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Interrupções, desconfiança e assédio: relatos mostram barreiras para mulheres jovens no trabalho

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/03/2026 06:21

Trabalho e Carreira Interrupções, desconfiança e assédio: relatos mostram barreiras para mulheres jovens no trabalho Mulheres relatam estratégias adotadas ao longo da carreira para tentar evitar julgamentos e situações de assédio no ambiente de trabalho. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Carolina Nucci ainda lembra da frase dita na entrada de uma coletiva de imprensa no autódromo de Interlagos. Ela era jornalista de automobilismo, estava escalada para cobrir o evento e tinha autorização para estar ali. Mesmo assim, antes de conferir o crachá, o fiscal decidiu questioná-la.

Carolina explicou que trabalhava na cobertura. Não foi suficiente. Precisou acionar a chefia de imprensa — um homem — para confirmar que, sim, estava ali a trabalho.

Naquele ambiente majoritariamente masculino, Carolina sentiu que precisava provar o tempo todo que não era uma "Maria Capacete", rótulo comum e pejorativo dado a mulheres que circulavam no paddock. A estratégia encontrada, ainda no início da carreira, foi simbólica.

"No início da minha carreira, usei uma aliança falsa de compromisso para ser respeitada. Não inibiu, mas os assédios ficaram mais sutis", lembra.

O episódio aconteceu duas décadas atrás, mas está longe de ser passado. Julgamentos sobre aparência, desconfiança sobre competência, menos oportunidades e episódios de assédio continuam fazendo parte da rotina de muitas mulheres, especialmente das mais jovens.

Os relatos individuais encontram respaldo em números. O relatório Women in the Workplace, elaborado pela McKinsey & Company em parceria com a Lean In, ouviu 15 mil trabalhadores em diferentes países e traçou um panorama das desigualdades no ambiente corporativo.

Entre as mulheres com menos de 30 anos, quase metade afirma que a idade já impactou negativamente suas oportunidades de trabalho. Outras 36% disseram que a idade foi fator na perda de aumentos, promoções ou chances de progressão. Entre os homens, esse percentual é de 15%.

O reflexo aparece na liderança: em média, mulheres ocupam apenas 29% dos cargos de alta administração.

Mariam Topeshashvili integra esse grupo que conseguiu chegar a uma posição de comando. Aos 29 anos, é gerente de uma agência internacional que conecta produtores de conteúdo e empresas.

Nascida na Geórgia e criada em uma favela no Rio de Janeiro, construiu um currículo com formação na Universidade de Harvard. Ainda assim, ouviu questionamentos.

"Já ouvi comentários irônicos, sarcásticos. Sempre velados. Frases que duvidavam da minha capacidade. Por exemplo, tal coisa não foi feita porque era eu que estava ali", conta.

Ser jovem, mulher, estrangeira e falar em uma terceira língua compunha uma equação que, muitas vezes, a colocava em posição de constante avaliação.

"Eu me sentia um patinho fora d’água. Muitas vezes tinha a sensação de que não era ouvida"

Mariam Topeshashvili enfrentou julgamentos e microagressões ao longo de sua vida acadêmica e profissional — Foto: Mariam Topeshashvili/ Arquivo Pessoal

O estudo Women in the Workplace aponta que essas percepções não são isoladas. Microagressões — comentários ou atitudes sutis que colocam em dúvida a competência — fazem parte da rotina de muitas profissionais.

💬 Microagressões são ações ou comentários que desqualificam, discriminam ou questionam de forma sutil determinados grupos.💬 Etarismo é preconceito ou discriminação contra pessoas por causa da idade. Ele pode se manifestar pro meio de atitudes, estereótipos e exclusão social ou profissional.

39% das mulheres já foram interrompidas enquanto falavam;38% tiveram sua área de especialização questionada;18% foram confundidas com alguém de nível hierárquico inferior;37% afirmam ter sofrido uma ou mais formas de assédio sexual ao longo da carreira.

Além disso, o relatório destaca que mulheres jovens relatam maior incidência de comentários sobre idade, aparência e suposta falta de experiência.

Uma pesquisa da Todas Group e da Nexus aponta um padrão semelhante. Entre 1.534 lideranças femininas entrevistadas, 56% dizem que uma das atitudes mais importantes que homens poderiam tomar é interromper falas machistas de outros colegas.

Apesar disso, apenas 35% das mulheres afirmam já ter sido defendidas por um homem em situações de preconceito de gênero no ambiente de trabalho.

As barreiras não se restringem a um único fator. Elas envolvem machismo estrutural e também etarismo — preconceito baseado na idade.

"Os homens não são tão julgados quanto as mulheres. Quando um homem jovem é promovido, a reação costuma ser de admiração. Quando é uma mulher, muitas vezes há questionamento".

Carolina percebeu isso em diferentes momentos da trajetória. Depois do jornalismo, decidiu estudar engenharia química e ouviu que “não era lugar de menina”. Mais tarde, ao migrar para o marketing, enfrentou novos episódios.

"Sempre me viam como uma menina. Não era levada a sério (…) Descobri que meus sócios ganhavam mais e ouvi de outra mulher que eles precisavam mais, porque eram pais de família", conta Carolina, que hoje é CMO e cofundadora da Conectas, empresa de educação corporativa.

No início da carreira de jornalista, Carolina Nucci usava uma aliança falsa e mudou sua aparência — Foto: Carolina Nucci/ Arquivo Pessoal

“Perguntavam com quem minha filha ficava quando estava doente. Para o meu marido diziam que ‘a paternidade engrandece o homem’.”

O levantamento da McKinsey & Company e da Lean In mostra ainda que mulheres que enfrentam microagressões frequentes têm maior probabilidade de se sentirem esgotadas, considerar deixar o emprego e perceber o ambiente como injusto.

Esse efeito ajuda a explicar outro fenômeno citado no estudo: o "degrau quebrado". O termo descreve a dificuldade que mulheres enfrentam para conquistar a primeira promoção para cargos de liderança.

Quando essa etapa não acontece de forma proporcional, a desigualdade se amplia nos níveis mais altos da hierarquia.

Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, e Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, aconselham mulheres que sofrem julgamentos no trabalho — Foto: Arquivo Pessoal

Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, afirma que interrupções constantes e desvalorização de ideias afetam a segurança psicológica.

“Mulheres que são frequentemente interrompidas e cujas opiniões são ignoradas — mas depois valorizadas quando repetidas por outros — tendem a ter o desempenho impactado.”

“Você começa a se questionar. Eu chegava em casa e pensava: será que mereço o cargo que tenho? Será que faz sentido estar ali?”

O estudo também aponta que ambientes percebidos como injustos aumentam a taxa de demissão voluntária entre mulheres, além de contribuírem para casos de esgotamento profissional.

Outro ponto destacado pela pesquisa da Todas Group e da Nexus é que parte da resistência em enfrentar o problema pode estar na própria percepção de desigualdade.

Para 51% das mulheres entrevistadas, muitos homens acreditam que já existe igualdade no ambiente corporativo, enquanto 45% dizem que eles enxergam o debate sobre gênero como exagero.

“Não deixe essas situações passarem. Informe seu gestor. Outras pessoas podem estar vivendo o mesmo”, orienta Mariam.

Carolina compartilha reflexão semelhante. "Quando olho para trás, penso: por que não denunciei? Precisamos mostrar que isso é errado".

Além da denúncia, as entrevistadas destacam a importância de mentoria, redes de apoio e planejamento de longo prazo.

“Às vezes você é uma das poucas que conseguiu chegar ali — e isso pode abrir caminho para outras”, diz Mariam.

"Tenha um plano e mantenha comunidades de apoio. Mulheres não competem, se ajudam", afirma Carolina.

"Leia sobre o mercado em que atua, amplie sua visão. Demonstrar preparo e confiança influencia a forma como você é percebida", conclui.

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Conheça o empreendedor que fatura R$ 1 milhão ao criar saco de carvão que acende sozinho

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 08/03/2026 05:07

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Conheça o empreendedor que fatura R$ 1 milhão ao criar saco de carvão que acende sozinho Empreendedor de Pareci Novo, no interior do Rio Grande do Sul, transformou a dificuldade de acender o carvão em um negócio patenteado e em expansão pelo país. Por PEGN

O empreendedor Wilian Biolo desenvolveu um saco de carvão que acende sozinho, eliminando a dificuldade e o perigo do processo tradicional.

Sua experiência como churrasqueiro e bombeiro voluntário foi crucial para criar um produto focado em segurança e praticidade.

Após dois anos e mais de 200 protótipos, o produto patenteado garante circulação de ar e acendimento simples, sem sujeira.

O negócio, que faturou R$ 62 mil em 2021, alcançou mais de R$ 1 milhão em 2025, com distribuição em vários estados.

Acender o carvão ainda é um desafio para muita gente. Assoprar, abanar, improvisar com líquidos inflamáveis — além de trabalhoso, o processo pode ser perigoso. Foi observando essa dificuldade recorrente que o gaúcho Wilian Biolo decidiu transformar a experiência prática em oportunidade de negócio.

Morador de Pareci Novo, no interior do Rio Grande do Sul, Wilian cresceu ajudando a família em uma churrascaria da cidade e, desde cedo, aprendeu os métodos tradicionais para acender o fogo da churrasqueira.

Paralelamente, construiu outra trajetória profissional: atuou por mais de duas décadas como bombeiro voluntário, lidando diariamente com segurança, controle de chamas e prevenção de acidentes envolvendo fogo.

A combinação dessas vivências seria decisiva para o futuro do negócio. Unindo a experiência como churrasqueiro e bombeiro voluntário, Wilian Biolo desenvolveu um saco de carvão que acende sozinho, apostando em segurança, praticidade e sustentabilidade.

A virada aconteceu em um evento de startups, quando o empreendedor percebeu que poderia reunir esses atributos em um único produto. A partir dali, a criatividade virou meta.

Foram quase dois anos de testes intensivos e mais de 200 protótipos até chegar ao modelo final: um saco de carvão que já vem com um dispositivo interno que facilita a circulação de ar e permite que o fogo seja aceso de forma simples.

“Sempre tive esse olhar de observar os problemas do dia a dia das pessoas. Não só enxergar o problema, mas enxergar a solução”, afirma Wilian.

O resultado é um produto pensado para que o consumidor não precise fazer praticamente nada. Biolo explica o processo de uso com simplicidade: “É só rasgar duas partes da embalagem, acender o acendedor e colocar o produto em pé dentro da churrasqueira”.

A estrutura interna, feita de madeira com o acendedor acoplado, foi projetada para garantir a circulação correta de ar e eficiência no acendimento. A embalagem utiliza papel kraft natural, tintas à base de água e cola vegetal.

Conheça o empreendedor que criou o saco de carvão que acende sozinho e fatura R$ 1 milhão — Foto: Reprodução/PEGN

Segundo o empreendedor, tudo foi pensado para queimar de forma segura e sem interferir no sabor dos alimentos. “A gente conseguiu resolver três problemas: segurança, praticidade e sujeira”, resume.

O produto é patenteado no Brasil e no exterior, o que garante exclusividade à empresa. Hoje, o negócio opera em um galpão com quatro funcionários e produz até cinco mil pacotes por mês, vendidos em embalagens de três e quatro quilos, com preço médio de R$ 32.

A distribuição já alcança o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e outros estados do país, além de grandes redes com milhares de pontos de venda. Os números refletem o crescimento acelerado. Em 2021, primeiro ano de comercialização, o faturamento foi de R$ 62 mil.

Em 2025, saltou para R$ 1 milhão. Para o empreendedor, o caminho até o sucesso exigiu persistência. “Nesses dois anos de protótipos, a gente desanima, duvida, mas eu nunca desisti. Hoje eu vejo que o produto deu certo e que ele não sai mais do mercado”, diz.

Para ele, a criatividade nasce da observação. “Sempre tive esse olhar de não só enxergar o problema, mas sim a solução”, reforça.

Conheça o empreendedor que criou o saco de carvão que acende sozinho e fatura R$ 1 milhão — Foto: Reprodução/PEGN

A inovação, agora presente em churrascos de vários estados, começou com uma faísca de inquietação — e seguiu acesa pela insistência de quem enxergou oportunidade onde muitos só viam fumaça.

A história mostra como a inovação nem sempre nasce da alta tecnologia, mas da observação do cotidiano — e como uma ideia simples pode acender não só o fogo do churrasco, mas também um negócio de sucesso, como destaca o quadro Brasil Criativo, do Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Conheça o empreendedor que criou o saco de carvão que acende sozinho e fatura R$ 1 milhão — Foto: Reprodução/PEGN

📍 Endereço: Rua da praia, 03 – Centro Pareci Novo/ PR – CEP: 95783-000📞 Telefone: (51) 998238873 Site: www.brazah.com.br📧 E-mail: wilianbiolo@gmail.com📘Facebook: https://www.facebook.com/fogobrazah/?locale=pt_BR📸 Instagram: https://www.instagram.com/carvaobrazah

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Mega-Sena, concurso 2.981: veja os números sorteados

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 21:55

Loterias Mega-Sena Oferecido por: Mega-Sena, concurso 2.981: prêmio acumula e vai a R$ 60 milhões Veja os números sorteados: 15 – 22 – 27 – 32 – 50 – 58. Quina teve 41 apostas ganhadoras; cada uma vai levar R$ 61,085,40. Por Redação g1 — São Paulo

O sorteio do concurso 2.981 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (7), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 60 milhões.

As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.

Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.

O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

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Do Mato Grosso para o mundo: a nova rota da soja e os desafios do transporte no Arco Norte

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 06:44

GLOBO RURAL Do Mato Grosso para o mundo: a nova rota da soja e os desafios do transporte no Arco Norte Com quase 30% da produção nacional concentrada em MT, escoamento de safra deixa de descer para o Sul e passa a buscar portos acima do paralelo 16 para reduzir custos e tempo de viagem. Por Redação g1, Globo Rural

O Brasil atravessa o auge da colheita da soja, e o cenário atual reafirma a posição do país como um gigante exportador: cerca de dois terços de tudo o que é produzido em solo brasileiro têm como destino o mercado externo

No centro dessa engrenagem está o estado de Mato Grosso, responsável por quase 30% da safra nacional

A história dessa hegemonia começou há pouco mais de 50 anos, impulsionada por incentivos governamentais que levaram agricultores do Sul para o Centro-Oeste.

Naquela época, a produtividade era de 35 sacas por hectare; hoje, graças à pesquisa e tecnologia, chega a atingir 90 sacas por hectare (assista a reportagem completo no vídeo acima).

Apesar do salto tecnológico dentro das fazendas, a infraestrutura externa não acompanhou o mesmo ritmo.

Em Mato Grosso, a capacidade de armazenamento é um desafio: a média de estocagem do estado é de apenas 40% da produção, o que obriga grandes empresas a investirem em silos próprios para garantir eficiência logística

A soja brasileira é a base da alimentação, especialmente no continente asiático, sendo utilizada para óleo e farelo para nutrição animal, além de aplicações industriais como pneus e emborrachados

Para que esse produto chegue ao outro lado do oceano, a logística tornou-se o ponto crucial da operação.

Nos últimos anos, a geografia do escoamento mudou. Em vez de a safra "descer" o mapa em direção aos portos do Sul e Sudeste, ela passou a "subir"

É o fortalecimento do chamado Arco Norte, um conjunto de portos e rotas localizados acima do paralelo 16 (linha imaginária que corta o país na altura de Brasília).

O uso dessas rotas pode reduzir o valor do frete em até 15%, encurtando o caminho entre as lavouras e o destino final

Entre os principais portos estão Mirituba, Santarém e Barcarena, no Pará, e o Porto de Itaqui, no Maranhão.

O Porto de Itaqui, em São Luís, tornou-se um símbolo dessa expansão. Entre 2020 e 2024, a exportação de soja e milho pelo terminal saltou de 11 milhões para 20 milhões de toneladas.

O crescimento atraiu produtores do Sul que venderam suas terras para investir em áreas maiores no Mato Grosso e na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Para quem vive na estrada, como o caminhoneiro Walter, o sistema de agendamento nos portos trouxe alívio para as antigas filas intermináveis.

No entanto, o "nó" logístico ainda persiste no trajeto entre a fazenda e o terminal portuário, onde a dependência do transporte rodoviário — que responde por 66% da carga no país — ainda esbarra em estradas precárias e desafios climáticos.

Segundo defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, óbito foi confirmado nesta sexta, após protocolo de morte encefálica.

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Demissão de Filipe Luís levanta debate sobre carreira e estabilidade; veja as lições para o CLT comum

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 04:20

Trabalho e Carreira Demissão de Filipe Luís levanta debate sobre carreira e estabilidade; veja as lições para o CLT comum Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que, dadas as devidas proporções, o caso não é tão incomum no mercado de trabalho. Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

O técnico Filipe Luís foi demitido do Flamengo nesta terça-feira (3), mesmo após a vitória por 8 a 0 sobre o Madureira, na semifinal do Campeonato Carioca.

Ele deixa o cargo com números expressivos: aproveitamento de quase 70% em 101 jogos, com 63 vitórias, 23 empates e 15 derrotas.

Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que, dadas as devidas proporções, o caso não é tão incomum no mercado de trabalho.

Mesmo com excelente histórico e desempenho, o funcionário pode ser desligado a qualquer momento, por diferentes motivos, ainda que nem sempre estejam claros.

O técnico Filipe Luís foi demitido do Flamengo nesta terça-feira (3), mesmo após a vitória por 8 a 0 sobre o Madureira, na semifinal do Campeonato Carioca. Ele deixa o cargo com números expressivos: aproveitamento de quase 70% em 101 jogos, com 63 vitórias, 23 empates e 15 derrotas.

Ele também deixa o clube como o segundo técnico mais vitorioso da história do Flamengo, com cinco títulos: Copa do Brasil de 2024, Supercopa de 2025, Campeonato Carioca de 2025, Libertadores de 2025 e Brasileirão de 2025.

Em 2026, porém, o time não conseguiu manter o desempenho. Das 15 derrotas no comando da equipe, cinco ocorreram neste ano. Foi o pior início de temporada do clube nos últimos 10 anos, com vice-campeonatos na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana.

Como explicar uma desvalorização tão rápida de um profissional que enfileirava bons resultados? Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que, dadas as devidas proporções, o caso não é tão incomum no mercado de trabalho.

Mesmo com excelente histórico e desempenho, o funcionário pode ser desligado a qualquer momento, por diferentes motivos, ainda que nem sempre estejam claros.

A própria Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que a demissão é juridicamente possível por se tratar de um direito do empregador. Para isso, é necessário o pagamento das verbas contratuais e rescisórias devidas, inclusive eventuais multas previstas em contrato, sem necessidade de aviso prévio ou justificativa formal.

É verdade que o esporte tem características próprias. Os contratos costumam ter prazo determinado, e a permanência do treinador está sujeita a forte pressão por resultados. Mas o caso de Filipe Luís surpreendeu.

“Isso evidencia um traço estrutural do futebol brasileiro: a confiança é extremamente condicionada. O treinador vive sob pressão constante, e nem conquistas recentes garantem previsibilidade ou estabilidade", afirma o especialista.

Pior: em menos de 24 horas, o Flamengo acertou a contratação de Leonardo Jardim, que terá contrato — a princípio — válido até o fim de 2027. O clube e a equipe do treinador já vinham alinhando os detalhes antes de Filipe ser avisado da demissão.

“O futebol é movido pela torcida, e a torcida quer resultado. Quando ele não vem, a torcida pressiona a instituição e os clubes. Os dirigentes, pressionados, muitas vezes não suportam a cobrança das arquibancadas”, diz Emilio Coutinho, docente do curso de Jornalismo Esportivo do Senac São Paulo.

“Existe uma narrativa no futebol brasileiro: quando os clubes contratam treinadores, dizem que está sendo feita uma reformulação, anunciam projetos de médio e longo prazo e falam em identificação com o time. Porém, basta o primeiro ciclo de derrotas ou resultados ruins para que todo esse discurso perca força”, diz.

A demissão de Filipe Luís ajuda a ilustrar uma dinâmica comum também fora do futebol: o desligamento de lideranças com alto desempenho pode afetar não apenas os resultados imediatos, mas também a confiança e a cultura de toda a organização.

Segundo especialistas em gestão ouvidos pelo g1, quando uma instituição decide desligar um profissional de destaque sem explicar com clareza como funcionam os critérios e processos internos, o impacto não se restringe ao trabalhador demitido.

“Não estamos falando de um profissional comum. Estamos falando de um multicampeão, com histórico de resultados e enorme peso simbólico”, afirma Marcela Zaidem, fundadora da Cultura na Prática (CNP), consultoria especializada em cultura organizacional.

“Quando alguém desse porte sai sem um processo claramente explicado, a organização não demite apenas uma pessoa. Ela altera o comportamento de todo o sistema. O time deixa de jogar para ganhar e passa a jogar para não ser o próximo”, diz.

Outro ponto destacado por Marcela é que, em contextos assim, muitos profissionais passam a evitar riscos ou exposição para não serem os próximos.

“No caso do Filipe Luís, a imagem é de ‘virada de chave’: parece menos uma transição e mais uma ruptura. E a ruptura, quando não é bem explicada, vira um recado perigoso: o critério pode mudar de um dia para o outro”, completa.

Em empresas, decisões percebidas como improvisadas podem até reduzir a pressão externa no curto prazo, mas provocam custos silenciosos, como insegurança interna, perda de iniciativa, redução da ousadia e aumento de disputas internas.

“Desligamento é comunicação de cultura. A forma como você demite ensina mais do que qualquer valor escrito em um PowerPoint”, completa.

Segundo ela, o desafio está menos na legalidade e mais na gestão. “Demissão sem feedback é gestão por susto. Resolve um problema rápido, mas cria outro: ninguém sabe qual é a régua”, diz.

Além disso, a falta de previsibilidade compromete o desempenho no médio e no longo prazo, já que os trabalhadores passam a evitar riscos, esconder problemas e fazer apenas o mínimo necessário.

Assim, empresas que dizem buscar inovação e autonomia precisam deixar claras as regras do jogo: o que é erro aceitável, como o desempenho profissional é avaliado, quais são os limites e como ocorre a correção de rota em casos de falhas.

Esse tipo de prática também afeta a reputação da organização como empregadora. Em um ambiente conectado, a forma como uma demissão ocorre se espalha rapidamente e influencia a percepção de outros profissionais no mercado.

Há ainda a perda de conhecimento acumulado, como processos, sistemas e relacionamentos, que se perdem quando não há tempo para transição.

🤔 Levando isso em conta, é possível inovar no trabalho, assumir riscos ou tomar decisões sem comprometer a própria carreira?

Sim, mas isso exige regras claras. Se a empresa não define quais são os principais critérios de avaliação, o recado acaba sendo simples: “não ouse”.

E, por mais que o trabalhador busque feedback para entender seu desenvolvimento e a entrega de resultados no dia a dia, o retorno e o crescimento profissional ainda dependem, em grande parte, da gestão e das decisões da chefia.

Segundo Eliane Aere, presidente da ABRH-SP, outro problema é que as empresas costumam tratar todos os erros da mesma forma, sem distinguir falhas por negligência, erros inevitáveis e erros inteligentes — estes últimos essenciais para a inovação.

Ao punir todos os erros da mesma forma, com demissão, a empresa sufoca a criatividade do trabalhador e reforça uma cultura de curto prazo. Fora do futebol, esse cenário ajuda a explicar o enfraquecimento da segurança psicológica no mercado de trabalho.

Em ambientes onde desligamentos ocorrem sem transparência, profissionais evitam riscos, escondem problemas e se comunicam menos.

“Gestão de desempenho eficaz exige feedback contínuo. Quando isso existe, uma demissão nunca é surpresa — ela é consequência de um processo”, explica.

Para a presidente da ABRH-SP, decisões desse tipo não se encerram no anúncio: elas reverberam interna e externamente, afetando o clima organizacional, o engajamento e a capacidade de atrair e reter talentos.

“Na era digital, as decisões de liderança ecoam. Cuidar de pessoas, comunicar com clareza e criar espaço para aprendizado deixou de ser um diferencial. Tornou-se uma necessidade estratégica”, conclui a especialista.

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Patrimônio, venda de imóveis, federalização: saiba quais riscos o BRB corre – e qual é o plano de socorro

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 02:46

Distrito Federal Patrimônio, venda de imóveis, federalização: saiba quais riscos o BRB corre – e qual é o plano de socorro Governo do DF conseguiu aval do Legislativo para entregar imóveis públicos ao banco. Solidez do patrimônio do BRB foi abalada por transações malsucedidas com o banco Master. Por Mateus Rodrigues, Ygor Wolf, g1 DF — Brasília

O Banco de Brasília (BRB) tenta garantir solidez no mercado financeiro após a compra de mais de R$ 12 bilhões de carteiras do Banco Master com indícios de fraude.

Há também o risco de o BRB não conseguir transformar em dinheiro os R$ 12 bilhões em créditos podres herdados do Banco Master.

Desde que o escândalo do Banco Master foi revelado pela operação Compliance Zero, no fim do ano passado, o futuro do Banco de Brasília (BRB) se tornou "obscuro".

Isso, porque o BRB e o governo do Distrito Federal – seu acionista controlador – passaram 2024 e 2025 tentando comprar a maior parte do Banco Master. O banco distrital injetou R$ 16,7 bilhões no Master – e agora, sabe-se que pelo menos R$ 12,2 bilhões desse aporte estão sob suspeita de irregularidades.O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB e, dias depois, definiu a liquidação extrajudicial do Master. Com isso, os ativos que seriam transferidos ao patrimônio do BRB ficaram "congelados" nas mãos do liquidante.

As transações fragilizaram o patrimônio do BRB e deixaram o banco sob risco de descumprir as regras prudenciais do sistema bancário – as normas que exigem uma solidez mínima de cada banco para evitar dano aos correntistas e investidores.

Desde então, o BRB e o governo do DF vêm atuando em múltiplas frentes para tentar recompor o caixa do banco, seja recuperando o dinheiro investido no Master ou encontrando novos aportes.

Entenda abaixo quais riscos já foram apontados, e quais medidas o BRB está tomando para reverter o quadro.

No cenário mais crítico, o BRB pode não conseguir integralizar capital suficiente para se reerguer.

O banco entregou ao Banco Central em fevereiro um plano de capital "preventivo" para enfrentar os efeitos da aquisição malsucedida dessas carteiras.

➡️O Banco Central (BC) calcula que o banco pode precisar de ao menos R$ 5 bilhões para cumprir as exigências.

Uma das medidas, que será levada à assembleia de acionistas no próximo dia 18, envolve emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar dinheiro no mercado.

Com essa emissão, o BRB espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais.

Para "embasar" esse aumento de capital, o governo Ibaneis propôs e a Câmara Legislativa do DF aprovou o uso de imóveis públicos do DF como garantia, fundo imobiliário ou até venda direta.

O governo avalia que esses imóveis, somados, valem cerca de R$ 6,6 bilhões – valor que passaria a integrar o patrimônio do BRB e reforçaria os níveis prudenciais do banco.

Estudo da Câmara do DF indica 'dilapidação do patrimônio público' em projeto de socorro bilionário ao BRB

A Fitch Ratings e a Moody's — duas das principais agências internacionais de classificação de risco de crédito — rebaixaram a nota de crédito do Banco de Brasília (BRB) para “CCC” (escala global) e 'CCC(bra)' (nacional), sinalizando:

alto risco de inadimplênciafragilidades de governançafalhas de controles internos erisco operacional elevado.

Além disso, o governo do DF está impedido de usar a União como garantidora de um eventual empréstimo. O DF recebeu nota baixa em Capacidade de Pagamento (Capag), um indicador usado pelo Tesouro Nacional para avaliar a saúde financeira de estados, municípios e da capital federal.

Houve ainda, o afastamento judicial de executivos, o que reforça a percepção de desorganização e aumentam os riscos da instituição.

➡️ Tudo isso aumenta o custo de um eventual empréstimo. A regra é simples: quanto maior o risco identificado de calote, piores as condições de juros e parcelamento de um crédito.

Há também o risco de o BRB não conseguir transformar em dinheiro os R$ 12 bilhões em créditos podres herdados do Banco Master.

Com isso, o banco pode não ter dinheiro suficiente disponível para honrar compromissos no dia a dia, como pagar clientes, honrar dívidas com credores ou manter suas obrigações operacionais.

Isso, justamente porque o BRB tem como acionista controlador o governo do DF – que tem um patrimônio imobliário imenso e pode seguir "socorrendo" o banco para evitar uma quebra ou uma liquidação.

O custo, neste caso, é para o governo e para a população do DF, que podem ver o patrimônio público sendo gradualmente dilapidado para essas operações de salvamento.

Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado.

A Fitch retirou a expectativa automática de socorro do GDF. A medida é simbólica, mas importante, porque indica que o apoio político e financeiro do governo do Distrito Federal não é mais considerado garantido pela agência.

Além disso, há incerteza sobre o tamanho das possíveis perdas ligadas às investigações, processos judiciais e ações de supervisão que envolvem tanto o BRB quanto o próprio GDF.

Esse conjunto de fatores aumenta a dúvida sobre como e em que medida o governo conseguirá apoiar o banco, caso seja necessário.

Saiba o que o BRB poderá fazer com os imóveis oferecidos por IbaneisDistritais acionam MP e governo do DF para barrar Daniel Vorcaro em reunião de acionistas do BRBBRB quer elevar capital em R$ 8,8 bilhões e emitir até 1,67 bilhão de ações para reforçar patrimônioCom nota baixa em gestão fiscal, DF não terá garantia da União para tomar empréstimo e reforçar BRB

O relatório da Fitch destacou alguns fatores que podem, individual ou coletivamente, levar a um aumento da nota de crédito do BRB. Dentre eles:

Avaliação clara, completa e feita por técnicos independentes sobre o tamanho do prejuízo;Plano de recapitalização viável e oportuno — que explique o reforço de capital (quanto dinheiro o BRB vai receber, de onde vem esse dinheiro, quando chega, quem autoriza e quais instrumentos serão usados, como por exemplo empréstimos, venda de ativos, etc.);Mostrar que o banco voltou a se financiar normalmente, provando que consegue pegar dinheiro no mercado sem pagar muito caro;Os custos de captação (valor que bancos pagam para conseguir dinheiro no mercado financeiro) voltarem ao normal;Quando os spreads (a diferença entre o que o banco paga para captar e o que cobra para emprestar) pararem de piorar;Melhorar a governança e consertar falhas internas, com processos mais transparentes, investigações concluídas e responsáveis punidos.

Até o fim do mês, o BRB precisará dizer ao Banco Central e ao sistema financeiro como vai enfrentar essa crise – na prática, de onde virá o dinheiro para reforçar o patrimônio e garantir a continuidade das operações.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) deve sancionar na próxima semana o projeto de lei que autoriza o uso dos nove imóveis públicos para salvar o BRB.

Segundo o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, a hipótese preferencial é constituir um fundo imobiliário com esses imóveis.

"Não geraria uma prestação, nem iria mexer na Lei de Responsabilidade Fiscal do governo do Distrito Federal. Assim, esses imóveis seriam teriam rentabilidade para aqueles investidores que estariam conosco", afirmou.

➡️ Nesse formato, o fundo inscreve esses lotes como patrimônio e capta investimentos no mercado. Esses investimentos são remunerados a partir do uso e da valorização desses imóveis. É como se, na prática, cada investidor recebesse parte do "aluguel" dos espaços.

Há, ainda, a possibilidade de o governo do DF captar um empréstimo em nome do BRB junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O empréstimo ajudaria a capitalizar o banco, mas geraria parcelas fixas a serem pagas pelo BRB nas próximas décadas. Na prática, apenas "rolaria" a dívida enquanto o banco encontra fontes mais sólidas de capitalização.

🔎 O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade.

Desde o início do escândalo com o Banco Master, o BRB tenta reorganizar internamente seu patrimônio – o que inclui se desfazer de ativos e operações para reforçar o caixa.

O banco estuda, por exemplo, vender carteiras de crédito e participação em subsidiárias como a BRB Financeira. Segundo o BRB, no entanto, os negócios ainda não foram confirmados.

"Não há aprovação pelos órgãos competentes, assinatura de instrumentos vinculantes, definição de termos e condições, ou impactos imediatos. Caso alguma alternativa evolua para decisão formal, a Companhia fará a divulgação devida e tempestiva", afirmou o banco em comunicado oficial.

No início do mês, o banco também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir "preferência" na distribuição dos recursos do Banco Master que passaram às mãos do liquidante judicial.

Também na Justiça, o BRB conseguiu bloquear R$ 376,4 milhões em participações acionárias de Daniel Vorcaro e mais dois investigados.

Ao fim do processo, esse valor pode ser reintegralizado ao BRB para cobrir o dano causado pelo escândalo do Master. A conclusão desse processo, no entanto, pode levar meses ou anos.

Sem garantias e capitalização, há a possibilidade de federalização do banco, hipótese ventilada no debate político local. O risco cresce se o GDF não tiver espaço fiscal para o socorro.

➡️Federalização significa transferir o controle, a gestão, o capital e as decisões do banco para a União ou para um órgão federal.

Em entrevista à TV Globo nesta semana, o presidente do BRB negou a possibilidade de liquidação ou federalização do banco.

"O BRB sairá bem mais forte e será capitalizado mais forte que ele era antes", afirmou Souza.

O g1 procurou o Ministério da Fazenda, o GDF, o Banco Central e o BRB para comentarem sobre a possibilidade de federalização, mas não recebeu retorno.

É o cenário mais catastrófico e mais remoto, que só ganharia força com nova piora da liquidez, ausência de apoio do GDF e perdas elevadas confirmadas.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, tem dito que a federalização e privatização são cenários fora de cogitação.

A Câmara do DF aprovou o projeto de lei que repassa nove imóveis públicos da capital federal ao patrimônio do Banco de Brasília (BRB). Entenda a cronologia:

➡️O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, se reuniu com os deputados na segunda (2) para explicar a situação patrimonial do banco.

➡️Na terça (3), os deputados se reuniram a portas fechadas para debater o tema e decidir se levava o projeto à votação em plenário.

➡️ No mesmo dia, os parlamentares aprovaram o projeto por 14 votos a favor e 10 contra nos dois turnos. Agora, o texto vai à sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB).

🔎Os imóveis servirão para lastrear uma captação de até R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro.

SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb): R$ 632 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB: R$ 547 milhões;SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap: R$ 1,02 bilhão;Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década: R$ 491 milhões;"Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – parte da Serrinha do Paranoá, trecho verde que abriga centenas de nascentes: R$ 2,2 bilhões;Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN (antigo lote da PM): R$ 239 milhões.

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BYD Atto 8: quais os pontos fortes e fracos do SUV híbrido mais caro da marca; veja o teste

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 02:46

Carros BYD Atto 8: quais os pontos fortes e fracos do SUV híbrido mais caro da marca; veja o teste Marca chinesa foca em conforto e uma pitada de luxo para atrair o comprador que já olhava para Volvo, BMW e Audi como carro para a família. Por André Fogaça, g1 — São Paulo

Por R$ 399.990, a montadora quer ganhar espaço no mercado de híbridos — hoje tem cerca de 30% do market share — ao trazer ao país uma opção de SUV de luxo, equipado até os dentes de tecnologia e com bastante espaço.

O Atto 8 tem 20 centímetros a mais de entre-eixos que o Toyota Hilux SW4, o segundo utilitário de sete lugares mais vendido do Brasil.

Sem a última fileira, o Atto 8 tem 960 litros de porta-malas. É tão grande que um adulto com mais de 1,70 metro consegue até se deitar no assoalho acarpetado.

O primeiro contato do g1 com o carro foi bastante limitado e permitiu apenas destacar os pontos mais chamativos.

Apresentado no Salão do Automóvel de 2025, o BYD Atto 8 será o híbrido mais caro e mais completo do portfólio da marca no Brasil. Só perde em preço para o Tan porque não é 100% elétrico.

Por R$ 399.990, a montadora quer ganhar espaço no mercado de híbridos — hoje tem cerca de 30% do market share — ao trazer ao país uma opção de SUV de luxo, equipado até os dentes de tecnologia e com bastante espaço.

Nesta semana, a marca mostrou o modelo em detalhes e permitiu uma breve experiência ao volante, para que jornalistas pudessem conhecer os principais atributos do lançamento.

De início, o espaço é um dos pontos fortes. O Atto 8 tem 20 centímetros a mais de entre-eixos que o Toyota Hilux SW4, o segundo utilitário de sete lugares mais vendido do Brasil. Na prática, um motorista de 1,90 metro deixaria os passageiros da segunda fileira muito confortáveis.

A terceira fileira, claro, não acompanha esse grau de conforto. Acessar os assentos do fundo não foi fácil, mesmo para uma pessoa de 1,65 metro. Ao menos há apoio de braço e saída de ar-condicionado. Os passageiros dali vão no aperto, mas não passam calor.

A BYD faz o máximo para dar conforto aos viajantes. Há controle de zona para as saídas de ar-condicionado nas fileiras traseiras. O ajuste é feito em uma tela que reúne temperatura, direção do fluxo, intensidade do ar e a opção de deixar tudo no modo automático, para que o carro ajuste o sistema até atingir a temperatura desejada.

O couro se mostrou macio e quem viaja na segunda fileira de bancos ainda conta com mimos extras nada comuns em carros deste preço: ventilação, aquecimento e massagem que estão presentes também para o motorista e o passageiro ao lado.

Sem a última fileira, o Atto 8 tem 960 litros de porta-malas. É tão grande que um adulto com mais de 1,70 metro consegue até se deitar no assoalho acarpetado.

As impressões ao volante do SUV serão analisadas com mais profundidade no futuro. O primeiro contato do g1 com o carro foi bastante limitado e permitiu apenas destacar os pontos mais chamativos.

O primeiro deles é o desempenho, que vai bem: os 488 cv de potência combinada, com torque imediato do híbrido, são suficientes para não deixar o gigante de 2.650 kg parecer lento.

Não foi possível avaliar a aceleração de 0 a 100 km/h, mas a marca promete que o Atto 8 cumpre a prova em 4,9 segundos — um número que não desaponta e é o mesmo de um Porsche 718 Cayman. Fica claro que o conjunto é mais do que suficiente para uso urbano e rodoviário, em qualquer situação.

Durante o percurso, não houve nenhuma situação em que o Atto 8 desse a entender que faltaria força, até mesmo em pisos sem asfalto, já que o Atto 8 tem tração integral. Ela vem dos dois motores elétricos, um em cada eixo trabalhando junto do a combustão.

Inclusive, um ponto relevante no teste ao volante foi o acerto da suspensão, que não lembra em nada os primeiros modelos da BYD vendidos no Brasil.

O Atto 8 é mais firme, mas sem deixar de absorver as irregularidades do asfalto. O teste ter ocorrido apenas na cidade ajudou a perceber que os amortecedores não têm o estilo “joão-bobo” de antes — um molejo confortável, mas pouco seguro em velocidades mais altas.

Outro ponto que ficou evidente foi a capacidade de rodar no modo 100% elétrico. A bateria é de 35,6 kWh, a maior de um híbrido da BYD. Segundo o Inmetro, o Atto 8 percorre 111 km com apenas uma carga.

Não é, porém, o híbrido com maior alcance para as baterias. Essa posição é ocupada pelo GWM Wey 07, com 128 km de autonomia.

O painel de instrumentos é um dos mais completos e organizados já vistos em um BYD. Os comandos estavam bem distribuídos, sem exageros ou dados duplicados: velocidade, potência consumida, música tocando e até o mapa com a rota traçada.

A tela não parecia poluída mesmo quando a imagem da câmera lateral aparecia com a seta acionada. É um recurso interessante, mas não exatamente inovador.

Mesmo assim, agradou. O que incomodou, quando ao volante, foi a quantidade de alertas sonoros emitidos pelo carro. Era quase uma sinfonia de avisos, que chegava a atrapalhar a música que tocava.

Um estudo da McKinsey, publicado em 2025, mostra que apenas 37% dos clientes de marcas de luxo se consideram leais a uma marca. Dos entrevistados, 35% afirmaram que considerariam mudar de marca e 28% disseram que provavelmente fariam isso já na próxima compra.

A aposta da BYD para o Atto 8 é olhar para esse cliente em dúvida. O desejo da BYD é que profissionais bem-sucedidos e suas famílias tirem o olho de carros tradicionais da garagem dos endinheirados, como:

Volvo XC60: a partir de R$ 459.950;Audi Q5: a partir de R$ 424.990;Lexus NX 450h+: a partir de R$ 480.990;BMW X2: a partir de R$ 410.950.

Em comum, todos são SUVs de marcas premium ou de luxo, voltados a clientes que valorizam acabamento, tecnologia e conforto, mas sem a opção de sete lugares.

Preço, mais espaço interno, potência e mais tecnologia fazem parte da estratégia da BYD para compensar a falta de outro item importante desta lista: o logo que estampa a frente, traseira e a chave do carro. A aposta da BYD é quem está aberto ao teste, e o Atto 8 serve para impressionar.

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Guerra no Irã: petróleo sobe quase 30% na semana por conflito no Oriente Médio

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/03/2026 00:58

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%Oferecido por

A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma alta de quase 30% nos preços do petróleo nos mercados internacionais nesta semana.

A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — elevou as preocupações com o abastecimento global e pressionou as cotações.

O barril do Brent encerrou esta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, alta superior a 8% em relação ao dia anterior e de 27,88% no acumulado da semana. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 90,90, avanço de mais de 12% no dia e de 35,63% na semana.

Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20, e desde o início do ano o aumento já supera US$ 30.

Especialistas avaliam que a valorização reflete a combinação entre risco geopolítico elevado e impactos concretos no fluxo de energia.

A tensão aumentou ainda mais nesta semana, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a exigir a “rendição incondicional" do Irã.

O país é um dos principais produtores globais de petróleo e o conflito acabou afetando diretamente a navegação no Golfo Pérsico.

Segundo empresas que monitoram rotas marítimas, o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra.

Cerca de 300 embarcações estão paradas na região aguardando condições de segurança para seguir viagem.

O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu após fracassarem tentativas diplomáticas em Washington para interromper os ataques americanos.

No mesmo período, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos.

Sistemas de defesa aérea da Otan também interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia.

Diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, alguns países produtores já começaram a reduzir suas atividades.

O Iraque diminuiu sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, em meio a dificuldades de armazenamento e exportação.

Especialistas alertam que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado internacional em poucos dias.

A China pediu que suas principais refinarias suspendam exportações de diesel e gasolina, enquanto os EUA autorizaram temporariamente o fornecimento de petróleo russo à Índia, apesar das sanções vigentes.

O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações após ataques a instalações energéticas. Fontes do setor indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal.

Para tentar reduzir os riscos à navegação, o governo americano afirmou que a Marinha dos EUA poderá escoltar navios mercantes que tentarem atravessar o Estreito de Ormuz, embora analistas avaliem que o fluxo dificilmente voltará ao nível anterior ao início da guerra no curto prazo.

Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, a interrupção na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia e gerar impactos em diversos setores.

“O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de US$ 65 para US$ 90 nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil”, explica.

De acordo com ele, o primeiro efeito costuma aparecer nos combustíveis, já que o país utiliza referências internacionais para definir preços, mesmo sendo produtor de petróleo.

“O diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final”, afirma.

Tonegutti acrescenta que o encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e pode chegar ao bolso dos consumidores em poucas semanas.

Segundo ele, a evolução do conflito será determinante para o comportamento das cotações. Caso a tensão diminua, os preços podem recuar.

Por outro lado, se a crise persistir na região, alguns analistas já projetam que o barril de petróleo pode se aproximar da marca de US$ 100.

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Petróleo sobe quase 30% na semana por guerra no Oriente Médio

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 06/03/2026 19:09

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%Oferecido por

Os preços do petróleo dispararam cerca de 30% nesta semana, para níveis sem precedentes desde 2023, num contexto em que o conflito no Oriente Médio paralisa boa parte dos fluxos de hidrocarbonetos provenientes do Golfo Pérsico.

O barril de Brent do Mar do Norte fechou nesta sexta-feira (6) em 92,69 dólares, o que representa um aumento de mais de 8% em relação à quinta-feira e de 27,88% na semana.

Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI), encerrou em 90,90 dólares, uma alta de mais de 12% na sessão e de 35,63% na semana.

Em poucas sessões, os preços encareceram mais de 20 dólares por barril. Desde o início do ano, o aumento supera os 30 dólares.

"Já vi esse tipo de situação antes, mas essa está começando a adquirir proporções dramáticas", comenta à AFP Ole R. Hvalbye, analista do SEB.

"Preocupam-me muito as consequências de longo prazo", em particular a eclosão de uma recessão econômica, acrescenta.

O aumento das cotações acelerou-se ainda mais nesta sexta-feira após declarações do presidente americano, Donald Trump, que exige uma "capitulação" do Irã.

O país é um importante produtor de petróleo. Mas o conflito teve sobretudo como consequência paralisar o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% da produção mundial do óleo bruto.

"O mercado está passando de uma avaliação puramente geopolítica dos riscos a levar em conta perturbações operacionais tangíveis", destacam em nota os economistas do JPMorgan.

"A cada dia em que o Estreito de Ormuz permanece fechado, o mercado petrolífero fica mais tenso", explicou à AFP Giovanni Staunovo, analista do UBS.

"O Iraque já diminuiu seu fornecimento em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, e o Kuwait parece estar atingindo seus limites de armazenamento e, na prática, fechando a maior parte de sua capacidade de refino destinada à exportação", segundo os especialistas do JPMorgan.

Para prevenir a escassez, a China pediu às suas principais refinarias que suspendam suas exportações de diesel e gasolina, de acordo com a agência Bloomberg.

E na quinta-feira o governo dos Estados Unidos autorizou, por um mês, o fornecimento à Índia de petróleo russo submetido a sanções, enquanto o conflito no Oriente Médio afeta diretamente o abastecimento de Nova Délhi.

A Marinha americana escoltará os navios mercantes que tentarem cruzar o Estreito de Ormuz "assim que for razoável", assegurou nesta sexta o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright.

"Isso pode facilitar a retomada do tráfego, mas não ao nível de antes da guerra", alertam os analistas da Eurasia Group.

Segundo Jason Gabelman, da TD Cowen, a reação do mercado tem sido até agora "moderada" graças a "estoques saudáveis" que "poderiam cobrir até um mês de fechamento" do Ormuz.

Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. — Foto: SAHAR AL ATTAR / AFP

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Empreendedora transforma saberes do próprio território em oportunidade de negócio

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 06/03/2026 19:09

Empreenda com Sebrae Especial Publicitário Empreendedora transforma saberes do próprio território em oportunidade de negócio Aparecida Ayres, do litoral fluminense, mostra como o desenvolvimento de um negócio pode nascer da terra, das águas e das relações locais. Por Sebrae

Aparecida Ayres une empreendedorismo e natureza, gerando impacto econômico, social e cultural — Foto: divulgação

Águas calmas, natureza preservada e história em cada canto. Assim é Paraty (RJ), a cidade de Aparecida Ayres, empreendedora da tradicional comunidade caiçara, de 47 anos. À frente do Rancho Ayres, restaurante e centro de turismo pedagógico e hospitalidade na Praia de São Gonçalo, ela carrega com a família mais de 150 anos de ancestralidade no litoral fluminense. Foi nesse território, ou melhor, maretório, que Aparecida encontrou uma estratégia de inovação e de defesa do local contra a especulação imobiliária: as algas.

Aliás, muito antes de virarem negócio, as algas já eram usadas como adubo nas hortas do Rancho, no cuidado com as árvores frutíferas e na hora de mariscar, ajudando a acalmar e a distrair os caranguejos goiás. Saberes passados da mãe, Tânia, para a filha. A virada veio mesmo em 2021, a partir de um curso de algicultura e desenvolvimento territorial sustentável oferecido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que Aparecida e mais membros da sua família realizaram.

“Aprendemos desde a visão global do mercado de algas até os detalhes técnicos da produção. Mas o mais valioso foi entender como conectar nosso trabalho artesanal às metas da Agenda 2030 e compreender que o beneficiamento da alga no nosso território é uma estratégia de conservação da biodiversidade e de combate à crise climática”, conta Aparecida.

A formação apresentou a Aparecida novas possibilidades de uso das algas e uma nova espécie, a macroalga Kappaphycus alvarezii. Da união entre o saber herdado e os novos conhecimentos nasceu o Algas na Mesa Paraty, braço de inovação do Rancho Ayres voltado à gastronomia sustentável, que ensina as receitas às mulheres caiçaras e fortalece o desenvolvimento do território.

Cultivada em fazendas no mar, a macroalga passou a integrar cosméticos, como sabonetes e cremes corporais, além de bebidas, doces e salgados. Entre os pratos estão: águas e cachaças infusionadas, brownies e geleias doces e salgadas, antepastos, macarrão com vinagrete, moqueca… Mas um dos pratos se destaca: o tempuralgas. “Tive a ideia ao observar as barracas japonesas da Festa do Divino de Paraty, que são as mais disputadas, com filas enormes para o yakisoba e o tempurá. Eu pensei que precisávamos ter o nosso próprio tempurá, mas com a nossa identidade e o nosso cultivo”, lembra Aparecida.

Com o projeto já em movimento, o apoio à gestão e ao cooperativismo foi fundamental para estruturar o Algas na Mesa Paraty como negócio. Com o apoio do Sebrae, ela passou a organizar a microempresa com foco no comércio justo e na valorização das pessoas que fazem parte do processo. Oficinas de precificação, conservação de alimentos e inovação no mercado ajudaram a dar base ao crescimento e potencializar o que já existia.

Aparecida também participou da oficina de atendimento ao cliente na praia, oferecida pelo Sebrae. “Nós não recebemos apenas clientes, recebemos pessoas”, resume Aparecida. O contato é olho no olho, conduzido pela família, com troca de histórias e escuta para entender o que cada visitante procura. Para quem empreende, independentemente do território, a dica é clara: atender bem faz toda a diferença. Se você também quer elevar seu serviço e valorizar sua região, conheça o curso de Atendimento ao Cliente do Sebrae.

“O Sebrae me deu as ferramentas para organizar o negócio e entender que a qualidade no atendimento e na gestão é o que sustenta a nossa resistência. Aprendi que, ao cuidar da parte administrativa e do relacionamento com o cliente, eu estou fortalecendo a nossa capacidade de permanecer e prosperar no mar”, conclui Aparecida.

Os resultados logo apareceram. Antes da algicultura, o Rancho Ayres faturava cerca de R$ 6 mil por mês; com a inovação das algas, o valor saltou para R$ 36 mil. Hoje, o negócio sustenta uma equipe de oito pessoas na Praia de São Gonçalo. Além das experiências gastronômicas e de turismo, o trabalho de Aparecida ganhou alcance nacional e internacional por meio de palestras, consultorias e parcerias que levam a culinária algácea para fora do Brasil.

Esse impacto rendeu à empreendedora a indicação ao Prêmio Internacional de Alimentos de Niigata, no Japão; a vitória no Prêmio Mulheres das Águas, na categoria Aquicultura Marinha, concedido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura; e a participação como palestrante na COP30. O trabalho também chamou a atenção de autoridades e jornais internacionais. Essa trajetória de sucesso de Aparecida é um exemplo vivo da força dos Territórios Empreendedores, em que o lugar onde se vive deixa de ser apenas um endereço e passa a ser o maior ativo estratégico de um negócio.

Tempuralgas é a estrela, mas muitas delícias fazem parte da culinária algácea em Paraty — Foto: divulgação

A ideia parte de um princípio simples: o sucesso de um negócio não depende só do que acontece dentro da empresa, mas também do ambiente ao redor. “Por isso, o Sebrae criou os Territórios Empreendedores, uma estratégia para fortalecer o ambiente de negócios e organizar o desenvolvimento territorial a partir das potencialidades de cada região”, explica Janaina Lopes Pereira Peres, coordenadora do núcleo de Territórios e Lideranças do Sebrae Nacional.

Na prática, essa atuação conecta poder público, setor privado e sociedade civil em torno de uma agenda coletiva. “Não se trata de uma fórmula mágica, mas de um processo colaborativo que melhora as condições para empreender”, afirma Janaina. Quando o território passa a ser visto como ativo estratégico, o empreendedor faz parcerias, atua em comunidade, fica mais bem informado e amplia as chances de crescer de forma sustentável.

“Ao entender melhor o território onde atua, o empreendedor deixa de competir apenas por preço e passa a contribuir com a construção de identidade, conexão com a economia local e a capacidade de atender demandas da região. Com o tempo, sua postura também muda de reativa para estratégica”, enfatiza a especialista.

Hoje, o Brasil conta com 115 Territórios Empreendedores, que reúnem mais de 1.300 municípios e mobilizam cerca de 5.000 lideranças locais. “Um dos principais ativos dessa abordagem é a formação e a qualificação dessas lideranças e a capacidade de transformar planejamento em ação: já são mais de 80 Agendas de Desenvolvimento em execução, com impactos concretos em áreas que vão da economia criativa à regularização fundiária”, ressalta Janaina. Muitos líderes se organizam a partir de vocações já conhecidas, como turismo e agronegócio, mas há um movimento crescente de inovação em áreas como economia azul (como é o caso de Aparecida), turismo regenerativo, biocombustíveis e tecnologia aplicada à produção local.

Segundo a coordenadora, a principal virada acontece quando o empreendedor deixa o isolamento. “Empreender sozinho limita o acesso a recursos, contatos e oportunidades. Em um território estruturado, o empresário passa a integrar uma rede de cooperação que amplia mercados, reduz riscos e acelera aprendizados”, diz. Esse modelo também torna as economias locais mais resilientes, já que incentiva a diversificação de atividades e reduz a dependência de uma única fonte de renda.

Para quem quer saber se sua cidade faz parte dessa estratégia, como se aproximar ou criar um Território Empreendedor em sua região, o Sebrae disponibiliza informações nas unidades locais da instituição e no portal oficial. Acesse aqui.

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