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El Niño: governo prevê gastar até R$ 1,3 bilhão para enfrentar secas, chuvas intensas e incêndios

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 13:51

Política El Niño: governo prevê gastar até R$ 1,3 bilhão para enfrentar secas, chuvas intensas e incêndios Segundo o Palácio do Planalto, a previsão é de que o fenômeno climático será 'muito forte' neste ano. Lula realizou reunião ministerial nesta quarta-feira para tratar do tema. Por Kellen Barreto, g1 — Brasília

O governo informou nesta quarta-feira (29) que prevê investir até R$ 1,3 bilhão em ações para enfrentar os impactos negativos do El Niño no Brasil, como, por exemplo, secas extremas, chuvas intensas e incêndios.

🔎O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos podem afetar a agricultura, os recursos hídricos e aumentar a ocorrência de eventos extremos.

A informação foi divulgada durante reunião ministerial conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"O Brasil está preparado e pedindo a Deus que não aconteça. Se não acontecer, vamos ter melhor produção agrícola, energia, água, não queremos que aconteça. Nao está no nosso controle e nos preparamos", afirmou Lula.

O petista também defendeu a realização de reuniões com prefeitos para que a resposta aos possíveis impactos do fenômeno climático seja conjunta. "A chance de evitar desgraça é maior porque o prefeito esta no território", disse o presidente.

🔎Previsões das principais agências de meteorologia do mundo, confirmadas por agências brasileiras, preveem um El Niño muito forte neste ano, com elevação acima de dois graus na temperatura do Oceano Pacífico.

O plano de ação do governo envolve 24 ministérios, além de institutos de monitoramento e pesquisa, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Os recursos serão destinados a ações de abastecimento de alimentos, saúde, monitoramento hidrológico e fiscalização ambiental.

compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz;reforço do combate a incêndios florestais;aquisição de 350 mil cestas básicas;Programa de Aquisição de Alimentos para agricultores da região Norte;criação de um Centro de Informação em Saúde e Clima pelo SUS;monitoramento do nível dos rios.

Lula realizou uma reunião ministerial para tratar de medidas de enfrentamento ao El Niño — Foto: Reprodução/YouTube

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Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 12:56

Trabalho e Carreira Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral Após acordo com o Ministério Público do Trabalho, influenciadores retirarão do ar conteúdos considerados humilhantes para empregados domésticos e terão de cumprir uma série de obrigações previstas no TAC. Por Redação g1 — São Paulo

Os influenciadores Viih Tube e Eliezer firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e se comprometeram a encerrar o reality show "As Patroas", protagonizado por empregados domésticos do casal e exibido nas redes sociais.

Como parte do acordo, eles também pagarão R$ 350 mil por dano moral coletivo e retirarão do ar, em até 48 horas, os conteúdos considerados irregulares.

O programa colocava 11 funcionários da residência para disputar provas em troca de prêmios, como dinheiro e redução da jornada de trabalho. Em uma das dinâmicas, os participantes precisavam procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras.

O MPT abriu investigação para apurar se o reality violava direitos trabalhistas ao expor publicamente os empregados e utilizar sua imagem com finalidade comercial. Os influenciadores participaram de uma audiência no início de julho, em Barueri (SP), onde foi firmado o acordo.

Segundo a procuradora do Trabalho Patrícia Mauad Patruni Isotton, o TAC representa uma oportunidade de conscientização sobre os direitos dos empregados domésticos.

"O acordo é resultado do diálogo entre o Ministério Público do Trabalho e os influenciadores, que demonstraram compreender a gravidade da situação e se comprometeram a reparar os danos causados. Mais do que encerrar o caso, esse é um momento de conscientização, inclusive para o público", afirmou.

Pelo acordo, Viih Tube e Eliezer se comprometem a não produzir nem divulgar conteúdos que exponham empregados domésticos ou outros trabalhadores a situações humilhantes ou vexatórias, ainda que haja consentimento dos participantes.

Também fica proibido exigir ou incentivar a participação de funcionários em realities ou produções semelhantes.

Caso algum trabalhador participe de futuros conteúdos audiovisuais, a adesão deverá ser totalmente voluntária, formalizada por escrito e sem qualquer prejuízo para quem optar por não participar.

O TAC também proíbe qualquer forma de retaliação contra empregados que recusarem convites ou denunciarem irregularidades.

Além da indenização, os influenciadores terão de publicar três vídeos educativos sobre os direitos dos empregados domésticos em suas redes sociais.

Em caso de descumprimento das obrigações previstas no acordo, a multa será de R$ 50 mil por cláusula violada, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.

"Esse é o reality, literalmente, da nossa casa." Foi assim que Viih Tube anunciou, nas redes sociais, o reality "As Patroas", programa em que 11 funcionários da influenciadora e ex-BBB e de seu marido, Eliezer, disputariam um prêmio de R$ 20 mil.

O primeiro episódio foi publicado no dia 30 de junho, no canal da influenciadora no YouTube e nas redes sociais do casal. Menos de 24 horas depois, o conteúdo foi retirado do ar no Youtube após uma série de críticas relacionadas à exposição da relação entre empregadores e empregados.

Embora tenha sido removido do YouTube, o conteúdo continua disponível no Instagram e no TikTok. Alguns dias depois, no dia 2 de julho, Viih Tube e Eliezer publicaram o segundo episódio do reality, que aborda temas como a precarização do trabalho e a escala 6×1.

A repercussão do reality levantou uma discussão sobre os limites legais quando a relação de trabalho se transforma em entretenimento.

Afinal, até onde um empregador pode expor seus funcionários? É possível exigir a participação? Um termo de uso de imagem é suficiente? E se o trabalhador desistir das gravações?

Para a advogada trabalhista Paula Borges, especialista em Direito do Trabalho do Ferraz dos Passos Advocacia e Consultoria, o caso envolve duas relações distintas: o contrato de trabalho e a participação em um produto de entretenimento.

Segundo ela, o vínculo empregatício, por si só, não autoriza a exploração comercial da imagem do trabalhador.Termo de imagem não basta

De acordo com a especialista, um simples termo de autorização de uso de imagem não é suficiente para viabilizar esse tipo de iniciativa.

Segundo ela, seria necessário um contrato específico, separado do vínculo empregatício, prevendo a participação no reality, remuneração pelo uso da imagem, consentimento livre e informado do trabalhador e o cumprimento das regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Além disso, a participação deve ser efetivamente voluntária. "A atividade não faz parte das funções para as quais o trabalhador foi contratado. Por isso, a recusa não pode gerar punições, perda de benefícios ou até uma demissão. Qualquer consequência negativa na relação de emprego é ilegal", afirma.

De acordo com a especialista, um simples termo de autorização de uso de imagem não é suficiente para viabilizar esse tipo de iniciativa.

Segundo ela, seria necessário um contrato específico, separado do vínculo empregatício, prevendo a participação no reality, remuneração pelo uso da imagem, consentimento livre e informado do trabalhador e o cumprimento das regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Além disso, a participação deve ser efetivamente voluntária. "A atividade não faz parte das funções para as quais o trabalhador foi contratado. Por isso, a recusa não pode gerar punições, perda de benefícios ou até uma demissão. Qualquer consequência negativa na relação de emprego é ilegal", afirma.

Na avaliação da advogada, esse é justamente um dos pontos mais delicados do caso. "Na relação de trabalho, o funcionário pode sentir que precisa aceitar o convite por medo de desagradar o empregador ou sofrer alguma consequência, mesmo que ninguém faça uma ameaça direta. Por isso, a decisão de participar precisa ser realmente livre e sem qualquer tipo de pressão", completa.

Paula Borges afirma que o trabalhador pode desistir da participação a qualquer momento, já que o direito à imagem é um direito da personalidade e sua autorização pode ser revogada. Ela acrescenta que, caso o conteúdo exponha o funcionário a situações humilhantes ou constrangedoras, o empregador poderá responder judicialmente.

"A Justiça do Trabalho já possui entendimento consolidado de que obrigar empregados a participar de vídeos, brincadeiras ou situações potencialmente vexatórias extrapola os limites do poder diretivo do empregador e pode gerar indenização por danos morais", afirma.

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Democratas pedem investigação sobre plano da Trump Media de vender acesso antecipado a posts de Trump

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 12:56

Tecnologia Democratas pedem investigação sobre plano da Trump Media de vender acesso antecipado a posts de Trump Senadores Elizabeth Warren e Adam Schiff acionaram a SEC após empresa anunciar serviço pago que promete acesso mais rápido às publicações do presidente dos EUA na Truth Social. Por Reuters

Donald Trump, presidente dos EUA, segura cópia impressa de uma de suas publicações na Truth Social, em 8 de julho de 2026 — Foto: AFP/Saul Loeb

Os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff solicitaram à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, que investigue se o plano da Trump Media de vender acesso antecipado às publicações do presidente Donald Trump nas redes sociais viola a legislação.

O pedido consta em uma carta obtida pela Reuters. A Trump Media é a controladora da Truth Social, rede social criada por Trump.

Neste mês, a empresa anunciou um serviço de dados pago, chamado Truth API, que dará a corretoras acesso mais rápido às publicações das dez contas mais influentes da plataforma, entre elas a do presidente norte-americano.

A carta enviada pelos senadores nesta terça-feira aumenta a pressão sobre o novo produto e também sobre eventuais empresas de Wall Street que tenham adquirido o serviço. Na avaliação de fontes do mercado ouvidas pela Reuters, a iniciativa pode ampliar riscos legais, políticos e regulatórios.

"Isso parece ser um abuso escandaloso do cargo de presidente para benefício pessoal, que prejudica os investidores comuns e a integridade dos mercados, ao mesmo tempo em que enriquece Wall Street e outros participantes privilegiados e abastados", escreveram Warren e Schiff em carta dirigida ao presidente da SEC, Paul Atkins.

Um porta-voz da SEC e o próprio Atkins — um republicano defensor do livre mercado indicado por Trump e que, em geral, tem adotado uma postura mais branda na fiscalização do mercado — confirmaram o recebimento da carta, mas se recusaram a comentar o assunto.

A Casa Branca encaminhou os pedidos de comentário à Trump Media, que não respondeu até o momento.

Segundo reportagens da Reuters e de outros veículos, a Trump Media discutiu cobrar até US$ 100 mil por mês pelo acesso ao Truth API.

As publicações de Trump nas redes sociais já provocaram oscilações no mercado financeiro, e a velocidade para acessar esse tipo de informação pode representar vantagem para corretoras, fundos de hedge e outras empresas que negociam ativos com base em notícias.

Trump, que controla cerca de 41% da Trump Media por meio de um fundo administrado por seus filhos, poderá ser beneficiado financeiramente pelo novo modelo de negócios. A empresa informou que já fechou contratos com clientes antes do lançamento oficial do serviço, previsto para 1º de agosto, mas não revelou os nomes dos compradores.

Na avaliação de Warren e Schiff, o Truth API é mais um exemplo da mistura entre os interesses empresariais de Trump e suas funções como presidente, levantando questionamentos éticos. Eles lembram que, no mês passado, Trump informou ter recebido mais de US$ 1,4 bilhão no último ano com os projetos de criptomoedas de sua família.

Embora empresas de tecnologia normalmente possam vender acesso antecipado a dados para clientes, mesmo que isso beneficie alguns participantes do mercado, especialistas em ética afirmam que o caso do Truth API é diferente. Isso porque as publicações de Trump podem conter informações de interesse público relacionadas ao exercício da Presidência, o que, segundo eles, exigiria divulgação ampla e simultânea.

Os senadores também destacaram que Trump já utilizou a Truth Social para recomendar ações de empresas como Citigroup, Intel e Palantir. Na avaliação deles, a comercialização de acesso antecipado a essas publicações pode aumentar o risco de uso de informação privilegiada e comprometer a confiança dos investidores na igualdade de condições do mercado.

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Brasil e Argentina já estiveram em guerra?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 11:52

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1350,25%Dólar TurismoR$ 5,3340,16%Euro ComercialR$ 5,8490,28%Euro TurismoR$ 6,0870,16%B3Ibovespa175.270 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,1350,25%Dólar TurismoR$ 5,3340,16%Euro ComercialR$ 5,8490,28%Euro TurismoR$ 6,0870,16%B3Ibovespa175.270 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,1350,25%Dólar TurismoR$ 5,3340,16%Euro ComercialR$ 5,8490,28%Euro TurismoR$ 6,0870,16%B3Ibovespa175.270 pts-0,73%Oferecido por

Caçadores brasileiros repelindo a cavalaria argentina na Batalha de Passo do Rosário, em tela de José Washt Rodrigues de 1937 — Foto: Domínio público

A rivalidade entre brasileiros e argentinos é recheada de episódios que transcendem as piadas, as provocações de parte a parte e o mundo do futebol.

Muito antes das rusgas provocadas por declarações públicas do atual presidente de direita radical Javier Milei, os dois mais importantes países sul-americanos já lutaram em lados opostos em duas guerras, viveram tensões por conta de fronteiras e um século 20 de constantes estranhamentos e atritos — praticamente uma longa guerra fria, só plena e oficialmente pacificada com a assinatura do tratado que criaria o Mercosul, em 1991.

"Conflitos entre Brasil e Argentina remetem ao período em que ambos os países ainda não eram nações, quando portugueses e espanhóis, colonos, bandeirantes, jesuítas e povos originários, já conflitavam acerca de interesses principalmente na região da Bacia do Prata", lembra o historiador Victor Missiato, pesquisador no Instituto Mackenzie.

"Brasil e Argentina já estiveram em guerra, e foram duas", afirma o historiador Fábio Ferreira, professor na Universidade Federal Fluminense (UFF) e criador do canal no YouTube e da revista Tema Livre.

Mas ele faz uma ressalva importante: na época, a Argentina ainda não era um Estado nacional constituído como hoje — e o Brasil era um império.

A primeira guerra de fato entre os dois países remonta a uma época em que o Brasil era um império recém-independente de Portugal e a Argentina ainda não havia se organizado em um Estado federativo — vivia uma longa guerra civil, concluída apenas em 1861 em consequência da sua independência da Espanha. Desta forma, oficialmente a contenda foi protagonizada pelo Império do Brasil contra as Províncias Unidas do Rio da Prata.

Embarque da Divisão de Voluntários Reais para a Cisplatina em 1816, em tela de Debret feita em1825 — Foto: Domínio público

Esta pioneira disputa bélica entre Brasil e Argentina foi a Guerra da Cisplatina. Historiadores argentinos, aliás, costumam chamar o episódio de Guerra do Brasil ou de Guerra Argentino-Brasileira. O episódio ocorreu entre 1825 e 1828. Em disputa, estava o controle da Província Cisplatina, território hoje correspondente em grande parte ao Uruguai.

Em linhas gerais, a raiz da questão está no fato de que a Cisplatina havia sido incorporada pelo então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1821.

"A região estava em processo de intensa guerra civil desde 1810", diz Ferreira. O governo português havia conquistado a região porque se preocupava tanto com a navegação nos rios de lá quanto com a "própria integridade territorial" do Brasil, pontua o historiador. Os portugueses se aliaram com elites locais e puseram um governador em Montevidéu.

"Com a Independência do Brasil, houve uma divisão: para onde iria a Cisplatina", conta Ferreira. "Diversos grupos não queriam a manutenção do vínculo com o Império do Brasil."

Mas a anexação da região se manteve depois da independência brasileira de Portugal. Em 1825, contudo, uma insurreição sulista, organizada por um grupo chamado de Trinta e Três Orientais, proclamou a separação da província.

Ferreira explica que houve apoio do governo de Buenos Aires e campanhas militares buscando essa desvinculação do império brasileiro. Depois de apenas observar por um tempo, o imperador Pedro 1º (1798-1834) declarou guerra aos argentinos.

Passagem do Tonelero durante a Guerra do Prata (1851-52), em tela de Eduardo de Martino feita em 1880 — Foto: Domínio público

Pesquisador do período imperial brasileiro e autor de livros sobre personagens dessa época, o youtuber Paulo Rezzutti acredita que "a rivalidade histórica entre Espanha e Portugal" pelo controle do Rio da Prata acabou sendo herdada pelos países sul-americanos — e isso incensou o início do conflito cisplatino. "É a mesma rivalidade geopolítica histórica que acabou sendo incorporada pelas populações em geral", comenta ele.

Houve batalhas terrestres e operações navais no Atlântico Sul e no estuário platino. O desfecho veio com a interferência britânica — os ingleses tinham interesses comerciais no equilíbrio de poder regional. O resultado foi a criação de um novo país, o Uruguai.

"O acordo de paz, em 1828, criou o que depois se tornaria a República Oriental do Uruguai", diz Ferreira.

"Muitos chamam a solução de 'criação de um país-tampão', justamente para estancar a rivalidade entre Brasil e Argentina pelo controle da região do Prata", comenta Missiato.

Para ele, embora nenhum dos dois países tenha conquistado o território em disputa, a situação foi mais benéfica para a Argentina, que não só afastou o Brasil daquele entorno como passou a ter uma proximidade cultural e linguística maior com o novo país.

A contenda foi desencadeada pela ascensão do oficial militar Juan Manuel de Rosas (1793-1877) como ditador argentino e sua vontade de manter Paraguai e Uruguai sob suas esferas de influência, deixando o Brasil de escanteio — no horizonte de seus planos estava a eventual recriação de uma unidade política regional semelhante ao antigo Vice-Reinado da Prata.

Sob o pretexto de que isso feria a soberania do império, já que tais planos incluiriam terras da então província do Rio Grande do Sul, a corte do Rio de Janeiro declarou guerra. Formou-se uma aliança com Uruguai, Paraguai e forças argentinas contrárias ao ditador.

"Essa aliança pretendia derrubar o governo de Rosas", resume Ferreira. Depois de diversas batalhas, a de Monte Caseros, em 1852, marcou o fim da guerra, com vitória para os aliados contra os argentinos.

"Com isso, o Brasil evitou uma expansão territorial argentina que estava no radar do presidente Rosas", diz Missiato. O ditador deposto conseguiu fugir e exilou-se no Reino Unido, onde passaria o resto da vida.

Na década seguinte, ambos os países estiveram no mesmo time. Era a Guerra do Paraguai, conflito que durou de 1864 a 1870, em que Brasil, Argentina e Uruguai lutaram contra o Paraguai. Missiato lembra, entretanto, que nem tudo foi amizade entre brasileiros e argentinos — "houve conflitos diplomáticos" em diversos momentos entre os países.

O outro grande incidente entre os dois países data de um período em que ambos já eram Estados plenamente constituídos e republicanos.

Ferreira salienta que, se for considerado esse período em que ambas as nações estavam plenamente constituídas, também é possível dizer que Brasil e Argentina nunca estiveram em guerra armada. "Isso não significa que não houve desconfianças múltiplas e interesses conflitantes", ressalta.

Neste terceiro episódio, portanto, o atrito não chegou às armas. Entre 1890 e 1895, Brasil e Argentina empreenderam uma disputa pela posse de parte dos hoje Estados brasileiros de Santa Catarina e Paraná. O episódio ficou conhecido como Questão de Palmas. "Os dois países discordavam quanto aos limites territoriais", contextualiza Ferreira. "As fronteiras ainda estavam indefinidas."

Na realidade, não havia consenso sobre uma extensa área de terras no oeste desses Estados. Argentinos citavam o Tratado de Madri, de 1750, para argumentar que a fronteira seria no curso dos rios Chapecó e Chopim. O Brasil não concordava. Para demarcar posição, o governo imperial de Pedro 2º (1825-1891) mandou fundar ali duas colônias militares em 1882.

Depois da proclamação da República, o então ministro das Relações Exteriores Quintino Bocaiúva (1836-1912) chegou a assinar um acordo que previa a divisão da região entre as duas nações. Mas o documento acabou rechaçado pelo Congresso, que entendia que o diplomata havia extrapolado suas atribuições e cedendo demais ao país vizinho.

O caso foi submetido à arbitragem internacional e o encarregado de decidir foi o então presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland (1837-1908). Para defender os interesses brasileiros, foi nomeado o diplomata e advogado José Paranhos Júnior (1845-1912), o Barão do Rio Branco. "Ele teve papel fundamental para essa conquista", ressalta Missiato.

Rio Branco preparou um amplo arrazoado em seis volumes em torno do argumento de que, a partir do princípio do uti possidetis — ou seja, quem de fato ocupa, tem a posse — aquelas terras deveriam ser consideradas brasileiras. Vitória do Brasil.

Passagem do Tonelero durante a Guerra do Prata (1851-52), em litografia de Alejandro Bernheim e Carlos Penutti — Foto: Domínio público

Ao longo do século 20 a relação entre os dois países também teve episódios de atritos mais intensos. "Mas as coisas ganharam contornos mais burocráticos e diplomáticos", diz Missiato.

"No início do século passado, quando o Brasil empreendeu seu rearmamento naval, houve insatisfação de setores políticos argentinos. Mas isso não significou rompimento nas relações", lembra Ferreira.

Mas quase houve guerra. Conforme conta a historiadora Érica Cristina Alexandre Winand, em sua tese de doutorado defendida em 2010 na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o episódio ocorreu na presidência de Figueroa Alcorta, entre 1906 e 1910, quando foi ministério das Relações Exteriores da Argentina o jurista Estanislao Zeballos (1854-1923) — "declarado antibrasileirista", ressalta ela.

Utilizando-se do jornal do qual havia sido um dos fundadores, o La Prensa, ele patrocinou uma campanha de hostilidades ao Brasil, argumentando que o "ultraprotecionismo" econômico que estaria sendo praticado pelos brasileiros estava "desmoronando a economia" da Argentina.

Em carta do próprio Zeballos, ele admitia que havia sugerido ao governo argentino que formalizasse um pedido de "partilha da esquadra" brasileira e, em caso de negativa ou de não resposta em oito dias, o Rio de Janeiro seria invadido. "Segundo os ministros da Guerra e da Marinha era um ponto estudado e fácil, pela situação indefesa do Brasil", escreveu ele.

O ministro foi forçado a renunciar. "Até o apaziguador Rio Branco estava consciente de que a alternativa à saída de Zeballos era a guerra contra a Argentina", diz a historiadora, na tese.

Durante a Segunda Guerra, quando o Brasil se alinhou ao lado dos Aliados, em 1942, houve animosidades. Os argentinos desconfiavam que o Brasil fosse um títere dos norte-americanos a buscar influências no sul. A Argentina só deixaria a neutralidade na Segunda Guerra em 1944 — também contra o Eixo. "Eles nos viam como espécie de agentes dos Estados Unidos na América do Sul", comenta o historiador Ferreira.

Outro momento de intensas rusgas foi quando o Brasil construía a Usina de Itaipu, de 1975 a 1982. Nos escaninhos dos poderes, circulava o temor de que, em eventual conflito, os brasileiros poderiam abrir as comportas da usina completamente — e isso supostamente inundaria Buenos Aires.

Para o historiador Missiato, foi um momento de tensão diplomática que gerou uma corrida discursiva e tecnológica. Era um período em que ambos os países desenvolviam seus programas nucleares — para fins meramente de utilizar a tecnologia para obtenção de energia elétrica, ressalte-se.

Mas, nessa verdadeira guerra fria entre Brasil e Argentina, não faltavam desconfianças de parte a parte. Diversas tratativas diplomáticas e conversas entre lideranças foram necessárias. Como diz a historiadora Winand, "fazia-se premente ampliar as bases da confiança mútua e da transparência neste campo, a fim de eliminar suspeitas de agressão mútua". Em sua tese, ela classifica a questão nuclear entre os dois países de "sutil".

Ferreira ressalta que as disputas entre Brasil e Argentina também sempre tiveram em seu cerne o desejo de ambos os países de "influenciar os destinos dos vizinhos", assumindo posição de hegemonia no continente sul-americano.

"Tudo parecia resolvido com a redemocratização", afirma Missiato, lembrando que os então presidentes brasileiro José Sarney e argentino Raúl Alfonsín (1927-2009) iniciaram a aproximação que desencadearia no Mercosul na década seguinte.

A amizade entre Brasil e Argentina seria selada em 1991, finalmente. "A rivalidade histórica se diluiu após o tratado", afirma Missiato.

Resta saber se resistirá ao episódio desencadeado pelas farpas do atual presidente argentino. "Menos de 100 anos depois da Questão de Palmas houve a assinatura do Mercosul. Se analisarmos do ponto de vista historiográfico, em um período relativamente curto, passamos a estar unidos", analisa Ferreira. "Que a rivalidade entre Brasil e Argentina se restrinja apenas ao futebol."

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Alerta de alagamentos no RS: saiba se o seguro do seu carro cobre danos causados pela chuva

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Carros Alerta de alagamentos no RS: saiba se o seguro do seu carro cobre danos causados pela chuva Alerta de inundações foi feito para o Rio Grande do Sul; segurados precisam estar atentos ao que diz a apólice para evitar perda de cobertura ou surpresas em caso de sinistro. Por Isabela Bolzani, g1

O CMDEC divulgou um Aviso Hidrometeorológico para inundações de cidades às margens de cinco rios do Rio Grande do Sul para os próximos dias.

O seguro automóvel é um tipo de proteção patrimonial, que pode ser contratada diretamente com uma seguradora, com uma corretora de seguros ou com um corretor registrado na Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Esse produto serve para proteger o carro segurado de eventuais prejuízos que possam acontecer no dia a dia, como uma colisão entre veículos ou casos de roubo, furto ou enchentes.

Existem vários tipos de cobertura que podem ser contratadas em um seguro automóvel. O seguro total (também conhecido pelo setor como seguro compreensivo) é a opção mais completa — e mais cara — oferecida pelo mercado.

É a cobertura contra desastres naturais que costuma indenizar os segurados nos períodos de chuva. Ela pode incluir proteção contra danos causados por enchentes, chuvas de granizo, quedas de árvores ou muros e ventos fortes, por exemplo.

O Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual (CMDEC) divulgou nesta terça-feira (28) um Aviso Hidrometeorológico para inundações de cidades às margens de cinco rios do Rio Grande do Sul para os próximos dias.

Existe a previsão de chuva moderada a forte que, associada às atuais condições dos rios, deve aumentar o risco de alagamentos e transbordamentos.

De acordo com a Defesa Civil, existe o risco de o nível dos rios ultrapassar temporariamente a marca de inundação em municípios localizados ao longo dos rios:

Jacuí, entre Dona Francisca e Cachoeira do Sul;Taquari, entre Encantado e Taquari;Caí, entre São Sebastião do Caí e Montenegro;Sinos, entre Campo Bom e São Leopoldo;Gravataí, entre Gravataí e Cachoeirinha.

O g1 falou com especialistas para entender quais são os direitos do motorista ao acionar o seguro em casos de danos causados pela chuva e desastres naturais.

Para o mercado segurador, o período de chuvas é marcado por um aumento no volume de sinistros (casos em que ocorre um prejuízo ao bem segurado que esteja especificado na apólice) e de indenizações — principalmente no que diz respeito aos seguros de automóveis.

Mas alguns acidentes ou ocorrências podem não estar cobertos pelo seguro. Tudo depende do que o cliente contratou e de como o dano aconteceu.

O seguro automóvel é um tipo de proteção patrimonial, que pode ser contratada diretamente com uma seguradora, com uma corretora de seguros ou com um corretor registrado na Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Esse produto serve para proteger o carro segurado de eventuais prejuízos que possam acontecer no dia a dia, como uma colisão entre veículos ou casos de roubo, furto ou enchentes.

Existem vários tipos de cobertura que podem ser contratadas em um seguro automóvel. O seguro total (também conhecido pelo setor como seguro compreensivo) é a opção mais completa — e mais cara — oferecida pelo mercado.

Colisão (perda total ou parcial);Colisão com seguro contra terceiros;Roubo e furto;Desastres naturais; entre outros.

E é a cobertura contra desastres naturais que costuma indenizar os segurados nos períodos de chuva. Ela pode incluir proteção contra danos causados por enchentes, chuvas de granizo, quedas de árvores ou muros e ventos fortes, por exemplo.

É preciso, no entanto, que o cliente esteja atento na hora da contratação do seguro para ter certeza de quais riscos e danos estão previstos na apólice.

“O mercado segurador cada vez mais tem os chamados produtos de entrada, que eventualmente têm algum tipo de restrição de cobertura, mas ajudam a resolver os problemas mais procurados pelos clientes”, disse o diretor de automóvel da Porto Seguro, Jaime Soares.

“Mas o preço do seguro às vezes fica muito barato exatamente porque vem com restrição de cobertura. Então é fundamental que o consumidor entenda qual oferta está recebendo”, acrescentou.

Os chamados seguros de entrada são produtos mais baratos, que possibilitam a personalização pelo cliente. Nesse caso, o segurado opta por quais coberturas gostaria de ter em seu veículo e paga o preço proporcional.

Os danos que podem ser indenizados pela apólice dependem das coberturas compradas pelo cliente na hora da contratação do seguro.

São chamados de sinistros todos os acidentes ou ocorrências que estejam especificados na apólice. É nesse documento que estão registrados os direitos e obrigações do segurado e da seguradora, bem como as informações do seguro contratado, as coberturas e franquias.

Caso o seu carro fique preso em uma enchente devido às chuvas e sofra algum dano, por exemplo, é preciso que você tenha contratado a cobertura contra desastres naturais para que seu caso seja considerado um sinistro e você possa pedir indenização à seguradora.

Mas, se o seu seguro só cobre casos de colisão entre veículos ou de roubo e furto, você pode ter que arcar com o prejuízo.

O cliente pode avisar a seguradora que houve um sinistro em até um ano da ocorrência. Depois desse prazo, o segurado perde o direito à indenização.

Além disso, há responsabilidade dos clientes em não gerar o chamado agravante de risco. Segundo a vice-presidente da comissão de seguro automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Keila Farias, agravar o risco é aumentar a probabilidade de ocorrência de dano no bem segurado.

“No caso de uma enchente, por exemplo, agravar o risco seria tentar passar com o carro em uma rua que está alagada e impedida para o trânsito”, exemplificou.

Nesses casos, ao tentar passar por uma rua alagada, que esteja com água na metade da altura do pneu para cima, o veículo tende a perder a aderência no asfalto, aumentando o risco de dano. Caso isso aconteça, o segurado corre o risco de ter que arcar com o prejuízo, mesmo tendo contratado a cobertura contra enchentes e inundações.

“Se você tenta passar o carro por uma rua que esteja alagada, primeiro você está colocando em risco sua própria vida. E, se for comprovado [que o cliente tentou passar pela via alagada], a pessoa acaba perdendo a cobertura, já que forçou uma situação [de dano]”, afirmou Soares, da Porto.

O preço desse produto varia conforme a quantidade de coberturas contratadas na apólice – assim, quanto mais coberturas, mais caro tende a ficar o seguro. Além disso, esse custo também pode variar a depender:

da idade e do gênero do condutor;da região em que ele mora e trabalha;do tipo de carro; entre outros condicionantes.

Em abril de 2026, os preços do seguro de automóveis recuaram 2,2% em comparação ao ano anterior. Os números são do Índice de Preços do Seguro de Automóvel (IPSA), elaborado pela TEx, plataforma de inteligência de dados.

A principal maneira de acionar o seguro do carro em caso de sinistro é contatando a seguradora por um de seus canais de comunicação. A forma mais comum é pelo telefone, disponibilizado no site oficial da seguradora ou na apólice.

Algumas seguradoras já fazem toda a comunicação com o cliente, incluindo o acionamento do sinistro, por meio de aplicativos de mensagem.

Nos casos em que o carro fica preso em uma enchente, os especialistas orientam a redobrar a atenção e tentar encontrar um lugar seguro para abrigo.

“A principal orientação é evitar regiões de risco e picos de alagamento”, disse Farias, da Fenseg.

“Mas se foi inevitável e a situação acabou acontecendo, a pessoa precisa tentar sair do carro em segurança, e esperar baixar a água em um lugar seguro. Ele pode até tentar avisar a seguradora na hora, mas dificilmente será possível tirar o carro antes de a água baixar”, completou. “Depois é só esperar o guincho chegar.”

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OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 11:52

Tecnologia OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia A inteligência artificial descontrolada encontrou quatro logins que lhe permitiram acessar diversos serviços online não identificados. Por BBC

A OpenAI, criadora do ChatGPT, revelou que o ataque cibernético realizado por alguns de seus modelos de inteligência artificial mais avançados atingiu mais de uma empresa.

Acreditava-se que a Hugging Face, uma espécie de biblioteca digital de tecnologia muito usada por desenvolvedores, era a única vítima do ataque sem precedentes. Mas a OpenAI agora admitiu que seu bot atacou diversos "serviços disponíveis publicamente".

A IA descontrolada encontrou quatro logins online que lhe permitiram acessar quatro serviços distintos e não identificados.

Enquanto isso, em uma reunião de emergência com centenas de profissionais de segurança cibernética, a Hugging Face descreveu como foi estar do outro lado do primeiro ataque de IA totalmente autônomo do mundo.

A empresa descreveu que a IA operou em velocidade sobre-humana, mas também tomou decisões estranhas e cometeu erros que nenhum hacker humano teria cometido.

A Hugging Face, que funciona como uma loja de aplicativos para ferramentas de IA, afirmou que os agentes hackers trabalharam incansavelmente com milhares de métodos diferentes testados simultaneamente.

A empresa revelou pela primeira vez que havia sido hackeada por alguém usando uma IA autônoma poderosa em 16 de julho e denunciou o caso à polícia.

Quase uma semana depois, a OpenAI admitiu que foi sua IA que escapou de um ambiente fechado e atacou a Hugging Face por conta própria durante um teste.

A IA estava tentando encontrar as respostas para um teste de hacking que havia sido elaborado pela OpenAI e atacou a Hugging Face.

Nesta quarta-feira (29/07), a OpenAI atualizou sua declaração para incluir o detalhe adicional de que o ataque foi além do que se pensava inicialmente.

"Os modelos identificaram e usaram credenciais expostas publicamente em nível de conta em outros serviços disponíveis publicamente. Isso inclui quatro contas em quatro serviços como parte do incidente com a Hugging Face", disse a empresa.

A OpenAI não esclareceu se, com "serviços disponíveis publicamente", estava se referindo a empresas.

Na terça-feira (28), a Cloud Security Alliance (CSA), associação do setor, publicou um relatório baseado em uma reunião de emergência com a Hugging Face realizada na semana anterior — relatório esse que a própria Hugging Face revisou.

"Os agentes seguiram rotas ineficientes e exibiram comportamentos desajeitados que nenhum humano escolheria", escreveu a CSA.

Ainda segundo o relatório, os agentes repetiram ações que já haviam concluído — um sinal de uma IA perdendo o fio da meada e o contexto.

Eles também teriam alucinado com uma série de comandos e textos incoerentes, agido de forma descuidada e não apagado seus rastros adequadamente.

Mas, em meio aos erros e comportamentos estranhos, a Hugging Face alertou que os agentes de IA também fizeram movimentos técnicos brilhantes e foram capazes de se adaptar rapidamente a novos cenários durante o ataque, que durou vários dias.

Foram necessários três dias para que os agentes fossem descobertos dentro da rede de TI da Hugging Face, e os especialistas em IA e segurança cibernética da empresa levaram várias horas para conter e expulsar os invasores — algo com que empresas comuns teriam dificuldades.

A empresa não revelou o custo do ataque, mas afirmou que a equipe trabalhou por muitas horas para reconstruir cerca de um terço de sua infraestrutura.

A Hugging Face foi elogiada por sua transparência ao relatar o ocorrido ao setor de IA e segurança cibernética.

A CSA alertou que o incidente demonstra que os agentes de IA "encontraram um meio" — uma referência à frase "a vida encontra um meio", dita pelo personagem Dr. Ian Malcolm, no filme Jurassic Park, em relação à capacidade da natureza de se adaptar.

"Eles são orientados por objetivos, definem suas próprias submetas, adaptam-se em tempo real para contornar defesas e operam com uma persistência na velocidade de uma máquina que pode sobrepujar operações manuais", diz o relatório.

O oficial de segurança cibernética Ritesh Patel, que participou da reunião de emergência da Hugging Face com cerca de 450 outras pessoas, afirma que o setor está trabalhando arduamente para lidar com a nova ameaça de agentes de IA maliciosos.

"Esta é a realidade dos agentes autônomos movidos por modelos de ponta: eles são implacavelmente persistentes, às vezes extremamente ruidosos e tentarão todos os caminhos possíveis para atingir seu objetivo, o que pode facilmente sobrecarregar as defesas tradicionais", disse ele.

A hacker ética Valentina Palmiotti — mais conhecida como Chompie — analisou o relatório da CSA e afirma que a maneira como os agentes hackeiam pode parecer aleatória, mas é claramente eficaz.

O relatório da CSA cita exemplos anteriores, como o de setembro de 2024, quando um modelo anterior do ChatGPT "escapou" para obter uma resposta necessária para outro teste.

Mas, segundo o documento, o comportamento "descontrolado" "é a norma, não a exceção".

O relatório também alerta os profissionais de segurança cibernética em todo o mundo sobre a necessidade de se adaptarem ao novo normal de enxames de agentes de IA trabalhando rapidamente de maneiras estranhas e desajeitadas, o que pode levar a mais violações de segurança.

O documento ainda instou pessoas que usam ou desenvolvem agentes de IA a serem responsáveis ​​na forma como os controlam, defendendo alguma maneira para que os defensores da segurança cibernética descubram quem é o proprietário final dos agentes, a fim de aumentar a transparência.

Relatórios anteriores sugerem que a OpenAI levou quatro dias para perceber que sua IA havia hackeado a Hugging Face.

A OpenAI afirmou que divulgará em breve as conclusões de sua própria investigação para ajudar as pessoas a aprenderem com o ocorrido.

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Mais de mil profissionais da indústria de IA pedem freio no avanço da tecnologia; temor é perder o controle

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 10:06

Tecnologia Mais de mil profissionais da indústria de IA pedem freio no avanço da tecnologia; temor é perder o controle Documento assinado por mais de mil funcionários das principais empresas de inteligência artificial, entre elas OpenAI, Google DeepMind, Meta e Anthropic, pede que o governo dos EUA ajude a desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados para que sua evolução não supere a capacidade humana de compreendê-los e controlá-los. Por France Presse

Mais de 1.000 funcionários de empresas de Inteligência Artificial assinaram petição pedindo ao governo dos Estados Unidos para ajudar a frear a publicação de modelos avançados de IA.

Entre os signatários estão o CEO da Anthropic, Dario Amodei, o diretor de pesquisas da OpenAI e líderes da DeepMind e da Meta AI.

Recentemente, a OpenAI revelou que dois de seus modelos saíram de seu ambiente de confinamento, se conectaram à internet e invadiram o Hugging Face.

Mais de mil funcionários das principais empresas de Inteligência Artificial, incluindo o CEO da Anthropic, Dario Amodei, assinaram uma petição para que o governo dos Estados Unidos ajude a frear a publicação dos modelos mais avançados de IA.

A petição, com o título "Pacing the frontier", solicita que "o governo dos Estados Unidos apoie um esforço internacional para desenvolver as ferramentas técnicas e de governança necessárias para controlar deliberadamente o ritmo da fronteira do desenvolvimento da IA automatizada".

OpenAI diz que sua IA agiu por conta própria e lançou um ataque cibernético 'sem precedentes'

Entre os signatários estavam o diretor de pesquisas da OpenAI, o líder de estratégia da DeepMind, empresa de IA subsidiária do Google, e o cientista-chefe da Meta AI.

"As empresas líderes em IA no mundo acreditam que podem estar perto de automatizar a pesquisa em IA. É difícil prever exatamente o quanto isto vai acelerar o progresso da IA, mas há um risco real de que a capacidade de desenvolvimento avance além da nossa habilidade de compreender ou controlar os sistemas resultantes", afirma a petição.

➡️Embora Sam Altman, CEO da OpenAI, não tenha assinado a petição, ele afirmou em uma entrevista publicada na terça-feira que os desenvolvedores de modelos de IA terão que frear voluntariamente os rápidos avanços para que a sociedade possa acompanhá-los.

A empresa de Altman, que desenvolveu o ChatGPT, observou recentemente dois de seus modelos executando ciberataques de forma autônoma, contornando os protocolos de segurança concebidos para evitar tais incidentes.

A OpenAI revelou na semana passada que, durante testes recentes, dois modelos saíram de seu ambiente de confinamento, conectaram-se à internet e invadiram o Hugging Face, um repositório de código compartilhado de IA.

"Talvez precisemos controlar o ritmo do desenvolvimento da IA para dar tempo suficiente para que a sociedade se consolide em torno de alguns destes novos níveis de capacidade" declarou Altman no podcast "Invest like the best", publicado na terça-feira.

"Este é o primeiro tipo de incidente de segurança que eu senti de forma muito visceral", declarou sobre o ciberataque. Relembre o caso na matéria abaixo:

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BMW vai cortar milhares de empregos na Alemanha até 2027

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 07:52

Carros BMW vai cortar milhares de empregos na Alemanha até 2027 Programa de demissão voluntária faz parte de plano para reduzir custos em meio à queda dos lucros, demanda fraca na China e desafios do setor automotivo. Por Reuters

A BMW anunciou nesta quarta-feira (29) que cortará milhares de empregos na Alemanha até 2027 por meio de demissão voluntária. A medida visa conter a queda dos lucros.

O programa, negociado com trabalhadores, focará nas áreas de administração e desenvolvimento. Segundo uma fonte, a redução deve atingir cerca de 8 mil postos de trabalho.

Outras marcas alemãs também cortam vagas devido aos custos com elétricos. Na segunda-feira (27), a Porsche anunciou plano para reduzir 20% da sua força de trabalho.

Trabalhadores da Audi protestaram nesta quarta-feira (29) contra fechamentos. Enquanto isso, a BMW já havia reduzido sua previsão de lucro em junho.

O executivo-chefe Milan Nedeljkovic afirmou que as medidas são necessárias para aumentar a lucratividade. A montadora divulgará seus resultados financeiros nesta quinta-feira (30).

Logotipo da BMW em veículo exibido no Salão Internacional do Automóvel de Pequim (Auto China), em Pequim, na China. — Foto: Reuters

A BMW anunciou nesta quarta-feira (29) que vai cortar milhares de empregos na Alemanha até o fim de 2027 por meio de um programa de demissão voluntária.

A empresa é a mais recente montadora alemã a reduzir seu quadro de funcionários diante da queda dos lucros e da demanda fraca.

O programa de desligamento, negociado entre a montadora e o conselho de trabalhadores, será direcionado às áreas de administração e desenvolvimento, sem atingir as operações de produção, informou um porta-voz da empresa.

Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o número total de funcionários deve ser reduzido em cerca de 8 mil pessoas.

Outras montadoras alemãs, como Volkswagen e Mercedes-Benz, também anunciaram acordos para eliminar dezenas de milhares de postos de trabalho.

O setor automotivo do país enfrenta pressão devido aos altos custos da transição para veículos elétricos, à forte concorrência das fabricantes chinesas e às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Na segunda-feira (27), a Porsche, que faz parte do Grupo Volkswagen, ampliou seu plano de reestruturação e anunciou que pretende reduzir cerca de 20% de sua força de trabalho até 2035.

Também nesta quarta-feira, milhares de trabalhadores protestaram na fábrica da Audi em Neckarsulm, outra marca do Grupo Volkswagen. A unidade está entre as quatro fábricas alemãs ameaçadas de fechamento pelos planos de reestruturação da empresa.

Trabalhadores protestam em fábrica da Audi, em Neckarsulm, na Alemanha, uma das unidades ameaçadas de fechamento pelos planos de reestruturação da controladora Volkswagen. — Foto: Reuters

A BMW, que até recentemente era vista como uma das montadoras mais estáveis do setor, reduziu em junho sua previsão de lucro para este ano, citando um desempenho na China abaixo do esperado. As vendas de veículos no país vêm caindo acentuadamente nos últimos meses.

Após esse anúncio, o presidente-executivo, Milan Nedeljkovic, afirmou que a empresa aceleraria e intensificaria seus esforços para reduzir custos.

Nesta quarta-feira, durante uma assembleia de trabalhadores em Munique, Nedeljkovic disse aos funcionários que as regras do setor automotivo mudaram de forma significativa e, com isso, também mudou a base do modelo de negócios da BMW, segundo um participante da reunião.

O executivo alertou que a empresa enfrentará um período desafiador, mas afirmou que as medidas são necessárias para tornar a BMW mais lucrativa, de acordo com a fonte.

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Aprovado em 1º lugar no CNU 2025, candidato é impedido de tomar posse por formação ‘incompatível’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 03:51

Trabalho e Carreira Concursos Aprovado em 1º lugar no CNU 2025, candidato é impedido de tomar posse por formação 'incompatível' Aprovado para uma vaga única no Ministério da Saúde, o jornalista afirma que foi impedido de tomar posse após o INCA entender que sua graduação não atendia ao requisito de escolaridade previsto no edital. O caso está na Justiça. Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

Aprovado em primeiro lugar para uma vaga única do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) no Ministério da Saúde, o jornalista Ícaro Silva Jatobá teve a posse negada após o INCA entender que sua graduação não atendia aos requisitos do edital.

O candidato afirma que o edital não definiu quais cursos seriam considerados "áreas afins" e diz que só foi informado da incompatibilidade após ser nomeado e apresentar a documentação.

O INCA sustenta que a graduação em Jornalismo não apresenta compatibilidade com as competências exigidas para o cargo, voltadas principalmente à comunicação visual, ao desenvolvimento web e à produção multimídia.

O caso foi levado à Justiça e reacendeu o debate sobre a falta de critérios objetivos em editais que exigem formação em "áreas afins".

O jornalista Ícaro Silva Jatobá teve a posse negada após o INCA entender que sua graduação não atendia aos requisitos do edital. — Foto: Arquivo Pessoal

Estudar por seis meses, conquistar o primeiro lugar em uma vaga única na segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e, ainda assim, não conseguir tomar posse no tão sonhado cargo público. Essa foi a situação vivida pelo jornalista Ícaro Silva Jatobá, de 31 anos.

Aprovado para uma vaga do Ministério da Saúde, ele foi impedido de assumir a função após o Instituto Nacional de Câncer (INCA) entender que sua graduação em Jornalismo não atendia ao requisito de escolaridade previsto no edital.

Depois de obter a maior nota na redação entre os candidatos ao cargo e ser nomeado, Jatobá acreditava ter garantido a vaga. A surpresa veio na etapa de entrega dos documentos, quando foi informado de que o diploma de Jornalismo não seria considerado compatível com a formação exigida.

A vaga era para Analista em Ciência e Tecnologia – Classe A-I, especialidade Informação e Comunicação, com atuação na sede do INCA, no Rio de Janeiro.

O edital exigia diploma de graduação em Tecnologia da Informação, Comunicação Visual ou "áreas afins", mas não informava quais cursos se enquadravam nessa última categoria. Impedido de tomar posse, o jornalista recorreu à Justiça para contestar a decisão.

Em nota enviada ao g1, o INCA afirmou que "o indeferimento decorreu da conclusão de que não foi comprovado o atendimento ao requisito de escolaridade previsto no edital". (leia a íntegra da nota ao fim da reportagem)

Segundo o instituto, a decisão seguiu os critérios estabelecidos no edital do CNU e considerou as atribuições do cargo, a formação apresentada pelo candidato e referências oficiais, como a classificação do CINE Brasil, do Inep.

O órgão informou que a especialidade exige conhecimentos voltados principalmente para comunicação visual, design gráfico, desenvolvimento web e tecnologias aplicadas à comunicação e, por isso, concluiu que a graduação em Jornalismo não atendia ao requisito exigido para a vaga.

Formado em Jornalismo, com mestrado e doutorado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Jatobá afirma ter atuado por cerca de 10 anos nas áreas de comunicação visual e editorial, desenvolvendo atividades como editoração, produção gráfica, elaboração de newsletters e gestão de conteúdos digitais.

Ele conta que decidiu prestar o Concurso Público Nacional Unificado após sucessivas tentativas sem sucesso em outros concursos. Em 2025, depois de enfrentar a perda de um familiar, o fim de um relacionamento e a demissão do emprego, resolveu dedicar-se integralmente aos estudos.

"Eu coloquei essa vaga como primeira opção e jamais imaginei que seria aprovado, porque era uma vaga concorrida por candidatos do Brasil inteiro", relembra.

Jatobá afirma que a expressão "áreas afins", utilizada no edital, gerou dúvidas entre os candidatos desde a publicação do documento. Para esclarecer a dúvida, chegou a procurar a Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, e também o Ministério da Saúde, por meio da Lei de Acesso à Informação.

Em resposta, a FGV informou que, nos casos em que o edital prevê "áreas afins", cabe ao órgão responsável pela vaga analisar, no momento da posse, se a formação apresentada atende aos requisitos do cargo.

A banca acrescentou que é responsabilidade do candidato se inscrever apenas em vagas cuja formação considere compatível com o edital.

O jornalista também consultou a Tabela de Áreas do Conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que organiza as áreas de pesquisa científica. Segundo ele, a classificação indicava proximidade entre Jornalismo e Comunicação Visual.

Em resposta, o Ministério da Saúde afirmou que a tabela do CNPq não serve para estabelecer equivalência entre cursos de graduação, mas apenas para classificar áreas do conhecimento voltadas à pesquisa.

Para justificar a inscrição, Jatobá diz que também levou em consideração disciplinas cursadas na graduação, como produção gráfica, fotografia, editoração, diagramação e comunicação visual.

Além disso, cita uma transmissão ao vivo do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) em que representantes da pasta afirmaram que a expressão "áreas afins" não era uma novidade no CNU e que a compatibilidade deveria ser analisada com base na relação entre o conteúdo do curso e a formação exigida para o cargo.

jornalista Ícaro Silva Jatobá teve a posse negada após o INCA entender que sua graduação não atendia aos requisitos do edital. — Foto: Arquivo Pessoal

Jatobá foi desclassificado depois de ser nomeado, realizar os exames admissionais, entregar toda a documentação exigida e gastar mais de R$ 1 mil com exames e procedimentos médicos necessários para a posse.

A decisão foi baseada na classificação do CINE Brasil (Classificação Internacional Normalizada da Educação Adaptada para Cursos de Graduação do Brasil), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), utilizada para organizar os cursos superiores no país.

Embora reconheça que Jornalismo integra a área da Comunicação, o INCA entendeu que a formação é voltada principalmente à produção e à difusão da informação. Na nota técnica, o instituto afirma ainda que a expressão "áreas afins", prevista no edital, não permite enquadrar automaticamente qualquer graduação da área de Comunicação.

Segundo o documento, é necessário demonstrar compatibilidade entre a formação acadêmica e as atribuições do cargo. O parecer também conclui que o mestrado e o doutorado apresentados pelo candidato não suprem o requisito de escolaridade exigido para a vaga.

Para Jatobá, o edital não estabelecia critérios objetivos para definir quais cursos seriam considerados "áreas afins" nem restringia a vaga a graduados em Comunicação Visual.

"A minha preocupação é a segurança jurídica. Se houvesse um entendimento específico sobre áreas afins, isso deveria estar definido antes da prova", afirma.

Após a negativa, o jornalista apresentou recurso administrativo, que também foi rejeitado. "O concurso já avaliou a capacidade técnica por meio das provas. A questão é se a minha formação pode ser considerada uma área afim", diz.

Com o esgotamento da fase administrativa, Jatobá ingressou na Justiça pedindo a reversão da decisão. Entre os pedidos estão a reserva da vaga ou a posse provisória até o julgamento do processo.

Segundo Adriane Fauth, professora de Direito Constitucional do Estratégia Concursos, casos como esse não são frequentes, mas podem ocorrer em seleções para cargos técnicos e especializados.

Ela explica que o problema surge quando o edital exige formação em "área afim" ou "área correlata", mas não informa de maneira clara quais cursos são aceitos.

"O candidato passa por todas as etapas, é aprovado, nomeado e só descobre no momento da posse que sua graduação não foi considerada compatível. Essa situação fere princípios importantes dos concursos públicos, como a segurança jurídica, a transparência e a igualdade entre os candidatos", afirma.

A especialista ressalta que a administração pública pode verificar se a formação atende aos requisitos da vaga, mas essa análise deve seguir critérios objetivos e ser devidamente justificada.

Quando há divergência, o caso pode ser levado à Justiça, que avaliará se a decisão respeitou as regras do edital e foi razoável e proporcional.

Já o juiz Renato Borelli, coordenador do Gran Concursos, afirma que esse tipo de conflito é relativamente comum quando o edital utiliza expressões amplas, como "área afim", "área correlata" ou "formação compatível", sem especificar quais graduações atendem ao requisito.

Segundo ele, a eliminação na fase de posse não é necessariamente legal. O candidato deve ter a oportunidade de apresentar documentos que comprovem a compatibilidade da formação, como diploma, histórico escolar, ementas das disciplinas, pareceres técnicos e manifestações da universidade.

"Negar ao candidato a oportunidade de apresentar esses documentos pode comprometer o direito de defesa, principalmente quando a discussão depende de uma análise técnica", diz.

No caso de Jatobá, Borelli destaca que o jornalista procurou esclarecimentos junto à banca organizadora, ao Ministério da Gestão e ao Ministério da Saúde antes da posse, mas não recebeu uma resposta definitiva.

Para o juiz, isso pode reforçar a contestação judicial, pois demonstra que o candidato tentou esclarecer a situação ainda durante o concurso. O especialista lembra que não existe, no âmbito federal, uma regra única que determine quais cursos podem ser considerados "áreas afins" em concursos públicos.

Para essa análise, a administração pode recorrer a referências como as classificações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), além das diretrizes dos cursos de graduação, dos projetos pedagógicos das universidades e de pareceres técnicos.

"Não basta dizer que determinada graduação não é considerada área afim. A administração precisa explicar quais critérios utilizou e por que os documentos apresentados pelo candidato não foram suficientes. Quando o edital usa um conceito amplo, essa interpretação também precisa ser bem fundamentada", conclui.

Em nota enviada ao g1, o INCA afirmou que a negativa de posse seguiu os critérios previstos no edital do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e teve como objetivo verificar se o candidato atendia ao requisito de escolaridade exigido para o cargo.

Segundo o instituto, a análise considerou as atribuições da função, o conteúdo da graduação apresentada, as competências desenvolvidas ao longo do curso e a classificação dos cursos superiores do CINE Brasil, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O órgão informou que a especialidade exige conhecimentos voltados principalmente para comunicação visual, design gráfico, desenvolvimento web, arquitetura da informação, interfaces digitais, produção multimídia e tecnologias aplicadas à comunicação.

Com base nesses critérios, concluiu que a graduação em Jornalismo não apresentava compatibilidade suficiente com as competências exigidas para o cargo.

O INCA ressaltou, porém, que a decisão não representa um entendimento geral de que Jornalismo não seja uma área afim da Comunicação. Segundo a nota, a análise se restringiu ao caso concreto e aos requisitos específicos da especialidade.

"O INCA não adotou entendimento de caráter geral acerca da afinidade entre a graduação em Jornalismo e a área de Comunicação e Informação. A análise realizada restringiu-se exclusivamente ao caso concreto e à verificação do atendimento ao requisito específico previsto para a especialidade objeto do concurso", informou.

O instituto afirmou ainda que não recebeu orientação do Ministério da Saúde nem do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) sobre quais cursos deveriam ser considerados áreas afins. A avaliação, segundo o órgão, foi realizada pela área técnica responsável.

O INCA informou também que o recurso administrativo apresentado pelo candidato foi analisado pela Direção-Geral da instituição. Após reavaliar os argumentos e o parecer técnico, o órgão manteve o indeferimento da posse por entender que o requisito de escolaridade previsto no edital não havia sido cumprido.

Por fim, o instituto afirmou que a decisão não teve como objetivo avaliar a qualidade da graduação em Jornalismo nem a capacidade profissional do candidato, mas apenas verificar o cumprimento das exigências previstas para aquela especialidade. (leia a íntegra da nota ao fim da reportagem)

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) informou que acompanha o caso com preocupação e considera que a situação extrapola uma discussão individual, ao levantar dúvidas sobre a segurança jurídica nos concursos públicos.

Para a entidade, o edital não definiu de forma objetiva quais cursos seriam considerados "áreas afins". A Fenaj afirma ainda que a interpretação adotada pelo INCA desconsidera a regulamentação da profissão e competências atualmente exercidas por jornalistas, como comunicação visual, editoração e produção multimídia.

Procurado pelo g1, o Ministério da Saúde informou que o Concurso Público Nacional Unificado é coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

O MGI, por sua vez, afirmou que questionamentos sobre os requisitos para a posse deveriam ser encaminhados ao INCA.

A Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, não respondeu aos pedidos de posicionamento enviados pela reportagem até a publicação deste texto.

A análise realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) observou estritamente os critérios estabelecidos no Edital ENAP nº 114/2025 – Concurso Público Nacional Unificado (CNU), em respeito aos princípios da legalidade, da vinculação ao edital, da isonomia, da motivação e da segurança jurídica que regem a Administração Pública.

A verificação teve por objeto exclusivamente o atendimento ao requisito específico de escolaridade exigido para investidura no cargo de Analista em Ciência e Tecnologia – Especialidade Informação e Comunicação, cujo edital prevê diploma de graduação em Tecnologia da Informação ou Comunicação Visual e áreas afins.

A análise técnica considerou, entre outros aspectos, as atribuições da especialidade, o conteúdo predominante da formação apresentada, as competências desenvolvidas ao longo do curso e a classificação oficial dos cursos superiores constante do CINE Brasil/INEP.

À luz desses parâmetros, concluiu-se que, no caso concreto, não restou demonstrada aderência substancial entre o núcleo formativo predominante da graduação apresentada e as competências técnicas exigidas para o exercício das atividades previstas para a especialidade, que compreendem, predominantemente, atividades relacionadas à comunicação visual, design gráfico, desenvolvimento web, arquitetura da informação, interfaces digitais, produção multimídia e tecnologias aplicadas à comunicação.

Assim, o indeferimento decorreu da conclusão de que não foi comprovado o atendimento ao requisito de escolaridade previsto no edital.

2. Quem é o responsável por definir se determinado curso de graduação é considerado área afim ao previsto no edital?

O Edital ENAP nº 114/2025 foi elaborado no âmbito do Concurso Público Nacional Unificado (CNU), com a participação dos órgãos demandantes e sob coordenação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

A estrutura do certame, organizada em blocos temáticos, demandou a padronização da descrição dos requisitos de escolaridade para os cargos e especialidades, razão pela qual o edital adotou, em diversos casos, a expressão "áreas afins".

Por se tratar de conceito que demanda aferição à luz das atribuições específicas de cada cargo, competiu ao INCA, no momento da posse, realizar a análise técnica da compatibilidade entre a formação apresentada e as exigências previstas no edital.

No caso em questão, essa análise foi realizada pela área técnica competente do INCA, no caso a COGEP E A COENS, com base nas atribuições da especialidade previstas no edital, nas competências desenvolvidas pela formação apresentada e em parâmetros oficiais de classificação dos cursos superiores, como o CINE Brasil, elaborado pelo INEP.

3. O entendimento adotado foi do próprio INCA ou há orientação do Ministério da Saúde e/ou do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI)?

Não houve orientação específica do Ministério da Saúde ou do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) determinando interpretação acerca da inclusão ou exclusão de determinada graduação para fins de atendimento ao requisito previsto no edital.

A análise foi realizada pelo INCA no exercício de sua competência para verificar o cumprimento dos requisitos de investidura, observando exclusivamente as disposições do edital e a documentação apresentada pelo candidato.

Importa registrar que a metodologia empregada é compatível com o entendimento de que a aferição das "áreas afins" deve considerar a correspondência entre a formação acadêmica e as atribuições do cargo, tendo a divergência ocorrido apenas quanto à conclusão técnica alcançada no caso concreto.

4. O órgão considera que a graduação em Jornalismo não possui afinidade com a área de Comunicação e Informação? Se sim, por quê?

O INCA não adotou entendimento de caráter geral acerca da afinidade entre a graduação em Jornalismo e a área de Comunicação e Informação.

A análise realizada restringiu-se exclusivamente ao caso concreto e à verificação do atendimento ao requisito específico previsto para a especialidade objeto do concurso.

Embora a graduação em Jornalismo e a Comunicação Visual integrem o amplo campo das Ciências da Comunicação, a aferição da expressão "áreas afins", constante do edital, exigiu a análise da correspondência entre o conteúdo predominante da formação acadêmica e as atribuições específicas do cargo.

No caso analisado, concluiu-se que as competências técnicas predominantes exigidas para a especialidade — relacionadas à comunicação visual, design gráfico, interfaces digitais, desenvolvimento web, arquitetura da informação, produção multimídia e tecnologias aplicadas à comunicação — não apresentaram aderência substancial ao núcleo formativo predominante do curso apresentado.

Essa conclusão refere-se exclusivamente ao atendimento do requisito editalício para essa especialidade específica, não representando qualquer avaliação sobre a relevância da profissão de jornalista ou sobre a capacidade de seus profissionais.

5. O candidato ainda pode apresentar recurso administrativo ou há outra possibilidade de revisão da decisão?

O candidato exerceu o direito ao contraditório e à ampla defesa no âmbito administrativo, tendo apresentado recurso contra a decisão inicial.

O recurso foi regularmente analisado pela Direção-Geral do INCA, que, após reexame dos fundamentos apresentados e da manifestação técnica constante dos autos, decidiu manter o entendimento da área técnica quanto ao não atendimento do requisito de escolaridade previsto no edital para a especialidade em questão.

Assim, a matéria foi apreciada nas instâncias administrativas competentes no âmbito desta Instituição, encontrando-se esgotada a análise administrativa do caso.

O INCA esclarece que a análise realizada não teve por finalidade avaliar a capacidade profissional do candidato, a qualidade da formação em Jornalismo ou a relevância dessa profissão.

A decisão administrativa limitou-se à verificação objetiva do atendimento ao requisito específico de escolaridade previsto no Edital ENAP nº 114/2025 para a especialidade Informação e Comunicação, em observância aos princípios da legalidade, da vinculação ao edital, da isonomia e da segurança jurídica.

Cumpre esclarecer, ainda, que os requisitos de escolaridade constantes do Edital ENAP nº 114/2025 foram definidos no contexto da elaboração do Concurso Público Nacional Unificado, com a participação dos órgãos envolvidos, entre eles o INCA e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

A atuação do INCA, no momento da posse, restringiu-se à verificação técnica do atendimento aos requisitos estabelecidos no edital, mediante análise da compatibilidade da formação apresentada com as exigências previstas para a especialidade".

"A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) acompanha com preocupação o caso do jornalista Ícaro Jatobá, aprovado em primeiro lugar no Concurso Público Nacional Unificado (CNU 2025) para o cargo de Analista em Ciência e Tecnologia – Especialidade Informação e Comunicação, do Ministério da Saúde, cuja posse foi negada sob alegação de incompatibilidade entre sua formação em Jornalismo e os requisitos previstos no edital.

Para a FENAJ, a situação ultrapassa um caso individual e levanta uma discussão relevante sobre o reconhecimento das atribuições profissionais dos jornalistas e a necessidade de segurança jurídica nos concursos públicos.

O edital do certame estabeleceu como requisito formação em “Tecnologia da Informação ou Comunicação Visual e áreas afins”, sem apresentar definição objetiva sobre quais cursos seriam considerados compatíveis. Após a aprovação, nomeação e apresentação da documentação, foi adotada interpretação restritiva que desconsiderou a formação em Comunicação Social – Jornalismo como área afim.

A FENAJ elaborou parecer técnico-jurídico sobre o caso e entende que a interpretação adotada não observa a regulamentação profissional vigente nem a realidade contemporânea da atividade jornalística.

O Decreto nº 83.284, de 13 de março de 1979, que regulamenta a profissão, reconhece expressamente atividades como diagramação, ilustração, fotografia, edição e produção audiovisual como integrantes do exercício profissional do jornalista. A legislação demonstra que a profissão não se restringe à produção textual ou à difusão de informações, abrangendo também atividades relacionadas à comunicação visual, editoração, organização gráfica e linguagens multimídia

As Diretrizes Curriculares e a atividade jornalística passaram por profundas transformações ao longo das últimas décadas. Hoje, jornalistas atuam em ambientes digitais integrados e desenvolvem competências relacionadas à produção multimídia, design da informação, edição de imagens, plataformas digitais, produtos audiovisuais e comunicação visual aplicada.

A Federação considera preocupante a adoção de interpretações excessivamente restritivas sobre o conceito de “áreas afins”, especialmente quando o próprio edital não apresenta critérios claros e objetivos. A ausência dessa delimitação pode gerar insegurança jurídica e resultar em exclusão indevida de candidatos cuja formação possui aderência material às atribuições do cargo.

A jurisprudência dos tribunais superiores também tem reconhecido que a análise da formação acadêmica deve considerar a compatibilidade efetiva entre as competências adquiridas e as funções a serem desempenhadas, evitando formalismos excessivos e interpretações que restrinjam indevidamente o acesso ao serviço público.

A FENAJ reafirma seu compromisso com a defesa da profissão e seguirá acompanhando situações que possam afetar direitos profissionais dos jornalistas brasileiros.

Casos como este reforçam a necessidade de editais mais claros, critérios objetivos e respeito à diversidade de competências que caracterizam a formação e o exercício profissional do Jornalismo contemporâneo."

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Ela fez pão de mel para a festa do marido; hoje, tem uma rede com 20 lojas pelo Brasil

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 29/07/2026 02:55

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Ela fez pão de mel para a festa do marido; hoje, tem uma rede com 20 lojas pelo Brasil Negócio criado por mãe e filho nasceu de encomendas de pão de mel, virou franquia e hoje reúne sete lojas próprias e 13 franqueadas, com plano de expansão. Por PEGN

O que começou com uma receita preparada para uma festa de família virou um negócio. Após conquistar clientes por encomenda, Rosana Dias Fernandes abriu uma empresa especializada em pão de mel.

A entrada do filho, Lucas Fernandes, profissionalizou a marca e impulsionou a expansão por franquias. Hoje, a rede reúne 20 lojas, sendo sete próprias e 13 franqueadas.

Em vez de diversificar o cardápio, a empresa apostou em um único produto. A estratégia foi criar diferentes versões do pão de mel e se tornar referência nesse nicho.

A rede fatura cerca de R$ 150 mil por mês e pretende ampliar a presença no varejo, mantendo o foco na expansão da marca e na especialização em pão de mel.

Uma receita preparada para a festa de aniversário do marido foi o ponto de partida para um negócio que hoje soma 20 lojas pelo Brasil.

A empreendedora Rosana Dias Fernandes começou produzindo pães de mel por encomenda e vendendo em uma feira de condomínio. O sucesso entre os clientes fez as encomendas crescerem e deu origem à empresa.

A profissionalização do negócio veio com a entrada do filho, Lucas Fernandes, formado em Design de Produto e Marketing. Juntos, eles reformularam a marca, investiram R$ 150 mil na expansão e decidiram adotar o modelo de franquias para acelerar o crescimento.

De encomendas caseiras a uma rede com 20 lojas: a história de um negócio especializado em pão de mel — Foto: Reprodução/PEGN

Hoje, a rede conta com sete lojas próprias e 13 franqueadas, com meta de chegar a 30 unidades até o fim do ano. Em vez de ampliar o portfólio, a empresa optou por uma estratégia diferente: especializar-se em um único produto.

A marca oferece diversas versões de pão de mel, mantendo o doce como carro-chefe. Segundo Lucas, a aposta em um nicho pouco explorado e em um ticket médio acessível ajudou a popularizar a marca e impulsionar as vendas.

Hoje, cada loja atende cerca de 1.200 clientes por mês e a empresa registra faturamento mensal de R$ 150 mil. Apesar do crescimento, mãe e filho afirmam que o diferencial continua sendo o mesmo do início: o cuidado na produção e o vínculo afetivo construído em torno do pão de mel.

De encomendas caseiras a uma rede com 20 lojas: a história de um negócio especializado em pão de mel — Foto: Reprodução/PEGN

📍 Endereço com cep: 05301-000📞Telefone: (11) 41750373📧E-mail: franquias@paesdemeldolcericordo.com.br📸 Instagram: https://www.instagram.com/paesdemeldolcericordo

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