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Exportadoras dizem que carne brasileira pode não conseguir atender exigências da UE sobre antimicrobianos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 15:48

Agro Exportadoras dizem que carne brasileira pode não conseguir atender exigências da UE sobre antimicrobianos Em junho, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Por Mariana Assis, g1 — Brasília

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quinta-feira (16) que há grandes chances da produção de carnes brasileira não conseguir atender às exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobiano e, com isso, perder acesso a esse mercado.

"Eu acho que o Ministério da Agricultura está dialogando com todos os elos da cadeia, tanto com a indústria quanto com os pecuaristas, para se chegar a uma boa decisão que ainda não temos, mas a gente está acompanhando para que a gente chegue nessa boa decisão", afirmou Perosa.

Segundo Perosa, considerando o ciclo da criação bovina, as exigências podem não ser atendidas, pois a adaptação levaria cerca de 30 meses, ou seja, dois anos e meio.

🔎 Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser empregados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia.

No início de junho, a União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Com isso, o país ficará impedido de exportar carnes para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.

Na lista publicada em 2024, o Brasil estava autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel. Agora, o país estará impedido de exportar todos esses produtos para o bloco de países europeus.

Enquanto isso, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem habilitados a exportar para a União Europeia.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi retirado da lista por não apresentar as informações necessárias para comprovar que sua produção atende às exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos.

Embora represente uma parcela relativamente pequena do volume exportado pelo Brasil, o mercado europeu é considerado estratégico por concentrar a compra de cortes de maior valor agregado. No ano passado, 5% das exportações brasileiras de carne tiveram como destino a União Europeia.

O Terra da Gente registrou a famosa travessia da boiada de uma margem para a outra — Foto: Márcio de Campos

Além das restrições impostas pela União Europeia, o setor enfrenta outro desafio: as salvaguardas adotadas pela China. A partir de 1º de janeiro de 2026, o país passou a aplicar cotas de importação e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira.

A medida, com duração prevista de três anos, estabelece uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem esse volume ficam sujeitas a uma sobretaxa de 55%.

Segundo Perosa, os efeitos das restrições já começaram a ser percebidos neste mês, diante da dificuldade de escoar uma produção que cresceu significativamente nos últimos anos. Entre os reflexos, estão relatos de férias coletivas em frigoríficos.

Segundo ele, é justamente a demanda internacional que ajuda a sustentar os preços no mercado interno.

"O principal mercado do Brasil é o interno, mas a exportação complementa e faz esse mix que faz com que a gente não precise fazer uma elevação aguda dos preços internos. Esse mix que trazia essa garantia de remuneração do mercado externo com a China, isso não existe. E estamos vendo muitas indústrias com dificuldade. Hoje a maioria das indústrias estão trabalhando no vermelho", disse.

Questionado sobre os reflexos no preço da carne no Brasil, Perosa afirmou que, em um primeiro momento, os preços devem permanecer estáveis. Em um segundo momento, porém, a pressão sobre as margens de produção e o aquecimento da economia podem levar a reajustes.

"A tendência é que o preço da carne se mantenha estável, mas depois pode aumentar", declarou.

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LOGO MAIS: Governo brasileiro fala sobre novo tarifaço de 25% dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 14:46

Política Ao vivo Encerrada Especial Publicitário Governo brasileiro fala sobre novo tarifaço de 25% dos EUA Lula convocou reunião com ministros para discutir a posição do governo sobre a tarifa adicional. A medida entra em vigor em 22 de julho. Carregando

Últimos destaques Resumo Logo g1Atualizado há 1 min porRedação G1"Rubio ataca de forma grosseira e arrogante um chefe de estado de um país amigo. Claramente o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato do Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações", completou o chanceler. Leia maisÍcone de destaqueLogo g1Atualizado há 2 minutos porRedação G1Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativaO ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que não há justificativa para as novas tarifas de 25% anunciadas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiras. Segundo Vieira, a motivação da medida foi "política" e uma "tentativa de interferência dos EUA no Judiciário brasileiro". Leia reportagem.

Atualizado há 14 minutos porRedação G1Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fala agora sobre o tarifaço.

Atualizado há 56 minutos porRedação G1Boa tarde! O chanceler Mauro Vieira fará um pronunciamento sobre a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% contra produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A medida, anunciada na noite desta quarta-feira (15), vai atingir uma parcela das exportações do Brasil, mas preservará boa parte dos itens que mais geram receita nas vendas ao mercado americano. Leia a matéria completa aqui. O g1 transmite a fala ao vivo nesta página.

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Lula convoca ministros para reunião no Planalto após decisão dos EUA de impor ‘novo tarifaço’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 13:47

Política Lula convoca ministros para reunião no Planalto após decisão dos EUA de impor 'novo tarifaço' Governo fará pronunciamento à imprensa após a reunião. Nova tarifa de 25%, que entra em vigor em 22 de julho, atingirá principalmente bens industriais e alguns produtos agrícolas. Por Filipe Matoso, GloboNews — Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou ministros nesta quinta-feira (16) para discutir a posição do governo sobre a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o que vem sendo chamado de novo "tarifaço".

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira estão reunidos no Planalto para discutir o tema com o presidente.

Além disso, estão previstos dois pronunciamentos do governo sobre o tema após a reunião, nesta tarde: um na sede do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e outro no Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio (MDIC).

A decisão dos Estados Unidos de impor uma nova taxa sobre produtos brasileiros gerou uma disputa em torno da responsabilidade pelo novo "tarifaço".

Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação e culpa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a determinação tem caráter "ideológico" e "político".

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou nessa quarta-feira (15) a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de isenções.

Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora da nova tarifa de 25%. A medida entra em vigor em 22 de julho.

🔎 A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil nesta quinta-feira (16). Os fatores indicados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) variam entre os aspectos econômico, jurídico e até ambiental.

Apesar do tarifaço ser uma medida econômica, o governo Trump tem indicado que a medida tem caráter político.

Isso pode ser visto tanto na gama de argumentos utilizados pelo USTR, que não envolvem apenas fatores econômicos, quanto uma acusação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de que o governo Lula de "não negociar de boa-fé".

Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e disse que"repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira.

"Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil".

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Brasil é país que mais viu tarifas aumentarem desde que Trump voltou ao poder

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 12:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0940,3%Dólar TurismoR$ 5,3040,45%Euro ComercialR$ 5,8310,15%Euro TurismoR$ 6,0840,28%B3Ibovespa174.911 pts-0,62%MoedasDólar ComercialR$ 5,0940,3%Dólar TurismoR$ 5,3040,45%Euro ComercialR$ 5,8310,15%Euro TurismoR$ 6,0840,28%B3Ibovespa174.911 pts-0,62%MoedasDólar ComercialR$ 5,0940,3%Dólar TurismoR$ 5,3040,45%Euro ComercialR$ 5,8310,15%Euro TurismoR$ 6,0840,28%B3Ibovespa174.911 pts-0,62%Oferecido por

Em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média dos EUA contra produtos brasileiros era de 1,19%. No final deste mês, sob Trump, elas chegarão a 14,42%. — Foto: Reuters via BBC

Após o anúncio de novas tarifas de 25% contra produtos brasileiros feito pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15) o Brasil passará a ser o país que mais viu aumento de alíquotas americanas desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, em comparação com os 30 países que mais exportam para os EUA.

Quando Joe Biden encerrou seu mandato em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média dos EUA contra produtos brasileiros era de 1,19%. Atualmente a tarifa efetiva média é de 11,66%. No final deste mês, quando as medidas do governo Trump entrarem em vigor, a tarifa contra o Brasil terá subido para 14,42% — um salto de mais de 13 pontos percentuais.

Nenhum outro país viu um salto de tarifas tão grande desde que Trump voltou ao poder — apesar de diversos países terem sofrido também aumento nas suas alíquotas. As tarifas efetivas de importação subiram 9,57 pontos percentuais para produtos da Coreia do Sul, 8,39 para Tailândia, 7,7 para o Japão e 7,48 pontos para a China.

Os dados atualizados nesta quinta-feira (16/07) são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert (GTA), em que números de comércio global são compilados pelo St. Gallen Endowment, um centro de estudos independente baseado na Suíça. Esses dados já incluem o novo anúncio feito pela Casa Branca.

Os dados do GTA compilados com exclusividade a pedido da BBC News Brasil consideram apenas as tarifas efetivas (ou seja, as que realmente são cobradas em cima dos produtos) e não as tarifas nominais (que são as explícitas na legislação e anunciadas pelo governo).

Existe uma diferença entre as duas alíquotas, já que os EUA listam diversas exceções de produtos brasileiros que não precisam pagar as mesmas alíquotas (confira abaixo na reportagem).

A alíquota nominal anunciada pela Casa Branca é de 25%, mas na prática — considerando os mais de 2 mil produtos que são ou isentos dessas tarifas ou recebem alíquota menor — a tarifa efetiva média é de 14,42%, segundo o cálculo do GTA.

Produtos brasileiros só têm taxação menor do que a dos chineses — a tarifa efetiva média para importados da China nos EUA chegará a 21,5% no final deste mês.

O novo tarifaço de Trump fez o Brasil ultrapassar 11 países no ranking dos mais tarifados do mundo: Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália.

O Brasil foi alvo de uma grande investigação comercial iniciada em julho do ano passado — na qual acusa o governo brasileiro de uma série de práticas comerciais desleais.

Em junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que conduziu a investigação, havia sugerido em um documento de 107 páginas diversas medidas de retaliação contra o Brasil, com tarifas de 25% sobre os produtos brasileiros.

Nesta quarta-feira, o governo americano anunciou sua decisão final, que é levemente mais branda do que a sugestão dada pelo USTR no mês passado.

A proposta original da USTR teria elevado as tarifas efetivas médias contra produtos brasileiros a 14,89%, pelos cálculos do GTA. Agora a entidade suíça calcula que a tarifa média será de 14,42%.

As tarifas americanas incidem sobre milhares de produtos importados como açúcar, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, papel e aço — mas há também uma vasta lista de exceções que foram divulgadas em um anexo em junho.

Na nova decisão desta semana, os EUA incluíram outros produtos como mel orgânico, ferro-gusa e café solúvel sem sabor na lista de isenções.

Os EUA fizeram consultas em audiências públicas abertas a todos os setores da economia. O documento divulgado pelo governo americano nesta semana afirma que nas consultas as autoridades receberam comentários de setores industriais dos EUA, alegando que alguns produtos brasileiros deveriam entrar na lista de exceção das tarifas.

Entre os motivos alegados estão o fato de que alguns desses produtos são de difícil substituição, apresentam risco de causar interrupções na cadeia de suprimentos ou pouco contribuiriam para os objetivos da investigação dos EUA.

Apenas um quarto dos produtos brasileiros vão pagar a tarifa máxima de 25%, segundo o GTA. Isso significa que dos US$ 39,6 bilhões exportados pelo Brasil para os EUA — usando valores de 2024 — cerca de US$ 8,5 bilhões estariam sujeitos a alíquota máxima.

Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25%'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA

Para Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai, na China, e da Fundação Dom Cabral, mesmo com a grande quantidade de exceções na lista, alguns produtores brasileiros podem sofrer com o novo tarifaço.

"A lista é longa. Não vai ser 25% em tudo. Grande parte do que exportamos para eles está na lista exceção, logo o impacto será menor", disse Zeidan à BBC News Brasil.

"Mas [o tarifaço] afeta muita gente sim, porque eles negaram autorização para produtos manufaturados industrializados específicos. E esses produtos são muito mais difíceis de você achar outros compradores no mundo."

Ele diz que para indústrias que trabalham produtos homogêneos — como commodities — há menos impacto no tarifaço, pois as vendas podem ser redirecionadas a outros países sem mudanças na produção.

"Mas é mais complicado quando você produz máquinas e peças e equipamentos que são específicos para um setor. Quanto mais especializado é, mais problemático [o tarifaço] é para uma empresa."

"O tarifaço, no geral, acabou sendo muito menor do que 25%. Mas para diversas empresas o impacto vai ser bastante grande."

Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável".

Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na terça-feira (14) antes do anúncio oficial das tarifas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro poderia adotar a reciprocidade caso os Estados Unidos confirmassem um novo tarifaço contra o Brasil.

"A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação cautelosa", afirmou a jornalistas.

O anúncio das tarifas já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país.

O professor Rodrigo Zeidan acredita que o Brasil tem capacidade para adotar medidas de reciprocidade — mas que isso pode gerar uma nova retaliação americana. Nesse caso, é difícil prever o que aconteceria.

"Os Estados Unidos disseram que as negociações continuam. É possível haver negociação. Mas a atenção dos americanos às vezes muda muito rápido."

Johannes Fritz — diretor do St. Gallen Endowment que compilou os dados do GTA — ressaltou que as tarifas americanas contra produtos brasileiros estão entrando em vigor poucos dias antes do fim de um outro tarifaço americano de 10% contra diversos países do mundo, inclusive o Brasil.

Em fevereiro, Trump assinou uma proclamação com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que lhe permitia impor uma nova tarifa temporária de 10% sobre produtos de todos os países.

Mas em maio essa tarifa foi derrubada por um tribunal. No entanto, elas seguem em vigor enquanto tramita um recurso e devem expirar apenas em 26 de julho. Em um breve período de quatro dias — entre 22 e 26 de julho — a alíquota efetiva contra produtos do Brasil será de 18,17%, pelos cálculos do GTA.

Em julho do ano passado, o governo dos EUA abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.

O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), resultou nas medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras, anunciadas nesta quarta-feira.

O governo americano concluiu, em relatório divulgado no mês passado, que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA".

"O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento.

O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas".

O documento do USTR de 107 páginas divulgado em junho trouxe conclusões da investigação em seis áreas distintas:

Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: segundo o governo americano, "tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens". O documento fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site.Tarifas preferenciais consideradas injustas: "por meio de acordos comerciais preferenciais de escopo limitado com México e Índia — que abrangem setores nos quais esses países são produtores avançados e competitivos globalmente —, o Brasil concede tarifas mais baixas e tratamento preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos em diversos setores".Combate à corrupção: "o Brasil não adota medidas de fiscalização suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção".Proteção à propriedade intelectual: "o Brasil não reforça adequadamente a aplicação de suas leis penais e normas aduaneiras para combater produtos falsificados"; "não resolve a demora excessiva na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico"; e "não mantém ações consistentes e contínuas contra a pirataria".Acesso ao mercado de etanol: em 2017, "o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol e, desde então, não passou a oferecer reciprocidade às exportações americanas".Desmatamento ilegal: apesar de contar com um arcabouço legal para combater o desmatamento ilegal, "o Brasil historicamente não consegue aplicá-lo de forma eficaz, e a prática persiste".

Analistas afirmam que o governo Trump vem usando investigações da seção 301 como alternativa a outra proposta de tarifaço que foi derrubada pela Suprema Corte do país.

Em fevereiro, o tribunal decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar uma lei diferente — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 – para impor tarifas abrangentes a parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil.

A legislação usada agora — a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — resistiria a contestações judiciais, na avaliação de especialistas.

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Brasil avalia retaliação contra EUA com foco em patentes farmacêuticas e setor audiovisual, diz agência

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 12:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0940,31%Dólar TurismoR$ 5,3040,46%Euro ComercialR$ 5,8290,12%Euro TurismoR$ 6,0820,25%B3Ibovespa174.924 pts-0,62%MoedasDólar ComercialR$ 5,0940,31%Dólar TurismoR$ 5,3040,46%Euro ComercialR$ 5,8290,12%Euro TurismoR$ 6,0820,25%B3Ibovespa174.924 pts-0,62%MoedasDólar ComercialR$ 5,0940,31%Dólar TurismoR$ 5,3040,46%Euro ComercialR$ 5,8290,12%Euro TurismoR$ 6,0820,25%B3Ibovespa174.924 pts-0,62%Oferecido por

Horas após o anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal começou a analisar uma resposta às medidas, que deve incluir retaliações comerciais e a retomada de uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC).

As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters. Entre as possibilidades em discussão estão medidas envolvendo o setor audiovisual e patentes farmacêuticas.

Ministros e técnicos do governo se reúnem no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (16) para avaliar as medidas anunciadas pelo governo americano e discutir a resposta brasileira. As alternativas serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que decidirá quais medidas adotar, acrescentaram as fontes.

"Os próximos passos vão depender das orientações do presidente, mas dificilmente deixaremos de dar uma resposta dura", disse uma das fontes.

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Segundo outra fonte informou à agência, o Brasil deve retomar medidas analisadas no ano passado no âmbito da Lei da Reciprocidade Econômica, como o bloqueio de pagamentos ou a adoção de restrições sobre remessas de dividendos e royalties do setor audiovisual. Essa é uma das áreas que mais contribuem para o déficit brasileiro na balança de serviços com os Estados Unidos.

Outra possibilidade em estudo envolve o setor farmacêutico, com a eventual quebra de patentes de medicamentos, e o setor agrícola, por meio de medida semelhante aplicada a sementes.

Durante a primeira rodada de tarifas adotadas pelos EUA contra o Brasil, no ano passado, essas medidas foram consideradas as mais viáveis pelo governo por não afetarem as cadeias produtivas brasileiras nem pressionarem a inflação. Segundo essa avaliação, a taxação de produtos específicos poderia gerar impactos econômicos internos maiores.

"Mas tudo ainda precisa ser discutido com os setores envolvidos, porque sabemos que haverá uma reação dos EUA e precisamos avaliar de que forma ela poderá ocorrer e quais impactos teria para o Brasil", disse a segunda fonte à Reuters.

Integrantes do governo americano já afirmaram que os EUA poderão rever suas políticas comerciais caso o Brasil adote medidas de retaliação.

Uma preocupação recorrente do setor privado brasileiro é a possibilidade de os EUA restringirem ainda mais o acesso de produtos nacionais ao seu mercado. Desde o tarifaço do ano passado, porém, diversos setores passaram a diversificar seus destinos de exportação.

De acordo com dados da Câmara Americana de Comércio (Amcham), o valor das exportações brasileiras para os EUA caiu 13% no primeiro semestre deste ano. No mesmo período, as exportações totais do Brasil cresceram 5,1%.

Em outra frente da resposta brasileira, o governo federal retomará a disputa aberta na OMC no ano passado. Outra fonte ouvida pela Reuters afirmou que se trata do mesmo processo, o que deve acelerar sua tramitação.

Como a disputa foi aberta há cerca de um ano, o Brasil já pode solicitar a instalação de um painel no Mecanismo de Solução de Controvérsias da OMC. Pelas regras do sistema, os EUA podem barrar esse pedido uma única vez, mas o painel é automaticamente estabelecido diante de uma segunda solicitação brasileira.

Embora os EUA atualmente deem pouca relevância aos mecanismos multilaterais de resolução de disputas, como a OMC, uma eventual vitória do Brasil daria respaldo jurídico internacional para a adoção de medidas de retaliação.

Em nota oficial divulgada logo após o anúncio das tarifas, na madrugada desta quinta-feira, o governo informou que "iniciará imediatamente" os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e retomará a discussão no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

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EUA abrem investigação contra Samsung por patentes de chips ligados à IA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 11:49

Tecnologia EUA abrem investigação contra Samsung por patentes de chips ligados à IA Denúncia da Netlist envolve memórias usadas em servidores de inteligência artificial e atinge também produtos comercializados por Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro. Por Reuters

Autoridades comerciais dos EUA abriram uma investigação sobre os chips de memória da Samsung Electronics e os produtos vendidos por Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer que utilizam esses componentes, após uma denúncia da Netlist por suposta violação de patentes.

A Netlist, que tem sede na Califórnia, acusou a Samsung e suas subsidiárias nos Estados Unidos de infringir patentes relacionadas à memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM, na sigla em inglês), um tipo de chip que armazena temporariamente dados para os processadores.

A informação foi divulgada na quarta-feira (15) pela Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC). Esses componentes são essenciais para os servidores que sustentam a expansão da inteligência artificial.

A Netlist pediu à USITC que bloqueie a importação dos chips e dos produtos envolvidos no caso e determine que as empresas deixem de comercializá-los nos EUA. Um juiz administrativo da comissão conduzirá uma audiência para análise das provas e emitirá uma decisão inicial, que poderá ser revisada pela própria USITC.

A comissão definirá, em até 45 dias, o prazo para a conclusão da investigação. Qualquer decisão entra em vigor imediatamente e se torna definitiva após 60 dias, a menos que seja revertida pelo Representante de Comércio dos EUA por razões de política comercial.

A investigação representa o capítulo mais recente de uma disputa de patentes que se arrasta há anos entre as empresas e envolve tecnologias de memória de alto desempenho.

Em 2024, um júri do Texas determinou que a Samsung pagasse US$ 118 milhões (R$ 598,6 milhões) à Netlist por violação de patentes relacionadas a tecnologias de processamento de dados usadas em produtos de memória. A decisão veio após outro veredicto favorável à Netlist, de US$ 303 milhões (R$ 1,5 bilhão), em um caso semelhante julgado em 2023.

Desde então, a demanda por chips de memória disparou, à medida que grandes empresas de tecnologia dos EUA aceleram a construção de centros de dados necessários para operar serviços de inteligência artificial. O movimento tem impulsionado os preços desses componentes produzidos por fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron.

Samsung, Google (controlado pela Alphabet), Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25%

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 11:49

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1020,47%Dólar TurismoR$ 5,3020,41%Euro ComercialR$ 5,8390,29%Euro TurismoR$ 6,0870,32%B3Ibovespa174.617 pts-0,79%MoedasDólar ComercialR$ 5,1020,47%Dólar TurismoR$ 5,3020,41%Euro ComercialR$ 5,8390,29%Euro TurismoR$ 6,0870,32%B3Ibovespa174.617 pts-0,79%MoedasDólar ComercialR$ 5,1020,47%Dólar TurismoR$ 5,3020,41%Euro ComercialR$ 5,8390,29%Euro TurismoR$ 6,0870,32%B3Ibovespa174.617 pts-0,79%Oferecido por

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (15) uma nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, atingindo itens exportados importantes mas preservando parte das vendas.

A medida passará a valer em 22 de julho. Ela foi definida após investigação comercial do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos baseada na Seção 301.

A nova cobrança ocorreu após a Suprema Corte americana derrubar o tarifaço anterior de Donald Trump. O presidente havia editado a medida por meio de outra legislação.

Ainda não está definido se os 25% serão somados à tarifa global de 10% já vigente. O governo americano não esclareceu se haverá acúmulo das cobranças.

Produtos de aço e alumínio ficaram fora da nova taxa para evitar bitributação. Eles continuam sujeitos a uma cobrança anterior de 50% ligada à segurança nacional.

A nova tarifa adicional de 25% anunciada nesta quarta-feira (15) pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros vai atingir uma parcela importante das exportações do Brasil, mas preservará boa parte dos itens que mais geram receita nas vendas ao mercado americano.

Entre os 50 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2025, produtos como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio ficaram fora da nova cobrança.

Já produtos como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns produtos de alumínio passarão a pagar uma tarifa adicional de 25% a partir de 22 de julho.

A medida foi tomada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Ao todo, milhares de produtos brasileiros foram incluídos na nova cobrança. Outros ficaram de fora porque o governo americano decidiu conceder exceções por motivos econômicos, estratégicos ou porque já estavam sujeitos a outras tarifas. (veja a aqui a lista de produtos isentos)

Os EUA compraram cerca de US$ 37,7 bilhões (cerca de R$ 192,7 bilhões) em produtos brasileiros em 2025. Os dez principais produtos vendidos ao país responderam por quase metade desse valor.

petróleo bruto;café em grão;aeronaves;ferro-gusa;celulose branqueada;carne bovina congelada;suco de laranja congelado e não congelado;ferro-nióbio;minério de ferro;combustíveis de aviação;partes de turbinas;silício.

Também ficaram fora da nova cobrança produtos como couro bovino, mel natural, hidróxido de alumínio, café solúvel e alguns produtos de madeira.

fuel oil;gasolina;carregadeiras;transformadores elétricos;bulldozers;motoniveladoras;pneus para automóveis, caminhões e ônibus;açúcar de cana;etanol;tabaco em folhas;portas e madeira serrada;madeira compensada;calçados de couro;granito e pedras trabalhadas;matérias proteicas;chapas de alumínio.

Os dados foram levantados a partir do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) que reúne estatísticas oficiais do comércio exterior brasileiro, considerando as exportações do país para os EUA em 2025.

Antes da nova tarifa de 25% anunciada pelo USTR, os produtos brasileiros exportados ao mercado americano estavam sujeitos principalmente às tarifas de importação regulares dos EUA, conhecidas como tarifa de nação mais favorecida (MFN, na sigla em inglês).

Essas alíquotas variam conforme o produto, já que alguns itens entram no país com tarifa zero, enquanto outros estão sujeitos a cobranças específicas definidas pela classificação tarifária americana. Em média, a tarifa MFN aplicada pelos EUA ficava em torno de 3% a 3,5%.

A partir de fevereiro deste ano, esses produtos também passaram a ser afetados por uma tarifa global adicional de 10% aplicada pelo governo Donald Trump sobre importações de praticamente todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos.

A sequência de mudanças começou com o chamado “tarifaço” anunciado anteriormente pelo governo Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

A medida previa sobretaxas para diversos países e, no caso do Brasil, chegou a elevar a tarifa adicional para 50%, somando uma cobrança extra às tarifas já existentes.

A política, porém, sofreu um revés judicial quando a Suprema Corte dos EUA decidiu que a IEEPA não dava ao presidente autoridade para criar tarifas de importação dessa forma.

A decisão derrubou parte relevante das tarifas aplicadas com base nessa legislação, mas estabeleceu um período de transição para a retirada das cobranças.

Após a decisão, Trump adotou uma nova estratégia tarifária e anunciou uma tarifa global temporária de 10% para substituir as cobranças derrubadas pelo tribunal.

A medida foi criada com base em outra autoridade comercial e passou a valer de forma ampla para produtos importados de diversos países. Essa cobrança tem validade limitada até este mês de julho, prazo definido na própria medida, enquanto o governo americano avalia novas ações comerciais.

🔍 Com a nova sobretaxa da Seção 301, ainda não está totalmente esclarecido se haverá acumulação com a tarifa global de 10%. Na prática, permanece a dúvida se os produtos brasileiros atingidos pagarão apenas os 25% adicionais da Seção 301 ou se a cobrança poderá chegar a 35%, caso a tarifa global continue válida e seja aplicada de forma cumulativa.

Os documentos divulgados pelo USTR confirmam a nova tarifa de 25% baseada na Seção 301, mas não detalham como a medida será combinada com a tarifa global temporária de 10%.

Enquanto isso, alguns produtos de aço e alumínio não receberam a nova tarifa adicional de 25% porque já estão submetidos à Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, uma medida que permite aos EUA impor tarifas sobre produtos considerados estratégicos para a segurança nacional.

No caso do aço e do alumínio, essas tarifas da Seção 232 já estão em vigor e foram elevadas para 50% em 2025 para determinados produtos.

🔩 Na decisão final da investigação contra o Brasil, o USTR determinou que os itens já abrangidos pela Seção 232 não seriam submetidos também à tarifa adicional de 25% da Seção 301, evitando a chamada bitributação — isto é, a aplicação de duas tarifas adicionais sobre a mesma mercadoria.

A decisão, portanto, não significa que esses produtos ficaram livres de tarifas. Eles continuam sujeitos à cobrança da Seção 232, de 50%, mas não acumulam a nova sobretaxa de 25% aplicada pela Seção 301.

Com isso, determinados produtos siderúrgicos brasileiros, como alguns semimanufaturados de aço e laminados planos, permanecem enquadrados apenas no regime da Seção 232. A medida evita que um mesmo produto seja penalizado simultaneamente por duas ações tarifárias diferentes do governo americano.

Além da investigação que resultou na tarifa de 25%, o USTR conduz outro processo envolvendo o Brasil.

O órgão americano avalia se produtos fabricados com trabalho forçado estariam entrando no mercado dos EUA.

Nas conclusões preliminares, o governo americano sugeriu uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A decisão final ainda não foi divulgada e dependerá do governo dos EUA.

Cargas de exportação são destaque na movimentação e registram novo recorde histórico mensal do Porto de Santos — Foto: Santos Port Authority

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Caiado critica Lula e Flávio Bolsonaro após anúncio de novo tarifaço pelos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 10:47

Política Caiado critica Lula e Flávio Bolsonaro após anúncio de novo tarifaço pelos EUA Pré-candidato à Presidência acusou presidente de 'não saber negociar' e senador de 'estar preocupado com as eleições' diante da medida confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos. Por Redação g1 — Brasília

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), criticou nesta quinta-feira (16) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada nessa quarta-feira (15).

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho.

🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

Nas redes sociais, Caiado culpou a polarização, afirmou que setores inteiros podem "quebrar", enquanto Lula "não tem capacidade de dialogar" e Flávio "está preocupado com as eleições" — sem citar esse último nominalmente (leia mais abaixo).

"O que está em jogo por trás do tarifaço dos EUA é que setores inteiros podem quebrar. Não é conversa fiada. É a conta mesmo que não fecha, com 25% a mais de tarifa, que pode chegar a 37,5% somada a outras sobretaxas em análise, indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia. Fábrica fechada é gente na rua. Produtor endividado é cidade inteira sufocada", escreveu.

"O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país", prosseguiu.

Nesta quarta (15), Caiado já tinha publicado outra mensagem nas redes sociais com críticas mais contundentes a Flávio Bolsonaro.

O ex-governador de Goiás mencionou o pedido de adiamento do tarifaço, até as eleições, feito por Flávio durante uma audiência pública nos Estados Unidos.

Na mesma mensagem, Ronaldo Caiado argumentou que o governo tratou a situação das tarifas com "cuidados paliativos".

"O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil. Ninguém fala sobre isso. China taxa nossa carne em 55%. UE [União Europeia] vetou a carne brasileira. EUA vão taxar em 25%. Três ataques ao agro e zero resposta do governo, só cuidados paliativos. Em Goiás, sem subsídio, sem discurso, viramos o maior produtor de etanol de milho do país. Isso é gestão", disse.

Em outro momento, Caiado defendeu que o Brasil adote a Lei da Reciprocidade Econômica diante das medidas impostas.

"Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto. Minha proposta é reciprocidade de verdade. Mercado aberto dos dois lados, não vassalagem. O Brasil tem o que o mundo precisa: comida, energia limpa, minerais estratégicos. Chega de negociar de joelhos", prosseguiu.

Governo prevê impacto reduzido de possíveis novas taxas dos EUA sobre o Brasil; exportações já mostraram 'resiliência'Rubio é 'anti-América Latina' e não gosta do Brasil, diz Lula sobre secretário de Trump

Nas redes sociais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu que as políticas adotadas pelo governo brasileiro são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros" e acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos.

"No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso", escreveu Rubio.

O atual secretário de Estado mantém relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação começou em 2018 e, no mês passado, Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro nos EUA.

A interpretação, porém, contrasta com a versão oficialmente apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço.

Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR rejeitou a ideia de que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula.

Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e "repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade.

"Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil".

Segundo a nota, "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil".

Também defenderam que as críticas ao PIX, à regulação de plataformas digitais são "descabidas", assim como "são absurdas as acusações sobre desmatamento".

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Governo rejeita críticas e diz que fez mais de 30 contatos com os EUA para negociar tarifas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 10:47

Política Governo rejeita críticas e diz que fez mais de 30 contatos com os EUA para negociar tarifas Segundo a diplomacia brasileira, contatos ocorreram em diferentes níveis desde o anúncio do tarifaço; com Jamieson Greer e Marco Rubio, foram 11 tentativas de negociação, todas por iniciativa do Brasil. Por Filipe Matoso, Ana Flávia Castro, GloboNews e g1 — Brasília

A decisão dos Estados Unidos de impor uma nova taxa sobre produtos brasileiros gerou uma disputa em torno da responsabilidade pelo novo "tarifaço".

Enquanto a oposição diz que houve que falhas na negociação e culpa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a determinação tem caráter "ideológico" e "político".

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho.

🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

Segundo um levantamento da diplomacia brasileira, foram realizados mais de 30 contatos desde o anúncio do tarifaço original. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico.

Além disso, representantes do governo conversaram com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer em pelo menos 11 ocasiões.

O governo afirma que, em todos os casos, a iniciativa para abrir o diálogo partiu do lado brasileiro, em uma tentativa de negociar uma saída para o impasse comercial.

A informação é apresentada como resposta às críticas de que o Brasil teria deixado de buscar uma negociação com o governo dos Estados Unidos antes da adoção das medidas tarifárias.

A percepção é que o cenário se mostrava favorável às negociações após o encontro entre Lula e Trump na Malásia e ainda melhor após o encontro entre os dois em Washington. Porém, nas últimas semanas, esse cenário mudou depois da visita do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA.

Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e "repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade.

"Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil".

Segundo a nota, "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil".

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Lula ‘priorizou próprio ego em detrimento de acordo’ e não ‘negociou com os EUA de boa fé’: o ataque de ministro de Trump após tarifaço

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 09:46

Mundo Lula 'priorizou próprio ego em detrimento de acordo' e não 'negociou com os EUA de boa fé': o ataque de ministro de Trump após tarifaço Marco Rubio faz parte da ala ideológica do governo Trump e é conhecido por sua política linha-dura contra países como Cuba, Venezuela e China. Por BBC

Lula 'priorizou próprio ego em detrimento de acordo' e não 'negociou com os EUA de boa fé': o ataque de ministro de Trump após tarifaço — Foto: Evaristo Sa and KAREN MINASYAN / AFP via Getty Images

Ao anunciar a decisão de aplicar tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados aos EUA, o secretário de Estado americano Marco Rubio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro".

Em suas redes sociais, o secretário que faz parte da ala ideológica do governo Trump e é conhecido por sua política linha-dura contra países na América Latina, disse que a taxação é o preço que o Brasil paga pelo comportamento de Lula.

"Que não haja dúvidas sobre o motivo [das tarifas]: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa fé", escreveu no X

"Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso."

Autoridades ligadas ao governo brasileiro afirmaram à BBC News Brasil em caráter reservado, porém, que os americanos nunca estiveram de fato dispostos a ouvir os argumentos brasileiros em relação à acusações feitas pelo USTR.

Segundo uma fonte no Palácio do Planalto, a motivação para as tarifas seria política e os EUA não estariam abertos para uma negociação baseada em elementos comerciais ponderados.

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A aplicação das tarifas foi anunciada por Rubio e pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas conduzida pelo órgão.

A decisão é chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho.

A tarifa foi justificada alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento.

Segundo o representante americano de comércio, Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária "para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas."

Ele afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília.

A lista dos produtos alvo das tarifas é extensa e inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas e calçados e material elétrico. Já itens como café, laranja, suco de laranja e carne bovina, por exemplo, ficaram fora da cobrança adicional.

Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável".

Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O anúncio já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país.

O novo tarifaço, o segundo em um ano, é resultado de uma investigação aberta em julho do ano passado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974.

O mecanismo permite que o governo americano investigue práticas comerciais estrangeiras que considere injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos dos Estados Unidos e, ao fim do processo, adote medidas de retaliação como a aplicação de tarifas de importação.

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) republicou a postagem de Marco Rubio sobre Lula e a taxação e disse que o petista "não tem mais condições de ser o presidente do Brasil".

"O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega!", escreveu no X, em referência ao ex-presidente americano Joe Biden.

Lula acusa o seu adversário de ter advogado em favor da taxação contra o Brasil em encontros na Casa Branca.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nega as acusações e afirma ter pedido a Washington que suspendesse a imposição.

O atual secretário de Estado é um dos principais oficiais ligados à Casa Branca à frente das negociações comerciais com o Brasil, além de Jamieson Greer e outros técnicos do USTR.

No ano passado, quando Trump impos uma sobretaxa de 50% sobre o Brasil em protesto contra o processo movido pelo país contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Rubio foi oficialmente nomeado pelo presidente americano para lidar com a questão.

Além do tarifaço, Rubio liderou sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — a quem ele acusou de fazer uma "caça às bruxas" contra Bolsonaro no processo que condenou o ex-presidente a golpe de Estado.

Posteriormente, Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foram retirados da lista de sancionados.

Rubio também esteve à frente da revogação de vistos de autoridades brasileiras em represália ao Programa Mais Médicos, como o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O secretário de Estado faz parte da ala ideológica do governo Trump e é conhecido por sua política linha-dura contra países como Cuba, Venezuela e China — este último, principal parceiro comercial do Brasil.

A relação entre os dois países, inclusive, já foi criticada por Rubio quando era senador. Na época, ele também já fazia críticas diretas ao presidente Lula.

Em uma postagem em abril de 2023, ele sugeriu que o presidente brasileiro seria um "radical antiamericano" devido a uma visita do presidente brasileiro à empresa de tecnologia chinesa Huawei.

Ele ainda questionou se Lula é um "aliado da democracia" após viagem à China. "Lula está pensando em si mesmo e no Brasil, mesmo que isso signifique se curvar ao regime genocida da China", disse em publicação no X.

O bloqueio foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes após Elon Musk, dono do X, ter descumprido uma decisão judicial e durou cerca de 40 dias.

Rubio disse que a medida, sob o governo Lula, "levantava sérias preocupações sobre a liberdade de expressão" no país.

O secretário de Estado americano também fez reiteradas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de "violador de direitos humanos".

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