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‘Assédio por pelos’: por que campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 08:56

Trabalho e Carreira 'Assédio por pelos': por que campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão Governo metropolitano de Tóquio incentiva homens a trocar terno e gravata por camisetas, tênis e bermudas no ambiente de trabalho; medida tem dividido opiniões. Por BBC

'Assédio por pelos': como campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão — Foto: Getty Images

Com o aumento das temperaturas este verão no Japão, o governo metropolitano de Tóquio está incentivando os homens a trocarem o tradicional terno e gravata por roupas mais casuais — camisetas, tênis e, agora, bermudas — no ambiente de trabalho.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, lançou em abril a iniciativa Tokyo Cool Biz, com o objetivo de ampliar sua campanha de combate ao calor, que já se tornou uma tradição anual no verão japonês.

Quase quatro meses depois, a medida que tornou aceitável o uso de bermudas no escritório divide opiniões.

Alguns funcionários aprovam as regras mais flexíveis, que permitem trabalhar com mais conforto. Outros dizem que a política é injusta com as mulheres, já que delas ainda se espera o uso de meia-calça quando deixam parte das pernas à mostra.

E algumas mulheres descrevem a situação como sunehara, termo criado na internet que significa "assédio por pelos nas pernas" e descreve o desconforto que elas sentem ao serem obrigadas a ver os pelos das pernas dos colegas homens.

"Queremos oferecer às pessoas mais opções durante o calor intenso, não dizer o que elas devem vestir. Não deve haver problema desde que a roupa de trabalho não seja ofensiva para ninguém", afirmou à BBC Noboru Watanabe, funcionário da área ambiental do governo metropolitano de Tóquio.

'Assédio por pelos': como campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão — Foto: Getty Images

Uma pesquisa realizada em junho pela Gorilla Clinic — especializada em tratamentos estéticos, entre eles, remoção de pelos — mostrou que 53,5% dos entrevistados são contra o uso de bermudas no trabalho durante o verão, enquanto 46,5% apoiam a nova recomendação.

Entre os que são contra o uso, o principal motivo apontado — tanto por homens quanto por mulheres — foi a preocupação com a aparência do corpo e com os pelos.

A clínica afirma que o número de mulheres contrárias foi significativamente maior, indicando que elas podem ser mais resistentes a ver as pernas dos colegas homens.

Nos últimos anos, mais trabalhadores japoneses — especialmente aqueles que atuam em startups e empresas de tecnologia — passaram a usar roupas mais informais no trabalho. Mas a recomendação do governo de Tóquio neste ano tornou esse estilo mais socialmente aceito.

Akifumi Funatsu, diretor da Gorilla Clinic, afirma ter percebido um aumento de clientes que procuram a clínica não apenas por motivos estéticos, mas também por uma questão de "etiqueta social ao usar bermudas".

Segundo ele, algumas mulheres acreditam que "os homens deveriam ter menos pelos nas pernas", o que levou alguns trabalhadores a buscar depilação a laser para evitar causar desconforto às pessoas ao redor.

Koike introduziu pela primeira vez a mudança no vestuário de verão em 2005, quando era ministra do Meio Ambiente do Japão. Ela lançou uma campanha nacional de economia de energia chamada Cool Biz, que incentivava funcionários de empresas a optarem por camisas de manga curta.

Líderes do governo aderiram à iniciativa. O então primeiro-ministro Junichiro Koizumi era frequentemente visto em público sem gravata ou paletó, ajudando a popularizar a campanha.

Alguns anos depois, após o terremoto e tsunami de Tohoku, em março de 2011, o governo lançou o Super Cool Biz, ampliando as recomendações para reduzir o consumo de energia tanto no trabalho quanto em casa.

Assim como outros países, o Japão vem enfrentando temperaturas recordes nos últimos meses, enquanto lida com o aumento dos preços da energia provocado pela instabilidade no Oriente Médio.

Meteorologistas alertaram para um verão de calor extremo e a Agência Meteorológica do Japão tenta aumentar a conscientização da população com o termo kokusho-bi, que significa "dia de calor extremo", quando a temperatura ultrapassa os 40°C.

Os dados mais recentes divulgados semanalmente mostram que sete pessoas morreram no Japão por insolação e 4.580 foram internadas em hospitais entre 6 e 12 de julho, segundo a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres.

Além de manter a hidratação e ligar o ar-condicionado — medidas básicas frequentemente recomendadas pelas autoridades —, moradores têm recorrido a novos produtos e tecnologias para enfrentar o calor.

Itens como roupas com ventiladores embutidos, toalhas úmidas descartáveis, guarda-chuvas com proteção contra raios ultravioleta e calor, além de ventiladores portáteis, se tornaram populares e passaram a ser vendidos em lojas de todo o país.

Especialistas da Rede Acadêmica Japonesa para Redução de Desastres destacam a importância da aclimatação ao calor, já que o corpo leva várias semanas para se adaptar às altas temperaturas.

Segundo eles, o ideal é começar a se preparar para o calor e adotar medidas de prevenção contra a insolação ainda durante a temporada de chuvas, antes da chegada do verão mais intenso.

O Japão também enfrenta altos níveis de umidade, o que dificulta a evaporação do suor e reduz a capacidade do corpo de se resfriar.

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Falta de emprego entre jovens vira desafio global

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 08:56

Trabalho e Carreira Falta de emprego entre jovens vira desafio global Criação de vagas não acompanha o número de novos trabalhadores, gerando protestos em diversos países. Crescimento econômico lento, maior concorrência e novas tecnologias alimentam o problema. Por Deutsche Welle

Jovens encontram mercado em transformação com avanço da IA e novas configurações sociais — Foto: Joerg Carstensen/picture alliance

A dificuldade de inserção de jovens no mercado de trabalho deixou de ser um problema localizado e passou a mobilizar diferentes países. No ano passado, o desemprego persistente e a escassez de oportunidades levaram manifestantes às ruas no Quênia, Peru, Nepal, Indonésia e Filipinas.

Neste ano, a preocupação com a falta de trabalho para essa faixa etária também impulsionou protestos na África do Sul e no Marrocos. Na Índia, ajudou a dar visibilidade ao Partido Cockroach Janta, movimento que surgiu como uma iniciativa satírica nas redes sociais e rapidamente ganhou projeção nacional.

O desemprego juvenil mede a parcela de jovens, normalmente entre 15 e 24 anos, que procuram trabalho ativamente, mas não conseguem uma vaga. Essa taxa costuma superar a de desemprego geral, em razão da menor experiência profissional e das barreiras enfrentadas por quem está iniciando a carreira. Ainda assim, a diferença entre os dois indicadores tem aumentado em um número crescente de países.

A China tornou-se um dos exemplos mais visíveis desse fenômeno. O avanço das matrículas no ensino superior e o aumento do número de formados ocorreram em ritmo mais acelerado do que a criação de empregos, contribuindo para a ansiedade, a prolongada busca por trabalho e o subemprego em um período de desaceleração econômica.

Em maio, a taxa oficial de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos na China foi de 15,6%, segundo dados do governo citados pela agência Reuters. Embora seja o menor nível em 11 meses, o índice permanece muito acima da taxa geral de desemprego do país, em torno de 5%.

Desde 2023, as estatísticas chinesas sobre desemprego juvenil deixaram de incluir os milhões de estudantes universitários, o que dificulta a comparação com os dados anteriores.

No Brasil, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho também afeta de forma desproporcional os mais jovens. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos é de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%. Entre a população de 14 a 24 anos, quase 20% não estudam nem trabalham.

Em alguns países, há crescimento do emprego juvenil em vagas que exigem menor qualificação — Foto: Stefan Sauer/dpa/picture alliance

A China não é o único país a enfrentar crescimento econômico fraco, menor mobilidade social e uma crescente percepção de desigualdade entre gerações.

Em diversas economias, o avanço tecnológico, a desaceleração das contratações e o aumento da concorrência têm enfraquecido a relação tradicional entre diploma universitário e emprego estável de colarinho-branco.

Além do aumento do número de graduados, outro fator que alimenta a insegurança é o temor de que a inteligência artificial (IA) elimine postos de trabalho de entrada. Os especialistas, porém, ainda não chegaram a um consenso sobre os efeitos da tecnologia.

"No Reino Unido, as novas vagas para graduados caíram mais rapidamente do que as destinadas a pessoas sem formação universitária, e muitas dessas funções apresentam alta exposição à IA", afirma Golo Henseke, professor associado de economia aplicada da University College London.

Segundo pesquisa conduzida por ele, regiões em que as empresas adotaram a IA mais rapidamente registraram crescimento mais lento do emprego entre pessoas de 15 a 24 anos, enquanto a ocupação entre trabalhadores em idade principal permaneceu estável. Ainda assim, Henseke avalia que, por enquanto, o impacto da IA é pequeno quando comparado aos efeitos normais do ciclo econômico.

Sara Elder, especialista em emprego juvenil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), concorda. Para ela, a IA pode contribuir para a estagnação do emprego entre jovens, mas não é o principal fator.

"No momento, as economias não estão suficientemente dinâmicas, e a criação de vagas não acompanha o número de jovens que entram no mercado de trabalho", afirma.

Segundo Elder, o problema é agravado pela tendência de empregadores elevarem as exigências de contratação, dificultando a entrada de candidatos com pouca experiência profissional.

Sem oportunidades em cargos de entrada, muitos jovens podem deixar de adquirir a experiência necessária para avançar na carreira. As consequências incluem menor consumo, redução das taxas de compra de imóveis, adiamento da formação de famílias e aumento da frustração social. Muitos se dizem cada vez mais endivididados.

A OIT identificou aumento das taxas de desemprego juvenil em oito das 11 regiões do mundo entre 2023 e 2025, incluindo o Leste Asiático, a América do Norte e o Sudeste Asiático e Pacífico.

Por outro lado, segundo Elder, empregos técnicos altamente qualificados e intensivos em conhecimento, como os das áreas de ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação e comunicação, apresentaram desempenho mais favorável e seguiram em expansão na maioria dos países.

O crescimento econômico mais lento, a concorrência acirrada entre graduados e as mudanças nos critérios de contratação tornaram mais difícil para muitos jovens conquistar o primeiro emprego.

Na Alemanha, uma pesquisa da consultoria EY mostrou que os estudantes estão menos otimistas em relação à possibilidade de encontrar trabalho adequado após a graduação do que estavam há dois anos. A segurança no emprego também superou o salário como principal critério na escolha de um empregador.

Para Elder, esse cenário evidencia a necessidade de investimentos públicos e privados na criação de empregos de qualidade e em políticas que facilitem a transição dos jovens da escola para o mercado de trabalho.

Henseke, por sua vez, demonstra cautela ao atribuir o problema à qualificação das novas gerações.

"É muito improvável que os graduados de hoje sejam menos capacitados do que aqueles que concluíram os estudos há apenas alguns anos, e as competências exigidas pelos empregadores não mudaram da noite para o dia", afirma.

"Mais do que qualquer outra medida, o que realmente ajudaria seria um crescimento econômico mais forte", conclui.

Ainda assim, ele não vê a Europa enfrentando atualmente uma crise generalizada de emprego juvenil. A taxa de desemprego juvenil na União Europeia foi de 15,2% em maio, contra 5,9% para a população em geral.

Desde 2022, a proporção de jovens que não estudam, não trabalham nem participam de programas de formação aumentou apenas em alguns países europeus, como Áustria e Alemanha, e caiu em grande parte do sul do continente.

"O desemprego juvenil também não é novidade na Europa", afirma. "Ele foi especialmente grave após a crise financeira global, e as maiores melhorias ocorreram justamente nos países mais afetados naquele período."

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Petróleo supera US$ 95 pela primeira vez desde junho após escalada da guerra entre EUA e Irã

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 08:56

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%Oferecido por

O barril do Brent superou US$ 95 nesta quarta-feira (22) devido à escalada das tensões entre EUA e Irã. O mercado teme interrupções no fornecimento.

Na madrugada, os EUA bombardearam alvos iranianos pela 11ª noite consecutiva. O Irã realizou ataques contra instalações militares americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia.

Um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz. Além disso, os Houthis anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no estreito de Bab el-Mandeb.

Na terça-feira (21), dois petroleiros sauditas mudaram de rota no Mar Vermelho após ameaças dos Houthis. O episódio reforçou receios de comprometimento do abastecimento mundial.

A disparada impulsionou bolsas europeias, enquanto futuros americanos caíram. O avanço da commodity eleva desafios para bancos centrais ante o risco de maior pressão inflacionária.

Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira (22), em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O barril do Brent ultrapassou os US$ 95 pela primeira vez desde o início de junho, impulsionado pelos temores de uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

🔎 Por volta das 6h45 (horário de Brasília), o contrato do Brent para entrega em setembro avançava 4,4%, para US$ 95,02 por barril. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, subia 4,5%, para US$ 88,16.

Às 8h19, o Brent reduzia parte dos ganhos, mas ainda registrava alta de 3,85%, cotado a US$ 94,51 por barril. No mesmo horário, o WTI avançava 3,59%, para US$ 87,37 por barril.

A alta ocorre em meio à intensificação do conflito entre Washington e Teerã. Na madrugada desta quarta-feira (horário local do Irã), os eua bombardearam alvos iranianos pela 11ª noite consecutiva, atingindo centros de comando, sistemas de defesa aérea, lançadores de mísseis e drones, segundo as forças americanas.

Nos últimos dias, o Irã também realizou ataques contra instalações militares dos EUA no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia.

Além disso, um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, principal corredor para o transporte de petróleo da região, aumentando as preocupações sobre a segurança do fluxo global da commodity.

As tensões se ampliaram ainda mais após os Houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciarem um bloqueio naval contra a Arábia Saudita.

A medida ameaça o estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é uma das principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio para a Ásia e a Europa.

Na terça-feira (21), dois petroleiros carregados com petróleo saudita e destinados à Ásia mudaram de rota no Mar Vermelho após ameaças de ataque dos Houthis. O episódio reforçou os receios de que o conflito possa comprometer o abastecimento mundial de petróleo.

O mercado teme que tanto o Estreito de Ormuz quanto Bab el-Mandeb enfrentem restrições ao tráfego de embarcações.

Juntas, as duas passagens concentram uma parcela significativa do comércio marítimo global de petróleo, e qualquer interrupção pode reduzir a oferta da commodity e elevar os preços internacionais.

A disparada do petróleo favoreceu ações do setor de energia e ajudou a impulsionar as bolsas europeias. O índice pan-europeu STOXX 600 avançava cerca de 0,6%, apoiado pelas empresas de petróleo e gás.

Já os futuros das bolsas americanas operavam em queda antes da divulgação dos balanços trimestrais de grandes empresas de tecnologia, como Alphabet e Tesla.

No mercado de moedas, o dólar perdia força frente a outras divisas importantes, enquanto o iene japonês se recuperava após autoridades do Japão indicarem preocupação com os riscos de inflação e a possibilidade de uma alta de juros mais rápida do que a esperada pelo mercado.

O avanço da commodity também aumenta os desafios para os principais bancos centrais, já que preços mais elevados de energia tendem a pressionar a inflação.

Nesta quinta-feira (23), o Banco Central Europeu (BCE) divulgará sua decisão de política monetária. Na próxima semana, será a vez do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA.

A expectativa predominante é de que ambas as instituições mantenham os juros inalterados neste mês.

No entanto, operadores passaram a precificar pelo menos uma alta adicional de 0,25 ponto percentual tanto nos EUA quanto na zona do euro até o fim do ano, diante do risco de que a inflação volte a ganhar força com a escalada dos preços do petróleo.

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Homem é condenado nos EUA por invadir mais de 500 contas do Snapchat e roubar fotos íntimas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 08:56

Tecnologia Homem é condenado nos EUA por invadir mais de 500 contas do Snapchat e roubar fotos íntimas Criminoso usou mensagens falsas que se passavam pelo suporte da plataforma para acessar perfis de centenas de mulheres; ele guardava, vendia e trocava as imagens na internet. Por Redação g1 — São Paulo

Executivos de YouTube, Snapchat e TikTok foram interrogados por senadores americanos — Foto: Richard Drew/AP Foto

Um homem de Illinois foi condenado na terça-feira (21) a mais de seis anos de prisão após admitir ter invadido contas do Snapchat de centenas de mulheres para roubar fotos de nudez total ou parcial, que guardava, vendia ou trocava na internet.

Kyle Svara, de 27 anos, foi condenado a 76 meses de prisão pelo juiz federal Brian Murphy, em Boston, após se declarar culpado das acusações relacionadas a um processo anterior contra um ex-treinador de atletismo da Northeastern University, que o pagou para invadir contas de atletas universitárias e de outras mulheres.

A sentença foi confirmada por um porta-voz da procuradora federal Leah Foley, responsável pelo processo contra Svara.

O advogado de Svara não respondeu aos pedidos de comentário. Em documentos judiciais, a defesa afirmou que ele sente "profundo remorso e vergonha por suas ações". Segundo os advogados, os crimes ocorreram durante um período de isolamento, quando ele era estudante da Universidade de Illinois, durante o lockdown da Covid-19.

Segundo os promotores, entre maio de 2020 e fevereiro de 2021, Svara usou números de telefone anônimos obtidos pela internet para enviar mensagens de texto a mais de 1.500 mulheres, fingindo integrar a equipe de suporte do Snapchat, plataforma operada pela Snap.

Centenas de vítimas responderam às mensagens de phishing enviadas por Svara com códigos de segurança que lhe permitiram acessar suas contas do Snapchat. Segundo os promotores, ele conseguiu invadir as contas de pelo menos 517 mulheres.

O esquema permitiu que ele acessasse fotos de nudez total ou parcial armazenadas nas contas de pelo menos 59 mulheres, segundo os promotores.

Além de guardar as fotos para si, Svara anunciava seus serviços de invasão de contas na internet. Segundo os promotores, ele recebeu US$ 50 (R$ 253,90) do ex-técnico da Northeastern University Steve Waithe para invadir contas de mulheres, incluindo ex-atletas que havia treinado, e roubar imagens delas.

Waithe foi condenado em 2024 a cinco anos de prisão por enganar jovens mulheres para que lhe enviassem fotos íntimas ou para roubar essas imagens. Segundo os promotores, ele fez ao menos 56 vítimas em todo o país.

Svara se declarou culpado em fevereiro das acusações de fraude informática e roubo de identidade agravado. Ele também admitiu ter feito uma declaração falsa às autoridades ao afirmar que não tinha interesse em pornografia infantil. Investigadores encontraram esse tipo de material em suas contas online.

O caso ocorreu nos Estados Unidos, mas situações semelhantes também são punidas no Brasil. A divulgação de fotos íntimas sem consentimento é crime e pode resultar em prisão e no pagamento de indenização às vítimas.

Nem todas as plataformas oferecem ferramentas para remover esse tipo de conteúdo. Como o g1 mostrou, quando o caso chega à Justiça, podem ser emitidas determinações para que redes sociais e outros serviços retirem as imagens do ar. No entanto, a própria vítima também pode solicitar a remoção diretamente às plataformas:

Google: o pedido pode ser feito por meio deste formulário. Caso a vítima seja menor de idade, a empresa exige que um responsável legal faça a solicitação e comprove que tem autorização para agir em seu nome.X: o pedido de remoção pode ser feito por meio deste formulário.

Embora as Delegacias da Mulher costumem contar com equipes mais preparadas para acolher vítimas desse tipo de crime, o registro da ocorrência e a denúncia podem ser feitos em qualquer delegacia.

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Tarifaço de Trump: lagosta viva é taxada, mas congelada escapa; veja lista de peixes e crustáceos isentos e tarifados

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 08:56

Agro Tarifaço de Trump: lagosta viva é taxada, mas congelada escapa; veja lista de peixes e crustáceos isentos e tarifados Nova taxa de 25% entrou em vigor nesta terça-feira (22), após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Por Redação g1, g1 — São Paulo

O Ministério da Pesca e Aquicultura divulgou na terça-feira (21) uma lista completa dos peixes e crustáceos que foram taxados em 25% pelos EUA e os que ficaram isentos.

A nova tarifa entrou em vigor nesta terça-feira (22), após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.

No setor de pescados e crustáceos, os produtos isentos representam 89,2% do valor exportado aos Estados Unidos em 2025. A lista inclui alguns dos principais itens da pauta de exportações, como tilápia, atum, espadarte e lagosta congelada.

Albacora-laje fresca ou refrigerada;Albacora-bandolim fresca ou refrigerada;Cavalinhas frescas ou refrigeradas;Espadarte fresco ou refrigerado;Tilápia fresca ou refrigerada;Tilápia inteira congelada;Filé de tilápia fresco ou refrigerado;Lagosta congelada;Outros peixes congelados, como corvina, pescadas, pargo, peixe-sapo, garoupas, tainhas e cherne-poveiro.

Farinhas, pós e pellets de peixe impróprios para alimentação humana;Outros peixes das famílias Bregmacerotidae, Gadidae e outras;Filé de tilápia congelado;Outros filés congelados de peixes;Outras carnes de peixes, frescas, refrigeradas ou congeladas;Lagostas vivas, frescas ou refrigeradas;Algas próprias para alimentação humana;Outras algas frescas, refrigeradas, congeladas ou secas.

Tarifaço dos EUA: taxa adicional de 25% passa a valer nesta quarta; veja perguntas e respostasTarifaço de Trump: governo ainda estuda como reagir à taxação que começa nesta quarta

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Por que o Brasil terá a maior tarifa média dos EUA na América do Sul

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 07:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%Oferecido por

O Brasil passa a ter nesta quarta-feira (22) a maior tarifa média aplicada pelos Estados Unidos na América do Sul. A taxa de importação subirá para 18,17%.

Especialistas apontam que a medida reflete fatores políticos, econômicos e estratégicos. O Brasil destaca-se pelo desalinhamento político atual e pela disputa global entre Estados Unidos e China.

O governo brasileiro classificou a decisão norte-americana como "um marco lastimável" nas relações bilaterais. O Executivo argumenta que a balança comercial é favorável aos Estados Unidos.

Uma fonte da Casa Branca sinalizou novas ações caso ocorra retaliação brasileira. Contudo, especialistas preveem que o Brasil priorizará a negociação diplomática e a lista de exceções.

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa ao chegar à Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, nos EUA — Foto: Evan Vucci / Reuters

O Brasil passa a ter nesta quarta-feira (22/07) a maior tarifa aplicada pelos Estados Unidos entre os países da América do Sul, quando passam a valer as novas taxas impostas por Donald Trump na semana passada. O dado é do Global Trade Alert (GTA), iniciativa do St. Gallen Endowment, centro de estudos independente sediado na Suíça e que compila estatísticas de comércio global.

➡️ Antes do novo tarifaço, o Brasil aparecia empatado com o Uruguai, com tarifa efetiva média de 11,66%, atrás apenas do Paraguai, com 12,92%.

Agora, com o novo tarifaço passar a valer, a tarifa de importação do Brasil passará para 18,17%, segundo o GTA, enquanto seus vizinhos — pelo menos por enquanto — seguirão com taxas bem menores.

Essa percentagem calculada pelo GTA difere da alíquota de 25% anunciada por Trump porque considera o peso de cada produto na pauta exportadora e as exceções previstas nas novas regras.

Essa tarifa média valerá entre 22 de julho (quando passa a valer a Seção 301 para o Brasil) e 26 de julho, quando expirará outra tarifa de 10%, temporária, aplicada pela Seção 122 da Lei de Comércio dos EUA. A partir daí, o monitor estima uma tarifa de 14,42% para o Brasil.

No entanto, o alívio parcial deve durar pouco, e a média mais alta deve voltar a prevalecer. Isso porque o governo Trump já anunciou que pretende impor uma nova tarifa adicional para substituir a que vai expirar. Membros do governo Trump sinalizaram que a nova tarifa, que deve afetar dezenas de países, pode ser fixada entre 10% e 12,5%.

Mas por que o Brasil se tornou um dos principais alvos da política tarifária americana na região? Segundo especialistas, a resposta cruza pelo menos quatro dimensões: política, econômica, estratégica e diplomática.

Para Carlos Pio, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior do Ministério da Economia e professor da Universidade de Brasília (UnB), a tarifa contra o Brasil reflete uma mudança mais ampla na doutrina comercial de Trump: da lógica de livre mercado para uma visão nacionalista, que prioriza proteger setores industriais afetados pela desindustrialização, além de favorecer alianças políticas em detrimento de protocolos diplomáticos tradicionais. "É uma ação política, mas não quer dizer que não seja uma ação que tenha propósito comercial", pondera.

Segundo Pio, o Brasil se torna alvo preferencial não só pela economia relativamente fechada e resistente à liberalização, mas por um desalinhamento ideológico somado à proximidade pessoal que o governo Bolsonaro cultivou com Trump. "Não é nem com a Casa Branca nem com o governo americano. É com o Trump", resume.

Essa lógica, diz o professor, também aparece em outras frentes da direita global apoiadas inicialmente por Trump — como Marine Le Pen, na França, e as "expectativas frustradas com [Giorgia] Meloni", na Itália, depois que ela adotou posições mais liberais.

"Como a PF [Polícia Federal] e o Supremo [Tribunal Federal] foram em cima do Bolsonaro, reforça esse outro lado de: aos meus amigos, tudo."

A comparação com a Argentina de Javier Milei, segundo Pio, reforça o argumento. "A Argentina também é protecionista como o Brasil, mas Milei está em uma condição distinta do Lula em relação à política."

Jan Marcel, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acrescenta que o Brasil é a maior economia da América Latina e tem relevância comercial superior para os Estados Unidos do que os seus vizinhos, o que inclui produtos de maior valor agregado, como aeronaves, máquinas, petróleo, aço e produtos químicos.

Há ainda no tabuleiro a disputa entre Estados Unidos e China por influência global. Como o Brasil mantém relação econômica forte com a China e, ao mesmo tempo, segue como parceiro relevante dos EUA, "acaba ficando no centro dessa competição", diz Marcel, o que transforma a tarifa em instrumento de pressão sobre temas que vão muito além do comércio bilateral.

Celso Figueiredo, advogado especialista em comércio internacional e professor de Relações Governamentais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que as tarifas comerciais de Trump deixaram de ser meras ferramentas econômicas para se tornarem instrumentos de pressão política e arrecadação fiscal, sob a doutrina America First: mais competitividade para produtos americanos, e mais receita para o governo também.

No caso brasileiro, porém, Figueiredo vê "componentes extras". "Quando a gente observa a nota publicada no começo de junho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), e a decisão publicada em 15 de julho, o fundo técnico objetivo dessa decisão acaba sendo raso, o que leva a crer que, de fato, essa tomada de decisão tem um aspecto mais político", diz o advogado.

O especialista lembra que o atual patamar de taxação contra o Brasil estar acima dos pares da região também pode não ser definitivo.

Segundo ele, há, inclusive, uma investigação em curso contra 60 países (incluindo o Brasil), voltada a apurar se eles ganharam vantagem competitiva com ítens produzidos por meio dotrabalho forçado, o que demonstra, segundo o advogado, que o instrumento seguirá sendo usado para outras nações também.

Isso mostra, de acordo com o especialista, que os Estados Unidos monitoram de perto qualquer sinal que ameace a hegemonia do país, como também do dólar nas transações internacionais — como a ideia, discutida no âmbito do Brics, de uma moeda própria para o bloco de 11 países que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Em nota divulgada após o anúncio dos EUA na semana passada, o governo federal brasileiro classificou a medida como "um marco lastimável" nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

Para o executivo brasileiro, não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil e que a balança comercial é favorável aos EUA.

Uma fonte da Casa Branca citada pelo jornal O Globo sinalizou que qualquer retaliação brasileira forçaria os Estados Unidos a "potencialmente modificar" sua ação para "garantir a eliminação dessas práticas". "Se eles optarem, provavelmente haverá mais ações do nosso lado”.

Ainda assim, um cenário de escalada não é o mais provável, na visão de Figueiredo. A Lei de Reciprocidade, sancionada no ano passado após o primeiro tarifaço, ficou "engavetada", já que as tarifas foram derrubadas. Para o advogado e professor da FGV, o mesmo padrão deve se repetir agora e a retaliação direta "não é o que está na mesa".

Ele lembra que a nova lista de exceções tarifárias, semelhante à do ano anterior, deve protegerboa parte das exportações brasileiras, o que reduz a pressão para uma resposta mais dura. A aposta segue sendo a negociação diplomática.

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Bitcoin, ethereum e outras criptomoedas: o que são e por que atraem tantos investidores

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 02:54

g1 explica Bitcoin, ethereum e outras criptomoedas: o que são e por que atraem tantos investidores No g1 Explica, a repórter Renata Ribeiro explica e simplifica os temas que dominam o noticiário econômico e mexem diretamente com o nosso bolso. Por Renata Ribeiro, TV Globo — São Paulo

Criptomoedas são ativos digitais, e não moedas oficiais como o real ou o dólar. Elas não são emitidas por governos e utilizam tecnologias como o blockchain para registrar e validar transações.

O bitcoin foi a primeira criptomoeda e continua sendo a mais conhecida. Esses ativos atraem investidores pelo potencial de valorização, mas também estão sujeitos a fortes oscilações de preço, o que faz deles investimentos de alto risco.

No Brasil, a compra e a venda de criptoativos são permitidas, e o setor vem sendo regulamentado pelo Banco Central. A regulamentação, porém, não garante rentabilidade nem protege o investidor de prejuízos.

Toda semana, o g1 Explica descomplica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando o impacto de tudo isso no seu bolso.

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De três queijos a três toneladas por mês: como um ex-servidor reinventou a venda de queijo artesanal

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 22/07/2026 02:54

Pequenas Empresas & Grandes Negócios De três queijos a três toneladas por mês: como um ex-servidor reinventou a venda de queijo artesanal Empreendedor de Alagoa (MG) criou operação de vendas online que reúne produtores locais e ajuda a levar o queijo artesanal mineiro para todo o Brasil — e até para o exterior. Por PEGN

Osvaldo Filho deixou o cargo de funcionário público em Alagoa (MG) para investir no mercado de queijos artesanais da Serra da Mantiqueira. A ideia surgiu após perceber as dificuldades enfrentadas pelos produtores locais para vender os produtos.

Ele começou vendendo apenas três peças de queijo pela internet e hoje comercializa cerca de três toneladas por mês para clientes de diferentes estados do país.

Além de revender os produtos de outros produtores, Osvaldinho passou a fabricar o próprio queijo artesanal e hoje mantém parceria com oito produtores da região, além de duas lojas físicas na cidade.

O empreendedor ajudou a ampliar a visibilidade de Alagoa no mercado de queijos especiais e agora quer dar um passo ainda maior: exportar os produtos mineiros para a Europa.

A mais de 1.100 metros de altitude, na Serra da Mantiqueira, uma pequena cidade do sul de Minas Gerais virou referência na produção de queijo artesanal.

Em Alagoa — sem “s”, como fazem questão de reforçar os moradores — tradição, terroir e empreendedorismo ajudaram a transformar um produto regional em negócio de alcance nacional.

Um dos responsáveis por essa mudança é Osvaldo Filho, conhecido na cidade como Osvaldinho. Formado em Direito, ele trabalhava como funcionário público municipal até perceber as dificuldades enfrentadas pelos produtores locais para comercializar os queijos.

“A pessoa comprava o queijo e pagava com cheque para 40 dias. Aquilo me incomodou profundamente”, relembra.

Foi então que surgiu uma ideia considerada ousada para a época: vender queijo artesanal pela internet. A operação começou pequena, com apenas três peças de queijo de um único produtor.

Ex-servidor público transforma queijo artesanal em negócio milionário na Serra da Mantiqueira — Foto: Reprodução/PEGN

Hoje, o negócio comercializa cerca de três toneladas por mês e conecta consumidores de diferentes estados aos produtores da cidade mineira.

Em 2025, Osvaldinho começou também a produzir o próprio queijo, sem abandonar os parceiros locais. Atualmente, oito produtores abastecem a operação.

Um deles é o produtor rural conhecido como Sô Márcio, que saiu de uma produção artesanal mínima para fabricar cerca de 100 quilos de queijo por dia.

A força do setor impressiona: Alagoa tem 138 produtores artesanais, responsáveis por cerca de 90 toneladas de queijo por mês. A atividade movimenta a economia local, gera renda e ajudou a colocar a cidade no mapa internacional do queijo artesanal.

Ex-servidor público transforma queijo artesanal em negócio milionário na Serra da Mantiqueira — Foto: Reprodução/PEGN

O clima da Serra da Mantiqueira, semelhante ao de regiões montanhosas europeias, é apontado pelos produtores como um dos fatores que contribuem para o sabor e a identidade dos queijos locais.

O reconhecimento ultrapassou fronteiras em 2017, quando produtores da cidade participaram de um festival na França voltado a compradores e especialistas do setor. Alguns dos queijos produzidos em Alagoa já acumulam prêmios internacionais.

Hoje, Osvaldinho define seu trabalho como uma continuação moderna da tradição dos tropeiros mineiros. “Eu brinco que sou um tropeiro digital”, diz. O próximo passo agora é ainda mais ambicioso: exportar os queijos produzidos em Alagoa para a Europa.

Ex-servidor público transforma queijo artesanal em negócio milionário na Serra da Mantiqueira — Foto: Reprodução/PEGN

📍 Endereço: Rua José Luiz de Siqueira, 352- Centro – Alagoa/MG – CEP: 37458-000📞 Telefone: (35) 99885-6638📧 E-mail: contato@queijodalagoa.com.br🌐 Site: www.queijodalagoa.com.br📸 Instagram: www.instagram.com/queijodalagoamg📘 Facebook: www.facebook.com/queijodalagoamg

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Tarifaço dos EUA: taxa adicional de 25% passa a valer nesta quarta; veja perguntas e respostas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 00:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%Oferecido por

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22).

A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.

As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política. (leia mais abaixo)

A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida.

O que muda com o tarifaço e quando ele entra em vigor?Quais são os principais produtos atingidos?Qual são os impactos para o Brasil?Como o governo dos EUA justifica a medida?O que diz o governo brasileiro?Brasil vai usar a Lei da Reciprocidade Econômica?Quais podem ser as respostas do Brasil?Quais medidas o governo brasileiro anunciou até agora?Tarifas podem aumentar ainda mais?

Confirmada na noite da última quarta-feira (15) pelo governo Trump, a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA passa a valer nesta quarta-feira (22).

A sobretaxa alcança cerca de 3 mil itens e será cobrada dos importadores americanos no momento em que os produtos brasileiros entrarem nos EUA.

🔎 Na prática, isso aumenta o custo de levar esses produtos ao país e pode desestimular as compras de produtos brasileiros por empresas americanas.

Enquanto isso, outros mais de 2 mil produtos ficaram de fora da medida. Muitos deles foram excluídos por serem considerados estratégicos para a economia americana, seja pelo risco de encarecer produtos essenciais, seja porque o país não produz quantidade suficiente desses itens.

Entre os 50 principais produtos brasileiros exportados aos EUA em 2025, ficaram de fora da nova tarifa itens como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio.

Por outro lado, produtos como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns itens de alumínio passam a estar sujeitos à tarifa adicional.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o novo tarifaço atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA.

Segundo ele, o percentual tem como referência as exportações de 2024, ano anterior aos primeiros tarifaços anunciados por Trump. O valor corresponde a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,6 bilhões).

Se a base for 2025, a participação dos setores afetados cai para 15%, o equivalente a US$ 5,8 bilhões (R$ 29,4 bilhões). O ministro acrescentou que, com a nova medida, 57% dos produtos exportados pelo Brasil aos EUA permanecerão sem tarifa.

No agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o tarifaço afetará R$ 4,6 bilhões por ano em exportações, o equivalente a 36,5% das vendas do setor aos EUA.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apesar dos segmentos atingidos, a medida não terá impacto sobre "a economia do país como um todo". Especialistas também avaliam que os efeitos serão restritos, entre outros fatores, pela extensa lista de exceções.

A decisão é resultado de uma investigação comercial do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O mecanismo permite ao governo americano investigar práticas de outros países que considera prejudiciais ao comércio dos EUA.

No relatório final, o USTR afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e que poderiam "onerar ou restringir" o comércio com os EUA. Entre os temas analisados estão:

PIX e serviços de pagamento: o USTR afirmou que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas.Regulação de plataformas digitais: o órgão questionou decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA.Acordos comerciais: os americanos criticaram tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia.Desmatamento ilegal: o relatório apontou falhas na fiscalização ambiental.Mercado de etanol: os EUA alegaram falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro.Propriedade intelectual: o documento citou problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes.Combate à corrupção: o USTR criticou medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato.

O governo classificou o tarifaço como um "marco lastimável" na relação entre os dois países e afirmou que a medida tem motivação política por envolver temas considerados internos e inegociáveis, como o PIX.

Segundo o blog do Valdo Cruz, o presidente Lula (PT) orientou aliados a evitar radicalismos na reação ao tarifaço. Enquanto isso, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida como "injusta e descabida" e afirmou que o Brasil "não saiu da mesa de negociação".

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda "não cabe falar em retaliação" aos EUA.

"Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem 'viralatice' e seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida", afirmou.

Na madrugada da última quinta (16), logo após a gestão de Donald Trump confirmar a taxa, o Palácio do Planalto divulgou uma nota em que afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica.

🔎 A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil.

Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade.

Uma das preocupações é com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas.

➡️ Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países.

Há, também, o fator eleitoral. Na avaliação de assessores presidenciais, uma retaliação ao governo americano, como a aplicação da reciprocidade, é justamente o que Trump e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro desejam. Assim, poderiam argumentar que Lula coloca seus planos eleitorais acima dos interesses das empresas brasileiras.

Além disso, os próprios setores afetados pelo tarifaço se posicionaram contra medidas de reciprocidade. Em reuniões com o governo nesta terça-feira (21), empresários do segmento de máquinas defenderam que a resposta seja feita pela via diplomática e empresarial.

Para especialistas, a via diplomática ou o uso cauteloso da Lei da Reciprocidade Econômica, sem uma escalada das tensões, seguem como os principais caminhos para o governo.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país.

Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. "Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho."Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. "Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo."A terceira seria atuar na chamada "segunda mesa": pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. "A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes."

Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA.

"As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão", diz.

O governo federal deve fechar nos próximos dias uma série de ações para conter os efeitos econômicos do novo tarifaço e da alta dos preços dos fertilizantes, insumos essenciais para o agronegócio e afetados pela guerra no Oriente Médio.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao blog da Ana Flor que as iniciativas nas duas frentes buscam reduzir os impactos no Brasil de medidas externas.

Uma delas prevê a abertura de uma linha de crédito para empresas misturadoras, responsáveis pela combinação de insumos que resulta nos fertilizantes.A outra envolve investimentos como complemento ao Plano Brasil Soberano, ainda sem detalhes definidos.

Nesse caso, o governo avalia oferecer crédito a empresas atingidas pelo tarifaço, com exigência de manutenção de postos de trabalho.

🔎 O Plano Brasil Soberano é um programa do governo que oferece linhas de crédito e outras formas de apoio a empresas afetadas por crises externas, como o tarifaço. Criado no ano passado por meio de medida provisória, o programa tem três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial.

Paralelamente, a ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia.

O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.

Há essa possibilidade. O governo brasileiro reconhece que os EUA devem aplicar uma sobretaxa adicional de 12,5% por supostas falhas na fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado.

A principal dúvida é se essa nova tarifa será acumulada aos 25% que entram em vigor nesta quarta-feira (22). Caso seja cumulativa, os produtos brasileiros poderiam enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

A possível nova tarifa também é resultado de uma investigação do USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que concluiu que a União Europeia e outros 59 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A confirmação da nova tarifa pode sair na sexta-feira (24). Em entrevista à CNBC, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira que as medidas serão anunciadas "em breve".

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Tarifaço: por que o Brasil evita uma retaliação imediata — e como pode responder aos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/07/2026 00:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,073-0,32%Dólar TurismoR$ 5,276-0,37%Euro ComercialR$ 5,784-0,45%Euro TurismoR$ 6,029-0,49%B3Ibovespa173.326 pts-0,03%Oferecido por

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22) sem que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha, até agora, adotado uma retaliação prática à medida.

Após a gestão de Donald Trump confirmar a taxa, o Palácio do Planalto chegou a divulgar uma nota em que classificou a decisão americana como um "marco lastimável" e afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica.

🔎 A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. (leia mais abaixo)

Até o momento, porém, o governo ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação. Em entrevista coletiva na semana passada, o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom de defesa da soberania, mas se limitou a dizer que a lei será aplicada "no momento adequado".

A falta de uma reação mais enérgica, ao menos até agora, segue uma orientação do próprio presidente Lula. Conforme mostrou o blog do Valdo Cruz, a estratégia é tentar ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa e manter as negociações sem radicalismo.

➡️ A nova tarifa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida. (veja a lista completa)

Na avaliação de assessores presidenciais, uma retaliação ao governo americano, como a aplicação da reciprocidade, é justamente o que Trump e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro desejam. Assim, poderiam argumentar que Lula coloca seus planos eleitorais acima dos interesses das empresas brasileiras.

Além disso, os próprios setores afetados pelo tarifaço se posicionaram contra medidas de reciprocidade. Em reuniões com o governo nesta terça-feira (21), empresários do segmento de máquinas defenderam que a resposta seja buscada pela via diplomática e empresarial.

Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade.

Isso porque uma reação precipitada pode trazer riscos que vão além do fator político. O eventual uso da lei, além de exigir amplas análises sobre os impactos para o mercado brasileiro, passa por um processo longo, que inclui uma série de novas discussões.

"A lei prevê várias fases. Primeiro, o caso passa pela Câmara de Comércio Exterior. Depois, por consulta pública. Envolve ainda consultas com o próprio governo dos EUA. Então, não é algo imediato", explica Welber Barral, ex-secretário do Comércio Exterior.

Exportações brasileiras para os EUA desabam com o tarifaço, mas vendas para outros países compensam — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Um dos principais receios é o impacto sobre os preços para os consumidores brasileiros. A lógica é simples: caso o governo opte por sobretaxar produtos americanos, o Brasil também encareceria parte de suas importações.

Esse aumento de custos tende a ser repassado aos consumidores finais, criando um efeito duplo negativo para o país, explica o especialista em comércio exterior Jackson Campos.

"O Brasil perderia duas vezes. Primeiro, com as taxas já aplicadas sobre as exportações para os EUA. Depois, quando um eventual imposto de importação é repassado ao consumidor brasileiro", afirma.

Por isso, o governo trata qualquer reação com cautela. Além da aplicação de tarifas, a Lei da Reciprocidade prevê outros instrumentos de resposta aos EUA — e que seguem em análise.

Patentes: o Brasil poderia suspender parte das regras internacionais de propriedade intelectual, afetando a proteção de patentes de empresas do país alvo da medida.Serviços: poderia impor tarifas, sobretaxas ou outras restrições sobre serviços prestados por empresas do país alvo.Investimentos: poderia suspender benefícios, incentivos ou facilidades concedidos a investimentos de empresas do país alvo.Acordos comerciais: poderia suspender benefícios e concessões previstos em acordos comerciais firmados com o país alvo.

"A lei exige que as medidas tenham contrapartidas e sejam, dentro do possível, proporcionais ao dano sofrido por quem causou esse dano. Além disso, é preciso tentar minimizar os efeitos sobre a economia brasileira", afirma Jackson Campos.

Enquanto isso, há outro ponto de cuidado no radar do governo brasileiro: a preocupação com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas.

➡️ Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países.

"O próprio documento final emitido pelo governo americano afirma que, se o Brasil aumentar as tarifas em retaliação, Washington pode entender que os 25% não são suficientes e elevar ainda mais a taxa", lembra Campos.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, acredita que o principal risco de uma resposta aos EUA é "o Brasil retaliar e se machucar sozinho".

Ele lembra que a "munição" brasileira é limitada, já que boa parte do que o país importa dos americanos são insumos, máquinas e peças que entram na cadeia produtiva nacional.

"Se você taxa esses produtos, quem paga não é o americano, é o produtor rural de Mato Grosso que precisa da peça do trator. Uma retaliação mal calibrada seria um gol contra com narração épica", diz.

🔎 Na investigação comercial que resultou na aplicação da tarifa de 25%, o governo Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.🔎 As justificativas foram fortemente contestadas pelo governo brasileiro, que vê na medida uma tentativa de interferência em políticas internas do país, ao incluir temas considerados inegociáveis, como o PIX. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política, e não apenas comercial.

Nesse cenário, Aragão aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país.

Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. "Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho."Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. "Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo."A terceira seria atuar na chamada "segunda mesa": pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. "A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes."

Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA.

"As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão", diz.

🔎 A ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, já prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.

O governo também informou ao blog da Ana Flor que prepara linhas de crédito para empresas afetadas, condicionadas à manutenção de empregos, além de ações para apoiar a abertura de novos mercados.

A proximidade das eleições no Brasil e nos EUA também influencia a movimentação dos dois governos. Por aqui, brasileiros vão às urnas para escolher o novo presidente, governadores, deputados e senadores. Por lá, as eleições de meio de mandato vão renovar a Câmara e parte do Senado.

Com isso, a avaliação dos especialistas é de que as negociações devem se prolongar, sem uma resposta concreta no curto prazo. Também pesa nessa avaliação o fato de que, embora negativas, as tarifas atingem setores específicos e não ameaçam a estabilidade econômica do Brasil.

"O governo brasileiro deve deixar isso um pouco de molho. Sabendo dos riscos de impacto nos preços, aplicar a Lei da Reciprocidade pode ser um tiro no pé a três meses da eleição", avalia Jackson Campos.

Enquanto isso, o grupo político do presidente Lula acompanha os possíveis impactos eleitorais do tarifaço sobre Flávio Bolsonaro, em meio ao envolvimento do pré-candidato do PL nas discussões sobre a medida.

Pesquisa Quaest divulgada na última semana mostrou que a maioria dos brasileiros atribui a Flávio a responsabilidade da decisão dos EUA. Conforme informou o blog do Valdo Cruz, aliados do senador admitem prejuízos para a campanha após a medida do governo Trump.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, ressalta que, diante do cenário, os avanços não vão depender necessariamente de vontade política, mas de calendário. A avaliação é que, de olho nas eleições, haverá uma escalada nos discursos, mas com cautela na prática.

"Muito barulho, nota forte, discurso e, ao mesmo tempo, técnico conversando com técnico às sete da manhã sobre lista de exceções. E as exceções, por sinal, são o termômetro. Se começarem a pipocar isenções setoriais, é sinal de que a coisa está sendo resolvida por baixo, mesmo com o barulho por cima", diz.

"A janela real de acordo eu vejo depois de outubro. Antes disso, o que dá para fazer é evitar dano permanente e manter os canais vivos — o que é, convenhamos, bem menos empolgante do que uma guerra comercial, mas bem mais útil", conclui.

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