RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Único brasileiro inscrito em audiência sobre tarifaço defende PIX e cobra debate técnico: ‘Temos que sair da retórica’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 05:49

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%Oferecido por

Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro — Foto: Arquivo pessoal

Até agora, somente um brasileiro se inscreveu para participar da audiência pública que pode influenciar os próximos rumos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Gustavo Pessoa é professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro.

A audiência está prevista para 6 de julho e antecede a decisão final do governo dos EUA sobre possíveis medidas comerciais. Empresas, associações, governos e outros interessados poderão apresentar seus posicionamentos.

O processo é conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que investiga práticas relacionadas a produtos brasileiros e ainda está na fase de coleta de informações.

A investigação abrange diferentes temas, entre eles o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção e o PIX — sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central que passou a ocupar papel central na apuração.

⚖️ As inscrições seguem abertas até 22 de junho. As manifestações enviadas passam a integrar oficialmente o processo e podem influenciar os próximos desdobramentos da investigação.

Pessoa afirma que decidiu se inscrever porque considera que o debate sobre o PIX deixou de tratar apenas de um meio de pagamento e passou a envolver a infraestrutura do sistema financeiro. Para ele, o processo exige explicações técnicas e espaço para diferentes pontos de vista.

"É importante que aparecesse alguém de forma independente para tentar explicar isso de uma forma um pouco melhor e até apontar uma forma de resolver a questão no campo técnico."

Em entrevista ao g1, o economista comenta os questionamentos dos EUA sobre o PIX, discute o papel do BC como regulador e operador do sistema e afirma que transparência e diálogo institucional podem ser mais eficazes do que medidas comerciais amplas.

g1 – Você pediu para participar da audiência pública da USTR em um momento em que há poucas inscrições. O que motivou essa iniciativa e que contribuição acredita poder levar ao debate?

Gustavo Pessoa: Sou professor de Economia na FGV e pesquiso falhas sistêmicas no sistema financeiro. Então, é um tema que já venho pesquisando há bastante tempo. E essa questão do PIX é muito sensível porque, se analisarmos hoje, mais de 54% de todas as transações no Brasil são realizadas via PIX. Então, a discussão deixou de ser apenas uma questão de meio de pagamento e virou uma questão de infraestrutura.

E tudo o que se refere à infraestrutura, com mais da metade de todos os processamentos passando por ele, cria uma questão de potencial risco sistêmico. Hoje, o PIX transaciona mais de duas vezes o PIB do Brasil — estamos falando de algo em torno de R$ 25 trilhões por ano, o que faz dele uma ferramenta importantíssima.

A segunda questão é que pode existir um conflito de interesse entre o Banco Central, que é o regulador, e também o provedor desse serviço. É claro que essa investigação é muito mais ampla do que apenas a questão do PIX. Ela envolve práticas comerciais, a questão do etanol e outros temas, mas eu tenho certeza de que o cerne de tudo é a questão do PIX.

Eu quis me inscrever nesse processo para trazer uma visão mais técnica e independente, porque sabemos que grande parte da discussão é uma questão política entre governos. Então, é importante que apareça alguém de forma independente para tentar explicar isso um pouco melhor e até apontar uma forma de resolver a questão no campo técnico.

g1 – Um dos principais questionamentos da USTR é o fato de o Banco Central atuar, ao mesmo tempo, como regulador e operador do PIX. Quais seriam os possíveis problemas dessa estrutura e até que ponto essa preocupação é legítima?

Existe uma problemática porque o Banco Central está adquirindo uma nova função que não tinha. Até então, tinha o papel de regular as instituições financeiras. Agora, a partir do momento em que oferece um serviço diretamente aos cidadãos, acaba sendo uma espécie de concorrência para outros meios de pagamento e outras instituições financeiras.

Então, a partir do momento em que oferece um novo serviço, ele também tem que dar a mesma transparência que outro operador daria. O que seria isso? Espaço para a competição, mais transparência e um certo backup contra falhas. Então, ele tem que dar certos resguardos que até então não precisava oferecer, mas isso ocorre porque assumiu uma nova função perante a sociedade.

Eu acredito que eles tenham tudo isso para fazer. É questão, claro, de se organizar e mostrar que existe uma governança para ofertar esse novo serviço. Mas também é importante que haja transparência e que se mostre toda essa capacidade de operacionalizar o sistema.

g1 – No documento de inscrição, você propõe a criação de um "teste de neutralidade para pagamentos digitais". O que significa neutralidade nesse contexto e como esse teste poderia ser aplicado, na prática, para avaliar um sistema como o PIX?

Sim. Inclusive, nos documentos que anexo a esse processo, eu falo que a gente deveria instituir um sistema de teste de neutralidade. Basicamente, seria testar cinco questões.

Uma delas seria em relação ao acesso: testar se todas as empresas, sejam brasileiras, norte-americanas ou de outros países, têm acesso a esse meio de pagamento, o PIX. Então, verifica-se se o acesso é igual para todas as empresas ou se existe alguma discriminação.

A outra questão é a interoperabilidade [capacidade de diferentes sistemas e plataformas trocarem informações e funcionarem entre si]. Então, vê-se a questão técnica: se as APIs funcionam tanto para o PIX quanto para o cartão de crédito, se atendem aos requisitos de cibersegurança e tudo mais.

Outra questão é a transparência, verificando se regras relacionadas a taxas, supervisão e padrões de aplicação funcionam da mesma maneira.

Outra é em relação aos dados, porque hoje quem cuida dos dados do PIX é o Banco Central. No caso do cartão de crédito, são as operadoras. Elas seguem uma série de regulamentações e normas para garantir a proteção desses dados. Então, também é importante mostrar isso.

E a última questão é a integridade dos dados, envolvendo suporte, prevenção à lavagem de dinheiro, o "conheça seu cliente" e a parte de compliance.

Então, tudo aquilo que o Banco Central exige das operadoras de cartão de crédito, débito etc., será que ele também faz com o PIX? É importante dar mais clareza sobre isso para o público em geral.

g1 – Você argumenta que medidas específicas seriam mais eficazes do que tarifas amplas para lidar com preocupações relacionadas aos pagamentos digitais. Que tipo de compromisso regulatório ou institucional poderia responder às preocupações dos EUA sem comprometer os benefícios do PIX?

Quando você lê o processo, ele parece sério e apresenta hipóteses válidas, mas eles estão esperando respostas.

É claro que é uma questão muito ampla, mas o processo dá espaço ao direito de defesa. Então, eu acredito que, apresentando essas respostas e mostrando como o BC tem compromisso com a transparência, com a integração de outros sistemas e com a não discriminação de participantes, isso seria muito bem recebido.

E, claro, eu acho que deve ser criado um fórum de comunicação mais claro envolvendo o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o Departamento de Comércio dos EUA, porque isso envolve questões muito maiores.

g1 – O PIX costuma ser comparado ao UPI, da Índia, que movimenta um volume ainda maior de transações. Na sua avaliação, por que o sistema brasileiro acabou se tornando alvo dessa investigação dos EUA?

O nosso sistema bancário é muito diferente. A nossa realidade social também é muito diferente. E o sucesso do PIX é muito maior. O Brasil tem uma conexão maior com os outros países da América Latina porque é um líder regional e consegue dialogar com esses países.

Então, me parece que é muito mais uma questão geopolítica e geoestratégica do que qualquer outra coisa. A atenção se voltou para o PIX porque somos a nação mais parecida com os EUA em meios de pagamento, em termos de sociedade e de mercado. Então, eles conseguem nos comparar com eles, algo que não conseguem fazer da mesma forma com a Índia ou a China.

g1 – O que você espera dessa audiência? Acredita que haverá espaço para que contribuições técnicas, como a sua, sejam consideradas pelas autoridades americanas?

Como pesquisador e professor, a gente sempre tenta falar aquilo que estudou e o que considera correto. Agora, se o outro lado vai compreender ou abrir espaço, é outra questão. A gente fica com o dever de expor aquilo que nos parece minimamente plausível. Caso aconteça alguma coisa e eu seja chamado para o "hearing", vou com o maior prazer e vou me colocar à disposição.

A questão que me fica é que a gente tem que seguir todos os protocolos, mesmo que eles pareçam inertes. Caso a gente não faça uma defesa, podemos ser acusados de não ter nos defendido. Abriu-se uma investigação, esperou-se uma resposta e não houve uma defesa. Esse tipo de coisa não pode acontecer.

Bem ou mal, nós temos instituições muito sólidas, um Itamaraty muito qualificado e um Ministério da Fazenda com ótimos servidores. Então, é importante utilizar todo o espaço oficial que a gente tenha. Porque, se ficarmos dependendo apenas de conversas não oficiais, de pronunciamentos e tudo mais, podemos perder oportunidades de mostrar substância de verdade. Nós temos um trabalho técnico e documentos para apresentar. Não é só achismo.

Então, temos que sair da retórica e partir realmente para o posicionamento. Se isso vai dar certo ou não, é outra questão. Mas é importante mostrar substância em todos os canais oficiais que tenhamos disponíveis.

Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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A ‘guerra silenciosa’ entre China e Panamá por controle de portos no Canal

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 04:45

Mundo A 'guerra silenciosa' entre China e Panamá por controle de portos no Canal A China aumentou significativamente as retenções de navios com bandeira panamenha em portos chineses após uma decisão desfavorável a uma empresa que administrava dois importantes portos do Canal do Panamá. Por BBC

A 'guerra silenciosa' entre China e Panamá por controle de portos no Canal — Foto: Getty Images via BBC

A história da empresa CK Hutchison Holdings e do Panamá se transformou em um dos maiores conflitos geopolíticos ligados ao Canal do Panamá nos últimos anos.

O embate envolve duas superpotências, Estados Unidos e China, uma hidrovia por onde passa até 6% do comércio mundial e alguns dos mais importantes operadores portuários do planeta.

E a exclusão dessa empresa chinesa sediada em Hong Kong da administração de dois portos provocou o que parece ser uma dura punição por parte de Pequim, em meio à crescente disputa por influência entre Estados Unidos e China na América Latina.

"Desde 8 de março de 2026, e ainda hoje, a China vem retendo navios mercantes de bandeira panamenha em um ritmo sem precedentes, justificando a medida como inspeções do Estado do porto", explica a Ambrey Analytics, divisão de inteligência da empresa britânica de segurança marítima Ambrey.

Somente em abril, a China reteve 136 embarcações registradas sob bandeira panamenha, número 6,4 vezes superior à média de 2025. Em março, foram 96 navios, cerca de 74% de todas as retenções realizadas pela China naquele mês. Somando todas as embarcações imobilizadas desde o início do ano, o total chega a 272.

"As retenções são justificadas por deficiências técnicas e costumam durar entre um e cinco dias, mas interrompem escalas e aumentam os custos", explica a empresa de análise.

A situação coincide com uma decisão da Suprema Corte do Panamá que retirou da CK Hutchison a concessão de dois terminais de contêineres no Canal do Panamá.

Um deles é o porto de Balboa, o segundo mais movimentado do país em volume de contêineres. O outro é o porto de Cristóbal. Ambos ficam em áreas adjacentes ao canal.

Por sua localização estratégica, em cada extremidade das entradas do canal pelo Pacífico e pelo Atlântico, esses dois portos despertavam especial preocupação na administração Trump, que transformou o tema em prioridade de sua agenda logo após assumir a Casa Branca.

A pressão americana atingiu seu ponto máximo quando Trump ameaçou o governo panamenho com retomar à força o controle do canal — administrado pelo país centro-americano desde 1999 — alegando interferência chinesa.

Não há evidências públicas de que o governo chinês exerça qualquer controle sobre o canal. No entanto, empresas chinesas têm presença significativa na região e, ao longo dos anos, realizaram investimentos relevantes na hidrovia e em sua infraestrutura.

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou repetidamente que não existe "absolutamente nenhuma interferência chinesa" no canal.

Mas, no fim de janeiro, a Suprema Corte panamenha declarou inconstitucional a concessão de 1997 — e sua renovação em 2021 — que permitia à Panama Ports Company, subsidiária da CK Hutchison, operar os terminais.

As autoridades da China e de Hong Kong manifestaram oposição à decisão e a classificaram como um "ato de má-fé".

Já a CK Hutchison, que administrou os portos durante quase 30 anos, acusou as autoridades panamenhas de confiscarem ilegalmente seus ativos e iniciou uma arbitragem internacional contra o país, reivindicando uma indenização superior a US$ 2 bilhões por perdas e danos.

Pequim argumenta que a decisão da Justiça panamenha foi motivada pela pressão dos Estados Unidos, e não por um processo judicial independente.

Enquanto isso, a Autoridade Portuária Nacional do Panamá assumiu o controle dos dois portos, e as represálias chinesas começaram do outro lado do mundo.

A punição a navios panamenhos que chegam a portos chineses é o estágio mais recente de uma escalada de tensões entre China e Estados Unidos, intensificada por disputas sobre infraestrutura portuária estratégica e o controle de rotas comerciais fundamentais.

"Por meio dessas detenções em massa de navios de bandeira panamenha, Pequim está enviando uma mensagem direta e prática: decisões que afetem os interesses de empresas chinesas ou ligadas a Hong Kong terão um custo tangível e imediato", afirmou à BBC News Mundo Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do banco de investimentos Natixis e pesquisadora sênior do centro de estudos europeu Bruegel.

Para García-Herrero, as retenções vão muito além da burocracia portuária. Elas representam uma forma de pressão econômica assimétrica destinada a gerar atrasos, custos e transtornos reais ao comércio marítimo.

"O objetivo é dissuadir outros países de adotarem medidas semelhantes e lembrar que Pequim reage quando considera que seus 'direitos legítimos' foram violados", afirma.

A construção do canal foi concluída em 1914 e ele permaneceu sob controle dos Estados Unidos até 1977 — Foto: Getty Images via BBC

Evan Ellis, professor e pesquisador de estudos latino-americanos do Instituto de Estudos Estratégicos da Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, concorda.

"Parece bastante evidente que o assédio chinês a navios de bandeira panamenha faz parte de uma mensagem mais ampla que a China está enviando ao governo do Panamá, assim como a outros governos, sobre o preço de não cooperar com Pequim ou de adotar medidas que prejudiquem suas empresas", diz.

"A atuação da China neste caso específico parece um pouco mais explícita e abrangente do que vimos em respostas a ações de outros governos", acrescenta o analista.

O aumento das retenções faz parte de uma resposta chinesa mais ampla, que também inclui a suspensão dos serviços de contêineres da COSCO em Balboa, a convocação de executivos da Maersk e da MSC — as duas maiores empresas de transporte marítimo do mundo — para reuniões em Pequim, além da paralisação de novos investimentos chineses no Panamá.

"Há tentativas documentadas de pressionar a Maersk e a Mediterranean Shipping Company para que suas subsidiárias não aceitem os contratos concedidos para as operações temporárias dos portos que estão sendo retirados da Hutchison", afirma Ellis.

A BBC News Mundo entrou em contato com o Conselho de Estado da República Popular da China e com a embaixada chinesa em Londres para conhecer sua posição sobre o tema, mas não havia recebido resposta até a publicação desta reportagem.

A razão para essa ofensiva chinesa em diversas frentes é que o Canal do Panamá representa um ponto crítico na estratégia marítima do gigante asiático, conectando dois oceanos e servindo como porta de entrada privilegiada para a América Latina.

"Os terminais de Balboa e Cristóbal eram peças importantes da rede global de portos que Pequim construiu para garantir rotas de abastecimento, reduzir a dependência de pontos controlados por terceiros e ampliar sua influência comercial no Hemisfério Ocidental", explica García-Herrero.

Por isso, perder o controle operacional desses terminais representa um revés para sua capacidade logística e de projeção econômica em uma área que Washington historicamente considera parte de sua esfera de influência.

Shengyu Wang, pesquisador assistente do Centro de Análise da China do Instituto de Política da Sociedade Asiática, que conversou com a BBC, lembra que os interesses empresariais chineses e o Estado chinês nem sempre atuam como um único ator.

Por isso, ele acredita que as represálias chinesas também podem ter como alvo a própria CK Hutchison Holdings.

Em março de 2025, a empresa anunciou um acordo para vender a maior parte de seu negócio portuário global — incluindo os portos de Balboa e Cristóbal, no Panamá — a um consórcio liderado pela BlackRock e pela MSC por cerca de US$ 20 bilhões, algo que pode ter desagradado Pequim.

"A tentativa de vender esses ativos portuários pode ter criado um problema para o governo chinês. Na visão de Pequim, o fato de uma empresa ligada à China vender ativos portuários estratégicos sem consultar as autoridades pode ser interpretado como um desafio ao Estado", afirma o analista.

O Canal do Panamá é importante para a China porque representa um ponto estratégico do comércio mundial — Foto: Getty Images via BBC

"Ela também pode refletir o esforço de Pequim para disciplinar empresas ligadas à China e demonstrar que acordos estratégicos de infraestrutura não podem ser desfeitos de uma maneira que prejudique o Estado chinês", acrescenta.

As retenções de navios também provocaram forte insatisfação nos Estados Unidos, já que embarcações de bandeira panamenha transportam uma parcela significativa da carga conteinerizada americana.

Por isso, "essas ações podem acarretar consequências comerciais e estratégicas importantes para o transporte marítimo dos Estados Unidos", afirmou a Comissão Marítima Federal americana em comunicado.

O fato é que ainda não ocorreu uma mudança em massa de registros de embarcações para fora do Panamá.

A maioria dos navios mercantes que utilizam a bandeira panamenha pertence a armadores estrangeiros que buscam evitar regulamentações marítimas mais rígidas impostas por seus próprios países.

O Panamá opera um sistema conhecido como registro aberto. Sua bandeira oferece vantagens como processos de registro mais simples — muitas vezes feitos online — e a possibilidade de contratar mão de obra estrangeira mais barata.

No entanto, a Ambrey Analytics afirma que empresas chinesas de leasing marítimo estão exigindo que armadores transfiram seus registros para outros países, deixando de usar a bandeira panamenha, como condição para financiar a construção de novos navios. Isso poderá gerar impactos de longo prazo para o registro naval panamenho.

"Tudo isso se encaixa em um padrão mais amplo de coerção chinesa discreta que vem se desenvolvendo há anos e que possivelmente é até mais agressiva do que a pressão normalmente exercida pelos Estados Unidos", afirma Ellis.

O analista argumenta que a China costuma preferir mecanismos indiretos de pressão em vez de sanções comerciais formais.

Como exemplo, ele cita a suspensão das compras de óleo de soja da Argentina após ações antidumping movidas contra empresas chinesas pelo Congresso argentino em 2010.

"Ou as ameaças contra a Guiana quando seu governo cogitava permitir que Taiwan abrisse um escritório de representação comercial no país sul-americano em 2020, bem como a suspensão das compras de castanhas e outros produtos da Guatemala quando o presidente eleito Bernardo Arévalo declarou que pretendia manter a cooperação com Taiwan", lembra.

A China alegou problemas fitossanitários para interromper as importações desses produtos, em "um lembrete sutil do poder da China de deixar de comprar produtos estratégicos", conclui Ellis.

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Após campanha associada a massacre, Starbucks demite CEO na Coreia do Sul e dá aulas de história a funcionários

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 03:46

Trabalho e Carreira Após campanha associada a massacre, Starbucks demite CEO na Coreia do Sul e dá aulas de história a funcionários Empresa pediu desculpas após campanha ser acusada de fazer referência a episódio da ditadura militar sul-coreana e determinou treinamento obrigatório. Por Associated Press

Starbucks demite CEO na Coreia do Sul e dá aulas de história a funcionários — Foto: AP Photo/Lee Jin-man

A operação da Starbucks na Coreia do Sul anunciou nesta segunda-feira (15) que fechará todas as lojas do país mais cedo no dia 22 de junho para realizar um treinamento obrigatório sobre história e sensibilidade social.

A medida ocorre após uma forte reação negativa a uma campanha de marketing amplamente interpretada como ofensiva às vítimas de uma repressão militar contra manifestantes pró-democracia em 1980.

O grupo Shinsegae, que detém 67,5% da Starbucks Korea, informou que executivos e funcionários da sede participarão de um treinamento conduzido por professores de história e sociologia. Já as unidades em todo o país fecharão às 15h na próxima segunda-feira (22), para que os colaboradores possam assistir à gravação da sessão.

A crise começou quando a rede tentou promover uma linha de copos térmicos de aço inoxidável chamada “SS Tank”, declarando o dia 18 de maio como “Tank Day”. A data marca o aniversário do levante pró-democracia de 1980 na cidade de Gwangju, no sul do país, que foi violentamente reprimido pelo governo militar da época, com uso de tropas, tanques e helicópteros, deixando centenas de mortos e feridos.

A campanha gerou ainda mais indignação ao usar o slogan “Bata na mesa!”, interpretação associada a uma declaração policial de 1987 que tentou encobrir a morte por tortura do estudante ativista Park Jong-chol. Na ocasião, autoridades afirmaram falsamente que ele teria morrido após investigadores “baterem na mesa”.

Diante da reação imediata do público, o grupo Shinsegae cancelou a campanha em poucas horas e demitiu o CEO da Starbucks Korea.

O presidente do grupo, Chung Yong-jin, fez um pedido de desculpas em rede nacional, enquanto a polícia abriu uma investigação após denúncias de familiares das vítimas do massacre de Gwangju. Chung também participará de um treinamento separado com executivos das empresas do grupo, previsto para 24 de junho.

Chung Yong-jin, presidente do Grupo Shinsegae, curva-se em sinal de desculpas em Seul, Coreia do Sul, na terça-feira, 26 de maio de 2026 — Foto: AP/Lee Jin-ma

Segundo a empresa, a decisão de fechar todas as lojas mais cedo, pela primeira vez desde a chegada da Starbucks ao país em 1999, e promover o treinamento em larga escala demonstra a seriedade com que o grupo encara a controvérsia e sua intenção de evitar novos episódios semelhantes.

A repressão em Gwangju ocorreu meses após o general Chun Doo-hwan assumir o poder em um golpe no fim de 1979.

Registros oficiais apontam cerca de 200 mortos, embora ativistas afirmem que o número real seja muito maior. O governo também prendeu dezenas de milhares de pessoas, sob a alegação de combater distúrbios sociais.

A indignação popular com a ditadura de Chun levou a grandes protestos nacionais em 1987, forçando a adoção de eleições presidenciais diretas, marco considerado o início da transição democrática da Coreia do Sul.

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Da Copa ao escritório: por que pressão e ansiedade afetam tanto o desempenho de profissionais

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 03:46

Trabalho e Carreira Da Copa ao escritório: por que pressão e ansiedade afetam tanto o desempenho de profissionais Especialistas explicam como o cérebro reage à pressão e o que trabalhadores podem aprender com os métodos usados no esporte de alto rendimento. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Após o empate em 1 a 1 com o Marrocos na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, jogadores e o técnico Carlo Ancelotti apontaram a ansiedade como um dos principais fatores para o desempenho abaixo do esperado da Seleção.

“Um pouco de ansiedade, acho que sim. Na primeira etapa, eles saíam da pressão e faziam transições perigosas. Podíamos ter mais controle”, afirmou Ancelotti.

Além do treinador, os laterais Danilo e Ibañez também citaram a ansiedade como complicador da performance da seleção na estreia. Em competições de alto nível, fatores emocionais podem influenciar tomada de decisão, concentração e rendimento.

Na Copa do Mundo, a pressão não aparece apenas quando as partidas começam. Ela iniciam antes da estreia, atravessa treinos, disputas por convocação e acompanha os atletas até nos momentos em que ninguém está olhando.

👷 A sensação constante de avaliação, a necessidade de entregar resultados rapidamente, o medo de falhar, a comparação permanente e a dificuldade de "desligar" da performance também faz parte da rotina de milhões de profissionais fora dos estádios.

Mas, embora os desafios tenham se tornado cada vez mais parecidos, a forma de lidar com eles segue caminhos diferentes.

Segundo especialistas ouvidos pelo g1, no esporte de elite a preparação psicológica deixou de ser um complemento e passou a integrar a rotina de treinamento dos atletas, sendo tratada como parte estratégica do desempenho.

Já nas empresas, a saúde emocional ainda costuma aparecer como uma resposta tardia, geralmente quando o desgaste já se tornou um problema.

A própria atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor em 26 de maio, reflete uma tentativa de mudar essa lógica ao exigir que as empresas identifiquem, previnam e gerenciem riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como sobrecarga, assédio e pressão excessiva.

Esse descompasso ajuda a explicar por que a pressão contemporânea tem produzido efeitos cada vez mais concretos.

Um levantamento global Work Relationship Index, da HP, mostra que apenas 29% dos profissionais estão na chamada “Zona Saudável” de trabalho, enquanto 34% já se encontram na “Zona Crítica”, faixa associada a desgaste emocional significativo.

O estudo também classifica os profissionais em "Zona de Atenção", que representa um estágio intermediário, marcado por sinais iniciais de alerta e desgaste.

O estudo ouviu 18,2 mil profissionais de 14 países, incluindo o Brasil, onde 71% afirmam que as exigências no trabalho aumentaram no último ano.

O cenário também aparece nas estatísticas oficiais. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil concessões de benefícios por incapacidade temporária ligados a transtornos mentais, segundo o Ministério da Previdência Social. Ansiedade, depressão e reações ao estresse grave lideram os afastamentos.

O jogador Fernandinho, do Brasil, se lamenta após o terceiro gol da Alemanha, marcado por Toni Kroosduring, durante a semifinal da Copa do Mundo em Belo Horizonte. Os alemães venceram por 7×1 e se classificaram para a final — Foto: Natacha Pisarenko/AP/Arquivo

Para o pesquisador da USP Gustavo Drago, que participou da preparação de atletas olímpicos em Pequim, Londres e Rio, o ponto de interseção entre esporte e trabalho está justamente na natureza da pressão e na forma como ela é percebida.

Ao acompanhar atletas de 16 modalidades, ele observou que pessoas submetidas exatamente às mesmas condições reagiam de maneiras completamente diferentes, do ponto de vista fisiológico, emocional e comportamental.

⚽ Um dos exemplos mais claros aparece na comparação entre competir “em casa” e “fora de casa”.

Para alguns atletas, o ambiente adverso era interpretado como uma ameaça. Essa percepção gerava uma resposta biológica mensurável, com aumento do cortisol, alterações no sistema imunológico e comportamentos mais hesitantes, como menor intensidade física e decisões menos assertivas.Outros reagiam de forma oposta. Diante da mesma pressão, encaravam o contexto como um estímulo, o que estava associado ao aumento da testosterona livre, maior intensidade e respostas mais competitivas.

Esse princípio está diretamente ligado ao conceito de "cérebro preditivo", segundo o qual o cérebro não reage apenas ao ambiente, mas às previsões que faz sobre ele. A lógica, segundo Drago, ajuda a entender por que ambientes corporativos semelhantes podem gerar experiências tão diferentes entre profissionais.

Duas pessoas podem trabalhar sob a mesma meta, na mesma equipe e com o mesmo gestor, mas, enquanto uma mantém estabilidade emocional, a outra entra em estado contínuo de alerta, explica o pesquisador.

Quando o cérebro interpreta o ambiente como uma ameaça constante, ele desloca recursos mentais para a autoproteção, explica o pesquisador. A atenção deixa de estar totalmente voltada à tarefa e passa a ser dividida com pensamentos de erro, julgamento, rejeição ou medo de perda de espaço.

⚠️ Na prática, isso reduz a criatividade, prejudica a tomada de decisão, aumenta a ansiedade e favorece comportamentos defensivos, como procrastinação, perfeccionismo excessivo e dificuldade de inovar.

No esporte, esse mecanismo pode fazer um atleta hesitar em um momento decisivo. No trabalho, pode se traduzir em profissionais tecnicamente capazes que não conseguem performar sob pressão.

Para Drago, esse é um dos pontos mais críticos do ambiente corporativo atual: a permanência prolongada em estado de alerta.

"O cérebro humano interpreta a insegurança constante como ameaça, e isso compromete diretamente a performance", afirma.

O sócio-líder de Auditoria da CLA Brasil, Thiago Brehmer, observa que essa dinâmica é reforçada por estruturas organizacionais que intensificam a avaliação contínua e metas de curto prazo.

“Tanto no esporte quanto no ambiente corporativo existe uma combinação de pressão por desempenho e sensação constante de avaliação”, afirma.

Segundo ele, o problema se agrava em culturas nas quais o erro é tratado como falha de caráter, e não como parte do processo de aprendizagem, o que amplifica o medo, a autocobrança e a insegurança.

🤳Essa pressão ganhou novas camadas com a hiperconectividade, segundo Brehmer. Se antes havia uma separação mais clara entre momentos de cobrança e de descanso, hoje a avaliação parece permanente.

Atletas convivem com julgamento em tempo real nas redes sociais. Profissionais lidam com métricas constantes, exposição digital e comparação contínua em plataformas profissionais.

E é exatamente nesse ponto que o esporte se distancia, não pela ausência de pressão, mas pela existência de preparo.

➡️ No alto rendimento, não se espera que o atleta apenas “aguente” a pressão. Ele é treinado para lidar com ela antes mesmo de ela ocorrer.

Existe uma preparação estruturada que inclui técnicas de visualização, controle emocional, foco atencional e recuperação após o erro. O objetivo é reduzir a imprevisibilidade e tornar situações críticas mais familiares do ponto de vista mental.

➡️ No ambiente corporativo essas estratégias começam a ganhar espaço, mas ainda de forma menos sistemática, afirma Brehmer.

A visualização, por exemplo, permite que o cérebro antecipe cenários e reduza a sensação de ameaça. Ao ensaiar mentalmente uma apresentação ou negociação, o profissional aumenta a previsibilidade e diminui a reatividade.

No esporte, um nadador pode se concentrar no número de braçadas, no ritmo e na respiração. No trabalho, isso significa focar o preparo, a clareza de raciocínio, a qualidade técnica e a execução, e não o julgamento externo ou o medo de falhar.

Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, esse deslocamento tem efeito direto no cérebro: reduz o estado de ameaça e aumenta a capacidade de concentração e eficiência mental.

Outra semelhança entre o esporte de alto rendimento e o mundo corporativo está na forma como as pessoas lidam com frustrações e expectativas não atendidas.

No esporte, ficar fora de uma convocação pode gerar ruptura emocional após anos de preparação. No trabalho, situações como não conseguir uma promoção ou perder uma oportunidade estratégica produzem impacto semelhante.

🚨 O risco surge quando a frustração deixa de ser interpretada como um episódio e passa a ser incorporada como definição pessoal.

Para os especialistas, essa mudança marca a passagem da frustração saudável para a destrutiva, aquela que afeta a autoestima, aumenta a ansiedade e pode favorecer quadros de adoecimento mental.

No esporte, a convivência com derrotas é parte estruturante da formação. Atletas aprendem desde cedo que perder faz parte do processo e desenvolvem mecanismos para transformar a frustração em adaptação.

“Muitas organizações ainda estão centradas na ideia de sucesso imediato, e não de evolução contínua”, afirma Brehmer.

No esporte de alto rendimento, o descanso não é visto como pausa improdutiva. Ele faz parte da própria estratégia de desempenho. Monitoramento fisiológico, controle de carga, acompanhamento psicológico e técnicas de recuperação são utilizados justamente para evitar queda de rendimento e burnout.

No ambiente corporativo, porém, ainda predomina a associação entre produtividade e disponibilidade constante.

Hiperconectividade, jornadas extensas e dificuldade de desconexão criam um cenário em que o estado de alerta deixa de ser exceção e passa a ser padrão.

Brehmer defende ainda que 'o cérebro humano não foi feito para operar continuamente sob ameaça".

Os efeitos aparecem de forma progressiva: ansiedade, insônia, queda de concentração, redução da criatividade, exaustão emocional e aumento do risco de burnout.

Além disso, ambientes marcados por insegurança psicológica tendem a reduzir a inovação e a qualidade das decisões, porque os profissionais passam a agir para evitar erros, e não para gerar resultados.

Segundo Drago, uma das principais discussões dos próximos anos será justamente compreender que a performance sustentável não nasce apenas da cobrança. Ela depende de fatores como confiança, autonomia, segurança psicológica e senso de pertencimento.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Agentes no OnlyFans controlam e ameaçam modelos enquanto retêm metade dos ganhos, revela BBC

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 03:46

Tecnologia Agentes no OnlyFans controlam e ameaçam modelos enquanto retêm metade dos ganhos, revela BBC Dezenas de criadoras de conteúdo do OnlyFans afirmam ter sido exploradas por gestores que prometiam maximizar seus lucros. Por BBC

Rebecca, criadora de conteúdo no OnlyFans, foi alvo de mensagens abusivas e violência — Foto: Gus Palmer/BBC

Aviso: esta reportagem contém relatos de violência que podem ser perturbadores para alguns leitores

Rebecca, criadora de conteúdo na plataforma OnlyFans, afirma que entrou para uma agência depois que lhe prometeram ajudar a aumentar seus ganhos na rede social voltada para conteúdo adulto.

Em vez disso, segundo ela, foi vítima de abusos, recebeu ameaças contra a filha e teve homens mascarados enviados à sua casa para agredi-la.

A mulher de 29 anos, do sul do País de Gales, diz que seus novos empresários afirmavam que ela era bonita e que "nunca tinham visto uma garota" como ela.

Mas, em poucas semanas, eles se tornaram "bastante controladores", passando a insultar sua aparência e a proibi-la de sair com amigos, conta ela no documentário OnlyFans: Inside the Machine (OnlyFans: Por dentro da Máquina, em tradução livre), da BBC Three (em inglês).

Segundo Rebecca, o comportamento abusivo se intensificou depois que ela alterou os dados de acesso à conta, preocupada com a possibilidade de a agência, que tinha acesso ao perfil, bloqueá-la.

"Vou acabar com você e com sua filha", dizia uma das mensagens enviadas para ela e vistas pela BBC.

Um tijolo foi arremessado contra a janela de sua casa e, algumas semanas depois, dois homens mascarados apareceram no local.

Um deles entrou na residência e, segundo Rebecca, a estrangulou e a jogou "escada acima e abaixo". Ela mostrou à reportagem da BBC fotografias de hematomas nas pernas e no pescoço.

Seu relato faz parte de um padrão de acusações contra agentes que se apresentam nas redes sociais como gestores de contas de OnlyFans, conhecidos pela sigla OFM (OnlyFans Managers).

Eles prometem ajudar os criadores de conteúdo a expandir seus negócios na plataforma, mas informações obtidas pela BBC mostram que, em alguns casos, atuam de forma exploratória e fazem ameaças.

Ouvimos 60 criadores de conteúdo do OnlyFans no Reino Unido e nos infiltramos em um dos maiores grupos privados de agentes no Telegram, chamado OFM Empire, que reúne 24 mil membros.

Ali, encontramos orientações sobre como recrutar criadores, assumir o controle de suas contas e lucrar com isso, muitas vezes recorrendo à ameaça de violência. Um dos usuários chamou essa estratégia de "método cafetão".

A plataforma OnlyFans tem conhecimento de preocupações relacionadas a gestores de contas excessivamente exploradores há pelo menos quatro anos, quando denúncias envolvendo agências começaram a aparecer na imprensa internacional.

Mas, pela primeira vez, nossa investigação se concentra no Reino Unido, onde a plataforma OnlyFans está sediada.

Segundo especialistas em direitos humanos e advogados que tiveram acesso às conclusões da BBC, a plataforma não está fazendo o suficiente para proteger os criadores de conteúdo contra exploração.

"O que a Rebecca viveu reúne sinais amplamente reconhecidos de exploração: controle, coerção, pressão financeira e impossibilidade de sair livremente", afirma à BBC Eleanor Lyons, comissária independente contra a escravidão moderna do Reino Unido.

"É algo que o governo precisa examinar com mais atenção. Podemos estar diante de uma plataforma que facilita a exploração e os abusos."

Um porta-voz do OnlyFans afirmou que "a acusação de que a empresa 'fecha os olhos' [para esses problemas] é infundada".

Segundo esse porta-voz, a companhia leva a segurança dos usuários "extremamente a sério" e investe "pesadamente" em medidas para proteger a sua comunidade. Ele acrescentou ainda que a plataforma cumpre todas as obrigações previstas na Lei de Segurança Online do Reino Unido.

"A relação do OnlyFans é com seus criadores de conteúdo e fãs. Não temos vínculo nem endossamos terceiros, incluindo agências de gestão."

"Infelizmente, não podemos revisar nem influenciar relações contratuais que os criadores escolham estabelecer fora da plataforma, porque não fazemos parte desses acordos."

Gia Clarke e Lily Phillips são criadoras de conteúdo bem-sucedidas no OnlyFans, mas afirmam que as mulheres na plataforma podem estar vulneráveis à exploração — Foto: Gus Palmer/BBC

Mais de 4,6 milhões de criadores de conteúdo em todo o mundo publicam vídeos e fotos para assinantes pagantes no OnlyFans. A plataforma fica com 20% da receita.

Um dos casos de maior sucesso das redes sociais no Reino Unido, a empresa que opera o OnlyFans, a Fenix International, registrou lucro antes de impostos de US$ 684 milhões (cerca de R$ 3,8 bilhões) em seu balanço mais recente.

Ao mesmo tempo, cresceu em torno da plataforma um ecossistema global de gestores de contas conhecidos como OFMs. Eles prometem atrair mais assinantes e aumentar os ganhos dos criadores. Em troca, ficam com uma parte da receita, geralmente 50%.

Gia Clarke, criadora de conteúdo britânica que publica no OnlyFans desde o lançamento da plataforma, há dez anos, diz receber mais mensagens de pessoas que se apresentam como agentes do que de fãs.

"A ideia [dos OFMs] é muito boa. O problema é que há gente demais sem qualificação atuando nessa área. Como não existe regulamentação, as modelos não sabem em quem confiar", afirma. Ela descreve alguns desses gestores como "predatórios".

Contratos entre criadores de conteúdo e esses agentes ou gestores obtidos pela BBC mostram gestores ficando com até 70% dos ganhos. Muitos exigem acesso total às contas e impõem multas a quem tenta encerrar os contratos antes do prazo.

"Eles [OFMs] estão se aproveitando da situação, o que quase coloca esses criadores em uma relação de servidão com agentes e agências, presos a contratos injustos", afirma Matt Jury, do escritório especializado em direitos humanos McCue Jury & Partners.

Sophie Kemp, chefe da área de direito público do Kingsley Napley, concorda. "Isso não parece, de forma alguma, uma relação contratual justa. Esses contratos parecem ser o primeiro passo em direção à exploração dos criadores de conteúdo."

Vários dos 60 criadores de conteúdo ouvidos pela BBC afirmaram que seus gestores acessaram as suas contas e mentiram sobre os ganhos obtidos para ficar com uma parcela maior do dinheiro.

Outro afirmou que seu gestor trocou os dados bancários cadastrados, fazendo com que os pagamentos fossem depositados diretamente na conta dele.

"Crie um e-mail e uma senha para o [OnlyFans] dela. Assim, ela não consegue entrar", escreveu um usuário. "Tenho acesso à plataforma de pagamentos em nome dela usando o e-mail que criei. Tenho a senha. Tenho controle total de tudo."

Segundo um porta-voz do OnlyFans, a plataforma adota "processos rigorosos de verificação de novos usuários, controles de pagamento e monitoramento contínuo das contas".

Ele afirmou que, quando surgem preocupações sobre uma conta, o OnlyFans restringe imediatamente o acesso, abre uma investigação e toma medidas para garantir que o criador de conteúdo esteja no controle do perfil.

Mas, quando uma repórter da BBC criou uma conta usando uma fotografia verificada, ela conseguiu cadastrar os dados bancários de um colega para receber pagamentos de teste.

O OnlyFans informou à BBC que, "no Reino Unido, quando um criador solicita um saque, os prestadores terceirizados responsáveis pelos pagamentos realizam verificações para confirmar o titular da conta bancária. Quando essa checagem não é concluída com sucesso, o pagamento é rejeitado".

Rebecca afirma que decidiu mudar a senha de sua conta no OnlyFans depois que uma amiga, representada pelo mesmo gestor, teve seus dados de acesso alterados sem consentimento e foi impedida de entrar na própria conta.

"Ele estava me enviando o meu próprio endereço e dizendo que iria arrastar eu e minha filha pelos cabelos", relata Rebecca.

Poucos dias depois, segundo ela, um tijolo foi arremessado contra a janela de sua casa. Rebecca afirma que chamou a polícia, mas estava com medo demais para mencionar a agência ligada ao OnlyFans.

Ela também relata ter sido agredida três semanas depois, quando dois homens mascarados apareceram em sua residência.

"Um [deles] estava em cima de mim, me estrangulando, enquanto eu tentava alcançar o telefone para ligar para alguém porque achei que aquele era o fim. Depois que mostraram o que queriam mostrar, pararam e foram embora."

Rebecca está convencida de que o gestor está por trás dos dois episódios. "Não tenho problemas com mais ninguém", afirma.

Outra mulher, que pediu para não ser identificada, conta que inicialmente concordou em repassar entre 35% e 40% de seus ganhos ao gestor da conta, mas depois concluiu que a porcentagem era alta demais.

"Ele me disse que, se eu quisesse reduzir [o] percentual, teria que pagar 10 mil libras (cerca de R$ 74 mil), por todo o tempo e esforço que investiu em mim."

"Será que ele vai aparecer na minha casa? Vai apagar minha conta? Ele costumava contar histórias sobre o que tinha feito com outras garotas, como conseguiu derrubar as contas delas ou enviou advogados às suas casas", afirma.

"Toda semana recebia uma mensagem estranha: 'Você vai receber o que merece. Espere para ver, está chegando'", conta. Desde então, ela rompeu com esse gestor.

Leanne, de 33 anos, assinou um contrato que dava ao gestor acesso à sua conta, autorização para alterar o endereço de e-mail vinculado ao perfil e direito a 50% de seus ganhos, já descontada a parte cobrada pela plataforma.

O contrato, obtido pela BBC, também estabelecia que ela deveria atender aos pedidos de conteúdo dos assinantes em até 24 horas.

Leanne afirma que deixou claro, ao assinar o acordo, que não produziria vídeos sexualmente explícitos. Ainda assim, segundo ela, o gestor a pressionava constantemente para fazê-los.

Por fim, aceitou gravar um vídeo desse tipo "para fazê-los calar a boca", desde que ele não fosse vendido aos seguidores por menos de US$ 250 (cerca de R$ 1.400).

Ela diz ter se sentido "fisicamente nauseada" depois da gravação e afirma que nem sequer assistiu ao vídeo.

"Isso me fez sentir tão nojenta e tão humilhada", afirma. Ela não publica mais conteúdo no OnlyFans.

O OnlyFans já tinha conhecimento de preocupações relacionadas a OFMs excessivamente exploradores por meio da cobertura da imprensa. Mas a BBC também identificou pelo menos uma criadora de conteúdo que tentou alertar diretamente a empresa.

Riley informou a plataforma sobre discussões no grupo OFM Empire que sugeriam que agentes estavam comprando e vendendo contratos de criadores de conteúdo sem que eles soubessem.

"As táticas desses grupos se tornam cada vez mais exploratórias", escreveu ela em um e-mail enviado à equipe de suporte do OnlyFans em 2024, visto pela BBC.

A plataforma pediu que ela apresentasse provas. Riley então enviou links para o OFM Empire e capturas de tela de mensagens publicadas no fórum.

Posteriormente, ela foi informada de que não havia evidências suficientes para que o OnlyFans tomasse alguma providência.

O OnlyFans afirmou à BBC que "quaisquer pessoas mal-intencionadas que estejam explorando criadores de conteúdo" devem ser denunciadas à plataforma e, quando necessário, à polícia, para que "possam ser responsabilizadas e para que medidas apropriadas sejam tomadas para proteger nossa comunidade de criadores".

Lyons, comissária independente contra a escravidão moderna do Reino Unido, afirma que o OnlyFans tem a obrigação legal de proteger os usuários contra conteúdo ilegal e de agir rapidamente para removê-lo quando toma conhecimento dele.

"É alarmante que casos de exploração estejam sendo denunciados e aparentemente não recebam uma resposta adequada", diz Lyons após analisar os e-mails enviados por Riley.

"Isso levanta sérias dúvidas sobre se o OnlyFans está cumprindo suas obrigações legais de proteger os usuários."

Lyons afirma que já está dialogando com o Ofcom, órgão regulador da segurança online no Reino Unido, e com formuladores de políticas públicas, que, segundo ela, "precisam prestar muito mais atenção" ao problema.

Ela acrescenta que esses agentes ou gestores deveriam estar sujeitos a uma fiscalização mais rigorosa e possivelmente a um sistema de licenciamento.

O Ofcom informou à BBC que os relatos das vítimas apresentados nesta investigação são "profundamente preocupantes".

"Plataformas e aplicativos regulados, como o OnlyFans, devem avaliar o risco de seus serviços serem utilizados para facilitar a prática de crimes", afirmou o órgão em nota.

"No entanto, delitos cometidos inteiramente fora do ambiente digital não estão abrangidos pela Lei de Segurança Online."

Lily Phillips, uma das criadoras de conteúdo britânicas mais bem remuneradas do OnlyFans, afirma que a falta de regulamentação dos OFMs cria "um ambiente perigoso, no qual pessoas vulneráveis podem ser exploradas".

"As pessoas percebem quanto dinheiro é possível ganhar no OnlyFans. Então todo mundo quer uma fatia desse mercado, especialmente os homens… eles querem uma parte", afirma.

Kemp, do escritório de advocacia Kingsley Napley, afirma que o OnlyFans tem um dever de cuidado em relação aos criadores de conteúdo e que, com base nas evidências reunidas pela BBC, acredita que "é apenas uma questão de tempo até que o OnlyFans enfrente ações por negligência movidas por criadores que sofreram danos".

Rebecca diz que queria provar que sua antiga agência estava errada ao fazer sucesso por conta própria no OnlyFans.

Hoje, ela é representada por uma agência em que o conteúdo é gerenciado por mulheres, o que, segundo ela, a faz "se sentir muito melhor".

Rebecca afirma que trabalhar como criadora de conteúdo no OnlyFans "não é algo para sempre" e espera que, um dia, tenha ganhado dinheiro suficiente para talvez abrir sua própria escola de equitação.

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Flórida acusa TikTok de violar lei que proíbe menores de 14 anos em redes sociais

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/06/2026 17:50

Tecnologia Flórida acusa TikTok de violar lei que proíbe menores de 14 anos em redes sociais Estado americano acusa a rede social de deturpar dados sobre conteúdo violento ou sexual ao qual crianças podem acessar. Por Redação g1 — São Paulo

O estado americano da Flórida abriu nesta segunda-feira (15) um processo contra o TikTok, alegando que a empresa viola uma lei estadual ao deixar menores de 14 anos criarem contas na plataforma.

A ação também acusa o TikTok de deturpar dados sobre conteúdo violento ou sexual ao qual crianças têm acesso na rede social.

O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, disse que o TikTok engana pais de crianças de forma consciente. "Temos tolerância zero para empresas que priorizam o lucro em detrimento da segurança das crianças", afirmou.

A lei da Flórida, conhecida como H.B. 3, exige que redes sociais proíbam o acesso de menores de 14 anos e que usuários de 16 anos obtenham consentimento dos pais antes de abrir uma conta. A regra começou a valer em janeiro de 2025.

O processo busca uma ordem judicial que obrigue a rede social controlada pela chinesa ByteDance a fazer alterações para se adequar à lei, bem como a pagar indenização por danos financeiros.

O TikTok enfrenta processos abertos por mais de 25 estados americanos, que alegam que o aplicativo é projetado para viciar jovens, levando a uma crise de saúde mental entre crianças e adolescentes.

Processos abertos por indivíduos e distritos escolares dos EUA também acusam TikTok e rivais como a Meta, dona do Instagram e do Facebook, de impactar negativamente usuários mais jovens. As empresas negam as alegações e dizem tomar medidas para mantê-los seguros.

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Flávio Bolsonaro confirma Daniella Marques na campanha para cuidar de propostas da área econômica

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/06/2026 14:47

São Paulo Eleições 2026 em São Paulo Flávio Bolsonaro confirma Daniella Marques na campanha para cuidar de propostas da área econômica Senador e pré-candidato à presidência da República conta com a participação da administradora para auxiliá-lo em propostas econômicas e sociais. Por Camila da Silva, g1 — São Paulo

O senador Flávio Bolsonaro confirmou que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, atuará na elaboração de propostas econômicas e sociais para sua pré-campanha presidencial.

Para se dedicar ao projeto, Daniella se licenciou por 6 meses da empresa Legend e busca formular um modelo econômico "mais austero e virtuoso".

Antes de presidir a Caixa em 2022, ela foi secretária especial no Ministério da Economia e uma das principais assessoras do ex-ministro Paulo Guedes.

O parlamentar destacou que a economista contribuirá com projetos voltados para microcrédito, educação financeira, desburocratização e apoio a mulheres empreendedoras no país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta segunda-feira (15) que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro, deverá ajudá-lo na elaboração de propostas para as áreas econômica e social de sua pré-campanha à Presidência da República.

“Ela está perto de nós aqui na campanha e vai me ajudar nessa parte econômica, mas, principalmente, na pauta de responsabilidade social”, declarou.

Segundo o blog da Ana Flor, a ex-presidente da Caixa se licenciou por seis meses da Legend, empresa em que trabalha, para se dedicar ao projeto. Daniella afirmou que pretende ajudar a formular um modelo econômico “mais austero e virtuoso” e já vinha atuando informalmente nos contatos de Flávio para difundir propostas econômicas.

Daniella foi nomeada presidente da Caixa por Jair Bolsonaro em junho de 2022, após a saída de Pedro Guimarães, que deixou o cargo depois da divulgação de denúncias de assédio sexual.

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Antes de assumir o banco, ela era secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia e integrava, desde o início do governo Bolsonaro, a equipe do então ministro Paulo Guedes, de quem era considerada uma das principais assessoras.

Daniella Marques em entrevista enquanto era presidente da Caixa Economica Federal — Foto: Eraldo Peres/AP

Na ocasião de sua indicação para a Caixa, Daniella afirmou que pretendia fortalecer a governança do banco e criar uma força-tarefa para investigar as denúncias de assédio. Ela comandou a instituição até o início do governo Lula.

O senador destacou a experiência dela na Caixa, especialmente em iniciativas voltadas a mulheres empreendedoras.

“Com a experiência que ela teve na Caixa Econômica e com programas específicos para as mulheres empreendedoras, ela mostrou como é possível, com o uso de tecnologia, boa vontade e boas políticas públicas, estender a mão para aquelas pessoas que querem caminhar com as próprias pernas e empreender, mas não sabem como”, afirmou.

Segundo Flávio, Daniella poderá contribuir com propostas de microcrédito, educação financeira e redução da burocracia para facilitar a abertura e a manutenção de pequenos negócios.

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Contrabando, espionagem, sabotagem: como a Rússia usa ‘frota fantasma’ para contornar sanções do Ocidente

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/06/2026 13:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,058-0,08%Dólar TurismoR$ 5,260-0,12%Euro ComercialR$ 5,8670,17%Euro TurismoR$ 6,1140,09%B3Ibovespa171.971 pts0,49%MoedasDólar ComercialR$ 5,058-0,08%Dólar TurismoR$ 5,260-0,12%Euro ComercialR$ 5,8670,17%Euro TurismoR$ 6,1140,09%B3Ibovespa171.971 pts0,49%MoedasDólar ComercialR$ 5,058-0,08%Dólar TurismoR$ 5,260-0,12%Euro ComercialR$ 5,8670,17%Euro TurismoR$ 6,1140,09%B3Ibovespa171.971 pts0,49%Oferecido por

O navio de patrulha HSwMS Carlskrona acompanha um navio cargueiro perto do litoral da Suécia, como parte da missão da Otan Sentinela do Báltico — Foto: AFP via BBC

O Kremlin afirma que a Rússia está "imune" às sanções impostas pelo presidente americano, Donald Trump, a duas das suas maiores companhias de petróleo.

O que mantém as exportações russas de petróleo por via marítima é uma "frota fantasma": navios petroleiros "zumbis" transportam milhões de barris de petróleo para compradores em busca de barganhas de todo o mundo, evitando as sanções.

A frota tem outros clientes além da Rússia, como aiatolás iranianos, generais venezuelanos e até comerciantes oportunistas e inescrupulosos do Ocidente, que se preocupam mais com o lucro do que com as ameaças ao meio ambiente, à segurança e, em alguns casos, à liberdade da tripulação, abandonada com cada vez mais frequência em navios que permanecem isolados no mar por meses ou até anos.

Mas a atividade da frota fantasma atingiu seu pico após a invasão da Ucrânia, em 2022. E o principal beneficiário desta marinha secreta é o regime de Vladimir Putin.

Ela serve não só para contrabandear o principal produto de exportação da Rússia, trazendo receita para financiar a "máquina de guerra" russa, nas palavras de Trump, mas também para operações "híbridas" de espionagem e sabotagem contra países da Otan na Europa e os oleodutos e cabos submarinos que os conectam.

A Rússia é um dos três maiores exportadores de petróleo do mundo, ao lado dos Estados Unidos e da Arábia Saudita.

Em 2024, a Rússia extraiu cerca de 10% do petróleo do mundo, segundo a Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos.

Antes da guerra na Ucrânia, quase todas as suas exportações de petróleo por via marítima eram realizadas por meio de petroleiros ocidentais, principalmente da Grécia. As operações comerciais eram realizadas na Suíça e o seguro era contratado em Londres.

Mas, agora, até quatro a cada cinco petroleiros que transportam petróleo russo não contam com seguro reconhecido por uma das 12 companhias de seguro mútuo do Grupo Internacional de Clubes de Proteção e Indenização, que cobrem cerca de 90% de todas as cargas marítimas, segundo analistas da empresa de informações financeiras S&P Global.

Analistas calculam que, atualmente, a frota fantasma transporte 80% das exportações de petróleo da Rússia por via marítima, desafiando as sanções do Ocidente — Foto: AFP via BBC

Os dados indicam que a frota fantasma, agora, transporte 80% do petróleo russo, desafiando as sanções do Ocidente.

"A Rússia formou uma frota fantasma de petroleiros, que permite ao país se esquivar das sanções", segundo o economista sênior do Instituto Kiev School of Economics, Benjamin Hilgenstock.

"Mas eles também são velhos, não recebem manutenção adequada e, provavelmente, não contam com cobertura de seguro suficiente contra vazamentos de petróleo."

"E o que ocorre é que cerca de 75% das exportações de petróleo da Rússia por via marítima precisam sair dos portos do mar Báltico e do mar Negro", prossegue o economista, "o que significa que esses navios atravessam as águas europeias várias vezes por dia."

A maior parte do petróleo iraniano é transportada para terminais como este, na província chinesa de Shandong — Foto: Getty Images via BBC

Cerca de um a cada cinco petroleiros no oceano faz parte da frota fantasma, segundo a S&P. São navios corroídos, que navegam sob bandeiras obscuras, para contrabandear petróleo de países objeto de sanções.

Destes, 50% transportam apenas petróleo russo e seus derivados, 20% apenas do Irã e 10%, apenas da Venezuela. Mas os 20% restantes não são afiliados a nenhum país e transportam petróleo produzido por mais de um dos países sancionados.

A maior frota, que serve a Rússia, o Irã e a Venezuela, tem como destino principal a Índia e a China, os países mais populosos do mundo e os maiores importadores de petróleo e derivados por via marítima.

Compradores de petróleo russo em menor quantidade incluem a Turquia, Singapura e os Emirados Árabes Unidos.

eles realizam transferências de petróleo para outras embarcações em águas internacionais, onde o acompanhamento das autoridades portuárias é menor; às vezes, essas transferências ocorrem sob mau tempo, para ocultar a origem da cargaos navios também desligam ou manipulam seu sistema automático de identificação, que transmite dados como sua posição, velocidade, rota, nome, bandeira e tipo de navio; às vezes, eles falsificam suas localizações de forma tão desastrada que são mostrados como se estivessem "navegando em terra", como ocorreu com o navio Black Pearl, na série de filmes Piratas do Caribe (2003-2017)eles são transformados em "navios fantasmas", ocultando dados do proprietário, alterando sua bandeira de registro, navegando sem bandeira ou até alterando o nome do petroleiro várias vezes por mêsoutros passam a ser "navios zumbis", transmitindo números de registro da Organização Marítima Internacional que, na verdade, são atribuídos a navios programados para desmonte, como se usassem a identidade de uma pessoa morta

O número de navios com bandeiras falsas cresceu em pelo menos 65% entre janeiro e agosto de 2025, segundo a empresa de análises marítimas Windward. Ela estima que a frota fantasma compreenda, agora, 1,3 mil navios.

Embora outros sejam tecnicamente legais, os países emitentes são novos neste setor e não possuem disposição ou capacidade de monitorar o uso de suas bandeiras.

"Segundo a regulamentação da navegação global, os Estados emissores das bandeiras detêm a tarefa de garantir que os padrões técnicos sejam seguidos e que haja seguro adequado contra vazamentos de petróleo", segundo Hilgenstock.

"Mas, em relação à frota fantasma da Rússia, estamos falando de jurisdições que, simplesmente, não são confiáveis para desempenhar esta função."

Em outubro de 2025, um petroleiro com bandeira do Benin, suspeito de servir de plataforma de lançamento de drones misteriosos que forçaram o fechamento de aeroportos na Dinamarca, foi detido perto do litoral da França.

Inicialmente, o promotor público de Brest, na França, Stéphane Kellenberger, declarou à agência de notícias France-Presse que a detenção ocorreu devido à "recusa da tripulação a cooperar" e à "falta de justificativa para a nacionalidade do navio".

O navio se chamava Boracay e havia recentemente mudado de nome. Antes, ele se chamava Pushpa e já havia sido batizado como Odysseus, Varuna e Kiwala — e navegado com sete bandeiras diferentes.

Ao ser interceptado pela marinha francesa, ele transportava 750 mil barris de petróleo provenientes do terminal petrolífero russo de Primorsk, perto de São Petersburgo, para Vadinar, no oeste da Índia.

Houve também incursões suspeitas de drones russos nos céus de três aliados da Otan: Suécia, Noruega e Alemanha. E, no dia 6 de novembro de 2025, o aeroporto de Bruxelas, na Bélgica, foi forçado a fechar temporariamente, quando drones foram identificados em locais próximos e em outras regiões do país, incluindo uma base militar.

Como resultado da investigação sobre o Boracay, países da Otan lançaram a missão Sentinela do Báltico.

"Os capitães dos navios precisam entender que potenciais ameaças à nossa infraestrutura terão consequências, incluindo possíveis abordagens, apreensões e prisões", afirmou o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

O Reino Unido, Dinamarca, Suécia e Polônia afirmam que estão inspecionando documentos de seguro no Canal da Mancha, nos estreitos dinamarqueses, no golfo da Finlândia e no estreito entre a Suécia e a Dinamarca.

Já a Estônia, Finlândia, Alemanha, Islândia, Letônia, Lituânia, Holanda e Noruega concordaram em "interceptar e deter" navios fantasmas da Rússia, em resposta a diversos cortes de cabos e incidentes submarinos sem explicação, perto de infraestrutura crítica instalada no mar Báltico.

Mas os navios da frota fantasma só podem ser interceptados nos portos ou em águas territoriais, uma zona estreita a 12 milhas náuticas (cerca de 22 km) do litoral.

Em águas internacionais, a interceptação é muito mais difícil, especialmente porque o Ocidente é o principal defensor da liberdade de navegação no mundo. E, segundo o princípio de "passagem inocente", os Estados só podem interceptar navios que eles acreditem ameaçar a sua segurança.

Políticos russos reivindicam que eventuais ações hostis contra petroleiros transportando petróleo produzido no país sejam considerados um ataque à Rússia. E, quando a Estônia tentou deter um petroleiro que navegava sem bandeira entre a Estônia e a Finlândia, em maio de 2025, Moscou enviou um jato de combate para voar em torno dele.

As principais empresas de navegação normalmente aposentam os petroleiros com cerca de 15 anos de serviço. E, aos 25, eles são normalmente transformados em sucata.

Mas os navios da frota fantasma não são aceitos para desmantelamento. E, em dezembro de 2024, autoridades russas tiveram dificuldades para conter até 5 mil toneladas de petróleo, que vazaram de dois petroleiros de 50 anos danificados em uma forte tempestade de fim de semana, no estreito de Kerch.

Um importante cientista russo considerou o vazamento a pior "catástrofe ambiental" do país no século 21.

"Esta é a primeira vez em que houve vazamento de óleo combustível nessas quantidades", declarou a um jornal russo o chefe da Academia Russa de Ciências, Viktor Danilov-Danilyan.

Empresas de fachada em jurisdições como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos — algumas delas, financiadas por empresas petrolíferas russas, segundo o jornal Financial Times — compram navios no fim da sua vida útil, desestabilizando o mercado e desestimulando o investimento em novos petroleiros.

Em seguida, um rápido processo de compra e venda por anônimos ou empresas recém-formadas obscurece o rastreamento dos navios.

E a manutenção dos petroleiros é tão ruim quanto a sua regulamentação, deixando os navios sujeitos a vazamentos e falhas mecânicas. Transponders quebrados ou desligados também aumentam o risco de colisão com outros navios em águas rasas.

Um petroleiro capaz de atravessar o canal de Suez com 15 anos de idade custa cerca de US$ 40 milhões (cerca de R$ 202 milhões), segundo a corretora Xclusiv Shipbrokers. Já a S&P afirma que uma única viagem de um mês transportando petróleo russo do mar Negro para a Índia pode render para o seu dono mais de US$ 5 milhões (cerca de R$ 25,2 milhões).

Os donos de navios fantasmas embolsam os lucros, repassando os possíveis prejuízos para o resto do mundo. Afinal, sem a cobertura de seguro, alguém terá que pagar pelos danos no caso de acidentes ou vazamentos de óleo.

E, mesmo quando as sanções forem levantadas, a marinha fantasma continuará navegando e formando novos grupos em outros setores do transporte marítimo.

Já estão surgindo os esboços de uma "Frota Fantasma 2.0", segundo a publicação especializada Lloyd's List. Ela menciona, como exemplo, um navio porta-contêineres chinês chamado Heng Yang 9, identificado repetidas vezes em rotas entre a Ucrânia ocupada pela Rússia e Istambul, na Turquia.

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OpenAI derrota ação da xAI sobre suposto roubo de segredos comerciais

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/06/2026 13:46

Tecnologia OpenAI derrota ação da xAI sobre suposto roubo de segredos comerciais Juíza concluiu que a empresa de Elon Musk não apresentou provas de que a OpenAI obteve informações confidenciais de forma indevida durante o recrutamento de um ex-engenheiro da rival. Por Reuters

Uma juíza federal dos Estados Unidos rejeitou a ação movida pela xAI, de Elon Musk, que acusava a OpenAI de roubar segredos comerciais da empresa.

A magistrada Rita Lin afirmou que a xAI não comprovou que a OpenAI incentivou o ex-engenheiro Xuechen Li a obter informações confidenciais indevidamente.

Segundo a juíza, não há provas de que Li revelou segredos do chatbot Grok. Ela encerrou o processo definitivamente por considerar uma nova tentativa "inútil".

A ação, iniciada em setembro do ano passado, alegava que ex-funcionários levaram códigos-fonte confidenciais para a OpenAI ao mudarem de emprego.

A xAI faz parte do grupo SpaceX, liderado por Elon Musk. Até o momento, os advogados da empresa não comentaram a decisão judicial.

Uma juíza federal dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira uma ação movida pela xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, que acusava a OpenAI, de Sam Altman, de se apropriar de segredos comerciais da companhia.

A juíza Rita Lin, de São Francisco, afirmou que a xAI não conseguiu comprovar que a OpenAI incentivou o ex-engenheiro da empresa Xuechen Li a obter informações confidenciais de forma indevida.

Segundo a magistrada, também não há evidências de que Li tenha revelado segredos comerciais da xAI durante uma apresentação feita enquanto participava de um processo de recrutamento da OpenAI.

Lin encerrou o processo de forma definitiva, afirmando que seria "inútil" permitir que a xAI continuasse com a ação. Em fevereiro, ela já havia rejeitado uma versão anterior do processo.

Apresentada originalmente em setembro do ano passado, a ação alegava que ex-funcionários da xAI levaram informações confidenciais da empresa, incluindo códigos-fonte relacionados ao chatbot Grok, ao deixarem seus cargos para trabalhar na OpenAI.

A xAI integra o grupo SpaceX, controlado por Elon Musk e com atuação nas áreas espacial, de satélites e de inteligência artificial.

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT — Foto: AP/Michael Dwyer, Arquivo

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Justiça aprova pedido de recuperação judicial da dona da Tok&Stok e da Mobly

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/06/2026 11:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,042-0,39%Dólar TurismoR$ 5,248-0,35%Euro ComercialR$ 5,855-0,04%Euro TurismoR$ 6,106-0,04%B3Ibovespa173.407 pts1,33%MoedasDólar ComercialR$ 5,042-0,39%Dólar TurismoR$ 5,248-0,35%Euro ComercialR$ 5,855-0,04%Euro TurismoR$ 6,106-0,04%B3Ibovespa173.407 pts1,33%MoedasDólar ComercialR$ 5,042-0,39%Dólar TurismoR$ 5,248-0,35%Euro ComercialR$ 5,855-0,04%Euro TurismoR$ 6,106-0,04%B3Ibovespa173.407 pts1,33%Oferecido por

O Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, afirmou nesta segunda-feira (15) que a Justiça aprovou o pedido de recuperação judicial da companhia e de suas subsidiárias.

🔎 Recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando.

A empresa entrou com o pedido de recuperação judicial em maio deste ano, na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, citando uma dívida superior a R$ 1 bilhão.

Na ocasião, a companhia informou que a decisão foi tomada após dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito.

Segundo a empresa, esse cenário reduziu as vendas e afetou o caixa do grupo. A Toky também afirmou que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou crescendo.

A companhia afirmou que o objetivo do pedido é preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as obrigações financeiras.

No pedido de recuperação judicial protocolado na Justiça de São Paulo, o Grupo Toky solicitou medidas urgentes para evitar o colapso das operações e garantir a continuidade das atividades, citando "risco de dano irreparável" nas operações da companhia.

Um dos principais pedidos da empresa é a liberação imediata de cerca de R$ 77 milhões em valores de vendas feitas no cartão de crédito que estão retidos pela SRM Bank.Segundo o grupo, o bloqueio desses valores afetou o caixa da empresa e colocou em risco pagamentos básicos, como salários de mais de 2 mil funcionários.A companhia também pediu à Justiça a suspensão, por 180 dias, de cobranças e ações por dívidas enquanto tenta renegociar os débitos com credores (o chamado “stay period”).

Outro ponto do pedido é a manutenção de contratos e serviços considerados essenciais para o funcionamento da empresa.

O grupo quer impedir interrupções em operações de logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, energia elétrica e abastecimento de água.

O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas marcas tradicionais do setor de móveis e decoração no Brasil.

A fusão deu origem a um dos maiores grupos de varejo de casa e decoração da América Latina, combinando operações físicas e digitais.

A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco em vendas online de móveis e itens de decoração.

A empresa recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu sua atuação para lojas físicas, contando atualmente com 11 unidades entre megastores, outlets e lojas compactas.

Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando o crescimento da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país.

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