos que definem o destino dos países, ele é chairman da Rockefeller International, fundador da Breakout Capital e colunista do Financial Times.

Autor de obras como Breakout Nations e What Went Wrong With Capitalism, Sharma combina análise macroeconômica com observação direta de campo em países emergentes — uma metodologia construída ao longo de três décadas.

Sua tese central sobre a América Latina parte de um dado que ele considera inconveniente, mas inegável: historicamente, investidores obtêm retornos muito maiores sob governos de direita na região.

É essa dinâmica que explica, em grande parte, o bom desempenho dos mercados latino-americanos nos últimos anos. E é por isso que o Brasil, para Sharma, é a grande incógnita de 2026 — talvez a eleição mais importante do ano no mundo inteiro.

O cenário ficou ainda mais carregado com a decisão do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Se a medida entrar em vigor no dia 22 de julho, o Brasil se tornará o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos no planeta, atrás apenas da China.

Para Sharma, o impacto direto da medida é mais limitado do que o número sugere, mas seus efeitos sobre o investimento estrangeiro e, sobretudo, sobre o tabuleiro eleitoral de outubro, são mais complexos de calcular.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele fala sobre o que essa decisão significa para a corrida presidencial, o risco fiscal sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), a fragilidade estrutural da China, a bolha de inteligência artificial e o impacto das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre a economia global.

BBC News Brasil – O governo americano anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, tornando o Brasil o segundo país mais taxado pelos EUA no mundo. Qual o impacto real dessa decisão?

Sharma – A tarifa de 25% incide sobre produtos que somam cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Mas, consideradas as isenções — pela Seção 232 e outras —, o impacto efetivo é mais estreito do que o número sugere. Em termos diretos, o efeito é limitado.

O risco maior é de segunda ordem: o impacto sobre o investimento estrangeiro direto e o fato de que esta é a segunda tentativa de Trump de usar tarifas como alavancagem sobre o Brasil em 13 meses. Isso sinaliza que a relação está estruturalmente contestada por este governo americano, não se trata de uma disputa isolada.

BBC News Brasil – E eleitoralmente? Essa decisão pode mudar o cálculo da corrida presidencial de outubro?

Sharma – A narrativa de soberania e nacionalismo de Lula pode funcionar a seu favor, algo semelhante ao que aconteceu no México. Mas seus índices de aprovação estão pressionados por causa do custo de vida e do crescimento fraco. Se a economia não reagir, essa vantagem pode não se sustentar.

O governo Lula já sinalizou que não vê caminho para negociação antes de outubro. Uma vitória de Flávio Bolsonaro criaria pressão para concessões rápidas em regulação digital e plataformas de tecnologia em troca da retirada das tarifas — o que tem seu próprio custo político doméstico.

No curto prazo, a leitura política favorece a narrativa de soberania de Lula. Mas a pressão econômica de médio prazo para negociar com Washington independe de quem vença — isso muda mais a postura negociadora do próximo governo do que define quem chega à Presidência em outubro.

Para Sharma, tarifas de 25% anunciadas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros têm impacto mais estreito do que o número sugere — Foto: Getty Images via BBC

BBC News Brasil – O senhor disse no início do ano que a eleição brasileira poderia ser a mais importante do mundo em 2026. Com o pleito a três meses, como o senhor situa esse evento no contexto global?

Sharma – Os investidores têm olhado para a América Latina com interesse crescente no último ano, mesmo que a região não seja vista como uma potência de inteligência artificial. Um grande motivo é o número crescente de governos de direita chegando ao poder. Independentemente de preferências políticas, o fato é que historicamente os investidores obtêm retornos maiores quando governos de direita assumem na América Latina.

Fizemos pesquisa sobre isso: em dólares, nos primeiros dois anos de um novo governo, quando a esquerda chega ao poder, o retorno tende a ser de cerca de 16%. Quando é a direita, esse número sobe para mais do dobro — cerca de 37%. Essa expectativa de que mais governos de direita vão chegar ao poder está ajudando a América Latina. E o Brasil é central nessa história.

BBC News Brasil – O principal adversário de Lula hoje é Flávio Bolsonaro. Mas, mesmo no campo da direita, há dúvidas sobre o compromisso fiscal. Os investidores podem acabar desapontados de qualquer forma?

Sharma – Sim, isso é correto. Mas a reação inicial dos investidores, pelo menos, será baseada na história: os mercados tendem a se sair bem quando um novo líder chega ao poder, e tendem a se sair bem quando um governo de direita assume na América Latina. Esses são fatos. Portanto, a reação inicial a uma vitória de Flávio Bolsonaro provavelmente seria positiva — e depois teremos que ver quais serão as políticas concretas.

Até agora, onde quer que governos de direita tenham chegado ao poder na América Latina, os investidores reagiram bem, o capital voltou. Parte disso acontece em antecipação, parte depois que o governo já está no poder — e tem sido assim em toda a região.

Sharma – A situação fiscal do Brasil é delicada, especialmente em um momento em que o mundo está prestando mais atenção à dívida dos países. Se Lula for reeleito, a reação inicial dos investidores será negativa. Mas acredito que ele saberá que, se tentar gastar demais ou não colocar o Brasil em um caminho fiscalmente sustentável, haverá fuga de capitais.

A política brasileira também não é simples, porque o controle do Senado e da Câmara importa muito. Mesmo nos últimos três ou quatro anos, alguns dos piores excessos de gastos do governo Lula foram contidos tanto pelos investidores quanto pontualmente pelo fato de a oposição controlar outras instâncias do governo. Mas não há espaço para irresponsabilidade fiscal agora, em um momento em que a atenção global à dinâmica da dívida é muito maior do que era dez ou vinte anos atrás.

Depender demais da China para crescer economicamente é uma estratégia arriscada, na avaliação de Sharma — Foto: Getty Images via BBC

BBC News Brasil – O Brasil tem terras raras, petróleo, energia limpa e concentra mais de 40% de todo o investimento em tecnologia da América Latina. O país tem condições de se posicionar nessa nova ordem global e fechar o gap de desenvolvimento?

Sharma – Há sempre possibilidades, mas depende do horizonte de tempo. Para os próximos cinco anos, o Brasil tem ventos favoráveis. Pode haver um impulso reformista com um novo governo. Há um empurrão vindo do ciclo de commodities. O Brasil está se tornando cada vez mais importante nos mercados globais de petróleo. E, no campo tecnológico, o histórico do Brasil não é ruim: o país investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, o que é razoável para um país de renda média. Cerca de 40% de todo o investimento em tecnologia da América Latina acontece no Brasil, e o país já produziu mais de 20 unicórnios (start-ups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais).

O Brasil também tem oferta abundante de energia, o que poderia ajudá-lo a construir data centers e ecossistemas de inteligência artificial. Com a combinação certa de políticas, e dado que as expectativas estão muito baixas, há potencial real de valorização — especialmente se as taxas de juros reais, que são extraordinariamente altas no Brasil, começarem a cair. Mas o resultado é binário. Qualquer erro fiscal em um mundo em que o custo do capital está subindo pode fazer um estrago sério na economia brasileira.

BBC News Brasil – O senhor argumenta que a inteligência artificial não é suficiente para conter o declínio da China. Que forças são mais poderosas do que a IA?

Sharma – O progresso tecnológico da China é notável, e boa parte dele é de origem doméstica. Todo crédito ao ecossistema tecnológico que o país construiu. Mas há outros fatores que considero ainda mais poderosos. A população chinesa está diminuindo. Nenhum país no mundo conseguiu sustentar um crescimento acima de 2% com a população em queda — você precisa que a força de trabalho também cresça.

Depois, há os níveis de dívida muito elevados: a China já vinha dependendo de endividamento para sustentar taxas de crescimento bem acima do seu potencial. O Estado também se tornou muito intervencionista, há tanta incerteza regulatória que os espíritos empreendedores em muitos setores foram sufocados.

E então há essa situação muito incomum: para uma superpotência em ascensão, praticamente ninguém quer ir à China. A proporção de estrangeiros vivendo no país é de 0,1% da população, a mais baixa entre os grandes países do mundo. E, em termos líquidos, o capital estrangeiro está saindo. São sinais de fragilidades que vão muito além da tecnologia.

Sharma – É algo que os brasileiros precisam ter em mente. O comércio do Brasil mudou muito e está cada vez mais dependente da China. Mas você está lidando com uma economia que está fundamentalmente se enfraquecendo, onde a demanda doméstica deve permanecer fraca por causa dos desafios demográficos e de endividamento que acabei de descrever.

Depender demais da China para crescer é uma estratégia arriscada, porque a demanda doméstica chinesa está em declínio. E o incentivo da China é o oposto do que o Brasil precisa: eles querem exportar o máximo de capacidade excedente possível, porque a economia doméstica não é forte o suficiente para absorvê-la. É isso que têm feito. E o resto do mundo está sofrendo com esse dilúvio de exportações chinesas.

BBC News Brasil – Dois grandes conflitos estão em curso: a Ucrânia e o confronto no Estreito de Ormuz. Os investidores têm absorvido esses choques melhor do que muitos esperavam. Eles estão subestimando os riscos?

Sharma – O impulso positivo da inteligência artificial está sobrepujando o efeito negativo dos preços mais altos de energia. O mesmo aconteceu com as tarifas no ano passado — muitos esperavam uma recessão global por causa delas, e não aconteceu, porque o boom da IA foi muito mais poderoso.

Dito isso, os preços do petróleo subiram menos do que muitos esperavam, dado o volume de oferta retirado do mercado. Em parte porque o mundo aprendeu a se adaptar, o consumo de energia como proporção do PIB global caiu ao longo do tempo, e a destruição de demanda aconteceu rapidamente.

O Brasil também desempenhou um papel aqui: a produção de petróleo no país tem se saído bem, e isso ajuda a evitar que a oferta global caia tão abruptamente quanto o fechamento de Ormuz poderia sugerir.

BBC News Brasil – O senhor escreveu recentemente que a IA está remodelando a hierarquia dos mercados globais — nações classificadas quase que exclusivamente por sua posição no ecossistema de IA. Isso é uma nova ordem mundial ou uma bolha prestes a estourar?

Sharma – É uma combinação das duas coisas. A história nos diz que, quanto maior a inovação tecnológica, maior a bolha — desde os canais e as ferrovias, passando pelos automóveis, até a internet. O gasto global com a construção da infraestrutura de IA este ano é algo em torno de US$ 2,5 trilhões, mais de 2% do PIB global só em investimento em IA. As grandes empresas de tecnologia americanas estão gastando cerca de US$ 800 bilhões sozinhas.

O comportamento dos investidores hoje é: ou você tem IA, ou está fora. Mas minha avaliação é que sim, a IA é uma tecnologia muito poderosa, isso está além de qualquer dúvida. Mas a ideia de que o mundo inteiro vai ser moldado apenas pela IA? Não compartilho dessa visão. Ela simplesmente não é consistente com a história do desenvolvimento econômico.

Sharma – Toda vez que uma bolha estoura, há dor. Mas existem bolhas boas e bolhas ruins. Quando você tem uma bolha em imóveis ou commodities, é uma bolha ruim — ela não deixa nenhum investimento produtivo em seu rastro. Uma bolha liderada por tecnologia ao menos deixa boa tecnologia para trás, mesmo que a bolha financeira estoure.

Dito isso, tenho uma estrutura para identificar bolhas, o que chamo de quatro "O's" [em inglês]: sobrevalorização, concentração excessiva, sobreendividamento e sobreinvestimento. Quando coloco a IA nessa estrutura, ela se qualifica em muitos desses critérios.

Historicamente, bolhas não caem sob seu próprio peso — elas precisam de um catalisador, e a alta das taxas de juros costuma ser esse catalisador. As taxas de juros reais nos EUA ainda estão relativamente baixas. Mas, se o título de dez anos do Tesouro americano romper os 5%, isso seria uma bandeira vermelha. Estamos nos estágios avançados desta bolha e podemos estar próximos do fim, mas, até que essas coisas aconteçam, é muito difícil prever quando.

Segundo Ruchir Sharma, qualquer erro fiscal em um mundo em que o custo do capital está subindo pode fazer um estrago sério na economia brasileira — Foto: Matt Greenslade via BBC

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‘Saí à caça dos homens que filmavam secretamente suas mulheres e compartilhavam os vídeos na internet’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 03:46

Tecnologia 'Saí à caça dos homens que filmavam secretamente suas mulheres e compartilhavam os vídeos na internet' Documentário da BBC mostra a produção e compartilhamento de imagens e vídeos íntimos de mulheres sem autorização na internet. O que mais perturbou a apresentadora Jess Davies foi a divulgação de vídeos mostrando esposas e namoradas, filmados em casa sem consentimento. Por Angharad Thomas

Existem homens que filmam secretamente suas mulheres e namoradas e postam os vídeos na internet, para depois se vangloriarem das suas gravações.

Outros procuram mulheres desconhecidas. Um deles carrega uma câmera escondida na calçada, na esperança de filmar mulheres urinando.

Segundo a entidade britânica especializada em abusos domésticos Refuge, as denúncias de abusos cometidos com dispositivos tecnológicos aumentaram em 78% durante um ano.

Já a entidade galesa Welsh Women's Aid afirma ser difícil quantificar a escala do problema porque a maioria das vítimas nem sabe o que está acontecendo.

Em Hunting the Spycammers ("À caça das câmeras espiãs", em tradução literal), a apresentadora Jess Davies se uniu à jornalista investigativa Liam Connell, que já havia se infiltrado anteriormente em redes secretas na internet.

Este é um tema de interesse pessoal para Davies. Ela já foi fotografada nua em segredo enquanto estava dormindo e suas imagens foram compartilhadas em um grupo privado de WhatsApp.

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A dupla teve acesso a um website de voyeurismo, que é o hábito ou fetiche de obter excitação sexual através da observação de pessoas nuas ou em atos sexuais. O endereço incluía links que levam seus usuários para grupos de bate-papo criptografados.

Com isso, elas descobriram pessoas trocando abertamente dicas sobre como fazer filmagens clandestinas e se vangloriando das suas gravações.

"É um ciclo sem fim de distribuição em massa de conteúdo não consensual de mulheres", explica Davies. "Parece que essas mulheres são caçadas como se fossem presas."

O documentário revelou pessoas escondendo câmeras em quartos, banheiros, vestiários e outros espaços privados.

"Pareceu uma violação tão grande, pensar que alguém que foi importante para mim pôde fazer isso comigo", ela conta. "Faz você se sentir inútil."

"Ver imagens similares de outras vítimas compartilhadas no fórum onde estávamos infiltradas trouxe de volta esse sentimento de traição e me fez questionar onde minha imagem terá ido parar."

Para Davies, alguns minimizam o impacto dessas ações como sendo inofensivas ou "simples brincadeiras".

"Já outros, como os voyeurs que mencionamos no programa, acham que, se a vítima nunca souber que foi filmada sem consentimento, não há problema. Isso realmente destaca como se minimiza o abuso de imagens e as ofensas na internet."

"Atrás de cada imagem ou vídeo, há uma pessoa que precisará viver com esta traição pelo resto da vida."

Davies destaca que "o que é realmente perturbador é a quantidade de perpetradores que filmam e compartilham conteúdo de pessoas (principalmente mulheres) que foram suas parceiras amadas".

Durante sua investigação, a jornalista galesa de 33 anos ficou conhecendo a variedade da tecnologia disponível de câmeras espiãs de baixo custo. Existem câmeras disfarçadas como objetos do dia a dia, como canetas, odorizadores de ambientes e tomadas.

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"Ele nos disse que verifica regularmente o conteúdo e retira material não consensual", ela conta.

"Mas, observando as evidências que encontramos, parecia haver pouca consideração pelos danos permanentes causados por aquele conteúdo para as vítimas."

"A impressão era que as pessoas filmadas sem consentimento foram totalmente ignoradas e desprezadas, como se o seu consentimento não fosse necessário."

"Na verdade, essa falta de consentimento era o que motivava muitos dos espiões", lamenta a apresentadora.

Davies espera que o documentário aumente a consciência sobre os danos causados pelas câmeras escondidas e reforça que os abusos de privacidade e consentimento "nunca devem ser normalizados".

No Reino Unido, filmar alguém não é necessariamente crime. Em espaços públicos, por exemplo, as pessoas normalmente podem filmar o que for visível para elas.

As gravações clandestinas passam a ser crime em uma série de casos, como o voyeurismo. Também é crime se a filmagem ocorrer em um local onde a pessoa que está sendo filmada espera ter privacidade ou se a gravação for feita para causar assédio ou inquietação.

No Brasil, o artigo 218C do código penal estabelece que oferecer, trocar, transmitir, vender distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio — inclusive pela internet — fotografias, vídeos ou outro registro audiovisual que contenha pornografia ou nudez sem o consentimento da vítima, assim como cena ou apologia de estupro ou de estupro de vulnerável ou cena de sexo, é crime.

Quem recebe, por exemplo, uma foto de nudez no WhatsApp e compartilha — mesmo sem ter sido o primeiro a expor a imagem — também é considerado infrator.

Como pena, a lei prevê a reclusão de um a cinco anos, se o fato não constitui crime mais grave. Caso o criminoso seja um ex-namorado(a) e a divulgação tenha fim de vingança ou humilhação, essa pena pode aumentar de um a dois terços.

Já se as imagens foram compartilhadas por um tutor, padrasto, madrasta, irmão, tio, empregador ou qualquer outro título que a justiça considere "de autoridade" sobre a vítima, a pena pode aumentar 50%.

No Brasil, é crime compartilhar conteúdo pornográfico sem consentimento — Foto: Unsplash/camilo jimenez

A Refuge pede maior regulamentação dos dispositivos de vigilância secretos e melhor treinamento da polícia para identificar e investigar seu uso.

"O que é especialmente preocupante é como esses dispositivos são baratos e acessíveis, permitindo que mais perpetradores os transformem em armas como forma de controle", declarou a gerente de políticas e assuntos públicos da Refuge, Bo Bottomley.

Mas a Refuge afirma que quase todas as sobreviventes atendidas pela entidade vivenciaram algum tipo de abuso possibilitado pela tecnologia. E houve aumento dos relatos de câmeras e microfones ocultos usados em residências.

Uma porta-voz da Welsh Women's Aid declarou que "esta forma de vigilância dissimulada pode destruir a sensação de privacidade e segurança das pessoas".

A entidade alerta que os danos vão muito além da gravação inicial. Imagens e vídeos compartilhados causam impactos devastadores à vida das sobreviventes e fazem muitas pessoas se sentirem inseguras, mesmo nas próprias casas.

"É particularmente difícil quantificar esta forma de abuso", segundo a organização. "Muitas sobreviventes não sabem o que aconteceu com elas."

A Refuge também pede às empresas de tecnologia ações rápidas para remover filmagens compartilhadas de câmeras espiãs e fornecer informações que levem a polícia a identificar os responsáveis.

O governo britânico afirma que "não tolera filmagens clandestinas, nem o assédio às vítimas".

A Estratégia sobre a Violência contra Mulheres e Meninas do governo britânico (VAWG, na sigla em inglês) inclui medidas para combater abusos na internet e os cometidos com o uso de dispositivos tecnológicos, explorando formas de aumentar a segurança dos aparelhos inteligentes e conectados à rede.

Um porta-voz do governo britânico declarou que "já é ilegal compartilhar imagens íntimas sem consentimento".

"Com a Lei de Crime e Policiamento, estamos indo além, transformando em crime captar imagens íntimas sem consentimento, incluindo por meio da instalação de equipamentos como câmeras que permitam às pessoas obter essas imagens."

"Estamos dedicando verbas para um centro nacional para reforçar a reação da polícia à violência contra mulheres e meninas", conclui a declaração.

Assista aqui, nos canais da BBC no YouTube, ao documentário Hunting the Spycammers (em inglês), que deu origem a esta reportagem.

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