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Como a China passou anos se preparando para uma crise mundial do petróleo e qual é o seu ponto fraco

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 11:19

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,239-0,33%Dólar TurismoR$ 5,4550,1%Euro ComercialR$ 6,043-0,22%Euro TurismoR$ 6,2970,02%B3Ibovespa182.733 pts-1,45%MoedasDólar ComercialR$ 5,239-0,33%Dólar TurismoR$ 5,4550,1%Euro ComercialR$ 6,043-0,22%Euro TurismoR$ 6,2970,02%B3Ibovespa182.733 pts-1,45%MoedasDólar ComercialR$ 5,239-0,33%Dólar TurismoR$ 5,4550,1%Euro ComercialR$ 6,043-0,22%Euro TurismoR$ 6,2970,02%B3Ibovespa182.733 pts-1,45%Oferecido por

A China se prepara há tempos para um possível choque no abastecimento de petróleo do Golfo Pérsico. Mas a interrupção da rota marítima estratégica que atravessa o Estreito de Ormuz, provocada pela guerra no Irã, está colocando esta resistência à prova.

As exportações de petróleo e gás do Oriente Médio foram interrompidas depois que o Irã ameaçou responder aos ataques americanos e israelenses com ataques próprios aos navios que atravessassem o estreito.

O bloqueio provocou uma escassez mundial de petróleo que atinge em cheio os países asiáticos que dependem das rotas do Golfo.

As Filipinas impuseram semanas de trabalho de quatro dias para economizar combustível e a Indonésia busca formas de evitar o esgotamento das suas reservas, suficientes para apenas algumas semanas.

Mas Pequim parte de uma posição mais sólida que a dos seus vizinhos, após anos de diplomacia e planejamento estratégico, voltados à preparação para uma crise energética global.

A economia mundial entrou em uma fase de turbulências, desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, no final de fevereiro.

Os preços do petróleo dispararam nas últimas semanas, chegando perto dos US$ 120 por barril em alguns momentos.

Eles foram impulsionados pelos ataques contra navios e a infraestrutura de energia. Isso sem falar no fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, a rota marítima mais trafegada do mundo para transporte de petróleo.

Passam pelo estreito cerca de 20% do petróleo mundial, ou cerca de 20 milhões de barris diários, segundo estimativas da Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês).

A escassez obrigou os países a procurar fornecedores alternativos fora do Golfo Pérsico, enquanto outros começaram a recorrer às suas próprias reservas estratégicas.

A China é o segundo maior consumidor de petróleo do mundo, depois dos Estados Unidos. O país asiático consome entre 15 e 16 milhões de barris por dia, segundo diversos analistas de mercado consultados pela BBC.

A maior parte se destina ao seu vasto sistema de transporte, composto por automóveis, caminhões e aviões. E grande parte do petróleo consumido vem do exterior.

Os países do Golfo são uma fonte importante do petróleo que chega à China. A Arábia Saudita e o Irã representam, cada um, mais de 10% das importações chinesas, segundo dados da EIA.

A maior parte do petróleo importado pela China procede do Irã e do Oriente Médio, através do mar do Sul da China. Ele é empregado como combustível para manter as atividades das fábricas e o transporte, especialmente na metade sul do país.

Já o norte depende principalmente do petróleo extraído dos campos petrolíferos em território chinês, além das importações por oleoduto da Rússia, que não foram afetadas pela guerra no Oriente Médio.

Enquanto muitos países asiáticos dependem, em grande parte, do petróleo dos países do Golfo, o petróleo russo representa cerca de 20% das importações chinesas. Com isso, Moscou passou a ser o maior fornecedor de petróleo de Pequim, mesmo com as sanções impostas pelos Estados Unidos e pela Europa.

O carvão segue sendo a principal fonte de geração de energia elétrica na China e é abundante no país. A China é o maior produtor mundial de carvão e concentra mais da metade da produção global.

O petróleo e o gás, por outro lado, representam pouco mais de 25% do conjunto da matriz energética chinesa, segundo estimativas publicadas na imprensa estatal. Este número indica que o país depende menos desses recursos que a Europa ou os Estados Unidos.

Pequim aproveita há anos os baixos preços do petróleo e a abundância de fornecimento proveniente dos países do Golfo para formar uma das maiores reservas do mundo, explica a chefe de estratégias de matérias-primas do Saxo Bank, Ole Hansen.

Somente entre janeiro e fevereiro deste ano, a China comprou 16% a mais de petróleo que no mesmo período do ano anterior, segundo a administração de alfândegas do país.

O petróleo do Irã sofre sanções dos Estados Unidos, mas a República Islâmica se transformou em um dos principais fornecedores de petróleo barato para a China. Diversos relatórios indicam que Pequim compra mais de 80% das exportações iranianas de petróleo.

Os dados de acompanhamento de navios coletados desde o início da guerra no Irã indicam que parte desse petróleo continua chegando à China, mas os analistas discordam sobre o tamanho exato das reservas petrolíferas chinesas.

Segundo o grupo de análises comerciais Kpler, mais de 46 milhões de barris de petróleo iraniano estão atualmente armazenados em petroleiros ao longo do mar do Sul da China. Eles são suficientes para cobrir o consumo de vários dias.

Hansen afirma que as estimativas indicam que a China acumulou reservas de cerca de 900 milhões de barris, o equivalente a pouco menos de três meses de importação.

Números da Universidade Columbia, mencionados pela imprensa estatal chinesa, elevam as reservas de petróleo do país para cerca de 1,4 bilhão de barris.

Também não se sabe ao certo quanta energia importada a China consome por dia e quanto é desviado para suas reservas estratégicas, destaca Hansen. Ainda assim, o volume total forma um "colchão substancial" em momentos de interrupção do fornecimento.

Apesar de contar com reservas consideráveis, Pequim demonstrou sinais de cautela para gerenciar seu abastecimento a curto prazo.

Existem informações de que as autoridades chinesas teriam ordenado que as refinarias do país suspendessem temporariamente a exportação de combustíveis, para tentar conter os preços internos.

A BBC consultou o governo chinês a este respeito, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

A China passou a ser líder mundial na produção de energia verde, com a instalação acelerada de parques eólicos e solares em todo o país.

O Escritório Nacional de Estatísticas de Pequim indica que a energia eólica, nuclear, solar e hidroelétrica gerou mais de um terço da eletricidade chinesa em 2025.

Desde então, a China ampliou consideravelmente sua rede de energias renováveis. Estimativas indicam que mais da metade da sua capacidade instalada procede atualmente de fontes limpas.

E, como resultado deste impulso às energias renováveis, o petróleo representou apenas cerca de 20% do consumo total de energia do país em 2024. E a demanda de petróleo dificilmente voltará a aumentar no futuro, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

O pesquisador em economia energética Roger Fouquet destaca que a "ambiciosa" transição da China rumo às energias renováveis não responde apenas a motivações ambientais. Ela também contribuiu para proteger sua economia contra riscos globais, como os observados no conflito no Irã.

"De certa forma, a China teve a sorte de ter iniciado seus investimentos em energia renovável 25 anos atrás", explica ele. "E, agora, está colhendo os frutos."

Os veículos elétricos representam pelo menos um terço dos automóveis novos vendidos no país. Eles também ajudaram a reduzir a dependência chinesa do petróleo, segundo Roc Shi, da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália.

"Isso significa que o proprietário de um veículo elétrico em Pequim simplesmente não sente o impacto na bomba de combustível quando aumenta a tensão no Oriente Médio", explica ele. "Seus custos de mobilidade não estão relacionados aos mercados internacionais de petróleo."

Mas isso não significa que a economia chinesa seja imune à interrupção do abastecimento de petróleo.

Para os donos de veículos elétricos, os custos do carregamento podem aumentar durante uma crise energética, se os preços dos combustíveis aumentarem.

Na semana passada, os preços da gasolina e do óleo diesel aumentaram, respectivamente, em 695 yuanes (cerca de US$ 100 ou R$ 525) e 670 yuanes (cerca de US$ 97 ou R$ 509) por tonelada, segundo o jornal estatal China Daily, mencionando um relatório oficial.

No caso das fábricas chinesas, o encarecimento do petróleo também pode aumentar os custos da enorme indústria petroquímica do país, responsável pela produção de plásticos, fertilizantes e outros produtos químicos.

A China, como maior importador de energia do mundo, pagará agora um preço mais alto por barril devido à guerra, segundo Shi. Mas não terá outra opção a não ser assumir esse custo adicional.

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Competição de três tambores reúne milhares de participantes em Tietê

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 08:00

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Competição de três tambores reúne milhares de participantes em Tietê Evento no Haras Rafaela abre temporada de 2026 e deve movimentar mais de R$ 18 milhões no ano. Por Nosso Campo, TV TEM

A temporada 2026 das competições de três tambores começou em Tietê (SP), reunindo milhares de participantes e movimentando o setor equestre.

A prova, considerada uma das maiores da América Latina, atrai competidores, público e investimentos.

Na arena, cavalos e cavaleiros enfrentam um percurso triangular que exige velocidade e precisão para ser concluído no menor tempo possível.

Realizada no Haras Rafaela, a competição reúne mais de 7,5 mil participantes e cerca de 1,5 mil cavalos.

Competidores participam de prova de três tambores durante evento que reúne milhares de atletas e cavalos em Tietê (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução

A temporada 2026 das competições de três tambores começou em Tietê (SP), reunindo milhares de participantes e movimentando o setor equestre. A prova, considerada uma das maiores da América Latina, atrai competidores, público e investimentos.

Na arena, cavalos e cavaleiros enfrentam um percurso triangular que exige velocidade e precisão para ser concluído no menor tempo possível. Além da habilidade dos competidores, o preparo e os cuidados com os animais são fundamentais para o desempenho nas provas.

O público acompanha de perto cada disputa e vibra com as apresentações. Para muitos, não é preciso ser especialista para aproveitar o evento. É o caso do empresário Luca Foresto, que aproveitou o dia para levar a família e conhecer a competição.

Realizada no Haras Rafaela, a competição reúne mais de 7,5 mil participantes e cerca de 1,5 mil cavalos. A estrutura conta com 20 mil metros quadrados de área coberta, duas arenas para provas, além de espaços destinados a treinamento, aquecimento e acomodação dos animais.

O evento marca o início da temporada, que deve ter de duas a três competições por mês em Tietê. Ao todo, são 28 categorias divididas por faixas etárias, que vão desde crianças a partir de quatro anos até adultos com mais de 40.

A modalidade também tem impacto econômico significativo. Em 2025, as competições movimentaram mais de R$ 15 milhões, e a expectativa para este ano é ultrapassar R$ 18 milhões.

Somente neste primeiro evento de 2026, a premiação total foi de R$ 1,5 milhão. Segundo a organização, os valores distribuídos em prêmios são um dos principais fatores que impulsionam o volume financeiro do setor.

Entre os competidores, a empresária Bárbara Moraes veio de Rio Branco (AC) em busca do prêmio de R$ 15 mil destinado ao campeão da categoria, mas destacou a experiência de participar do evento em Tietê.

A nova geração também marcou presença. A competidora Isadora Shayeb Dosso, de dez anos, participou das provas ao lado de atletas de diferentes idades.

Com disputas acirradas, público presente e premiação elevada, a temporada de três tambores começa aquecida e com expectativa de crescimento ao longo do ano.

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Produtores de leite enfrentam queda no preço e aumento de custos no interior de SP

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 08:00

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Produtores de leite enfrentam queda no preço e aumento de custos no interior de SP Com margens apertadas, estratégia tem sido vender animais para manter investimentos na produção. Por Nosso Campo, TV TEM

Produtores de leite enfrentam um cenário de custos em alta e queda no preço pago pelo produto no interior de São Paulo.

Neste ano, o valor por litro caiu mais de R$ 0,90 em comparação com o mesmo período de 2025, o que tem pressionado a renda no campo.

Em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, a produção de leite sustenta a família do produtor Alex Menezes.

Com os custos mais altos e o preço mais baixo, a saída encontrada por Alex tem sido vender alguns animais para não interromper os investimentos.

Produtor investe em sistema de piquetes irrigados para manter a qualidade da alimentação do gado e garantir a produção de leite em Sandovalina (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução

Produtores de leite enfrentam um cenário de custos em alta e queda no preço pago pelo produto no interior de São Paulo. Neste ano, o valor por litro caiu mais de R$ 0,90 em comparação ao mesmo período em 2025, o que tem pressionado a renda no campo.

Em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, a produção de leite sustenta a família do produtor Alex Menezes. Ele tem 27 vacas da raça Girolândia, sendo 17 em lactação que produzem, diariamente, 170 litros de leite.

A produtividade só é possível por causa do investimento em um sistema de piquetes irrigados, que mantém o pasto em boas condições e garante alimentação de qualidade ao gado.

Para continuar produzindo, no entanto, é preciso seguir investindo — e esse tem sido o principal desafio. Com os custos mais altos e o preço mais baixo, a saída encontrada por Alex tem sido vender alguns animais para não interromper os investimentos.

Segundo ele, o custo de produção é de R$ 1,63 por litro, enquanto a venda é feita a R$ 1,80, diferença considerada insuficiente para manter melhorias na propriedade.

Mesmo com o cenário desfavorável, a produção não parou. No ano passado, foram produzidos quase 82 mil litros de leite no estado, 32 mil a mais do que os 50 mil litros registrados em 2024, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA).

De acordo com o engenheiro agrônomo José Wanderley Quintero, que presta assistência técnica por meio do Senar, há pelo menos três anos os produtores enfrentam dificuldades para equilibrar custos e ganhos. Em 2026, a situação está ainda mais instável, influenciada também pelo aumento da importação de leite em pó.

A produtora rural Cristina Hattori, de Ameliópolis, afirma que nunca viu preços tão baixos em 16 anos de trabalho. No ano passado, ela vendeu três animais para comprar insumos e manter os piquetes irrigados.

Segundo especialistas, a venda de animais, como fizeram Cristina e Alex, é uma estratégia possível, mas exige atenção ao momento certo para não comprometer a produção.

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Guerra no Oriente Médio eleva custos dos insumos agrícolas e preocupa produtores do interior de SP

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 08:00

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Guerra no Oriente Médio eleva custos dos insumos agrícolas e preocupa produtores do interior de SP A suspensão de fertilizantes por Rússia e China, somada ao aumento nos custos do diesel devido à guerra no Oriente Médio, fez com que produtores buscassem alternativas para conter os impactos. Por Nosso Campo, TV TEM

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Realizada no Haras Rafaela, a competição reúne mais de 7,5 mil participantes e cerca de 1,5 mil cavalos.

Crise global eleva custos e faz produtores do interior buscarem alternativas — Foto: Reprodução/TV TEM

Produtores do interior de São Paulo estão em alerta diante dos reflexos da guerra no Oriente Médio, que já atingem diretamente o agronegócio brasileiro. A preocupação aumentou após a Rússia, responsável por cerca de 25% dos fertilizantes no mercado global, suspender as vendas nesta semana, medida que já havia sido adotada pela China.

No Brasil, os efeitos são imediatos: alta nos preços do diesel e dos fertilizantes, insumos essenciais para a produção agrícola. O aumento pressiona os custos e acende um sinal de alerta, especialmente no setor sucroenergético.

Segundo Júlio Cesar Moreira, gerente executivo da (Associação dos Plantadores de Cana (Aplacana) da região de Monte Aprazível (SP), o diesel, que representa de 30% a 35% dos custos, registrou aumento entre 20% e 25%. Já os fertilizantes subiram cerca de 20%, além do encarecimento do frete.

Diante desse cenário, produtores têm buscado alternativas para reduzir gastos, como o uso de insumos orgânicos e a limitação das operações ao essencial. Ainda assim, Moreira alerta que, mesmo com o fim das restrições no mercado internacional, os efeitos devem demorar a chegar ao produtor final.

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VÍDEO: Porco nasce com ‘duas faces’ em propriedade rural no ES; caso é raro

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 05:53

Espírito Santo Agronegócios VÍDEO: Porco nasce com ‘duas faces’ em propriedade rural no ES; caso é raro Animal não consegue mamar sozinho e é alimentado com leite em seringa. Ideia foi do filho da família, de 18 anos, que tem transtorno do espectro autista. Especialista explica que condição do porco dificulta funções básicas. Por Juirana Nobres, g1 ES

Um porquinho nasceu com uma malformação rara na zona rural de Alfredo Chaves, na Região Serrana do Espírito Santo.

O animal tem um só corpo, quatro patas e duplicação da face, condição conhecida como diprosopia.

O caso foi registrado na última quinta-feira (26), na localidade de Recreio, em uma propriedade de criação de porcos da Cláudia Pastori e do esposo Sidimar Parteli Sartori.

Segundo a produtora, a porca deu à luz 9 filhotes, mas dois morreram. O leitão com a anomalia não consegue ficar de pé nem mamar sozinho.

Um porquinho nasceu com uma malformação rara na zona rural de Alfredo Chaves, na Região Serrana do Espírito Santo. O animal tem um só corpo, quatro patas e duplicação da face, condição conhecida como diprosopia.

O caso foi registrado na última quinta-feira (26), na localidade de Recreio, em uma propriedade de criação de porcos da Cláudia Pastori e do esposo Sidimar Parteli Sartori.

“Não tinha acontecido isso até então, é o primeiro. A gente achou interessante porque nunca tinha visto, os porquinhos sempre nasceram perfeitos. Nos assustamos e ficamos preocupados de como iríamos cuidar dele, pois nunca tínhamos passado por isso”, contou Cláudia ao g1.

Porco nasce com ‘duas faces’ em propriedade rural no Espírito Santo; caso é raro — Foto: Arquivo pessoal

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Segundo a produtora, a porca deu à luz nove filhotes, mas dois morreram. O leitão com a anomalia não consegue ficar de pé nem mamar sozinho e por isso precisou ser separado dos demais.

Ele passou a ser alimentado com leite por meio de seringa. “Ele consegue se alimentar pelas duas bocas, mas é um ser só. O resto do corpo é completamente normal, é um macho normal”, explicou Sidimar.

A alternativa para manter o animal vivo veio do filho de Cláudia, Kaique, de 18 anos, que tem transtorno do espectro autista grau 1.

"Meu filho deu a idéia de tratar o porco com leite na seringa e também colocou uma lâmpada acesa em cima dele para deixar ele quentinho. Improvisou uma forma de aquecer o animal, com o uso de uma lâmpada. kaique é tranquilo nessas situações, o autismo só atrapalha socializar com as pessoas, mas ele é muito inteligente", contou a lavradora orgulhosa do filho.

Segundo orientação de uma estudante de veterinária à família, o animal tem poucas chances de sobrevivência.

De acordo com o médico veterinário e professor do Departamento de Patologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Breno Salgado, o caso é classificado como diprosopia e raro.

“É a duplicação parcial ou completa da face em um único indivíduo, o que é diferente da policefalia, quando o animal nasce com mais de uma cabeça”, explicou.

Segundo o especialista, os animais podem apresentar duas bocas e dois focinhos, o que dificulta funções básicas.

“A maioria dos leitões com essa alteração nasce morta ou morre poucas horas após o nascimento, devido a dificuldades respiratórias e de alimentação”, disse.

“Ela pode estar associada a fatores genéticos, como consanguinidade, exposição a toxinas, substâncias químicas ou deficiências nutricionais, além de alterações no funcionamento de genes”, afirmou.

Apesar disso, não há formas de prevenção ou tratamento para a condição. O especialista também orientou que animais com esse tipo de alteração não sejam consumidos.

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Material comum em cozinhas vira alvo de batalha judicial após casos de doença pulmonar em trabalhadores

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 04:58

Trabalho e Carreira Material comum em cozinhas vira alvo de batalha judicial após casos de doença pulmonar em trabalhadores Reportagem do New York Times mostra como a poeira gerada no corte de bancadas de quartzo pode causar silicose, e desencadeou processos e debate no Congresso dos EUA. Por Redação g1 — São Paulo

Um material comum em bancadas de cozinha está ligado a casos de silicose entre trabalhadores que cortam e moldam o produto, segundo The New York Times.

A doença pulmonar é causada pela inalação de poeira liberada durante o corte das placas, um processo comum em oficinas que fabricam bancadas.

O aumento de diagnósticos entre esses profissionais levou a uma onda de processos judiciais contra fabricantes e distribuidores do material nos Estados Unidos.

Empresas do setor afirmam que o produto é seguro e que o problema está nas condições de trabalho nas oficinas que fazem o corte.

Diante da disputa, parlamentares discutem um projeto que pode dar aos fabricantes proteção legal semelhante à existente para setores como o de vacinas e armas.

Um material comum em milhões de cozinhas está no centro de um debate cada vez mais intenso nos Estados Unidos. O quartzo utilizado em bancadas — alternativa ao mármore e ao granito — tem sido associado a casos de silicose, doença pulmonar grave provocada pela inalação de poeira mineral.

De acordo com o jornal "The New York Times", o aumento de diagnósticos entre trabalhadores que cortam e moldam essas placas abriu uma disputa entre empresas, profissionais do setor, médicos e advogados. O tema chegou ao Congresso americano.

Um projeto em análise poderia colocar o quartzo na mesma categoria jurídica de produtos como vacinas e armas de fogo, que contam com proteção federal contra determinados processos por danos.

Trabalhadores e especialistas em saúde ocupacional afirmam que a poeira liberada durante o corte do material pode ser extremamente perigosa — e que os mais expostos são justamente os profissionais responsáveis por transformar as placas em bancadas de cozinha.

Antes de chegarem às residências, as placas de quartzo passam por um processo de produção que inclui corte, lixamento e acabamento.

Segundo o jornal, grandes chapas de pedra artificial são enviadas a oficinas especializadas, onde trabalhadores usam serras e lixadeiras para moldar o material e criar aberturas para pias, torneiras e cantos das bancadas.

Segundo o jornal, essas partículas microscópicas podem se alojar nos pulmões quando inaladas. O organismo passa a tratá-las como corpos estranhos e desencadeia uma resposta inflamatória. Com o tempo, o tecido pulmonar desenvolve cicatrizes que reduzem a capacidade respiratória.

Jeff Rose, de 55 anos, trabalhou por anos esculpindo bancadas de quartzo em Georgetown, no estado de Kentucky. Era um trabalho de que gostava, que exigia habilidade manual e criatividade. Hoje, o ex-cortador convive com a silicose.

"Adoro ser criativo com as minhas mãos. Não consigo mais fazer isso", disse Rose em entrevista ao The New York Times.

O filho dele, Skyler, de 30 anos, seguiu o mesmo caminho profissional e também trabalhou cortando placas de quartzo. Assim como o pai, acabou diagnosticado com a doença, segundo a reportagem.

Os dois fazem parte de centenas de trabalhadores da indústria de pedra que desenvolveram silicose nos Estados Unidos, segundo levantamento citado pelo jornal.

Outro caso mencionado pelo jornal é o de Wade Hanicker, de 39 anos, que começou a cortar bancadas na Flórida há cerca de 15 anos.

Ele relatou ao jornal que muitas oficinas eram pequenos negócios familiares e que os ambientes frequentemente ficavam tomados pela poeira.

“Muitas vezes cortávamos a seco”, afirmou Hanicker, referindo-se ao processo sem uso de água para conter o pó.

Hoje ele também convive com a silicose. A doença trouxe outras complicações e reduziu sua capacidade física.

A pneumologista Jane C. Fazio começou a identificar um padrão entre pacientes atendidos no pronto-socorro do Olive View-UCLA Medical Center.

Segundo ela contou ao The New York Times, vários pacientes tinham o mesmo histórico profissional: trabalhar com bancadas de pedra.

“Todos deram a mesma resposta”, disse Fazio em entrevista ao jornal. “Eles trabalham com bancadas.”

Dados do departamento de saúde pública da Califórnia, citados pelo The New York Times, apontam 512 casos de silicose ligados à pedra artificial e 29 mortes desde 2019.

Com o avanço dos diagnósticos, também cresceram os processos judiciais contra fabricantes e distribuidores de pedra artificial.

Segundo o The New York Times, um júri em Los Angeles determinou, em 2024, o pagamento de US$ 52,4 milhões a um ex-trabalhador que processou empresas do setor.

Rebecca Shult, diretora jurídica da fabricante Cambria, afirmou em depoimento ao Congresso — citado pelo The New York Times — que o problema estaria nas condições de trabalho de algumas oficinas.

“O problema está no processo, não no produto”, disse ela durante audiência legislativa, segundo o jornal.

O projeto em discussão no Congresso atribui às oficinas que cortam as placas e aos órgãos reguladores do trabalho a responsabilidade pela segurança.

Segundo médicos ouvidos pelo jornal, esse número pode crescer, já que a doença leva anos para se manifestar após a exposição.

Especialistas em saúde ocupacional consultados pelo The New York Times afirmam que as normas atuais podem não ser suficientes para proteger os trabalhadores.

O epidemiologista David Michaels, que chefiou a Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA entre 2009 e 2017, afirmou ao Congresso que os padrões de exposição à sílica podem estar desatualizados.

Segundo ele, a indústria deveria considerar alternativas mais seguras, como materiais feitos com vidro reciclado. Enquanto o debate avança em Washington, trabalhadores continuam enfrentando os efeitos da doença.

Jeff Rose disse ao The New York Times que se sente dividido: quer que a indústria aumente a segurança, mas teme que a onda de processos prejudique as empresas do setor.

"O que eu almejo é ser um líder neste setor e fazer as coisas da maneira correta", afirmou ao jornal.

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Ovos de Páscoa com jaca, kiwi, manga e jabuticaba viram aposta de produtor para driblar alta no preço do chocolate

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 04:58

Espírito Santo Agronegócios Ovos de Páscoa com jaca, kiwi, manga e jabuticaba viram aposta de produtor para driblar alta no preço do chocolate Apesar da queda no valor do cacau nas lavouras, consumidores ainda não veem redução nos preços dos chocolates. Isso motivou produtor de Santa Teresa, no Espírito Santo, a inovar nas receitas. Por Alice Sousa, Julia Camim, g1 ES e TV Gazeta

Produtor capixaba de chocolates, de Santa Teresa, está inovando nas receitas para agregar valor aos ovos de Páscoa neste ano.

As opções inovadoras incluem frutas como jaca, kiwi, manga, jabuticaba e castanha de sapucaia aos ovos tradicionais.

A expectativa do chocolateiro, que investiu em um desidratador para aumentar a vida útil das frutas utilizadas, é aumentar as vendas em até 15% nesta Páscoa.

As receitas inovadoras são uma estratégia para reduzir prejuízos e driblar preços elevados causados pela queda na produção do cacau em 2024.

Para agregar valor aos ovos de Páscoa neste ano, um produtor capixaba de chocolates, de Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo, está inovando nas receitas. As opções inovadoras incluem frutas como jaca, kiwi, manga, jabuticaba e castanha de sapucaia aos ovos tradicionais.

O responsável pelos sabores inusitados é o produtor rural e empresário Marcos Rediguieri, que teve a ideia de trabalhar com produtos da Mata Atlântica e da propriedade rural para criar as receitas autorais.

A expectativa do chocolateiro, que investiu em um desidratador para aumentar a vida útil das frutas utilizadas, é aumentar as vendas em até 15% nesta Páscoa.

"A jaca eu posso dizer que é o carro-chefe. O pessoal tem procurado bastante o nosso chocolate branco com jaca, que é um sabor bem especial. E a gente tem notado um aumento nas nossas vendas nos últimos anos", disse.

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Alta nos valores do chocolate motivou produtor de Santa Teresa, no Espírito Santo, a inovar nas receitas de ovos de Páscoa. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

A fábrica que faz os chocolates vendidos por Marcos fica nas proximidades da propriedade rural. Lá, os produtos são fabricados de forma artesanal pela família Rediguieri, do começo ao fim.

A plantação inicial foi feita em 2012 com variedade de cacau Parazinho. No entanto, ao assumir as terras dos pais, no distrito de 25 de Julho, o produtor enxertou espécies selecionadas que são mais produtivas e resistentes a pragas.

Atualmente, a propriedade produz 1 tonelada e meia de cacau fino por ano, que se transforma em 3 toneladas de chocolate. Para o empresário, o produto capixaba tem um potencial único.

"Cada chocolate do Espírito Santo, dependendo do clima, do solo, da terra em que o cacau foi cultivado, pode ter aromas e sabores diferentes. Então, há uma diversidade enorme no estado hoje. Tanto de cacau de qualidade quanto de chocolate também".

Alta nos valores do chocolate motivou produtor de Santa Teresa, no Espírito Santo, a inovar nas receitas de ovos de Páscoa. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

As receitas inovadoras também são uma estratégia para reduzir prejuízos, apresentar itens alternativos e convencer o consumidor está encontrando nas prateleiras das chocolaterias e supermercados chocolates com preços elevados por causa da queda na produção do cacau em todo o mundo, em 2024, devido à crise climática.

Com a quebra na produção, menos sementes são produzidas. Com menos quantidade ofertada no mercado, o preço tende a aumentar. Isso impacto o produto final, que é o chocolate.

A presidente do Sindicato da Indústria de Produtores de Cacau e Balas, Doces e Conservas Alimentícias do Espírito Santo (Sindicacau), Maíra Chagas Welerson, explicouo fenômeno:

"A indústria funciona com contratos futuros. Então, o insumo que é produzido hoje já foi negociado há muito tempo. Para a Páscoa, que está batendo à porta, as produtoras de chocolate começaram a produzir em janeiro ou fevereiro do ano passado".

Alta nos valores do chocolate motivou produtor de Santa Teresa, no Espírito Santo, a inovar nas receitas de ovos de Páscoa. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Por isso, apesar de o preço do cacau ter diminuído aproximadamente 30% neste ano, a poucos dias da Páscoa a redução não deve impactar o bolso dos consumidores.

"O chocolate que foi produzido, que está no mercado hoje, foi feito com aquela amêndoa (de cacau) com preço 30% maior".

Em fevereiro de 2025, os preços da amêndoa de cacau estavam em alta, chegando a R$ 3,5 mil por saca. Atualmente, o valor está abaixo de R$ 1 mil.

A queda no preço é positiva para quem compra a matéria-prima para produzir chocolate, mas para os produtores de cacau, a redução gera prejuízos, visto que não cobre os custos do cultivo.

Alta nos valores do chocolate motivou produtor de Santa Teresa, no Espírito Santo, a inovar nas receitas de ovos de Páscoa. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

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‘Metamáquinas’: robôs ‘diferentões’ criados com IA continuam funcionando mesmo após danos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 04:21

Tecnologia 'Metamáquinas': robôs 'diferentões' criados com IA continuam funcionando mesmo após danos Máquinas modulares desenvolvidas por pesquisadores conseguem se reorganizar e seguir operando mesmo após perder partes, apontando caminho para robôs mais resilientes Por Redação g1 — São Paulo

Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram robôs modulares projetados com ajuda de inteligência artificial (IA) capazes de continuar se movendo mesmo após sofrer danos ou perder partes do corpo.

Chamados de “metamáquinas”, os robôs são formados por módulos independentes — cada um com motor, bateria e computador próprios — que podem funcionar sozinhos ou em conjunto.

Para chegar aos formatos mais eficientes, a equipe utilizou um algoritmo evolutivo baseado em IA, que gera diferentes “planos corporais” em simulações.

Os cientistas afirmam que a tecnologia pode permitir a criação de robôs capazes de se adaptar a ambientes imprevisíveis e até serem reconstruídos em campo, conforme a necessidade.

Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram robôs modulares projetados com ajuda de inteligência artificial (IA) capazes de continuar se movendo mesmo após sofrer danos ou perder partes do corpo. O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Chamados de “metamáquinas”, os robôs são formados por módulos independentes — cada um com motor, bateria e computador próprios — que podem funcionar sozinhos ou em conjunto. Quando conectados, esses blocos permitem que as máquinas corram, saltem, se levantem após quedas e sigam operando mesmo depois de sofrer avarias.

“Estamos criando robôs feitos de robôs. É por isso que os chamo de metamáquinas”, afirmou o pesquisador Sam Kriegman, professor assistente da universidade, à agência Reuters. “Se uma parte do corpo é danificada ou perdida, o restante continua funcionando.”

Para chegar aos formatos mais eficientes, a equipe utilizou um algoritmo evolutivo baseado em IA, que gera diferentes “planos corporais” em simulações. Os modelos com melhor desempenho são selecionados e aprimorados ao longo do tempo, em um processo inspirado na seleção natural.

Como a inteligência artificial padroniza a forma como as pessoas se expressam e pensamComo a inteligência artificial já consegue ler pensamentos

Segundo os pesquisadores, o sistema produziu designs incomuns, diferentes dos robôs tradicionais inspirados em humanos ou animais, mas altamente eficientes para locomoção.

“Com apenas dois módulos, é possível criar quase 500 designs diferentes. Com cinco módulos, já existem centenas de bilhões de combinações possíveis”, explicou. “Você não sabe qual design é bom ou ruim até dar a ele a oportunidade de aprender. E é aí que a IA entra.”

Nos testes em ambientes externos, versões com três, quatro e cinco “pernas” conseguiram atravessar terrenos variados, como cascalho, grama, areia, lama, folhas e superfícies irregulares.

Os cientistas afirmam que a tecnologia pode permitir a criação de robôs capazes de se adaptar a ambientes imprevisíveis e até serem reconstruídos em campo, conforme a necessidade. “É muito difícil prever exatamente o que um robô precisará fazer antes de colocá-lo no mundo real. Por isso, seria extremamente útil que ele pudesse ser redesenhado e reconstruído sob demanda”, disse Kriegman.

'Metamáquinas': robôs criados com ajuda de IA continuam funcionando mesmo após sofrer danos — Foto: Reprodução/Reuters

Além da resistência, o objetivo dos pesquisadores foi combinar adaptabilidade com desempenho físico.

“Queríamos criar robôs mais resilientes, que pudessem evoluir. A natureza nos mostra que, se você quer criar um agente inteligente, deve começar pelo movimento”, afirmou.

Como exemplo, o pesquisador destaca que, ao dividir uma dessas máquinas ao meio, o resultado não são peças inutilizadas, mas dois novos robôs funcionais. “Corte qualquer outra tecnologia ao meio e você terá lixo. Aqui, você tem duas máquinas que continuam operando”, disse.

Para a equipe, a abordagem abre caminho para uma nova geração de robôs mais versáteis, capazes de se adaptar, se recompor e operar em condições adversas — algo essencial para aplicações como exploração, resgate e operações em ambientes hostis.

'Metamáquinas': robôs criados com ajuda de IA continuam funcionando mesmo após sofrer danos — Foto: Universidade Northwestern via Reuters

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As entregadoras de probiótico que combatem a solidão no Japão

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/03/2026 02:55

Trabalho e Carreira As entregadoras de probiótico que combatem a solidão no Japão Milhões de idosos moram sozinhos no Japão, onde a população vem envelhecendo rapidamente. Em meio a esta situação, um grupo de mulheres oferece informalmente um serviço de assistência para essas pessoas: as entregadoras do probiótico Yakult. Por BBC

Em um país que envelhece com enorme rapidez, uma rede de entregadoras passou a ser uma fonte vital de conexão e cuidado para combater a solidão — Foto: Yakult Honsha

Uma mulher vestida com um terno simples azul-marinho anda de bicicleta resolutamente por uma calma rua residencial em Tóquio, no Japão.

São 8h30 da manhã, mas o tempo já está quente, e ela se sente agradecida pela viseira que protege seus olhos do sol do verão.

Ela chega à sua primeira parada, estaciona a bicicleta e bate à porta de uma pequena casa de madeira, com plantas em vasos ao lado da entrada.

Dentro da residência, uma idosa está aguardando. Seu rosto se abre em um sorriso largo quando a mulher abre a porta. Ela esperava ansiosamente sua visita.

Cerca de 30% da sua população tem, agora, mais de 65 anos de idade. E o número de idosos que moram sozinhos continua aumentando.

Com as famílias encolhendo e as tradicionais residências multigeracionais se reduzindo, o isolamento se tornou um dos maiores desafios sociais do país.

A mulher de terno é uma Yakult Lady — "Moça do Yakult". Dezenas de milhares delas em todo o Japão entregam a bebida probiótica diretamente na casa das pessoas.

Oficialmente, elas são entregadoras. Mas, na prática, elas fazem parte da rede de assistência social informal do país.

Em uma nação que enfrenta o rápido envelhecimento da população e o aprofundamento da crise de solidão, as Moças do Yakult se tornaram uma fonte inesperada de sentimento comunitário.

Com seus frascos de plástico característicos e bonés vermelhos brilhantes, a Yakult foi pioneira no seu negócio.

A bebida probiótica foi lançada 90 anos atrás no Japão, muito antes que a palavra "microbiota" passasse a fazer parte do vocabulário comum.

As Moças do Yakult eram comuns no Brasil nos anos 1970 e 1980 e atuam até hoje, mesmo com a venda da bebida em supermercados.

Mas, no Japão atual, as mulheres responsáveis pelas entregas são tão importantes para a identidade da marca quanto o próprio produto.

A bebida probiótica é produzida com uma linhagem de bactérias benéficas chamada Lactobacillus casei Shirota — Foto: Getty Images

Quando o Yakult foi lançado, em 1935, a ideia de beber "bactérias" parecia ruim — algo que poderia deixar você doente e não saudável. E, para explicar o que era o produto, a empresa precisava de vendedores que batessem de porta em porta.

Naquela época, o mercado de trabalho era composto quase que totalmente de homens, mas a falta de mão de obra levou os distribuidores locais a contratar mulheres das suas comunidades. E as vendas cresceram rapidamente.

Elas apelavam particularmente para outras mulheres, que costumavam tomar as decisões sobre os produtos consumidos nas residências. Muitas vezes, elas já eram conhecidas das clientes e esta familiaridade ajudava a estabelecer confiança.

Empolgada pelo súbito aumento das vendas, a empresa decidiu implementar formalmente o programa. E, em 1963, foi estabelecida a "Rede de Vendas por Entrega das Mulheres", hoje conhecida como o sistema das Moças do Yakult.

É fácil identificar as Moças do Yakult na comunidade. No Japão, elas usam uniformes azuis com característico acabamento xadrez vermelho e acabaram sendo quase tão familiares quanto os próprios frascos do produto.

Elas costumam ser vistas passando pelos bairros de bicicleta, moto, a pé ou de carro, fazendo diversas entregas, todos os dias.

A maioria delas trabalha de forma autônoma, o que oferece a flexibilidade que atrai mulheres em busca do equilíbrio entre o trabalho e a família.

"Faço entregas às segundas, terças, quintas e sextas-feiras", afirma Satoko Furuhata, entregadora da Yakult há 25 anos.

"Como sempre tiro as quartas-feiras de folga, faço basicamente uma semana de quatro dias, o que me oferece um bom equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, me mantendo descansada."

O dia de Furuhata começa às 8h30 da manhã, quando ela carrega seu carro e sai na sua rota de entrega.

"Tenho rotas diferentes a cada dia, mas visito cerca de 40 a 45 residências diariamente", ela conta.

Toda manhã, os centros locais de vendas de Yakult despacham entregadoras para visitar dezenas de residências — Foto: Alamy

Toda segunda-feira, há 25 anos, Furuhata visita uma mesma cliente, que deseja permanecer anônima. Ela tem agora 83 anos e mora sozinha em Maebashi, a cerca de 160 km a noroeste de Tóquio.

"Saber que alguém virá com certeza ver o meu rosto toda semana é um tremendo conforto", ela conta. "Mesmo nos dias em que não me sinto bem, ouvi-la perguntar 'Como você está?' na porta de casa me dá forças."

A rotina passou a ser tão permanente que ela evita fazer qualquer outra programação naquele dia e horário.

"Eu realmente fico à espera das suas visitas. Quando toca a campainha e ouço sua voz alegre, fico instantaneamente cheia de vida."

Elas conversam sobre muitos assuntos: a família, jardinagem e o cultivo de flores, notícias locais e temas de saúde que elas leram nos jornais ou viram na TV.

O Yakult é uma bebida de leite fermentado que contém uma linhagem específica de bactérias de ácido láctico, cultivada em 1930 pelo fundador da empresa, o microbiologista Minoru Shirota (1899-1982).

Ele começou a estudar medicina na Universidade de Kyoto, em 1921. Naquela época, a economia do Japão ainda estava se desenvolvendo e muitas crianças morriam de doenças infecciosas.

Impressionado com esta situação, Shirota se dedicou a estudar a prevenção das doenças. Ele passou a se concentrar na microbiologia e, especificamente, em bactérias úteis que pudessem suprimir as bactérias nocivas do intestino.

Quando o Yakult foi lançado, ninguém entendeu e o crescimento foi lento. A cozinha japonesa já incluía muitos alimentos com micróbios vivos, como missô, natto e o tradicional molho de soja. Mas havia pouco conhecimento da sua contribuição para a saúde.

"O termo 'probiótico' ainda não existia", segundo um porta-voz da Yakult. "Conquistar a compreensão e a aceitação do público levou tempo."

O serviço é especialmente popular entre consumidores idosos. Muitos deles apreciam tanto as visitas regulares das entregadoras, quanto a própria bebida — Foto: Yakult Honsha

Foram necessários muitos anos para que o produto realmente decolasse. Mas, em 1971 (oito anos depois da formação da rede de entregadoras de Yakult), as vendas no Japão atingiram 15 milhões de frascos por dia.

O mantra de Shirota — "intestino saudável, vida longa" — começou a ser repetido pelas mães para seus filhos. Para eles, a ideia de comer produtos fermentados para melhorar a saúde passou a ser tão normal quanto comer verduras e legumes.

"Minha mãe sempre trazia da loja ou do seu local de trabalho e eu via constantemente as Moças do Yakult dirigindo suas bicicletas quando era criança. Sempre soube que é importante cuidar do intestino."

O interesse pela microbiota intestinal disparou em todo o mundo na última década. Mas não é apenas a alimentação que afeta a saúde do intestino.

O estresse e a solidão crônica podem prejudicar a saúde intestinal, explica a cientista Emily Leeming, que estuda o microbioma.

"Vivemos em um mundo microbiano, onde trocamos micróbios uns com os outros constantemente", explica ela. "Esta é uma razão por que a solidão está relacionada à menor diversidade da microbiota intestinal.

"E também está provavelmente relacionada ao estresse, pois a solidão causa uma reação de estresse de baixo grau que também pode prejudicar a microbiota do intestino."

A empresa não idealizou sua rede de entregas como um serviço de saúde pública. Mas, ao longo do tempo, a dimensão social das visitas assumiu significado cada vez maior no Japão.

"Permaneci saudável, sem doenças importantes, e as pessoas costumam me dizer como tenho energia", conta a cliente de Furuhata, que tem 83 anos de idade.

"Acredito que seja porque bebo Yakult há muitos anos. Mas não é só a bebida… receber as visitas da Sra. Furuhata também é muito importante para minha rotina saudável."

O Japão calcula que o número de pessoas que moram sozinhas com mais de 65 anos irá aumentar para quase 11 milhões até 2050, segundo o Instituto Nacional de Pesquisa sobre População e Assistência Social.

O país chegou a criar o termo kodokushi ("morte solitária") para se referir aos trágicos casos de pessoas que morrem sozinhas em casa sem que ninguém perceba por meses, às vezes anos. E esta crise está se agravando.

Dados da Agência de Polícia Nacional do Japão indicam que 40.913 pessoas morreram sozinhas em casa no país, entre janeiro e junho de 2025. Este número representa um aumento de 3.686 pessoas em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em 2021, o governo japonês nomeou o primeiro "ministro da Solidão" e existe uma força-tarefa dedicada ao isolamento social no país.

As Moças do Yakult, em sua maioria, são autônomas, o que permite que elas gerenciem o cuidado com os filhos e outras responsabilidades com o trabalho profissional — Foto: Yakult Honsha

Asuka Mochida tem 47 anos de idade. Ela é uma Moça do Yakult da província de Gunma, que fica perto da capital japonesa.

Quase todos os seus clientes são idosos e ela sente muito orgulho de poder oferecer a eles companhia e um olhar vigilante.

"De certa forma, somos vigilantes, pessoas que observam os demais. Nós notamos pequenas mudanças de saúde ou estilo de vida."

As figuras maternais oferecem um rosto amigável, acompanhamento semanal e, para muitos moradores mais idosos, uma tábua de salvação, de conexão humana.

Elas também observam mudanças sutis da rotina de um cliente. Se alguém deixa de atender à porta, elas podem alertar familiares ou buscar assistência.

"Para clientes idosos ou que moram sozinhos, a tranquilidade de ver um rosto familiar é incrivelmente importante", explica Mochida.

"O Japão tem uma cultura de cuidar dos outros e da comunidade. Acho que as Moças do Yakult colocam esta cultura em prática de forma natural e sustentável."

"É um trabalho em que a responsabilidade e a gentileza se sobrepõem", destaca ela. E também traz altos níveis de satisfação.

"Mesmo nos dias atarefados, quando às vezes consigo conversar por um momento, um cliente me disse uma vez: 'Só ver o seu rosto já me dá energia.'"

"Isso me fez perceber que, embora eu não seja perfeita, simplesmente estar ali pode fazer uma grande diferença."

A Yakult expandiu seu modelo de vendas de porta em porta para outros países, como o Brasil e a Índia — Foto: Yakult Índia

O modelo foi reproduzido fora do país. Existem cerca de 50 mil vendedoras em países como a China, Indonésia, Malásia e México, além do Brasil.

Em vez de "moças" ou "mulheres", elas são carinhosamente chamadas de "mães" e "tias do Yakult". E mantêm a mesma postura de atenção e acolhimento, que faz com que seu papel na sociedade seja tão valorizado quanto no Japão.

Seja qual for a sua denominação, essas mulheres são unidas por características e habilidades similares, como "manter um sorriso verdadeiro e energia positiva", segundo Furuhata.

"A capacidade de ouvir e observar coisas", acrescenta Mochida. "Prestar atenção em pequenas mudanças é fundamental."

Em um país enfrentando mudanças demográficas e com o aumento do isolamento, esse breve intercâmbio na porta de casa pode ter mais importância do que sugere uma simples garrafinha de plástico.

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Mega-Sena, concurso 2.990: aposta simples leva sozinha prêmio de R$ 37,9 milhões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/03/2026 22:33

Loterias Mega-Sena Oferecido por: Mega-Sena, concurso 2.990: aposta simples leva sozinha prêmio de R$ 37,9 milhões Os números sorteados foram: 06 – 14 – 18 – 29 – 30 – 44. Vencedor é de Marataízes (ES). Por Redação g1 — São Paulo

O sorteio do concurso 2.990 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (28). Uma aposta de Marataízes (ES) acertou as seis dezenas e levou, sozinha, o prêmio de R$ 37.983.331,58.

As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.

Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.

O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

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