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Em terra natal de Musk, Amazon sai na frente na corrida da internet via satélite

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 14:46

Tecnologia Em terra natal de Musk, Amazon sai na frente na corrida da internet via satélite Empresa de Jeff Bezos fechou parceria para lançar o Amazon Leo no país em 2027, enquanto a Starlink segue fora do mercado por não atender às regras locais de participação societária. Por Associated Press — Cape Town

A Amazon anunciou nesta quarta-feira (15) que lançará seu novo serviço de internet via satélite, o Amazon Leo, na África do Sul em 2027. Com isso, a empresa fundada por Jeff Bezos deve sair na frente da Starlink, de Elon Musk, na disputa pelo mercado da economia mais desenvolvida do continente africano.

Para viabilizar a operação, a Amazon firmou uma parceria com a provedora sul-africana de internet Herotel. Segundo a companhia, este é o primeiro acordo do Amazon Leo para oferta de internet via satélite no continente africano. Os valores da parceria não foram divulgados.

O anúncio ocorre em meio às críticas de Elon Musk ao governo da África do Sul, seu país de origem. O bilionário afirma que a Starlink ainda não opera no país porque a legislação local teria impedido a empresa de obter uma licença por ele ser branco. Musk chegou a acusar o governo sul-africano de racismo.

As críticas se referem às políticas de ação afirmativa adotadas pela África do Sul. Pela legislação, empresas estrangeiras do setor de telecomunicações precisam conceder uma participação minoritária de suas operações locais a investidores negros ou de outros grupos historicamente desfavorecidos para obter autorização de funcionamento.

As regras foram criadas para ampliar o acesso da população não branca à economia após o fim do apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país durante décadas e concentrava o poder político e econômico na minoria branca.

Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, e cofundador e co-CEO da Prometheus, participa da 10ª edição da feira de startups e inovação tecnológica VivaTech em Paris, na França, em junho de 2026. — Foto: Abdul Saboor/Reuters

Diferentemente da Starlink, o acordo da Amazon recebeu apoio do governo sul-africano. O ministro das Comunicações, Solly Malatsi, participou do anúncio ao lado de representantes da Amazon e da Herotel.

A Amazon começou a colocar em órbita seus primeiros satélites de baixa altitude no ano passado e afirma que já possui mais de 390 satélites em operação.

A Starlink, por sua vez, iniciou suas operações em 2019 e conta atualmente com mais de 10 mil satélites em órbita. O serviço já está disponível em cerca de duas dezenas de países africanos, mas ainda não foi lançado na África do Sul porque a empresa de Musk se recusa a atender às exigências da legislação local.

A empresa de Jeff Bezos afirmou que o acordo com a África do Sul marca o início de sua expansão pelo continente. Para isso, também firmou parceria com a Vanu Inc., companhia sediada em Lexington, no estado de Massachusetts (EUA), especializada em soluções de internet móvel para países em desenvolvimento.

A África é considerada um mercado promissor para serviços de internet via satélite. O continente reúne mais de 1,5 bilhão de habitantes, muitos vivendo em áreas rurais ou regiões que ainda não contam com infraestrutura de internet fixa.

O Amazon Leo, anteriormente conhecido como Projeto Kuiper, já anunciou acordos para operar na Tailândia, Cazaquistão, Austrália, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai.

Apesar da expansão da Amazon, a Starlink segue muito à frente em escala global. Segundo a empresa, seu serviço já está disponível em mais de 160 países.

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Durigan diz que possível tarifaço dos EUA seria ‘desproporcional’ e que empresários e famílias do Brasil não podem ser prejudicados

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 13:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,07%Dólar TurismoR$ 5,2830,08%Euro ComercialR$ 5,8140,22%Euro TurismoR$ 6,0550,19%B3Ibovespa175.451 pts-0,67%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,07%Dólar TurismoR$ 5,2830,08%Euro ComercialR$ 5,8140,22%Euro TurismoR$ 6,0550,19%B3Ibovespa175.451 pts-0,67%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,07%Dólar TurismoR$ 5,2830,08%Euro ComercialR$ 5,8140,22%Euro TurismoR$ 6,0550,19%B3Ibovespa175.451 pts-0,67%Oferecido por

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a afirmar nesta quarta-feira (15) que um eventual aumento de tarifas de importação pelos Estados Unidos seria algo "desproporcional" e "injustificado".

🔎Termina nesta quarta (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgue a decisão final sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de medidas contra produtos brasileiros. A sinalização é de as novas taxas serão mesmo aplicadas.

Durigan disse que, se a medida for concretizada, o governo brasileiro vai agir para proteger a economia interna e que setores produtivos nacionais não podem pagar a conta de barreiras comerciais externas.

"Com relação ao tarifaço, existe sempre um princípio que vai nos guiar: os empresários brasileiros, as famílias brasileiras, os caminhoneiros brasileiros e os agricultores brasileiros não podem ser prejudicados por medidas injustas adotadas por outros países", declarou o ministro.

Embora tenha adotado cautela, ao afirmar que ainda não há uma confirmação oficial sobre a aplicação prática das novas taxas americanas, o ministro da Fazenda disse que o governo federal deve mapear os setores que devem ser mais afetados para desenhar ações de suporte.

O ministro declarou que a reação seguirá a "linha de princípio" de medidas anteriores do governo para blindar o mercado doméstico.

Ele declarou ainda que qualquer resposta brasileira a pressões externas passará pelo crivo das metas de controle de gastos públicos.

"Nós vamos fazer uma avaliação sempre cuidadosa pelo compromisso de futuro, compromisso fiscal que nós temos, e nós vamos endereçar sempre protegendo a nossa população", ponderou.

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Tarifas dos EUA empurraram Brasil para outros parceiros comerciais, mas dependência chinesa preocupa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 12:48

Agro Tarifas dos EUA empurraram Brasil para outros parceiros comerciais, mas dependência chinesa preocupa A instabilidade do comércio com os Estados Unidos desde a volta de Donald Trump à Casa Branca reduziu a fatia das exportações brasileiras para o país ao menor patamar em 200 anos, mas impulsionou a diversificação de parceiros. Por Lúcia Müzell

O impacto do vai e vem das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos ainda está sendo assimilado pelos setores não beneficiados por isenções. Muitos haviam estruturado suas cadeias produtivas em torno do mercado americano, como o de metais, da madeira e de diversas manufaturas.

"No setor de café solúvel, 50% da exportação brasileira ia para os Estados Unidos. Eles aumentaram as vendas para outros destinos, mas mesmo assim a participação era muito grande. A mesma coisa ocorre com aço, alumínio e cobre", explica Welber Barral, especialista em comércio internacional.

"Os Estados Unidos eram um grande comprador há muitas décadas, então você não consegue diversificar imediatamente. Para os calçados, por exemplo, os EUA não são um grande destino para o setor como um todo, mas algumas empresas em particular dependiam muito do mercado americano", observa.

As barreiras comerciais prejudicam também os importadores. Grandes empresas como Coca-Cola e Tesla sinalizaram que não é tão simples substituir o café, o suco de laranja e os metais raros que costumavam comprar do Brasil com tarifas baixas. O consumidor americano acaba pagando essa conta.

A confiança abalada acelera o afastamento Do lado dos parceiros do país, a confiança sai abalada. 

“No caso do Brasil, a consequência imediata é apressar um divórcio ou um processo de decoupling que já está sendo feito nos últimos 20 anos. É claro que a conjuntura afeta, mas é a continuação de uma tendência de um país que era o maior parceiro comercial brasileiro em muitas décadas, e que deixou de ser e vem em queda constante”, salienta Carlos Frederico Coelho, professor de comércio internacional da PUC Rio. 

Os anúncios intempestivos de Trump amplificaram no mundo um movimento de abertura de novas parcerias e intensificação das existentes. 

Desde 2025, junto com o Mercosul, cinco frentes avançaram para o Brasil: os acordos comerciais com a União Europeia, o EFTA (Noruega, Suíça, Liechtenstein e Islândia) e Singapura foram fechados, além da abertura de negociações com o Japão e a reativação diplomática para a conclusão das tratativas com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia, Vietnã e Indonésia.

O resultado é que, até 2024, apenas 12% das exportações brasileiras eram cobertas por acordos comerciais, e a parcela subiu para 31%.

No ano passado, os números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmam a diversificação, com recordes de exportações para 42 países. A Alemanha, por exemplo, se consolidou como a quarta maior parceira e pretende dobrar as trocas com o Brasil nos próximos cinco anos.

“Um efeito indireto e provavelmente não desejado por Trump foi o aumento desses acordos do Brasil e de vários outros países, para tentar diversificar do mercado americano. E não é só o Mercosul”, sublinha Welber Barral, ex-secretário brasileiro de Comércio Exterior.

 “Se você olhar, países como Indonésia avançaram muito em novos acordos. A própria União Europeia avançou no acordo com a Índia”, aponta.

A queda de 6,6% nas importações do Brasil pelos Estados Unidos foi compensada pelo aumento equivalente para a China e a Argentina, respectivamente o primeiro e o terceiro principais parceiros comerciais do Brasil. Hoje, Pequim absorve quase um terço das exportações brasileiras.

"Diversificar é um pouco mais complexo do que se fala. O que preocupa nas trocas comerciais com a China é que, quando você analisa essa pauta, quase 90% está concentrado em quatro produtos: carnes, minério, soja e petróleo”, adverte Coelho. 

"Isso deveria nos assustar, porque se a China desacelerar, o Brasil vai sofrer imensamente. Não é desejável, para países tão distantes, que o Brasil tenha 30% das exportações indo para um só país."

Barral concorda com os riscos dessa nova dependência, mas pondera que as trocas com os países asiáticos em geral também estão em alta, a exemplo da Índia, Indonésia e Vietnã. "Outros países asiáticos também podem se tornar grandes importadores no futuro, principalmente de commodities agrícolas”, afirma.

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Tarifas dos EUA empurraram Brasil para outros parceiros comerciais, mas dependência chinesa preocupa

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Barral concorda com os riscos dessa nova dependência, mas pondera que as trocas com os países asiáticos em geral também estão em alta, a exemplo da Índia, Indonésia e Vietnã. "Outros países asiáticos também podem se tornar grandes importadores no futuro, principalmente de commodities agrícolas”, afirma.

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Trump transforma autonomia do Brasil em delito comercial, diz jornal britânico sobre tarifas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 09:49

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%Oferecido por

O jornal britânico The Guardian publicou na terça-feira (14/07) um editorial no qual afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa acusações comerciais e tarifas contra o Brasil para atacar a autonomia do país.

O governo dos EUA deve anunciar até esta quarta-feira (15/07) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix.

"A ameaça de tarifas de Donald Trump enquadra os esforços do Brasil para proteger sua democracia como uma prática comercial desleal — e confere ao bolsonarismo um palco em Washington", afirma o editorial do jornal.

O jornal afirma que "Trump rejeita a defesa" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz da soberania brasileira.

"Lula quer que o Brasil tenha capacidade de fiscalizar a desinformação antidemocrática [dentro do país]. Trump acredita que os EUA deveriam ter jurisdição sobre o espaço informacional do país", diz o editorial.

O texto destaca que, em junho passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) "reagiu às mentiras online que ajudaram a alimentar a tentativa fracassada de golpe de extrema-direita liderada por Jair Bolsonaro em 2023".

O Guardian diz que o STF decidiu que as plataformas de redes sociais poderiam ser responsabilizadas por postagens de alguns usuários, obrigando empresas como a X, de Elon Musk, e a Meta, de Mark Zuckerberg, a remover discursos de ódio e conteúdos antidemocráticos.

"Um mês depois, Donald Trump propôs uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, queixando-se de que os juízes haviam obrigado empresas de tecnologia dos EUA a retirar do ar material 'político'", afirma o jornal britânico.

"Outra questão de soberania diz respeito a quem controla a infraestrutura financeira do Brasil e se é possível existir, na América Latina, uma infraestrutura pública de pagamentos bem-sucedida que não esteja sob controle americano", escreve o jornal.

"Assim como a Índia, o Brasil construiu uma infraestrutura pública digital [o Pix] projetada para reduzir a dependência de redes de pagamento controladas por estrangeiros e proteger seu sistema doméstico de pagamentos contra pressões ou sanções externas. Na prática, o sistema contorna as redes de cartão nos moldes da Visa e da Mastercard, ameaçando os lucros dessas empresas."

O editorial do Guardian também faz referência às eleições brasileiras, em que Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem na frente nas pesquisas.

"[Flávio] Bolsonaro é menos carismático que seu pai, mas está baseado no mesmo antiesquerdismo simplista, nas mesmas políticas punitivas de 'lei e ordem' e nas mesmas guerras culturais de extrema-direita", afirma o jornal.

O Guardian disse que o pedido de Flávio Bolsonaro a Trump para que evite tarifas contra o Brasil até as eleições de outubro foi "extremamente audacioso".

"De operário a líder sindical e fundador de partido, Lula fez da redistribuição a linguagem da democracia brasileira. A pobreza extrema caiu de 30 milhões em 2002 para menos de 7 milhões atualmente. Ele governou de 2003 a 2011. A política brasileira é polarizada: Lula só retornou em 2023 depois que juízes anularam condenações por corrupção."

"A verdadeira infração [do Brasil] não é o protecionismo, mas a autonomia", escreve o Guardian.

"Trump rebatizou essa soberania brasileira como discriminação comercial injusta. É tão previsível quanto preocupante que o bolsonarismo esteja disposto a embarcar nessa narrativa."

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Quaest: Maioria apoia fim da escala 6×1 e diz que usaria tempo livre para descansar

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 08:49

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%Oferecido por

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, contra 22% que se dizem contrários.

O percentual a favor variou pouco desde julho de 2025 (69%), passando por 72% em dezembro de 2025 e 68% em maio de 2026.

🔎 A proposta reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas por semana em até 14 meses e permite o fim da escala 6×1.

A proposta, que acaba com a jornada de seis dias de trabalho por um de folga, já é conhecida pela maioria da população. 75% dos entrevistados disseram saber que a Câmara aprovou o fim da escala 6×1 e que o texto agora tramita no Senado, enquanto 25% ficaram sabendo apenas ao responder à pesquisa.

Apesar do apoio majoritário, a população se divide sobre os efeitos práticos da mudança: 50% acreditam que, se aprovada, passarão a trabalhar menos horas por semana, enquanto 45% não acreditam nisso e 5% não souberam responder.

A Quaest também perguntou o que os entrevistados pretendem fazer com seu tempo livre, caso a proposta seja aprovada. Veja as respostas:

Descansar e passar mais tempo com a família: 53%Buscar outro trabalho ou fazer hora extra para aumentar a renda: 13%Fazer cursos/estudar: 12%Ir à igreja ou à cerimônias religiosas: 9%Passear/ir a bares e restaurantes/fazer festas: 6%Viajar: 4%Não sabe/não respondeu: 3%.

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-07181/2026.

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Por que o Brasil mistura etanol na gasolina? História começa em 1930 e cresce com a crise do petróleo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 04:47

Carros Por que o Brasil mistura etanol na gasolina? História começa em 1930 e cresce com a crise do petróleo Mistura obrigatória começou com 2%, apenas para a gasolina importada. Após o choque do petróleo dos anos 1970, país ampliou a estratégia e criou o Proálcool para reduzir a dependência dos preços internacionais. Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

Em 1979, o Fiat 147 feito no Brasil surgiu como primeiro carro no mundo a rodar com 100% de etanol. — Foto: Divulgação / Stellantis

Nesta terça-feira (14), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) anunciou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%.

A medida tem 180 dias de duração e é uma manobra para controlar os preços após a retomada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã atrapalharem o fornecimento global de petróleo e subirem o preço.

“Preço do barril do petróleo dispara e o governo brasileiro estuda alternativas”, parece até uma manchete deste cenário de 2026, não é? Na verdade, essa também era realidade na década de 1970, quando o preço do combustível fóssil disparou e causou uma crise mundial.

A presença do etanol na gasolina data dos anos 1930, mas foi a partir dessa turbulência, 40 anos depois, que o Brasil passou a incentivar o etanol como alternativa, inclusive misturado com gasolina em maiores proporções.

Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fechou as torneiras e forçou a escassez de barris. O preço foi US$ 1,90 em 1972 para US$ 11,20 por barril em 1974.

Em novembro de 1975, nasceu o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). A iniciativa agregava governos, fabricantes e pesquisadores do mundo acadêmico. (saiba mais abaixo)

A trajetória do etanol como combustível automotivo no Brasil vem de antes e é marcada por respostas a crises econômicas globais e iniciativas dos governantes.

A inserção regulamentada do etanol na gasolina teve início em fevereiro de 1931, com a assinatura do Decreto nº 19.717. A medida estabeleceu que toda a gasolina importada que entrasse no país deveria receber a adição de 5% de álcool.

Julho de 1931: início com 2% de mistura.Agosto de 1931: elevação para 3%.Setembro de 1931: subida para 4%.Outubro de 1931: consolidação do patamar de 5%.

Além do comércio geral, as frotas do próprio governo foram orientadas a priorizar o uso do biocombustível. O intuito principal, já naquela época, era diminuir a dependência de produtos estrangeiros e dar suporte à agricultura nacional.

Ainda na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, o cenário ganhou um novo braço institucional: a fundação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) em 1933.

O IAA passou a coordenar e regular o setor sucroalcooleiro, utilizando a produção de álcool como uma válvula de escape para os momentos de superprodução de açúcar.

Quando o preço do açúcar caía ou sobrava matéria-prima, o excedente de cana era direcionado para as destilarias.

O IAA também promoveu campanhas de divulgação do chamado "álcool-motor", chegando a testar e autorizar formulações com proporções significativamente maiores do combustível ecológico em períodos críticos.

Em 1938, um decreto estabeleceu que até a gasolina nacional deveria ter a adição de etanol e que os volumes seriam determinados pelo IAA e pelo Conselho Nacional do Petróleo (CNP).

O modelo baseado em aditivações e regulação de excedentes funcionou por décadas, mas o cenário mudou drasticamente nos anos 1970.

Com a crise internacional do petróleo, os preços do barril dispararam, pressionando fortemente a balança comercial do Brasil.

Em 1979, anúncio da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) celebra o Proalcool. — Foto: Reprodução

Em 14 de novembro de 1975, foi instituído o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) por meio do Decreto nº 76.539, que criou estímulos financeiros e promoveu a modernização e expansão de destilarias. A iniciativa buscava elevar rapidamente a fabricação do combustível vegetal.

A criação do Proálcool marcou o início da maior política pública de substituição parcial de combustíveis fósseis por um combustível renovável já implementada no mundo.

A mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina;A expansão da distribuição de etanol em postos de combustíveis em todo o país;O desenvolvimento e a produção de veículos movidos exclusivamente a álcool hidratado.

A estratégia buscava reduzir a dependência brasileira do petróleo importado em um momento em que a segurança energética havia se tornado uma preocupação global.

O petróleo deixou de ser apenas uma commodity e passou a representar um fator de risco econômico e geopolítico, sujeito às decisões dos países produtores e às crises internacionais.

O programa também impulsionou uma transformação da própria cana-de-açúcar. A cultura, antes voltada principalmente para a produção de açúcar, passou a assumir um novo papel como matéria-prima energética.

Nos primeiros anos, o sucesso do Proálcool esteve diretamente ligado ao preço internacional do petróleo. Enquanto o barril permaneceu caro, a política ganhou força.

As oscilações do preço do petróleo foram o principal parâmetro econômico da primeira fase do programa, influenciando seu ritmo de expansão e os investimentos realizados.

A iniciativa também ajudou a aproximar governo, universidades, centros de pesquisa, produtores de cana e a indústria automobilística.

Essa colaboração permitiu que, anos depois, o Brasil desenvolvesse tecnologias próprias para motores movidos a álcool e, posteriormente, para os veículos flex.

Antes mesmo de o governo federal oficializar o Proálcool, o ecossistema automotivo brasileiro já testava misturas e implementações em menor escala.

No começo da década de 1970, mecânicos de retíficas e estabelecimentos de reparação (que já estavam autorizados a modificar motores) ganharam sinal verde para colocar o derivado da cana diretamente nos tanques dos automóveis.

As conversões eram feitas de modo improvisado, limitando-se a adiantar o ponto de ignição, instalar velas novas, modificar carburadores para injetar mais volume e usar baterias mais robustas.

A estratégia não tinha metodologia estabelecida e gerava dores de cabeça frequentes aos motoristas. E também impedia que as qualidades energéticas do etanol fossem totalmente exploradas.

De acordo com relatos da diretoria técnica da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nem sequer as especificações químicas do álcool eram controladas naquele período, abrindo margem até para testes paralelos com metanol.

Essa falta de padronização refletia diretamente nas bombas, em que o teor do componente misturado à gasolina oscilava sem previsibilidade.

A proporção flutuava ao sabor do mercado, registrando saltos de 10% para 17%, recuos para 12% e novas altas até os 20%. As oscilações repentinas ocorriam sem o suporte de estudos científicos ou ensaios de longa duração.

Degradação interna de dutos;Vazamentos constantes de combustível;Severa dificuldade para dar a partida nas manhãs mais frias;e acúmulo de resíduos espessos que entupiam o carburador.

O maior desafio técnico, no entanto, residia na reação química dos materiais. O biocombustível reagia de forma agressiva com os componentes de alumínio e ligas dos sistemas de carburação.

A interação com tubulações de cobre criava um efeito semelhante ao de uma pilha eletroquímica, acelerando o desgaste das autopeças.

Nem mesmo os tanques de combustível saíam ilesos, já que as ligas metálicas utilizadas na fabricação dos reservatórios da época eram corroídas rapidamente pelo novo composto.

1979, linha de montagem do Fiat 147 movido a álcool em Betim (MG). — Foto: Divulgação / Stellantis

Foi só em 1979 que os engenheiros conseguiram entregar um veículo que podia rodar com 100% de etanol no tanque. O Fiat 147, apelidado de "Cachacinha", começou a ser desenvolvido em 1976 e já deu as caras como protótipo no Salão do Automóvel de São Paulo daquele ano.

A Fiat realizou vários testes em dezenas de milhares de quilômetros percorridos. O desafio era ajustar o carburador a trabalhar com etanol em diferentes cenários.

Foi justamente para provar que o “Cachacinha” estava pronto para tudo que a Fiat fez o teste final em 1978. O 147 percorreu 6,8 mil quilômetros em 12 dias e passou por variações de clima de mais de 30º graus centígrados.

🔎 Um dos problemas mais comuns do etanol em motores é no momento da partida. O motor frio tem dificuldade em queimar o combustível quando o motorista vira a chave. Isso é ainda pior quando a temperatura ambiente é baixa. As paredes frias da câmara de combustão condensam o etanol e ele não queima. O carro fica, na linguagem popular, engasgado. A solução passa por ajustes na mistura e velas com centelha mais forte para o carro “pegar”. Depois, o próprio calor da queima do etanol deixa o motor em melhores condições. É por isso que carros flex no começo tinham um tanquinho com gasolina. Ela era usada na partida do motor frio. Hoje os carros flex usam aquecedores na linha de combustível para que o etanol entre quente na câmara e queime com mais facilidade.

O Proalcool enfrentou dificuldades na década de 1990, quando a queda do preço internacional do petróleo reduziu sua competitividade. O programa chegou perto de desaparecer.

A retomada ocorreu a partir de 2003, impulsionada pela parceria entre os produtores de etanol e a indústria automobilística, que lançou os primeiros veículos bicombustíveis em larga escala.

O Brasil se transformou no principal laboratório mundial de desenvolvimento dessa tecnologia. Segundo dados da Unica, hoje existem mais de 32 milhões de carros flex no Brasil, o que equivale a 85% da frota.

Os postos de combustíveis usavam o nome “álcool”, e isso vinha acontecendo sem questionamentos por décadas. Em 2008, algumas entidades ligadas ao setor sucroenergético passaram a defender a troca do nome para etanol.

🔎 O argumento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) era que o slogan “Álcool e direção não combinam”, usado na campanha da Lei Seca, confundia o público.

Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) queria padronizar a nomenclatura para alinhá-la ao mercado internacional.

“A palavra álcool é uma denominação generalizada [há vários tipos de álcool] e o etanol é um produto específico, de maior valor comercial”, disse Haroldo Lima, presidente da ANP na época.

A padronização só veio em dezembro de 2009, por meio de uma resolução da ANP, e passou a valer em todo o Brasil em 2010.

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Como funciona o ‘Instagram chinês’, que atraiu usuários do TikTok e fez turismo explodir

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 03:48

Tecnologia Como funciona o 'Instagram chinês', que atraiu usuários do TikTok e fez turismo explodir Com mais de 350 milhões de usuários, o Xiaohongshu, também conhecido como RedNote, tem sido usado por turistas para postar fotos e planejar viagens. Serviço se prepara para abrir capital na bolsa de Hong Kong. Por France Presse

O Xiaohongshu, aplicativo de estilo de vida mais popular da China, se prepara para abrir capital ainda este ano. Conhecido como "Instagram chinês", ele permite que usuários publiquem fotos, vídeos e transmissões ao vivo.

O serviço é chamado no Ocidente de RedNote, tem um visual parecido com o da rede social americana Pinterest e chamou atenção depois de receber usuários do TikTok nos EUA, em meio à expectativa do bloqueio do aplicativo no país.

Agora, o Xiaohongshu também mostra seu impacto no turismo na China, onde os trajetos domésticos atingem níveis recordes. Viajantes usam o aplicativo para descobrir novos destinos e planejar roteiros em locais fotogênicos.

Um lago no bairro histórico de Shichahai, em Pequim, é um dos vários pontos "daka", isto é, que são considerados parada obrigatória na cidade, e que atraem cada vez mais pessoas por conta do Xiaohongshu.

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Por lá, há uma concorrência acirrada entre fotógrafos que fazem retratos de mulheres vestidas com trajes tradicionais. As imagens têm um destino: o Xiaohongshu.

Em uma segunda-feira recente, a fotógrafa Li Geng, de 18 anos, oferecia seus serviços aos turistas que passavam pelo local. Ela cobrava 10 yuans (cerca de R$ 7,60) por retrato.

A poucos metros dali, outros fotógrafos davam instruções a jovens com roupas elegantes, que faziam o sinal de vitória com os dedos e arqueavam as costas diante das câmeras.

Li contou à AFP que a disputa por clientes é intensa, já que muitos concorrentes têm forte presença nas redes sociais. Um deles tem 45 mil seguidores no Xiaohongshu e cobra preços mais baixos.

A China registrou um recorde de 6,5 bilhões de viagens domésticas em 2025, de acordo com a agência Xinhua. O resultado representou um aumento de 16% em relação a 2024.

No período, a base de usuários do Xiaohongshu também cresceu, passando de 300 milhões, em 2024, para 350 milhões de usuários ativos mensais, em 2025, segundo a plataforma de análise de dados Qiangua.

A rede social impulsionou negócios pouco conhecidos e levou multidões a destinos fora dos roteiros tradicionais, como Zibo, uma tranquila cidade industrial da província de Shandong, depois que seus espetinhos de churrasco baratos e marinados viralizaram.

A turista Mina Chen, que visitava Shichahai com a irmã, planejou toda a viagem a Pequim com base nas recomendações de outros usuários. "Hoje, ele é indispensável para mim", disse a estudante de 20 anos à AFP.

O Xiaohongshu é hoje o primeiro lugar onde "muitos viajantes jovens" buscam inspiração, disse Ming Yii Lai, consultora sênior de estratégia da Daxue Consulting.

Mas o turismo estimulado pelo Xiaohongshu também trouxe problemas, como o excesso de visitantes em locais que viralizaram e a dependência excessiva de empresas em relação ao tráfego gerado pela plataforma, explicou Lai.

Publicações patrocinadas por restaurantes e destinos turísticos também geraram críticas quando as recomendações não corresponderam às expectativas dos visitantes.

O aplicativo ganhou atenção internacional em 2025 quando o plano do governo americano de proibir o TikTok levou usuários dos Estados Unidos, apelidados de "refugiados", a migrar para o RedNote, versão ocidental do Xiaohongshu.

Nas últimas semanas, o "Instagram chinês" voltou às manchetes por seu preparativo para apresentar de forma confidencial uma oferta pública inicial de ações na Bolsa de Hong Kong, segundo veículos como o Wall Street Journal.

As mulheres jovens de cidades ricas da China são a principal base de usuários do Xiaohongshu, de acordo com a Qiangua. Mas a rede social também está atraindo falantes de chinês em países como Malásia e Singapura.

O aposentado singapurense Ernest Phua usou o aplicativo para planejar viagens a Cantão e Yunnan, buscando em mandarim "estratégias de viagem" e recomendações.

"Se queremos saber como é realmente a vida na China" e descobrir o que os moradores gostam de fazer, comer e visitar, "o Xiaohongshu tem muito conteúdo", afirmou.

Meng Jiaxuan, de 20 anos, vestida com um traje tradicional em Shichahai, contou que até as poses de sua sessão de fotos foram pesquisadas no aplicativo. "Não importa o que seja, eu simplesmente procuro no Xiaohongshu", disse.

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Por que o brasileiro parcela tudo? Entenda como o cérebro influencia as compras e evite armadilhas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 03:48

g1 explica Por que o brasileiro parcela tudo? Entenda como o cérebro influencia as compras e evite armadilhas No g1 Explica, a repórter Renata Ribeiro explica e simplifica os temas que dominam o noticiário econômico e mexem diretamente com o nosso bolso. Por Renata Ribeiro, TV Globo — São Paulo

Após décadas de inflação alta, renda apertada e dificuldade para poupar, o parcelamento ampliou o acesso ao consumo no Brasil e levou muitos consumidores a priorizar o valor da prestação em vez do preço total da compra.

Segundo a economia comportamental, dividir o pagamento reduz a percepção do gasto. Com isso, o cérebro tende a dar mais peso ao valor da parcela do que ao custo total da compra, influenciando a decisão do consumidor.

Apesar de ser uma ferramenta útil, o parcelamento exige atenção. O acúmulo de prestações pode comprometer o orçamento e, em alguns casos, os juros elevam ainda mais o valor final. Por isso, a recomendação é considerar o custo total da compra antes de fechar o negócio.

Toda semana, o g1 Explica descomplica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando o impacto de tudo isso no seu bolso.

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Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 15/07/2026 03:47

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês Empreendedora transformou a paixão pelo teatro e pela comida em um negócio cultural na Zona Leste de São Paulo. Casa une esfirras, mamulengos e programação artística. Por PEGN

Artista e empreendedora transformou a paixão pelo teatro e pela comida em um restaurante cultural na Zona Leste de São Paulo. O espaço mistura culinária árabe, mamulengos e programação artística.

A ideia do negócio surgiu após Natália perceber, durante apresentações teatrais em periferias, a importância da comida como forma de acolhimento e conexão com o público.

O restaurante começou com a venda de esfirras feitas artesanalmente e hoje fatura cerca de R$ 60 mil por mês, apostando no boca a boca e em experiências culturais.

Além da gastronomia, a casa promove oficinas, apresentações e exposições de cultura popular, com um modelo de gestão voltado ao bem-estar dos funcionários.

O que começou nos palcos do teatro virou também um negócio de gastronomia e cultura na Zona Leste de São Paulo.

Inspirada pelo universo dos mamulengos — bonecos típicos do Nordeste brasileiro —, a artista e empreendedora Natália Siufi criou o restaurante Mamulengo, que mistura culinária árabe, cultura popular nordestina e experiências artísticas em um mesmo espaço.

Hoje, a casa fatura cerca de R$ 60 mil por mês. A relação de Natália com a arte começou cedo. Ela saiu do interior para estudar Artes Cênicas na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e passou anos viajando pelo Brasil em projetos culturais.

Mas foi justamente durante uma apresentação teatral em periferias de São Paulo que percebeu que havia algo além da arte em jogo. Depois de encenar uma peça para crianças, Natália distribuiu sanduíches ao público e percebeu uma mudança imediata no comportamento delas.

“Eu entendi que elas estavam com fome”, relembra. Desde então, decidiu que nunca mais faria uma atividade cultural sem oferecer comida gratuitamente.

Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

A conexão entre alimentação e acolhimento acabou abrindo caminho para o empreendedorismo. Em uma festa no Teatro Arthur Azevedo, em 2014, Natália decidiu vender esfirras feitas ao lado da tia. A dupla produziu 800 unidades — todas vendidas rapidamente.

O sucesso inesperado revelou uma oportunidade de negócio. Pouco tempo depois, com a diminuição dos projetos culturais, Natália resolveu investir na gastronomia. Ela mandou construir um carrinho em uma serralheria e começou a vender esfirras nas ruas da capital paulista.

O restaurante veio depois, com investimento inicial de cerca de R$ 150 mil. O espaço foi montado inicialmente entre cinco sócios, mas, atualmente, Natália segue à frente do negócio sozinha.

Ao longo da trajetória, contou com apoio de profissionais da gastronomia para estruturar cardápio e operação, mas decidiu manter uma proposta mais afetiva e artesanal na cozinha.

Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

A culinária árabe faz referência às raízes familiares da empreendedora. Já a decoração, os bonecos e a programação cultural refletem anos de pesquisa sobre cultura popular nordestina e teatro de mamulengo.

“Eu acredito que tanto a comida árabe quanto o brinquedo popular são formas de resistência”, afirma Natália. Para ela, há semelhanças entre as culturas árabe e nordestina, como o hábito de compartilhar comida, a resistência diante das dificuldades e o acolhimento familiar.

Além da proposta cultural, o restaurante também aposta em um modelo de gestão voltado ao bem-estar da equipe. Atualmente, os funcionários trabalham em escala 4×3, com pausas maiores durante o expediente. “Hoje eu consigo lucrar sem explorar”, diz a empresária.

No início da operação, Natália também apostou em uma estratégia simples para atrair clientes: distribuir esfirras gratuitamente. Durante três meses, quem passava pelo restaurante podia experimentar o carro-chefe da casa sem pagar nada.

Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

A ideia ajudou a transformar os clientes em divulgadores espontâneos do negócio. “Minha maior propaganda é o meu cliente”, afirma. Segundo ela, o boca a boca foi essencial para manter o restaurante funcionando ao longo dos últimos seis anos.

Hoje, além da comida, o espaço também recebe oficinas, apresentações culturais e exposições de bonecos populares. O restaurante abriga uma das maiores coleções de mamulengos em exposição no estado de São Paulo e virou ponto de encontro para artistas, famílias e amantes da cultura popular.

Para Natália, o maior objetivo nunca foi transformar a empresa em uma grande rede. “Eu tenho muito prazer em ter uma pequena empresa e isso, para mim, é um grande negócio”, resume.

Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

📍 Endereço: Rua Guaimbé, 419 – Mooca – São Paulo/SP – CEP: 03118030📞Telefone: (11) 2606-6898📞Whatsapp: (11) 96305-6305🌐Site: www.amelhoresfihadomundo.com.br📸Instagram: https://www.instagram.com/zakiesp/📘Facebook: https://www.facebook.com/zakie.cozinha.arabe/📧 E-mail: pedido@zakie.com.br

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