RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

UE fecha acordo comercial provisório com EUA sob pressão de Trump

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 08:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%Oferecido por

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Layen, discursa durante a 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça — Foto: Reuters

Representantes do Parlamento Europeu e dos 27 países da União Europeia fecharam, após uma noite de negociações em Estrasburgo, um acordo provisório para implementar o pacto comercial com os Estados Unidos, anunciado nesta quarta-feira (20) pela presidência cipriota da UE.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou o compromisso e disse esperar que ele ajude a encerrar rapidamente um período turbulento nas relações entre os dois lados.

“Isso significa que em breve cumpriremos nossa parte do compromisso assumido” com os Estados Unidos, escreveu ela na rede social X. Von der Leyen também pediu que o processo seja “finalizado” o mais rápido possível. “Juntos, podemos garantir um comércio transatlântico estável, previsível, equilibrado e mutuamente benéfico”, acrescentou.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, também reagiu positivamente ao compromisso firmado pela UE para implementar o acordo comercial fechado no ano passado com os Estados Unidos.

“Conseguimos chegar a um acordo sobre a implementação do acordo tarifário UE-Estados Unidos. A Europa cumpre seus compromissos”, escreveu Merz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, havia dado aos europeus até 4 de julho para ratificar o acordo negociado no verão de 2025 em Turnberry, na Escócia.

Ao afirmar que os compromissos dos EUA foram rapidamente colocados em prática, Trump ameaçou elevar de 15% para 25% as tarifas sobre carros e caminhões europeus caso a UE não cumprisse sua parte do acordo.

No pacto com Washington, a União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas aplicadas à maioria das importações vindas dos Estados Unidos, em troca de um teto de 15% para as tarifas impostas por Trump sobre produtos europeus.

No entanto, o Parlamento Europeu havia exigido no mês passado uma série de salvaguardas consideradas difíceis de serem aceitas pelos Estados-membros, preocupados em evitar uma nova reação negativa da Casa Branca.

Vários economistas já classificaram o acordo negociado entre Bruxelas e Washington como uma “capitulação” dos europeus às exigências do governo americano.

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Fabricante de brinquedos Estrela entra com pedido de recuperação judicial

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 08:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%Oferecido por

A fabricante de brinquedos Estrela informou nesta quarta-feira (20) que entrou com pedido de recuperação judicial, em conjunto com empresas de seu grupo.

O pedido foi protocolado na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, e envolve oito empresas do Grupo Estrela, incluindo a própria Manufatura de Brinquedos Estrela S.A., a Editora Estrela Cultural e a Estrela Distribuidora de Brinquedos.

Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou que a recuperação judicial tem como objetivo reorganizar o endividamento e preservar a continuidade das operações, além de manter empregos e a geração de valor para clientes, fornecedores e acionistas.

Segundo a empresa, o cenário econômico dos últimos anos pressionou a estrutura financeira do grupo.

Entre os motivos apontados pela empresa estão os juros altos, a maior dificuldade para conseguir empréstimos e a mudança nos hábitos dos consumidores, que passaram a gastar mais com opções digitais, como jogos e entretenimento online.

A fabricante de brinquedos Estrela informou nesta quarta-feira (20) que entrou com pedido de recuperação judicial, em conjunto com empresas de seu grupo, diante de dificuldades financeiras agravadas pelo aumento do custo de crédito, mudanças no consumo e pressão competitiva do mercado digital.

O pedido foi protocolado na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, e envolve oito empresas do Grupo Estrela, incluindo a própria Manufatura de Brinquedos Estrela S.A., a Editora Estrela Cultural e a Estrela Distribuidora de Brinquedos.

🔎A recuperação judicial é um mecanismo usado por empresas com dificuldades financeiras para renegociar dívidas e evitar a falência. Durante o processo, a companhia apresenta um plano de reestruturação para continuar operando, manter empregos e organizar os pagamentos aos credores.

Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou que a recuperação judicial tem como objetivo reorganizar o endividamento e preservar a continuidade das operações, além de manter empregos e a geração de valor para clientes, fornecedores e acionistas.

Segundo a empresa, o cenário econômico dos últimos anos pressionou a estrutura financeira do grupo.

Entre os motivos apontados pela empresa estão os juros altos, a maior dificuldade para conseguir empréstimos e a mudança nos hábitos dos consumidores, que passaram a gastar mais com opções digitais, como jogos e entretenimento online.

Pela legislação brasileira, a administração da empresa permanece à frente das atividades enquanto o plano de recuperação é elaborado e submetido aos credores.

A companhia informou ainda que apresentará futuramente um Plano de Recuperação Judicial, que precisará ser aprovado pelos credores para viabilizar a reestruturação financeira do grupo.

Disputa entre Estrela e Hasbro agora se limita a direitos do Banco Imobiliário — Foto: Divulgação

Fundada em 1937, a fabricante de brinquedos Estrela se consolidou como uma das marcas mais conhecidas do setor no Brasil, com produtos que marcaram diferentes gerações de consumidores.

A empresa começou como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira. Ao longo das décadas, ampliou sua linha de produtos e lançou brinquedos que se tornaram populares no país, como Banco Imobiliário, Autorama, Falcon, Genius, Susi, Comandos em Ação e Super Massa.

Nos anos 1940, a companhia lançou o Banco Imobiliário, que se transformou em um dos jogos de tabuleiro mais conhecidos do mercado brasileiro.

Em 1944, também se tornou uma das primeiras empresas do país a abrir capital na bolsa. Nas décadas seguintes, fortaleceu sua presença no setor com bonecas, brinquedos eletrônicos e carrinhos de controle remoto, acompanhando tendências do entretenimento infantil e da cultura popular.

Um dos episódios mais marcantes da trajetória da empresa ocorreu no fim dos anos 1990, com o encerramento da parceria com a fabricante americana Mattel.

Durante cerca de 30 anos, a Estrela produziu e vendeu a boneca Barbie no Brasil. Após o fim do acordo, a companhia relançou a boneca Susi, que estava fora do mercado havia mais de dez anos, em uma tentativa de recuperar espaço entre os consumidores brasileiros.

A empresa também enfrenta há anos uma disputa judicial com a americana Hasbro. A multinacional cobra royalties relacionados à venda de cerca de 20 brinquedos no Brasil, entre eles o tradicional Banco Imobiliário.

Atualmente, a Estrela mantém operações industriais em São Paulo, Minas Gerais e Sergipe, além de um escritório central na capital paulista.

Nos últimos anos, porém, a companhia passou a enfrentar dificuldades financeiras em meio às mudanças no mercado de brinquedos, pressionado pelo avanço dos jogos digitais e pela transformação dos hábitos de consumo das crianças.

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China anuncia negociação com EUA para reduzir tarifas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 07:56

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Negociação prevê redução de tarifas que afetam dezenas de bilhões de dólares em produtos de ambos os lados.

China vai restabelecer os registros de alguns exportadores de carne bovina dos Estados Unidos, que haviam expirado no ano passado.

O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), posa para fotos com o presidente da China, Xi Jinping, durante uma visita ao Jardim Zhongnanhai, em Pequim, em 15 de maio de 2026. — Foto: Evan Vucci / Pool / AFP

A China concordou em trabalhar com os Estados Unidos para reduzir tarifas que afetam dezenas de bilhões de dólares em produtos de ambos os lados, segundo comunicado do governo chinês divulgado nesta quarta-feira (20), poucos dias após a visita do presidente Donald Trump a Pequim.

As duas maiores economias do mundo passaram boa parte de 2025 envolvidas em uma intensa guerra comercial, até que Trump e Xi Jinping firmaram uma trégua de um ano durante um encontro na Coreia do Sul, em outubro.

Como resultado da reunião da semana passada, os países criaram um conselho comercial no qual “as partes concordaram, em princípio, em discutir um acordo-quadro para a redução recíproca de tarifas sobre produtos de valor equivalente”, segundo o comunicado do Ministério do Comércio da China.

Os cortes tarifários previstos devem atingir mercadorias avaliadas em “US$ 30 mil ou mais para cada parte”, acrescenta o documento publicado na internet e atribuído a um funcionário que não foi identificado.

A China afirmou esperar que “a parte americana cumpra o compromisso” assumido na recente rodada de negociações e pediu a prorrogação dos acordos de trégua comercial firmados no ano passado.

O Ministério do Comércio também informou que o país vai restabelecer os registros de alguns exportadores de carne bovina dos Estados Unidos, que haviam expirado no ano passado, no momento de maior tensão com Washington.

Ao confirmar outro resultado do encontro entre Xi e Trump, o ministério afirmou que a China comprará 200 aeronaves da Boeing, sem detalhar os modelos.

Nos últimos meses, a imprensa americana noticiou que Pequim estava prestes a fazer um grande pedido à Boeing, que poderia incluir até 500 aviões 737 MAX, além de quase 100 unidades dos modelos 787 Dreamliner e 777.

Sobre as terras raras — setor estratégico dominado pela China e alvo de restrições às exportações no ano passado — o comunicado não trouxe detalhes adicionais.

“As partes trabalharão juntas para estudar e resolver preocupações legítimas e legais de ambos os lados”, afirmou o texto.

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Senado analisa indicados para autarquia que regula fundos de investimento nesta quarta

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 07:56

Política Senado analisa indicados para autarquia que regula fundos de investimento nesta quarta Se aprovado, Otto Lobo não terá um mandato de cinco anos, como acontece em novas nomeações. Ele cumprirá um mandato tampão até julho de 2027, por conta da saída do ex-presidente. Por Caetano Tonet, g1 — Brasília

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vai analisar nesta quarta-feira (20) a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

Ele cumprirá um mandato tampão até julho de 2027, complementando o período restante do mandato de João Pedro Nascimento, ex-presidente que deixou o cargo em julho do ano passado.

Na segunda-feira (18), o relator da indicação de Lobo, senador Eduardo Braga (MDB-AM), publicou parecer favorável à indicação do Palácio do Planalto.

Além de Lobo, o colegiado também irá deliberar a indicação de Igor Muniz para uma diretoria do órgão.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vai analisar nesta quarta-feira (20) a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

🔎A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, que tem como principal função regular fundos de investimento.

Se aprovado, Lobo não terá um mandato de cinco anos, como acontece em novas nomeações. Ele cumprirá um mandato tampão até julho de 2027, complementando o período restante do mandato de João Pedro Nascimento, ex-presidente que deixou o cargo em julho do ano passado.

Na segunda-feira (18), o relator da indicação de Lobo, senador Eduardo Braga (MDB-AM), publicou parecer favorável à indicação do Palácio do Planalto.

“Consta ainda na mensagem encaminhada, afirmação do Ministério da Fazenda de ser o indicado detentor de idoneidade moral e reputação ilibada, bem como de ter perfil profissional ou formação acadêmica compatível com o cargo ou a função para a qual foi indicado”, diz o parecer de Eduardo Braga.

Antes de apresentar o relatório, Braga conversou com o presidente Lula para confirmar a indicação para o comando da CVM.

A indicação de Lobo dividiu setores do governo, com o ministério da Fazenda, à época comandado por Fernando Haddad, contrário à indicação. A posição é seguida pelo atual chefe da pasta, Dario Durigan, mas segundo fontes a par das conversas, Lula reforçou a Braga a escolha por Lobo.

O nome do advogado também foi mal recebido no mercado financeiro em função de decisões favoráveis ao Banco Master enquanto presidiu a CVM de forma interina.

Sabatina de indicados para a diretoria do BC na CAE do Senado – imagem de arquivo — Foto: Marcela Cunha

O Ministério Público chegou a solicitar ao Tribunal de Contas da União (TCU) a suspensão da sabatina de Lobo no Senado, mas o processo foi arquivado pela corte de contas.

Em uma das decisões questionadas pelo TCU, o voto de qualidade de Lobo dispensou a Ambipar — empresa de gestão de resíduos que realizou diversas transações com o Master — de realizar uma oferta pública de ações (OPA).

A posição de Lobo contrariou a área técnica da CVM que apontou uma ação orquestrada entre os empresários Nelson Tanure e Tércio Bolenghi e do Banco Master para inflar o preço das ações da empresa.

Em outubro de 2025, dias antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, a Ambipar teve sua recuperação judicial aprovada.

A indicação de Lobo para o comando da CVM é atribuída a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Após Lula formalizar a escolha, Alcolumbre negou ser padrinho do indicado.

Além de Lobo, o colegiado também irá deliberar a indicação de Igor Muniz para uma diretoria do órgão. A expectativa é que os nomes também sejam votados no plenário nesta quarta-feira.

➡️Atualmente, só duas cadeiras estão ocupadas, deixando a autarquia com três vagas abertas no colegiado.

➡️Apesar do cenário de desfalque, apenas as indicações de Lobo e Muniz foram encaminhadas pelo Executivo.

Há 2 horas O Assunto Caso MasterO que Flávio disse sobre visita a Vorcaro após o banqueiro deixar a cadeia

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O ranking dos países mais caros para se comprar uma camisa da Copa do Mundo — e a posição do Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 06:58

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%Oferecido por

Neymar em jogo que eliminou o Brasil da Copa do Mundo, no Catar, em 2022; uniforme de 2026 ainda não entrou em campo — Foto: Suhaib Salem/Reuters

Vendida por R$ 749,99 nas lojas oficiais, a camisa do Brasil para a Copa do Mundo é a que mais pesa no bolso dos torcedores entre os oito países que já venceram o torneio.

A BBC News Brasil comparou o preço dos uniformes oficiais com a renda média da população de Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Argentina e Uruguai.

No Brasil, o valor corresponde a cerca de 17,5% da renda média mensal per capita, segundo o Banco Mundial, calculada em US$ 859 — o equivalente hoje a R$ 4.289. O cálculo considera o Produto Interno Bruto (PIB) do país convertido em dólares e dividido pelo número de habitantes.

O valor adotado pelo Banco Mundial é superior ao calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, que leva em conta a renda líquida.

Segundo o IBGE, a renda média mensal da população brasileira é de R$ 3.367, cenário em que a compra da camisa da seleção comprometeria 22,2% da renda.

Mas os dados do Banco Mundial foram adotados pela reportagem para garantir uma base única de comparação entre os países.

Se o cálculo levasse em conta o salário mínimo, por exemplo, o preço da camisa equivaleria, no Brasil, a 46,3% do valor total recebido por mês.

Essa comparação, porém, teria limitações. Enquanto no Brasil cerca de um terço dos trabalhadores recebem salário mínimo, na Alemanha apenas 6% da população ganha o piso salarial legal do país. Por isso, o indicador não funciona como um bom termômetro da renda média da população em cada território.

Modelo veste uniforme da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, vendida pela Nike por R$ 749,99 — Foto: Reprodução/Divulgação

Entre os países que já conquistaram o troféu, os preços mais altos proporcionalmente à renda estão nos três sul-americanos da lista.

Nas nações europeias, os torcedores não precisam desembolsar mais do que 5,9% da renda média mensal para comprar uma camisa oficial.

3,7% da renda mensal na Alemanha;4% na Inglaterra;4,8% na França;5,2% na Itália;5,9% na Espanha;9,2% na Argentina;9,9% no Uruguai;17,5% no Brasil.

Embora os percentuais nos países da América do Sul sejam bem mais altos do que os registrados na Europa, ainda ficam cerca de 8% abaixo do valor no Brasil.

Modelo veste uniforme da Alemanha para a Copa do Mundo de 2026, vendida por € 150 pela Adidas por $ 219.999 pesos argentinos — Foto: Reprodução/Divulgação

Ao converter euros, reais e pesos para dólares nas cotações desta terça-feira (19/5), o preço absoluto da camisa brasileira aparece como o segundo mais barato da lista (US$ 149,1), à frente apenas da Argentina (US$ 107,5). No entanto, quando a comparação leva em conta a renda da população, o Brasil dispara como o país mais caro para adquirir a peça.

As comparações foram feitas pela BBC News Brasil a partir do cruzamento de dados do Banco Mundial com informações das lojas oficiais da Nike e da Adidas, marcas responsáveis pela comercialização dos uniformes dessas seleções.

Os valores se referem às chamadas camisas de jogador. No caso da Nike, responsável pelo uniforme brasileiro, a empresa afirma que a peça utiliza uma tecnologia que permite a circulação de ar na pele, ajudando o corpo a se manter fresco em temperaturas elevadas e deixando o material mais leve.

Segundo as fabricantes, essas seriam as mesmas peças usadas pelos atletas em campo. A comparação considerou esse modelo porque, embora existam versões mais baratas no Brasil — como uma camiseta branca simples estampada apenas com o logo da CBF, vendida por R$ 149,90 —, nem todos os países oferecem alternativas equivalentes, já que alguns comercializam apenas os chamados modelos de jogador.

Até a publicação desta reportagem, a Nike não respondeu aos questionamentos da BBC News Brasil sobre quais fatores impactam a precificação da camisa.

Modelo veste o uniforme da Argentina para a Copa do Mundo de 2026, vendido pela Adidas por $ 219.999 pesos argentinos — Foto: Reprodução/Divulgação

O preço pago por uma camisa da seleção sempre foi considerado alto no Brasil. Em 1998, às vésperas da Copa do Mundo da França, a peça custava R$ 84. O valor representava 64,6% do salário mínimo da época, de R$ 130 — percentual superior ao atual, de 46,3%. Foi naquele ano que a Nike assumiu a produção dos uniformes oficiais em parceria com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Ainda assim, a valorização da camisa desde então ficou acima da inflação. Se fosse corrigido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial do IBGE para medir a variação do custo de vida, o valor de R$ 84 em 1998 equivaleria hoje a R$ 438 — isto é, R$ 312 a menos do que o cobrado nesta Copa.

Os reajustes entre uma Copa e outra variaram bastante ao longo do tempo. Entre os Mundiais de 2014, no Brasil, e de 2018, na Rússia, o aumento foi de 36,7%.

Já entre a Copa da Rússia e a do Catar, em 2022, a alta chegou a 55,6%, quando o preço saltou de R$ 449,90 para R$ 699,99. Foi um aumento de 55,6%, enquanto o IPCA acumulado foi mais baixo, de 29,1% — pela inflação, portanto, a camisa deveria ter custado até R$ 581.

Para a próxima edição, sediada por Canadá, Estados Unidos e México a partir do dia 11 de junho, o aumento foi menor: 7,1%, com o preço passando de R$ 699,99 para R$ 749,99. Ainda assim, a variação ficou acima da inflação acumulada no período, segundo a qual a peça deveria custar, no máximo, R$ 735.

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‘Gol contra’: 10 anos após o Brexit, Reino Unido volta a discutir retorno à União Europeia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 05:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0400,85%Dólar TurismoR$ 5,2430,7%Euro ComercialR$ 5,8500,45%Euro TurismoR$ 6,0980,37%B3Ibovespa174.279 pts-1,52%Oferecido por

Dez anos após o referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, a possibilidade de o país voltar ao bloco europeu voltou ao centro do debate político britânico.

O tema ganhou força depois que o ministro do Comércio, Chris Bryant, disse esperar que o Reino Unido seja readmitido na União Europeia no futuro.

Em entrevista à AFP no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Bryant afirmou que o Brexit trouxe "enormes problemas para a economia do Reino Unido".

Starmer adota uma posição mais cautelosa. Embora tenha intensificado a aproximação com Bruxelas desde que assumiu o governo, ele evita defender formalmente a volta do país ao bloco.

O Reino Unido deixou formalmente a União Europeia em 2020, após quatro anos de negociações que sucederam o referendo de 2016, no qual 51,9% dos eleitores votaram pela saída.

Uma manifestante contrária ao Brexit durante protesto em frente ao Palácio de Westminster, em Londres, no Reino Unido, em 5 de março de 2025. — Foto: REUTERS/Isabel Infantes/Foto de Arquivo

Dez anos após o referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, a possibilidade de o país voltar ao bloco europeu voltou ao centro do debate político britânico.

O tema ganhou força depois que o ministro do Comércio, Chris Bryant, disse esperar que o Reino Unido seja readmitido na União Europeia no futuro.

Em entrevista à AFP no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Bryant afirmou que o Brexit trouxe "enormes problemas para a economia do Reino Unido".

"Espero que, ainda durante a minha vida, sejamos recebidos de volta ao coração da Europa, de forma plena e sólida, como membros da União Europeia", declarou Bryant à AFP.

O ministro, porém, afirmou que essa possibilidade ainda está distante. "Não vamos fazer isso neste verão", disse.

Bryant também citou impactos no comércio exterior. Segundo ele, cerca de 16 mil empresas britânicas deixaram de exportar para a Europa desde a saída do bloco. Para o ministro, o Brexit foi "um gol contra".

Apesar dos esforços do Reino Unido para ampliar relações comerciais com países como Coreia do Sul, Turquia e Suíça, Bryant lembrou que a União Europeia continua sendo o principal parceiro comercial do país.

"Os outros parceiros não representam os 47% do comércio que temos com a União Europeia, e é isso que precisamos corrigir", disse à AFP.

O debate ganhou novo impulso após declarações do ex-ministro da Saúde Wes Streeting, apontado como um dos possíveis sucessores do primeiro-ministro Keir Starmer. No fim de semana, ele afirmou que deixar a União Europeia foi "um erro catastrófico".

Segundo Streeting, a decisão tornou o Reino Unido "menos rico, menos influente e menos capaz de controlar seu próprio destino do que em qualquer outro momento desde a Revolução Industrial".

"Não podemos mais nos dar ao luxo de ficar em silêncio sobre isso. Precisamos reconstruir esse debate", afirmou. "O futuro da Grã-Bretanha está na Europa e, um dia, de volta à União Europeia."

Starmer adota uma posição mais cautelosa. Embora tenha intensificado a aproximação com Bruxelas desde que assumiu o governo, ele evita defender formalmente a volta do país ao bloco.

Questionado sobre essa possibilidade, o premiê não descartou que isso possa ocorrer "anos adiante". Por enquanto, diz estar concentrado em aproximar o Reino Unido da União Europeia, por considerar que isso atende ao interesse nacional.

A discussão ressurge em um momento de instabilidade política. Após o desempenho abaixo do esperado do Partido Trabalhista nas eleições locais deste mês, dezenas de parlamentares passaram a pressionar Starmer a deixar o cargo ou a definir um cronograma para sua saída.

O tema também divide o próprio partido. Andy Burnham, prefeito de Manchester e outro nome cotado para disputar a liderança trabalhista, afirmou que o Brexit foi "prejudicial", mas ponderou que "a última coisa que devemos fazer agora é retomar esse debate".

"Não estou propondo que o Reino Unido volte a discutir a adesão à União Europeia. Respeito a decisão tomada no referendo", disse.

A ministra da Cultura, Lisa Nandy, classificou a proposta de Streeting como "estranha".Já o deputado Dan Carden afirmou que comunidades trabalhadoras não querem ouvir que cometeram um erro ao votar pelo Brexit.Na oposição, a líder conservadora Kemi Badenoch acusou os trabalhistas de tentar reabrir uma discussão já encerrada.Nigel Farage, principal rosto da campanha pela saída do bloco, afirmou que Streeting quer "arrastar" o país de volta à União Europeia.

O Reino Unido deixou formalmente a União Europeia em 2020, após quatro anos de negociações que sucederam o referendo de 2016, no qual 51,9% dos eleitores votaram pela saída. Desde então, Londres e Bruxelas vêm reconstruindo gradualmente a relação.

Em 2025, os dois lados firmaram um acordo para ampliar a cooperação em defesa e segurança e flexibilizar restrições ao comércio de alimentos. Uma nova cúpula bilateral está prevista para o verão europeu.

Embora um retorno ainda pareça distante, as declarações recentes mostram que a possibilidade de reingresso deixou de ser um tema evitado na política britânica.

O debate volta a girar em torno de uma questão que parecia encerrada: depois dos custos do Brexit, o Reino Unido pode decidir retomar o caminho de volta à Europa.

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Mais de 10 milhões de MEIs ainda não entregaram declaração à Receita; prazo acaba neste mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 20/05/2026 05:48

Empreendedorismo Guia do empreendedor Mais de 10 milhões de MEIs ainda não entregaram declaração à Receita; prazo acaba neste mês Prazo para envio da declaração anual termina em 31 de maio; atraso pode gerar multa e até problemas no CNPJ. Por Redação g1 — São Paulo

Mais de 10 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs) ainda não acertaram as contas com a Receita Federal.

Dos mais de 16,7 milhões de registros ativos no país, apenas 38,2% entregaram até agora a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI), documento que informa o faturamento do negócio no ano anterior, segundo o Sebrae.

O envio é obrigatório e deve ser feito até 31 de maio no Portal do Empreendedor. Mesmo quem não teve faturamento em 2025 precisa preencher a declaração.

A DASN-SIMEI reúne informações sobre o faturamento do MEI ao longo de 2025 e indica se houve contratação de empregado no período.

O documento deve ser apresentado anualmente à Receita Federal para manter o CNPJ regular e comprovar que a empresa atua dentro das regras do regime, cujo limite de faturamento é de R$ 81 mil por ano.

O não envio pode gerar multas e até o cancelamento do CNPJ. O registro também pode ser cancelado definitivamente caso o MEI fique dois anos sem pagar as contribuições mensais obrigatórias.

Para facilitar o preenchimento, o MEI pode utilizar o Relatório Mensal de Receitas Brutas, onde registra os valores obtidos a cada mês. O controle também é uma obrigação prevista em lei, segundo o governo federal.

🧮 Como fazer a declaração anual de MEI💻 Quem deve declarar? 📅 E se eu perder o prazo. O que acontece? 💵 Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? 🤔 Errei alguma informação, e agora?

Na declaração anual, é necessário preencher o valor total da receita bruta obtida pelo MEI no ano anterior. Entram as vendas de mercadorias ou prestação de serviços, além de ser necessário indicar se houve ou não o registro de empregado.

Acessar o portal do empreendedor e selecionar a aba "Já sou MEI";Escolha a opção “Declaração Anual de Faturamento” e clique em entregar a declaração;O CNPJ do MEI será solicitado. Depois, o empreendedor deve escolher o ano que deseja declarar e preencher os dados com as receitas obtidas;Uma tela com o resumo dos valores dos impostos pagos naquele ano será aberta; Por último, é só clicar em transmitir. Nos casos de não movimentação ou faturamento, os campos de Receitas Brutas, Vendas e/ou Serviços devem ser preenchidos com o valor de R$ 0,00 – indicando que, de fato, não houve rendimentos.

A declaração deve ser feita por todos os microempreendedores individuais, incluindo aqueles que não obtiveram faturamento durante o ano de 2025.

A entrega fora do prazo da DASN-SIMEI gera uma multa de 2% a cada mês de atraso, limitada a 20% sobre o valor total dos tributos devidos, ou mínimo de R$ 50.

O MEI também pode ter o CNPJ cancelado definitivamente, caso não tenha pagado nenhuma contribuição mensal durante os últimos dois anos.

O limite de faturamento anual do MEI em 2025 foi de R$ 81 mil, o que dá uma média de R$ 6.750 ao mês (ou um valor proporcional de acordo com o mês de abertura).

🔎 EXEMPLO: Se você formalizou a sua empresa em maio de 2025, o seu limite de faturamento até o final do ano a ser declarado é de R$ 54 mil.

Segundo Gabriel Santana Vieira, advogado especialista em direito tributário, existem duas possibilidades:

O MEI que fatura até 20% acima do limite (até R$ 97.200) será desenquadrado automaticamente a partir de 1º de janeiro do ano seguinte e deverá migrar para o regime de Microempresa (ME) no Simples Nacional.Já o empreendedor que faturar acima de 20% do limite (acima de R$ 97.200), o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do ano em que o limite foi ultrapassado, gerando possíveis custos adicionais, como tributos, multas e juros.

"O empreendedor deve solicitar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional e ajustar seu enquadramento como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), iniciando o pagamento dos tributos de acordo com o novo regime", afirma Vieira.

Vale lembrar que no regime de ME, os tributos são calculados com base no faturamento anual e nas tabelas do Simples Nacional, exigindo maior controle financeiro e, geralmente, o auxílio de um contador.

Ainda segundo o especialista, essas mudanças são importantes para manter a regularidade fiscal da empresa e evitar problemas com a Receita Federal.

Neste caso, o MEI terá de entrar na declaração e escolher o ano-exercício a ser corrigido. Após selecioná-lo, aparecerá a opção de retificadora em 'tipo de declaração'.

O microempreendedor altera o dado que precisa e transmite de novo a declaração. Uma recomendação é salvar ou imprimir o novo recibo de transmissão.

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Economia comportamental: o que te faz gastar mesmo querendo economizar?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 04:45

g1 explica Economia comportamental: o que te faz gastar mesmo querendo economizar? No g1 Explica, a repórter Renata Ribeiro explica e simplifica os temas que dominam o noticiário econômico e mexem diretamente com o nosso bolso. Por Renata Ribeiro, TV Globo — São Paulo

A economia comportamental explica um hábito que se vê muito por aí: decidir economizar e, pouco depois, parcelar uma compra. O comportamento é chamado de “viés do presente”, quando o cérebro dá mais valor ao benefício imediato do que a ganhos maiores no futuro.

Na prática, muita gente prefere receber R$ 100 hoje a esperar um mês para ganhar R$ 120. Mas, quando a decisão é deixada para o futuro, esperar se torna mais fácil. Segundo especialistas, o problema não está no valor, mas na distância do tempo.

O mecanismo ajuda a explicar decisões como entrar no rotativo do cartão, parcelar compras sem necessidade e adiar escolhas importantes. O prazer imediato costuma pesar mais do que o custo futuro.

Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

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Por que mais brasileiros estão virando motoboys mesmo com renda instável e mais riscos?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 04:45

Trabalho e Carreira Por que mais brasileiros estão virando motoboys mesmo com renda instável e mais riscos? Facilidade para começar a trabalhar e busca por renda rápida ajudam a explicar avanço do setor, apontam pesquisas. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Motoboys por aplicativo têm rendimento médio menor do que os demais trabalhadores da categoria — Foto: Rowan Freeman/Unsplash

📦 Eles levam comida, remédios, documentos, compras e até peças de reposição em poucos minutos. Enfrentam chuva, calor e o trânsito pesado das grandes cidades. Há tempos, os motoboys passaram a ocupar um papel central na economia cotidiana no Brasil.

Basta imaginar um cenário em que os aplicativos de entrega saiam do ar por algumas horas: farmácias começam a atrasar pedidos, refeições se acumulam em restaurantes, pequenos comércios perdem vendas e consumidores deixam de receber produtos urgentes.

A rapidez, que antes era um diferencial, virou uma expectativa permanente. E, por trás dessa engrenagem, está um contingente cada vez maior de brasileiros que encontrou na motocicleta uma porta de entrada quase imediata para o mercado de trabalho.

Dados da Abraciclo mostram que 2025 terminou com recorde de licenciamentos no varejo, com 2,1 milhões de motocicletas vendidas — uma alta de 17,1% em relação a 2024, puxada pelo trabalho por aplicativos. A tendência segue em alta: para 2026, a projeção é de que esse número chegue a 2,3 milhões de unidades.

E, segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, empresas do setor emplacaram mais de 70 mil motocicletas em 2024, um salto de quase 90% na comparação com o ano anterior. Ao todo, a frota das locadoras chegou a 140 mil unidades.

O número mostra que, em muitos casos, o aluguel passou a funcionar como um atalho para começar a trabalhar rapidamente — sem entrada, sem análise de crédito rigorosa e sem a necessidade de assumir financiamentos de longo prazo, explica Geraldo Carneiro, fundador da Byker, empresa especializada em locação de motocicletas.

Para Carneiro, a motocicleta ganhou um papel estratégico justamente por reunir características difíceis de encontrar em outros modelos de trabalho urbano: baixo custo operacional, rapidez para começar e alta demanda, especialmente nas grandes cidades.

“Ela [motos] tem baixo custo operacional comparado ao carro, alta mobilidade urbana e permite que milhares de pessoas ingressem rapidamente no mercado de entregas”, completa.

Ao mesmo tempo, o avanço do delivery expõe uma nuance importante dessa transformação: parte dos postos criados nos últimos anos está inserida em um modelo híbrido, que mistura autonomia, informalidade e dependência das plataformas digitais.

Na prática, muitos entregadores não estão completamente fora das estatísticas de formalização, mas também não têm acesso às garantias típicas do emprego tradicional.

🔎 Não há salário fixo, férias remuneradas ou renda previsível. O ganho depende diretamente da quantidade de entregas realizadas, do tempo conectado aos aplicativos e da dinâmica de demanda de cada cidade.

Em um país ainda marcado por desigualdade, endividamento e dificuldades de recolocação profissional, o delivery passou a funcionar como uma espécie de renda de emergência permanente.

A contrapartida é que o mesmo modelo que facilita o acesso também concentra quase todos os custos e riscos na mão do trabalhador.

É o entregador quem paga combustível, troca de óleo, pneus, manutenção, seguro, documentação e, em muitos casos, o aluguel ou financiamento da moto. Quanto mais roda, maior o desgaste do veículo. Além disso, quanto mais tempo conectado, maior a exposição ao trânsito e aos acidentes.

Para Carneiro, o crescimento do aluguel de motos revela uma tentativa de tornar minimamente previsível uma atividade marcada por renda instável. “Muitos profissionais preferem trocar o risco de uma manutenção inesperada por um custo fixo semanal ou mensal”, diz.

O estudo mais recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, intitulado “Plataformização e Precarização do Trabalho de Motoristas e Entregadores no Brasil”, mostrou que a renda média da categoria caiu de cerca de R$ 2.250 para aproximadamente R$ 1.800 ao longo dos últimos anos.

Apesar dessa redução, dados do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento apontam um cenário um pouco diferente. Segundo o levantamento, a renda líquida média mensal dos entregadores variou entre R$ 2.669 e R$ 3.581 até 2024.

🔎 A diferença entre os estudos ajuda a mostrar como a renda no setor varia conforme região, jornada, tempo conectado aos aplicativos e quantidade de entregas realizadas. Ainda assim, especialistas apontam que o crescimento da atividade veio acompanhado de uma intensificação da rotina de trabalho.

O estudo do Ipea, por exemplo, indica aumento das jornadas mais extensas. Entre os entregadores plataformizados, cresceu a proporção dos que trabalham acima de 49 horas semanais e também daqueles que ultrapassam 60 horas por semana.

O cenário expõe uma contradição: mais pessoas passaram a trabalhar no setor ao mesmo tempo em que a rotina se tornou mais intensa, marcada por jornadas mais longas e maior pressão por produtividade na tentativa de aumentar os ganhos.

Na prática, isso significa passar mais tempo conectado aos aplicativos, rodar mais quilômetros por dia e ampliar a exposição ao trânsito e aos riscos da atividade.

Os efeitos aparecem nos dados de acidentes. Um levantamento da Ação da Cidadania revelou que 41,3% dos entregadores de alimentos por aplicativos já sofreram algum acidente durante o trabalho.

O estudo, feito com 1,7 mil profissionais, mostrou ainda que mais da metade dos trabalhadores, 56,7%, atua todos os dias da semana, em jornadas que ultrapassam 10 horas diárias, sem direito a folga.

Uma reportagem exibida pelo Fantástico no ano passado evidenciou o impacto dos acidentes de moto tanto na vida de jovens trabalhadores quanto nos gastos do sistema público de saúde.

Em 2024, as internações de motociclistas custaram mais de R$ 257 milhões ao SUS. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, mais de 60% das mortes no trânsito envolvem motos.

O presidente da entidade, Antônio Meira Júnior, afirmou que quem está em uma motocicleta tem 17 vezes mais chance de morrer em acidentes do que ocupantes de automóveis.

“Essa epidemia de acidente de trânsito é tão grave que, em 71% dos municípios do Brasil, os acidentes de trânsito matam mais do que as armas de fogo”, disse.

As vítimas são majoritariamente jovens entre 20 e 39 anos, justamente a faixa etária que concentra grande parte dos trabalhadores do delivery.

Para quem depende da moto para sobreviver, um acidente pode representar perda imediata da renda. Carlos de Jesus Santos, que falou ao Fantástico enquanto se recuperava de um acidente, resume esse temor:

“Se acidentar, já era. Acaba o trabalho (…) Eu vou voltar. É o transporte mais barato para fazer esse tipo de serviço”.

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Após golpe de construtoras, vítimas ficam com obras inacabadas e em dívidas com financiamentos: ‘o sonho virou pesadelo’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 04:44

Fantástico Após golpe de construtoras, vítimas ficam com obras inacabadas e em dívidas com financiamentos: 'o sonho virou pesadelo' Casos semelhantes foram relatados em diferentes estados e envolvem denúncias contra construtoras suspeitas de fraudes usando dinheiro de financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal. Por Fantástico

O que começou como o projeto da casa própria acabou se transformando em frustração, dívidas e abalo emocional para famílias que contrataram financiamentos habitacionais e viram as obras serem abandonadas — mesmo após a liberação de centenas de milhares de reais. Casos semelhantes foram relatados em diferentes estados e envolvem denúncias contra construtoras suspeitas de fraudes usando dinheiro de financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal.

Pela primeira vez em dois anos, Marcela Teles voltou ao terreno onde deveria estar a casa da família, hoje tomado pelo mato.

“Era para ser o lugar onde nossa filha iria crescer, aprender a andar. Mas a gente mora de aluguel e paga por algo que já deveria estar pronto há três anos”, relata. Ao olhar a obra inacabada, ela resume: “o nosso sonho virou um pesadelo”.

Ela e o marido Izael Mendes financiaram entre R$ 400 mil e R$ 500 mil por meio da Caixa Econômica Federal. Durante dois anos, pagaram regularmente as parcelas. Ainda assim, a obra foi interrompida e nunca chegou perto da conclusão. Documentos apresentados pela construtora Prumo indicavam que mais de 84% da casa estaria pronta — algo desmentido pelo cenário real e por um especialista, que apontou que nem metade havia sido construída.

'O sonho virou pesadelo': vítimas relatam dramas após caírem em golpe da construtora — Foto: Reprodução/TV Globo

Além disso, perícia identificou indícios de fraude: assinaturas atribuídas à cliente em laudos de progresso da obra foram consideradas falsas.

'O sonho virou pesadelo': vítimas relatam drama após caírem em golpe da construtora — Foto: Reprodução/TV Globo

Guilherme e Bruna Both contrataram um financiamento de R$ 290 mil em 2022. Segundo o casal, o responsável pela construtora Vitro Viana também se apresentava como alguém ligado ao banco, o que gerou confiança.

“A gente não entendia nada de financiamento, ele dizia que conseguiria facilitar tudo”, lembra Guilherme.

De acordo com o relato, a construtora recebeu mais de R$ 200 mil, mas depois alegou que o valor não era suficiente e pediu mais dinheiro. Ao investigar os documentos enviados ao banco, o casal encontrou inconsistências graves: etapas como cobertura, instalações elétricas e hidráulicas apareciam como quase concluídas — apesar de não existirem na obra.

A construção foi abandonada sete meses após o início. O prejuízo ultrapassou os valores financiados e levou o casal a enfrentar dificuldades emocionais.

'O sonho virou pesadelo': vítimas relatam drama após caírem em golpe da construtora — Foto: Reprodução/TV Globo

Em Pernambuco, Camyla Lira e Daniel planejaram por uma década a construção do imóvel. Quando a construtora interrompeu a obra, ela estava grávida e contava com a casa pronta no primeiro ano de vida do filho.

"Entregaria a casa ele com 11 meses, então eu já imaginaria assim, mais ou menos um ano de vida dele eu já estar na minha residência própria, né? Da forma realmente como eu planejei uma vida inteira".

O caso resultou em investigação e condenação judicial: o dono da Multicons foi sentenciado por estelionato, após comprovação de que inflava valores apresentados ao banco e ficava com a diferença. O prejuízo para o casal passou de R$ 126 mil.

Mesmo assim, eles decidiram seguir com a obra, que foi pago com sacríficos: venda de bens e ajuda de familiares.

Do sonho ao pesadelo: após golpe de construtoras, vítimas ficam com obras inacabadas — Foto: Reprodução/TV Globo

Em nota, a construtora Âmbar Prumo afirma que todas as obras foram conduzidas dentro das normas da Caixa e que eventuais acusações serão respondidas na Justiça.

Já o ex-funcionário da Caixa e que respondia pela construtora Vitro Viana, Pedro André Marchesi Cecegolo, recorre na Justiça do Trabalho contra a demissão e nega ter causado qualquer prejuízo financeiro à Caixa.

O dono da Multicons, condenado por estelionato, diz que os valores recebidos foram integralmente aplicados na obra e recorre da decisão.

Casa própria: como construtoras fraudaram famílias com dinheiro da Caixa — Foto: Reprodução/TV Globo

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