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Patrimônio, venda de imóveis, federalização: saiba quais riscos o BRB corre – e qual é o plano de socorro

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 02:46

Distrito Federal Patrimônio, venda de imóveis, federalização: saiba quais riscos o BRB corre – e qual é o plano de socorro Governo do DF conseguiu aval do Legislativo para entregar imóveis públicos ao banco. Solidez do patrimônio do BRB foi abalada por transações malsucedidas com o banco Master. Por Mateus Rodrigues, Ygor Wolf, g1 DF — Brasília

O Banco de Brasília (BRB) tenta garantir solidez no mercado financeiro após a compra de mais de R$ 12 bilhões de carteiras do Banco Master com indícios de fraude.

Há também o risco de o BRB não conseguir transformar em dinheiro os R$ 12 bilhões em créditos podres herdados do Banco Master.

Desde que o escândalo do Banco Master foi revelado pela operação Compliance Zero, no fim do ano passado, o futuro do Banco de Brasília (BRB) se tornou "obscuro".

Isso, porque o BRB e o governo do Distrito Federal – seu acionista controlador – passaram 2024 e 2025 tentando comprar a maior parte do Banco Master. O banco distrital injetou R$ 16,7 bilhões no Master – e agora, sabe-se que pelo menos R$ 12,2 bilhões desse aporte estão sob suspeita de irregularidades.O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB e, dias depois, definiu a liquidação extrajudicial do Master. Com isso, os ativos que seriam transferidos ao patrimônio do BRB ficaram "congelados" nas mãos do liquidante.

As transações fragilizaram o patrimônio do BRB e deixaram o banco sob risco de descumprir as regras prudenciais do sistema bancário – as normas que exigem uma solidez mínima de cada banco para evitar dano aos correntistas e investidores.

Desde então, o BRB e o governo do DF vêm atuando em múltiplas frentes para tentar recompor o caixa do banco, seja recuperando o dinheiro investido no Master ou encontrando novos aportes.

Entenda abaixo quais riscos já foram apontados, e quais medidas o BRB está tomando para reverter o quadro.

No cenário mais crítico, o BRB pode não conseguir integralizar capital suficiente para se reerguer.

O banco entregou ao Banco Central em fevereiro um plano de capital "preventivo" para enfrentar os efeitos da aquisição malsucedida dessas carteiras.

➡️O Banco Central (BC) calcula que o banco pode precisar de ao menos R$ 5 bilhões para cumprir as exigências.

Uma das medidas, que será levada à assembleia de acionistas no próximo dia 18, envolve emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar dinheiro no mercado.

Com essa emissão, o BRB espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais.

Para "embasar" esse aumento de capital, o governo Ibaneis propôs e a Câmara Legislativa do DF aprovou o uso de imóveis públicos do DF como garantia, fundo imobiliário ou até venda direta.

O governo avalia que esses imóveis, somados, valem cerca de R$ 6,6 bilhões – valor que passaria a integrar o patrimônio do BRB e reforçaria os níveis prudenciais do banco.

Estudo da Câmara do DF indica 'dilapidação do patrimônio público' em projeto de socorro bilionário ao BRB

A Fitch Ratings e a Moody's — duas das principais agências internacionais de classificação de risco de crédito — rebaixaram a nota de crédito do Banco de Brasília (BRB) para “CCC” (escala global) e 'CCC(bra)' (nacional), sinalizando:

alto risco de inadimplênciafragilidades de governançafalhas de controles internos erisco operacional elevado.

Além disso, o governo do DF está impedido de usar a União como garantidora de um eventual empréstimo. O DF recebeu nota baixa em Capacidade de Pagamento (Capag), um indicador usado pelo Tesouro Nacional para avaliar a saúde financeira de estados, municípios e da capital federal.

Houve ainda, o afastamento judicial de executivos, o que reforça a percepção de desorganização e aumentam os riscos da instituição.

➡️ Tudo isso aumenta o custo de um eventual empréstimo. A regra é simples: quanto maior o risco identificado de calote, piores as condições de juros e parcelamento de um crédito.

Há também o risco de o BRB não conseguir transformar em dinheiro os R$ 12 bilhões em créditos podres herdados do Banco Master.

Com isso, o banco pode não ter dinheiro suficiente disponível para honrar compromissos no dia a dia, como pagar clientes, honrar dívidas com credores ou manter suas obrigações operacionais.

Isso, justamente porque o BRB tem como acionista controlador o governo do DF – que tem um patrimônio imobliário imenso e pode seguir "socorrendo" o banco para evitar uma quebra ou uma liquidação.

O custo, neste caso, é para o governo e para a população do DF, que podem ver o patrimônio público sendo gradualmente dilapidado para essas operações de salvamento.

Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado.

A Fitch retirou a expectativa automática de socorro do GDF. A medida é simbólica, mas importante, porque indica que o apoio político e financeiro do governo do Distrito Federal não é mais considerado garantido pela agência.

Além disso, há incerteza sobre o tamanho das possíveis perdas ligadas às investigações, processos judiciais e ações de supervisão que envolvem tanto o BRB quanto o próprio GDF.

Esse conjunto de fatores aumenta a dúvida sobre como e em que medida o governo conseguirá apoiar o banco, caso seja necessário.

Saiba o que o BRB poderá fazer com os imóveis oferecidos por IbaneisDistritais acionam MP e governo do DF para barrar Daniel Vorcaro em reunião de acionistas do BRBBRB quer elevar capital em R$ 8,8 bilhões e emitir até 1,67 bilhão de ações para reforçar patrimônioCom nota baixa em gestão fiscal, DF não terá garantia da União para tomar empréstimo e reforçar BRB

O relatório da Fitch destacou alguns fatores que podem, individual ou coletivamente, levar a um aumento da nota de crédito do BRB. Dentre eles:

Avaliação clara, completa e feita por técnicos independentes sobre o tamanho do prejuízo;Plano de recapitalização viável e oportuno — que explique o reforço de capital (quanto dinheiro o BRB vai receber, de onde vem esse dinheiro, quando chega, quem autoriza e quais instrumentos serão usados, como por exemplo empréstimos, venda de ativos, etc.);Mostrar que o banco voltou a se financiar normalmente, provando que consegue pegar dinheiro no mercado sem pagar muito caro;Os custos de captação (valor que bancos pagam para conseguir dinheiro no mercado financeiro) voltarem ao normal;Quando os spreads (a diferença entre o que o banco paga para captar e o que cobra para emprestar) pararem de piorar;Melhorar a governança e consertar falhas internas, com processos mais transparentes, investigações concluídas e responsáveis punidos.

Até o fim do mês, o BRB precisará dizer ao Banco Central e ao sistema financeiro como vai enfrentar essa crise – na prática, de onde virá o dinheiro para reforçar o patrimônio e garantir a continuidade das operações.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) deve sancionar na próxima semana o projeto de lei que autoriza o uso dos nove imóveis públicos para salvar o BRB.

Segundo o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, a hipótese preferencial é constituir um fundo imobiliário com esses imóveis.

"Não geraria uma prestação, nem iria mexer na Lei de Responsabilidade Fiscal do governo do Distrito Federal. Assim, esses imóveis seriam teriam rentabilidade para aqueles investidores que estariam conosco", afirmou.

➡️ Nesse formato, o fundo inscreve esses lotes como patrimônio e capta investimentos no mercado. Esses investimentos são remunerados a partir do uso e da valorização desses imóveis. É como se, na prática, cada investidor recebesse parte do "aluguel" dos espaços.

Há, ainda, a possibilidade de o governo do DF captar um empréstimo em nome do BRB junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O empréstimo ajudaria a capitalizar o banco, mas geraria parcelas fixas a serem pagas pelo BRB nas próximas décadas. Na prática, apenas "rolaria" a dívida enquanto o banco encontra fontes mais sólidas de capitalização.

🔎 O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade.

Desde o início do escândalo com o Banco Master, o BRB tenta reorganizar internamente seu patrimônio – o que inclui se desfazer de ativos e operações para reforçar o caixa.

O banco estuda, por exemplo, vender carteiras de crédito e participação em subsidiárias como a BRB Financeira. Segundo o BRB, no entanto, os negócios ainda não foram confirmados.

"Não há aprovação pelos órgãos competentes, assinatura de instrumentos vinculantes, definição de termos e condições, ou impactos imediatos. Caso alguma alternativa evolua para decisão formal, a Companhia fará a divulgação devida e tempestiva", afirmou o banco em comunicado oficial.

No início do mês, o banco também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir "preferência" na distribuição dos recursos do Banco Master que passaram às mãos do liquidante judicial.

Também na Justiça, o BRB conseguiu bloquear R$ 376,4 milhões em participações acionárias de Daniel Vorcaro e mais dois investigados.

Ao fim do processo, esse valor pode ser reintegralizado ao BRB para cobrir o dano causado pelo escândalo do Master. A conclusão desse processo, no entanto, pode levar meses ou anos.

Sem garantias e capitalização, há a possibilidade de federalização do banco, hipótese ventilada no debate político local. O risco cresce se o GDF não tiver espaço fiscal para o socorro.

➡️Federalização significa transferir o controle, a gestão, o capital e as decisões do banco para a União ou para um órgão federal.

Em entrevista à TV Globo nesta semana, o presidente do BRB negou a possibilidade de liquidação ou federalização do banco.

"O BRB sairá bem mais forte e será capitalizado mais forte que ele era antes", afirmou Souza.

O g1 procurou o Ministério da Fazenda, o GDF, o Banco Central e o BRB para comentarem sobre a possibilidade de federalização, mas não recebeu retorno.

É o cenário mais catastrófico e mais remoto, que só ganharia força com nova piora da liquidez, ausência de apoio do GDF e perdas elevadas confirmadas.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, tem dito que a federalização e privatização são cenários fora de cogitação.

A Câmara do DF aprovou o projeto de lei que repassa nove imóveis públicos da capital federal ao patrimônio do Banco de Brasília (BRB). Entenda a cronologia:

➡️O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, se reuniu com os deputados na segunda (2) para explicar a situação patrimonial do banco.

➡️Na terça (3), os deputados se reuniram a portas fechadas para debater o tema e decidir se levava o projeto à votação em plenário.

➡️ No mesmo dia, os parlamentares aprovaram o projeto por 14 votos a favor e 10 contra nos dois turnos. Agora, o texto vai à sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB).

🔎Os imóveis servirão para lastrear uma captação de até R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro.

SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb): R$ 632 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB: R$ 547 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap: R$ 1,02 bilhão;Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década: R$ 491 milhões;"Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – parte da Serrinha do Paranoá, trecho verde que abriga centenas de nascentes: R$ 2,2 bilhões;Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN (antigo lote da PM): R$ 239 milhões.

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BYD Atto 8: quais os pontos fortes e fracos do SUV híbrido mais caro da marca; veja o teste

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 02:46

Carros BYD Atto 8: quais os pontos fortes e fracos do SUV híbrido mais caro da marca; veja o teste Marca chinesa foca em conforto e uma pitada de luxo para atrair o comprador que já olhava para Volvo, BMW e Audi como carro para a família. Por André Fogaça, g1 — São Paulo

Por R$ 399.990, a montadora quer ganhar espaço no mercado de híbridos — hoje tem cerca de 30% do market share — ao trazer ao país uma opção de SUV de luxo, equipado até os dentes de tecnologia e com bastante espaço.

O Atto 8 tem 20 centímetros a mais de entre-eixos que o Toyota Hilux SW4, o segundo utilitário de sete lugares mais vendido do Brasil.

Sem a última fileira, o Atto 8 tem 960 litros de porta-malas. É tão grande que um adulto com mais de 1,70 metro consegue até se deitar no assoalho acarpetado.

O primeiro contato do g1 com o carro foi bastante limitado e permitiu apenas destacar os pontos mais chamativos.

Apresentado no Salão do Automóvel de 2025, o BYD Atto 8 será o híbrido mais caro e mais completo do portfólio da marca no Brasil. Só perde em preço para o Tan porque não é 100% elétrico.

Por R$ 399.990, a montadora quer ganhar espaço no mercado de híbridos — hoje tem cerca de 30% do market share — ao trazer ao país uma opção de SUV de luxo, equipado até os dentes de tecnologia e com bastante espaço.

Nesta semana, a marca mostrou o modelo em detalhes e permitiu uma breve experiência ao volante, para que jornalistas pudessem conhecer os principais atributos do lançamento.

De início, o espaço é um dos pontos fortes. O Atto 8 tem 20 centímetros a mais de entre-eixos que o Toyota Hilux SW4, o segundo utilitário de sete lugares mais vendido do Brasil. Na prática, um motorista de 1,90 metro deixaria os passageiros da segunda fileira muito confortáveis.

A terceira fileira, claro, não acompanha esse grau de conforto. Acessar os assentos do fundo não foi fácil, mesmo para uma pessoa de 1,65 metro. Ao menos há apoio de braço e saída de ar-condicionado. Os passageiros dali vão no aperto, mas não passam calor.

A BYD faz o máximo para dar conforto aos viajantes. Há controle de zona para as saídas de ar-condicionado nas fileiras traseiras. O ajuste é feito em uma tela que reúne temperatura, direção do fluxo, intensidade do ar e a opção de deixar tudo no modo automático, para que o carro ajuste o sistema até atingir a temperatura desejada.

O couro se mostrou macio e quem viaja na segunda fileira de bancos ainda conta com mimos extras nada comuns em carros deste preço: ventilação, aquecimento e massagem que estão presentes também para o motorista e o passageiro ao lado.

Sem a última fileira, o Atto 8 tem 960 litros de porta-malas. É tão grande que um adulto com mais de 1,70 metro consegue até se deitar no assoalho acarpetado.

As impressões ao volante do SUV serão analisadas com mais profundidade no futuro. O primeiro contato do g1 com o carro foi bastante limitado e permitiu apenas destacar os pontos mais chamativos.

O primeiro deles é o desempenho, que vai bem: os 488 cv de potência combinada, com torque imediato do híbrido, são suficientes para não deixar o gigante de 2.650 kg parecer lento.

Não foi possível avaliar a aceleração de 0 a 100 km/h, mas a marca promete que o Atto 8 cumpre a prova em 4,9 segundos — um número que não desaponta e é o mesmo de um Porsche 718 Cayman. Fica claro que o conjunto é mais do que suficiente para uso urbano e rodoviário, em qualquer situação.

Durante o percurso, não houve nenhuma situação em que o Atto 8 desse a entender que faltaria força, até mesmo em pisos sem asfalto, já que o Atto 8 tem tração integral. Ela vem dos dois motores elétricos, um em cada eixo trabalhando junto do a combustão.

Inclusive, um ponto relevante no teste ao volante foi o acerto da suspensão, que não lembra em nada os primeiros modelos da BYD vendidos no Brasil.

O Atto 8 é mais firme, mas sem deixar de absorver as irregularidades do asfalto. O teste ter ocorrido apenas na cidade ajudou a perceber que os amortecedores não têm o estilo “joão-bobo” de antes — um molejo confortável, mas pouco seguro em velocidades mais altas.

Outro ponto que ficou evidente foi a capacidade de rodar no modo 100% elétrico. A bateria é de 35,6 kWh, a maior de um híbrido da BYD. Segundo o Inmetro, o Atto 8 percorre 111 km com apenas uma carga.

Não é, porém, o híbrido com maior alcance para as baterias. Essa posição é ocupada pelo GWM Wey 07, com 128 km de autonomia.

O painel de instrumentos é um dos mais completos e organizados já vistos em um BYD. Os comandos estavam bem distribuídos, sem exageros ou dados duplicados: velocidade, potência consumida, música tocando e até o mapa com a rota traçada.

A tela não parecia poluída mesmo quando a imagem da câmera lateral aparecia com a seta acionada. É um recurso interessante, mas não exatamente inovador.

Mesmo assim, agradou. O que incomodou, quando ao volante, foi a quantidade de alertas sonoros emitidos pelo carro. Era quase uma sinfonia de avisos, que chegava a atrapalhar a música que tocava.

Um estudo da McKinsey, publicado em 2025, mostra que apenas 37% dos clientes de marcas de luxo se consideram leais a uma marca. Dos entrevistados, 35% afirmaram que considerariam mudar de marca e 28% disseram que provavelmente fariam isso já na próxima compra.

A aposta da BYD para o Atto 8 é olhar para esse cliente em dúvida. O desejo da BYD é que profissionais bem-sucedidos e suas famílias tirem o olho de carros tradicionais da garagem dos endinheirados, como:

Volvo XC60: a partir de R$ 459.950;Audi Q5: a partir de R$ 424.990;Lexus NX 450h+: a partir de R$ 480.990;BMW X2: a partir de R$ 410.950.

Em comum, todos são SUVs de marcas premium ou de luxo, voltados a clientes que valorizam acabamento, tecnologia e conforto, mas sem a opção de sete lugares.

Preço, mais espaço interno, potência e mais tecnologia fazem parte da estratégia da BYD para compensar a falta de outro item importante desta lista: o logo que estampa a frente, traseira e a chave do carro. A aposta da BYD é quem está aberto ao teste, e o Atto 8 serve para impressionar.

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MEIs: quais as práticas que mais expulsam os empreendedores do regime; veja a lista

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 07/03/2026 02:46

Empreendedorismo Guia do empreendedor MEIs: quais as práticas que mais expulsam os empreendedores do regime; veja a lista Aumento de desenquadramentos do MEI está ligado principalmente ao excesso de faturamento e ao avanço dos cruzamentos de dados da Receita, mas há outros fatores. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Um CNPJ pode ser desenquadrado do Microempreendedor Individual (MEI) sem que o empreendedor perceba — e, em 2025, isso ocorreu em uma escala inédita. A Receita Federal excluiu 3.942.902 registros do SIMEI, o sistema de tributação do MEI, após revisões cadastrais e cruzamentos de informações.

Esse número, por si só, não revela uma única causa. Ele engloba situações diferentes: cadastros excluídos por inatividade ou abandono, casos em que o negócio cresceu e ultrapassou os limites permitidos ao MEI, entre outras possibilidades.

⚠️ Em muitos casos, essa permanência irregular ocorre de forma deliberada, com omissão de receita ou divisão de faturamento para manter o valor fixo de tributos que caracteriza a categoria.

No ano passado, por exemplo, mais de 3,7 milhões das exclusões do SIMEI foram motivadas por cadastros inativos ou abandonados, enquanto o excesso de faturamento representou mais de 83 mil desligamentos.

Mesmo com o impacto dos cadastros inativos no total, o excesso de faturamento continuou relevante em 2025.

Dos mais de 83 mil MEIs que deixaram o SIMEI por ultrapassar o limite anual sem informar a Receita Federal, 82.948 foram de fato desenquadrados por receita acima do permitido.

18.591 MEIs ultrapassaram o limite em mais de 20%;60.637 ultrapassaram em até 20%;3.720 excederam o limite no primeiro ano de atividade.

O aumento das detecções está diretamente ligado à expansão dos cruzamentos digitais feitos pela Receita Federal.

Hoje, o fisco integra dados da e-Financeira, operadoras de cartão, marketplaces, notas fiscais eletrônicas e transações via Pix para identificar discrepâncias entre o faturamento declarado e a movimentação financeira real.

📈 A mudança na fiscalização ficou mais evidente em 2024, quando mais de 571 mil MEIs foram excluídos ou desenquadrados por faturamento acima do limite — um número 30 vezes maior do que no ano anterior.

Além dos limites de receita e da manutenção cadastral, o MEI também perde o enquadramento quando passa a se enquadrar em situações de vedação previstas na legislação. Entre elas:

exercer atividade econômica não permitida no Anexo XI;incluir sócio, participar de outra empresa ou alterar a natureza jurídica;abrir filial ou manter mais de um estabelecimento;contratar mais de um empregado ou ultrapassar o limite de remuneração permitido;praticar contrabando ou descaminho.

Embora grande parte das exclusões de 2025 esteja relacionada a cadastros inativos e ao excesso de faturamento, a Receita Federal também passou a concentrar atenção no uso indevido do MEI como instrumento de sonegação.

Isso ocorre porque o MEI paga um valor fixo de tributos por mês, enquanto micro e pequenas empresas recolhem impostos proporcionais ao faturamento.

faturar até R$ 81 mil ao ano;possuir, no máximo, um funcionário;não ter outras empresas em seu nome;atuar somente em atividades permitidas;ter conta gov.br em níveis Prata ou Ouro;não ser servidor público federal ativo.

Quando alguém que já não se enquadra no perfil do regime permanece como MEI para ocultar faturamento, configura-se uma forma de sonegação: o contribuinte omite receitas ou fragmenta atividades para evitar os impostos que pagaria se estivesse no regime adequado.

🚫 A irregularidade vira fraude quando há intenção de enganar. Entre os métodos mais identificados pela Receita estão:

abertura de MEIs em nome de terceiros para dividir faturamento;uso de múltiplas maquininhas ou contas bancárias para dispersar receitas;registro de operações de alto valor por meio de um CNPJ de MEI;subdeclaração na DASN-SIMEI;omissão de pagamentos em dinheiro ou PIX.

Essas práticas são usadas para manter artificialmente a tributação reduzida do MEI mesmo quando o negócio já opera em escala maior.

A omissão intencional de receita pode configurar crime contra a ordem tributária (Lei 8.137/90), com pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa.

Também há risco de enquadramento por falsidade ideológica quando informações sabidamente falsas são declaradas.

desenquadramento retroativo;multas que chegam a 75% do imposto devido, podendo dobrar em caso de fraude;exclusão do Simples Nacional.

No desenquadramento retroativo, o CNPJ deixa de ser MEI desde a data da infração, e todos os tributos são recalculados como se fosse microempresa.

Quando o faturamento excede o limite em mais de 20%, a retroatividade volta automaticamente para janeiro do ano da infração.

Hoje, a Receita utiliza principalmente o cruzamento digital para identificar irregularidades. As informações vêm da e-Financeira, das operadoras de cartão de crédito, dos marketplaces, das notas fiscais eletrônicas e das transações por PIX.

Esses dados revelam inconsistências como despesas superiores às receitas declaradas, compras incompatíveis com o faturamento informado, ausência de emissão de notas fiscais e movimentações acima do padrão esperado para um MEI.

Para Ruzene, a maior parte das irregularidades não ocorre por desconhecimento, mas por tentativa de reduzir a carga tributária. Ele destaca que quem abre um MEI passa por sistemas com orientações claras sobre limites e obrigações.

“Se não o faz, não é por desconhecimento nem por falta de acesso à informação de qualidade.”

Para permanecer dentro da legalidade, o especialista recomenda que o contribuinte seja transparente em relação aos dados bancários e de compras. Se esses dados forem compatíveis com os declarados na DASN-SIMEI, o risco de autuação e desenquadramento é mínimo.

Além disso, Ruzene destaca algumas medidas práticas que ajudam o empreendedor a manter o negócio em ordem:

📊 Monitoramento mensal do faturamento: mantenha um controle próprio e atualizado do fluxo de caixa. Não dependa da memória ou apenas dos extratos bancários. Registre todas as vendas, tanto de produtos quanto de serviços.📦 Gestão das compras e atenção ao equilíbrio entre entradas e saídas: a Receita costuma presumir omissão de receita quando o volume de compras ultrapassa 80% do faturamento declarado. Acompanhar essa relação evita interpretações equivocadas.🔐 Separação rígida entre contas pessoal e empresarial: evite misturar contas. Não use a conta jurídica do MEI para despesas pessoais nem receba pagamentos em contas de pessoa física. O cruzamento de dados via PIX e e‑Financeira identifica rapidamente esse tipo de inconsistência.💳 Cuidado com meios de pagamento eletrônicos: operadoras de cartão e plataformas financeiras informam transações à Receita por meio da DIMP. A soma de todas as maquininhas e chaves Pix deve refletir o faturamento real e respeitar o limite anual do MEI.📈 Planejamento da expansão do negócio: se o faturamento tende a estourar o limite no fim do ano, o ideal é planejar a migração voluntária para microempresa a partir de janeiro. Esse movimento evita multas e impede o desenquadramento retroativo.🧾 Emissão regular de notas fiscais: mesmo dispensado de emitir nota para pessoas físicas, o MEI pode usar a nota fiscal como ferramenta de controle. Emitir notas facilita acompanhar o próprio faturamento e reduz o risco de ultrapassar o limite sem perceber.

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Guerra no Irã: petróleo sobe quase 30% na semana por conflito no Oriente Médio

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 00:58

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%Oferecido por

A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma alta de quase 30% nos preços do petróleo nos mercados internacionais nesta semana.

A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — elevou as preocupações com o abastecimento global e pressionou as cotações.

O barril do Brent encerrou esta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, alta superior a 8% em relação ao dia anterior e de 27,88% no acumulado da semana. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 90,90, avanço de mais de 12% no dia e de 35,63% na semana.

Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20, e desde o início do ano o aumento já supera US$ 30.

Especialistas avaliam que a valorização reflete a combinação entre risco geopolítico elevado e impactos concretos no fluxo de energia.

A tensão aumentou ainda mais nesta semana, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a exigir a “rendição incondicional" do Irã.

O país é um dos principais produtores globais de petróleo e o conflito acabou afetando diretamente a navegação no Golfo Pérsico.

Segundo empresas que monitoram rotas marítimas, o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra.

Cerca de 300 embarcações estão paradas na região aguardando condições de segurança para seguir viagem.

O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu após fracassarem tentativas diplomáticas em Washington para interromper os ataques americanos.

No mesmo período, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos.

Sistemas de defesa aérea da Otan também interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia.

Diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, alguns países produtores já começaram a reduzir suas atividades.

O Iraque diminuiu sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, em meio a dificuldades de armazenamento e exportação.

Especialistas alertam que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado internacional em poucos dias.

A China pediu que suas principais refinarias suspendam exportações de diesel e gasolina, enquanto os EUA autorizaram temporariamente o fornecimento de petróleo russo à Índia, apesar das sanções vigentes.

O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações após ataques a instalações energéticas. Fontes do setor indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal.

Para tentar reduzir os riscos à navegação, o governo americano afirmou que a Marinha dos EUA poderá escoltar navios mercantes que tentarem atravessar o Estreito de Ormuz, embora analistas avaliem que o fluxo dificilmente voltará ao nível anterior ao início da guerra no curto prazo.

Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, a interrupção na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia e gerar impactos em diversos setores.

“O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de US$ 65 para US$ 90 nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil”, explica.

De acordo com ele, o primeiro efeito costuma aparecer nos combustíveis, já que o país utiliza referências internacionais para definir preços, mesmo sendo produtor de petróleo.

“O diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final”, afirma.

Tonegutti acrescenta que o encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e pode chegar ao bolso dos consumidores em poucas semanas.

Segundo ele, a evolução do conflito será determinante para o comportamento das cotações. Caso a tensão diminua, os preços podem recuar.

Por outro lado, se a crise persistir na região, alguns analistas já projetam que o barril de petróleo pode se aproximar da marca de US$ 100.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Empreendedora transforma saberes do próprio território em oportunidade de negócio

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 06/03/2026 19:09

Empreenda com Sebrae Especial Publicitário Empreendedora transforma saberes do próprio território em oportunidade de negócio Aparecida Ayres, do litoral fluminense, mostra como o desenvolvimento de um negócio pode nascer da terra, das águas e das relações locais. Por Sebrae

Aparecida Ayres une empreendedorismo e natureza, gerando impacto econômico, social e cultural — Foto: divulgação

Águas calmas, natureza preservada e história em cada canto. Assim é Paraty (RJ), a cidade de Aparecida Ayres, empreendedora da tradicional comunidade caiçara, de 47 anos. À frente do Rancho Ayres, restaurante e centro de turismo pedagógico e hospitalidade na Praia de São Gonçalo, ela carrega com a família mais de 150 anos de ancestralidade no litoral fluminense. Foi nesse território, ou melhor, maretório, que Aparecida encontrou uma estratégia de inovação e de defesa do local contra a especulação imobiliária: as algas.

Aliás, muito antes de virarem negócio, as algas já eram usadas como adubo nas hortas do Rancho, no cuidado com as árvores frutíferas e na hora de mariscar, ajudando a acalmar e a distrair os caranguejos goiás. Saberes passados da mãe, Tânia, para a filha. A virada veio mesmo em 2021, a partir de um curso de algicultura e desenvolvimento territorial sustentável oferecido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que Aparecida e mais membros da sua família realizaram.

“Aprendemos desde a visão global do mercado de algas até os detalhes técnicos da produção. Mas o mais valioso foi entender como conectar nosso trabalho artesanal às metas da Agenda 2030 e compreender que o beneficiamento da alga no nosso território é uma estratégia de conservação da biodiversidade e de combate à crise climática”, conta Aparecida.

A formação apresentou a Aparecida novas possibilidades de uso das algas e uma nova espécie, a macroalga Kappaphycus alvarezii. Da união entre o saber herdado e os novos conhecimentos nasceu o Algas na Mesa Paraty, braço de inovação do Rancho Ayres voltado à gastronomia sustentável, que ensina as receitas às mulheres caiçaras e fortalece o desenvolvimento do território.

Cultivada em fazendas no mar, a macroalga passou a integrar cosméticos, como sabonetes e cremes corporais, além de bebidas, doces e salgados. Entre os pratos estão: águas e cachaças infusionadas, brownies e geleias doces e salgadas, antepastos, macarrão com vinagrete, moqueca… Mas um dos pratos se destaca: o tempuralgas. “Tive a ideia ao observar as barracas japonesas da Festa do Divino de Paraty, que são as mais disputadas, com filas enormes para o yakisoba e o tempurá. Eu pensei que precisávamos ter o nosso próprio tempurá, mas com a nossa identidade e o nosso cultivo”, lembra Aparecida.

Com o projeto já em movimento, o apoio à gestão e ao cooperativismo foi fundamental para estruturar o Algas na Mesa Paraty como negócio. Com o apoio do Sebrae, ela passou a organizar a microempresa com foco no comércio justo e na valorização das pessoas que fazem parte do processo. Oficinas de precificação, conservação de alimentos e inovação no mercado ajudaram a dar base ao crescimento e potencializar o que já existia.

Aparecida também participou da oficina de atendimento ao cliente na praia, oferecida pelo Sebrae. “Nós não recebemos apenas clientes, recebemos pessoas”, resume Aparecida. O contato é olho no olho, conduzido pela família, com troca de histórias e escuta para entender o que cada visitante procura. Para quem empreende, independentemente do território, a dica é clara: atender bem faz toda a diferença. Se você também quer elevar seu serviço e valorizar sua região, conheça o curso de Atendimento ao Cliente do Sebrae.

“O Sebrae me deu as ferramentas para organizar o negócio e entender que a qualidade no atendimento e na gestão é o que sustenta a nossa resistência. Aprendi que, ao cuidar da parte administrativa e do relacionamento com o cliente, eu estou fortalecendo a nossa capacidade de permanecer e prosperar no mar”, conclui Aparecida.

Os resultados logo apareceram. Antes da algicultura, o Rancho Ayres faturava cerca de R$ 6 mil por mês; com a inovação das algas, o valor saltou para R$ 36 mil. Hoje, o negócio sustenta uma equipe de oito pessoas na Praia de São Gonçalo. Além das experiências gastronômicas e de turismo, o trabalho de Aparecida ganhou alcance nacional e internacional por meio de palestras, consultorias e parcerias que levam a culinária algácea para fora do Brasil.

Esse impacto rendeu à empreendedora a indicação ao Prêmio Internacional de Alimentos de Niigata, no Japão; a vitória no Prêmio Mulheres das Águas, na categoria Aquicultura Marinha, concedido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura; e a participação como palestrante na COP30. O trabalho também chamou a atenção de autoridades e jornais internacionais. Essa trajetória de sucesso de Aparecida é um exemplo vivo da força dos Territórios Empreendedores, em que o lugar onde se vive deixa de ser apenas um endereço e passa a ser o maior ativo estratégico de um negócio.

Tempuralgas é a estrela, mas muitas delícias fazem parte da culinária algácea em Paraty — Foto: divulgação

A ideia parte de um princípio simples: o sucesso de um negócio não depende só do que acontece dentro da empresa, mas também do ambiente ao redor. “Por isso, o Sebrae criou os Territórios Empreendedores, uma estratégia para fortalecer o ambiente de negócios e organizar o desenvolvimento territorial a partir das potencialidades de cada região”, explica Janaina Lopes Pereira Peres, coordenadora do núcleo de Territórios e Lideranças do Sebrae Nacional.

Na prática, essa atuação conecta poder público, setor privado e sociedade civil em torno de uma agenda coletiva. “Não se trata de uma fórmula mágica, mas de um processo colaborativo que melhora as condições para empreender”, afirma Janaina. Quando o território passa a ser visto como ativo estratégico, o empreendedor faz parcerias, atua em comunidade, fica mais bem informado e amplia as chances de crescer de forma sustentável.

“Ao entender melhor o território onde atua, o empreendedor deixa de competir apenas por preço e passa a contribuir com a construção de identidade, conexão com a economia local e a capacidade de atender demandas da região. Com o tempo, sua postura também muda de reativa para estratégica”, enfatiza a especialista.

Hoje, o Brasil conta com 115 Territórios Empreendedores, que reúnem mais de 1.300 municípios e mobilizam cerca de 5.000 lideranças locais. “Um dos principais ativos dessa abordagem é a formação e a qualificação dessas lideranças e a capacidade de transformar planejamento em ação: já são mais de 80 Agendas de Desenvolvimento em execução, com impactos concretos em áreas que vão da economia criativa à regularização fundiária”, ressalta Janaina. Muitos líderes se organizam a partir de vocações já conhecidas, como turismo e agronegócio, mas há um movimento crescente de inovação em áreas como economia azul (como é o caso de Aparecida), turismo regenerativo, biocombustíveis e tecnologia aplicada à produção local.

Segundo a coordenadora, a principal virada acontece quando o empreendedor deixa o isolamento. “Empreender sozinho limita o acesso a recursos, contatos e oportunidades. Em um território estruturado, o empresário passa a integrar uma rede de cooperação que amplia mercados, reduz riscos e acelera aprendizados”, diz. Esse modelo também torna as economias locais mais resilientes, já que incentiva a diversificação de atividades e reduz a dependência de uma única fonte de renda.

Para quem quer saber se sua cidade faz parte dessa estratégia, como se aproximar ou criar um Território Empreendedor em sua região, o Sebrae disponibiliza informações nas unidades locais da instituição e no portal oficial. Acesse aqui.

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Petróleo sobe quase 30% na semana por guerra no Oriente Médio

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 06/03/2026 19:09

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%Oferecido por

Os preços do petróleo dispararam cerca de 30% nesta semana, para níveis sem precedentes desde 2023, num contexto em que o conflito no Oriente Médio paralisa boa parte dos fluxos de hidrocarbonetos provenientes do Golfo Pérsico.

O barril de Brent do Mar do Norte fechou nesta sexta-feira (6) em 92,69 dólares, o que representa um aumento de mais de 8% em relação à quinta-feira e de 27,88% na semana.

Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI), encerrou em 90,90 dólares, uma alta de mais de 12% na sessão e de 35,63% na semana.

Em poucas sessões, os preços encareceram mais de 20 dólares por barril. Desde o início do ano, o aumento supera os 30 dólares.

"Já vi esse tipo de situação antes, mas essa está começando a adquirir proporções dramáticas", comenta à AFP Ole R. Hvalbye, analista do SEB.

"Preocupam-me muito as consequências de longo prazo", em particular a eclosão de uma recessão econômica, acrescenta.

O aumento das cotações acelerou-se ainda mais nesta sexta-feira após declarações do presidente americano, Donald Trump, que exige uma "capitulação" do Irã.

O país é um importante produtor de petróleo. Mas o conflito teve sobretudo como consequência paralisar o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% da produção mundial do óleo bruto.

"O mercado está passando de uma avaliação puramente geopolítica dos riscos a levar em conta perturbações operacionais tangíveis", destacam em nota os economistas do JPMorgan.

"A cada dia em que o Estreito de Ormuz permanece fechado, o mercado petrolífero fica mais tenso", explicou à AFP Giovanni Staunovo, analista do UBS.

"O Iraque já diminuiu seu fornecimento em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, e o Kuwait parece estar atingindo seus limites de armazenamento e, na prática, fechando a maior parte de sua capacidade de refino destinada à exportação", segundo os especialistas do JPMorgan.

Para prevenir a escassez, a China pediu às suas principais refinarias que suspendam suas exportações de diesel e gasolina, de acordo com a agência Bloomberg.

E na quinta-feira o governo dos Estados Unidos autorizou, por um mês, o fornecimento à Índia de petróleo russo submetido a sanções, enquanto o conflito no Oriente Médio afeta diretamente o abastecimento de Nova Délhi.

A Marinha americana escoltará os navios mercantes que tentarem cruzar o Estreito de Ormuz "assim que for razoável", assegurou nesta sexta o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright.

"Isso pode facilitar a retomada do tráfego, mas não ao nível de antes da guerra", alertam os analistas da Eurasia Group.

Segundo Jason Gabelman, da TD Cowen, a reação do mercado tem sido até agora "moderada" graças a "estoques saudáveis" que "poderiam cobrir até um mês de fechamento" do Ormuz.

Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. — Foto: SAHAR AL ATTAR / AFP

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Passageiros indisciplinados: Anac aprova multas que chegam a R$ 17,5 mil e proibição de embarque

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 06/03/2026 17:19

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa179.720 pts-0,41%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa179.720 pts-0,41%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa179.720 pts-0,41%Oferecido por

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou novas regras para passageiros que violam e desrespeitam regras ou comprometem a segurança de pessoas a bordo de aeronaves ou nas dependências do aeroporto. Os atos incluem agressões físicas ou verbais durante o voo, tumultos a bordo e danos à infraestrutura aeroportuária, por exemplo.

🔎A norma regulamenta a Lei do Voo Simples e passa a valer 6 meses depois da data de publicação no Diário Oficial. Durante esse período, a Anac, as companhias aéreas e a Polícia Federal farão ajustes em relação ao compartilhamento de informações entre os órgãos.

As punições podem levar a multas de até R$ 17,5 mil e proibição de realizar voos domésticos. As sanções serão aplicadas conforme a gravidade dos atos praticados.

A proposta estabelece um procedimento padronizado para lidar com passageiros indisciplinados, que começa pela aplicação de advertências verbais e pode chegar ao acionamento de autoridades policiais, retirada de pessoas da aeronave e aplicação de punições mais graves pela Anac.

Em casos de retirada do voo, a companhia aérea não terá obrigação de transportar o passageiro até o destino final nem de oferecer assistência material, como hotel, alimentação ou reacomodação.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), os casos que envolvem passageiros indisciplinados cresceram 66% em 2025, em relação ao ano anterior. Foram registradas, ao todo, 1.764 ocorrências no ano passado.

Para casos classificados como gravíssimos, o passageiro poderá ser incluído em uma lista restritiva de impedimento de voo, conhecida como “No Fly List”.

Nesses casos, válidos apenas para voos domésticos, a pessoa será impedida de comprar passagens aéreas e embarcar em voos, caso já tenha adquirido algum. A proibição valerá para todas as companhias aéreas.

Haverá restituição total dos valores gastos nas passagens nas situações de impedimento de embarque em voos futuros.

A França endureceu as regras contra passageiros indisciplinados no fim do ano passado. Quem tumultuar ou perturbar a tranquilidade na aeronave será multado em até 20 mil euros – o equivalente a aproximadamente R$ 124.240, e poderá ser proibido de viajar por quatro anos.

A maior companhia europeia de voos domésticos, RyanAir, também aplica multas a passageiros que tenham condutas que levem à expulsão de voos. O valor inicial é de 500 libras.

A Índia tem um dos sistemas mais detalhados da chamada “No Fly List”. Para infrações leves a proibição de voar é de até 3 meses, para níveis mais graves passa a ser de 6 meses e em casos de ameaça à segurança o impedimento é de, no mínimo, 2 anos.

Os Estados Unidos aplicam sanções severas a passageiros indisciplinados, fiscalizadas pela Federal Aviation Administration (FAA), a agência do governo responsável pela aviação civil do país. Interferir nas funções da tripulação é considerado violação da lei federal e as multas podem chegar a mais de US$ 43 mil por infração.

Em janeiro deste ano um passageiro precisou ser retirado de um voo pela polícia federal (PF) por causa de uma discussão com a tripulação sobre o modo avião de celular.

Segundo passageiros ouvidos pelo g1, o homem afirmou que não colocaria o celular no modo avião e se negou a mostrar o aparelho. A tripulação pediu que ele desembarcasse, mas, diante da recusa, acionou a PF.

O voo, que saía de Brasília com destino ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, decolou com quase 2h de atraso por causa do ocorrido.

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Governo Trump autoriza venda de ouro da Venezuela aos Estados Unidos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 06/03/2026 17:19

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa179.720 pts-0,41%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa179.720 pts-0,41%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa179.720 pts-0,41%Oferecido por

O governo de Donald Trump emitiu nesta sexta-feira (6) uma autorização para a venda de parte do ouro venezuelano aos Estados Unidos, em uma nova flexibilização das sanções de Washington contra Caracas desde a queda de Nicolás Maduro no início do ano.

Segundo um documento publicado no site do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, as transações com a Companhia Geral de Mineração da Venezuela (Minerven) ou suas filiais voltam a estar autorizadas.

A licença permite, por enquanto, apenas as trocas por meio dos Estados Unidos e para empresas estabelecidas no país, as quais estão autorizadas a reexportar o metal precioso.

Ela prevê um procedimento de rastreabilidade para garantir que o ouro provenha efetivamente da Venezuela e proíbe transações com destino ao Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba, uma condição que já se aplica às vendas de petróleo venezuelano.

Os Estados Unidos já voltaram a autorizar a exportação de petróleo venezuelano. Mas mantêm o controle sobre o processo: o produto gerado pela venda do petróleo bruto, assim como os impostos vinculados, devem ser depositados em um fundo específico supervisionado pelo Departamento do Tesouro e atualmente sediado no Catar.

A licença do Tesouro sobre o ouro venezuelano se tornou pública depois que o secretário do Interior do governo Trump, Doug Burgum, concluiu na quinta-feira (5) uma visita de dois dias à Venezuela, e ambos os países anunciaram o restabelecimento das relações diplomáticas.

Burgum, que durante a visita manteve conversas com a presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, disse que dezenas de empresas haviam manifestado interesse em investir na Venezuela.

O governo Trump afirma que administra de fato a Venezuela e controla os vastos recursos naturais do país após a derrubada de Maduro durante uma incursão de forças especiais americanas em 3 de janeiro.

Após a captura de Maduro e da esposa, Cilia Flores, que foram levados de avião para Nova York para serem julgados por acusações de narcotráfico, o secretário de Energia de Trump, Chris Wright, tornou-se em fevereiro o primeiro alto funcionário dos Estados Unidos a viajar para a Venezuela.

Além do petróleo, a Venezuela é rica em minerais como ouro e diamantes, além de bauxita, coltan e outros materiais raros usados para fabricar computadores e telefones celulares.

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Agência alfandegária dos EUA diz que sistema de reembolso de tarifas estará pronto em 45 dias

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 06/03/2026 16:22

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,262-0,47%Dólar TurismoR$ 5,466-0,42%Euro ComercialR$ 6,108-0,17%Euro TurismoR$ 6,357-0,16%B3Ibovespa180.185 pts-0,15%MoedasDólar ComercialR$ 5,262-0,47%Dólar TurismoR$ 5,466-0,42%Euro ComercialR$ 6,108-0,17%Euro TurismoR$ 6,357-0,16%B3Ibovespa180.185 pts-0,15%MoedasDólar ComercialR$ 5,262-0,47%Dólar TurismoR$ 5,466-0,42%Euro ComercialR$ 6,108-0,17%Euro TurismoR$ 6,357-0,16%B3Ibovespa180.185 pts-0,15%Oferecido por

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa após chegar ao Texas, em 27 de fevereiro de 2026 — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz

A agência alfandegária dos Estados Unidos está preparando um sistema que ficará pronto dentro de 45 dias para processar reembolsos relacionados às tarifas de importação impostas pelo presidente do país, Donald Trump.

As sobretaxas foram consideradas ilegais pela Justiça norte-americana e os importadores não terão que arcar com elas, disse um representante norte-americano nesta sexta-feira (6).

A declaração de Brandon Lord, um dos principais funcionários da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês), foi feita enquanto os advogados do governo se reuniam com um juiz federal de comércio para definir um processo de devolução de US$ 166 bilhões em pagamentos de tarifas para cerca de 330.000 importadores.

As tarifas, que eram uma parte central da política econômica do presidente Donald Trump, foram consideradas inconstitucionais pela Suprema Corte dos EUA no mês passado.

No entanto, a Suprema Corte não informou como as tarifas cobradas deveriam ser reembolsadas, o que preocupou os pequenos importadores, pois o processo seria proibitivamente caro e demorado.

"Esse novo processo exigirá um mínimo de apresentação por parte dos importadores", disse Lord em sua declaração, que foi protocolada na Corte de Comércio Internacional dos EUA no momento em que os advogados do governo Trump começaram a se reunir com o juiz Richard Eaton, da Corte de Comércio Internacional dos EUA.

Eaton convocou a reunião para discutir como o governo dos EUA executará sua ordem emitida na quarta-feira, instruindo o CBP a começar a reembolsar tarifas a possíveis centenas de milhares de importadores usando o processo interno existente da agência.

Lord disse que a agência alfandegária prevê que o processo de restituição exigirá que os importadores apresentem uma declaração ao sistema de computador do CBP, conhecido como ACE, detalhando os pagamentos de tarifas, e que o sistema e o CBP validarão esses pagamentos e processarão as restituições com juros.

Cada importador receberá um único pagamento do Departamento do Tesouro dos EUA, independentemente de quantas entradas separadas de mercadorias o importador tiver feito.

Lord não estimou quanto tempo levará para processar as restituições, mas disse que o CBP não será capaz de cumprir a ordem de Eaton na quarta-feira. Eaton contemplou um sistema no qual os reembolsos seriam automaticamente devolvidos aos importadores por meio da plataforma existente, sem documentação ou informações do importador.

"Os procedimentos administrativos e a tecnologia existentes não são adequados para uma tarefa dessa escala e exigirão trabalho manual que impedirá que o pessoal cumpra integralmente a missão de fiscalização da agência", disse Lord ao explicar por que a CBP não poderá usar o sistema existente.

A ordem de Eaton vai exigir que a agência revise manualmente a documentação de cada encomenda, um processo que, segundo Lord, exigirá mais de 4 milhões de horas de trabalho.

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Guerra no Irã expõe racha no Brics expandido

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 06/03/2026 16:22

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,264-0,44%Dólar TurismoR$ 5,466-0,42%Euro ComercialR$ 6,110-0,13%Euro TurismoR$ 6,357-0,16%B3Ibovespa179.962 pts-0,28%MoedasDólar ComercialR$ 5,264-0,44%Dólar TurismoR$ 5,466-0,42%Euro ComercialR$ 6,110-0,13%Euro TurismoR$ 6,357-0,16%B3Ibovespa179.962 pts-0,28%MoedasDólar ComercialR$ 5,264-0,44%Dólar TurismoR$ 5,466-0,42%Euro ComercialR$ 6,110-0,13%Euro TurismoR$ 6,357-0,16%B3Ibovespa179.962 pts-0,28%Oferecido por

A ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e a retaliação subsequente do regime de Teerã contra países do Golfo expuseram um racha interno no Brics, que não só deixou de emitir uma declaração conjunta até o momento como mostrou posicionamentos públicos divergentes entre seus membros.

Atualmente, o Brics é formado por dez países: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. A Arábia Saudita costuma ser listada como membro, mas ainda não oficializou seu ingresso.

Enquanto países como Brasil, Rússia e China emitiram notas condenado a ofensiva conjunta de Israel e os EUA contra o Irã, outros membros, como Emirados Árabes Unidos e Índia se concentraram em condenar as retaliações do Irã. A África do Sul, por sua vez, tentou se equilibrar manifestando preocupação com a escalada do conflito.

A falta de coesão e de um posicionamento conjunto contrasta com a reação conjunta observada em junho de 2025, na guerra de 12 dias iniciada por Israel contra o Irã e que também contou com participação dos EUA.

À época, quando a presidência era ocupada pelo Brasil, os dez países do bloco divulgaram uma nota conjunta classificando os ataques israelenses como uma "violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas". O mesmo texto também pedia a abertura de "canais de diálogo" com o objetivo de "desescalar a situação e resolver suas divergências por meios pacíficos".

O conflito de 2026 tem diferenças com a guerra de 12 dias do ano passado. Há oito meses, o Irã também retaliou a ofensiva israelense, mas suas ações militares não atingiram alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita como ocorreu desta vez.

Oficialmente, o Irã afirma que só tem mirado bases dos EUA em países do Oriente Médio. "Não estamos atacando nossos vizinhos nos países do Golfo Pérsico, estamos atacando a presença dos EUA nesses países", disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi. No entanto, foram registrados danos em alvos sem relação direta com os militares dos EUA, como aeroportos civis, refinarias e até prédios de luxo.

Em resposta, a Arábia Saudita advertiu que "se reserva ao direito" de reagir ao que chamou de "ataque covarde do Irã". Por outro lado, os Emirados Árabes Unidos afirmaram descartar ação militar contra o Irã e apelaram para que as Nações Unidas busquem uma solução para o conflito.

Para especialistas, a estratégia do Irã de levar o conflito a monarquias do Golfo visa pressionar esses países a cobrarem os EUA por um cessar-fogo. Além da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, mísseis e drones do Irã também atingiram alvos no Bahrein, Catar, Omã, Jordânia, Síria, Iraque e Kuwait.

Em 2001, o economista Jim O'Neill cunhou o termo Bric para identificar Brasil, Rússia, Índia e China como economias que cresciam rapidamente e que tinham potencial para se tornar potências econômicas globais até 2050.

Apesar das diferenças em ideologias políticas e estruturas sociais, os formuladores de políticas dos quatro países passaram a trabalhar juntos, inicialmente por meio de conversas informais.

Com a consolidação das negociações, a primeira cúpula dos países foi realizada em Ecaterimburgo, na Rússia, em 2009. Um ano depois, a África do Sul foi convidada a juntar-se ao bloco emergente, acrescentando o "S" ao acrônimo Brics.

Entre 2023 e 2025, o bloco passou por uma grande expansão, ganhando seis novos membros: Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. (Os sauditas foram convidados, mas passaram a evitar oficializar a entrada após seus aliados dos EUA começarem ameaçar com tarifas países que se alinharem ao bloco.

À época, a expansão foi em grande resultado de pressão da China, enquanto o Brasil tentou resistir por temor de perder protagonismo no grupo. Após a expansão, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, também afirmou que o grupo "não poderia se expandir indefinidamente", sob o risco de perder "coesão".

Em abril de 2025, um encontro do Brics que reuniu ministros do Exterior dos países do bloco já havia terminado sem a divulgação de comunicado conjunto, mas posteriormente, em julho, na reunião de líderes, os membros chegaram a um consenso em temas como reforma das Nações Unidas e solução de dois Estados para os territórios palestinos e Israel, resultando numa declaração oficial.

No momento, a presidência rotativa do Brics é ocupada pela Índia, que mantém relações estreitas com os Estados Unidos e Israel. Entre diplomatas brasileiros, não há expectativa que os indianos convoquem uma reunião para articular um posicionamento comum em relação ao atual conflito.

Entre os quatro membros fundadores do Brics, a posição indiana é a que mais tem contrastado. O premiê indiano, Narendra Modi, evitou comentar num primeiro momento o ataque israelense que matou o "líder supremo" do Irã, Ali Khamenei, preferindo condenar publicamente a retaliação iraniana que provocou danos na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, além de denunciar o que chamou de "violação da soberania e da integridade territorial" do Kuwait, Catar e Omã. Nenhuma declaração semelhante em relação ao Irã foi divulgada pelo premiê.

No último domingo (01/03), Modi também relatou que teve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse ter transmitido "preocupações da Índia" e reiterado "a necessidade de um rápido fim das hostilidades". Modi também não relatou ter contatado qualquer autoridade iraniana. A posição de Modi provocou críticas de membros da oposição indiana.

Brasil tentou resistir à expansão que ampliou grupo para dez membros — Foto: Li Xueren/Xinhua/picture alliance

Já a Rússia e a China foram explícitas em se posicionar contra a ação israelo-americana contra o Irã.

Poucas horas depois de as bombas israelenses e americanas começarem a atingir Teerã, o representante da Rússia nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, classificou o ataque como um "ato não provocado de agressão armada contra um Estado-membro soberano e independente da ONU".

Em nota, o governo russo também chamou a ação dos EUA e Israel de "irresponsável", "premeditado" que viola "os princípios e normas fundamentais do direito internacional". A Rússia é um dos poucos aliados do regime de Teerã e nos últimos anos dependeu dos iranianos para o fornecimento de drones militares para uso na frente de guerra ucraniana.

A China, compradora petróleo iraniano, por sua vez, se expressou em termos semelhantes aos da Rússia, com uma porta-voz afirmando que "os ataques dos EUA e de Israel não foram autorizados pelo Conselho de Segurança da ONU e violam o direito internacional".

No entanto, nem Moscou nem Pequim emitiram sinais de que pretendem ir além das condenações verbais contra as ações de Israel e EUA, sinalizando que não vão correr para socorrer os iranianos.

A África do Sul, que tem relações hostis com Israel e paralelamente tenta encontrar algum equilíbrio com os EUA de Donald Trump, divulgou uma posição mais genérica. Por um lado, em nota, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou em relação à ofensiva israelo-americana que "a autodefesa antecipada não é permitida pelo direito internacional", mas se concentrou em argumentar que "o confronto militar nunca trouxe uma paz sustentável" e pedir uma solução diplomática. A declaração não menciona os países envolvidos e em geral usa linguagem menos direta que a China e Rússia.

Entre os membros originais do Brics, o Brasil foi a única democracia que divulgou uma condenação explícita contra a ofensiva de EUA e Israel, mencionando diretamente os dois países.

"O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região", afirmou o Itamaraty, em nota divulgada no último sábado (28/02).

Na segunda-feira, foi a vez de o Itamaraty divulgar uma nova nota, condenando a retaliação do Irã contra países do Golfo. "O Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. O Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia — objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro."

Entre os outros membros novatos do Brics, a Indonésia usou linguagem genérica em seu posicionamento, "lamentando o fracasso nas negociações entre os EUA e o Irã" e apelando para que as partes priorizem a diplomacia. O país também se ofereceu como mediador.

A Etiópia, por sua vez, se mantém discreta, e expressou publicamente solidariedade ao Kuwait, alvo de retaliação do Irã. Aliado dos EUA, mas receoso do aumento da força de Israel no Oriente Médio, o Egito evitou comentar a ofensiva inicial dos israelo-americana, preferindo instar o Irã a parar de lançar ataques a alvos em países do Golfo e pedir que todos os lados demonstrem contenção.

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