RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Petróleo sobe mais de 7% e supera US$102 antes de bloqueio dos EUA ao Irã

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/04/2026 09:58

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,099-1,08%Dólar TurismoR$ 5,287-1,36%Euro ComercialR$ 5,960-0,3%Euro TurismoR$ 6,198-0,41%B3Ibovespa188.259 pts0,05%MoedasDólar ComercialR$ 5,099-1,08%Dólar TurismoR$ 5,287-1,36%Euro ComercialR$ 5,960-0,3%Euro TurismoR$ 6,198-0,41%B3Ibovespa188.259 pts0,05%MoedasDólar ComercialR$ 5,099-1,08%Dólar TurismoR$ 5,287-1,36%Euro ComercialR$ 5,960-0,3%Euro TurismoR$ 6,198-0,41%B3Ibovespa188.259 pts0,05%Oferecido por

Os preços do petróleo voltaram a superar US$ 100 por barril nesta segunda-feira (13), enquanto a Marinha dos Estados Unidos se preparava para bloquear a passagem de navios de e para o Irã pelo Estreito de Ormuz.

A medida pode restringir as exportações de petróleo iraniano e ocorre após Washington e Teerã não conseguirem chegar a um acordo para encerrar a guerra.

Por volta das 8h29 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$6,81, ou 7,2%, para US$102,01 por barril, depois de terem caído 0,75% na sexta-feira. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava US$7,50, ou 7,8%, para US$104,07, após uma perda de 1,33% na sessão anterior.

No domingo, o presidente Donald Trump disse que a Marinha norte-americana iniciaria o bloqueio do Estreito de Ormuz, aumentando a tensão depois que uma maratona de negociações com o Irã terminou sem acordo para encerrar a guerra. O impasse também coloca em risco um cessar-fogo de duas semanas.

Trump acrescentou que os preços do petróleo e da gasolina podem permanecer elevados até as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro, em um raro reconhecimento das possíveis consequências políticas de sua decisão de atacar o Irã há seis semanas.

"O bloqueio anunciado pelos EUA marca uma admissão de que a premissa central do cessar-fogo — ao menos conforme interpretado pelos EUA –, que era a reabertura do Estreito, é insustentável por enquanto", disse Erik Meyersson, analista do banco nórdico SEB.

O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que as forças norte-americanas começariam a aplicar nesta segunda-feira o bloqueio ao tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos.

Segundo o comando, o bloqueio seria "aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrassem ou saíssem dos portos e áreas costeiras do Irã, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Arábico e no Golfo de Omã", de acordo com comunicado publicado na rede social X.

O texto acrescenta que as forças dos EUA não impedirão a navegação de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz com destino a portos que não sejam iranianos.

No domingo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada de forma severa e decisiva.

No mercado físico, o petróleo está sendo negociado com prêmios elevados em relação aos contratos futuros, e alguns tipos já atingem cerca de US$150 por barril.

"[Se] o presidente Trump de fato apoiar sua ameaça de bloqueio com barcos reais, uma convergência entre os mercados físico e de papel poderá ocorrer em breve", disse Helima Croft, analista da RBC Capital Markets.

Dados de navegação indicam que petroleiros estão se afastando do Estreito de Ormuz antes do início do bloqueio norte-americano ao Irã.

Mesmo assim, três superpetroleiros totalmente carregados de petróleo atravessaram o estreito no sábado. Segundo dados de navegação, eles parecem ter sido os primeiros navios a deixar o Golfo desde que o acordo de cessar-fogo foi fechado na semana passada.

Bombas de extração abandonadas e danificadas ao longo do tempo em um campo da estatal de petróleo PDVSA no Lago de Maracaibo, em Cabimas, na Venezuela. — Foto: Reuters

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Petrobras faz nova descoberta no pré-sal da Bacia de Campos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/04/2026 09:58

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A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (13) a descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas do pré-sal da Bacia de Campos.

Segundo a companhia, a presença das substâncias foi identificada em um poço exploratório perfurado no setor SC-AP4, no bloco C-M-477. A área fica a cerca de 201 quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro, em profundidade d’água de 2.984 metros.

De acordo com a empresa, o intervalo com hidrocarbonetos foi detectado por meio de perfis elétricos, indícios de gás e amostras de fluido coletadas durante a perfuração.

A Petrobras informou que o material será enviado para análises laboratoriais, que devem permitir a caracterização dos reservatórios e dos fluidos encontrados, além de orientar a avaliação do potencial da área.

A estatal é operadora do bloco C-M-477, com participação de 70%, em parceria com a BP, que detém os 30% restantes.

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JBS chega a acordo provisório com trabalhadores em greve em fábrica nos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/04/2026 09:58

Trabalho e Carreira JBS chega a acordo provisório com trabalhadores em greve em fábrica nos EUA Acordo provisório prevê aumento salarial de quase 33% em dois anos e encerra greve de um mês; pacto também elimina cobrança por equipamentos de proteção e trava custos de saúde para funcionários da JBS nos EUA. Por Reuters

Os trabalhadores da JBS aprovaram um acordo provisório de dois anos que abrange cerca de 3,8 mil funcionários em uma unidade no Colorado, após um mês de greve por reajustes salariais e melhores condições.

O pacto prevê aumento de quase 33% no período, fim da cobrança por equipamentos de proteção e proteção contra alta nos custos de saúde, segundo o sindicato United Food and Commercial Workers Local 7.

A empresa disse estar satisfeita, mas lamentou a retirada de um benefício previdenciário histórico; o sindicato também concordou em retirar acusações de práticas trabalhistas.

O acordo ocorre em meio à alta recorde dos preços da carne bovina nos EUA, cenário que pressiona o setor, já afetado por cortes de capacidade da Tyson Foods.

Os trabalhadores da JBS dos Estados Unidos ratificaram um acordo provisório de dois anos com a companhia, a maior do setor de carnes do mundo.

O pacto abrange cerca de 3,8 mil funcionários da unidade de processamento de carne bovina em Greeley, no estado do Colorado (EUA), segundo informações divulgadas no domingo (12) pelo sindicato e pela empresa.

O acordo foi fechado após uma nova rodada de negociações realizada nos dias 9 e 10 de abril, depois de um mês de greve. A paralisação havia sido iniciada para pressionar por reajustes salariais alinhados à inflação e pelo fim da cobrança aos trabalhadores pela reposição de equipamentos de proteção.

Pelos termos acertados — que, segundo a empresa, não sofreram mudanças em relação à proposta anterior —, os funcionários terão aumento salarial de quase 33% ao longo de dois anos.

O acordo também prevê que os trabalhadores não precisarão mais arcar com custos de equipamentos de proteção individual e garante proteção contra aumentos nas despesas com saúde, de acordo com o United Food and Commercial Workers Local 7 (UFCW Local 7), sindicato que representa os trabalhadores.

Embora o frigorífico tenha dito que estava satisfeito com o acordo alcançado, ele "expressou sua decepção com o fato de a liderança do UFCW Local 7 ter optado por eliminar o histórico benefício previdenciário que fazia parte do acordo nacional negociado no ano passado em parceria com o UFCW International", de acordo com a declaração da empresa.

Como parte do acordo, o sindicato também está retirando sete supostas acusações de práticas trabalhistas injustas contra a JBS, informou a empresa.

Os preços da carne bovina bateram recordes este ano, depois que a oferta de gado dos EUA caiu para o nível mais baixo em 75 anos, levando frigoríficos como a JBS a comprar gado para abate, mesmo se beneficiando do aumento dos preços.

A greve na JBS representou um golpe na capacidade de processamento dos EUA, depois que a Tyson Foods fechou uma fábrica de carne bovina em Nebraska este ano e reduziu as operações em uma instalação no Texas.

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Banco Mundial alerta para crise iminente de empregos mesmo após fim da guerra

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/04/2026 09:58

Trabalho e Carreira Banco Mundial alerta para crise global de empregos mesmo após fim da guerra no Oriente Médio Países em desenvolvimento devem gerar cerca de 400 milhões de empregos nos próximos 10 a 15 anos, bem abaixo da demanda de 1,2 bilhão de pessoas que entrarão no mercado de trabalho, disse o presidente do Banco Mundial. Por Reuters

A guerra no Oriente Médio deve dominar as discussões das autoridades financeiras globais nesta semana em Washington.

Ainda assim, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, alertou para um desafio que considera ainda maior no horizonte: a falta de empregos para cerca de 1,2 bilhão de pessoas que chegarão à idade de trabalhar nos países em desenvolvimento nos próximos 10 a 15 anos.

Segundo Banga, se as tendências atuais se mantiverem, essas economias criarão apenas cerca de 400 milhões de postos de trabalho nesse período. Isso deixaria um déficit de aproximadamente 800 milhões de vagas, disse ele à Reuters.

O ex-presidente-executivo da Mastercard reconhece que discutir desafios de longo prazo pode parecer difícil diante da sequência de choques recentes que têm atingido a economia global desde a pandemia de Covid-19 — o mais recente deles, a guerra no Oriente Médio.

Mesmo assim, ele afirma estar determinado a manter as autoridades financeiras concentradas em temas estruturais, como a criação de empregos, a ampliação do acesso à eletricidade e a garantia de água potável.

"Temos de andar e mascar chiclete ao mesmo tempo. O que estamos vivendo agora é um ciclo de curto prazo de ritmo acelerado. No prazo mais longo, o ritmo está ligado a essa situação do emprego ou da água", disse Banga em uma entrevista gravada na sexta-feira.

Milhares de autoridades financeiras de todo o mundo se reunirão em Washington nesta semana para as reuniões de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. O encontro ocorre em meio à guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que ameaça desacelerar o crescimento global e pressionar a inflação.

O tamanho do impacto na economia dependerá da duração de um cessar-fogo de duas semanas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, poucas horas antes dos ataques que, segundo ele, destruiriam a civilização do Irã.

O cessar-fogo interrompeu a maior parte dos ataques, mas não encerrou o bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã. A medida provocou a maior interrupção já registrada no fornecimento global de energia e também não reduziu as tensões em outro front do conflito: os confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, no Líbano.

Feirão de emprego oferece mais de 400 vagas e entrevistas no local em Jundiaí nesta quinta-feira (26) — Foto: Divulgação

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Brasileiro trabalha pouco? O que é produtividade e por que ela se tornou central no debate sobre escala 6×1

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/04/2026 08:45

Trabalho e Carreira Brasileiro trabalha pouco? O que é produtividade e por que ela se tornou central no debate sobre escala 6×1 Economistas e empresários têm citado a baixa produtividade da economia brasileira como um dos argumentos contrários ao fim da escala 6×1. Entenda em 5 pontos o que está em jogo neste debate. Por Thais Carrança

Produtividade do trabalho é a quantidade de bens e serviços que um trabalhador gera, em média, na economia com o seu trabalho.

No Brasil, a produtividade é medida usando o Produto Interno Bruto (PIB), valor gerado por todas as atividades econômicas do país.

O PIB é dividido por trabalhador ou horas trabalhadas — esta forma é usada, por exemplo, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para comparar a produtividade entre países.

Segundo dados da OIT para 175 países, o Brasil ocupa apenas a 86ª posição entre as nações mais produtivas do mundo, considerando a produtividade por hora trabalhada.

Economistas e empresários têm citado a baixa produtividade da economia brasileira como um dos argumentos contrários ao fim da escala 6×1. — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Quando economistas e empresários falam sobre o possível fim da escala 6×1 — aquela em que o funcionário trabalha seis dias na semana e tem apenas um dia de descanso — uma palavra surge com frequência: produtividade.

"A gente tem que ser verdadeiro: aumenta o custo, sim; gera desemprego por causa desse aumento; o país perde produtividade", afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em entrevista à GloboNews em 11 de março.

"Nenhuma nação foi capaz de enriquecer e pagar melhor sem antes promover ganhos de produtividade relevantes. A discussão que deveríamos estar pautando como obsessão nacional é como ganhar produtividade para pagar mais, melhor, e trabalhar menos", disse Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em entrevista à BBC News Brasil em fevereiro.

E por que alguns economistas criticam esta centralidade, argumentando que limitar o debate sobre o fim da escala 6×1 a isso pode ser insuficiente?

Produtividade do trabalho é a quantidade de bens e serviços que um trabalhador gera, em média, na economia com o seu trabalho, define Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

"Se você pensar num Starbucks: quantos clientes o trabalhador consegue atender em um dia? Essa é a produtividade dele", exemplifica Naercio Menezes Filho, professor do Insper.

"Se pensar numa indústria automobilística: quantas partes do carro ele consegue botar num automóvel por dia? É um conceito bem intuitivo."

Como é difícil ter acesso aos dados de cada empresa, em economia, a produtividade é medida usando o Produto Interno Bruto (PIB), valor gerado por todas as atividades econômicas do país.

O PIB é dividido por trabalhador ou horas trabalhadas — esta forma é usada, por exemplo, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para comparar a produtividade entre países.

A produtividade do trabalho é, por fim, o resultado da produtividade por hora de trabalho, multiplicada pelo total de horas trabalhadas.

Segundo dados da OIT para 175 países, o Brasil ocupa apenas a 86ª posição entre as nações mais produtivas do mundo, considerando a produtividade por hora trabalhada, logo à frente da China (87ª).

O país, no entanto, fica atrás de grandes economias como Estados Unidos (12º), Alemanha (13º) e Reino Unido (22º), mas também de pares latino-americanos, como Chile (53º), Argentina (55º), México (81º) e até mesmo de Cuba (82º).

Gráfico feito por Caroline Souza, da equipe de Jornalismo Visual da BBC News Brasil — Foto: Reprodução

Fernando de Holanda, da FGV, avalia que diversos fatores contribuem para a posição desfavorável do Brasil na comparação internacional, como a baixa qualificação da mão de obra e infraestrutura precária.

Também pesam um ambiente de negócios ruim (com elevada burocracia e tributação complexa, por exemplo) e falhas de mercado que pioram o funcionamento da economia — como incentivos mal desenhados e para setores específicos da atividade, desigualdade no acesso a crédito, entre outras.

Esses fatores reduzem a eficiência das empresas e levam a uma má alocação de recursos na economia, prejudicando a produtividade do país.

Menezes Filho, do Insper, cita ainda o reduzido nível de investimento do Brasil — influenciado pelos juros altos e baixa taxa de poupança — como outro fator que também afeta a produtividade, já que o estoque de capital (como máquinas, equipamentos, edifícios e infraestrutura) e a adoção de novas tecnologias também influenciam no quão produtivos são os trabalhadores.

Outros economistas têm apontado, porém, que a própria forma como a produtividade é mensurada, usando como base o valor adicionado da economia, dividido pelas horas trabalhadas, contribui para a baixa posição do Brasil no ranking.

Isso porque a economia do país é baseada em grande medida na produção agrícola e mineral, e em serviços de baixa complexidade, o que resulta em um valor adicionado menor e, consequentemente, em uma produtividade mais baixa que a de países cuja economia é baseada em uma indústria de alta intensidade tecnológica e serviços mais sofisticados, de maior valor agregado.

Isso não significa que os brasileiros trabalhem menos horas ou se esforcem menos do que os trabalhadores de economias avançadas, observam esses economistas.

No ranking da OIT de média de horas trabalhadas por semana para 167 países, o Brasil ocupa a 93ª posição com uma média de 38,9 horas trabalhadas semanais.

Apesar da baixa posição também neste ranking, o país fica à frente de economias avançadas como EUA (37,5 horas), França (35,5 horas) e Alemanha (33,3 horas) e de vizinhos como Uruguai (36,8 horas) e Argentina (36,5 horas).

No topo deste ranking, com o maior número de horas trabalhadas semanais, estão Butão (54,4 horas), Emirados Árabes Unidos (50,8 horas) e Sudão (50,8 horas), países cujas economias são marcadas por elevada informalidade e peso da agricultura na economia (no caso de Butão e Sudão), e pela forte presença de trabalho de estrangeiros pouco regulamentando (no caso dos Emirados).

Assim, estas não são necessariamente nações cujas economias são consideradas exemplos a serem seguidos por outros países.

Em um estudo recente, o economista Daniel Duque, também pesquisador do Ibre FGV, utilizou uma base de dados disponibilizada pelos economistas Amory Gethin e Emmanuel Saez para analisar quanto os brasileiros trabalham em relação ao que seria esperado, dado o nível de desenvolvimento e o perfil demográfico do país — ou seja, a composição da população por diferentes idades.

Utilizando uma base de 146 países, ele encontrou que os brasileiros trabalham em média 1,2 hora por semana a menos do que o padrão sugerido pelo modelo.

Em comparação, os EUA trabalham 0,9 hora a mais, assim como Rússia (1,6 hora) e África do Sul (1,7 hora). Países como Colômbia (4,1 horas a mais) e China (4,2 horas) são exemplos extremos, com semanas de trabalho de mais de quatro horas acima do padrão, quando controlado por produtividade e demografia.

Na outra ponta, países europeus ricos como Alemanha (-1,8 hora), França (-3,6 horas), Dinamarca (-5,5 horas) e Noruega (-6,6 horas), são exemplos de nações onde, assim como no Brasil, se trabalha menos do que o sugerido pelo modelo.

"Não se pode dizer que o brasileiro trabalha pouco, porque não existe um nível certo de se trabalhar", observa Duque.

"Os EUA trabalham um pouco mais do que o esperado, a Europa trabalha relativamente menos, e todos são países desenvolvidos, então não existe um 'modelo certo'", afirma o economista.

"Não significa que temos que trabalhar mais para sermos desenvolvidos, é uma questão de preferência [da sociedade]. O que o dado mostra é que o brasileiro talvez tenha uma preferência por ser uma país mais perto da Europa, do que de outros países desenvolvidos."

"A produtividade é fundamental quando falamos de bem-estar", afirma Fernando Holanda, do FGV Ibre.

"Não há nenhum país na história com elevada oferta de bens e serviços para sua população em que a produtividade seja muito baixa", observa.

Menezes Filho acrescenta que a produtividade influencia diretamente no PIB per capita (por pessoa), a mais importante medida de bem-estar dos países.

"Quando o PIB per capita aumenta, tem mais riqueza para distribuir para cada pessoa, mantida a desigualdade constante", afirma.

"E o PIB per capita depende da produtividade — o PIB por trabalhador — e do número de trabalhadores em relação ao total de pessoas do país."

O professor do Insper observa que, até recentemente, o Brasil aumentou muito o número de pessoas trabalhando, porque o país tinha uma população jovem.

"Nasciam mais jovens, essas pessoas iam trabalhar e o país crescia. Então, mesmo sem aumento da produtividade, aumentava o PIB per capita", afirma.

"Agora, já estamos em um país que está envelhecendo, então a demografia não está mais a nosso favor e não será mais possível aumentar o PIB per capita só aumentando o número de trabalhadores na população. Então, é preciso aumentar a produtividade de cada um desses trabalhadores."

Assim, para o país se tornar mais rico e desenvolvido no futuro, só existem duas maneiras, resume Menezes Filho: mais gente trabalhando ou maior produtividade.

"O Paul Krugman, que é um economista famoso [ele foi vencedor do Nobel de Economia em 2008], disse uma frase que se tornou emblemática: 'produtividade não é tudo, mas, no longo prazo, é quase tudo'."

Fernando de Holanda é um dos economistas que têm trazido o tema da produtividade para o debate sobre o fim da escala 6×1.

Em um estudo publicado em maio de 2025, ele buscou avaliar o impacto sobre a produtividade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe a redução da jornada máxima de trabalho no país, de 44 horas, para 36 horas semanais.

Considerando a jornada média de trabalho do país, que era de 38,4 horas semanais em 2024, ele observa que a introdução de uma jornada máxima de 36 horas reduziria a jornada de trabalho em 6,2%. Isso reduziria de forma proporcional o total de horas trabalhadas e, com isso, encolheria também o PIB em 6,2%.

Holanda pondera, porém, que trata-se de um exercício estático (isto é, que mantém todas as demais variáveis constantes), e que é de se esperar que as empresas tomem medidas para mitigar esse impacto — mudando sua forma de trabalhar ou de fazer contratações, por exemplo — o que pode tornar o efeito final da política na economia diferente do calculado.

Ele também observa que, caso a redução da jornada máxima seja para 40 horas, como tem sido discutido no Congresso e é defendido pelo governo Lula por ser uma proposta mais plausível de ser aprovada, o impacto seria menor.

Reduzir jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas ou 36 horas reduziria as horas trabalhadas em 9% e 18%, elevando o salário-hora em 10% e 22%, respectivamente, calcula economista da FGV — Foto: Getty Images

Em um outro artigo, publicado no jornal Valor Econômico em fevereiro, Holanda destaca que uma queda na jornada de trabalho máxima de 44 horas para 40 horas ou 36 horas reduziria as horas trabalhadas em 9% e 18%, respectivamente.

Sem uma redução equivalente de salários, as opções elevariam o salário-hora em 10% e 22%, respectivamente, representando um aumento de custos para as empresas.

"Essa elevação de salários depende de ganhos de produtividade para ser sustentável", argumenta Holanda, no artigo.

Ele observa que, entre 1981 e 2024, a produtividade por hora trabalhada cresceu apenas 0,6% ao ano no Brasil, enquanto a produtividade do trabalho (resultado da produtividade por hora de trabalho, multiplicada pelo total de horas trabalhadas) avançou 0,3% ao ano neste período.

A diferença, segundo ele, se deve à redução da jornada de trabalho trazida pela Constituição de 1988, que determinou a diminuição da jornada máxima de 48 horas para 44 horas semanais.

"Sem ganhos de produtividade, a elevação do salário-hora pode ter impacto negativo sobre a informalidade", observa o economista.

Uma parte importante da informalidade é explicada pela baixa produtividade de trabalhadores que, por conta de sua baixa qualificação, não conseguem produzir o suficiente para se alocarem no mercado formal, diz o pesquisador.

Outros fatores que explicam a informalidade, segundo economistas, são desigualdades regionais, custos e burocracia da formalização, fiscalização insuficiente e a emergência de novas formas de trabalho.

Outros economistas têm criticado a centralidade da produtividade no debate sobre o fim da escala 6×1. Eles também avaliam que a mudança na jornada de trabalho pode ter o efeito contrário àquele estimado em alguns estudos, elevando a produtividade dos trabalhadores.

"Quando se reduz a jornada, isso pode aumentar a produtividade do trabalhador", defende Naercio Menezes Filho.

"Porque ele tem que trabalhar menos horas, vai ficar menos estressado, a qualidade de vida dele vai melhorar. Tudo isso tende a contribuir para um aumento da produtividade, que pode compensar o aumento de custo que as empresas vão ter."

Naercio observa que, reduzindo as horas trabalhadas, mas mantendo o salário dos trabalhadores, há de fato um aumento do salário-hora e um crescimento do custo para as empresas.

Esse aumento de custo foi estimado, em um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 7,84% em média, no caso de uma jornada de 40 horas semanais.

No estudo, os economistas do Ipea comparam essa alta no custo do trabalho, com aquela que ocorre quando há aumentos reais (ou seja, acima da inflação) do salário-mínimo no país — que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024.

"Quando se fala de aumento do salário-mínimo, também vem toda essa questão da produtividade", observa Joana Simões, uma das autoras do estudo do Ipea.

"E conseguimos observar na economia, nesse passado recente, que esses aumentos do salário-mínimo não vieram acompanhados de todas aquelas previsões catastróficas. Foram aumentos que foram absorvidos pelo mercado de trabalho."

No estudo do Ipea, os autores criticam estudos como o de Holanda, que, segundo eles, "estimam grandes impactos negativos sobre o PIB", o que não estaria respaldado na experiência histórica brasileira ou internacional, na visão dos autores.

"Esses estudos consideram que a redução de horas [trabalhadas] vai significar uma redução proporcional de PIB, mas sem considerar que, com esse cenário de redução de jornada, as empresas devem repensar sua organização interna, reduzir desperdícios, implantar mudanças tecnológicas e reorganizar turnos de trabalho", enumera Simões.

"Ou seja, tem uma série de fatores de mudança na gestão do tempo que as empresas provavelmente vão considerar e isso vai contribuir para aumentar a produtividade, o que vai ajudar esse impacto do aumento do custo da hora trabalhada a ser absorvido por aquele setor."

Ele observa que, embora as firmas menores possam ter mais dificuldade em absorver a alta de custos, para as empresas maiores, não deve haver grandes problemas.

Isso porque as grandes empresas aproveitam que o trabalhador depende daquele emprego, para pagar um salário menor do que o valor da contribuição produtiva dele para a empresa. Os economistas chamam isso de "poder de monopsônio", explica Menezes Filho.

Em artigo recente, o economista cita estudo de Mayara Felix, professora em Yale (EUA), que estimou que os trabalhadores brasileiros levam para casa apenas 50 centavos de cada dólar que geram de valor para as empresas onde trabalham, parcela menor do que a de trabalhadores de outros países.

"Então, aumentando o salário-hora, chega-se mais próximo da produtividade real desse trabalhador", argumenta Menezes Filho.

"Nesses casos, você nem precisa ter um aumento grande da produtividade, porque o salário pago atualmente está abaixo da produtividade real."

O professor do Insper e a economista do Ipea citam também o exemplo da redução de jornada de trabalho trazida pela Constituição de 1988, que determinou a redução da jornada máxima de 48 horas para 44 horas semanais, e que não resultou em aumento do desemprego.

Menezes Filho destaca ainda que a redução de jornada pode aumentar o tempo de convivência dos trabalhadores com seus filhos, com potenciais impactos no desenvolvimento cognitivo e no aprendizado escolar das crianças. Isso pode aumentar a produtividade futura do país, afirma.

"O fato de a produtividade ser baixa ou alta não tem muito a ver com você introduzir ou não a [mudança de] jornada", argumenta Menezes Filho.

"A produtividade pode ser alta ou baixa, se reduz a jornada, aumenta o custo de trabalho do mesmo jeito. Assim, não é questão do nível da produtividade, mas se ela vai mudar depois da [redução de] jornada. São duas questões diferentes", afirma.

"A produtividade do Brasil é baixa e tem crescido pouco? Tem. Precisa ter maior produtividade em nível para você reduzir a jornada? Não necessariamente."

Para o professor do Insper, aumentar a produtividade deve ser uma preocupação do país sempre. "Se queremos ter um país mais rico, desenvolvido, com menos pobreza e desigualdade, e as pessoas consumindo mais, aumentar a produtividade é um objetivo em si do país", afirma.

Daniel Duque, do FGV Ibre, por sua vez, avalia que o fim da escala 6×1 deve aumentar a produtividade dos trabalhadores na hora trabalhada, mas reduzir a produtividade total, já que eles vão trabalhar menos horas. Assim, ele antecipa que deve haver um efeito negativo sobre a economia, mas pequeno.

"Não vai alterar nossa trajetória de desenvolvimento", avalia. "Existem vários outros caminhos para o aumento da produtividade."

Ele cita como exemplos uma maior abertura comercial, avanços na educação, mudanças na composição tributária (com a redução de impostos sobre o trabalho e o consumo, por exemplo) e uma maior estabilidade institucional e fiscal.

"O que eu acredito que ocorre é que os empresários acham que esses fatores não vão mudar, então, eles precisam segurar o que eles podem, por exemplo, a produtividade total dos trabalhadores deles.

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Rússia, China e União Europeia criticam EUA e Irã pelo bloqueio do Estreito de Ormuz

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/04/2026 08:20

Mundo Rússia, China e União Europeia criticam EUA e Irã pelo bloqueio do Estreito de Ormuz Declarações foram feitas após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que promoverá um bloqueio militar da rota a partir das 11h – no horário de Brasília – e o Irã fazer ameaças de retaliação. Por Redação g1

A Rússia, a China e a União Europeia se pronunciaram contra o fechamento do Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (13).

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que promoverá um bloqueio militar da rota a partir das 11h – no horário de Brasília – e o Irã fazer ameaças de retaliação, os dois países e o bloco europeu afirmaram que o impasse irá prejudicar todo o comércio mundial.

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A China se pronunciou através do Ministério das Relações Exteriores e disse que o bloqueio de Ormuz "não atende aos interesses da comunidade internacional".

"A China espera que as partes envolvidas respeitem os acordos de cessar-fogo temporário, permaneçam comprometidas com a resolução das disputas por meios políticos e diplomáticos e evitem a retomada das hostilidades", afirmou o porta-voz da pasta, Guo Jiakun, em uma coletiva.

A Rússia criticou o anúncio de Trump, afirmando que isso prejudica os mercados e restringe ainda mais a oferta global de petróleo, mas ponderou que muitos aspectos da proposta ainda "não estão claros".

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o restabelecimento da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é de "fundamental" importância e que não pode haver estabilidade no Oriente Médio enquanto o Líbano continuar sendo bombardeado.

"O fechamento contínuo do Estreito de Ormuz é extremamente prejudicial. A restauração da liberdade de navegação é de suma importância para nós", defendeu.

O Reino Unido e a França coorganizarão esta semana negociações com aliados para debater uma possível missão naval estritamente defensiva com o objetivo de restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.

O Exército do Irã ameaçou nesta segunda-feira (13) retaliar contra portos nos Golfos Pérsico e do Omã caso tenha a segurança de seus portos ameaçada por um bloqueio naval dos Estados Unidos.

O bloqueio do Exército norte-americano está marcado para começar às 11h desta segunda, no horário de Brasília. O regime iraniano, que bloqueia o trânsito no Estreito de Ormuz há mais de um mês, também chamou de "ilegal" a ação dos EUA.

“A segurança no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é ou para todos ou para NINGUÉM. Se a segurança dos portos da República Islâmica do Irã nessas águas for ameaçada, nenhum porto na região estará seguro. (…) A imposição de restrições pelos 'EUA criminosos' ao tráfego marítimo em águas internacionais é uma ação ilegal e um exemplo de pirataria”, afirmou o Exército iraniano em comunicado divulgado pela emissora estatal Irib.

O Comando Central do Exército dos EUA afirmou em comunicado que todos os navios saindo ou chegando a portos iranianos serão bloqueados, assim como embarcações que tenham pago pedágio ao Irã —algo que o presidente Donald Trump chamou de "ilegal".

Ainda segundo a pasta norte-americana, os militares apenas deixarão passar pelo Estreito de Ormuz navios que não sejam ligados ao Irã ou que não tenham portos iranianos como origem ou destino.

Antes do bloqueio entrar em vigor, dois petroleiros ligados ao Irã deixaram o Golfo Pérsico, segundo dados de navegação da Kpler e da LSEG.

O navio-tanque Aurora está carregado com produtos petrolíferos iranianos, enquanto o navio-tanque New Future transporta diesel proveniente do porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos, segundo dados da Kpler.

O bloqueio naval norte-americano em Ormuz representa uma nova escalada na guerra entre EUA, Israel e Irã, além de uma nova ameaça ao cessar-fogo no conflito. O movimento aumenta as chances de incidentes e, consequentemente, da retomada dos combates.

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EUA dizem que bloqueio naval ao estreito de Ormuz começará em poucas horas e preço do petróleo dispara novamente

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/04/2026 08:20

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,099-1,08%Dólar TurismoR$ 5,287-1,36%Euro ComercialR$ 5,960-0,3%Euro TurismoR$ 6,198-0,41%B3Ibovespa188.259 pts0,05%MoedasDólar ComercialR$ 5,099-1,08%Dólar TurismoR$ 5,287-1,36%Euro ComercialR$ 5,960-0,3%Euro TurismoR$ 6,198-0,41%B3Ibovespa188.259 pts0,05%MoedasDólar ComercialR$ 5,099-1,08%Dólar TurismoR$ 5,287-1,36%Euro ComercialR$ 5,960-0,3%Euro TurismoR$ 6,198-0,41%B3Ibovespa188.259 pts0,05%Oferecido por

As Forças Armadas dos EUA afirmaram que farão um bloqueio aos portos iranianos a partir das 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília.

Os mercados reagiram com nervosismo aos novos acontecimentos do conflito no Oriente Médio. O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira, com o barril do tipo Brent ultrapassando os US$ 100 — alta de mais de 7% — refletindo temores sobre o impacto do bloqueio no fornecimento global de energia.

Nas redes sociais, o presidente americano, Donald Trump, havia dito, no domingo, que iria "bloquear" todos os navios que tentem entrar ou sair do estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para a economia global e que dá acesso aos principais portos iranianos.

Segundo Trump publicou nas redes sociais, ele "instruiu a Marinha a procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago um pedágio ao Irã" para passar por Ormuz.

As Forças Armadas dos EUA afirmaram que farão um bloqueio aos portos iranianos a partir das 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília.

Os mercados reagiram com nervosismo aos novos acontecimentos do conflito no Oriente Médio. O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira, com o barril do tipo Brent ultrapassando os US$ 100 — alta de mais de 7% — refletindo temores sobre o impacto do bloqueio no fornecimento global de energia.

Nas redes sociais, o presidente americano, Donald Trump, havia dito, no domingo, que iria "bloquear" todos os navios que tentem entrar ou sair do estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para a economia global e que dá acesso aos principais portos iranianos.

Segundo Trump publicou nas redes sociais, ele "instruiu a Marinha a procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago um pedágio ao Irã" para passar por Ormuz.

Desde o início da guerra, o Irã faz um bloqueio seletivo de uma das vias marítimas mais importantes do mundo; só permite a passagem de navios de países que Teerã considera amistosos ou por embarcações que se acredita terem pago um pedágio, estimado em cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões).

"Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura no alto-mar", disse Trump, acrescentando que "qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será explodido até o inferno".

Mais tarde, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que o bloqueio será apenas para navios que entram e saem de portos iranianos.

O Centcom afirmou que não bloqueará embarcações no estreito de Hormuz se elas estiverem a caminho "de e para portos não iranianos".

Pelo menos 60 embarcações passaram pelo estreito — uma média de 10 por dia — desde que o cessar-fogo foi anunciado na noite da última terça-feira (7/4).

Trata-se de um aumento significativo em relação ao período anterior ao cessar-fogo, mas ainda é apenas uma fração do volume pré-guerra, quando cerca de 138 navios atravessavam o estreito diariamente, segundo o Joint Maritime Information Centre.

Após as declarações de Trump, as Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmaram que quaisquer embarcações militares que se aproximem do estreito de Ormuz serão consideradas como estando em violação do cessar-fogo e serão "tratadas severamente".

Em um comunicado publicado por veículos iranianos, as Forças Navais acrescentam que, "ao contrário das falsas alegações de alguns funcionários inimigos", o estreito de Ormuz está "aberto para a passagem inocente [trânsito livre] de embarcações não militares, sob controle e gestão inteligentes, em conformidade com regulamentos específicos" do Irã.

A ameaça de Trump, porém, afetaria apenas um pequeno número de embarcações que ainda navegam pela via, segundo o especialista em transporte marítimo Lars Jensen.

"Se isso for realmente feito pelos americanos, vai interromper um fluxo muito pequeno de navios. No contexto geral, isso não muda realmente nada", afirma.

Jensen, diretor-executivo da Vespucci Maritime, diz que a ameaça de Trump de impedir a passagem segura de quaisquer navios que paguem pedágios ao Irã também teria pouco impacto, já que qualquer empresa que fizesse isso já estaria sujeita a sanções por pagar ao regime.

"Antes de tudo, são pouquíssimos navios que passam. Ainda menos são os que pagam, e aqueles que pagam já estarão sujeitos a sanções americanas", diz.

Trump também comentou as negociações conduzidas por seu vice, J.D. Vance, em Islamabad, capital do Paquistão.

O presidente disse nas redes sociais que "a reunião foi boa, a maioria dos pontos foi acordada, mas o único ponto que realmente importava, nuclear, não foi".

Segundo Trump, após "quase 20 horas" de negociações, "há apenas uma coisa que importa — o Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares".

Donald Trump também afirmou que o Irã retornará à mesa de negociações e "nos dará tudo o que queremos".

Em uma entrevista ao Sunday Morning Futures, programa da Fox News, Trump declarou que os negociadores dos EUA conseguiram "praticamente todos os pontos de que precisávamos", exceto o nuclear.

Ele afirmou ainda que o Irã não "deixou a mesa de negociações". "Prevejo que eles voltem e nos deem tudo o que queremos", declarou.

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã nas conversas no Paquistão, afirmou no domingo (12/4) que agora é o momento de os EUA "decidirem se podem conquistar nossa confiança ou não".

Em uma publicação no X, Ghalibaf diz que enfatizou antes das negociações que o Irã tinha "boa-fé e vontade", mas, devido às experiências de duas guerras anteriores, não tinha "nenhuma confiança no lado oposto".

Ele afirma que a delegação iraniana "apresentou iniciativas voltadas para o futuro, mas o lado oposto acabou não conseguindo conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações".

Ele prossegue: "Não cessaremos por um momento sequer nossos esforços para consolidar as conquistas dos quarenta dias da defesa nacional do Irã".

Ele acrescentou que as negociações foram "intensas" e agradeceu ao Paquistão por facilitá-las.

Respondendo a comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, Ghalibaf disse em um comunicado no último domingo que "essas ameaças não têm efeito sobre os iranianos" e que o Irã não irá "se render sob ameaças".

No centro desta guerra, o estreito de Ormuz é uma das rotas de energia mais importantes do mundo, que conecta os produtores do Oriente Médio aos principais mercados da Ásia-Pacifico, da Europa e América do Norte.

Desde que o Irã anunciou seu fechamento, no dia 2 de março, logo após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos, a rota se tornou um dos epicentros da atual guerra no Oriente Médio.

Até então, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta passava por ali. Esse petróleo não vem apenas do Irã, mas também de países do Golfo, como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Quase 90% desse volume segue para a Ásia. A China, sozinha, recebe cerca de 38%, seguida por Índia, Coreia do Sul e Japão.

Além disso, o estreito é uma rota essencial para o gás natural liquefeito, usado como combustível na indústria, no transporte e no aquecimento de residências em vários países.

No sentido contrário, é pelo estreito de Ormuz que entram alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais para o Oriente Médio.

Antes do conflito, cerca de 130 embarcações passavam pelo estreito de Ormuz todos os dias. Hoje, esse fluxo caiu para cinco ou seis navios — uma redução de cerca de 95%.

Qualquer instabilidade no estreito de Ormuz tem impacto quase imediato no restante do mundo, afetando preços, cadeias de abastecimento e economias inteiras.

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Petróleo dispara acima de US$ 100 após fracasso em negociações e falas de Trump sobre Ormuz

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/04/2026 20:14

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,065-0,73%Dólar TurismoR$ 5,283-0,22%Euro ComercialR$ 5,928-0,44%Euro TurismoR$ 6,195-0,08%B3Ibovespa195.302 pts1,61%MoedasDólar ComercialR$ 5,065-0,73%Dólar TurismoR$ 5,283-0,22%Euro ComercialR$ 5,928-0,44%Euro TurismoR$ 6,195-0,08%B3Ibovespa195.302 pts1,61%MoedasDólar ComercialR$ 5,065-0,73%Dólar TurismoR$ 5,283-0,22%Euro ComercialR$ 5,928-0,44%Euro TurismoR$ 6,195-0,08%B3Ibovespa195.302 pts1,61%Oferecido por

Uma vista de drone mostra uma plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. — Foto: Pilar Olivares / Reuters

O preço do petróleo no mercado internacional disparou neste domingo (12), após o fracasso das negociações de paz entre Irã e Estados Unidos e a ameaça do presidente Donald Trump de fechar completamente o Estreito de Ormuz.

O tipo Brent, referência global, subia 6,80% por por volta das 19h, para US$ 101,93 o barril. Já o WTI (West Texas Intermediate), usado como referência nos EUA, avançava 7,98%, a US$ 104,27.

Neste fim de semana, EUA e Irã se reuniram em Islamabad, capital do Paquistão, para tentar um acordo de paz. As tratativas, no entanto, não avançaram.

Ao deixar o país na madrugada deste domingo, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que as negociações terminaram sem acordo após a recusa do Irã em aceitar os termos americanos para não desenvolver uma arma nuclear.

As conversas de "alto nível" duraram 21 horas e, segundo Vance, ocorreram com ele em contato constante com o presidente dos EUA, Donald Trump, e outros integrantes do governo.

Vance afirmou a jornalistas que Washington precisa de um compromisso claro de que o Irã não desenvolva uma arma nuclear nem os meios que permitiriam obtê-la rapidamente.

Trump se pronunciou nas redes sociais, fez novas ameaças ao país e afirmou que a Marinha dos EUA iniciará um bloqueio total ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais do petróleo.

A redução no fluxo de navios na região, em meio ao conflito no Oriente Médio e a bloqueios promovidos pelo Irã, tem pressionado diretamente os preços da commodity, que dispararam desde o início do conflito.

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O castelo de 250 quartos de família bilionária que conta como foi a Era Dourada dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/04/2026 14:06

Mundo O castelo de 250 quartos de família bilionária que conta como foi a Era Dourada dos EUA Inspirada nos castelos franceses, a mansão é um testemunho de uma era de opulência gerada pelo crescimento repentino da riqueza de algumas poucas famílias americanas. Por Caryn James

Biltmore House é uma mansão com 250 quartos construída por George W. Vanderbilt na Carolina do Norte, nos EUA.

A casa é um autêntico reflexo da época em que George W. Vanderbilt morou ali, a Era Dourada, marcada pelo repentino aumento da riqueza de algumas poucas famílias.

Biltmore House, a maior casa particular dos Estados Unidos, é considerada 'uma fantasia para viajar no tempo'. Ela fica nas montanhas de Asheville, na Carolina do Norte. — Foto: William Abranowicz

Quando George W. Vanderbilt (1862-1914) convidou familiares e amigos para conhecer sua casa recém-construída, na noite de Natal de 1895, eles chegaram em vagões de trem particulares, por uma ferrovia construída especialmente para levar à sua propriedade nas montanhas de Asheville, no Estado americano da Carolina do Norte.

O projeto da mansão com 250 quartos foi inspirado nos centenários castelos franceses do vale do Loire. A escolha é evidente nas suas torres e pináculos.

O brasão da família Vanderbilt estava presente em toda parte, desde uma mesa em estilo renascentista até a decoração de uma lareira no salão de banquetes, com altura de quatro andares.

A criação de Vanderbilt foi "um castelo americano, construído na escala de um palácio europeu", segundo o livro Biltmore House: The Interiors and Collections of George W. Vanderbilt ("Biltmore House: o interior e as coleções de George W. Vanderbilt", em tradução livre), um histórico oficial da casa e do seu interior, escrito pelo curador-chefe da propriedade, Darren Poupore, e pela historiadora de arte Laura C. Jenkins, com fotografias de William Abranowicz.

Atualmente, Biltmore é um destino turístico popular. Seus quartos são um autêntico reflexo da época em que George W. Vanderbilt morou ali.

Entrar na casa é como ingressar em uma versão real de Downton Abbey (2010-2015) ou da série atual da HBO A Idade Dourada.

Mas ela também é um avatar da cultura americana, com todas as aspirações e excessos da verdadeira Era Dourada, na virada do século 20, marcada pelo repentino aumento da riqueza de algumas poucas famílias — e que, hoje, chamaríamos de uma era de grande desigualdade de renda.

Jardim de inverno de Biltmore House, a maior mansão particular dos Estados Unidos — Foto: William Abranowicz

Pouco mais de um século depois da Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-1783), que deu origem ao novo país, alguns americanos ansiavam pela cultura aristocrática representada pelo Velho Mundo.

Por isso, eles tentaram importar essa cultura, construindo mansões ostentosas, trazendo móveis e obras de arte do exterior e alardeando sua vida de prazer e riqueza.

É claro que o brasão da família em Biltmore era totalmente novo. George era neto de Cornelius Vanderbilt (1794-1877), conhecido como o Comodoro. Com origem humilde, ele se tornou um magnata do transporte marítimo e ferroviário.

O Comodoro personificou as impiedosas táticas dos "barões ladrões" do início da Era Dourada, criando enormes monopólios com métodos questionáveis ou antiéticos, como a manipulação das cotações nas bolsas, suborno de políticos e exploração dos trabalhadores.

Atualmente, ela é mais conhecida como a inspiração da personagem Bertha Russel, a nova rica da série A Idade Dourada. Interpretada pela atriz Carrie Coon, ela abre seu próprio caminho para a alta sociedade.

Não é por acaso que o brasão toma para si um pouco de história imerecida, com suas bolotas e folhas de carvalho, dispostas para evocar a flor-de-lis da casa real francesa de Valois.

Os Vanderbilt, os Astor e outras famílias abastadas foram celebridades da sua época. E os jornais acompanhavam com entusiasmo suas exibições de riqueza.

George W. Vanderbilt (o último à direita, com amigos em Granada, na Espanha) mandou construir Biltmore House, a encarnação do glamour da Era Dourada dos Estados Unidos — Foto: Biltmore Company Archives

"Ele não se encaixa necessariamente no molde dos Vanderbilt", declarou Jenkins à BBC. "Não participa ativamente da sociedade nova-iorquina. Não herda nenhuma responsabilidade empresarial pelos interesses ferroviários da família."

"Mas ele começa a ser colecionador desde muito jovem. E, assim, durante a evolução do projeto da casa, observamos suas viagens, sua formação e suas relações com artistas e comerciantes de obras de arte."

Amante dos livros, George Vanderbilt viajou, ao longo dos anos, para a Europa, Ásia, Oriente Médio e norte da África, acumulando conhecimentos e obras de arte para levar para casa.

Biltmore House, segundo Jenkins, "acaba sendo uma espécie de retrato incrivelmente pessoal de um homem" que participou do seu planejamento em cada detalhe.

Decidiu construir sua mansão em um lugar isolado, longe das extravagantes casas dos Vanderbilt na Quinta Avenida em Nova York e em Newport, no Estado americano de Rhode Island.

Para isso, contratou o renomado arquiteto Richard Morris Hunt (1827-1895), que havia criado outras mansões com influência europeia para membros da sua família.

O arquiteto e paisagista Frederick Law Olmsted (1822-1903), famoso pelo projeto do Central Park em Nova York, criou os jardins solenes de Biltmore, as paisagens dos terraços e um caminho sinuoso de 5 km que levava à propriedade.

O caminho era rodeado de árvores e arbustos floridos que ocultavam a visão da casa, até que uma das curvas a revelava repentinamente, em uma estratégia criada para causar assombro e admiração.

Da mesma forma que outras mansões da época, Biltmore refletia a cultura aristocrática do Velho Mundo. Na imagem, sua coleção de tapeçaria. — Foto: William Abranowicz

Antes que Hunt começasse seu projeto, ele e George Vanderbilt viajaram juntos pela França, visitando castelos dos séculos 15 e 16.

O lado externo de Biltmore foi especialmente inspirado no castelo de Blois, com sua combinação de épocas.

Fotografias do livro comparando as construções destacam a similaridade do seu estilo neorrenascentista, que incorpora elementos medievais. Hunt acrescentou gárgulas, com alguns rostos inspirados no seu — uma espécie de "ovo de Páscoa" particular.

Em outras viagens, Vanderbilt adquiriu 300 tapetes em uma única parada em Londres. E, do Cairo, ele enviou palmeiras e outras plantas para o jardim de inverno de Biltmore.

Além disso, ele incorporou tecnologia de vanguarda em toda a casa. Uma grande escada central se encontra ao lado de um estreito elevador, um dos primeiros em uma casa particular.

Embora a casa evoque uma certa nostalgia do passado europeu, ou de qualquer outro passado marcado pela cultura, a combinação de épocas no seu interior não se devia à ignorância, nem ao desespero.

"Eles decoravam quartos específicos de formas específicas, mas não há um estilo unificador no interior", explica ele. "Por isso, você pode ter um salão em estilo francês, uma sala de fumo de inspiração britânica e uma sala de jantar renascentista."

"Eles aproveitam esses momentos do passado e os utilizam no interior, de forma a quase evocar uma residência já existente de longa data e que, de certa forma, evoluiu com o passar do tempo."

A grandeza e a opulência de Biltmore é influenciada pelos castelos do vale do Loire, na França — Foto: William Abranowicz

Com este espírito, a entrada dos quartos de hóspedes de Biltmore exibe retratos de corpo inteiro de Hunt e Olmsted, de autoria de John Singer Sargent (1856-1925), encomendados por Vanderbilt.

Um opulento quarto de hóspedes em estilo Luís 16 contém móveis inspirados em alguns do palácio de Versalhes, na França.

E o salão de banquetes abriga um trono de madeira talhada em estilo gótico, um tapete do século 17 com o brasão de armas do cardeal Richelieu (1585-1642) e uma das obras mais importantes da coleção: um conjunto de tapetes flamengos do século 16, feitos de lã, seda e ouro, contando a história de Vulcano e Vênus.

Fora dos portões de entrada, no caminho que leva até a mansão, Vanderbilt construiu moradias para os trabalhadores, similares a um povoado inglês, com escola e capela.

Biltmore House tem uma sala de bilhar, uma sala para fumo e um depósito de armas, embora seu proprietário não gostasse de caçar. E os empregados trabalhavam em enormes cozinhas e lavanderias no porão.

"Acredito que exista interesse em saber como viviam as pessoas mais abastadas", declarou Poupore, sobre a atração de Biltmore para os visitantes.

Mas ele destaca que "muitos dos nossos hóspedes nos comentam que se identificam mais com os trabalhadores domésticos."

Durante a Era Dourada, surgiram descontentamentos contra os muito ricos em alguns setores. Afinal, eles eram a prova viva da enorme desigualdade entre ricos e pobres.

Mas a economia, mais que a indignação pública, veio cobrar a conta. Após a Grande Depressão, nem mesmo os Vanderbilt conseguiram continuar sendo suficientemente ricos.

Em 1930, como tantas propriedades britânicas imitadas por George Vanderbilt, Biltmore abriu as portas ao público, para evitar sua venda. Ele morreu em 1914, mas sua viúva Edith (1873-1958) e a filha Cornelia (1900-1976) continuaram morando em Biltmore.

Cornelia Vanderbilt foi uma das mulheres mais curiosas da família. Ela se casou (talvez de forma não surpreendente) com o aristocrata britânico John Cecil (1890-1954), mas depois deixou o marido e seus dois filhos pequenos em Biltmore, fugindo para sempre.

Uma reportagem não confirmada afirmou que, em Nova York, Cornelia Vanderbilt tingiu seu cabelo de rosas e se identificava com o nome de Nilcha.

Dali, ela se mudou definitivamente para a Inglaterra, onde se casou outras duas vezes e prosseguiu discretamente com seu trabalho filantrópico.

Cecil permaneceu em Biltmore e administrou a propriedade, que ainda é mantida pelos seus descendentes. Eles expandiram os negócios, com pousadas, lojas e uma vinícola.

Um Natal em Biltmore (2023), um filme romântico de viagem no tempo filmado no local, fez tanto sucesso no canal americano Hallmark que um segundo filme já está sendo produzido na propriedade, para lançamento no final deste ano.

O quarto de George W. Vanderbilt é um dos que aparecem no novo livro Biltmore House: The Interiors and Collections of George W. Vanderbilt" ("Biltmore House: o interior e as coleções de George W. Vanderbilt", em inglês) — Foto: William Abranowicz

De certa forma, a fascinação do século 19 pelos ricos da Era Dourada é diferente da nossa atual conexão com as celebridades.

Atualmente, podemos comprar maquiagem e modeladores da marca Kardashian ou a linha de geleias e conservas de Meghan Markle e, assim, adquirir um pouco do seu glamour. E nenhum americano médio conseguia sequer sonhar em entrar no mundo dos Vanderbilt no seu apogeu.

O apresentador da rede de TV CNN Anderson Cooper é tataraneto do Comodoro e filho da atriz e estilista Gloria Vanderbilt (1924-2019). Ele contou a história da sua família no livro Vanderbilt: The Rise and Fall of an American Dynasty ("Vanderbilt: ascensão e queda de uma dinastia americana", em tradução livre).

Ele também retratou outra família no seu livro Astor. Nesta obra, Cooper afirma que a extravagância e os gastos com ostentação da Era Dourada têm reflexos no mundo atual.

"Agora, observamos os ultrarricos com trajes espaciais feitos sob medida, viajando em foguetes financiados com fundos privados", escreve ele.

Como no filme do Hallmark, Biltmore House é uma espécie de fantasia para viajar no tempo, que nos permite escapar das dificuldades atuais rumo a um passado de arte e luxo, sem a incômoda realidade de vivermos no porão do 1% mais rico da população.

O livro Biltmore House: The Interiors and Collections of George W. Vanderbilt, de Darren Poupore e Laura C. Jenkins, com fotografias de William Abranowicz, foi publicado pela editora americana Rizzoli.

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Expo Agro de Itapetininga: a tradição que une gerações e movimenta milhões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/04/2026 07:54

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Expo Agro de Itapetininga: a tradição que une gerações e movimenta milhões De coordenador que participa desde a década de 60 a criador que começou como visitante, festa pecuarista espera superar os R$ 5 milhões movimentados no ano passado. Por Nosso Campo, TV TEM

Com mais de 50 anos de história, a Expo Agro de Itapetininga acompanha gerações. Décio Albino de Oliveira participa desde a década de 1960, quando a festa ainda era pequena, com poucos animais e espaço reduzido.

Em 2026, ele é o coordenador de leilões da exposição e divide a rotina com o filho, Ricardo Fernando Matos Oliveira. Uma paixão que começou na infância e continua até hoje.

Para quem vive a Expo Agro há anos, a tradição precisa ser mantida. Além da cultura pecuarista, o evento também tem forte impacto econômico. Segundo os organizadores, em 2025, a festa movimentou mais de R$ 5 milhões. Para 2026, a expectativa é de crescimento e de superar os números do ano anterior.

Para expositores como Fábio Rodrigues Torres, que participa há 30 anos, a feira é uma oportunidade de ampliar negócios.

Já Guilherme Saad começou como visitante e hoje é criador. Foi na exposição que decidiu trabalhar com cavalos. Dez anos depois, administra um haras com 250 animais em Itapetininga e agora também organiza a exposição de cavalos do evento.

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