RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Governo reconhece que EUA devem aplicar tarifa adicional de 12,5% por falha no combate ao trabalho forçado

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 00:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%Oferecido por

O governo brasileiro reconhece que os Estados Unidos devem aplicar uma tarifa adicional de 12,5% por falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A principal dúvida do governo brasileiro é se uma eventual tarifa aplicada ao fim desse processo será cumulativa à sobretaxa de 25% anunciada pelos americanos na madrugada desta quinta-feira (16).

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, a decisão sobre a nova tarifa deve ser divulgada na próxima semana.

"[A investigação sobre o trabalho forçado] termina na semana que vem, na sexta-feira que vem. Aí nós vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão", disse o Elias, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16).

➡️ No mês passado, uma investigação dos Estados Unidos concluiu que a União Europeia e 59 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países.

🔎A decisão do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após uma investigação iniciada em março deste ano. Esse é o mesmo texto utilizado para fundamentar a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

Segundo o Mdic, a expectativa é de que a tarifa seja aplicada a todos os países citados na investigação.

"[A expectativa] é que virá para todos, porque essa tarifa da seção 301 do trabalho forçado os Estados Unidos criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem. O que vai cair em 10% para o mundo inteiro eles vão substituir por essa de 10 ou 12,5%", explicou.

Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC — Foto: Júlio César Silva/MDIC

Segundo o relatório do governo norte-americano, a prática desses países é "irracional" e restringe o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos.

10% de tarifa adicional para países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco. São eles: União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador.12,5% de tarifa adicional para todas as outras economias investigadas que não apresentam regimes eficazes de controle. São eles: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita, entre outros.

"A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável", afirmou o embaixador Jamieson Greer. "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais."

Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado.

De acordo com o relatório, embora o Brasil assuma compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio e investimentos, o país ainda carece de uma proibição legal efetiva que impeça, na prática, a entrada de mercadorias produzidas nessas condições em seu mercado interno.

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Alerta em publicidade de bets começa a valer nesta sexta; entenda como vai funcionar

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 00:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%Oferecido por

"Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência";"Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro"; ou"Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento".

As medidas foram anunciadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na semana passada. Na ocasião, ele disse que a tolerância com bets ilegais é "zero".

sugiram a obtenção de ganho fácil ou apresentem a aposta como sinal de virtude, de êxito pessoal, social ou financeiro, como prioridade na vida ou como conduta socialmente atraente, inclusive por meio de afirmações de personalidades conhecidas ou de celebridades;apresentem a aposta como fonte de renda, forma de investimento, alternativa ao emprego, solução para problemas pessoais, sociais ou financeiros ou meio de recuperação de valores perdidos em apostas anteriores ou de outras perdas financeiras;encorajem práticas excessivas de aposta ou contenham chamadas para ação, inclusive com mecânicas promocionais, que sugiram ato imediato por parte do apostador;contenham informação falsa ou enganosa, inclusive quanto às probabilidades de ganhar ou quanto à possibilidade de a habilidade, a destreza ou a experiência do apostador influenciar o resultado da aposta;vinculem apostas a atitudes ou comportamentos ilegais ou discriminatórios, utilizem mensagens de cunho sexual ou de objetificação de atributos físicos ou ofendam crenças culturais ou tradições do País; esejam dirigidas, direta ou indiretamente, a crianças e adolescentes.

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Mega-Sena, concurso 3032: confira os números sorteados

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 21:48

Loterias Mega-Sena Oferecido por: Mega-Sena, concurso 3032: confira os números sorteados O prêmio para o ganhador da edição desta quinta-feira era de R$ 29,1 milhões. No entanto, ninguém acertou as seis dezenas. Por Redação g1 — São Paulo

O sorteio do concurso 3032 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (16), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 29,1 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 35 milhões.

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O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.

A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.

A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.

Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.

Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.

O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

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MG4 Urban chega por R$ 129.990; carro elétrico será feito no Ceará

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 21:48

Carros MG4 Urban chega por R$ 129.990; carro elétrico será feito no Ceará Modelo é oferecido em três versões com duas opções de potência, 150 cv e 160 cv, e duas capacidades de bateria distintas. Hatch tem bom espaço interno e vai ser fabricado no Ceará. Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

A MG lançou oficialmente no Brasil o MG4 Urban. O hatch elétrico será vendido em duas versões, Comfort e Luxury. A empresa hoje tem 28 concessionárias e planeja fechar o ano com um total de 70 pontos de venda no Brasil.

O carro chega ao mercado para disputar espaço com modelos como BYD Dolphin, Geely EX2 e GAC Aion UT. Ele está posicionado abaixo do MG4 já comercializado no Brasil e já tem fabricação confirmada no Ceará. Segundo a marca, já existem 2.400 pedidos pelo MG4 Urban.

A estratégia coloca o novo elétrico no segmento dos hatches compactos eletrificados de maior volume, faixa dominada atualmente pelo BYD Dolphin e pelo Geely EX2.

O MG4 Urban utiliza uma plataforma elétrica, com bateria integrada à estrutura do carro (tecnologia CTP, ou célula-para-carroceria).

Segundo a fabricante, a solução ajuda a melhorar a rigidez estrutural, reduzir o centro de gravidade e otimizar o espaço interno.

Com 4,39 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,55 m de altura e 2,75 m de entre-eixos, o modelo é maior que BYD Dolphin e Geely EX2.

Isso se reflete no espaço para passageiros e no porta-malas de 477 litros, que pode chegar a 577 litros considerando o compartimento sob o piso.

As duas versões utilizam motor elétrico dianteiro, com diferenças de potência de acordo com a bateria escolhida. A garantia para o carro é de 7 anos ou 150 mil km. As baterias têm garantia de 8 anos ou 160 mil km.

As revisões são a cada 24 mil km e, segundo a MG, a estimativa é que o proprietário gaste R$ 600 por ano nos primeiros 3 anos com o MG4 Urban.

Potência: 150 cvTorque: 25,5 kgfmBateria: 43 kWh (LFP)Autonomia Inmetro: 299 kmAceleração de 0 a 100 km/h: 9,6 segundos

Potência: 150 cvTorque: 25,5 kgfmBateria: 43 kWh (LFP)Autonomia Inmetro: 299 kmAceleração de 0 a 100 km/h: 9,6 segundos

Potência: 160 cvTorque: 25,5 kgfmBateria: 54 kWh (LFP)Autonomia Inmetro: 358 kmAceleração de 0 a 100 km/h: 9,5 segundos

Segundo a MG, as baterias utilizam química de fosfato de ferro-lítio (LFP), tecnologia escolhida por maior durabilidade e estabilidade térmica.

Segundo a MG, o tempo para carregar a bateria nesse tipo de carregador de 10% a 80% é de 28 minutos na versão Comfort e 30 minutos na versão Luxury. Num wallbox convencional, mais comum em pontos públicos, a mesma recarga demora.

Faróis de projetor em LED;Luzes diurnas em LED;Lanternas traseiras interligadas;Rodas de liga leve de 17 polegadasRack de teto na cor prata;Aerofólio traseiro integrado;Central multimídia de 12,8 polegadas;Painel de instrumentos digital de 7 polegadas;Apple CarPlay e Android Auto sem fio;Ar-condicionado automático de uma zona;Botões físicos para funções principais do ar-condicionado e do sistema de áudio;Volante revestido em couro;Sete airbags;Sensor de estacionamento;Controle de velocidade adaptativo (ACC);Frenagem autônoma de emergência (FCA);Assistente de permanência em faixa (LKA);Assistente de mudança de faixa (LCA);Assistente de emergência de faixa (ELK);Assistente de congestionamento (TJA);Alerta de tráfego cruzado traseiro;Monitoramento de ponto cego;Alerta de abertura de portas;Monitoramento de atenção do motorista;Reconhecimento inteligente de velocidade;Controle automático de farol alto;Sistema de monitoramento da pressão dos pneus.

Bateria de 54 kWh;Potência de 160 cv;Autonomia de 358 km;Câmera de visão 360°;Carregador de celular por indução;Bancos dianteiros aquecidos;Volante aquecido;Banco do motorista com ajuste elétrico;Iluminação ambiente com 64 cores.

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SpaceX tenta novo voo da supernave Starship em instantes; acompanhe

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 18:48

Inovação Ao vivo Encerrada Especial Publicitário SpaceX tenta novo voo da supernave Starship em instantes; acompanhe Nave mais poderosa do mundo é projetada para futuras missões para a Lua e Marte. Carregando

Últimos destaques Resumo Starship, nave mais poderosa do mundo, em foto divulgada em 16 de julho de 2026 (Foto: Divulgação/SpaceX)

Atualizado há 30 minutos porRedação G1A SpaceX tentará fazer um novo voo de teste de sua supernave Starship nesta quinta-feira (16), a partir das 19h45 (horário de Brasília). Este será o 13º lançamento do veículo projetado para futuras missões para a Lua e Marte. Como em outros experimentos com o modelo, não haverá passageiros a bordo. Saiba mais sobre a missão.

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Qual o impacto do tarifaço de Trump no Brasil? ‘Deve ser restrito’ e mostra ‘limites do protecionismo americano’, diz economista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 17:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%Oferecido por

A tarifa de 25% contra produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15/07), deve ter impacto restrito diante da extensa lista de itens isentos divulgada, afirma a economista e pesquisadora do PIIE (Instituto Peterson de Economia Internacional, nos EUA), Monica de Bolle.

Ainda segundo a especialista brasileira, o cenário revela os limites do protecionismo e da margem de manobra de Donald Trump no mundo globalizado de hoje, que são muito menores do que o presidente americano faz parecer em suas ameaças.

"Apesar de aparentemente não quererem mais isso, os Estados Unidos são uma economia muito integrada com o resto do mundo", disse De Bolle em entrevista à BBC News Brasil.

"Por essa razão, o leverage [termo para alavancagem, usado em referência a poder ou influência] que os Estados Unidos tem é muito menor na prática do que na retórica."

De Bolle afirma ainda que não há lógica econômica clara por trás das decisões tarifárias de Trump e classificou a medida contra o Brasil como "uma ação coercitiva política".

A aplicação das tarifas contra o Brasil foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas conduzida pelo órgão. Ela entrará em vigor em 22 de julho.

Caso o novo tarifaço passe a valer, o Brasil passará a ser o país que mais viu aumento de alíquotas americanas desde a volta de Trump ao poder.

Segundo o representante americano de comércio, Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária "para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas."

Ele afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília.

Os EUA também divulgaram nesta quarta a lista atualizada de produtos que não vão enfrentar as tarifas. São mais de 2,2 mil itens, entre eles carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves.

"Com essa lista de exceções, fica muito claro os limites que os Estados Unidos tem para aplicar esse tipo de medida protecionista com a mesma envergadura que eles anunciaram", diz a economista Monica de Bolle — Foto: divulgação via BBC

De acordo com Monica De Bolle, diante das dificuldades que o governo brasileiro vem enfrentando para negociar com os EUA, é provável que as conversas de agora em diante avancem mais em nível privado, entre empresas e setores específicos.

Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável".

Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para De Bolle, uma ação retaliatória poderia abrir espaço para uma guerra com comercial com os Estados Unidos, algo que "não seria bom para ninguém".

"Eu não consigo imaginar como é que os Estados Unidos responderiam [a uma retaliação], mas imagino que responderiam com força de volta, embora o raio de ação seja limitado, como a gente já viu na própria lista de isenções", diz.

Por outro lado, diz a economista, o governo brasileiro poderia optar por uma ação retaliatória limitada, apenas para sinalizar sua oposição e marcar posição, algo que teria um impacto bem menor.

BBC News Brasil – Há coerência econômica nas tarifas anunciadas? Até que ponto os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos têm fundamento econômico ou refletem uma disputa política?

Monica de Bolle – Não tem, é uma clara disputa política. Isso ficou muito evidente com a manifestação do secretário de estado estado do Marco Rubio no X imediatamente após o anúncio acusando o governo Lula como responsável pelas tarifas – o que não faz nenhum sentido e deixa evidente a conotação política dessa medida.

Esse é o primeiro caso de uso da sessão 301 desde que a Suprema Corte em fevereiro retirou as tarifas impostas por meio do IEEPA [Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional] e não permitiu que o governo, portanto, impusesse tarifas da maneira como vinha fazendo.

O Brasil é uma espécie de 'test case' [caso de teste] para entender se essas outras vias que o governo tem usado para reimpor ou reinstituir as tarifas que estavam em vigor antes dessa ação da Suprema Corte de fato funcionam, além de ser um teste do próprio governo Trump em relação ao seu poder de barganha.

BBC News Brasil – Os EUA incluíram na lista de exceções à tarifa alguns importantes itens da pauta exportadora brasileira para o mercado americano, como carne bovina e outros produtos agropecuários. Diante disso, qual tende a ser o impacto econômico efetivo da tarifa?

De Bolle – As isenções são a parte mais reveladora desse anúncio, mais do que a tarifa em si. Pelas minhas contas, cerca de 65%, senão mais, das exportações do Brasil para os Estados Unidos ficarão completamente isentas. Ou seja, a tarifa de 25% se aplica apenas a um terço dos bens exportados. Além disso, já havia uma lista de isenções publicada no início de junho, e novos itens foram acrescentados agora.

Tudo isso é muito revelador dos limites dessa ação norte-americana. Apesar de aparentemente não quererem mais isso, os Estados Unidos são uma economia muito integrada com o resto do mundo. Muitas exportações brasileiras são críticas para a economia americana e qualquer ação tarifária teria repercussões diretas sobre não só o consumidor americano, mas empresas locais também. Por essa razão, o leverage [termo para alavancagem, usado em referência a poder ou influência] que os Estados Unidos tem é muito menor na prática do que na retórica.

Os itens realmente de peso, como café, suco de laranja, carne e outros produtos agrícolas, mas também grandes itens manufaturados como aviões e componentes, ficaram de fora. Até o pig iron [ferro-gusa, obtido com a redução do minério de ferro em altos-fornos] foi excluído, porque o Brasil representa mais de 50% do consumo norte-americano desse metal.

Também não aconteceu nada especificamente relacionado ao Pix, que havia sido mencionado na investigação. Com essa lista de exceções, fica muito claro os limites que os Estados Unidos tem para aplicar esse tipo de medida protecionista com a mesma envergadura que eles anunciaram.

De Bolle – Sim, mais ou menos na linha do que já havia acontecido no ano passado, quando houve aquela imposição de tarifas de 50% que depois caíram para 40%. No fim das contas, uma porção de itens não tiveram tarifas aplicadas sobre eles e não houve grandes efeitos sobre a economia brasileira. E o USTR anunciou que as negociações continuam em curso, então pode ser que essa lista de isenção aumente ainda mais ao longo dos próximos meses.

É um impacto, mas é um impacto relativamente circunscrito e que não deve ter grandes consequências. Até porque do ano passado para cá, o Brasil vem tentando diversificar ao máximo o destino das exportações, assim como outros países. Lógico, há uma dependência do mercado americano que não vai desaparecer, mas já está havendo uma espécie de desvio de comércio dos estados brasileiros para outros países, precisamente por conta dessa volatilidade protecionista dos Estados Unidos.

O caso do Brasil ainda serve como um sinalizador para outros países que também estão sendo investigados sobre a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. O caso brasileiro revela para esses países os limites do alcance do protecionismo norte-americano.

Os EUA divulgaram a lista atualizada de produtos que não vão enfrentar as tarifas. São mais de 2,2 mil itens, entre eles carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg via Getty Images/via BBC

BBC News Brasil – O Brasil é o segundo país mais taxado pelos EUA, atrás apenas da China. Existe uma lógica econômica por trás disso?

De Bolle – Não, porque a própria lógica econômica do Trump, que não é nem uma lógica econômica tão bem fundamentada assim, não deveria se aplicar ao Brasil.

A ideia seria proteger os EUA daqueles países com quem eles têm déficit comercial muito elevado, mas os Estados Unidos não tem déficit comercial com o Brasil. O superávit americano em relação ao Brasil, inclusive, aumentou recentemente. E, por si só, essa já é uma lógica falha, porque ninguém faz medida de protecionismo por conta de déficit ou superavitário comercial. É uma maluquice.

Os Estados Unidos também queriam que o Brasil abandonasse algumas relações tarifárias preferenciais com países como México e Índia – que são perfeitamente compatíveis com as cláusulas da Organização Mundial do Comércio – e passasse a ter certas relações preferenciais com os Estados Unidos, mas de uma forma que não é compatível nem com a nossa legislação comercial, nem com o fato de sermos membros da Aladi [Associação Latino-Americana de Integração] e do Mercosul.

Então, o Brasil não tinha o que dar para os Estados Unidos em troca desse pedido. O único setor ou o único produto afetado por essas tarifas em que consigo ver alguma lógica comercial e econômica é o etanol.

Essa ação tem muita cara de uma ação coercitiva política antes de qualquer outra coisa. Não há um aspecto econômico claro aqui.

De Bolle – Acho que sim. Como a gente sabe, política externa e política comercial tipicamente tem pouco efeito em eleições, mas com os Bolsonaros – Flávio e Eduardo – se posicionando desde o princípio como aliados do Trump, as visitas a Washington e à Casa Branca, as conversas todas em torno de assuntos diversos, como Pix, comércio, a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, [isso pode mudar].

Devemos ficar de olho e avaliar no mínimo com uma certa suspeição essa percepção de que o Flávio Bolsonaro é um sujeito muito próximo de Trump. Ainda que Flávio Bolsonaro se elegesse, os Estados Unidos não são um parceiro confiável nesse momento. As coisas têm mudado de um dia para o outro: uma hora o Trump faz um aceno positivo para um país e no dia seguinte vira inimigo de novo. Isso introduz muita incerteza e volatilidade em qualquer relação bilateral.

O alinhamento do Flávio Bolsonaro com o governo Trump é um ônus político para a campanha dele, sem nenhuma dúvida. E a aplicação das tarifas, da forma como vieram, mesmo depois de uma solicitação do próprio Flávio Bolsonaro para que o anúncio fosse adiado e deixado para depois das eleições, só sublinha essa ideia.

BBC News Brasil – O fato de a medida ter sido tomada com base na Seção 301 muda a margem de reação do Brasil?

De Bolle – O que o governo brasileiro vem tentando fazer é negociar na medida do possível com um governo que é absolutamente irascível e que tem outros objetivos em mente que vão além dos econômicos, né? O Trump já deixou muito claro que a o objetivo dele é que América Latina seja um palco de influência para os Estados Unido. Toda a articulação em torno de política comercial tem a ver com essa pegada geopolítica de zona de influência dos Estados Unidos

O Brasil tem atitudes técnicas que pode tomar contra essas medidas? Tem, mas o problema de fundo é um problema geopolítico mais abrangente e isso limita um pouco o raio de ação.

BBC News Brasil – Uma eventual retaliação com base na lei de reciprocidade tende a fortalecer a posição brasileira ou pode agravar o conflito?

De Bolle – O Brasil está em uma posição ingrata, porque é difícil sofrer um ataque como esse e não fazer absolutamente nada, né? O país estaria no seu direito de articular uma resposta, se julgar que esse é o melhor caminho. Mas, se de fato decidir por uma ação retaliatória, podemos entrar em um terreno de guerra comercial com os Estados Unidos, que não será bom para ninguém.

Eu não consigo imaginar como é que os Estados Unidos responderiam [a uma retaliação], mas imagino que responderiam com força de volta, embora o raio de ação seja limitado, como a gente já viu na própria lista de isenções. Mas cria um ambiente de muita incerteza na relação bilateral que acaba prejudicando empresas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Agora, isso também poderia resultar em nada, porque o Brasil pode decidir, por exemplo, fazer uma ação retaliatória relativamente limitada, apenas para sinalizar que não irá aceitar isso assim de braços cruzados. E aí continuaríamos mais ou menos na mesma situação que estamos agora, de desentendimentos entre os dois países, mas sem que que isso resulte em maiores consequências econômicas.

BBC News Brasil – Para onde o Brasil pode correr para negociar nesse momento, tanto para tentar reverter as tarifas quanto para encontrar outros mercados que podem absorver os produtos afetados?

De Bolle – O Brasil já está negociando com uma porção de países distintos. Temos o acordo União Europeia-Mercosul em andamento e conversas diversas ocorrendo com vários outros países, inclusive com Canadá e países asiáticos.

E o quadro é favorável, porque muitos outros países também precisam diversificar seus parceiros para além dos Estados Unidos. Agora isso tudo toma tempo, né? Nada disso vai resultar em algo imediato.

Já negociar com os EUA é mais difícil. Desde que essa ação começou no ano passado, o Brasil teve muitas dificuldades de entrar em contato com o pessoal do USTR e só conseguiu depois de um lobby muito intenso de empresas brasileiras com atuação nos Estados Unidos e empresas americanas com atuação no Brasil. E apesar disso tudo, a situação continua precária.

Provavelmente, vamos continuar a ver essas negociações andarem menos no nível específico dos governos – onde elas deveriam ocorrer – e mais entre setores específicos com seus lobbies particulares. É uma balcanização do comércio, que se tornou inevitável.

BBC News Brasil – A inflação americana desacelerou recentemente. Na sua visão, esse é um movimento duradouro?

De Bolle – Não. Essa desaceleração da inflação aconteceu em grande parte por conta do cessar-fogo da guerra com o Irã. Agora, número 1, a guerra voltou. E número 2, o governo Trump está voltando a fazer as ações tarifárias que haviam sido temporariamente eliminadas pela ação da Suprema Corte. Creio que o inflação americana já deve voltar a subir com força nos próximos três meses com essas duas fontes de pressão inflacionária.

E isso certamente terá efeito sobre a popularidade interna do Trump, até porque um dos motivos que levou o governo a assinar o memorando de entendimento com o Irã foi as pressões da base eleitoral diante do altíssimo custo de vida.

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Alckmin contesta alegações dos EUA sobre tarifaço e diz que medida é ‘injusta e descabida’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 17:47

Política Alckmin contesta alegações dos EUA sobre tarifaço e diz que medida é 'injusta e descabida' Nesta quarta, os EUA confirmaram nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor em 22 de julho. Por Mariana Assis, Rafaela Rosa, g1 e TV Globo — Brasília

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, contestou as alegações usadas pelos Estados Unidos para justificar as tarifas de 25% anunciadas nesta quarta-feira (15) e afirmou que a medida é "injusta e descabida".

"É injusta porque se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos nos últimos 15 anos os Estados Unidos teve conosco superávit na balança comercial. E descabida porque que os argumentos levantados na sessão 301 e aqui vão ser explicitados pelos ministros não tem parte de uma base totalmente falsa. Não tem menor justificativa", afirmou Alckmin.

➡️O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta.

🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativa e lastro com realidade: ‘Motivação política’

O vice-presidente afirmou ainda que os argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar as novas tarifas "tem parte de uma base totalmente falsa e não tem menor justificativa".

LEIA TAMBÉM: PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil

Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos".

PIX;Corrupção no Brasil;Ações do STF contra as big techs;Tratamento injusto na política de tarifas brasileira;Proteção inadequada à propriedade intelectual;Tarifas sobre o etanol;Desmatamento.

Participaram da coletiva de imprensa os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Duringan (Fazenda), Márcio Elias rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente). Além disso, também estão presentes o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo e Maria Rosa Guimarães, secretária nacional de justiça.

Alckmin afirmou ainda que no ano passado o Congresso Nacional aprovou a Lei de Reciprocidade e que o governo, "no momento adequado, saberá como implementá-la"

O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação nesta quarta (15) de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês).

A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.

Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa, como é o caso da carne bovina e do café.

O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas.

Em nota, o governo do presidente Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.

🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.

O Planalto também sustenta que as acusações apresentadas pelos EUA não se sustentam e lembra que o Brasil tentou, ao longo do último ano, reverter as investigações e evitar a adoção das tarifas.

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Antes da nova tarifa, Brasil já havia perdido R$ 13,2 bilhões em exportações para os EUA, diz CNI

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 17:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%Oferecido por

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou nesta quinta-feira (15) a imposição de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, a partir do dia 22 de julho.

Apesar de mais uma barreira comercial entre os países, o Brasil e os EUA já conviviam com um cenário tarifário fragmentado, que levou à perda de R$ 13,28 bilhões em exportações para os EUA em 2025.

46% não pagam sobretaxas adicionais; 25% estão sujeitos a uma tarifa geral de 10%; e 29%, principalmente produtos de aço, alumínio e cobre, já enfrentam tarifas específicas de até 50% pela Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, como consequência das tarifas que já estavam em vigor, 20 das 27 unidades da Federação reduziram suas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2026, em comparação com igual período do ano anterior.

Percentualmente, as exportações totais caíram 13%. A retração foi puxada pela queda de 8,7% nas vendas de bens industriais, especialmente produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.

Apesar disso, o país norte-americano permaneceu como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.

Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25%

O novo anúncio tende a agravar um quadro que já era desfavorável. A CNI afirma que a sobretaxa amplia a insegurança para empresas dos dois países e intensifica a pressão sobre as exportações brasileiras.

Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, “diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e EUA construíram", afirma.

Conforme o próprio USTR, a medida foi adotada por determinação do presidente Donald Trump após concluir que políticas e práticas brasileiras seriam "desarrazoadas" e restringiriam o comércio norte-americano.

Os EUA afirmam que a sobretaxa busca "nivelar o campo de jogo" para proteger agricultores, trabalhadores, empresas e inovadores dos EUA.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também manifestou preocupação com a decisão americana. Em nota, a entidade avaliou que a tarifa adicional de 25% amplia os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros.

Segundo a FIEMG, o impacto efetivo dependerá da lista de produtos atingidos, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido a concorrentes de outros países. A federação alertou ainda para possíveis efeitos como substituição de fornecedores brasileiros, redução de margens de lucro e renegociação de contratos comerciais.

Além dessa medida, o governo americano também conduz outra investigação comercial que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.

A cobrança, prevista para 60 economias, é justificada pela avaliação de Washington de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Carne, suco de laranja e café isentos do tarifaço; açúcar, etanol e máquinas agrícolas sujeitos a novas tarifas — Foto: g1

O governo brasileiro pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.

Na avaliação de Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, a decisão do governo americano não surpreende, já que as negociações entre os dois países vinham ocorrendo havia meses sem grande evolução.

O economista avalia que uma eventual retaliação pode elevar o custo de produtos e insumos importados dos Estados Unidos, pressionando ainda mais a inflação brasileira, hoje acima do teto da meta projetada pelo Banco Central.

Segundo ele, esse movimento poderia provocar um efeito em cadeia, mantendo os juros elevados por mais tempo e reduzindo o ritmo da atividade econômica.

"No fim do dia, quem acaba pagando por isso é o consumidor final, porque os produtos vão ficar mais caros", afirma.

Bassani também observa que, no curto prazo, é difícil substituir fornecedores americanos, o que limita a capacidade das empresas de absorver o impacto das novas tarifas.

Embora produtos como carne, café e itens da indústria aeronáutica tenham ficado de fora da nova rodada de tarifas, milhares de outros bens devem sofrer aumento de preços, com parte desse custo sendo absorvida pelas empresas e parte repassada ao consumidor, explica Gabriel Eisner, sócio da Mhydas Planejamento Financeiro.

Balança comercial tem superávit de US$ 9,8 bilhões em junho, aumento de 66% em relação ao ano passado

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Tarifaço: Durigan diz que Brasil vai preservar soberania financeira e geológica ‘sem viralatice’ e que país segue aberto a negociações

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 17:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,0980,4%Dólar TurismoR$ 5,3050,47%Euro ComercialR$ 5,8320,19%Euro TurismoR$ 6,0820,24%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%Oferecido por

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Brasil vai preservar a soberania financeira e geológica "sem viralatice" e que o governo que seguirá aberto à diplomacia e a negociações.

"A gente vai seguir protegendo o Pix, como disse o presidente Gabriel Galípolo, o maior símbolo da nossa soberania financeira. Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem viralatice e nós seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida", disse Durigan.

A declaração acontece um dia após os Estados Unidos confirmarem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

O ministro da Fazenda afirmou ainda que alguns setores podem ser afetados, mas a medida do governo Trumo não afetará "a economia do país como um todo".

"Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo o governo americano, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos".

➡️O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta.

🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

PIX;Corrupção no Brasil;Ações do STF contra as big techs;Tratamento injusto na política de tarifas brasileira;Proteção inadequada à propriedade intelectual;Tarifas sobre o etanol;Desmatamento.

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A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.

Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa, como é o caso da carne bovina e do café.

O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas.

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🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.

O Planalto também sustenta que as acusações apresentadas pelos EUA não se sustentam e lembra que o Brasil tentou, ao longo do último ano, reverter as investigações e evitar a adoção das tarifas.

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Exportadoras dizem que carne brasileira pode não conseguir atender exigências da UE sobre antimicrobianos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/07/2026 15:48

Agro Exportadoras dizem que carne brasileira pode não conseguir atender exigências da UE sobre antimicrobianos Em junho, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Por Mariana Assis, g1 — Brasília

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quinta-feira (16) que há grandes chances da produção de carnes brasileira não conseguir atender às exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobiano e, com isso, perder acesso a esse mercado.

"Eu acho que o Ministério da Agricultura está dialogando com todos os elos da cadeia, tanto com a indústria quanto com os pecuaristas, para se chegar a uma boa decisão que ainda não temos, mas a gente está acompanhando para que a gente chegue nessa boa decisão", afirmou Perosa.

Segundo Perosa, considerando o ciclo da criação bovina, as exigências podem não ser atendidas, pois a adaptação levaria cerca de 30 meses, ou seja, dois anos e meio.

🔎 Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser empregados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia.

No início de junho, a União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Com isso, o país ficará impedido de exportar carnes para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.

Na lista publicada em 2024, o Brasil estava autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel. Agora, o país estará impedido de exportar todos esses produtos para o bloco de países europeus.

Enquanto isso, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem habilitados a exportar para a União Europeia.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi retirado da lista por não apresentar as informações necessárias para comprovar que sua produção atende às exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos.

Embora represente uma parcela relativamente pequena do volume exportado pelo Brasil, o mercado europeu é considerado estratégico por concentrar a compra de cortes de maior valor agregado. No ano passado, 5% das exportações brasileiras de carne tiveram como destino a União Europeia.

O Terra da Gente registrou a famosa travessia da boiada de uma margem para a outra — Foto: Márcio de Campos

Além das restrições impostas pela União Europeia, o setor enfrenta outro desafio: as salvaguardas adotadas pela China. A partir de 1º de janeiro de 2026, o país passou a aplicar cotas de importação e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira.

A medida, com duração prevista de três anos, estabelece uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem esse volume ficam sujeitas a uma sobretaxa de 55%.

Segundo Perosa, os efeitos das restrições já começaram a ser percebidos neste mês, diante da dificuldade de escoar uma produção que cresceu significativamente nos últimos anos. Entre os reflexos, estão relatos de férias coletivas em frigoríficos.

Segundo ele, é justamente a demanda internacional que ajuda a sustentar os preços no mercado interno.

"O principal mercado do Brasil é o interno, mas a exportação complementa e faz esse mix que faz com que a gente não precise fazer uma elevação aguda dos preços internos. Esse mix que trazia essa garantia de remuneração do mercado externo com a China, isso não existe. E estamos vendo muitas indústrias com dificuldade. Hoje a maioria das indústrias estão trabalhando no vermelho", disse.

Questionado sobre os reflexos no preço da carne no Brasil, Perosa afirmou que, em um primeiro momento, os preços devem permanecer estáveis. Em um segundo momento, porém, a pressão sobre as margens de produção e o aquecimento da economia podem levar a reajustes.

"A tendência é que o preço da carne se mantenha estável, mas depois pode aumentar", declarou.

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