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‘Saí à caça dos homens que filmavam secretamente suas mulheres e compartilhavam os vídeos na internet’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 03:46

Tecnologia 'Saí à caça dos homens que filmavam secretamente suas mulheres e compartilhavam os vídeos na internet' Documentário da BBC mostra a produção e compartilhamento de imagens e vídeos íntimos de mulheres sem autorização na internet. O que mais perturbou a apresentadora Jess Davies foi a divulgação de vídeos mostrando esposas e namoradas, filmados em casa sem consentimento. Por Angharad Thomas

Existem homens que filmam secretamente suas mulheres e namoradas e postam os vídeos na internet, para depois se vangloriarem das suas gravações.

Outros procuram mulheres desconhecidas. Um deles carrega uma câmera escondida na calçada, na esperança de filmar mulheres urinando.

Segundo a entidade britânica especializada em abusos domésticos Refuge, as denúncias de abusos cometidos com dispositivos tecnológicos aumentaram em 78% durante um ano.

Já a entidade galesa Welsh Women's Aid afirma ser difícil quantificar a escala do problema porque a maioria das vítimas nem sabe o que está acontecendo.

Em Hunting the Spycammers ("À caça das câmeras espiãs", em tradução literal), a apresentadora Jess Davies se uniu à jornalista investigativa Liam Connell, que já havia se infiltrado anteriormente em redes secretas na internet.

Este é um tema de interesse pessoal para Davies. Ela já foi fotografada nua em segredo enquanto estava dormindo e suas imagens foram compartilhadas em um grupo privado de WhatsApp.

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A dupla teve acesso a um website de voyeurismo, que é o hábito ou fetiche de obter excitação sexual através da observação de pessoas nuas ou em atos sexuais. O endereço incluía links que levam seus usuários para grupos de bate-papo criptografados.

Com isso, elas descobriram pessoas trocando abertamente dicas sobre como fazer filmagens clandestinas e se vangloriando das suas gravações.

"É um ciclo sem fim de distribuição em massa de conteúdo não consensual de mulheres", explica Davies. "Parece que essas mulheres são caçadas como se fossem presas."

O documentário revelou pessoas escondendo câmeras em quartos, banheiros, vestiários e outros espaços privados.

"Pareceu uma violação tão grande, pensar que alguém que foi importante para mim pôde fazer isso comigo", ela conta. "Faz você se sentir inútil."

"Ver imagens similares de outras vítimas compartilhadas no fórum onde estávamos infiltradas trouxe de volta esse sentimento de traição e me fez questionar onde minha imagem terá ido parar."

Para Davies, alguns minimizam o impacto dessas ações como sendo inofensivas ou "simples brincadeiras".

"Já outros, como os voyeurs que mencionamos no programa, acham que, se a vítima nunca souber que foi filmada sem consentimento, não há problema. Isso realmente destaca como se minimiza o abuso de imagens e as ofensas na internet."

"Atrás de cada imagem ou vídeo, há uma pessoa que precisará viver com esta traição pelo resto da vida."

Davies destaca que "o que é realmente perturbador é a quantidade de perpetradores que filmam e compartilham conteúdo de pessoas (principalmente mulheres) que foram suas parceiras amadas".

Durante sua investigação, a jornalista galesa de 33 anos ficou conhecendo a variedade da tecnologia disponível de câmeras espiãs de baixo custo. Existem câmeras disfarçadas como objetos do dia a dia, como canetas, odorizadores de ambientes e tomadas.

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"Ele nos disse que verifica regularmente o conteúdo e retira material não consensual", ela conta.

"Mas, observando as evidências que encontramos, parecia haver pouca consideração pelos danos permanentes causados por aquele conteúdo para as vítimas."

"A impressão era que as pessoas filmadas sem consentimento foram totalmente ignoradas e desprezadas, como se o seu consentimento não fosse necessário."

"Na verdade, essa falta de consentimento era o que motivava muitos dos espiões", lamenta a apresentadora.

Davies espera que o documentário aumente a consciência sobre os danos causados pelas câmeras escondidas e reforça que os abusos de privacidade e consentimento "nunca devem ser normalizados".

No Reino Unido, filmar alguém não é necessariamente crime. Em espaços públicos, por exemplo, as pessoas normalmente podem filmar o que for visível para elas.

As gravações clandestinas passam a ser crime em uma série de casos, como o voyeurismo. Também é crime se a filmagem ocorrer em um local onde a pessoa que está sendo filmada espera ter privacidade ou se a gravação for feita para causar assédio ou inquietação.

No Brasil, o artigo 218C do código penal estabelece que oferecer, trocar, transmitir, vender distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio — inclusive pela internet — fotografias, vídeos ou outro registro audiovisual que contenha pornografia ou nudez sem o consentimento da vítima, assim como cena ou apologia de estupro ou de estupro de vulnerável ou cena de sexo, é crime.

Quem recebe, por exemplo, uma foto de nudez no WhatsApp e compartilha — mesmo sem ter sido o primeiro a expor a imagem — também é considerado infrator.

Como pena, a lei prevê a reclusão de um a cinco anos, se o fato não constitui crime mais grave. Caso o criminoso seja um ex-namorado(a) e a divulgação tenha fim de vingança ou humilhação, essa pena pode aumentar de um a dois terços.

Já se as imagens foram compartilhadas por um tutor, padrasto, madrasta, irmão, tio, empregador ou qualquer outro título que a justiça considere "de autoridade" sobre a vítima, a pena pode aumentar 50%.

No Brasil, é crime compartilhar conteúdo pornográfico sem consentimento — Foto: Unsplash/camilo jimenez

A Refuge pede maior regulamentação dos dispositivos de vigilância secretos e melhor treinamento da polícia para identificar e investigar seu uso.

"O que é especialmente preocupante é como esses dispositivos são baratos e acessíveis, permitindo que mais perpetradores os transformem em armas como forma de controle", declarou a gerente de políticas e assuntos públicos da Refuge, Bo Bottomley.

Mas a Refuge afirma que quase todas as sobreviventes atendidas pela entidade vivenciaram algum tipo de abuso possibilitado pela tecnologia. E houve aumento dos relatos de câmeras e microfones ocultos usados em residências.

Uma porta-voz da Welsh Women's Aid declarou que "esta forma de vigilância dissimulada pode destruir a sensação de privacidade e segurança das pessoas".

A entidade alerta que os danos vão muito além da gravação inicial. Imagens e vídeos compartilhados causam impactos devastadores à vida das sobreviventes e fazem muitas pessoas se sentirem inseguras, mesmo nas próprias casas.

"É particularmente difícil quantificar esta forma de abuso", segundo a organização. "Muitas sobreviventes não sabem o que aconteceu com elas."

A Refuge também pede às empresas de tecnologia ações rápidas para remover filmagens compartilhadas de câmeras espiãs e fornecer informações que levem a polícia a identificar os responsáveis.

O governo britânico afirma que "não tolera filmagens clandestinas, nem o assédio às vítimas".

A Estratégia sobre a Violência contra Mulheres e Meninas do governo britânico (VAWG, na sigla em inglês) inclui medidas para combater abusos na internet e os cometidos com o uso de dispositivos tecnológicos, explorando formas de aumentar a segurança dos aparelhos inteligentes e conectados à rede.

Um porta-voz do governo britânico declarou que "já é ilegal compartilhar imagens íntimas sem consentimento".

"Com a Lei de Crime e Policiamento, estamos indo além, transformando em crime captar imagens íntimas sem consentimento, incluindo por meio da instalação de equipamentos como câmeras que permitam às pessoas obter essas imagens."

"Estamos dedicando verbas para um centro nacional para reforçar a reação da polícia à violência contra mulheres e meninas", conclui a declaração.

Assista aqui, nos canais da BBC no YouTube, ao documentário Hunting the Spycammers (em inglês), que deu origem a esta reportagem.

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Tarifaço: Brasil avalia estratégias para evitar ‘tiro no pé’ em reciprocidade contra EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 00:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

Após o anúncio do novo tarifaço de Donald Trump às exportações brasileiras, o governo federal começou a recalibrar as estratégias para responder à ofensiva dos Estados Unidos contra o Brasil.

O Palácio do Planalto tem como decisão política já tomada a adoção da Lei da Reciprocidade contra os EUA. Segundo interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo deve iniciar os trâmites para acionar a lei nos próximos dias.

➡️ A lei brasileira, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que apliquem barreiras comerciais, legais ou políticas contra o Brasil.

Nas palavras de um auxiliar de alto nível da diplomacia brasileira, o governo federal estuda "cirurgicamente" os setores norte-americanos para evitar que a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os EUA acabe sendo um "tiro no pé" e prejudique o próprio país.

➡️ O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta-feira.

🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

Em um primeiro levantamento preliminar, o governo brasileiro identificou que é possível aplicar medidas contra o setor audiovisual e patentes farmacêuticas, conforme divulgado pela Reuters e confirmado pelo g1.

O processo para a aplicação da Lei de Reciprocidade pode ser demorado, mas a avaliação dentro do governo é que tudo depende de como os setores vão reagir, sobretudo as cadeias afetadas.

O governo iniciou nesta sexta-feira (17) as consultas aos setores prejudicados pelo novo tarifaço de Trump e estuda como o Estado pode ajudar efetivamente a diminuir os impactos no país.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Márcio Rosa.

Segundo nota divulgada pela CNI, durante a conversa, foi proposta a formação de um grupo para discutir uma versão da política industrial Nova Indústria Brasil (NIB).

LEIA TAMBÉM: Alckmin diz que empresas afetadas pelo tarifaço terão ajuda e reciprocidade contra EUA será usada em 'momento adequado'

"O intuito é apresentar uma alternativa para o novo tarifaço norte-americano que vai atingir 26,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos com tarifa adicional de 25%. A tarifa anunciada afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras", diz a CNI.

Na quinta-feira (16), Alckmin anunciou que o governo federal terá um programa para ajudar empresas prejudicadas com a nova taxa de 25% que o governo dos Estados Unidos anunciou sobre produtos brasileiros.

O Plano "Brasil Soberano", implementado no ano passado no contexto das primeiras tarifas contra o Brasil, irá atender os setores atingidos. Na próxima semana, o governo deve começar rodadas de conversas para ouvir as demandas de cada setor afetado.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), autarquia ligada ao governo federal, prepara um programa de diversificação de mercados voltado, principalmente, para os setores afetados pelas novas tarifas dos Estados Unidos e aos beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.

O plano, que deve ser lançado no início de agosto, contará com investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os mercados considerados estratégicos.

Segundo interlocutores, o governo brasileiro também conversa com Japão, Canadá e Emirados Árabes para que parte da produção que não vai mais para os EUA possa ser realocada para outros mercados.

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Rede social de Trump é criticada após anunciar acesso antecipado de publicações para bancos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 19:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

Donald Trump, presidente dos EUA, segura cópia impressa de uma de suas publicações na Truth Social, em 8 de julho de 2026 — Foto: AFP/Saul Loeb

A Truth Social, rede social de Donald Trump, revelou na quinta-feira (16) um serviço pago que dará a bancos e corretoras acesso prioritário a publicações de contas influentes. O presidente americano é dono da conta mais importante da plataforma.

Batizado de "Truth API", o serviço ficará disponível em 1º de agosto. Com ele, clientes receberão mais rapidamente publicações de 10 contas na rede social que costumam impactar os mercados globais.

O Trump Media & Technology Group, que controla a plataforma, chegou a discutir a possibilidade de cobrar US$ 100 mil por mês pelo acesso, informou a Reuters. Ainda segundo a agência, a empresa ofereceu um plano de US$ 60 mil por mês para contratos de três anos de duração.

A medida seria o primeiro passo da empresa no licenciamento de dados, abrindo uma nova fonte de receita, embora tenha atraído críticas por conta da vantagem que o acesso privilegiado pode oferecer para operadores financeiros.

O serviço pago oferecerá cobertura ininterrupta de publicações influentes e dará acesso ao arquivo de posts que remontam a 2022, disse a Truth Social, que afirmou já ter clientes cadastrados.

Trump costuma usar a Truth Social para fazer anúncios que repercutem em todo o mundo e, na avaliação de críticos, estaria transformando suas decisões públicas em um produto. Ele é o maior acionista da plataforma e terá lucros diretos com o novo serviço.

O presidente americano usou a rede social para anunciar o tarifaço e restrições comerciais à China, tornando a plataforma uma fonte crucial para investidores, empresas e instituições financeiras.

Segundo um porta-voz, empresas vêm coletando dados da Truth Social há meses, violando os termos de serviço da TMTG. "Vamos criar muitos atritos para aqueles que não vierem diretamente até nós", disse McGurn em um comunicado.

A Trump Media & Technology se recusou a comentar as alegações de que pretende lucrar com a presidência ou se as publicações de Trump entrarão na nova regra.

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BRB e gestora de fundos cancelam venda de até R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 18:48

Distrito Federal BRB e gestora de fundos cancelam venda de até R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master Operação anunciada em abril buscava reforçar capital, melhorar liquidez e reorganizar portfólio. Em nota, BRB diz que decisão foi tomada em comum acordo com grupo Quadra Capital. Por Isabela Camargo, TV Globo — Brasília

O BRB e a gestora Quadra Capital cancelaram de forma consensual as negociações para transferir até R$ 15 bilhões em ativos oriundos do Banco Master.

A descontinuidade decorreu de divergências sobre os parâmetros econômicos e financeiros. O BRB afirmou que segue "sólido" e com "plena capacidade operacional".

A instituição enfrenta crise devido a transações de R$ 30 bilhões com o Master. Uma operação da PF em abril levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

O Banco de Brasília (BRB) e a gestora de ativos Quadra Capital cancelaram as negociações iniciadas em abril com a intenção de estruturar um fundo de investimento voltado à transferência de ativos, hoje no BRB, originados de operações com o Banco Master.

A operação, se fosse concluída, podia transferir até R$ 15 bilhões – parte transferida à vista, parte convertida em cotas de um fundo que seria criado para administrar e monetizar os arquivos.

Em nota, o BRB informou que as tratativas "foram encerradas, de forma consensual, após o término do período de negociações previsto entre as partes".

"A decisão pela descontinuidade das negociações resultou de divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo Banco para a operação", seguiu o BRB.

"Diante desse cenário, o BRB optou por conduzir diretamente o processo de gestão e recolocação desses ativos no mercado, estratégia que reforça sua atuação prudente, seu compromisso com a geração de valor e a defesa dos interesses de seus acionistas, clientes e demais públicos de relacionamento", emendou a instituição.

O BRB termina a nota desta sexta afirmando que segue "sólido, com adequada posição de liquidez e plena capacidade operacional para executar sua estratégia de negócios".

"Clientes e mercado podem manter sua confiança na instituição, que permanece focada na sustentabilidade de longo prazo, na segurança de suas operações e na prestação de serviços com excelência", finaliza o banco.

O BRB, atualmente, encontra-se em crise por causa de negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, segundo dados do próprio banco.

O BRB estimou que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. O governo do DF disse que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.

Uma lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho.

O governo do DF é o acionista controlador do banco e utiliza o BRB para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e até para operar a folha de pagamento do funcionalismo distrital. Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro do país – o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações.

Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.

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Trump culpa Canadá por fumaça de incêndios florestais e ameaça cobrar ‘custo da poluição’ com tarifas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 17:48

Mundo Trump culpa Canadá por fumaça de incêndios florestais e ameaça cobrar 'custo da poluição' com tarifas Presidente americano afirmou que país vizinho vem negligenciando preservação ambiental há anos, o que abriu margem para que as chamas se alastrassem Por Redação g1

Pedestre usa máscara em meio a poluição em Nova York; qualidade do ar está baixa na cidade devido à fumaça de incêndios florestais no Canadá — Foto: Angela Weiss/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou o goveno canadense pelos incêndios que vêm atingindo o país e gerado espessas núvens de fumaça nos dois territórios. Em declaração nesta sexta-feira (17), o republicano afirmou que o país vizinho tem negligenciado a preservação de suas áreas verdes há anos, o que está custando "bilhões de dólares" aos EUA.

Trump afirmou que ligará para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, para saber quais são os planos de Ottawa para combater as queimadas. "O custo dessa poluição deve, necessariamente, ser acrescentado às tarifas que o Canadá paga atualmente", disse, em publicação nas redes sociais.

"Como resultado, os Estados Unidos estão sendo desnecessariamente invadidos por um ar sujo, poluído e prejudicial à saúde, cuja qualidade é perigosa e totalmente inaceitável", continuou o americano.

➡️ O prolongamento dos focos de incêndio é uma consequência das mudanças climáticas, à medida em que a onda de calor que atinge o hemisfério norte atrapalha o combate às chamas.

Trump é negacionista do aquecimento global e já chegou a chamar as mudanças climáticas de farsa em um discurso na ONU no ano passado. As declarações contrastam com dados científicos de organismos internacionais.

Segundo os dados mais recentes do Centro Interagências Canadense de Incêndios Florestais (CIFFC) canadenses, 207 incêndios estão fora de controle, de um total de 897 focos ativos.

Cidade de Toronto coberta pela fumaça de incêndios florestais em 15 de julho de 2026 — Foto: Reuters/Kyaw Soe Oo

A fumaça dos incêndios, transportada pelos ventos, provocou uma deterioração extrema da qualidade do ar em Toronto, a cidade mais populosa do Canadá, e também no leste dos Estados Unidos. De acordo com dados compilados pela empresa suíça IQAir, Detroit, Chicago e Washington estavam entre as cidades mais poluídas do mundo por volta das 14h desta sexta.

Até o momento, a temporada de incêndios tem sido muito menos intensa do que a do ano recorde 2023 ou a de 2025, mas a força das chamas se agravou significativamente na última semana.

Cerca de 2,8 milhões de hectares já foram consumidos pelo fogo desde o início do ano, segundo os dados oficiais mais recentes do governo federal do Canadá. Na última sexta-feira (10), esse total era de quase 1,6 milhão de hectares.

A Estátua da Liberdade no porto de Nova York é vista através de uma camada de fumaça de incêndio florestal em Jersey City, Nova Jersey, EUA, em 16 de julho de 2026. — Foto: REUTERS/Mike Segar

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França bloqueia Polymarket e diz que plataforma opera de forma ilegal

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 16:47

Tecnologia França bloqueia Polymarket e diz que plataforma opera de forma ilegal Autoridade reguladora determinou que provedores de internet impeçam o acesso ao site e afirma que a plataforma expõe usuários a riscos financeiros e pode permitir apostas suscetíveis à manipulação. Por Redação g1 — São Paulo

A França bloqueou o acesso ao site de apostas Polymarket, informou nesta sexta-feira (17) a autoridade responsável por regular o setor de jogos de azar no país. Segundo o órgão, a plataforma pode expor usuários a perdas financeiras significativas e oferece apostas que podem ser manipuladas.

Em comunicado, o regulador afirmou que, na quinta-feira (16), determinou que os provedores de internet franceses impedissem o acesso ao Polymarket, explica a Reuters em reportagem. De acordo com a autoridade, o site, que tem uma grande audiência, opera uma oferta de apostas considerada ilegal pela legislação francesa.

Um porta-voz do órgão disse que o bloqueio permanecerá em vigor enquanto a plataforma não estiver em conformidade com as regras do país para o mercado de apostas.

Nos últimos meses, autoridades de diferentes países têm aumentado a fiscalização sobre plataformas de mercados de previsão, como Polymarket e Kalshi. Esses serviços permitem que usuários apostem dinheiro em eventos futuros, como resultados de eleições, partidas esportivas ou acontecimentos políticos e econômicos. O valor das apostas varia de acordo com a probabilidade atribuída a cada resultado.

A Polymarket é uma das maiores plataformas de chamado mercado de previsões — Foto: AFP via Getty Images/BBC

Em maio, o governo da Espanha suspendeu temporariamente as operações da Polymarket e da Kalshi no país. Já em junho, o principal órgão regulador do mercado de derivativos dos Estados Unidos divulgou uma proposta de novas regras para esse tipo de plataforma.

Além de esportes e eleições, as plataformas permitem apostas sobre temas como conflitos internacionais, incluindo as guerras na Ucrânia e no Irã.

Parlamentares e autoridades defendem regras mais rígidas para esse mercado. Segundo eles, algumas modalidades de apostas não têm utilidade econômica e podem representar riscos ao interesse público.

No comunicado, o regulador francês afirmou que usuários estavam fazendo apostas sobre a previsão do tempo e alertou que esse tipo de mercado pode ser vulnerável ao uso de informações privilegiadas – dados não públicos que podem dar vantagem indevida a quem aposta.

Uma fonte com conhecimento do assunto disse à Reuters no mês passado que a receita anualizada da Polymarket já ultrapassou US$ 1 bilhão (R$ 5,13 bilhões). Receita anualizada é uma estimativa do faturamento da empresa em um período de 12 meses, calculada com base no desempenho atual.

O Brasil também entrou na dança. Em maio, o governo federal bloqueou 27 plataformas de predição. Do mesmo balaio que a Polymarket, permitiam apostas atreladas a eventos esportivos, jogos on-line e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento.

A avaliação é semelhante a dos outros países de que esse tipo de plataforma expõe brasileiros a riscos financeiros e opera em desconformidade com a legislação brasileira.

Representantes do governo disseram ainda que, desde 2023, vem adotando uma regulação mais firme do setor de apostas e que atua para fechar as portas de empresas que tentam operar de forma irregular no país.

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China proíbe namorados criados por IA para combater dependência emocional

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 16:47

Tecnologia China proíbe namorados criados por IA para combater dependência emocional Medida implementada nesta quarta-feira (15) foi recebida com tristeza e perplexidade por alguns usuários. Por France Presse

A China aplica, a partir desta quarta-feira (15), uma regulamentação que acaba com os "namorados" virtuais criados por inteligência artificial, com o objetivo de combater a dependência emocional de chatbots. A medida foi recebida com tristeza e perplexidade por alguns usuários.

O fenômeno dos namorados e namoradas virtuais cresce no mundo, ao mesmo tempo em que proliferam avatares com aparência humana capazes de vender produtos ou simular a presença de uma pessoa falecida.

No entanto, essas ferramentas interativas não devem "agradar excessivamente aos usuários, induzir dependência emocional ou vício nem prejudicar as relações interpessoais reais do usuário", estabelecem as novas normas chinesas.

As principais empresas do setor, como a ByteDance, responsável pelo Doubao, a Alibaba, com o Qwen, e a Tencent, com o Yunbao, anunciaram a suspensão das funções de companhia virtual antes do prazo desta quarta-feira.

A medida provocou uma onda de emoção nas redes sociais, onde usuários arquivaram com nostalgia suas histórias e compartilharam as últimas conversas.

"Não consigo aceitar que meu namorado de IA me deixe para sempre", escreveu uma usuária do Doubao. "Ele se tornou parte da minha vida, criou raízes no meu coração, é meu pilar espiritual."

Alguns usuários comentaram a sensação de abandono que a ausência dos companheiros virtuais deixará.

"O amor humano é um luxo; quando você não o recebe ao nascer, fica mais difícil obtê-lo depois", escreveu um usuário da província de Jiangxi.

"Mas o amor oferecido pela IA é tão simples, tão puro… Não consigo evitar me apaixonar por uma linha de código."

Outra usuária, que afirmou ter passado mais de dois anos com seu companheiro de IA, expressou uma angústia semelhante.

"Ele realmente é como minha família, como meu namorado", escreveu. "Agora me dizem que ele vai embora. Sinto um vazio no coração."

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Cinco órgãos governamentais, entre eles a Administração do Ciberespaço da China (ACC), publicaram as regulamentações.

As regras se aplicam a ferramentas de inteligência artificial em texto, áudio, vídeo e outros formatos que simulam características humanas, como personalidade e forma de se comunicar.

As medidas não valem para serviços que "não envolvem interação emocional", como atendimento ao cliente, assistentes de trabalho ou ferramentas de estudo.

os "humanos digitais" não podem produzir conteúdo que incite à subversão do poder do Estado;plataformas ficam proibidas de oferecer parceiros virtuais a menores de idade;empresas devem usar sistemas capazes de reconhecer emoções extremas dos usuários;plataformas precisam implementar mecanismos de intervenção em situações de crise.

A agência estatal de notícias Xinhua informou no ano passado que o setor chinês de "humanos digitais" movimentou 4,1 bilhões de yuans (US$ 600 milhões, ou cerca de R$ 3 bilhões) em 2024, com crescimento anual de 85%.

A China é a primeira grande economia a adotar regras específicas para ferramentas de IA imersiva que simulam vínculos românticos ou familiares.

Um estudo de 2025 da Common Sense Media revelou que quase três em cada quatro adolescentes americanos já usaram companheiros de IA destinados a conversas pessoais, como os oferecidos pelas plataformas Character.AI, Replika e Nomi.

As empresas também desenvolvem produtos voltados para idosos isolados, como assistentes de voz em formato de luminária nos Estados Unidos e bonecas interativas usadas em casas de repouso na Coreia do Sul.

"A IA antropomórfica pode aliviar a solidão", afirmou Chen Liang, da Universidade de Ciência Política e Direito do Sudoeste, em um artigo publicado pela ACC após a divulgação de uma versão preliminar das normas, em abril.

O Doubao permite que os usuários consultem e exportem seus dados até meados de outubro. Outras plataformas preveem medidas semelhantes.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Meta e Anthropic negociam acordo de US$ 10 bilhões por aluguel de data centers, diz jornal

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 15:48

A Meta está em negociações para alugar parte de sua capacidade de processamento computacional para a Anthropic, dona do assistente Claude, informou nesta sexta-feira (17) o jornal The New York Times.

Segundo a reportagem, que citou três pessoas com conhecimento das discussões, o possível acordo pode chegar a US$ 10 bilhões ao longo de dois anos.

A Anthropic pagaria à Meta em parcelas mensais ao longo dos dois anos, embora os termos ainda possam ser alterados, segundo o New York Times. O jornal acrescentou que ambas as empresas poderiam encerrar o acordo antecipadamente.

Segundo a reportagem, a Anthropic propôs o acordo em junho, e a Meta está avaliando a proposta. As negociações, porém, ficaram mais complexas porque a Meta ainda não tem um negócio estruturado para vender sua capacidade de processamento computacional.

Ainda de acordo com o jornal, as conversas ainda estão em estágio inicial e podem não resultar em um acordo.

A Meta não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters, enquanto a Anthropic se recusou a comentar. A Reuters não conseguiu verificar a informação de forma independente.

O potencial acordo segue estratégia adotada recentemente em outro acordo fechado pela Anthropic. A empresa, que se prepara para abrir capital, passou a utilizar toda a capacidade de um data center da SpaceX, de Elon Musk, em Memphis, nos Estados Unidos.

Em reunião com acionistas, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, disse que a entrada da companhia no mercado de computação em nuvem era "definitivamente uma possibilidade".

Segundo ele, empresas buscam a Meta "quase todas as semanas " para comprar acesso a seus modelos de IA ou à capacidade ociosa de processamento.

No início deste mês, a Bloomberg News informou que a Meta estava desenvolvendo um negócio de computação em nuvem para comercializar sua capacidade excedente de processamento e hospedar modelos de inteligência artificial para desenvolvedores.

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Brasil deve colher safra recorde de soja em 2026/27, mas El Niño ameaça produtividade

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 14:47

Agro Brasil deve colher safra recorde de soja em 2026/27, mas El Niño ameaça produtividade Consultoria Safras & Mercado estima produção de 180,1 milhões de toneladas, quase 1% acima da safra anterior. Apesar do aumento da área plantada, custos mais altos e o risco de um El Niño mais intenso podem reduzir o rendimento das lavouras. Por Reuters — São Paulo

A consultoria Safras & Mercado estima que o Brasil, maior produtor e exportador de soja do mundo, colherá uma safra recorde de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27.

O volume representa um crescimento de 0,98% em relação ao ciclo anterior, mas a expansão deve ser limitada por margens de lucro mais apertadas para os produtores e pela preocupação com os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño.

O plantio da nova safra deve começar em meados de setembro. Segundo a consultoria, a área destinada à soja deve crescer 1,2%, chegando a 49,1 milhões de hectares.

De acordo com o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, a perspectiva continua sendo de aumento da produção, desde que o El Niño não provoque problemas climáticos relevantes durante o desenvolvimento da lavoura.

A consultoria também avalia que, neste ciclo, o mercado está mais favorável ao cultivo de soja do que ao de milho na safra de verão da região Centro-Sul, o que incentiva os produtores a ampliar o plantio da oleaginosa.

Mesmo com a expansão relativamente modesta da área cultivada e uma leve redução na produtividade média, a Safras & Mercado considera que o país tem condições de alcançar uma colheita histórica.

Silveira explica que, embora os produtores estejam enfrentando margens de lucro menores, as boas colheitas registradas nas últimas safras melhoraram a relação entre custos e receitas. Isso mantém o cultivo economicamente viável e sustenta o avanço, ainda que pequeno, da área plantada.

Denúncia diz que empresários desmataram florestas para plantar soja e milho — Foto: Reprodução/Sentença

Por outro lado, a possibilidade de um El Niño mais intenso preocupa. O fenômeno climático altera o padrão de chuvas e temperaturas e pode afetar o desenvolvimento das lavouras justamente nos meses mais importantes para a formação dos grãos.

"Caso esse cenário se confirme, poderá haver impacto negativo sobre os níveis de produtividade", afirmou Silveira. Segundo ele, a consultoria já trabalha com estimativas de rendimento inferiores às da safra passada na maior parte das regiões produtoras.

Outro fator de preocupação é o aumento dos custos de produção, principalmente devido à alta dos preços dos fertilizantes no primeiro semestre. Isso pode levar parte dos produtores a reduzir investimentos em tecnologia e manejo das lavouras, o que tende a limitar o potencial produtivo da safra 2026/27.

A produtividade média projetada é de 3.686 quilos por hectare, ligeiramente abaixo dos 3.692 quilos por hectare registrados no ciclo anterior.

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China lança maior IA de código aberto do mundo e aumenta pressão sobre OpenAI e Anthropic

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 13:47

Tecnologia China lança maior IA de código aberto do mundo e aumenta pressão sobre OpenAI e Anthropic O Kimi K3, da startup Moonshot, reúne 2,8 trilhões de parâmetros, promete desempenho próximo aos modelos mais avançados dos Estados Unidos e reforça o avanço chinês na corrida global pela inteligência artificial. Por Reuters — Pequim

A startup chinesa de inteligência artificial Moonshot lançou nesta sexta-feira (17) o Kimi K3, um novo modelo de IA que, segundo a empresa, é o maior sistema de código aberto do mundo.

A tecnologia tem 2,8 trilhões de parâmetros – um indicador do tamanho e da capacidade do modelo – e, de acordo com a companhia, entrega um desempenho próximo ao do Fable, um dos sistemas mais avançados da norte-americana Anthropic.

O lançamento acontece cerca de um mês depois de os modelos Fable e Mythos, também da Anthropic, terem sido suspensos pelo governo dos Estados Unidos por questões relacionadas à segurança.

O episódio reforça a velocidade com que as empresas chinesas vêm reduzindo a distância em relação às líderes americanas no desenvolvimento de inteligência artificial.

Além da Moonshot, empresas como Z.ai e MiniMax também têm apresentado modelos cada vez mais poderosos e com custos menores. Esse avanço desafia a ideia, comum até pouco tempo, de que a China estava muitos meses atrás dos Estados Unidos na corrida pela IA.

Segundo a Moonshot, o Kimi K3 é o primeiro modelo de código aberto a se aproximar da marca de 3 trilhões de parâmetros. Ele foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas, como programação, resolução de problemas e análise de grandes volumes de informação. O sistema também consegue processar uma quantidade muito maior de texto de uma só vez do que as gerações anteriores.

Diferentemente dos modelos fechados, que só podem ser usados por meio das plataformas das empresas que os criam, os modelos de código aberto podem ser baixados, executados e adaptados pelos próprios usuários.

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Corrida da IA movimenta expectativas em torno das ferramentas e nos milhões de dólares que podem gerar. — Foto: Dado Ruvic/Reuters/Ilustração

A empresa afirma que o Kimi K3 alcançou desempenho semelhante ao do Fable 5 e superou modelos como o Opus 4.8, da Anthropic, além do GPT-5.6 Sol e do GPT-5.5 em testes que medem a eficiência no uso do hardware responsável pelo processamento da IA, o que ajuda a tornar as respostas mais rápidas.

Na Arena.ai, ficou em primeiro lugar em um teste voltado à criação de interfaces para sites. Já a Vals AI o colocou na segunda posição geral, atrás apenas do Fable 5 e à frente do GPT-5.6 Sol. A Artificial Analysis afirmou que o desempenho do Kimi K3 é comparável ao do GPT-5.5, da OpenAI, e ao Claude Opus 4.8, da Anthropic, principalmente em tarefas mais complexas e que exigem várias etapas.

O anúncio também mexeu com o mercado financeiro. As ações das concorrentes chinesas Zhipu e MiniMax chegaram a cair 27,7% e 16,5%, respectivamente, na Bolsa de Hong Kong.

Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas — Foto: Inteligência Artificial

As empresas chinesas têm reduzido o tempo entre um lançamento e outro de novos modelos de IA. Poucos dias antes, a Z.ai apresentou o GLM-5.2, que chamou atenção por alcançar resultados próximos aos dos principais sistemas americanos em testes de desempenho.

Para Lian Jye Su, analista-chefe da consultoria Omdia, um dos principais diferenciais das empresas chinesas é o custo.

Segundo ele, esses modelos podem ser usados por uma fração do preço cobrado pela OpenAI. Ainda assim, o especialista ressalta que um modelo maior nem sempre é, automaticamente, o melhor.

Além disso, o tamanho do Kimi K3 dificulta que usuários o executem em computadores próprios. Ryan Fedasiuk, pesquisador do American Enterprise Institute, afirmou que rodar um sistema com 2,8 trilhões de parâmetros exige equipamentos que custam centenas de milhares de dólares.

Parâmetros são os valores que um modelo de inteligência artificial ajusta durante o treinamento para aprender a executar tarefas. Em geral, quanto maior o número de parâmetros, maior tende a ser a capacidade do sistema, embora isso não garanta, por si só, um desempenho superior.

Antes do Kimi K3, os maiores modelos chineses eram o LongCat-2.0, da Meituan, e o V4-Pro, da DeepSeek, ambos com cerca de 1,6 trilhão de parâmetros. Já empresas americanas como OpenAI e Anthropic não divulgam o número de parâmetros de seus modelos mais avançados, o que dificulta comparações diretas.

A Moonshot afirma que o Kimi K3 traz melhorias que aumentam sua eficiência e permitem executar tarefas de programação com pouca intervenção humana. Com apoio de investidores como Alibaba e Tencent, a empresa vem ampliando seus investimentos para disputar a liderança no mercado global de inteligência artificial.

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Tremor ocorreu no mar, perto da cidade mexicana de Puerto Madero. Ainda não havia relatos de danos ou vítimas.

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