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União Europeia alerta para ‘grande choque inflacionário’ caso guerra no Oriente Médio se prolongue

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 09/03/2026 12:16

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,208-0,7%Dólar TurismoR$ 5,429-0,5%Euro ComercialR$ 6,034-0,84%Euro TurismoR$ 6,276-1,04%B3Ibovespa178.532 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,208-0,7%Dólar TurismoR$ 5,429-0,5%Euro ComercialR$ 6,034-0,84%Euro TurismoR$ 6,276-1,04%B3Ibovespa178.532 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,208-0,7%Dólar TurismoR$ 5,429-0,5%Euro ComercialR$ 6,034-0,84%Euro TurismoR$ 6,276-1,04%B3Ibovespa178.532 pts-0,46%Oferecido por

A Comissão Europeia alertou na segunda-feira para um "grande choque inflacionário" caso o conflito no Oriente Médio se prolongue.

Nesta segunda-feira (9), as bolsas de valores desabaram e os preços do petróleo dispararam até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630).

O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

A Comissão Europeia alertou nesta segunda-feira (9) para um "grande choque inflacionário" caso o conflito no Oriente Médio se prolongue.

"Se a situação se prolongar, com interrupções no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e ataques à infraestrutura energética dos Estados do Golfo, poderá acabar causando um grande choque inflacionário na economia global e europeia", alertou o Comissário Europeu Valdis Dombrovskis.

O conflito já causa abalos nas bolsas mundiais e, principalmente, no preço do petróleo. Nesta segunda-feira (9), as bolsas de valores desabaram e os preços do petróleo dispararam até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630).

A bolsa de Seul, que até o início do conflito apresentava forte desempenho impulsionado por empresas de tecnologia, fechou o dia em queda de 5,96%, enquanto Tóquio recuou 5,2%.

Na Europa, os principais mercados também operavam no vermelho: Paris caía 2,59%, Frankfurt recuava 2,47%, Londres perdia 1,57%, Madri cedia 2,87% e Milão recuava 2,71%.

As bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também encerraram o pregão em baixa nesta segunda-feira.

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street já haviam acumulado queda superior a 2% na semana passada, enquanto o dólar recuperou parte do valor por ser considerado um ativo de proteção em momentos de incerteza.

Por volta das 9h (horário de Brasília), o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 12,59%, para US$ 102,34. Durante a madrugada, chegou a avançar 30%, atingindo US$ 119,48.Já o Brent, referência global, avançava 12,04%, a US$ 103,85 por barril, após ter superado a marca de US$ 119.

Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. — Foto: SAHAR AL ATTAR / AFP

O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Com a perspectiva de que os preços da energia permaneçam elevados por um período prolongado, cresce o temor de uma onda inflacionária capaz de afetar a economia global.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta do petróleo, destacando a importância de eliminar “a ameaça nuclear do Irã”.

"O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo", escreveu Trump na plataforma Truth Social. "APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!", acrescentou.

"O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva", afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Segundo ele, "o petróleo acima de 100 dólares não representa apenas uma alta das commodities. Torna-se um imposto sobre a economia global".

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Petróleo dispara com a guerra no Irã, e países da Ásia e Europa adotam plano de emergência; veja lista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 09/03/2026 12:16

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,206-0,72%Dólar TurismoR$ 5,454-0,03%Euro ComercialR$ 6,030-0,89%Euro TurismoR$ 6,302-0,63%B3Ibovespa178.642 pts-0,4%MoedasDólar ComercialR$ 5,206-0,72%Dólar TurismoR$ 5,454-0,03%Euro ComercialR$ 6,030-0,89%Euro TurismoR$ 6,302-0,63%B3Ibovespa178.642 pts-0,4%MoedasDólar ComercialR$ 5,206-0,72%Dólar TurismoR$ 5,454-0,03%Euro ComercialR$ 6,030-0,89%Euro TurismoR$ 6,302-0,63%B3Ibovespa178.642 pts-0,4%Oferecido por

Os preços do petróleo dispararam, enquanto as bolsas de valores caíram diante do temor de que a escalada da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã restrinja a oferta de energia e prejudique indústrias ao redor do mundo.

A seguir, as medidas que governos estão adotando ou pretendem adotar para reduzir o impacto da guerra em suas economias.

O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, afirmou nesta segunda-feira que as autoridades vão impor um teto aos preços domésticos dos combustíveis pela primeira vez em quase 30 anos.

O país também buscará fontes de energia além dos carregamentos que passam pelo Estreito de Ormuz e poderá ampliar, se necessário, um programa de estabilização de mercado de 100 trilhões de won (US$ 67 bilhões), acrescentou.

O governo japonês instruiu uma instalação nacional de armazenamento de reservas de petróleo a se preparar para uma possível liberação de petróleo bruto, disse à Reuters, no domingo, Akira Nagatsuma, membro do partido de oposição Aliança Reformista Centrista.

O Vietnã planeja eliminar tarifas de importação sobre combustíveis para garantir o abastecimento em meio às interrupções, informou o governo, acrescentando que a medida deve vigorar até o fim de abril.

A Indonésia vai aumentar os recursos destinados a subsídios a combustíveis no orçamento, disse o ministro das Finanças nesta segunda-feira.

O país atualmente reservou 381,3 trilhões de rúpias (US$ 22,5 bilhões) para subsídios de energia e para compensar a estatal Pertamina e a concessionária de energia PLN por manterem alguns preços de combustíveis e tarifas de eletricidade em níveis acessíveis.

A Indonésia, maior produtora mundial de óleo de palma, pode retomar um plano para lançar o B50 — mistura de 50% de biodiesel à base de óleo de palma e 50% de diesel convencional —, afirmou uma autoridade do Ministério de Energia.

A China solicitou às refinarias que suspendam a assinatura de novos contratos de exportação de combustíveis e que tentem cancelar embarques já comprometidos, disseram fontes com conhecimento do assunto na semana passada.

A orientação não se aplica ao abastecimento de querosene de aviação para voos internacionais, ao fornecimento de combustível marítimo em regime aduaneiro nem a remessas para Hong Kong ou Macau, acrescentaram as fontes.

Bangladesh fechará todas as universidades a partir de segunda-feira, antecipando as férias do Eid al-Fitr como parte de medidas emergenciais para economizar eletricidade e combustíveis.

Na sexta-feira, Bangladesh, que depende de importações para 95% de suas necessidades energéticas, impôs limites diários às vendas de combustíveis após corrida às compras e formação de estoques.

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Água pode se tornar novo alvo da guerra no Oriente Médio

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 09/03/2026 10:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,217-0,51%Dólar TurismoR$ 5,4610,09%Euro ComercialR$ 6,042-0,72%Euro TurismoR$ 6,308-0,53%B3Ibovespa179.230 pts-0,08%MoedasDólar ComercialR$ 5,217-0,51%Dólar TurismoR$ 5,4610,09%Euro ComercialR$ 6,042-0,72%Euro TurismoR$ 6,308-0,53%B3Ibovespa179.230 pts-0,08%MoedasDólar ComercialR$ 5,217-0,51%Dólar TurismoR$ 5,4610,09%Euro ComercialR$ 6,042-0,72%Euro TurismoR$ 6,308-0,53%B3Ibovespa179.230 pts-0,08%Oferecido por

Ataques à infraestrutura hídrica são raros em tempos de guerra, mas têm ocorrido no conflito em curso no Oriente Médio.

Uma usina de dessalinização no Bahrein foi danificada no domingo (8) após um ataque de drone iraniano, disseram autoridades locais.

Um dia antes, Teerã acusou o país de uma ofensiva semelhante em Qeshm, no Irã, que teria afetado o abastecimento de água de 30 vilarejos.

Esses tipos de ataques ainda são limitados, mas, como disse à AFP a economista especializada em recursos hídricos Esther Crauser-Delbourg: "Quem se atrever a atacar a água desencadeará uma guerra muito mais devastadora do que a atual".

Em uma das regiões mais secas do mundo, onde o acesso à água é dez vezes menor que a média global, segundo o Banco Mundial, as usinas de dessalinização desempenham um papel fundamental na economia e no abastecimento de água potável para seus milhões de habitantes.

Ataques à infraestrutura hídrica são raros em tempos de guerra, mas têm ocorrido no conflito em curso no Oriente Médio com bombardeios a usinas de dessalinização, um setor essencial para milhões de pessoas na região.

Uma usina de dessalinização no Bahrein foi danificada no domingo (8) após um ataque de drone iraniano, disseram autoridades locais, um dia depois de Teerã acusar o país de uma ofensiva semelhante em Qeshm, no Irã, que teria afetado o abastecimento de água de 30 vilarejos.

Esses tipos de ataques ainda são limitados, mas, como disse à AFP a economista especializada em recursos hídricos Esther Crauser-Delbourg: "Quem se atrever a atacar a água desencadeará uma guerra muito mais devastadora do que a atual".

Em uma das regiões mais secas do mundo, onde o acesso à água é dez vezes menor que a média global, segundo o Banco Mundial, as usinas de dessalinização desempenham um papel fundamental na economia e no abastecimento de água potável para seus milhões de habitantes.

🔎 Cerca de 42% da capacidade mundial de dessalinização está concentrada no Oriente Médio, de acordo com um estudo recente publicado na revista Nature.

Nos Emirados Árabes Unidos, 42% da água potável provém dessas usinas, enquanto o número sobe para 70% na Arábia Saudita, 86% em Omã e 90% no Kuwait, segundo um relatório de 2022 do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri).

"Lá, sem água dessalinizada, não há nada", afirmou Crauser-Delbourg. É especialmente estratégica em grandes cidades como Dubai e Riade.

Em 2010, uma análise da CIA afirmou que "a interrupção das instalações de dessalinização na maioria dos países árabes poderia ter consequências mais graves do que a perda de qualquer outra indústria ou matéria-prima".

Em 2008, o WikiLeaks divulgou um telegrama diplomático dos EUA afirmando que "Riade deveria ser evacuada em uma semana" caso a usina de dessalinização de Jubail – que abastece a cidade – ou seus oleodutos fossem "gravemente danificados ou destruídos".

Além dos ataques relatados neste fim de semana, essas usinas são vulneráveis a cortes de energia e a possíveis contaminações da água do mar, principalmente por vazamentos de petróleo, disseram vários especialistas à AFP.

"A segurança e os controles de acesso no perímetro imediato das usinas foram reforçados", explicou à AFP Philippe Bourdeaux, diretor da região África/Oriente Médio da empresa francesa Veolia, que fornece água dessalinizada para a Arábia Saudita em Jubail e para Omã nas regiões de Mascate, Sur e Salalah.

"Obviamente, os eventos recentes nos deixaram muito vigilantes. Estamos monitorando de perto a situação nas instalações", acrescentou, especificando que "em alguns países, as autoridades implantaram baterias de mísseis ao redor das maiores usinas ante a ameaça de drones ou mísseis".

Em relação aos vazamentos de petróleo, os operadores dispõem de ferramentas para mitigar seus efeitos nocivos.

Na última década, houve diversos ataques a usinas de dessalinização: o Iêmen e a Arábia Saudita se atacaram mutuamente, e Gaza sofreu bombardeios israelenses, segundo o Pacific Institute, um think-tank com sede na Califórnia que monitora conflitos relacionados à água.

Caso esses problemas persistam, as consequências podem variar de pequenos inconvenientes a situações muito mais graves.

Além disso, haveria efeitos em cadeia na economia, especialmente no turismo, na indústria e nos centros de dados, que consomem grandes quantidades de água para sua refrigeração.

No entanto, existem medidas de segurança, ressaltou Bourdeaux. Segundo o representante da Veolia, as usinas de dessalinização geralmente são interconectadas, o que pode limitar o impacto da paralisação de uma delas.

Elas também costumam ter reservas de água suficientes para vários dias – de dois a sete -, acrescentou, o que pode mitigar a escassez, desde que as interrupções não durem muito tempo.

Pessoas desabrigadas em Beirute após a escalada de tensões entre o Hezbollah e Israel, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. — Foto: Reuters

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Pedidos de recuperação judicial no agro aumentaram 56,4% em 2025, diz Serasa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 09/03/2026 08:56

Agro Pedidos de recuperação judicial no agro aumentaram 56,4% em 2025, diz Serasa Alta acontece em um momento de juros elevados, custos de produção em alta e parte dos agricultores endividados. Por Reuters

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio saltaram 56,4% em 2025 em relação ao ano anterior, em uma conjuntura de juros elevados, custos de produção em alta e parte dos agricultores endividados, apontou nesta segunda-feira (9) a Serasa Experian.

Conforme levantamento da datatech, as solicitações de recuperação judicial atingiram 1.990, o maior volume desde o início da série histórica, em 2021.

"O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais", afirmou head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, em nota.

O número de recuperações judiciais considera a soma de três frentes da cadeia produtiva: produtores rurais que atuam como pessoa física, aqueles que estão como pessoa jurídica e empresas relacionadas ao setor.

De acordo com Pimenta, as condições que elevaram os pedidos de recuperação nos últimos anos mantiveram a pressão sobre a saúde financeira dos produtores e empresários do setor, especialmente aqueles com maior nível de alavancagem.

"Ainda assim, continuamos ressaltando que a renegociação de dívidas e o planejamento financeiro são as melhores estratégias, e a recuperação judicial deve ser o último recurso a ser utilizado", completou.

Considerando a soma dos pedidos realizados por produtores pessoa física, produtores pessoa jurídica e empresas da cadeia do agronegócio, Mato Grosso foi o Estado com maior número de solicitações de recuperação judicial em 2025.

Foram 332 registros no maior produtor brasileiro de soja, milho, algodão e gado. Na sequência, aparecem Goiás (296), Paraná (248), Mato Grosso do Sul (216) e Minas Gerais (196).

Os produtores rurais que atuam como pessoa física registraram 853 pedidos de recuperação judicial durante o ano, o maior volume entre os perfis monitorados, versus 566 solicitações nessa categoria em 2024 (alta de 50,7%).

Os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica registraram 753 pedidos de recuperação judicial em 2025, crescimento de 84,1% ante o ano anterior.

As empresas com atuação relacionada ao agronegócio registraram 384 pedidos, aumento de 29,3% no comparativo anual.

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Guerra no Irã: ministros do G7 fazem reunião de emergência sobre petróleo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 09/03/2026 08:08

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%Oferecido por

No décimo dia da guerra no Oriente Médio — desencadeada por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã — os preços do petróleo dispararam nos mercados internacionais.

O preço de referência do petróleo ultrapassou os US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022. A alta deve provocar aumentos ainda maiores nos preços da gasolina.

As bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas, com o índice Nikkei 225 do Japão fechando em baixa de mais de 5%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair mais de 8%, o que levou à paralisação das negociações por 20 minutos —através do "circuit breaker", um mecanismo projetado para conter vendas em pânico. O Kospi acabou fechando em queda de 6%.

Os ministros dos países do G7 se reunirão na tarde desta segunda-feira (9) na Europa em caráter emergencial para discutir o impacto econômico da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, incluindo o aumento do preço do petróleo.

Na reunião de emergência, está previsto que os ministros discutam uma possível liberação conjunta de reservas de petróleo para conter a alta dos preços.

As reservas de petróleo são coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE), com 32 membros do grupo detendo reservas estratégicas como parte de um sistema coletivo de emergência concebido para crises nos preços do petróleo.

Três países do G7, incluindo os EUA, já manifestaram apoio a uma possível liberação conjunta, segundo fontes familiarizadas com as negociações, de acordo com o jornal britânico Financial Times.

A grave interrupção no fornecimento de energia da região ameaça provocar aumento de preços para consumidores e empresas em todo o mundo.

Cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo costuma ser transportado pelo Estreito de Ormuz. Mas o tráfego por essa estreita passagem praticamente parou desde o início da guerra, há mais de uma semana.

O analista Adnan Mazarei, do Instituto Peterson de Economia Internacional, afirmou que o aumento nos preços do petróleo era esperado, considerando a paralisação da produção em alguns países do Golfo e os sinais de um conflito prolongado na região.

"As pessoas estão percebendo que isso não vai acabar tão cedo", disse ele, acrescentando que objetivos apresentados pelos EUA estão "se tornando cada vez mais irrealistas".

O presidente dos EUA, Donald Trump, que fez campanha eleitoral prometendo reduzir o custo de vida para os americanos, minimizou as preocupações com o aumento dos preços do petróleo.

No domingo, ele publicou em sua plataforma Truth Social: "Os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar, são um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo. SÓ OS TOLOS PENSARIAM DIFERENTE!"

Seu secretário de Energia, Chris Wright, disse a emissoras americanas no domingo que Israel, e não os EUA, estava mirando a infraestrutura energética do Irã, em meio a certa preocupação com o aumento dos preços da gasolina nos EUA causado pela guerra.

Dados da associação de motoristas AAA mostraram que o preço médio da gasolina comum nos EUA subiu 11% na semana passada, chegando a US$ 3,32 por galão.

No domingo, o Irã nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, como Líder Supremo, sinalizando que, mais de uma semana após o início do conflito, a ala linha-dura continua no comando do país.

Mojtaba Khamenei foi escolhido sucessor do aiatolá Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia do conflito que envolve os Estados Unidos, Israel e o Irã.

Ao contrário de seu pai, Mojtaba, de 56 anos, é discreto. Ele nunca ocupou um cargo no governo, nem fez discursos ou concedeu entrevistas públicas, e apenas um número limitado de fotos e vídeos dele foi publicado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve aceitar a escolha. Embora tenha sinalizado que estaria aberto à possibilidade de alguém ligado à antiga liderança assumir o poder, Trump deixou clara sua oposição a Mojtaba Khamenei.

A escolha de Mojtaba Khamenei pode se provar controversa dentro do próprio Irã. A República Islâmica foi fundada em 1979, após a queda da monarquia, e sua ideologia se baseia no princípio de que o líder supremo deve ser escolhido por sua posição religiosa e liderança comprovada, e não por sucessão hereditária.

No fim de semana, os Estados Unidos e Israel lançaram novas ondas de ataques aéreos no Irã, atingindo vários alvos, incluindo depósitos de petróleo.

Enquanto isso, o Irã atacou a infraestrutura energética em países vizinhos do Golfo. Durante a noite, a Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído duas ondas de drones que se dirigiam a um importante campo petrolífero.

Líderes do G7 em foto oficial durante reunião em 2025 — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

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O que mudança de ex-premiê da Nova Zelândia para Austrália revela sobre ‘êxodo de cérebros’ no país

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 09/03/2026 04:07

Trabalho e Carreira O que mudança de ex-premiê da Nova Zelândia para Austrália revela sobre 'êxodo de cérebros' no país Cerca de 180 neozelandeses deixam o país a cada dia em média para morar no exterior. O país enfrenta dificuldades para reter seus cidadãos. Por BBC

A mudança da ex-primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern para a Austrália reacendeu as discussões sobre o 'êxodo de cérebros' do seu país — Foto: Getty Images/ BBC

Para um povo cujo apelido é um pássaro que não voa, mudar-se para o exterior, ironicamente, se tornou uma espécie de ritual de passagem para muitos neozelandeses.

Nos últimos anos o número de kiwis (que dá nome ao pássaro e à conhecida fruta) que abandonam o país da Oceania atingiu recordes. Grande parte deles "atravessa o estreito" (uma distância de cerca 1.500 km) para ir morar na Austrália.

A ex-primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern (2017-2023) se tornou uma das últimas a aderirem ao êxodo. Seu escritório confirmou que ela e a família se mudaram para Sydney, na Austrália, onde já foram encontrados procurando residência nas populares praias do norte da cidade.

A mudança de Ardern deu mais destaque às dificuldades enfrentadas pela Nova Zelândia para reter seus melhores e mais brilhantes cidadãos. O país enfrenta uma economia estagnada, custo de vida em crise e falta de moradia.

"A mudança de Ardern, provavelmente, será considerada um símbolo deste padrão maior. Para alguns, parecerá uma deserção", declarou à BBC Alan Gamlen, diretor do centro de migração da Universidade Nacional Australiana.

No ano passado, mais de 66 mil neozelandeses se mudaram para o exterior. O número equivale a 180 pessoas por dia.

Este fluxo é parcialmente compensado pelos neozelandeses que retornam ao país. Mas, para uma nação com apenas 5,3 milhões de habitantes, o número de cidadãos que saem é considerável.

A Nova Zelândia é um país relativamente seguro, famoso em todo o mundo pelos seus deslumbrantes cenários e as pessoas que vivem ali têm alta expectativa de vida.

O kiwi é um pássaro nativo da Nova Zelândia. A ave que não voa é o símbolo dos seus moradores, que estão saindo em grandes números do país — Foto: Getty Images/ BBC

Trata-se, sem dúvida, de uma tendência de longo prazo, especialmente entre os jovens. Muitos deles desejam ganhar experiência no exterior e, depois, retornar para fincar raízes no país.

Desde os anos 1970, o fluxo de saída dos neozelandeses sofre surtos esporádicos. Foi o que aconteceu quando o Reino Unido pôs fim a um acordo comercial com a Nova Zelândia e quando a Austrália reduziu as restrições às viagens e trabalho no país.

Cada vez mais jovens neozelandeses se mudam de forma mais permanente. Eles são reticentes a voltar a um país que, para eles, não oferece mais um futuro próspero.

A Nova Zelândia enfrenta altas taxas de desemprego, com níveis que não eram observados há uma década, exceto durante a pandemia de covid-19. E os aumentos de salários não acompanharam a inflação.

Tudo isso aumentou muito o custo de vida. Os preços dos produtos básicos, por exemplo, estão entre os mais altos do mundo desenvolvido.

O aumento dos preços dos imóveis afetou ainda mais os bolsos das pessoas. A falta de moradia elevou os preços de aluguel e compra de imóveis.

Auckland, a capital da Nova Zelândia, não conseguiu reter Nicole Ballantyne — Foto: Getty Images/ BBC

Dez anos atrás, Nicole Ballantyne trocou os subúrbios da zona leste da capital neozelandesa, Auckland, por Sydney.

Ela tem hoje 27 anos de idade e foi atraída inicialmente pelas melhores oportunidades de estudo universitário. Mas, agora, acha difícil se imaginar retornando.

"Sydney é uma versão melhorada de Auckland", contou ela à BBC. "Há muito mais coisas acontecendo, as oportunidades de carreira são muito boas e também é um pouco mais conectada ao resto do mundo."

O irmão de Ballantyne também se mudou para a Austrália e nenhum membro do seu coeso grupo de amigos do ensino médio permanece morando na Nova Zelândia.

Ballantyne destaca seu orgulho por ser kiwi. "Sempre vou torcer pelos All Blacks", a seleção neozelandesa de rúgbi.

Mas, brincadeiras à parte, ela conta que conseguiu construir na Austrália uma vida que ela não teria na Nova Zelândia.

O Reino Unido e os EUA são destinos populares, mas se estima que metade dos neozelandeses que saem para morar no exterior seguem em direção aos portos da Austrália. Lá, eles têm direitos de trabalho essencialmente iguais há mais de meio século.

Na Austrália, os tempos atuais também são difíceis. Mas o país oferece melhores perspectivas de trabalho, salário e moradia.

"Existe um certo movimento no sentido oposto, mas, atualmente, é muito menor", segundo Gamlen.

O êxodo dos jovens da Nova Zelândia vem causando angústia entre os legisladores do país, tanto no campo político quanto pessoalmente.

"Meu filho mais velho se mudou para Melbourne [na Austrália] porque não consegue encontrar emprego aqui", declarou recentemente ao Serviço Mundial da BBC a parlamentar trabalhista Ginny Andersen (de oposição).

"Meu próprio irmão, professor escolar formado, agora trabalha na China porque os salários lá são melhores. Esta é uma realidade para muitas famílias neozelandesas, que foram divididas… para mim, é desolador."

Com o país caminhando para eleições gerais em novembro, muitos políticos tentam convencer os eleitores de que têm soluções para o problema.

Todos concordam que a Nova Zelândia precisa de uma reviravolta na economia, mas suas visões sobre como fazer isso são diferentes.

Elas variam desde reduzir as pressões sobre o mercado de trabalho e infraestrutura com reduções da imigração até criar mais empregos com incentivos a investimentos na construção de moradias.

Os parlamentares da coalizão governista destacam que o "êxodo de cérebros" não é um problema novo para o país. Eles afirmam que a recente fase, mais profunda, é uma ressaca da pandemia de covid-19.

O ministro da Habitação, Chris Bishop, afirma que seu governo está revertendo a situação — Foto: Getty Images/ BBC

Mas especialistas indicam que a emigração não é tão ruim assim para a Nova Zelândia. Afinal, as pessoas que retornam enriquecem o país com sua experiência e podem promover inovações.

"Cada partida representa novas conexões e uma rede em expansão", declarou em 2025 à revista Ingenio, da Universidade de Auckland, Merryn Tawhai, do Instituto de Bioengenharia de Auckland.

O ministro da Habitação, Chris Bishop, declarou ao Serviço Mundial da BBC (em inglês), que seu governo vem atingindo "bons progressos" para fazer do país um lugar onde seus cidadãos desejem ficar.

"Mas não vou fingir, nem por um momento, que tudo é perfeito na Nova Zelândia", ressalta ele.

"Certamente, não é. Existe um profundo mal-estar entre muitos neozelandeses sobre o estado" do país, segundo o ministro.

Nicole Ballantyne imagina que a decisão da ex-primeira-ministra de se mudar para a Austrália tem razões mais sutis.

"Provavelmente, existe um certo nível de assédio por lá (na Nova Zelândia) e ela é uma figura pública… Na Austrália, talvez ela consiga viver mais discretamente."

Ardern saiu da Nova Zelândia pouco depois de deixar a política, em janeiro de 2023, e ganhou uma bolsa na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Seu escritório afirma que a família passou alguns anos viajando e, agora, decidiu se estabelecer na Austrália "por enquanto".

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Oferta de bezerros diminui e custos aumentam para pecuaristas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/03/2026 08:14

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Oferta de bezerros diminui e custos aumentam para pecuaristas Escassez de bezerros pressiona confinamentos e contribui para valorização da arroba do boi gordo no interior de São Paulo. Por Nosso Campo, TV TEM

A pecuária paulista enfrenta escassez de bezerros, resultado de abate intenso de fêmeas e retenção de matrizes para recompor rebanho.

Confinamentos operam com baixa capacidade e o "ágio do bezerro" atinge 35%, elevando custos de reposição para produtores.

Arroba do boi gordo valorizada (R$350/SP) por demanda interna e exportações recordes, com oferta restrita prevista para meses.

Oferta restrita de bezerros tem dificultado a reposição de animais em confinamentos no interior de São Paulo — Foto: TV TEM/Reprodução

A oferta restrita de bezerros tem imposto desafios para pecuaristas e confinamentos no interior de São Paulo. A dificuldade de reposição de animais ocorre após três anos de abate elevado de fêmeas no país, movimento que agora dá lugar à retenção de matrizes para recomposição do rebanho.

Em um confinamento no município de Bálsamo (SP), com capacidade para 5 mil cabeças de gado, o número atual de animais está pouco acima da metade do total que a estrutura comporta. Para cumprir contratos com frigoríficos, produtores precisam buscar bezerros até fora do estado.

Segundo especialistas do setor, o momento é mais favorável para quem trabalha com cria e vende bezerros. Já os confinamentos, responsáveis pela fase de engorda, enfrentam custos maiores para adquirir os animais e precisam investir em estratégias de alimentação para garantir desempenho na terminação.

O chamado ágio do bezerro, valor pago acima do equivalente ao preço da arroba do boi gordo, também tem aumentado. Em algumas regiões do país, a diferença passou de cerca de 30% em meados de 2025 para perto de 35% neste ano.

Para compensar os custos mais altos de reposição, pecuaristas têm apostado em estratégias dentro das propriedades. Em uma fazenda em Mirassol (SP), por exemplo, o produtor investe no ganho de peso do rebanho e no aproveitamento de matrizes da raça Angus para produção de bezerros.

Retenção de matrizes para recompor o rebanho reduziu a disponibilidade de bezerros no mercado — Foto: TV TEM/Reprodução

Com a arroba do boi gordo sendo negociada perto de R$ 350 em São Paulo, produtores também buscam entregar animais mais pesados para o abate, mas ainda jovens.

A valorização da arroba não está ligada apenas à menor oferta de animais. A demanda interna aquecida e o volume recorde de exportações também influenciam o mercado.

Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, crescimento de 20% no volume e de 40% no faturamento em relação a 2024.

Em um frigorífico em Estrela d’Oeste (SP), cerca de 60% da produção é destinada ao mercado externo, principalmente para China e Europa. Apesar da menor oferta de gado para abate, a indústria mantém projeções positivas para o primeiro semestre.

Especialistas avaliam que os próximos meses ainda devem refletir esse cenário de oferta mais restrita de animais e preços sustentados no mercado pecuário.

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Excesso de chuva atrapalha produção de látex no Oeste Paulista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/03/2026 08:14

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Excesso de chuva atrapalha produção de látex no Oeste Paulista Mesmo com o cenário positivo, os produtores estão tendo que lidar com o aumento no volume de chuvas. De acordo com o Inmet, a região de Presidente Prudente (SP) registrou índice 40% acima do previsto. Por Nosso Campo, TV TEM

Instabilidade das chuvas tem prejudicado a coleta de látex no interior de SP, principalmente quando chove logo após a sangria.

Isso porque as canecas onde o látex é armazenado acabam acumulando água, o que compromete o produto.

Além das perdas do látex já coletado, a própria sangria pode ficar comprometida, já que o corte não é recomendado com a árvore molhada.

Excesso de chuva no oeste paulista tem impactado a produção de látex e provocado perdas nos seringais — Foto: Reprodução/TV TEM

É aproveitando as primeiras horas do dia, quando o calor do sol ainda é mais ameno, que os seringueiros começam a fazer a sangria nos seringais. Em plena safra, a expectativa é de aumento na produção em comparação a 2025.

Em uma fazenda no oeste paulista, em Indiana (SP), o produtor Paulo Renato Cardoso espera produzir, neste ano, cerca de 30 mil quilos de látex em quase 10 hectares.

Segundo ele, o crescimento é resultado do aumento no número de árvores em produção e do avanço natural da cultura, que tende a produzir mais a partir da quarta safra.

Apesar de o momento parecer positivo, a instabilidade das chuvas tem prejudicado a coleta, principalmente quando chove logo após a sangria.

As canecas onde o látex é armazenado acabam acumulando água, o que compromete o produto. Em alguns casos, não há tempo suficiente para realizar a coagulação e evitar perdas.

Excesso de chuva no oeste paulista tem impactado a produção de látex e provocado perdas nos seringais — Foto: Reprodução/TV TEM

Em Rancharia (SP), o produtor Paulo Mellotti também sentiu o impacto do excesso de chuva. Ele tem 36 hectares de seringueiras em produção.

Somente nos primeiros 45 dias do ano, o volume de chuva ficou 40% acima do previsto na região de Presidente Prudente (SP), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com a pesquisadora Elaine Tucci Gonçalves, além das perdas do látex já coletado, a própria sangria pode ficar comprometida, já que o corte não é recomendado com a árvore molhada.

Mudanças no manejo, como o uso de protetores nas árvores e ajustes no cronograma de extração, podem ajudar a reduzir os prejuízos.

No ano passado, o cultivo da borracha natural avançou quase 9% em todo o estado. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o valor da produção agropecuária da borracha ultrapassou R$ 1,5 bilhão.

Mesmo assim, os produtores enfrentam oscilações no preço pago pelo quilo do látex e aumento nos custos de insumos, como fertilizantes, defensivos e diesel.

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Interrupções, desconfiança e assédio: relatos mostram barreiras para mulheres jovens no trabalho

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/03/2026 06:21

Trabalho e Carreira Interrupções, desconfiança e assédio: relatos mostram barreiras para mulheres jovens no trabalho Mulheres relatam estratégias adotadas ao longo da carreira para tentar evitar julgamentos e situações de assédio no ambiente de trabalho. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Carolina Nucci ainda lembra da frase dita na entrada de uma coletiva de imprensa no autódromo de Interlagos. Ela era jornalista de automobilismo, estava escalada para cobrir o evento e tinha autorização para estar ali. Mesmo assim, antes de conferir o crachá, o fiscal decidiu questioná-la.

Carolina explicou que trabalhava na cobertura. Não foi suficiente. Precisou acionar a chefia de imprensa — um homem — para confirmar que, sim, estava ali a trabalho.

Naquele ambiente majoritariamente masculino, Carolina sentiu que precisava provar o tempo todo que não era uma "Maria Capacete", rótulo comum e pejorativo dado a mulheres que circulavam no paddock. A estratégia encontrada, ainda no início da carreira, foi simbólica.

"No início da minha carreira, usei uma aliança falsa de compromisso para ser respeitada. Não inibiu, mas os assédios ficaram mais sutis", lembra.

O episódio aconteceu duas décadas atrás, mas está longe de ser passado. Julgamentos sobre aparência, desconfiança sobre competência, menos oportunidades e episódios de assédio continuam fazendo parte da rotina de muitas mulheres, especialmente das mais jovens.

Os relatos individuais encontram respaldo em números. O relatório Women in the Workplace, elaborado pela McKinsey & Company em parceria com a Lean In, ouviu 15 mil trabalhadores em diferentes países e traçou um panorama das desigualdades no ambiente corporativo.

Entre as mulheres com menos de 30 anos, quase metade afirma que a idade já impactou negativamente suas oportunidades de trabalho. Outras 36% disseram que a idade foi fator na perda de aumentos, promoções ou chances de progressão. Entre os homens, esse percentual é de 15%.

O reflexo aparece na liderança: em média, mulheres ocupam apenas 29% dos cargos de alta administração.

Mariam Topeshashvili integra esse grupo que conseguiu chegar a uma posição de comando. Aos 29 anos, é gerente de uma agência internacional que conecta produtores de conteúdo e empresas.

Nascida na Geórgia e criada em uma favela no Rio de Janeiro, construiu um currículo com formação na Universidade de Harvard. Ainda assim, ouviu questionamentos.

"Já ouvi comentários irônicos, sarcásticos. Sempre velados. Frases que duvidavam da minha capacidade. Por exemplo, tal coisa não foi feita porque era eu que estava ali", conta.

Ser jovem, mulher, estrangeira e falar em uma terceira língua compunha uma equação que, muitas vezes, a colocava em posição de constante avaliação.

"Eu me sentia um patinho fora d’água. Muitas vezes tinha a sensação de que não era ouvida"

Mariam Topeshashvili enfrentou julgamentos e microagressões ao longo de sua vida acadêmica e profissional — Foto: Mariam Topeshashvili/ Arquivo Pessoal

O estudo Women in the Workplace aponta que essas percepções não são isoladas. Microagressões — comentários ou atitudes sutis que colocam em dúvida a competência — fazem parte da rotina de muitas profissionais.

💬 Microagressões são ações ou comentários que desqualificam, discriminam ou questionam de forma sutil determinados grupos.💬 Etarismo é preconceito ou discriminação contra pessoas por causa da idade. Ele pode se manifestar pro meio de atitudes, estereótipos e exclusão social ou profissional.

39% das mulheres já foram interrompidas enquanto falavam;38% tiveram sua área de especialização questionada;18% foram confundidas com alguém de nível hierárquico inferior;37% afirmam ter sofrido uma ou mais formas de assédio sexual ao longo da carreira.

Além disso, o relatório destaca que mulheres jovens relatam maior incidência de comentários sobre idade, aparência e suposta falta de experiência.

Uma pesquisa da Todas Group e da Nexus aponta um padrão semelhante. Entre 1.534 lideranças femininas entrevistadas, 56% dizem que uma das atitudes mais importantes que homens poderiam tomar é interromper falas machistas de outros colegas.

Apesar disso, apenas 35% das mulheres afirmam já ter sido defendidas por um homem em situações de preconceito de gênero no ambiente de trabalho.

As barreiras não se restringem a um único fator. Elas envolvem machismo estrutural e também etarismo — preconceito baseado na idade.

"Os homens não são tão julgados quanto as mulheres. Quando um homem jovem é promovido, a reação costuma ser de admiração. Quando é uma mulher, muitas vezes há questionamento".

Carolina percebeu isso em diferentes momentos da trajetória. Depois do jornalismo, decidiu estudar engenharia química e ouviu que “não era lugar de menina”. Mais tarde, ao migrar para o marketing, enfrentou novos episódios.

"Sempre me viam como uma menina. Não era levada a sério (…) Descobri que meus sócios ganhavam mais e ouvi de outra mulher que eles precisavam mais, porque eram pais de família", conta Carolina, que hoje é CMO e cofundadora da Conectas, empresa de educação corporativa.

No início da carreira de jornalista, Carolina Nucci usava uma aliança falsa e mudou sua aparência — Foto: Carolina Nucci/ Arquivo Pessoal

“Perguntavam com quem minha filha ficava quando estava doente. Para o meu marido diziam que ‘a paternidade engrandece o homem’.”

O levantamento da McKinsey & Company e da Lean In mostra ainda que mulheres que enfrentam microagressões frequentes têm maior probabilidade de se sentirem esgotadas, considerar deixar o emprego e perceber o ambiente como injusto.

Esse efeito ajuda a explicar outro fenômeno citado no estudo: o "degrau quebrado". O termo descreve a dificuldade que mulheres enfrentam para conquistar a primeira promoção para cargos de liderança.

Quando essa etapa não acontece de forma proporcional, a desigualdade se amplia nos níveis mais altos da hierarquia.

Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, e Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, aconselham mulheres que sofrem julgamentos no trabalho — Foto: Arquivo Pessoal

Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, afirma que interrupções constantes e desvalorização de ideias afetam a segurança psicológica.

“Mulheres que são frequentemente interrompidas e cujas opiniões são ignoradas — mas depois valorizadas quando repetidas por outros — tendem a ter o desempenho impactado.”

“Você começa a se questionar. Eu chegava em casa e pensava: será que mereço o cargo que tenho? Será que faz sentido estar ali?”

O estudo também aponta que ambientes percebidos como injustos aumentam a taxa de demissão voluntária entre mulheres, além de contribuírem para casos de esgotamento profissional.

Outro ponto destacado pela pesquisa da Todas Group e da Nexus é que parte da resistência em enfrentar o problema pode estar na própria percepção de desigualdade.

Para 51% das mulheres entrevistadas, muitos homens acreditam que já existe igualdade no ambiente corporativo, enquanto 45% dizem que eles enxergam o debate sobre gênero como exagero.

“Não deixe essas situações passarem. Informe seu gestor. Outras pessoas podem estar vivendo o mesmo”, orienta Mariam.

Carolina compartilha reflexão semelhante. "Quando olho para trás, penso: por que não denunciei? Precisamos mostrar que isso é errado".

Além da denúncia, as entrevistadas destacam a importância de mentoria, redes de apoio e planejamento de longo prazo.

“Às vezes você é uma das poucas que conseguiu chegar ali — e isso pode abrir caminho para outras”, diz Mariam.

"Tenha um plano e mantenha comunidades de apoio. Mulheres não competem, se ajudam", afirma Carolina.

"Leia sobre o mercado em que atua, amplie sua visão. Demonstrar preparo e confiança influencia a forma como você é percebida", conclui.

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Conheça o empreendedor que fatura R$ 1 milhão ao criar saco de carvão que acende sozinho

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 08/03/2026 05:07

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Conheça o empreendedor que fatura R$ 1 milhão ao criar saco de carvão que acende sozinho Empreendedor de Pareci Novo, no interior do Rio Grande do Sul, transformou a dificuldade de acender o carvão em um negócio patenteado e em expansão pelo país. Por PEGN

O empreendedor Wilian Biolo desenvolveu um saco de carvão que acende sozinho, eliminando a dificuldade e o perigo do processo tradicional.

Sua experiência como churrasqueiro e bombeiro voluntário foi crucial para criar um produto focado em segurança e praticidade.

Após dois anos e mais de 200 protótipos, o produto patenteado garante circulação de ar e acendimento simples, sem sujeira.

O negócio, que faturou R$ 62 mil em 2021, alcançou mais de R$ 1 milhão em 2025, com distribuição em vários estados.

Acender o carvão ainda é um desafio para muita gente. Assoprar, abanar, improvisar com líquidos inflamáveis — além de trabalhoso, o processo pode ser perigoso. Foi observando essa dificuldade recorrente que o gaúcho Wilian Biolo decidiu transformar a experiência prática em oportunidade de negócio.

Morador de Pareci Novo, no interior do Rio Grande do Sul, Wilian cresceu ajudando a família em uma churrascaria da cidade e, desde cedo, aprendeu os métodos tradicionais para acender o fogo da churrasqueira.

Paralelamente, construiu outra trajetória profissional: atuou por mais de duas décadas como bombeiro voluntário, lidando diariamente com segurança, controle de chamas e prevenção de acidentes envolvendo fogo.

A combinação dessas vivências seria decisiva para o futuro do negócio. Unindo a experiência como churrasqueiro e bombeiro voluntário, Wilian Biolo desenvolveu um saco de carvão que acende sozinho, apostando em segurança, praticidade e sustentabilidade.

A virada aconteceu em um evento de startups, quando o empreendedor percebeu que poderia reunir esses atributos em um único produto. A partir dali, a criatividade virou meta.

Foram quase dois anos de testes intensivos e mais de 200 protótipos até chegar ao modelo final: um saco de carvão que já vem com um dispositivo interno que facilita a circulação de ar e permite que o fogo seja aceso de forma simples.

“Sempre tive esse olhar de observar os problemas do dia a dia das pessoas. Não só enxergar o problema, mas enxergar a solução”, afirma Wilian.

O resultado é um produto pensado para que o consumidor não precise fazer praticamente nada. Biolo explica o processo de uso com simplicidade: “É só rasgar duas partes da embalagem, acender o acendedor e colocar o produto em pé dentro da churrasqueira”.

A estrutura interna, feita de madeira com o acendedor acoplado, foi projetada para garantir a circulação correta de ar e eficiência no acendimento. A embalagem utiliza papel kraft natural, tintas à base de água e cola vegetal.

Conheça o empreendedor que criou o saco de carvão que acende sozinho e fatura R$ 1 milhão — Foto: Reprodução/PEGN

Segundo o empreendedor, tudo foi pensado para queimar de forma segura e sem interferir no sabor dos alimentos. “A gente conseguiu resolver três problemas: segurança, praticidade e sujeira”, resume.

O produto é patenteado no Brasil e no exterior, o que garante exclusividade à empresa. Hoje, o negócio opera em um galpão com quatro funcionários e produz até cinco mil pacotes por mês, vendidos em embalagens de três e quatro quilos, com preço médio de R$ 32.

A distribuição já alcança o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e outros estados do país, além de grandes redes com milhares de pontos de venda. Os números refletem o crescimento acelerado. Em 2021, primeiro ano de comercialização, o faturamento foi de R$ 62 mil.

Em 2025, saltou para R$ 1 milhão. Para o empreendedor, o caminho até o sucesso exigiu persistência. “Nesses dois anos de protótipos, a gente desanima, duvida, mas eu nunca desisti. Hoje eu vejo que o produto deu certo e que ele não sai mais do mercado”, diz.

Para ele, a criatividade nasce da observação. “Sempre tive esse olhar de não só enxergar o problema, mas sim a solução”, reforça.

Conheça o empreendedor que criou o saco de carvão que acende sozinho e fatura R$ 1 milhão — Foto: Reprodução/PEGN

A inovação, agora presente em churrascos de vários estados, começou com uma faísca de inquietação — e seguiu acesa pela insistência de quem enxergou oportunidade onde muitos só viam fumaça.

A história mostra como a inovação nem sempre nasce da alta tecnologia, mas da observação do cotidiano — e como uma ideia simples pode acender não só o fogo do churrasco, mas também um negócio de sucesso, como destaca o quadro Brasil Criativo, do Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Conheça o empreendedor que criou o saco de carvão que acende sozinho e fatura R$ 1 milhão — Foto: Reprodução/PEGN

📍 Endereço: Rua da praia, 03 – Centro Pareci Novo/ PR – CEP: 95783-000📞 Telefone: (51) 998238873 Site: www.brazah.com.br📧 E-mail: wilianbiolo@gmail.com📘Facebook: https://www.facebook.com/fogobrazah/?locale=pt_BR📸 Instagram: https://www.instagram.com/carvaobrazah

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