RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Dólar abre em queda, com tensões no Estreito de Ormuz e alta do petróleo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 09:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

O dólar opera em queda nesta terça-feira (14), com um recuo de 0,92% perto das 9h45, cotado a R$ 5,0842. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.

▶️ As tensões no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar os preços do petróleo no mercado internacional para cima. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos vão retomar o bloqueio naval ao Irã a partir de hoje e que passarão a cobrar uma taxa de 20% sobre toda carga transportada pelo canal, que é rota de cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.

As preocupações sobre o novo bloqueio do canal trazem mais um dia de alta para a commodity nesta terça-feira (13). Perto das 8h45, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 3,04%, cotado a US$ 85,83. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 1,75%, cotado a US$ 79,51 por barril.

▶️ Na agenda econômica, investidores avaliam novos dados da inflação ao consumidor nos EUA. Os dados são importantes para esclarecer ao mercado financeiro quais devem ser os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros. Segundo a XP, o choque no mercado de petróleo elevou as apostas para uma alta das taxas já neste mês.

A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na véspera, um novo bloqueio naval no Estreito de Ormuz para impedir o tráfego de embarcações ligadas ao Irã. A expetativa é que a operação tenha início nesta terça-feira, às 17h.

A medida entra em vigor um dia após o presidente americano afirmar que pretende assumir o controle do canal — por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo — e volta a trazer preocupações sobre eventuais impactos na oferta da commodity no mercado internacional.

"Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados ​​por isso", disse Trump, afirmando, pouco tempo depois, que pretende cobrar 20% sobre toda carga transportada pela rota.

Nos últimos dias, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, colocando em xeque o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho, que formalizou um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo.

Na Ásia, a maioria das bolsas fecharam em alta, após dados sólidos de exportações melhorarem o ânimo dos investidores. Papéis de energia também tiveram ganhos, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 2,15%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve alta de 1,36%.

O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,52%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,74% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 0,73%.

Há 9 minutos Economia Empresa de fertilizante reduz produção no Brasil por falta de enxofreHá 9 minutosMistura obrigatóriaEtanol na gasolina deve aumentar para 32%; veja o impacto nos carros

Há 2 horas Carros Denunciado por mulheresCartolouco foi reconhecido e correu após agredir ex, diz testemunha

Há 3 horas Fantástico Tapa e queimadura de cigarro: veja o relato de ex-namorada Há 3 horasFingia estar grávidaTécnica que tentou roubar bebê tinha quarto pronto com berço e fraldas

Há 12 minutos Fantástico Polícia investiga se Auricélia teve ajudaHá 12 minutosVeja onde assistirFrança e Espanha se enfrentam na 1ª semifinal da Copa hoje

Há 8 horas Mundo Uma seleção, várias identidadesComo os jogadores ajudam a entender a Espanha além do futebol

Há 5 horas Mundo Dupla da Espanha rebate fala racista de ex-premiê sobre a FrançaHá 5 horasPlataforma do governoNovo sistema promete facilitar recuperação de acesso da conta gov.br

Há 2 horas Jornal Nacional Pesquisa de StanfordComo a mesma IA pode ter rejeitado seu currículo em várias empresas

Há 30 minutos Trabalho e Carreira ‘Necromancia digital’: como a IA está recriando pessoas mortasHá 30 minutosVídeos curtos do g1

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Oncoclínicas entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 14/07/2026 09:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

A Oncoclínicas entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta terça-feira (14). O objetivo é renegociar 5,1 bilhões de reais em dívidas financeiras.

O plano de reestruturação já possui adesão de credores que representam 37% das dívidas. A empresa tem 90 dias para obter o apoio necessário para homologação.

A companhia informou que o atendimento aos pacientes e pagamentos do dia a dia não serão afetados. As unidades seguem funcionando normalmente em todo o país.

Como parte da reestruturação, a empresa rescindiu 2 contratos de aluguel de imóveis. Uma das multas de rescisão está estimada em 76 milhões de reais.

O pedido ocorreu após o fim das negociações com a Porto Seguro e o Fleury. A parceria visava criar uma nova empresa para reorganizar a estrutura financeira.

A Oncoclínicas (ONCO3), uma das maiores redes de tratamento contra o câncer do país, informou nesta terça-feira (14) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.

Segundo a empresa, o objetivo é criar um ambiente jurídico para negociar novas condições de pagamento com os credores, sem interromper as operações da companhia.

🔍 A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto em lei que permite a uma empresa renegociar dívidas com credores fora de um processo de recuperação judicial tradicional.

A Oncoclínicas informou que já conta com a adesão de credores que representam cerca de 37% das dívidas incluídas no plano, percentual suficiente para apresentar o pedido à Justiça.

Agora, a empresa terá até 90 dias para conseguir o apoio necessário para que o plano seja homologado e passe a valer para todos os credores envolvidos.

aporte de recursos pelos acionistas;conversão de parte da dívida em ações da empresa;troca de dívidas atuais por novos financiamentos;alongamento dos prazos de pagamento.

A empresa ressaltou que essas alternativas ainda serão negociadas e não necessariamente serão adotadas.

A Oncoclínicas afirmou que a recuperação extrajudicial não afeta o atendimento aos pacientes nem os pagamentos relacionados às operações do dia a dia, como fornecedores e parceiros considerados essenciais.

Como parte da reestruturação financeira, a empresa informou que rescindiu dois contratos de aluguel de imóveis.

Um deles é referente a um imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo. A multa pela rescisão é estimada em R$ 76 milhões e foi incluída na renegociação das dívidas.

O outro contrato era para um hospital que seria construído em Goiânia. Nesse caso, o valor da multa ainda está sendo calculado.

O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração da companhia e ainda será submetido aos acionistas em assembleia. A empresa afirmou que continuará informando o mercado sobre o andamento da reestruturação.

O pedido de recuperação extrajudicial marca mais uma etapa da tentativa da Oncoclínicas de reorganizar sua situação financeira após meses de dificuldades.

A medida taobém corre cerca de três meses depois do encerramento das negociações com a Porto Seguro e o Fleury para a criação de uma nova empresa de oncologia.

As tratativas começaram em março e previam a transferência de clínicas da Oncoclínicas para uma nova companhia, que receberia um investimento de cerca de R$ 500 milhões da Porto Seguro e do Fleury.

O projeto fazia parte da estratégia para reduzir o endividamento da empresa e facilitar a renegociação de seus passivos, inclusive com a possibilidade de converter parte das dívidas em participação na nova companhia.

No entanto, as negociações foram encerradas em abril sem um acordo. Com o fim das tratativas, a Oncoclínicas passou a buscar outras alternativas para reestruturar suas dívidas, até chegar ao pedido de recuperação extrajudicial anunciado nesta terça-feira.

Em relatório publicado em fevereiro deste ano, o Santander afirmou que a companhia já vinha adotando medidas para tentar recuperar sua saúde financeira, como aumento de capital, venda de ativos considerados não estratégicos e mudanças no conselho de administração e na diretoria.

Para o banco, a troca na diretoria financeira, anunciada no início do ano, faz parte desse processo e pode ajudar a aproximar a empresa de investidores e credores.

Já o Citi avalia que as dificuldades da Oncoclínicas podem abrir oportunidades para concorrentes do setor.

Segundo o banco, que divulgou um relatório na semana passada, empresas maiores, como a Rede D’Or, podem atrair pacientes caso parte dos atendimentos oncológicos deixe de ser realizada pela companhia.

O Citi também aponta possíveis impactos para as operadoras de planos de saúde. A análise considera que a Oncoclínicas tem uma estrutura de custos mais baixa na área de oncologia e que uma migração de pacientes para redes mais caras poderia elevar as despesas das operadoras e pressionar seus resultados.

Há 6 minutos Economia Empresa de fertilizante reduz produção no Brasil por falta de enxofreHá 6 minutosMistura obrigatóriaEtanol na gasolina deve aumentar para 32%; veja o impacto nos carros

Há 2 horas Carros Denunciado por mulheresCartolouco foi reconhecido e correu após agredir ex, diz testemunha

Há 3 horas Fantástico Tapa e queimadura de cigarro: veja o relato de ex-namorada Há 3 horasFingia estar grávidaTécnica que tentou roubar bebê tinha quarto pronto com berço e fraldas

Há 9 minutos Fantástico Polícia investiga se Auricélia teve ajudaHá 9 minutosVeja onde assistirFrança e Espanha se enfrentam na 1ª semifinal da Copa hoje

Há 8 horas Mundo Uma seleção, várias identidadesComo os jogadores ajudam a entender a Espanha além do futebol

Há 5 horas Mundo Dupla da Espanha rebate fala racista de ex-premiê sobre a FrançaHá 5 horasPlataforma do governoNovo sistema promete facilitar recuperação de acesso da conta gov.br

Há 2 horas Jornal Nacional Pesquisa de StanfordComo a mesma IA pode ter rejeitado seu currículo em várias empresas

Há 27 minutos Trabalho e Carreira ‘Necromancia digital’: como a IA está recriando pessoas mortasHá 27 minutosVídeos curtos do g1

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Guerra no Irã: empresa de fertilizante Mosaic reduz produção no Brasil por falta de enxofre

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 09:48

Agro Guerra no Irã: empresa de fertilizante Mosaic reduz produção no Brasil por falta de enxofre Matéria-prima é fundamental para a produção de adubos fosfatados, usados em diversos plantios, como soja, milho, trigo, café e arroz, além de hortaliças e frutas. Por Redação g1, g1 — São Paulo

A Mosaic anunciou a redução da produção em fábricas no Brasil. A medida ocorre pela falta de enxofre para fabricar adubos fosfatados.

A guerra no Oriente Médio prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico. A região é a principal exportadora global do insumo.

O conflito internacional elevou os custos logísticos. A situação também dificultou a chegada da matéria-prima ao mercado brasileiro.

A empresa declarou que ainda não consegue prever a normalização das atividades. O retorno dependerá da queda nos preços do enxofre.

A Mosaic, uma das maiores empresas globais de fertilizantes, anunciou que vai reduzir a sua produção em algumas de suas fábricas no Brasil por falta de enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de adubos fosfatados, usados em plantios de soja, milho, trigo, café e arroz, além de hortaliças e frutas.

➡️ A guerra no Oriente Médio prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico, principal região exportadora de enxofre, elevando os custos e dificultando a chegada do insumo ao Brasil.

"São necessárias aproximadamente quatro toneladas do insumo [enxofre] para fabricar dez toneladas de fertilizantes DAP ou MAP, por exemplo. Diante da redução da oferta global e da alta dos preços do enxofre, a companhia revisou seu plano operacional para o segundo semestre de 2026 e decidiu ajustar temporariamente a produção em determinadas unidades", disse a companhia.

Candeias (BA) e Catalão (GO): as unidades de mistura terão as atividades temporariamente paralisadas, com possíveis impactos sobre os trabalhadores, ainda sujeitos às negociações com os sindicatos.Palmeirante (TO) e Sorriso (MT): a produção será reduzida com reflexos no quadro de funcionários.Tapira (MG) e Catalão (GO): as paralisações temporárias já anunciadas nas unidades de produção deverão ser prorrogadas.Uberaba (MG): o complexo será gradualmente paralisado a partir de setembro.Paranaguá (PR): o Porto da Fospar seguirá operando normalmente. A produção de fertilizantes deve continuar até o fim de setembro, quando os estoques de ácido sulfúrico devem se esgotar.Cajati (SP): a unidade continuará em operação, apoiada por importações de enxofre para manter a produção de nutrição animal.

Segundo a Mosaic, ainda não é possível prever quando a situação será normalizada. A empresa afirma que isso dependerá da queda nos preços do enxofre, da retomada das cadeias globais de suprimentos, da reabertura das rotas marítimas internacionais e da evolução do conflito no Oriente Médio.

Fim da 'tempestade perfeita': por que o agro já prevê dificuldades com El Niño e fertilizantes mais carosCrise dos fertilizantes: quase metade do adubo importado vem de países em conflito, diz relatório

Há 9 minutos Economia Empresa de fertilizante reduz produção no Brasil por falta de enxofreHá 9 minutosMistura obrigatóriaEtanol na gasolina deve aumentar para 32%; veja o impacto nos carros

Há 2 horas Carros Denunciado por mulheresCartolouco foi reconhecido e correu após agredir ex, diz testemunha

Há 3 horas Fantástico Tapa e queimadura de cigarro: veja o relato de ex-namorada Há 3 horasFingia estar grávidaTécnica que tentou roubar bebê tinha quarto pronto com berço e fraldas

Há 1 minuto Fantástico Polícia investiga se Auricélia teve ajudaHá 1 minutoVeja onde assistirFrança e Espanha se enfrentam na 1ª semifinal da Copa hoje

Há 7 horas Mundo Uma seleção, várias identidadesComo os jogadores ajudam a entender a Espanha além do futebol

Há 5 horas Mundo Dupla da Espanha rebate fala racista de ex-premiê sobre a FrançaHá 5 horasPlataforma do governoNovo sistema promete facilitar recuperação de acesso da conta gov.br

Há 2 horas Jornal Nacional Pesquisa de StanfordComo a mesma IA pode ter rejeitado seu currículo em várias empresas

Há 19 minutos Trabalho e Carreira ‘Necromancia digital’: como a IA está recriando pessoas mortasHá 19 minutosVídeos curtos do g1

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Petróleo sobe e atinge o maior nível em um mês após tensão no Estreito de Ormuz

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 08:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

O petróleo subiu nesta terça-feira (14) atingindo o maior nível em quatro semanas. A alta ocorre após o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.

O barril do Brent subiu 4,48% para US$ 87,03, enquanto o WTI avançou 3,46% para US$ 80,84. Os valores são os maiores desde meados de junho.

O aumento ocorre após o governo de Donald Trump restabelecer o bloqueio naval ao Irã. Analistas temem interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

A elevação de preços gera receio de pressão na inflação dos Estados Unidos. O cenário pode dificultar o controle de preços pelo Federal Reserve.

O mercado financeiro registrou alta majoritária nas bolsas da Ásia nesta terça-feira (14). Em Wall Street, os contratos futuros operavam sem direção única.

Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira (14) e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar.

O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo.

Por volta das 7h50 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 4,48%, para US$ 87,03. Já o WTI, referência nos EUA, avançava 3,46%, para US$ 80,84.

Com isso, o Brent atingiu o maior nível desde 12 de junho, enquanto o WTI alcançava o maior patamar desde 16 de junho, antes de EUA e Irã assinarem, em 17 de junho, um memorando de entendimento para encerrar o conflito. Na segunda-feira (13), os preços chegaram a subir quase 10% após a escalada das tensões no Oriente Médio.

O aumento no preço do petróleo acontece após o governo do presidente Donald Trump restabelecer um bloqueio naval ao Irã e intensificar os ataques militares contra o país, apesar de um memorando de entendimento assinado em junho que previa o fim das hostilidades.

Segundo analistas, o mercado passou a incorporar o risco de que o acordo entre os dois países não se sustente.

O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota.

Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores:

os EUA retomaram o bloqueio à navegação iraniana;o governo americano propôs cobrar uma taxa de 20% para proteger embarcações que cruzam o estreito;dois navios-tanque dos Emirados Árabes foram atingidos por mísseis iranianos, deixando um tripulante morto e oito feridos;o número de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses.

Na avaliação de analistas do ANZ, se as interrupções continuarem, o petróleo pode permanecer entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas.

Quando o petróleo sobe, aumentam os custos de combustíveis e de transporte em vários países. Isso pode encarecer produtos e serviços, pressionando a inflação.

Nos EUA, essa preocupação ganhou força justamente no dia em que investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação de junho. O receio é que uma nova alta da energia dificulte o trabalho do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, no controle dos preços.

Além disso, declarações recentes de dirigentes do Fed reforçaram a possibilidade de os juros permanecerem elevados — ou até voltarem a subir — caso a inflação continue acima da meta.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. Na China, o índice de Xangai avançou 1,36%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 2,15%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,52%.

No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,73%. Em Cingapura, o Straits Times subiu 0,43%. Já em Taiwan, o Taiex caiu 1,42%, e a bolsa australiana encerrou o pregão praticamente estável.

Na China, o bom humor dos investidores também foi impulsionado pelo avanço de 27% das exportações em junho, na comparação anual em dólares, favorecidas pela forte demanda global por chips e equipamentos voltados à inteligência artificial.

Na Europa, o clima foi de cautela. Em Londres, o índice FTSE 100 recuava 0,3%, enquanto o FTSE 250 caía 0,7%. As perdas foram puxadas principalmente pelas ações dos setores financeiro e de viagens, que compensaram os ganhos das empresas de energia, beneficiadas pela alta do petróleo.

As ações da petroleira BP avançavam após a empresa sediada no Reino Unido afirmar que a alta do petróleo e o melhor desempenho de suas refinarias devem impulsionar o lucro do segundo trimestre.

No mercado de câmbio, o dólar permaneceu próximo das máximas em 13 meses com a expectativa de que a alta do petróleo volte a pressionar a inflação nos EUA e mantenha os juros elevados:

o euro subia 0,2%, para US$ 1,1399, a libra esterlina avançava 0,2%, para US$ 1,337. o iene japonês era negociado a 162,27 por dólar, perto do menor nível em cerca de 40 anos.

Em Wall Street, os contratos futuros das bolsas operavam sem direção única. Os futuros do Dow Jones recuavam cerca de 0,2%, os do S&P 500 estavam próximos da estabilidade e os do Nasdaq avançavam cerca de 0,5%.

Há 1 hora Carros Denunciado por mulheresCartolouco foi reconhecido e correu após agredir ex, diz testemunha

Há 2 horas Fantástico Tapa e queimadura de cigarro: veja o relato de ex-namorada Há 2 horasFingia estar grávidaTécnica que tentou sequestrar bebê tinha quarto pronto com berço e fraldas

Há 4 horas Fantástico Polícia investiga se Auricélia teve ajudaHá 4 horasVeja onde assistirFrança e Espanha se enfrentam na 1ª semifinal da Copa hoje

Há 7 horas Mundo Uma seleção, várias identidadesComo os jogadores ajudam a entender a Espanha além do futebol

Há 4 horas Mundo Dupla da Espanha rebate fala racista de ex-premiê sobre a FrançaHá 4 horasPlataforma do governoNovo sistema promete facilitar recuperação de acesso da conta gov.br

Há 1 hora Jornal Nacional 🎧 PodcastO ASSUNTO: o Orçamento Secreto 2.0 e o esforço para manter o escândalo

Há 3 horas O Assunto 9 siglas sem repasseSaiba como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário

Há 7 horas Eleições 2026 Nunes Marques reúne institutos de pesquisa para tratar de critériosHá 7 horasVídeos curtos do g1

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Irã quer transformar conflito militar com EUA em guerra econômica, diz especialista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 06:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

O Estreito de Ormuz é hoje a principal fonte de influência estratégica e de dissuasão do Irã em seu conflito com os Estados Unidos e por isso Teerã tenta transformar o conflito militar em uma guerra econômica. A avaliação é de Mehran Kamrava, cientista político e professor da Universidade de Georgetown no Catar, em entrevista à BBC.

Kamrava afirma que o chamado "Eixo da Resistência" do Irã — que inclui grupos como o Hamas, em Gaza, o Hezbollah, no Líbano, e os houthis, no Iêmen — está desarticulado, ou pelo menos militarmente enfraquecido, em consequência da guerra. Por isso, o Estreito de Ormuz ganhou importância estratégica para os iranianos.

"Para o Irã, o Estreito de Ormuz é uma importante fonte de influência estratégica e sua principal fonte de dissuasão", disse Kamrava ao programa Today, da Rádio 4 da BBC, nesta terça-feira (14/07).

Segundo o professor, o Irã "tem plena consciência" de que não pode enfrentar os EUA em condições de igualdade em uma guerra.

"Por isso, o Irã procura transformar um conflito militar em um conflito econômico. É justamente por essa razão que deseja manter sua influência sobre o Estreito de Ormuz."

Como resposta, Kamrava acredita que os EUA estão "determinados a retirar do Irã o controle do estreito", mas ele acha que ninguém sabe exatamente como isso pode ser feito — "nem mesmo os estrategistas do Pentágono".

"Já vimos o presidente dos EUA tentar diversas abordagens, e parece que os americanos agora estão adotando uma estratégia diferente. Eles estão atacando locais altamente estratégicos ao longo da costa sul do Irã, no Golfo Pérsico", afirma o professor da Universidade de Georgetown

"Se isso poderá eventualmente levar a uma invasão terrestre da Ilha de Kharg ou de alguma outra ilha iraniana é algo que precisaremos acompanhar de perto."

O professor avalia que tanto o Irã quanto os EUA querem que o conflito chegue ao fim, mas ambos insistem que isso precisa acontecer nos seus próprios termos.

"Países como Omã, Catar e Paquistão estão fazendo o que podem para incentivar uma mediação. Seja por meio do memorando de entendimento já assinado ou de alguma versão dele, os dois países reconhecem a necessidade de chegar a algum tipo de solução negociada", diz Kamrava. "O que exatamente isso significará, no entanto, ainda está indefinido."

O conflito entre Irã e EUA está tendo repercussões negativas na região, segundo o professor. Ele afirma que países como Catar e Emirados Árabes Unidos passaram as últimas décadas construindo uma imagem de segurança, estabilidade e prosperidade.

"E tudo isso está sendo abalado pelo que parece ser uma escalada involuntária do conflito. A frente envolvendo a Arábia Saudita e os houthis voltou a se intensificar. Se os houthis decidirem fechar o Estreito de Bab el-Mandeb [outra via marítima crucial para a economia global], poderemos estar diante de uma nova escalada significativa. Estamos vivendo um momento extremamente delicado."

Trump afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos. — Foto: Reuters via BBC

O presidente americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos, alegando que o Irã violou um acordo firmado com o país.

Segundo Trump, o estreito permanecerá aberto, mas o controle americano impedirá que "navios iranianos ou seus clientes entrem ou saiam".

Em comunicado divulgado no X, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que o bloqueio entrará em vigor nesta terça-feira (14/7) às 17h (horário de Brasília).

Os EUA lançaram ataques contra o Irã pela terceira noite consecutiva na segunda-feira, em meio à escalada das hostilidades entre os dois países.

Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de um ataque "audacioso" a dois navios-tanque no Estreito de Ormuz, que deixaram um tripulante morto e oito feridos — quatro deles gravemente.

Trump também anunciou uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo estreito, mas não explicou como isso funcionaria. O dinheiro arrecadado, segundo Trump, seria para bancar a operação americana na via navegável essencial ao comércio de petróleo mundial.

"O Estreito de Ormuz está aberto, e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio ao Irã — assim chamado porque impede apenas que navios ou clientes do Irã entrem ou saiam", escreveu o presidente americano, em publicação na sua rede social Truth Social.

"Os EUA serão, daqui em diante, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz'; no entanto, nessa condição — e por uma questão de Justiça—, serão reembolsados (à taxa de 20% sobre toda a carga transportada) por todos e quaisquer custos necessários para garantir a segurança e a proteção desta região do mundo, que é extremamente instável", disse Trump.

Há 57 minutos Carros 🎧 PodcastO ASSUNTO: o Orçamento Secreto 2.0 e o esforço para manter o escândalo

Há 21 minutos O Assunto 9 siglas sem repasseSaiba como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário

Há 5 horas Eleições 2026 Nunes Marques reúne institutos de pesquisa para tratar de critériosHá 5 horasTemporais chegam ao RSFrio derruba temperaturas no Sul e no Sudeste nesta terça

Há 3 horas Meio Ambiente Denunciado por mulheresCartolouco foi reconhecido e correu após agressão, diz testemunha

Há 4 minutos Fantástico Uma seleção, várias identidadesComo os jogadores ajudam a entender a Espanha além do futebol

Há 2 horas Mundo Dupla da Espanha rebate fala racista de ex-premiê sobre a FrançaHá 2 horasVídeos curtos do g1

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Café: da bebida ‘do diabo’ aos best-sellers de autoajuda cristã

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 06:47

Agro Café: da bebida 'do diabo' aos best-sellers de autoajuda cristã O café já foi demonizado por católicos. E até hoje não é bem-visto por algumas denominações cristãs. Por BBC

O mercado editorial brasileiro registra uma onda de livros devocionais que usam a palavra "café" no título, impulsionada pelo sucesso de vendas de Junior Rostirola.

A relação histórica entre religião e café começou com polêmicas, incluindo a rejeição por cristãos que associavam a bebida de origem árabe ao diabo.

A aceitação católica do café expandiu-se no século 17, após o papa Clemente 8º aprovar o consumo da bebida para manter a sobriedade da população.

Atualmente, algumas denominações como os mórmons proíbem o café, enquanto adventistas apenas orientam evitar a cafeína por ser um estimulante que causa dependência.

Para muitos, o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre — Foto: GETTY IMAGES

Basta uma espiada naquelas estantes cheias de best-sellers das livrarias, bem no ponto em que os livros religiosos tangenciam a autoajuda. Naquele segmento que o jargão editorial costuma classificar como "devocionais", não faltam títulos com a palavra "café".

Na esteira do mega-sucesso editorial Café com Deus Pai — cuja primeira edição, em 2023, colocou o pastor evangélico, teólogo e escritor Junior Rostirola como o autor brasileiro mais vendido daquele ano —, outros escritores miram na mesma fórmula. Nas prateleiras, há títulos como Café com Nossa Senhora, Café com Jesus, Café com os Santos, Café com as Mulheres da Bíblia, Café com Deus, Café com a Virgem Maria — e até mesmo Café com Exu, provando que o conceito transcende o cristianismo.

A ideia, que parte de um conceito simples, funciona. No dia a dia, afinal, "tomar um café" pode ser um sinônimo de encontro intimista entre pessoas que se dão bem. Ao mesmo tempo, para muitos o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre.

Alguns ainda percebem a palavra "fé" como a segunda sílaba de café. Quase uma brincadeira — fruto da síncope, da contração fonética, da elisão comum na língua coloquial em que "com a fé" vira simplesmente "ca fé".

Mas se a relação entre religiosidade e a bebida quase onipresente nos lares brasileiros — segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o país é o segundo maior consumidor de café, perdendo apenas para os Estados Unidos — nem sempre foi de amizade. O café já foi demonizado por católicos. E até hoje não é bem-visto por algumas denominações cristãs.

Os mais antigos registros escritos sobre o consumo de café são da segunda metade do século 6º, conforme explica a gastrônoma e historiadora Camila Landi, professora e coordenadora do curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Trata-se de um relato, com contornos lendários, de que um pastor de cabras na Etiópia teria notado os efeitos, em seus animais, a partir do consumo da planta.

"Há várias versões, mas a maioria apontando para o estudo do efeito da planta nos animais que a consumiam na região", conta a professora. Segundo artigo sobre a história da bebida publicado pelo Yale Center for the Study of Globalization, o pastor teria notado "um frenesi" atípico no seu rebanho.

Já a torrefação teria sido iniciada bem depois. E já com pitadas de religiosidade. Landi diz que tudo indica que a prática tenha começado no século 14, "quando monges jogaram os frutos no fogo por os acharem muito amargos". Acabaram se surpreendendo com o aroma.

Esses religiosos, ao que tudo indica, seriam da Igreja Ortodoxa Etíope, uma das mais antigas dissidências orientais do cristianismo.

"Assim teria nascido a bebida, resultante desse fruto tostado em contato com água quente", pontua Landi. "Naturalmente que histórias são contadas e lendas têm suas versões, portanto coexistem outras similares."

O cafezinho se espalharia por outras partes da África. No século 15, passou a ser largamente utilizada por muçulmanos sufistas do Iêmen, como um recurso para se manterem acordados durante as longas preces noturnas.

Logo, o mundo islâmico trouxe a bebida para o debate. Os árabes, afinal, já a chamavam de "qahwah" — daí a palavra café, aliás. O termo significa vinho. Justamente porque as propriedades estimulantes do café eram comparadas às de uma bebida alcoólica, cujo consumo é vetado pelos muçulmanos.

Mas os juristas islâmicos daquele tempo entenderam que o café não precisava ser proibido. Porque, ao contrário do álcool, não inebria, não prejudica o discernimento — mantém a clareza mental daquele que o ingere.

Ao que tudo indica apenas no século 16 o café chegaria à Europa, via Turquia — onde os registros mais antigos da presença do café são de 1453. A essa altura, cristãos já viam com maus olhos aquela bebida consumida pelos então adversários de fé do mundo árabe. Se eles a chamavam de vinho, aquilo só poderia ser o "vinho do diabo", a "bebida do satanás", detratavam os europeus.

A bebida teria chegado ao mundo ocidental por volta de 1570, em Veneza, importante entreposto comercial da época. Se alguns cristãos experimentaram aquele "vinho" árabe e gostaram, evidentemente que a questão se tornou tema de debate no outrora poderoso mundo católico.

Em uma história que mistura tanto fatos com lendas, efeitos e fés, destaca-se o que se conta sobre o papa Clemente 8º (1536-1605), que comandava a Igreja na virada do século 16 para o 17. Costuma-se dizer que ele "batizou" a bebida que, com isso, perderia o status de ser algo "do diabo" e então pôde ser consumida sem culpa pelos cristãos.

Outras narrativas enriquecem os detalhes da história: em 1600, teriam levado a ele o café, na esperança de seu veredito sobre ser ou não pecado tomá-lo. O papa teria experimentado e achado tão bom que, resignado, exclamou que aquela maravilha não poderia ficar restrita apenas aos infiéis.

Possivelmente essas versões são anedotas a partir do fato real de que a Igreja Católica parou de se opor ao consumo do café, abrindo as porteiras para sua expansão no mundo ocidental a partir do século 17. O artigo do Yale Center lembra que, em um contexto em que as pessoas consumiam majoritariamente bebidas alcoólicas, o papa aprovar o café era uma maneira de ajudar "a manter a sobriedade da população".

Referência nas sinopses biográficas de sumos pontífices da Igreja, o livro The Oxford Dictionary of Popes, do teólogo britânico John Norman Davidson Kelly (1909-1997), não aborda a querela sacro-cafeeira da gestão de Clemente.

Best-seller Café com Deus Pai deu origem a vários outros livros com temas semelhantes — Foto: Divulgação

Mas em épocas de extremo controle religioso sobre os hábitos sociais, o café despertava mesmo polêmicas no âmbito religioso. "Existem muitos indícios", comenta Landi. "O café foi alvo de muitas polêmicas religiosas. Registros históricos apontam proibições e restrições em diversas sociedades."

"Ainda hoje, existem restrições em algumas religiões ou ocasiões", acrescenta a historiadora.

Na seara cristã, dois casos destacam-se entre os mais emblemáticos. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como igreja dos mórmons, proíbe que seus adeptos bebam café.

A regra consta do livro Doutrina e Convênios, uma espécie de catecismo da denominação, onde estão as chamadas revelações escritas pelo criador da igreja, o norte-americano Joseph Smith (1805-1844).

Em 27 de fevereiro de 1833 ele escreveu, contrariado pelo fato de que membros da igreja mascavam tabaco durante as reuniões: "condena-se o uso de vinho, bebidas fortes, tabaco e bebidas quentes".

De acordo com a interpretação dos religiosos, o café, assim como o chá preto, estava banido. Em 2023 o historiador Keith Erekson, diretor de pesquisas históricas e divulgação da igreja dos mórmons, conversou com a reportagem da BBC News Brasil e explicou que a dita revelação é um incentivo para que "as pessoas cuidem de seu corpo físico, a fim de que possam ser saudáveis e receber recompensas espirituais, como sabedoria e conhecimento". Nesse sentido, o consumo de café estaria dentro de "alguns comportamentos" nocivos à saúde.

Também surgida nos Estados Unidos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem postura semelhante. Oficialmente, a denominação não proíbe o café — mas orienta que seus adeptos não o bebam.

Diretora associada do departamento de saúde da igreja para a América do Sul, a biomédica Lanny Cristina Burlandy Soares diz que a orientação é clara mas, "para compreendê-la bem" é preciso voltar à Bíblia. Segundo o entendimento religioso, Deus teria criado o ser humano à sua imagem e semelhança, confiando-lhe um propósito. "Nessa visão, o corpo não é um mero recipiente, mas é o templo pelo qual o ser humano exerce sua vocação. Cuidar dele é um ato de fidelidade ao propósito original de Deus", argumenta Soares.

Daí que os adventistas pregam um cuidado integral à saúde. A biomédica explica que, como a cafeína tem propriedades estimulantes e "com o uso regular, pode causar dependência", há a recomendação de evitá-la.

Ela relembra episódios do islã e do catolicismo em que o café também foi discutido. "Em 1511, em Meca, setores mais rigorosos proibiram o café com o argumento de que contrariava os preceitos do Alcorão", contextualiza. "Quando o café chegou à Europa, no século 17, enfrentou resistência semelhante."

"A Igreja Católica via a bebida com desconfiança por sua origem árabe-islâmica e chegou a ser chamada de 'vinho do diabo' por setores do clero", recorda. "A virada veio com o papa Clemente 8º. Segundo a tradição histórica, após provar o café pessoalmente, o pontífice decidiu 'batizá-lo', tornando-o aceitável para os cristãos. Com esse gesto papal, a resistência eclesiástica cedeu rapidamente."

O best-seller Junior Rostirola não é muito afeito a conceder entrevistas, segundo informa sua assessora de imprensa. Ele topou responder por escrito às questões da reportagem.

Rostirola já era muito conhecido pelo seu trabalho como pastor da Igreja Reviver, sediada em Itajaí, em Santa Catarina, quando a primeira versão do Café com Deus Pai explodiu. O livro de mensagens devocionais diárias transcendeu o meio evangélico — acabou caindo no gosto de cristãos de todas as denominações.

Ele gosta de café e explica que o título do livro veio da ideia de um espaço na correria para conversar com Deus. "O café simboliza uma pausa, um momento de conversa, acolhimento e proximidade", frisa. "A ideia sempre foi transmitir a mensagem de que Deus quer estar presente em nosso dia a dia, não apenas nos grandes momentos da vida, mas também nas pequenas pausas da rotina."

"Costumo dizer que o sucesso do livro não está na bebida, e sim no que ela representa. O café faz parte da cultura brasileira e geralmente está associado a momentos de conversa, acolhimento e relacionamento. Dentro do projeto, ele se tornou uma metáfora para essa pausa intencional diante de Deus. É um convite para desacelerar por alguns minutos e permitir que Ele fale ao nosso coração. Essa é a essência do Café com Deus Pai", completa Rostirola.

O teólogo diz ver "com naturalidade" o fenômeno cafeeiro-religioso nas capas de livros. "É um símbolo muito presente na vida das pessoas e remete a acolhimento, proximidade e conversa. É compreensível que diferentes autores utilizem essa linguagem para comunicar suas mensagens", pontua.

"Fico feliz em ver mais pessoas incentivando a leitura, a reflexão e a vida devocional. No fim das contas, o mais importante é que vidas sejam alcançadas e que as pessoas se aproximem de Deus", comenta o autor.

Especialista em marketing literário e fundadora de uma agência de divulgação de livros, a jornalista Lilian Cardoso lembra que toda vez que surge um grande best-seller "todo mundo quer saber o segredo, a fórmula". "E o Café com Deus Pai do pastor Junior Rostirola já vendeu mais de 10 milhões de exemplares", salienta ela, autora de O Livro Secreto do Escritor.

O pastor da Igreja Reviver Junior Rostirola fez sucesso com seu livro Café com Deus Pai — Foto: Divulgação

Para ela, além "da sacada do título", o sucesso também precisa ser atribuído à fama do autor, "que já tinha sua audiência" e seu público evangélico antes de publicar a obra. Mas ela reconhece que a ênfase no "momento com Deus, essa coisa da leitura diária" constitui a base para que o livro tenha se tornado um sucesso de vendagem.

Os números fizeram com que outros autores e editoras também quisessem abocanhar um naco do segmento. "Outros projetos e outras editoras foram surfando nessa onda dos devocionais. Isso é uma coisa comum no mercado do livro", analisa ela.

E às vezes a menção nem precisa ser direta. Fundadora da Cabana Church, a bispa Jeiza Pontes, por exemplo, acaba de lançar o livro Doses de Cura. Não tem café no título, mas fala em doses, em goles — porque também traz as mensagens bíblicas em forma de pequenos textos, pequenos ensinamentos.

Como o foco da obra é ajudar quem está com depressão, ela lembra que o título alude ao tratamento. "Dificilmente uma pessoa tem êxito com uma dose única. Imaginei exatamente assim. Não uma promessa de 'leia isso e pronto'", explica.

O fenômeno não se restringe ao cristianismo. O psicólogo Rubens Oliveira, por exemplo, buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu Café com Exu. "A ideia foi preencher uma lacuna editorial: a falta de obras de autoconhecimento e transformação pessoal a partir de referências ligadas a tradições afro-brasileiras", explica.

Ele diz que buscou no título a união de "dois elementos carregados de significado simbólico muito forte". O café seria "o encontro, a conversa, a pausa". Exu, por sua vez, é o orixá associado a "comunicação, caminhos, escolhas, movimento e tomadas de decisão".

"O título não foi pensado como referência religiosa no sentido tradicional, mas metáfora para uma conversa franca sobre a vida", resume.

O psicólogo Rubens Oliveira buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu livro Café com Exu — Foto: CRÉDITO, EDITORIAL PLANETA BRASIL/ DIVULGAÇÃO

O recurso é simbólico, claro. Mas a ideia do café com religião funciona justamente pelo apelo que o momento do cafezinho tem na cultura brasileira.

"O uso da palavra café em livros de espiritualidade não acontece por acaso. Há um significado cultural muito forte que vai além da bebida. Está na socialização, na conversa, na escuta, no encontro e na circulação de ideias", analisa Oliveira.

Para o psicólogo, nos tempos atuais, marcados pela velocidade e pelo excesso de informações, é sedutora a ideia de um momento de pausa no dia com a sugestão de disponibilidade, de ouvir e de refletir.

Mesmo com a restrição ao consumo de café, a adventista Soares diz que não há problemas com livros religiosos com a bebida no título. Para ela, os adventistas veem "com interesse genuíno e admiração" o alcance que tais obras têm atingido.

"Para entender como os adventistas leem esse fenômeno, é útil separar dois planos. O primeiro é o do conteúdo espiritual: a proposta de uma devoção diária, de pausar para refletir e cultivar uma conversa íntima com Deus está completamente alinhada com os valores adventistas", argumenta ela.

"Os adventistas têm sua própria tradição de devocionais diários e valorizam profundamente a espiritualidade integrada ao cotidiano. O segundo plano é o da metáfora cultural. O café no título desses livros não é um endosso da bebida, mas uma imagem poderosa de acolhimento e conversa íntima. No Brasil, tomar café com alguém é um gesto de afeto e proximidade. Usar essa metáfora para falar da relação com Deus é uma escolha comunicativa sensível e criativa, que os adventistas reconhecem sem precisar endossar o uso da bebida."

"Nossa posição é simples: acolhemos com simpatia qualquer iniciativa que aproxime as pessoas de Deus e da leitura bíblica", resume Soares.

Há 56 minutos Carros 🎧 PodcastO ASSUNTO: o Orçamento Secreto 2.0 e o esforço para manter o escândalo

Há 20 minutos O Assunto 9 siglas sem repasseSaiba como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário

Há 5 horas Eleições 2026 Nunes Marques reúne institutos de pesquisa para tratar de critériosHá 5 horasTemporais chegam ao RSFrio derruba temperaturas no Sul e no Sudeste nesta terça

Há 3 horas Meio Ambiente Denunciado por mulheresCartolouco foi reconhecido e correu após agressão, diz testemunha

Há 3 minutos Fantástico Uma seleção, várias identidadesComo os jogadores ajudam a entender a Espanha além do futebol

Há 2 horas Mundo Dupla da Espanha rebate fala racista de ex-premiê sobre a FrançaHá 2 horasVídeos curtos do g1

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Supermercados fechados aos domingos: estudo aponta queda de faturamento das lojas no ES

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 04:46

Espírito Santo Supermercados fechados aos domingos: estudo aponta queda de faturamento das lojas no ES Levantamento da Scanntech indicou que receita do varejo alimentar no Espírito Santo caiu 1,3% em março e abril, enquanto o restante do país registrou alta de 0,7%. Por g1 ES

Estudo da Scanntech aponta queda no faturamento de supermercados e atacarejos do Espírito Santo após o fechamento obrigatório aos domingos.

Nos meses de janeiro e fevereiro, o faturamento capixaba subiu 3%. Contudo, registrou queda de 1,3% nos meses de março e abril.

Com a mudança, os consumidores passaram a concentrar suas compras em outros dias. O maior crescimento ocorreu nas terças-feiras (25,3%) e quintas-feiras (34,3%).

Produtos de perfumaria, carnes e bebidas não alcoólicas tiveram desempenho inferior. Consumidores passaram a buscar esses itens em comércios especializados.

Os atacarejos foram o formato mais afetado, com queda de 5,8% no faturamento. Supermercados de menor porte também sentiram mais os impactos.

O fechamento de supermercados e atacarejos aos domingos no Espírito Santo, em vigor desde 1º de março, já apresenta impacto no faturamento das empresas, segundo um estudo da Scanntech, empresa especializada em inteligência de mercado.

Segundo o levantamento, o estado capixaba vinha registrando crescimento acima da média nacional no início do ano, mas passou a apresentar desempenho inferior ao restante do país após a entrada em vigor da medida. Parte da queda pode estar atrelada ao fechamento das lojas aos domingos.

Nos meses de janeiro e fevereiro, antes do fechamento aos domingos, o faturamento do varejo alimentar no Espírito Santo cresceu 3% em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, o avanço foi de 2,3%. Ou seja: o estado apresentava crescimento acima da média nacional.

Já em março e abril, o cenário mudou. Enquanto o faturamento dos supermercados e atacarejos no Espírito Santo caiu 1,3%, a média nacional registrou crescimento de 0,7%, segundo a Scanntech. Ou seja: mesmo com crescimento menor na média nacional, no estado capixaba houve retração no setor.

A empresa informou que o estudo foi elaborado com base em dados de vendas coletados diretamente de supermercados e atacarejos e representa cerca de 64% do mercado capixaba no setor.

VEJA OS HORÁRIOS: Supermercados vão abrir mais cedo e fechar mais tarde para compensar os domingos fechados no ESMUDANÇA NA ROTINA: trabalhadores comemoram mais tempo com a família e o alívio de não pegar ônibus – mas perdem folga em dia útilLOJAS FECHADAS: veja regras para shoppings, mercearias, açougues e materiais de construçãoENTENDA: Por que ES é o único estado a fechar supermercados aos domingos? Mão de obra, faturamento e escala são desafios para empresas

O levantamento apontou que, com o fechamento das lojas aos domingos, os consumidores passaram a concentrar as compras em outros dias da semana.

Em março, as vendas cresceram principalmente às segundas-feiras (15%) e terças-feiras (25,3%). Em abril, o movimento foi maior às quartas-feiras (14,8%) e quintas-feiras (34,3%).

Segundo o head de Inteligência de Mercado da Scanntech, Felipe Passareli, os dados indicam uma rápida adaptação dos consumidores à nova rotina.

Na época da mudança, algumas redes ampliaram o horário de funcionamento às sextas e aos sábados para atender à demanda que antes era registrada aos domingos.

O estudo também identificou que algumas categorias foram mais afetadas do que outras. Produtos como perfumaria, carnes e bebidas não alcoólicas registraram desempenho inferior ao observado no restante do país.

Para Passareli, isso ocorre porque os consumidores passaram a buscar alguns produtos em estabelecimentos especializados.

"Quando o domingo deixa de ser opção, o consumidor migra para açougues, farmácias e lojas especializadas. Por categoria, os maiores descolamentos aparecem em azeite, frios industrializados e café", afirmou.

De acordo com a pesquisa, os atacarejos foram o formato de loja mais afetado pela mudança. No Espírito Santo, o faturamento desse segmento caiu 5,8%, enquanto a retração nacional foi de 0,7%.

O levantamento também apontou que os supermercados de menor porte sentiram mais os efeitos do fechamento aos domingos:

Nas lojas com um a quatro caixas, o desempenho ficou 6,1 pontos percentuais abaixo do observado no restante do país;entre estabelecimentos com cinco a nove caixas, a diferença foi de 2,1 pontos percentuais;Já nas lojas com dez ou mais caixas, o impacto foi de 0,2 ponto percentual.

O g1 procurou a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) para comentar os resultados do estudo, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

Há 11 horas Eleições 2026 Decisão de Moraes impede Flávio de visitar Bolsonaro no 1º turnoHá 11 horasCaso MasterAlvo da PF por ligação com Vorcaro, Thiago Miranda fecha agência e anuncia ‘ano sabático’

Há 9 horas Distrito Federal Após ordem de Mendonça, publicitário entrega passaporte à PFHá 9 horas🎧 O AssuntoCriatividade do Orçamento Secreto 2.0 mostra esforço de parlamentares para manter escândalo vivo

Há 1 hora O Assunto 9 siglas sem repasseSaiba como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário

Há 3 horas Eleições 2026 Temporais chegam ao RSFrio derruba temperaturas no Sul e no Sudeste nesta terça

Há 52 minutos Meio Ambiente Presidente do TSE Kassio reúne institutos de pesquisa para tratar de critérios de levantamentos eleitorais

Há 3 horas Eleições 2026 Veja onde assistirFrança e Espanha se enfrentam na 1ª semifinal da Copa hoje

Há 2 horas Mundo Decisão sai até quarta (15)Questionado por jornalista, Lula diz que ‘não vai ter tarifaço’

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

A mesma IA pode ter te avaliado mal e rejeitado seu currículo em várias empresas, diz pesquisa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 04:46

Trabalho e Carreira A mesma IA pode ter te avaliado mal e rejeitado seu currículo em várias empresas, diz pesquisa Pesquisa da Universidade Stanford analisou mais de 3,4 milhões de candidatos e identificou que empresas diferentes podem usar sistemas de IA com critérios semelhantes, repetindo padrões de aprovação e rejeição. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Um estudo de Stanford sugere que candidatos podem estar sendo rejeitados repetidamente pela mesma lógica algorítmica, mesmo ao se inscreverem em empresas diferentes.

A crescente adoção de sistemas de IA no recrutamento está tornando processos seletivos de empresas distintas mais parecidos do que parecem.

Segundo pesquisadores, algoritmos compartilhados por centenas de empresas podem ampliar o risco de rejeições sucessivas para os mesmos candidatos.

A chamada "monocultura algorítmica" faz com que diferentes empregadores avaliem profissionais com critérios semelhantes, reduzindo a diversidade de decisões.

Para alguns candidatos, enviar mais currículos já não significa enfrentar avaliações independentes, mas repetir o teste diante da mesma lógica automatizada.

Você envia currículo atrás de currículo. A resposta quase nunca chega. Quando chega, é automática, padronizada e fria: "não seguimos com sua candidatura". A sensação é de que centenas de empresas tenham chegado, ao mesmo tempo, à mesma conclusão sobre você.

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Stanford sugere uma explicação técnica para essa experiência, cada vez mais comum e já apontada pelo g1 em abril. Talvez você não esteja sendo rejeitado por várias empresas diferentes, mas, na prática, pelo mesmo sistema repetidas vezes.

A pesquisa, intitulada "Algorithmic Monocultures in Hiring", é a mais abrangente já realizada sobre recrutamento mediado por inteligência artificial. Os pesquisadores analisaram uma base inédita de dados reais, com mais de 3,4 milhões de candidatos e cerca de 4 milhões de candidaturas avaliadas em 156 empresas de 11 setores da economia.

O volume de dados já chama atenção, mas há um detalhe ainda mais relevante: todas essas candidaturas foram avaliadas por algoritmos desenvolvidos por um mesmo fornecedor de tecnologia.

Isso permitiu observar um fenômeno que costuma passar despercebido por candidatos, empresas e até pesquisadores do mercado de trabalho. Quando muitas organizações utilizam sistemas semelhantes para selecionar profissionais, as decisões deixam de ser totalmente independentes.

🔎 Os autores chamam esse fenômeno de "monocultura algorítmica". O conceito foi emprestado da agricultura, em que grandes áreas são ocupadas por uma única espécie de cultivo. Embora esse modelo possa trazer ganhos de eficiência, também cria vulnerabilidades, já que qualquer problema tende a se espalhar rapidamente.

Um estudo de Stanford sugere que candidatos podem estar sendo rejeitados repetidamente pela mesma lógica algorítmica, mesmo ao se inscreverem em empresas diferentes. — Foto: Pexels

No mercado de recrutamento e seleção, o que está sendo padronizado não é a produção, mas os critérios usados para decidir quem avança ou não em um processo seletivo.

Durante décadas, as decisões de contratação ficaram nas mãos de recrutadores, gestores e equipes com visões próprias. Mesmo diante de currículos semelhantes, era comum que chegassem a conclusões diferentes.

Com a expansão dos sistemas automatizados, parte dessa diversidade tende a desaparecer. Empresas diferentes podem acabar utilizando modelos que analisam candidatos de forma muito parecida, reproduzindo os mesmos padrões em larga escala.

Na prática, quem procura emprego pode se deparar com várias portas de entrada aparentemente independentes, mas abertas ou fechadas pela mesma lógica.

🔎 Essa possibilidade levou os pesquisadores a investigar um fenômeno chamado "rejeição sistêmica". O termo descreve situações em que um candidato se inscreve em várias vagas e é rejeitado em todas elas. Esse tipo de experiência sempre existiu, mas o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a frequência com que isso ocorre quando os processos seletivos são influenciados pelos mesmos sistemas.

Os dados mostram que cerca de 10% dos candidatos que se inscrevem em quatro vagas são rejeitados em todas elas. O padrão se mantém mesmo quando o número de candidaturas aumenta. Entre os candidatos que se inscrevem em 10 vagas, aproximadamente 4% acumulam 10 rejeições consecutivas.

À primeira vista, os percentuais podem parecer modestos. Do ponto de vista estatístico, porém, eles revelam um padrão importante: as rejeições se acumulam com uma frequência maior do que a esperada em decisões independentes.

Para verificar se esse comportamento poderia ser explicado apenas pelo acaso, os pesquisadores compararam os resultados com uma linha de base teórica e com evidências de estudos anteriores sobre processos de recrutamento sem centralização algorítmica.

A conclusão foi clara: as rejeições sucessivas não são apenas fruto do azar ou da coincidência. Elas refletem uma lógica de avaliação que se repete entre diferentes empresas.

Essa dinâmica ajuda a explicar outra característica cada vez mais comum nos processos seletivos. Na maioria dos casos, os algoritmos não tomam a decisão final de contratação. Eles atuam antes, como um filtro inicial que define quais candidatos avançam e quais são eliminados.

Assim, muitos profissionais podem ser eliminados antes mesmo de um recrutador analisar seus currículos. Do ponto de vista do candidato, a experiência é silenciosa: não há entrevista, contato com a empresa nem, muitas vezes, uma explicação para a rejeição.

Parte da frustração de quem busca emprego pode estar ligada justamente a essa etapa oculta do processo. O currículo é enviado, mas não chega a disputar a vaga de fato.

A chamada "monocultura algorítmica" faz com que diferentes empregadores avaliem profissionais com critérios semelhantes, reduzindo a diversidade de decisões. — Foto: Pexels

Os pesquisadores encontraram evidências de que candidatos com características semelhantes tendem a receber avaliações parecidas, mesmo quando se candidatam a empresas diferentes.

🔎 Quando um sistema considera um perfil pouco adequado, há uma chance significativa de que outros sistemas semelhantes cheguem à mesma conclusão. E vice-versa.

O ponto central é que os modelos de IA compartilham critérios semelhantes de classificação. Com isso, uma avaliação inicial, que pode ser limitada ou imperfeita, ganha peso ao ser reproduzida em diferentes processos seletivos.

Diante desse cenário, os pesquisadores testaram uma questão prática: enviar mais candidaturas ainda aumenta as chances de conseguir uma vaga?

Nas simulações, um candidato precisaria se inscrever em cerca de 10 vagas para ter uma alta probabilidade de receber ao menos uma recomendação positiva em um cenário de decisões independentes.Quando os processos são influenciados por sistemas centralizados, esse número sobe para cerca de 25 candidaturas para atingir uma probabilidade de 99,9%.

Os resultados do estudo não dizem respeito apenas aos algoritmos. Eles também levantam questionamentos sobre a estrutura do mercado de tecnologia aplicada ao recrutamento.

Hoje, muitas empresas utilizam soluções desenvolvidas por um número relativamente pequeno de fornecedores. Alguns atendem organizações de diferentes setores e operam em grande escala.

Quando um único sistema influencia decisões em dezenas ou centenas de empresas, eventuais falhas deixam de ser casos isolados. O mesmo vale para limitações ou vieses incorporados aos modelos.

Por isso, os pesquisadores defendem que a concentração tecnológica merece atenção não apenas do ponto de vista concorrencial, mas também pelos impactos sobre as oportunidades profissionais.

Apesar da crescente influência da inteligência artificial nos processos seletivos, o setor ainda opera com pouca transparência, segundo os pesquisadores.

Os próprios autores destacam que estudos independentes em larga escala são raros. A principal razão é que as plataformas raramente disponibilizam seus dados para análises externas.

Isso cria obstáculos tanto para a fiscalização quanto para o avanço do conhecimento. Sem acesso às informações, torna-se mais difícil identificar falhas, medir vieses e entender como esses sistemas afetam diferentes grupos.

O desafio é especialmente relevante porque essas decisões têm impacto direto sobre o acesso ao emprego, à renda e às oportunidades de carreira.

Há 10 horas Eleições 2026 Decisão de Moraes impede Flávio de visitar Bolsonaro no 1º turnoHá 10 horasCaso MasterAlvo da PF por ligação com Vorcaro, Thiago Miranda fecha agência e anuncia ‘ano sabático’

Há 9 horas Distrito Federal Após ordem de Mendonça, publicitário entrega passaporte à PFHá 9 horas🎧 O AssuntoCriatividade do Orçamento Secreto 2.0 mostra esforço de parlamentares para manter escândalo vivo

Há 52 minutos O Assunto 9 siglas sem repasseSaiba como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário

Há 2 horas Eleições 2026 Temporais chegam ao RSFrio derruba temperaturas no Sul e no Sudeste nesta terça

Há 18 minutos Meio Ambiente Presidente do TSE Kassio reúne institutos de pesquisa para tratar de critérios de levantamentos eleitorais

Há 2 horas Eleições 2026 Veja onde assistirFrança e Espanha se enfrentam na 1ª semifinal da Copa hoje

Há 2 horas Mundo Decisão sai até quarta (15)Questionado por jornalista, Lula diz que ‘não vai ter tarifaço’

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

‘Necromancia digital’: como a IA está recriando pessoas mortas e dividindo opiniões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 03:48

Tecnologia 'Necromancia digital': como a IA está recriando pessoas mortas e dividindo opiniões Após a morte de Sam Neill, imagens criadas por inteligência artificial voltaram a viralizar nas redes. Especialistas alertam para os dilemas éticos de recriar vozes, imagens e personalidades de pessoas falecidas. Por Guilherme Gama, g1 — São Paulo

A morte de Sam Neill, nesta segunda-feira (13), voltou a inundar a internet com imagens e vídeos criados por inteligência artificial para retratar o ator após a morte.

Conhecido por interpretar o paleontólogo Alan Grant na franquia "Jurassic Park", o ator foi "recriado" como um fantasma entre dinossauros ou chegando aos portões do parque em meio às nuvens.

Imagem de IA cria o ator Sam Neill ao "chegar no céu" com o portão do Jurassic Park — Foto: Reprodução/ X

O mesmo aconteceu em maio, após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos. Entre os vídeos criados por IA, um mostra sua "chegada ao céu" em uma "academia nas nuvens".

As "homenagens" reacenderam o debate sobre a manipulação da imagem de pessoas mortas e os limites do uso da IA. O fenômeno tem um nome: "necromancia digital".

🔎 A "necromancia" é popularmente conhecida como a prática de se comunicar com os mortos ou invocar seus espíritos. A versão digital descreve o ato de manipular vozes, imagens e traços de personalidade de pessoas falecidas para gerar conteúdos produzidos com IA.

A tendência é cercada de controvérsias, pois o conteúdo feito por IA pode transformar o luto em um produto e criar "fantoches digitais" de pessoas que não podem mais se defender.

É o que explica Elaine Kasket, professora de psicologia da Universidade de Bath, no Reino Unido, e autora do livro "All the Ghosts in the Machine: The Digital Afterlife of Your Personal Data" ("Todos os fantasmas na máquina: a vida após a morte digital dos seus dados pessoais", em tradução livre).

A grande novidade é que a criação dos avatares deixou de depender de pessoas com conhecimento técnico avançado. Hoje em dia, a criação dos chamados "grief bots", ou "robôs de luto", tornou-se mais comum com a popularização das ferramentas de IA.

Plataformas como ChatGPT e Claude, por exemplo, podem ser usadas para transformar os "restos digitais" — mensagens, áudios e vídeos de uma pessoa falecida — em avatares.

Esse uso indiscriminado de ferramentas para "reviver" personalidades também pode distorcer a memória dessas pessoas. Essa é a reclamação de Flávia Christina, filha de Pelé. Recentemente, ela criticou vídeos desse tipo e afirmou ficar desconfortável com imagens do pai: "não são atitudes normais dele".

O assunto talvez chamasse menos atenção quando era usado com mais parcimônia ou quando não havia alternativa. Em Hollywood, dublês e computação gráfica foram usados para concluir as cenas do ator Paul Walker em Velozes e Furiosos 7, lançado em 2015.

No ano seguinte, a franquia Star Wars também recriou digitalmente o ator Peter Cushing em Rogue One: Uma História Star Wars.

No Brasil, o caso de maior repercussão ocorreu em 2023, quando a Volkswagen usou IA para criar um dueto entre a cantora Elis Regina, morta há 44 anos, e sua filha, Maria Rita. A montadora utilizou tecnologia de deepfake para recriar Elis na campanha.

O Conar chegou a abrir uma investigação para apurar se a campanha violava o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Além disso, um projeto do senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) propunha estabelecer diretrizes para o uso de imagens e áudios de pessoas falecidas por meio de IA. Ambos acabaram arquivados.

Segundo Kasket, a regulamentação não avança com rapidez suficiente para reduzir os riscos do uso inadequado da IA após a morte, e figuras influentes podem se tornar alvo de interesses políticos ou comerciais.

“Qualquer pessoa pode usar restos digitais para manipular os mortos como fantoches”, afirma a professora.

Ela observa ainda que alguns governos são fortemente influenciados por empresas de tecnologia, o que pode ainda comprometer a proteção da privacidade dos cidadãos.

Como solução, a especialista defende a criação de um modelo de direitos da personalidade que se estenda além da morte física e limite legalmente o uso de restos digitais para replicação ou personificação.

Pessoalmente, Kasket já tomou precauções: "Coloquei uma cláusula de 'não me transforme em bot' no meu testamento, embora isso ainda não seja legalmente aplicável no Reino Unido".

Além da vulnerabilidade de quem morreu, especialistas também apontam a exploração dos familiares. No setor conhecido como "grief tech", ou "tecnologia do luto", empresas passaram a criar versões virtuais de pessoas falecidas para que amigos e parentes possam interagir com esses clones digitais.

Essa prática também ganhou espaço entre pessoas comuns com a popularização dos "grief bots", ou "robôs do luto". Como qualquer pessoa pode criar clones digitais, também pode oferecer esse tipo de serviço a famílias enlutadas.

Foi nesse contexto que surgiram casos polêmicos. No ano passado, o jornalista Jim Acosta, ex-âncora da CNN nos Estados Unidos, entrevistou um avatar criado por inteligência artificial de Joaquin Oliver, jovem de 17 anos morto no massacre em uma escola de Parkland, na Flórida, em 2018.

“A família de Jennifer Ann Crecente pouco pôde fazer quando alguém utilizou o Character.AI para representar a jovem assassinada. Chegou-se a comentar que um autor que cria um personagem fictício tem mais controle sobre a forma como outras pessoas representam esse personagem do que os familiares de uma pessoa falecida têm sobre a imagem de seu ente querido”, disse Elaine Kasket.

A professora ressalta que o luto é uma experiência individual. Por isso, é impossível prever o efeito que uma inovação tecnológica terá sobre quem enfrenta uma perda. “O que uma pessoa experimenta como algo bem-vindo ou útil pode ser inútil ou até traumático para outra”, afirma.

A maior preocupação, segundo a especialista, é a tentativa da indústria de tecnologia de tratar o luto como um "problema" que precisa ser resolvido. Para ela, o luto não é uma patologia, mas uma parte fundamental da experiência humana.

"A ideia de 'resolver' experiências humanas como o luto mostra a extensão em que ele está sendo plataformizado", explica, acrescentando que usar robôs para isso pode ser prejudicial ao processo natural de perda.

Há 1 hora Política Moraes suspende visitas de Flávio por 90 dias após vídeo de cartaHá 1 horaPropaganda antecipada: ministro aciona MPE para investigar FlávioHá 1 horaFlávio Bolsonaro acusa Moraes de tentar interferir nas eleições

Há 10 horas Eleições 2026 ‘Bolsonaro é quem vai colocar a faixa de presidente em mim’, diz FlávioHá 10 horasVALDO: decisão vai ajudar Flávio nas pesquisas, diz ValdemarHá 10 horasEduardo pede que lei Magnitsky contra Moraes seja restabelecidaHá 10 horasCaso MasterAlvo da PF por ligação com Vorcaro, Thiago Miranda fecha agência e anuncia ‘ano sabático’

Há 8 horas Distrito Federal Após ordem de Mendonça, publicitário entrega passaporte à PFHá 8 horasPolícia de imigração dos EUAColombiano de 26 anos morre baleado dentro de carro por agentes do ICE

Há 7 horas Mundo Conselho Nacional de Política Energética Governo deve aumentar etanol na gasolina para 32%; veja os carros afetados

Há 3 horas Carros 9 siglas sem repasseSaiba como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário

Há 1 hora Eleições 2026 Presidente do TSE Kassio reúne institutos de pesquisa para tratar de critérios de levantamentos eleitorais

Há 1 hora Eleições 2026 Veja onde assistirFrança e Espanha se enfrentam na 1ª semifinal da Copa hoje

Há 1 hora Mundo Decisão sai até quarta (15)Questionado por jornalista, Lula diz que ‘não vai ter tarifaço’

0

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Governo deve aumentar etanol na gasolina para 32%; veja quais carros podem sentir os efeitos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 00:47

Carros Governo deve aumentar etanol na gasolina para 32%; veja quais carros podem sentir os efeitos Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve tomar decisão nesta terça-feira (14). Engenheiros afirmam que veículos mais antigos ou sem calibração específica podem sofrer aumento de consumo, corrosão e desgaste de componentes. Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

Nova composição da gasolina deve passar a ter 32% de etanol — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve se reunir nesta terça-feira (14) para anunciar o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%.

A medida vem sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a medida pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo)

Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol.

O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor.

A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica.

Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol.

tanque;boia;bomba de combustível;linhas de combustível metálicas ou plásticas;bico injetor;câmara de combustão;pistões;vedações.

Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo os especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência.

"As avarias principais que podem ocorrer seriam de corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção, pois podem provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e consumo e até dano total, principalmente na bomba e injetores", explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor — Foto: Arte / g1

Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor.

O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina.

🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal.

Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia.

Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano.

Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado.

Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumentio de tanol na gasolina — Foto: Divulgação

No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos.

"Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas", explica Fábio Rhoden, sócio proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center.

O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã.

O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o "cérebro" do motor.

A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape.

Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro — Foto: Divulgação / Bosch

Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor.

Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade.

Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo.

"Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol", avisa Rhoden.

Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações.

Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto — Foto: Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center

A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque.

Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa "queima" das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina.

Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível.

Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições.

Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil.

Na maioria dos casos, a vela não "queima" apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido.

E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Benimports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação.

As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI.

Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina.

“Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica.

Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são:

Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível;desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação;ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos;oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação;travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível;baixa vida útil de velas de ignição.

Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra.

Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam.

“Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica.

A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves.

Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes.

"Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea", explica Calvet.

O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação.

A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. "A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema", diz Calvet.

Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório.

Segundo a entidade, o setor produtor de etanol contribuiu com informações sobre capacidade produtiva, segurança energética e impactos da mudança.

A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo.

De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira.

Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável.

Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira.

Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos.

A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível.

A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar.

Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil.

Há 7 horas Eleições 2026 ‘Bolsonaro é quem vai colocar a faixa de presidente em mim’, diz FlávioHá 7 horasVALDO: decisão vai ajudar Flávio nas pesquisas, diz ValdemarHá 7 horasEduardo pede que lei Magnitsky contra Moraes seja restabelecidaHá 7 horasCaso MasterAlvo da PF por ligação com Vorcaro, Thiago Miranda fecha agência e anuncia ‘ano sabático’

Há 5 horas Distrito Federal Após ordem de Mendonça, publicitário entrega passaporte à PFHá 5 horasPolícia de imigração dos EUAColombiano de 26 anos morre baleado dentro de carro por agentes do ICE

Há 4 horas Mundo Decisão sai até quarta (15)Questionado por jornalista, Lula diz que ‘não vai ter tarifaço’

Há 5 horas Vale do Paraíba e Região Após derrota na Suprema Corte, governo Trump já devolveu US$ 81 bilhões em tarifasHá 5 horasVeto a anistia a multasMP do Frete: Piso de R$ 5 mil será retirado do texto, diz líder do governo

Há 4 horas Política Câmara destinou R$ 1,3 bilhão em emendas sem identificar o autor, diz estudoHá 4 horasEscalada de tensãoVÍDEO: Irã publica propaganda de guerra com Trump sendo baleado

Há 7 horas Mundo EUA vão cobrar 20% sobre cargas em Ormuz, diz Trump; Irã reage com ameaçaHá 7 horasMarinha dos EUA diz que bloqueio em Ormuz começará amanhãHá 7 horasPreço do petróleo dispara quase 10%; dólar sobe e Bolsa caiHá 7 horasIrã prende ex-presidente por suspeita de atuar em plano secreto de Israel, diz jornal

Segundo ‘The New York Times’, Mossad tentou recrutar Mahmoud Ahmadinejad para derrubar regime dos aiatolás. Missão secreta falhou.

0

PREVIOUS POSTSPage 63 of 424NEXT POSTS