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O barista é humano, mas um agente de IA comanda café experimental na Suécia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 11/05/2026 08:44

Inovação O barista é humano, mas um agente de IA comanda café experimental na Suécia Cafeteria em Estocolmo é administrada por um agente de IA responsável por contratações, estoque e operação — mas experimento já enfrenta falhas e levanta debates éticos. Por James Brooks — Estocolmo

Uma cafeteria experimental em Estocolmo, na Suécia, está sendo administrada por um agente de inteligência artificial chamado “Mona”, criado pela startup Andon Labs. Os baristas continuam humanos, mas a IA cuida da gestão do negócio.

A inteligência artificial é responsável por tarefas como contratação de funcionários, controle de estoque, pedidos a fornecedores e comunicação com a equipe. Clientes também podem interagir com a IA por telefone dentro da cafeteria.

O experimento, porém, já apresentou falhas. A IA fez compras exageradas de itens como guardanapos e luvas, além de esquecer pedidos anteriores e errar encomendas de alimentos.

Especialistas alertam para questões éticas e riscos de colocar sistemas de IA no comando de empresas, como problemas de responsabilidade em casos de falhas ou prejuízos.

Hanna Petersson, membro da equipe técnica da Andon Labs, usa um telefone para falar com a agente de IA "Mona" do Andon Café em Estocolmo, Suécia. — Foto: AP/James Brooks

O café pode até ser servido por mãos humanas, mas, por trás do balcão, algo muito menos tradicional está no comando de um café experimental em Estocolmo, Suécia

A startup americana Andon Labs, sediada em San Francisco, colocou um agente de inteligência artificial apelidado de “Mona” para administrar o Andon Café, na capital sueca.

Enquanto os baristas humanos continuam preparando o café e atendendo os clientes, a IA — alimentada pelo Gemini, do Google — supervisiona praticamente todos os outros aspectos do negócio, desde a contratação de funcionários até o gerenciamento do estoque.

Ainda não está claro quanto tempo o experimento vai durar, mas o agente de IA parece enfrentar dificuldades para obter lucro no competitivo mercado de cafeterias de Estocolmo.

Desde a inauguração, em meados de abril, o café faturou mais de US$ 5,7 mil, mas restam menos de US$ 5 mil do orçamento inicial, superior a US$ 21 mil. Grande parte do dinheiro foi gasta em custos de instalação, e a expectativa é que a operação eventualmente se estabilize e passe a gerar lucro.

Muitos clientes têm achado divertido visitar um estabelecimento administrado por inteligência artificial. Dentro da cafeteria, há um telefone pelo qual os consumidores podem fazer perguntas diretamente ao agente.

“É interessante ver o que acontece quando se ultrapassam os limites”, disse a cliente Kajsa Norin. “A bebida estava boa.”

Vista geral da entrada do Andon Café no bairro de Vasastan, em Estocolmo, Suécia. — Foto: AP/James Brooks

Especialistas afirmam que existem diversas preocupações éticas, desde o papel da tecnologia no futuro da humanidade até o uso da IA em entrevistas de emprego e avaliações de desempenho.

Emrah Karakaya, professor associado de economia industrial do Instituto Real de Tecnologia KTH, em Estocolmo, comparou o experimento a “abrir a caixa de Pandora” e disse que colocar a IA no comando pode causar vários problemas. O que aconteceria, questiona ele, se um cliente sofresse intoxicação alimentar? Quem seria responsabilizado?

“Se você não tiver a infraestrutura organizacional necessária ao redor disso e ignorar esses erros, isso pode causar danos às pessoas, à sociedade, ao meio ambiente e aos negócios”, afirmou Karakaya. “A questão é: nós nos importamos com esse impacto negativo?”

Fundada em 2023, a Andon Labs é uma startup de pesquisa e segurança em IA que afirma se concentrar em “testar os limites” dos agentes de inteligência artificial no mundo real, oferecendo a eles “ferramentas reais e dinheiro real”.

A empresa já trabalhou com OpenAI, Anthropic, Google DeepMind e xAI, de Elon Musk, e afirma estar se preparando para um futuro em que “organizações serão administradas autonomamente por IA”.

A cafeteria na Suécia é apresentada como um “experimento controlado” para explorar como a inteligência artificial poderá ser utilizada no futuro.

“A IA será uma grande parte da sociedade no futuro, e por isso queremos fazer este experimento para entender quais questões éticas surgem quando temos uma IA empregando pessoas e administrando um negócio”, disse Hanna Petersson, integrante da equipe técnica da Andon Labs.

Antes disso, o laboratório já havia realizado testes colocando a IA Claude, da Anthropic, no comando de uma máquina de vendas automáticas e de uma loja de presentes em San Francisco. O experimento revelou comportamentos preocupantes: o agente prometia reembolsos aos clientes, mas não os realizava, além de mentir propositalmente para fornecedores sobre preços da concorrência para obter vantagens.

O barista Kajetan Grzelczak prepara um café no Andon Café, no bairro de Vasastan, em Estocolmo, Suécia. — Foto: AP/James Brooks

Segundo Petersson, Mona começou a trabalhar após receber instruções básicas. A equipe pediu que ela tentasse administrar a cafeteria de forma lucrativa, mantendo um tom amigável e descontraído, além de resolver os detalhes operacionais sozinha e solicitar novas ferramentas quando necessário.

A partir disso, a IA firmou contratos de energia elétrica e internet, obteve permissões para manipulação de alimentos e mesas ao ar livre, anunciou vagas de emprego no LinkedIn e no Indeed e criou contas comerciais com fornecedores de pão e produtos de padaria.

Ela também se comunica com os baristas pelo Slack, frequentemente enviando mensagens fora do horário de expediente — algo malvisto na cultura de trabalho sueca. Outros problemas surgiram, especialmente relacionados ao estoque.

O agente de IA fez pedidos de 6 mil guardanapos, quatro kits de primeiros socorros e 3 mil luvas de borracha para a pequena cafeteria — além de tomates enlatados que nem fazem parte do cardápio.

E há também o problema do pão. Em alguns dias, a IA pede quantidade excessiva; em outros, perde o horário limite das padarias para encomendas, obrigando os funcionários a retirar sanduíches do menu.

Petersson afirmou que os problemas nos pedidos provavelmente estão relacionados à “janela limitada de contexto” da IA.

“Quando a memória antiga sobre os pedidos sai da janela de contexto, ela simplesmente esquece completamente o que já havia pedido antes”, explicou.

O barista Kajetan Grzelczak disse não estar preocupado em ser substituído pela inteligência artificial tão cedo.

“Todos os trabalhadores estão praticamente seguros”, afirmou. “Quem deveria se preocupar com o emprego são os chefes intermediários, as pessoas da gestão.”

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Como a guerra no Irã está enriquecendo o mais novo petroestado do mundo, vizinho do Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 11/05/2026 07:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,894-0,59%Dólar TurismoR$ 5,094-0,58%Euro ComercialR$ 5,765-0,23%Euro TurismoR$ 6,014-0,28%B3Ibovespa184.108 pts0,49%MoedasDólar ComercialR$ 4,894-0,59%Dólar TurismoR$ 5,094-0,58%Euro ComercialR$ 5,765-0,23%Euro TurismoR$ 6,014-0,28%B3Ibovespa184.108 pts0,49%MoedasDólar ComercialR$ 4,894-0,59%Dólar TurismoR$ 5,094-0,58%Euro ComercialR$ 5,765-0,23%Euro TurismoR$ 6,014-0,28%B3Ibovespa184.108 pts0,49%Oferecido por

A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã está enriquecendo o mais novo petroestado do mundo, a Guiana.

O conflito que bloqueou o estreito de Ormuz significou um aumento significativo no rendimento do país.

Esses recursos provêm da combinação de dois efeitos: o aumento planejado da produção e o efeito da alta dos preços do petróleo como consequência da guerra no Oriente Médio.

O crescimento econômico na Guiana está resultando em um aumento na construção de moradias e infraestrutura — Foto: Bloomberg/Getty Images/BBC

Inflação, aumento dos preços da gasolina e ameaças ao abastecimento alimentar nos países mais vulneráveis. Essas são três das principais consequências geralmente mencionadas quando se discute o impacto econômico da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.

No entanto, para a Guiana — provavelmente o mais novo petroestado do mundo — o conflito que bloqueou o estreito de Ormuz significou um aumento significativo no rendimento.

Esses recursos provêm da combinação de dois efeitos: o aumento planejado da produção e o efeito da alta dos preços do petróleo como consequência da guerra no Oriente Médio.

Segundo Sidney Armstrong, professor do Departamento de Economia da Universidade da Guiana, a produção de petróleo bruto do país estava projetada para atingir em dezembro de 2025 em torno de 892.000 barris por dia, enquanto atualmente já ultrapassa 920.000 (e está em tendência de alta).

Ao mesmo tempo, enquanto o preço do petróleo bruto Brent girava em torno de US$ 62 antes da guerra, a média diária desde o início do conflito tem sido de cerca de US$ 108, segundo dados da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Mas o que isso significa para a Guiana e qual será o impacto?

A história do petróleo na Guiana é muito recente. Sua produção de hidrocarbonetos começou há apenas seis anos, mas esse curto período já foi suficiente para torná-la uma das maiores produtoras de petróleo da América do Sul.

"A Guiana é um caso interessante porque se tornou a economia de crescimento mais rápido do mundo. Em grande parte, isso se deve ao fato de ter partido de uma base muito pequena, mas ainda assim é a economia que mais cresce", afirma Roxanna Vigil, pesquisadora do Council on Foreign Relations, um think tank com sede em Washington.

As receitas do petróleo se tornaram o motor do país, cuja economia cresceu a uma média de 40,9% ao ano desde 2020, segundo dados do Banco Mundial.

Além disso, as receitas da exploração de hidrocarbonetos representaram 37% do orçamento do Estado em 2025, ano em que o país arrecadou aproximadamente US$ 2,5 bilhões dessa fonte. Estimativas do Ministério das Finanças — anteriores à guerra no Irã — apontavam para receitas petrolíferas de cerca de US$ 2,8 bilhões em 2026.

Números publicados pela revista The Economist indicam que, desde o início da guerra, as receitas petrolíferas da Guiana aumentaram US$ 370 milhões por semana, chegando a US$ 623 milhões.

"Devido aos preços globais mais altos do petróleo, esperamos que as receitas do governo aumentem em US$ 4 bilhões este ano, em comparação com as estimativas do início de 2026", disse Luiz Hayum, analista sênior de exploração e produção da consultoria Wood Mackenzie, em resposta a uma pergunta da BBC News Mundo.

Ele acrescentou que esperam que a produção média de petróleo bruto do país atinja cerca de um milhão de barris por dia em 2026, após a expansão da produção planejada para este ano. No entanto, Sidney Armstrong alerta que a maior parte da receita gerada pela produção de petróleo na Guiana não vai para os cofres do país, devido à forma como os contratos de exploração são estruturados.

Assim, 75% do dinheiro é usado pelas empresas petrolíferas para recuperar o investimento. A Guiana, por sua vez, recebe 12,5% de lucro e mais 2% em royalties, totalizando 14,5%.

Uma vez que as empresas petrolíferas tenham recuperado o investimento inicial, a Guiana receberá 50% dos lucros mais os 2% de royalties.

A boa notícia para o governo de Georgetown é que, graças ao aumento dos preços do petróleo bruto devido à situação no Irã, o tempo necessário para as empresas petrolíferas recuperarem o investimento está diminuindo.

Armstrong adverte, no entanto, que se essas empresas precisarem fazer novos investimentos, a fórmula atual de partilha de lucros permanecerá em vigor até que recuperem esses fundos.

Além disso, o governo da Guiana não tem controle irrestrito sobre os recursos que recebe, visto que o país criou um Fundo de Recursos Naturais no qual as receitas do petróleo são depositadas, e uma lei foi aprovada regulamentando quando, como e para que finalidade esses fundos podem ser utilizados.

De acordo com essa lei, a criação desse fundo visa garantir um crescimento estável e controlado (evitando gastos excessivos durante períodos de bonança) e assegurar que o dinheiro seja alocado às prioridades de desenvolvimento do país, preservando também os recursos para o benefício das gerações futuras.

Mas como esse boom do petróleo, impulsionado pela guerra no Irã, se traduziu em benefícios para o povo guianense? Sidney Armstrong destaca que o impacto dos preços do petróleo é evidente no aumento da receita, nas reservas do Fundo de Recursos Naturais e na aceleração de projetos de infraestrutura em andamento no país.

"O que vem acontecendo em ritmo cada vez mais acelerado é a construção de infraestrutura. Os gastos com a construção de estradas, escolas e centros de saúde comunitários aumentaram", observa Armstrong.

Roxanna Vigil destaca que esses tipos de projetos são muito importantes porque a Guiana precisa de muita infraestrutura básica como essa.

"Eles precisam continuar crescendo significativamente. Até recentemente, mais da metade da população da Guiana vivia na pobreza e, de fato, grande parte da população ainda vive na pobreza, mas agora eles têm um plano e os recursos para mudar essa situação", afirma Vigil.

Além disso, Armstrong indica que o governo concedeu recentemente um bônus equivalente a US$ 500 a todos os guianenses com mais de 18 anos.

Ele explica que essa era uma promessa feita pelo governo no ano passado, mas que não havia sido cumprida até agora.

O governo da Guiana, liderado pelo presidente Irfaan Ali, não pode dispor livremente dos recursos gerados pelo boom do petróleo — Foto: Getty Images/BBC

Apesar do boom do petróleo, a Guiana não está imune aos problemas que a crise do Oriente Médio causou em todo o mundo.

"A realidade é que a inflação aumentou e, consequentemente, o poder de compra real diminuiu", afirma Armstrong.

"As pessoas estão vendo preços mais altos nos postos de gasolina, o que — obviamente — afeta o transporte e as viagens. Portanto, como qualquer outro país integrado ao sistema global, estamos começando a sentir as repercussões negativas decorrentes da situação das cadeias de suprimentos."

"Os preços dos alimentos aumentaram significativamente: cerca de 25% em um curto período. Isso ocorre claramente porque itens como fertilizantes e outros insumos agrícolas estão ficando mais caros. Os recursos necessários para a atividade agrícola estão se tornando mais dispendiosos, então essas repercussões negativas devem ser levadas em consideração", acrescenta.

O economista também está preocupado com o fato de que, em certos casos, a gestão dos recursos gerados pelo boom do petróleo parece não ser transparente nem adequada.

"O que acontece fora do setor petrolífero depende em grande parte da eficácia com que o governo administra os recursos. E, às vezes, parece haver má gestão."

"Por exemplo, existe um projeto para transportar gás de plataformas marítimas para o continente para gerar eletricidade. Estamos falando de um projeto que realmente trará enormes benefícios. No entanto — e é aqui que surge a sensação de corrupção — o projeto está atrasado, por um lado; e, por outro, a empreiteira está exigindo centenas de milhões de dólares a mais para concluí-lo", destaca.

Armstrong observa que a desigualdade está aumentando no país e que os salários reais da maioria dos guianenses não mudaram significativamente.

"Ainda há muitas pessoas sem-teto. É um problema persistente, assim como a pobreza real. Portanto, quando falamos dessa economia em rápido crescimento, é essencial retornar à realidade de que, em termos do que poderíamos chamar de desenvolvimento humano, ainda temos um longo caminho a percorrer", conclui.

A empresa americana ExxonMobil é a principal acionista do consórcio que opera o bloco petrolífero de Stabroek, o único atualmente em atividade na Guiana — Foto: Getty Images/BBC

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Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo apesar do território pequeno

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 11/05/2026 03:52

Agro Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo apesar do território pequeno Reportagem mergulhou no ecossistema de inovação que permitiu que o país europeu se tornasse líder na produção de alimentos, apesar de ter uma área territorial mais de 70 vezes menor que a da Argentina. Por Alejandra Martins

O professor Leo Marcelis é chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen — Foto: Guy Ackermans/WUR

Centenas de pés de tomate crescem protegidos por uma grande estrutura de vidro. Mas esta não é uma estufa comum.

Desde os níveis de gás até a cor da luz, cada variável é monitorada por sensores que enviam as informações para computadores que, por sua vez, rodam algoritmos refinados com inteligência artificial.

O resultado é uma produção até cinco vezes maior do que a de uma estufa de baixa tecnologia na América Latina.

As plantas estão localizadas no campus da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), nos Países Baixos, um centro de renome mundial para pesquisa em produção de alimentos.

A universidade fica no coração do chamado Food Valley ("Vale da Alimentação", em tradução literal do inglês), um complexo de centros de pesquisa que permitiu que os Países Baixos se tornassem o terceiro maior exportador de alimentos do mundo (em valor monetário) com um território de pouco mais de 41.000 km², 70 vezes menor que a Argentina.

Como isso foi possível? A BBC Mundo (serviço em língua espanhola da BBC) conversou com especialistas da Universidade de Wageningen, incluindo pesquisadores latino-americanos, sobre inovações na produção de alimentos no país, possíveis aplicações na América Latina e o grande desafio para os Países Baixos: reduzir o consumo de energia e aumentar a sustentabilidade.

Tanto o clima quanto a localização geográfica favorecem os Países Baixos, afirma à reportagem o cientista Leo Marcelis, chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen.

"Temos um clima razoável e água em abundância. Temos um clima marítimo; os verões não são muito quentes e os invernos não são extremamente frios", aponta ele.

O país também tem milhões de potenciais consumidores europeus nas proximidades, acrescenta Marcelis, e o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola, Roterdã.

Entre os principais produtos exportados estão vegetais, carne, laticínios, plantas ornamentais e flores. Os maiores mercados são Alemanha, Bélgica, França e Reino Unido, entre outros.

Estufas de alta tecnologia do país têm produtividade até cinco vezes maior que convencionais — Foto: Wageningen University & Research

Os Países Baixos são um dos principais exportadores mundiais de produtos de cacau, por exemplo, e o maior importador de grãos de cacau, que são processados ​​em produtos semiacabados, como pasta de cacau, manteiga e cacau em pó, para exportação.

Marcelis enfatiza que, historicamente, a produção agrícola no país também tem sido caracterizada por uma tradição de abertura.

"Há um aspecto muito importante que talvez nos diferencie de muitos outros países: a colaboração e a cooperação."

A troca de experiências entre os agricultores é uma tradição secular, evidente nos leilões de hortaliças e flores e nas cooperativas de produtores.

"Os agricultores costumam se encontrar semanalmente. Eles visitam as fazendas uns dos outros para ver as plantações e aprender uns com os outros."

"Nosso país é muito pequeno. Aqui na universidade, estamos mais ou menos no centro da rede. Em duas horas de carro, você pode chegar ao ponto mais ao sul ou ao extremo norte do país; para o oeste, não posso dirigir duas horas porque chegaria ao mar antes disso; e para o leste, em meia hora você está na Alemanha."

Rotterdam é o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola — Foto: Getty Images via BBC

Para além das condições geográficas ou das tradições, o sistema de produção de alimentos nos Países Baixos é movido por uma inovação constante.

"Aqui temos a universidade, mas também empresas derivadas da universidade, muitas vezes fundadas por pessoas que trabalham na universidade ou por alunos que criaram suas próprias empresas e querem manter-se conectados a Wageningen", explica Marcelis.

"No campus, também temos os departamentos de pesquisa de grandes empresas como a Unilever ou a FrieslandCampina, que é uma das principais cooperativas de laticínios. Você se encontra, portanto, cercado por todo um ecossistema aqui."

Mas "muitas das verbas nacionais só conseguimos obter em cooperação com uma empresa, que, por sua vez, tem de arcar com parte dos custos da pesquisa".

"Isso significa que, se pesquisamos algo, precisa estar relacionado ao que as empresas consideram relevante, o que nos obriga a colaborar com elas para facilitar a transferência dos resultados para os agricultores. Claro que também temos financiamento para pesquisa puramente fundamental."

"São estabelecidas regras sobre o grau de transparência ou confidencialidade dos resultados e sobre quando eles podem ser publicados, algo que, para nós como universidade, é importante: fazer boa ciência. E, claro, também existem acordos sobre direitos de propriedade intelectual."

Marcelis afirma que no campus da Wageningen também há departamentos de pesquisa de grandes empresas como Unilever ou FrieslandCampina — Foto: Wageningen University & Research

Esse ecossistema fomentou inúmeras inovações na produção agrícola do país, desde drones e escaneamento do solo para o uso inteligente de fertilizantes em cultivos a céu aberto até estufas de alta tecnologia.

Em estufas, "em Wageningen, desenvolveram um sistema tão eficiente que permite rendimentos de até 100 kg de tomates por metro quadrado por ano", afirma à BBC Mundo a cientista mexicana Cristina Zepeda, professora associada de fitotecnia em Wageningen.

"Em uma estufa no México, sem muita tecnologia, talvez com alguma tela de sombreamento, a produção gira em torno de 20 kg por metro quadrado por ano."

O cientista brasileiro Nilson Vieira Junior, professor associado em Wageningen especializado em fisiologia vegetal e modelagem computadorizada de culturas, disse à reportagem que, nas estufas dos Países Baixos, "o uso da terra praticamente desapareceu".

"As plantas são cultivadas em substratos, o que permite maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase completa da água de irrigação, aumentando significativamente a eficiência do uso da água e reduzindo drasticamente o impacto ambiental e a poluição gerada na produção de alimentos", afirma.

"Esses sistemas permitem o controle preciso das condições ambientais às quais as plantações são expostas, incluindo temperatura, níveis de CO2 (dióxido de carbono), umidade relativa e radiação."

Cientista mexicana Cristina Zepeda é professora associada de ciências vegetais em Wageningen — Foto: Cristina Zepeda/Arquivo pessoal

As plantas possuem certos pigmentos que percebem diferentes cores, como vermelho, infravermelho e azul, e esses pigmentos sinalizam certas moléculas para iniciar a produção de diferentes compostos", explica a cientista.

"Com uma luz mais vermelha, por exemplo, a produção de pigmentos como antocianinas ou licopeno é ativada. Podemos moldar a planta para produzir os compostos que mais nos interessam."

"Realizamos extensos experimentos com luzes de diferentes cores e medimos como os níveis de açúcar, licopeno e amido mudam com diferentes porcentagens de luz azul ou vermelha."

Vieira Junior observa que uma das principais áreas de pesquisa atual é a criação de sistemas autônomos.

"Esses sistemas combinam sensores que monitoram variáveis ​​climáticas e o estado fisiológico das plantas com modelos de simulação de crescimento de culturas", diz ele.

"Com o auxílio da inteligência artificial, esses sistemas não apenas recomendam estratégias de manejo mais eficientes, mas também controlam automaticamente o clima e a operação da estufa.

Cientista brasileiro Nilson Vieira Junior é professor associado em Wageningen e se especializou em fisiologia vegetal e modelos computadorizados de culturas agrícolas — Foto: Nilson Vieira/Arquivo pessoal

Marcelis afirma que o próximo passo no controle de variáveis ​​será abandonar as estufas e adotar fazendas verticais em ambientes fechados, completamente independentes das condições externas ou da luz solar.

Esses sistemas se tornarão mais comuns no futuro, acrescenta ele, mas, assim como as estufas, exigem grandes quantidades de energia.

"O consumo de energia é o principal gargalo, e é por isso que grande parte de nossa pesquisa se concentra nesse aspecto", destaca Marcelis.

Para a professora Zepeda, "o maior desafio aqui nos Países Baixos é que uma enorme quantidade de energia é usada para aquecer estufas, porque temos um clima muito frio. Então, precisamos queimar gás natural e acender luzes adicionais."

"A horticultura representa 10% do consumo nacional de gás do país. É muito caro, e o governo já declarou que não se poderá usar mais gás até 2050. Tudo terá que vir de fontes renováveis", ela acrescenta.

Cada variável, como o nível de CO2 ou a cor da luz, é monitorada por câmeras e sensores — Foto: Sara Vlekke/WUR

Zepeda pesquisa atualmente como reduzir o consumo de energia fazendo com que as plantas funcionem como "baterias".

A energia renovável flutua dependendo das condições do vento e da radiação solar, e o consumo de energia na estufa também pode flutuar, explica ela.

"As plantas crescem na natureza com noites mais frias e dias mais quentes, e conseguem suportar mudanças de temperatura e luz sem perder muita produtividade. E se, por exemplo, houver excesso de produção de eletricidade e ela for mais barata, é aí que dizemos: 'Ok, vamos aquecer a estufa'."

"Precisamos dar à planta a oportunidade de acumular suas reservas de açúcar se o dia estiver muito ensolarado, e se previrmos que amanhã estará um pouco mais frio, podemos forçar a planta a usar esses açúcares."

Usar plantas como baterias exige medir constantemente com sensores quanta fotossíntese elas estão realizando, quanto açúcar estão produzindo e até mesmo modelos computacionais mais avançados.

Uma das inovações impulsionadas por Wageningen na pecuária é a redução das emissões de metano de animais ruminantes, como vacas e ovelhas.

Esse metano, um potente gás de efeito estufa, é gerado durante a fermentação dos alimentos no trato digestivo dos animais e liberado principalmente por meio de arrotos ou fezes.

"Alguns animais produzem mais metano do que outros, e isso se deve em parte a fatores genéticos", disse à BBC Mundo o professor Roel Veerkamp, ​​chefe do Departamento de Melhoramento Animal e Genômica da Universidade de Wageningen e líder da iniciativa Global Methane Genetics, um projeto com mais de 50 parceiros em 25 países, incluindo programas na África e na América Latina.

"Selecionar animais com baixas emissões em programas de melhoramento genético para a próxima geração reduzirá significativamente as emissões ao longo do tempo."

Pesquisador diz que redição em 25% de emissões de metano na pecuária em 25 anos é objetivo realista — Foto: Getty Images via BBC

"Gravamos vídeos de galinhas e vacas em grupos, ou de vacas individualmente caminhando em frente a uma câmera. A partir dos vídeos, usamos IA para monitorar seu comportamento: o quanto se movem, se se movem normalmente ou se têm problemas nas patas, se descansam o suficiente ou se movem muito pouco", explica.

"Com base nesses dados, desenvolvemos medidas para monitorar ou melhorar o bem-estar animal."

Todos os anos, pessoas de todo o mundo frequentam os cursos da escola de verão de Wageningen, incluindo o curso de estufas de alta tecnologia, que começa em 31 de agosto.

As estufas nos Países Baixos exigem um investimento significativo, mas Zepeda afirma que alguns elementos dessa tecnologia podem ser aplicados em regiões como a América Latina.

Um deles é a hidroponia, ou irrigação por gotejamento. "Aqui a água não é o problema, mas é na América Latina", ela destaca.

Luzes LED de diferentes cores permitem controlar quais compostos a planta produz — Foto: Joris Aben/WUR

Outra opção é o uso de luz adicional de diferentes cores para ajudar as plantas a produzirem mais.

Mas tanto Zepeda quanto Vieira concordam que as soluções devem ser adaptadas a cada contexto específico.

"É importante ressaltar que não se trata de um simples processo de 'copiar e colar'", afirma Vieira.

"Um exemplo claro é o controle climático em estufas. Nos Países Baixos, o principal desafio é aquecer o ambiente e fornecer luz artificial para compensar a baixa radiação solar durante o inverno.

Na América Latina, especialmente nas regiões tropicais, o desafio é praticamente o oposto: reduzir as temperaturas excessivas e melhorar o aproveitamento da alta disponibilidade de radiação solar.

Uma possível tecnologia que poderia ser transferida, segundo Zepeda, é a parede úmida ou sistema de resfriamento ativo, no qual a ventilação é feita pela passagem de água fria através de mantas em uma extremidade da estufa e pela instalação de um exaustor na outra extremidade para recircular o ar frio.

Para Vieira, "o principal valor das inovações desenvolvidas em Wageningen reside não na sua replicação direta, mas na sua adaptação inteligente, que contribui para sistemas agrícolas mais eficientes, resilientes e sustentáveis ​​na América Latina".

'As plantas são cultivadas em substratos, o que permite um maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase total da água de irrigação', destaca Vieira. — Foto: Joris Aben/WUR

"Com uma população crescente, teremos que aumentar a produção de alimentos, preservando os recursos naturais e promovendo a inclusão socioeconômica de produtores com diferentes perfis, desde agricultores familiares até grandes produtores", destaca Vieira.

"Precisamos ser capazes de aumentar a produção de alimentos preservando simultaneamente os recursos naturais e promovendo a inclusão socioeconômica de produtores com diferentes perfis, desde agricultores familiares até grandes produtores", observa ele.

"Um dos principais desafios será produzir de forma mais eficiente e rentável, sem a necessidade de expandir as fronteiras agrícolas para preservar a biodiversidade."

"Além disso, há uma crescente necessidade de promover sistemas de agricultura regenerativa que não apenas minimizem os impactos ambientais, mas também contribuam para a recuperação de áreas degradadas."

Zepeda destaca que, enquanto no passado o foco era produzir calorias suficientes, agora a questão é: como garantir que todos tenham os nutrientes necessários?

Com as mudanças climáticas e as secas, acrescenta, é muito mais difícil produzir em campo aberto para fornecer esses nutrientes à população.

"Vejo que a horticultura tem um valor imenso", diz Zepeda. "Porque com uma estufa você pode produzir mais em uma área menor e proteger suas plantações", ressalta ela.

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Por que roupas estão tão caras na Argentina — e governo Milei estimula compras fora do país

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 11/05/2026 01:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,894-0,59%Dólar TurismoR$ 5,094-0,58%Euro ComercialR$ 5,765-0,23%Euro TurismoR$ 6,014-0,28%B3Ibovespa184.108 pts0,49%MoedasDólar ComercialR$ 4,894-0,59%Dólar TurismoR$ 5,094-0,58%Euro ComercialR$ 5,765-0,23%Euro TurismoR$ 6,014-0,28%B3Ibovespa184.108 pts0,49%MoedasDólar ComercialR$ 4,894-0,59%Dólar TurismoR$ 5,094-0,58%Euro ComercialR$ 5,765-0,23%Euro TurismoR$ 6,014-0,28%B3Ibovespa184.108 pts0,49%Oferecido por

Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina publicado em março do ano passado, a Argentina tem as roupas mais caras da região — Foto: Getty Images via BBC

Em uma loja de roupas baratas em Miami Beach, nos Estados Unidos, quatro argentinos vasculham as araras, escolhem peças sem entrar no provador e empilham roupas no carrinho.

"Viemos comprar roupas nos EUA porque os preços são muito mais baixos do que na Argentina", diz Macarena, de 29 anos, em seu primeiro dia na cidade.

Para os argentinos que podem viajar ao exterior, comprar roupas em Miami — ou, mais perto, em Santiago, no Chile — virou um dos principais incentivos na hora de viajar.

"Antes de viajar, me organizei financeiramente para levar dinheiro suficiente, já reservando espaço na mala para voltar com as roupas que compraria", acrescenta Macarena.

Enquanto enchem carrinhos de compras em Miami, muitos argentinos tentam prolongar o uso de roupas gastas, recorrem a lojas de roupas de segunda mão e ao parcelamento com juros altos para renovar o guarda-roupa.

Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina publicado em março do ano passado, a Argentina tem as roupas mais caras da região.

O estudo concluiu que uma camiseta de uma marca internacional pode custar na Argentina até 95% mais do que no Brasil, antes da redução das tarifas de importação de produtos têxteis determinada pelo governo do presidente da Argentina, Javier Milei.

Muitos argentinos levam malas para fazer compras em shoppings do Chile — Foto: Getty Images via BBC

Há vários anos, os preços das roupas na Argentina são tema de debate e dividem opiniões no país.

No início deste ano, o ministro da Economia, Luis Caputo, gerou polêmica ao afirmar: "Nunca comprei roupas na Argentina porque era um roubo". Ele acrescentou que os altos preços das peças "prejudicam quem tem menos [dinheiro]".

Segundo um relatório da consultoria Fundar, os preços das roupas na Argentina são, em média, mais altos do que no restante da região. Apesar disso, embora haja consenso de que as roupas "estão caras", não existe acordo sobre qual seria a solução.

Enquanto o setor têxtil defende a redução de impostos e proteção por meio de um câmbio mais alto, o governo de Milei aposta na abertura da economia a produtos importados, incluindo mercadorias da China.

O presidente da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, Claudio Drescher, define o momento atual como uma "destruição da indústria têxtil na Argentina".

"Mais da metade do valor pago pelo consumidor por uma peça produzida no país corresponde a impostos", afirma Drescher à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Segundo Drescher, representante do setor têxtil argentino, o preço de cada peça inclui uma série de tributos, começando pelos 21% do imposto sobre valor agregado (IVA), um tributo nacional indireto cobrado sobre o consumo de bens. O IVA é a principal fonte de arrecadação do Estado argentino.

Além do IVA, há o imposto do cheque de 1,2% sobre movimentações bancárias, cobrado a cada transferência de dinheiro entre bancos. O tributo foi criado em 2001 como medida temporária, mas permanece em vigor há mais de 24 anos na Argentina (há similaridades com a extinta CPMF brasileira).

"Esse é um imposto que a maior parte dos países não costuma ter", explica à BBC News Mundo, Juan Carlos Hallak, doutor em economia pela Universidade Harvard, nos EUA, e professor de economia internacional na Universidade de Buenos Aires, na Argentina.

"É um imposto cumulativo. Isso significa que, se um parafuso é vendido e depois incorporado a uma peça, que por sua vez entra na fabricação de uma máquina, o tributo é cobrado em cada etapa do processo, nesse caso, três vezes", acrescenta Hallak, que dirigiu a subsecretaria de Inserção Internacional do governo do então presidente argentino Mauricio Macri (2015-2019).

Segundo a Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, uma peça produzida na Argentina pode custar até 30% menos no Chile — Foto: Getty Images via BBC

A esses tributos se soma ainda uma taxa de 1,8% para pagamentos feitos com cartão. E, quando a compra é parcelada, como ocorre em quase 90% das compras de roupas no país, o parcelamento adiciona ainda quase 15% em custos financeiros ao valor final.

"Uma peça produzida na Argentina e vendida no país custa entre 25% e 30% mais do que custaria se essa mesma peça fosse vendida no Chile", afirma Drescher, da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina.

Segundo dados da entidade, as vendas de marcas argentinas caíram, em média, 38% nos últimos 18 meses, o que levou ao fechamento de mais de 1.600 lojas.

Além disso, mais de 10 mil trabalhadores formais da indústria de confecção perderam o emprego. Especialistas estimam que o setor têxtil gere cerca de 300 mil postos de trabalho na Argentina.

Na semana passada, Milei afirmou durante um fórum empresarial que o que ocorre é uma "realocação da força de trabalho" e que trabalhadores demitidos poderiam "migrar mais rapidamente" para setores mais competitivos da economia.

Desde que Milei assumiu o governo, foram derrubados 24 impostos. As medidas, no entanto, não atingiram a indústria têxtil, mas outros setores da economia.

"O governo reduziu impostos internos sobre produtos como carros de luxo. Na minha opinião, neste momento de transição vivido pela Argentina, teria sido preferível reduzir o imposto sobre movimentações bancárias", afirma Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires.

O preço alto das roupas não é explicado apenas pela elevada carga tributária e pelo chamado "atraso cambial", que torna produtos fabricados na Argentina caros tanto dentro quanto fora do país.

Segundo especialistas, o problema também está ligado às barreiras à importação de roupas em vigor há anos na Argentina e que o atual governo vem reduzindo.

Antes do governo de Milei, que assumiu o poder no fim de 2023, roupas produzidas no exterior pagavam tarifa de 35% para entrar na Argentina.

"Em geral, os países cobram tarifas de importação, mas as taxas aplicadas pela Argentina ao setor têxtil eram bastante altas", explica Hallak sobre as medidas de proteção à indústria têxtil.

O atual governo afirma que essa política de proteção transforma alguns empresários argentinos em "caçadores de zoológico", expressão usada para descrever produtores que, sem concorrência externa, conseguem definir preços com maior liberdade.

Por isso, no ano passado, o governo anunciou a redução das tarifas de importação para roupas e calçados vindos do exterior, que passaram de 35% para 20%, "com o objetivo de reduzir os preços locais e aumentar a concorrência".

"A Argentina continua sendo o país com as roupas mais caras da região e do mundo", afirmou Caputo, ao anunciar a medida. "Seguimos reduzindo impostos e tarifas para estimular a concorrência e continuar reduzindo a inflação", acrescentou.

Além de reduzir tarifas de importação, o governo passou a permitir pequenas compras internacionais via courier, sistema que possibilita comprar produtos pela internet diretamente de lojas no exterior.

Muitos argentinos comemoraram a possibilidade de fazer compras online em marcas como a Shein, que oferecem peças muito mais baratas do que as produzidas na Argentina, algo até então incomum no país.

Vale lembrar que, em 2024, o Brasil seguiu um caminho diferente ao adotar uma lei que estabeleceu a taxação em 20% para compras internacionais de até US$ 50 em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas". A taxação foi uma resposta do governo ao pleito de varejistas, após o forte aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e aqueles importados através das plataformas online.

A medida brasileira, criticada por parte dos consumidores por causa da elevação do custo, teve como efeito a redução das importações e um aumento da arrecadação fiscal.

Macarena, a argentina citada no início desta reportagem que faz compras em Miami, ainda não se sente segura para comprar roupas pela internet diretamente da China, mas diz que pretende experimentar porque amigas já fizeram isso e "deu tudo certo".

Além da redução das tarifas de importação e da liberação do comércio eletrônico, o governo argentino também extinguiu as chamadas "licenças não automáticas de importação", como parte da abertura comercial.

A medida reverteu uma decisão do governo de Alberto Fernández (2019-2023), que exigia autorizações obrigatórias para importadores. A regra, uma barreira não tarifária, tinha como objetivo restringir a entrada de determinados produtos estrangeiros.

Na prática, empresas estrangeiras precisavam obter autorização especial para importar roupas para a Argentina.

"Isso levou a regulações discricionárias. Se você tem o poder de conceder permissões, decide para quem concede e para quem não concede", explica Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires.

As medidas recentes adotadas pelo governo argentino provocaram um forte impacto no setor têxtil argentino.

Segundo a Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, os preços das roupas subiram 15% no último ano, bem abaixo da inflação acumulada de 33% registrada até fevereiro de 2026. Ao mesmo tempo, a produção local de roupas caiu 15% no período.

Para os representantes do setor, a abertura às importações, somada aos altos impostos, à queda do consumo interno e ao chamado "dólar caro", reduziu a competitividade dos produtos argentinos.

Ou, como dizem os argentinos, faz com que a indústria jogue "com o campo inclinado" — expressão usada para indicar uma competição em desvantagem diante de produtos importados, principalmente da China, como os vendidos pela Shein e pela Temu.

"Não vamos produzir de tudo. Vamos produzir algumas coisas, aquelas em que somos melhores. Naquilo em que somos ruins, não teremos chance", disse Milei no fim de abril diante de um grupo de empresários argentinos.

Milei afirmou que a falta de competitividade da indústria têxtil argentina diante da China não está relacionada apenas aos custos, mas também à inovação.

"A Itália tem salários mais altos do que os nossos e, ainda assim, possui uma indústria têxtil forte. Como isso é possível? Eles competem por meio do design. Precisam encontrar uma saída", disse o presidente argentino.

"Culpar os estilistas e dizer que precisamos nos virar para competir com a China me parece uma perversidade como nunca vi na vida", respondeu o estilista argentino Benito Fernández.

Para Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires, a abertura econômica é um sinal positivo para a economia argentina no longo prazo, mas a velocidade das mudanças preocupa.

"É uma abertura às importações muito agressiva em um setor extremamente sensível. Colocar pressão demais sobre esse setor de uma vez, sem dar tempo para adaptação, pode ser um erro", afirma Hallak.

Ele defende que a indústria têxtil tenha mais prazo para implementar mudanças e competir com produtos importados nos segmentos em que possa ser competitiva.

"Tudo isso leva tempo. Se o processo for rápido e abrupto, empresas que poderiam sobreviver, se adaptar e apostar em competitividade acabarão desaparecendo", conclui Hallak.

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O Brasil e a nova estratégia chinesa – O Assunto #1716

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 11/05/2026 00:50

Podcasts O Assunto O Brasil e a nova estratégia chinesa – O Assunto #1716 O país asiático vem reduzindo sua dependência externa, especialmente de importações como soja e proteínas brasileiras, o que pode, no longo prazo, afetar exportadores. Por Victor Boyadjian

A China passa por uma transformação que afeta diretamente o Brasil. A potência asiática busca reduzir sua dependência externa — especialmente de importações como soja e proteínas brasileiras.

Pequim acelera uma estratégia de autossuficiência alimentar porque a fome, historicamente presente no país, é tratada hoje como uma "vulnerabilidade".

Diante disso, analistas avaliam que a relação bilateral permanece sólida no curto prazo, mas impõe um desafio estratégico: como o Brasil deve se posicionar diante de uma China que continua investindo aqui, mas busca depender cada vez menos do mundo?.

A China passa por uma transformação que afeta diretamente o Brasil. Como explica Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), a potência asiática busca reduzir sua dependência externa — especialmente de importações como soja e proteínas brasileiras.

Pequim acelera uma estratégia de autossuficiência alimentar porque a fome, historicamente presente no país, é tratada hoje como uma "vulnerabilidade". Por isso, o 15º Plano Quinquenal, que orienta o desenvolvimento do gigante asiático, projeta um crescimento mais moderado e maior foco no fortalecimento do mercado interno. Nesse contexto, segurança alimentar e segurança nacional passam a caminhar juntas.

Esse movimento já aparece nos indicadores: na última década, a participação das importações no PIB chinês caiu de 22% para menos de 18%. Na área de alimentos, a estratégia combina tecnologia, subsídios, expansão da produção doméstica e estoques elevados — um cenário que tende a pressionar exportadores no longo prazo. Hoje, o Brasil responde por 25% de tudo o que a China importa do agronegócio global.

Diante disso, analistas avaliam que a relação bilateral permanece sólida no curto prazo, mas impõe um desafio estratégico: como o Brasil deve se posicionar diante de uma China que continua investindo aqui, mas busca depender cada vez menos do mundo?

Para Wachholz, o país também precisa ficar atento a possíveis acordos entre Estados Unidos e China e ampliar seu leque de parceiros comerciais.

Convidado: Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais)

O Brasil é dependente da China? E quais os riscos disso?;Como a trégua entre EUA e China impacta as exportações de soja do Brasil;O plano da China que pode mudar a economia global;JN: A cidade que simboliza o avanço tecnológico da China;Como a China venceu corrida global das baterias para veículos elétricos;Qual é o papel da China na crise climática?;FANTÁSTICO: Da bicicleta ao carro voador: a revolução na China que atropela o Ocidente.

O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti , Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Victor Boyadjian. Colaborou neste episódio Paula Paiva Paulo.

O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.

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Petróleo volta a subir com negociações sem sucesso entre EUA e Irã

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/05/2026 21:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,892-0,63%Dólar TurismoR$ 5,101-0,44%Euro ComercialR$ 5,765-0,22%Euro TurismoR$ 6,018-0,21%B3Ibovespa183.218 pts-2,38%MoedasDólar ComercialR$ 4,892-0,63%Dólar TurismoR$ 5,101-0,44%Euro ComercialR$ 5,765-0,22%Euro TurismoR$ 6,018-0,21%B3Ibovespa183.218 pts-2,38%MoedasDólar ComercialR$ 4,892-0,63%Dólar TurismoR$ 5,101-0,44%Euro ComercialR$ 5,765-0,22%Euro TurismoR$ 6,018-0,21%B3Ibovespa183.218 pts-2,38%Oferecido por

Os preços do petróleo abriram em alta no mercado asiático na manhã desta segunda-feira (11), no horário local, pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que rejeitava a resposta do Irã à proposta de paz de Washington e de o Irã renovar suas ameaças no Estreito de Ormuz.

O Brent, referência internacional para entrega em julho, subiu 2,69%, para 104,01 dólares por barril. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate, avançou 2,54%, para 97,84 dólares por barril.

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Cavalo atleta volta a treinar após cirurgia inédita na medula no interior de SP

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/05/2026 07:48

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Cavalo atleta volta a treinar após cirurgia inédita na medula no interior de SP Técnica desenvolvida por veterinário ao longo de 30 anos recupera animal que sofria de incoordenação motora. Dono comemora evolução e espera retorno do cavalo às competições. Por Nosso Campo, TV TEM

A recuperação foi possível graças a uma técnica cirúrgica inovadora desenvolvida por um veterinário.

Cavalo de quatro anos retoma treinos após cirurgia para tratar lesão na medula que comprometeu o desempenho esportivo — Foto: TV TEM/Reprodução

Um cavalo atleta de quatro anos voltou a treinar em Jundiaí (SP) após passar por uma cirurgia considerada um avanço no tratamento de lesões na medula.

O animal, da raça Brasileiro de Hipismo (BH), havia sofrido uma queda que causou incoordenação motora e comprometeu sua carreira esportiva. A recuperação reacende a esperança de seu retorno às competições.

A lesão na coluna cervical do cavalo foi tratada com uma técnica cirúrgica desenvolvida pelo médico veterinário Luiz Vasconcelos. Segundo o profissional, o procedimento é resultado de mais de 30 anos de estudos e representa um marco na medicina veterinária equina.

De acordo com Vasconcelos, estima-se que até 40% dos cavalos no mundo possam ter esse tipo de lesão, muitas vezes não diagnosticada. O problema, com o tempo, afeta o desempenho do animal e pode colocar em risco a segurança do cavaleiro.

O proprietário e domador do cavalo, Lucas Teixeira Lima, acompanha a recuperação de perto e comemora os resultados. Ele relata uma melhora significativa no comportamento e nos movimentos do animal, e a expectativa é que a carreira esportiva seja retomada em breve.

O sucesso do procedimento representa não apenas a chance de retorno do animal às competições, mas também um avanço importante no tratamento de lesões que, até então, poderiam encerrar a carreira de cavalos atletas.

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Guerra no Oriente Médio abala imagem de Dubai como centro financeiro seguro

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/05/2026 05:49

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,892-0,63%Dólar TurismoR$ 5,101-0,44%Euro ComercialR$ 5,765-0,22%Euro TurismoR$ 6,018-0,21%B3Ibovespa183.218 pts-2,38%MoedasDólar ComercialR$ 4,892-0,63%Dólar TurismoR$ 5,101-0,44%Euro ComercialR$ 5,765-0,22%Euro TurismoR$ 6,018-0,21%B3Ibovespa183.218 pts-2,38%MoedasDólar ComercialR$ 4,892-0,63%Dólar TurismoR$ 5,101-0,44%Euro ComercialR$ 5,765-0,22%Euro TurismoR$ 6,018-0,21%B3Ibovespa183.218 pts-2,38%Oferecido por

Cerca de 20 milhões de turistas visitaram Dubai no ano passado – uma das principais atrações do emirado é o Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo — Foto: David Davies/empics/PA Wire/picture alliance via DW

Dubai construiu uma reputação como oásis de estabilidade em uma região do Oriente Médio conhecida pelas tensões regionais.

O segundo emirado mais rico dos Emirados Árabes Unidos se posicionou como um centro financeiro seguro, onde ricos de todo o mundo podiam alocar capital, conduzir negócios e planejar o futuro com confiança.

Ataques iranianos com mísseis e drones contra alvos no Golfo Pérsico provocaram um forte choque econômico, com os mercados acionários de Dubai e do vizinho Abu Dhabi perdendo inicialmente 120 bilhões de dólares (R$ 598 bilhões) em valor.

Ao mesmo tempo, o turismo despencou, a taxa de ocupação hoteleira caiu dos usuais 70% ou 80% para 20%, e os voos de e para o Aeroporto Internacional de Dubai recuaram cerca de dois terços, segundo a consultoria londrina Capital Economics.

Embora o tráfego aéreo, o turismo e os negócios estivessem se recuperando em meio ao cessar-fogo provisório, um novo ataque de drones iranianos ao complexo petrolífero de Fujairah, nesta segunda-feira (04/05), trouxe um lembrete indesejado: quanto mais durar o impasse entre Washington e Teerã, maior será a ameaça à reputação de Dubai como polo global de negócios.

Algumas das pessoas de altíssimo patrimônio que adotaram Dubai como playground dos ricos e famosos passaram a questionar se o emirado é, de fato, orefúgio seguro que prometia ser. Muitas delas já recorrem a outros dois grandes centros financeiros, Singapura e Suíça, para alocar ao menos parte de seus ativos.

Consultores de patrimônio nesses dois países relataram recentemente um aumento acentuado nas consultas de clientes baseados em Dubai, com banqueiros privados suíços esperando dezenas de bilhões de dólares em novos fluxos vindos do Golfo.

Os dois centros não são concorrentes diretos e costumam atrair perfis distintos de riqueza, afirma Ryan Lin, advogado baseado em Singapura e diretor do escritório Bayfront Law. "A Suíça tende a atrair clientes europeus e globais, enquanto Singapura tem mais probabilidade de se beneficiar de riqueza de origem asiática", explica.

O turismo contribui com cerca de 12% da renda anual de Dubai — uma receita que foi severamente impactada pela guerra. — Foto: Fatima Shbair/AP Photo/picture alliance via DW

Singapura foi pioneira no modelo que Dubai mais tarde emulou, ao construir um ecossistema sofisticado de family offices, como são chamadas as estruturas privadas criadas para gerir investimentos, planejamento tributário e sucessório. Essas soluções são especialmente atraentes para famílias de países como China, Índia e Indonésia.

A Suíça, por sua vez, se apoia numa longa tradição de bancos privados e em sua reputação de neutralidade. Para quem busca retirar parte dos ativos de Dubai, a mudança costuma ser uma "escolha entre crescimento e preservação", segundo Till Christian Budelmann, diretor de investimentos do banco privado suíço Bergos.

"Singapura é excelente para capturar o crescimento asiático, mas a Suíça continua sendo o principal porto de ancoragem do mundo para a preservação de capital", diz Budelmann. Ele acrescenta que o país alpino "oferece um nível de distância sistêmica de focos geopolíticos que Singapura nem sempre pode garantir".

Além da retração imediata, o conflito ameaça o apelo de longo prazo de Dubai para expatriados e empresas. O estilo de vida cosmopolita da cidade ajudou a impulsionar um boom imobiliário que fez os preços de mansões de alto padrão quase dobrarem entre a pandemia e o fim de 2024.

Agora, muitos estão preocupados com o setor. Em março, o valor total das transações residenciais caiu quase 20% na comparação mensal, para cerca de 10,1 bilhões de dólares (R$ 50 bilhões), informou a Bloomberg no mês passado.

Projeções para o mercado imobiliário de Dubai feitas pelo Citi Research e pela consultoria Knight Frank agora apontam para uma possível correção de preços entre 7% e 15%.

Apesar dos ataques iranianos, a maioria dos indivíduos de alto patrimônio não está deixando Dubai, mas diversificando.

Budelmann descreve esse movimento como "hibridismo estratégico", no qual os clientes mantêm seus negócios operacionais e alguns ativos nos Emirados, mas transferem a riqueza de longo prazo e, em muitos casos, estabelecem uma residência secundária em Singapura ou na Suíça.

Cerca de um quinto dos clientes de Lin baseados em Dubai planeja permanecer onde está e vê a instabilidade causada pela guerra como temporária.

Para muitos outros, ter uma base em outro lugar passou a ser considerado uma apólice de seguro essencial.

Antes da guerra, a economia de Dubai estava em plena expansão. Em 2025, o emirado registrou crescimento do PIB de cerca de 4,7% nos primeiros nove meses do ano.

Um recorde de 9.800 milionários se mudou para Dubai no ano passado, levando consigo cerca de 63 bilhões de dólares (R$ 314 bilhões) em nova riqueza, segundo a consultoria Henley and Partners.

O emirado oferece imposto de renda zero para pessoa física, não cobra imposto sobre ganhos de capital nem sobre herança e aplica um imposto corporativo de apenas 9% sobre lucros acima de cerca de 100 mil dólares (R$ 498 mil). Empresas em zonas de livre comércio não pagam imposto algum sobre a renda qualificada.

Inicialmente um modesto assentamento no deserto, Dubai passou os últimos 50 anos expandindo os limites da inovação e da engenharia.

Analistas acreditam que, se o cessar-fogo se mantiver e a confiança retornar rapidamente, Dubai pode se recuperar com rapidez. Eles também alertam contra descartar a cidade que abriga o prédio mais alto do mundo – o Burj Khalifa – e uma longa lista de outros projetos aparentemente impossíveis que se tornaram ícones globais.

Antes da guerra, o governante de Dubai, o xeique Mohammed bin Rashid al-Maktoum, colocou em marcha planos para transformar o aeroporto de Dubai no maior hub de aviação do mundo e dobrar o tamanho da economia até 2033.

Outros projetos audaciosos também estão previstos para o futuro da cidade, como planos para uma passarela climatizada de 93 quilômetros, conhecida como The Loop, o maior sistema de recifes artificiais do mundo, com mais de 1 bilhão de corais, e um chamativo hotel na forma da Lua, voltado para o turismo de luxo.

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As colegas de trabalho que tinham a mesma tatuagem e descobriram que eram irmãs

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/05/2026 04:45

Trabalho e Carreira As colegas de trabalho que tinham a mesma tatuagem e descobriram que eram irmãs Julia Tinetti e Cassandra Madison cresceram a apenas 15 minutos de carro uma da outra e foram amigas por anos antes que testes revelassem que eram irmãs Por BBC

Quando se conheceram, Cassandra Madison (à esquerda) e Julia Tinetti não faziam ideia de que eram irmãs — Foto: Julia Tinetti

Julia Tinetti e Cassandra Madison tinham muito em comum e, pouco depois de se conhecerem trabalhando no mesmo bar, viraram grandes amigas. Na época, nenhuma das duas imaginava o quanto eram próximas.

Tinetti e Madison cresceram nos anos 1990 em Connecticut, nos Estados Unidos. Embora não se conhecessem na infância, moravam a cerca de 15 minutos uma da outra, e ambas eram adotadas.

Quando criança, Madison sempre pensava sobre sua mãe biológica e sonhava em conhecê-la um dia. Ela se perguntava se tinha herdado dela o sorriso ou os olhos. Sabia que sua família biológica vinha da República Dominicana, no Caribe.

"Eles decidiram me entregar para adoção porque eram muito, muito, muito, muito pobres e simplesmente não tinham condições de me criar", diz Madison.

No começo da vida adulta, Madison tentou encontrar a família biológica, mas não tinha certidão de nascimento, e todas as tentativas fracassaram.

Aos 19 anos, tatuou a bandeira da República Dominicana no braço para lembrar suas origens. "Ser dominicana é motivo de muito orgulho para mim", afirma.

Cinco anos depois, Madison começou a trabalhar como garçonete em um bar. Foi lá que conheceu Tinetti, que reparou na tatuagem da bandeira dominicana em seu braço.

Madison (à esquerda) e Tinetti (à direita) foram adotadas ainda bebês na República Dominicana — Foto: Cassandra Madison and Julia Tinetti

Por coincidência, Tinetti também tinha uma tatuagem da bandeira da República Dominicana, no caso dela, nas costas. Ela fez a tatuagem aos 22 anos, como uma lembrança do lugar onde também havia nascido.

"Eu disse algo como: 'Sim, fui adotada de lá'", conta Tinetti. "E [ela] respondeu: 'Espera, porque eu também fui adotada de lá.' Aquilo me paralisou."

As duas começaram então a perguntar a outras pessoas: "'Vocês acham que a gente se parece?' E elas respondiam: 'Sim, vocês se parecem'", lembra Tinetti. Pouco depois, já brincavam dizendo que eram irmãs. Madison chegou a sugerir que usassem roupas iguais para parecerem ainda mais parecidas.

O reencontro no aeroporto foi muito emocionante, com toda a família reunida para receber as irmãs — Foto: Julia Tinetti

Tudo começou como brincadeira, mas em determinado momento elas passaram a cogitar a possibilidade de serem parentes. Decidiram comparar os documentos de adoção, mas nada indicava que fossem irmãs. Os papéis mostravam que haviam nascido em lugares distintos e que suas mães biológicas tinham sobrenomes diferentes.

Com o passar do tempo, as duas mudaram de emprego e seguiram caminhos diferentes. Tinetti permaneceu em Connecticut, enquanto Madison se mudou para a Virgínia, também nos EUA. Elas continuaram em contato, mas a distância fez com que deixassem de ser tão próximas como antes.

Anos depois, Madison ganhou de Natal um kit de teste genético. Por meio dele, encontrou uma prima, que lhe contou que sua mãe biológica havia morrido em 2015. A notícia foi devastadora, mas a prima a ajudou a localizar outros membros da família, incluindo o pai biológico.

Madison então marcou uma ligação com o pai biológico, Adriano Luna Collado, que relatou parte do que aconteceu quando ela foi entregue para adoção. Segundo ele, a família era tão pobre que dormia em chão de terra batida.

Quando a mãe de Madison estava grávida dela, o irmão mais velho também estava muito doente, e o pai concluiu que a única forma de a família sobreviver seria entregá-la para adoção.

Pouco depois, Madison começou a planejar uma viagem para a República Dominicana. Toda a família biológica a esperava no aeroporto usando camisetas com fotos dela. Madison correu para os braços do pai, os dois se abraçaram e choraram juntos.

A viagem foi maravilhosa, mas a volta para casa trouxe uma reviravolta inesperada. Uma mulher chamada Molly entrou em contato. Ela havia sido a melhor amiga de infância de Tinetti. Os pais das duas viajaram juntos dos EUA para a República Dominicana para adotar as filhas.

Molly acreditava ser irmã biológica de Madison porque as duas tinham o mesmo nome de mãe nas certidões de nascimento. Mas testes de DNA revelaram que elas não eram irmãs — apenas primas distantes — e que o nome na certidão estava errado.

Molly, no entanto, tinha uma foto da mãe biológica de Madison que, segundo ela, era idêntica a Tinetti. Por isso, insistiu que, na verdade, Madison e Tinetti eram irmãs.

Madison e Tinetti, fotografadas com o pai biológico e a filha de Madison, descobriram uma família cuja existência desconheciam — Foto: Julia Tinetti

Madison ligou para o pai biológico por vídeo e perguntou se os pais haviam entregue outro bebê para adoção.

"Parecia que ele tinha perdido o chão", diz Madison. "Então respondeu: 'Sim, entreguei.' E eu fiquei: 'Meu Deus. Você nunca me contou isso.'"

Com a nova revelação, Madison sentiu que não havia tempo a perder. Assim que pôde, conseguiu outro kit de teste genético e dirigiu por oito horas, atravessando uma tempestade de neve, até a cidade onde Tinetti morava.

Os resultados demoraram duas semanas e meia para sair. A espera foi angustiante para as duas. Nenhuma delas conseguia se concentrar no trabalho enquanto aguardava a notícia.

"Sinceramente, isso é uma loucura", afirma Tinetti. "Esse tempo todo nós éramos irmãs e nem sabíamos."

Madison chorou ao descobrir. Ela contou ao pai, que ficou radiante e quis conhecer Tinetti o quanto antes. Então, as irmãs começaram a planejar uma viagem juntas para a República Dominicana.

Quando chegaram, toda a família mais uma vez as esperava no aeroporto, desta vez usando camisetas com fotos das duas. O pai caminhou até Tinetti, deu um abraço apertado nela e disse: "Mi hija" ("minha filha", em espanhol).

Tinetti e Madison foram recebidas pela família com camisetas estampadas com a frase: "Bem-vindas à sua família" — Foto: Julia Tinetti

A primeira viagem das duas como irmãs foi cheia de alegria, música e dança. Collado afirma que reencontrar as filhas foi o maior presente que Deus já lhe deu.

"Estou muito feliz, verdadeiramente feliz. Toda vez que elas vêm me visitar, meu coração se enche de alegria. Nós as recebemos com amor e carinho, como toda família deveria fazer", afirma. "É uma história bonita. Nem todo mundo tem uma história assim para contar."

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Como a indústria de autopeças da Argentina passou a sofrer com a ‘terapia de choque’ de Milei

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/05/2026 03:44

Carros Como a indústria de autopeças da Argentina passou a sofrer com a 'terapia de choque' de Milei Enquanto commodities avançam, pequenas e médias indústrias enfrentam queda de produção, fechamento de fábricas e demissões. Por Reuters

Dentro de uma pequena fábrica familiar de autopeças nos arredores de Buenos Aires, na Argentina, as linhas de produção desaceleraram.

A fábrica opera abaixo de sua capacidade, enquanto a empresa, a Suspenmec, tenta competir com a entrada maciça de peças importadas mais baratas, especialmente as vindas da China.

A mudança no mercado argentino aconteceu após afrouxar de forma significativa as regras do comércio exterior.

As vendas da empresa caíram cerca de 30% neste ano. A Suspenmec produz aproximadamente 600 tipos de componentes para sistemas de suspensão.

As reformas econômicas adotadas pelo presidente Javier Milei — como a redução das barreiras às importações e a política de um peso mais valorizado — ajudaram a estabilizar a economia. No entanto, para muitas pequenas e médias indústrias, que durante anos estiveram protegidas da concorrência externa, a mudança foi rápida e difícil.

As importações de autopeças cresceram 11,6% em 2025 em relação ao ano anterior, alcançando cerca de US$ 10,32 bilhões, segundo dados da entidade do setor AFAC.

As importações provenientes da China, por sua vez, cresceram 80,9% no mesmo período, atingindo US$ 1,46 bilhão — embora o Brasil continue sendo o principal fornecedor.

“É preocupante. Sentimos o impacto das importações livres de tarifas de tantas marcas”, disse Lucas Panarotti, sócio da Suspenmec, ao lado de máquinas paradas na fábrica.

Outros fabricantes de autopeças, como a sueca SKF e a norte-americana Dana, fecharam algumas de suas unidades na Argentina.

As dificuldades enfrentadas pelos produtores locais se refletem na queda da produção de autopeças, que recuou 22,5% nos dois primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, segundo o instituto oficial de estatísticas INDEC, que não informou os volumes produzidos.

A produção de veículos, que chegou a 490 mil unidades em 2025, caiu 19% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

“É um ponto de inflexão. Entramos muito rapidamente em um novo ecossistema, no qual a abertura da economia e do comércio internacional passou a pressionar as empresas industriais argentinas”, afirmou Nicolas Ballestrero, CEO do Grupo Corven, que registrou queda na produção e nas exportações neste ano.

Especialistas afirmam que, para se adaptar, a indústria automotiva argentina precisa se especializar mais e ampliar suas exportações.

Andres Civetta, economista especializado no setor industrial da consultoria Abeceb, estima que, no futuro, o país poderia exportar cerca de 400 mil veículos comerciais leves por ano — acima dos aproximadamente 280 mil enviados no ano passado — principalmente para o Brasil e outros mercados da América Latina.

A situação no setor de autopeças reflete uma tendência mais ampla, que favorece grandes exportadores de commodities, enquanto boa parte da indústria argentina voltada ao mercado interno enfrenta dificuldades.

Embora o superávit comercial do país sul-americano tenha aumentado para US$ 2,5 bilhões em março, 24.180 empresas — cerca de 5% do total em operação — fecharam as portas entre novembro de 2023, pouco antes de Milei assumir com uma agenda libertária de direita, e janeiro deste ano, segundo a consultoria Fundar.

Dados do INDEC indicam que a atividade econômica caiu 2,1% em fevereiro na comparação anual, enquanto setores como mineração, agropecuária e pesca registraram crescimento entre 8% e 15%. A indústria de transformação, no entanto, recuou 8,7%, e o comércio varejista teve queda de 7%.

“Com um peso que se valorizou 10% em relação a dezembro passado, o que implica uma inflação em dólar de 10%, haverá muitas dificuldades para empresas que produzem e competem com importados conseguirem ter sucesso”, disse Ricardo Delgado, economista que dirige a consultoria Analytica.

Delgado, que projeta um crescimento econômico de cerca de 2% na Argentina em 2026, afirmou que o principal problema é que os setores mais prejudicados pelo modelo econômico de Milei geram mais empregos e arrecadação de impostos do que outros, o que pode comprometer o superávit fiscal defendido pelo governo.

Esse cenário representa um equilíbrio delicado para Milei às vésperas de sua tentativa de reeleição. Uma pesquisa da consultoria Giacobbe & Associates indica taxa de aprovação de 36%, quase seis pontos percentuais abaixo do registrado em março.

O índice de confiança no governo, calculado pela Universidade Torcuato Di Tella, caiu para 2 pontos em abril, uma queda de 12% em relação ao mês anterior. O indicador é medido em uma escala de zero a 5.

As fábricas também enfrentam pressão devido à demanda enfraquecida, depois que o programa de austeridade adotado por Milei para conter a inflação reduziu o poder de compra dos argentinos.

A desaceleração também atingiu o mercado de trabalho. A taxa de desemprego subiu para 7,5% no quarto trimestre de 2025, frente a 6,4% um ano antes. Somente o setor de autopeças perdeu cerca de 5 mil postos de trabalho em 2025 — o equivalente a 10% de sua força de trabalho — segundo dados da AFAC.

Analistas afirmam que o desemprego seria ainda maior se não fosse a migração de trabalhadores demitidos para a informalidade, como atividades ligadas a aplicativos de transporte.

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