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Austrália confirma 2º caso de gripe aviária no continente em menos de uma semana

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 03:11

Agro Austrália confirma 2º caso de gripe aviária no continente em menos de uma semana Até este ano, continente era o único sem registro do vírus. Por Redação g1

Um íbis empoleirado ao lado da sede do Banco da Reserva da Austrália , no centro de Sydney, Austrália — Foto: Daniel Munoz / Reuters

O Ministério da Agricultura da Austrália confirmou o segundo caso de H5 gripe aviária nesta segunda-feira (22). No sábado (20), o continente registrou o primeiro caso de infecção, um dia após o vírus ter sido detectado em uma região remota do sudoeste.

Até este ano, a Austrália era o único continente sem um caso confirmado no território continental, embora o vírus tenha sido detectado no fim de 2025 na Ilha Heard, território subantártico localizado a cerca de 4.100 km da Austrália continental.

Ainda não foram divulgados detalhes sobre o novo caso. O primeiro registro, confirmado no sábado, ocorreu em Esperance, cidade localizada a cerca de 570 quilômetros a sudeste de Perth, capital da Austrália Ocidental. Segundo o governo, a ave infectada pela cepa altamente patogênica do vírus foi encontrada doente na região.

As infecções humanas permanecem raras, mas a influenza aviária altamente patogênica levou ao abate de centenas de milhões de aves nos últimos anos, afetando o abastecimento de alimentos e elevando os preços.

Na sexta, a ministra da Agricultura, Julie Collins, informou que o vírus ainda não havia sido detectado em granjas ou no sistema agropecuário australiano. No entanto, outra ave encontrada doente na mesma região — um petrel-gigante — também testou positivo.

Para enfrentar a gripe aviária, a Austrália reforçou medidas de biossegurança nas fazendas, ampliou os testes em aves costeiras, vacinou espécies vulneráveis e realizou simulações para preparação de respostas a surtos.

Na sexta-feira, as autoridades haviam informado que um mandrião-marrom migratório encontrado no Parque Nacional Cape Le Grand, na Austrália Ocidental, testou positivo para a doença, enquanto aguardavam a confirmação dos exames.

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Cachorro caramelo, filtro de barro e café coado: símbolos brasileiros ajudaram amigas a faturar R$ 1,5 milhão em um ano

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 22/06/2026 03:11

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Cachorro caramelo, filtro de barro e café coado: símbolos brasileiros ajudaram amigas a faturar R$ 1,5 milhão em um ano Inspiradas por elementos do cotidiano brasileiro, três amigas criaram uma marca de moda que transformou a brasilidade em produto e conquistou espaço na onda das referências nacionais. Por PEGN

Brasil Core impulsiona negócios: empreendedores faturam até R$ 1,5 milhão com produtos inspirados na brasilidade

A estética que transforma referências do país em tendência virou também uma oportunidade de negócio. E há empreendedoras surfando essa onda de um jeito diferente, indo muito além do verde e amarelo e apostando em uma brasilidade mais sutil, criativa e fora dos estereótipos.

É o caso de Sofia Kobayashi, que criou, ao lado de duas amigas, uma marca de moda inspirada no Brasil, mas não naquele retrato óbvio que costuma aparecer em camisetas e souvenires.

O negócio nasceu em 2021, quando as três ainda trabalhavam como advogadas e buscavam uma forma de expressar a criatividade que não cabia na rotina profissional. A ideia começou quase como um respiro, mas rapidamente ganhou forma e se transformou em empresa.

Desde o início, a proposta foi clara: mostrar um Brasil diferente, menos caricatural e mais conectado aos elementos do cotidiano.

Em vez de apostar apenas nas cores da bandeira ou em símbolos tradicionais, a marca se destaca por referências inesperadas, como bonés inspirados em filtro de barro, cadeira de praia e até no clássico cachorro caramelo. O objetivo é valorizar uma brasilidade que aparece nas entrelinhas e no dia a dia.

O negócio começou com a venda de biquínis, mas foi ao diversificar o portfólio que a marca encontrou seu principal produto: os bonés. Hoje, eles representam a maior parte das vendas e se tornaram o carro-chefe da empresa.

A escolha não foi por acaso. Além de versáteis e acessíveis, esses itens são mais fáceis de vender online, especialmente para uma marca nova, já que não exigem prova de modelagem como outras peças de roupa.

Outro ponto decisivo para o crescimento foi a estratégia de produção. Com um investimento inicial de R$ 36 mil, as sócias optaram por terceirizar a fabricação das peças. A decisão ajudou a reduzir custos e riscos no início da operação, permitindo que o negócio crescesse de forma mais sustentável.

Hoje, a marca segue com uma estrutura enxuta, tocada pelas três sócias, uma funcionária e parceiros na produção. Mesmo assim, os números chamam atenção: são cerca de R$ 1,5 milhão faturados em 2025.

O crescimento ganhou ainda mais força com grandes eventos esportivos. Aproveitando o clima da Copa do Mundo, a empresa lançou uma coleção especial de bonés e apostou no aumento da produção e nas vendas antecipadas pelas redes sociais.

O resultado esperado é um crescimento em torno de 20% no faturamento, impulsionado pelo evento, além da conquista de novos clientes atraídos pelo tema do futebol.

O bom momento também reflete o posicionamento da marca dentro de uma tendência global. Embora não tenha sido criada com esse objetivo, a empresa acabou se alinhando naturalmente ao movimento Brazil Core, que coloca o Brasil em evidência no cenário internacional.

Com a cultura brasileira em alta, o negócio encontrou um espaço relevante no mercado ao oferecer uma leitura diferente do que significa consumir moda com identidade nacional.

📍 Loja: Rua Harmonia, 255 – Vila Madalena, São Paulo/SP📍 Unidade: Rua Mateus Grou, 132 – Pinheiros, São Paulo/SP📞 Telefone: (11) 94197-9655📧 E-mail: atendimento@bossa.com.co🌐 Site: bossa.com.co📸 Instagram: https://www.instagram.com/bossa.brazil

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São João é feriado? Veja onde a data garante folga e quais são os direitos dos trabalhadores

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 00:50

Trabalho e Carreira São João é feriado? Veja onde a data garante folga e quais são os direitos dos trabalhadores Embora não esteja no calendário nacional, o 24 de junho, próxima quarta-feira, será folga garantida para trabalhadores de cinco capitais brasileiras. Por Redação g1 — São Paulo

O governo federal não considera o dia de São João, celebrado em 24 de junho, como feriado nacional nem ponto facultativo. Ainda assim, a data garante folga para milhares de trabalhadores em diferentes regiões do país, especialmente no Nordeste, onde as festas juninas têm forte tradição.

Isso acontece porque estados e municípios podem estabelecer feriados locais por meio de legislação própria. Neste ano, o dia de São João será feriado em pelo menos cinco capitais brasileiras:

Em João Pessoa, o período de descanso será ainda mais longo. Além do feriado de São João, a prefeitura decretou ponto facultativo nos dias 22 e 23 de junho para os servidores municipais, estendendo as comemorações na capital paraibana.

A data também será feriado em cidades que se destacam pelas tradicionais festas juninas, como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), além de Niterói (RJ) e Barueri (SP), onde São João é o santo padroeiro.

Em Pernambuco e Alagoas, o alcance da folga é ainda maior. Isso porque o dia 24 de junho é considerado feriado estadual, beneficiando trabalhadores de diversas cidades além das capitais.

Nas localidades onde o São João é oficialmente feriado, os empregados devem ser dispensados do trabalho. Caso sejam convocados para exercer suas atividades, têm direito ao pagamento em dobro pelas horas trabalhadas ou a uma folga compensatória, conforme prevê a legislação trabalhista.

O que é ponto facultativo? Sou obrigada a trabalhar durante o feriado ou ponto facultativo? Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa?As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? Qual é o próximo feriado de 2025?

Em dias de ponto facultativo, funcionários públicos são dispensados do serviço sem prejuízo da remuneração. A medida é decretada em dias úteis de trabalho, geralmente entre feriados e fins de semana.

No setor privado, ao contrário do que acontece nos feriados, os empregadores não têm a obrigação de dispensar os colaboradores, pagar o salário em dobro ou oferecer folgas compensatórias.

A legislação trabalhista proíbe o exercício de atividades profissionais durante feriados civis e religiosos. No entanto, há exceções.

A lei autoriza o trabalho em alguns setores, que são classificados como essenciais. É o caso de indústrias, comércios, transportes, serviços funerários, atividades ligadas à segurança, entre outros.

Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma convenção coletiva de trabalho, que é um acordo antecipado feito entre empregadores e sindicatos.

Depende. A falta, diante da determinação do empregador para o comparecimento, poderá ser entendida como insubordinação, que é a desobediência a um superior.

"Mas a dispensa por justa causa, em geral, não decorre de um fato isolado, mas de um comportamento faltoso de forma reiterada", afirma Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista.

Com isso, a demissão por justa causa geralmente segue um processo que deve incluir uma soma de advertências escritas e tentativas de correção de comportamento.

As regras básicas sobre trabalho em feriados aplicam-se tanto a empregados fixos quanto temporários, incluindo o direito ao pagamento em dobro ou folga compensatória.

Ao todo, ainda restam seis feriados nacionais em 2026 — e cinco deles podem ser emendados, prolongando os dias de descanso.

O próximo feriado nacional, porém, só acontecerá daqui a três meses: o 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, que neste ano cai em uma segunda-feira e pode render folga prolongada para quem não trabalha aos fins de semana.

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Lucro dos bancos bate recorde de R$ 255 bilhões em 2025, ano marcado por juros altos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 00:50

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%Oferecido por

O lucro dos bancos brasileiros subiu e alcançou a marca histórica de R$ 255 bilhões em 2025, novo recorde. Os números são do Banco Central.

O aumento ocorreu em um ano no qual a taxa básica de juros da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, subiu para 15% ao ano – o maior nível em quase 20 anos, e um dos mais altos do mundo em termos reais. O juro começou a recuar somente em 2026.

A taxa Selic serve de base para os bancos em seus empréstimos, que, sem contar as linhas com taxas favorecidas (crédito direcionado), têm juros bem maiores do que a taxa básica da economia.

Em algumas linhas de crédito, como o cartão de crédito rotativo, mais utilizado no ano passado, e no cheque especial, os juros passam de, respectivamente, 400% e 100% ao ano.

Outra característica do setor bancário brasileiro é ser altamente concentrado, com os quatro maiores bancos abocanhando quase 60% do mercado de crédito em 2024.

Procurado pelo g1, o Banco Central avaliou que, em 2025, o crescimento do lucro líquido dos bancos brasileiros foi "mais moderado", e a "rentabilidade permaneceu relativamente estável".

"Esse comportamento reflete, sobretudo, o aumento das despesas com provisões, que compensou parcialmente o resultado de juros, cujo crescimento desacelerou em função da menor expansão do crédito. Assim, o crescimento do lucro manteve-se alinhado ao ritmo de expansão do ativo total do sistema financeiro nacional", diz o Banco Central.

Ao mesmo tempo, o chamado retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que mede quanto lucro uma empresa tem relação ao valor investido pelos acionistas, avançou para 16,76% em 2025.

De acordo com levantamento do Escritório do Superintendente de Instituições Financeiras (OSFI) do Canadá – uma agência federal independente responsável pela supervisão bancária –, a rentabilidade dos bancos brasileiros também está bem acima de seus pares em países desenvolvidos.

O OSFI ressaltou em seu estudo que comparações internacionais de rentabilidade bancária devem ser interpretadas com cautela, pois são influenciadas por diferenças de alavancagem, modelos de negócio, estruturas de mercado e regras regulatórias de cada país.

O diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, disse que o nível de rentabilidade do setor bancário brasileiro está alinhado com os demais países emergentes. Ele considerou dados da publicação The Banker (1000 maiores bancos do mundo, da Financial Times).

"O ROE médio dos bancos brasileiros da amostra é de 16,5%, para uma média do período entre 2020-24 (5 anos), abaixo de países como México, Peru e África do Sul (além de Argentina e Turquia, que possuem níveis de inflação mais elevados e podem distorcer a comparação)", diz Rubens Sardenberg, da Febraban.

Segundo Einar Rivero, especialista em dados financeiros e CEO da consultoria Elos Ayta, o sistema bancário encerrou 2025 em um novo patamar de lucratividade refletindo a capacidade de as instituições financeiras gerarem receitas de forma cada vez mais diversificada, combinando operações de crédito, serviços financeiros, gestão de recursos, seguros e mercado de capitais.

"Embora a taxa Selic tenha sido um componente importante dessa trajetória, atribuir o desempenho exclusivamente aos juros elevados seria uma simplificação excessiva", disse Einar Rivero.

"Os resultados de 2025 foram impulsionados pela combinação de spreads ainda elevados [valor que os bancos cobram acima do que pagam para captar recursos], redução gradual da inadimplência em relação aos anos anteriores, maior disciplina na concessão de crédito e avanços significativos em eficiência operacional", completou o especialista.

De acordo com ele, o setor financeiro também colheu os frutos de investimentos realizados nos últimos anos em digitalização, automação de processos e aprimoramento dos modelos de gestão de risco — fatores que contribuíram para elevar a produtividade e reduzir custos estruturais.

"Outro aspecto relevante é que o lucro recorde foi alcançado em um sistema financeiro mais diversificado do que no passado. O crescimento da participação de modelos de negócios voltados para gestão de patrimônio, mercado de capitais e clientes de alta renda tornou os resultados menos dependentes do ciclo tradicional de crédito", concluiu o analista.

Placa da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Zona Sul de São Paulo, principal centro financeiro do país — Foto: David Irikura/TV Globo

Para Rubens Sardenberg, diretor da Febraban, é um "equívoco" afirmar que os bancos se beneficiam da elevada taxa Selic.

"Este ambiente tende a pressionar a inadimplência, ou seja, aumenta as perdas com as operações de crédito, faz com que as instituições financeiras sejam mais conservadoras no processo de concessão de crédito", disse Sardenberg.

"Isso limita o crescimento da carteira de crédito e limita o crescimento econômico do país, o que contém não só o avanço de receitas oriundas do crédito, mas também de receitas com serviços, como em operações de mercado de capitais", completou o diretor da Febraban.

Ele também cita um dado do BC, segundo o qual 80% do chamado "spread bancário" (valor cobrado além da taxa Selic nas linhas de crédito) é composto por custos como despesas com inadimplência (35,4%), administrativas (23,3%) e tributos (21%).

E avaliou que a "margem financeira" (20,3%) é a menor fração do spread das operações de crédito.

Diante da polêmica sobre o PIX com os Estados Unidos, o diretor observou que, de um lado, a ferramenta gera um aumento da bancarização, o que contribui para o crescimento e o fortalecimento do mercado financeiro e dos negócios.

Por outro, promove uma redução de custos para os clientes dos bancos (com queda potencial das receitas com este serviço)

"Difícil estimar o impacto líquido [do PIX para o sistema financeiro], que necessita de estudos mais aprofundados. Mas a nossa impressão inicial é que o resultado da implementação do PIX é positivo para os bancos", concluiu Rubens Sardenberg.

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China proíbe exportações para 10 empresas dos EUA e amplia retaliação comercial; veja lista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 00:50

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%Oferecido por

A China adicionou 10 empresas dos Estados Unidos à sua lista de controle de exportações. Segundo o comunicado chinês, as empresas possuem vínculos com as Forças Armadas americanas. Entre elas estão duas empresas do setor de terras raras. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (22) e ocorre em resposta à decisão de Washington de impor restrições a diversas companhias chinesas no início do mês.

Entre as empresas afetadas estão as produtoras de terras raras MP Materials e USA Rare Earth, além da fabricante de motores para aplicações críticas Aveox. Com a inclusão na lista, ficam suspensas as exportações chinesas de itens de dupla utilização para essas companhias.

🔎 Itens de dupla utilização são bens e tecnologias desenvolvidos para uso civil, mas que também podem ser empregados em aplicações militares.

A MP Materials, apoiada pelo Pentágono e operadora da única mina ativa de terras raras dos Estados Unidos, e a USA Rare Earth participam da cadeia produtiva que vai da extração mineral à fabricação de ímãs.

Em comunicado, o Ministério do Comércio da China afirmou que as medidas são uma resposta às “práticas maliciosas do governo dos EUA” e foram adotadas para proteger a segurança e os interesses nacionais, além de cumprir obrigações internacionais relacionadas à não proliferação.

Segundo o ministério, organizações e indivíduos de qualquer país ou região estão proibidos de transferir ou fornecer às entidades listadas itens de dupla utilização originários da China. As atividades de exportação em andamento devem ser interrompidas imediatamente.

Na prática, a decisão representa uma proibição total das exportações desses produtos para as empresas citadas, endurecendo as regras anteriores, que exigiam apenas a obtenção de licenças de exportação.

Em uma medida separada, o Ministério das Finanças da China anunciou sanções contra outras 46 empresas americanas. Compradores chineses passam a estar impedidos de adquirir produtos fabricados por essas companhias, embora empresas financiadas por capital dos EUA que operam na China continuem autorizadas a fazê-lo.

Há duas semanas, os Estados Unidos incluíram as empresas chinesas Alibaba, Baidu, BYD e NIO em uma lista de companhias que, segundo Washington, estariam auxiliando atividades militares de Pequim.

Aveox, Inc.Red Cat Holdings, Inc.Teal Drones, Inc.IMSAR, LLC (EUA)Jaia Robotics, Inc.Ball Aerospace & Technologies Corp.Oshkosh Defense, LLCL3 Harris Maritime Services, Inc.MP Materials Corp.USA Rare Earth, Inc.

Em 8 de junho, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos atualizou a relação de empresas que, segundo o governo americano, colaboram com militares chineses. A versão da lista tem 188 empresas e incluiu mais nomes do setor de tecnologia.

Entre elas, estão o buscador Baidu, as fabricantes de robôs Unitree e Robosense Technology, a gigante do comércio eletrônico Alibaba e as fabricantes de chips CXMT e YMTC.

O documento passou a apresentar ainda a montadora BYD, a empresa de biotecnologia WuXi AppTec e a fabricante de equipamentos de telecomunicações Baicells.

Por conta de uma lei recente, a partir do final de junho, o Departamento de Guerra não poderá contratar diretamente de empresas presentes no documento. E, a partir de 2027, o órgão não poderá comprar seus produtos e serviços por meio de terceiros.

Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa antes da visita de Donald Trump ao país, em 13 de maio de 2026 — Foto: Reuters/Maxim Shemetov

No documento, o Departamento de Guerra afirmou que as empresas "se qualificam para a designação de 'empresas militares chinesas'" e operam nos EUA. Elas poderão pedir a remoção da lista, segundo o órgão.

Embora o documento não imponha sanções formais às companhias chinesas, elas poderão sofrer danos concretos com a decisão. A inclusão na lista também dá uma mensagem prejudicial sobre essas companhias para fornecedores do governo americano.

A Embaixada da China nos Estados Unidos disse que o governo chinês se opõe à "criação de listas discriminatórias para perseguir empresas chinesas" e que elas cumprem leis e regulações locais.

"Os EUA devem cessar essa prática errônea e criar um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para as empresas chinesas", afirmou a embaixada em nota, segundo a Reuters.

À Reuters, a BYD disse acreditar que sua inclusão na lista de empresas ligadas às forças armadas da China "carece de fundamento factual".

O Alibaba afirmou à Reuters que não há fundamento para sua inclusão na lista. Em nota, a empresa disse que "não é uma companhia militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão entre setores civil e militar" e que adotará as medidas legais disponíveis para contestar a classificação.

A WuXi AppTec também contestou a decisão e disse que sua inclusão na lista é equivocada. A empresa afirmou que tomará medidas imediatas para reverter a designação.

Já a Baidu rejeitou "categoricamente" sua inclusão. Em declaração à Reuters, a companhia disse que a alegação de que seria uma empresa militar é "totalmente infundada" e disse que utilizará todos os recursos disponíveis para ser retirada da relação.

Até a última atualização desta reportagem, as outras empresas não tinham respondido aos pedidos de posicionamento feitos pela Reuters.

A decisão atualiza uma lista do início de 2025 e é anunciada menos de um mês após o presidente americano Donald Trump se encontrar com seu correspondente chinês Xi Jinping em Pequim.

O encontro teve troca de elogios, mas terminou com impasses em temas sensíveis como Taiwan, considerado pela China como parte de seu território.

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Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/06/2026 08:44

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP Estabelecimentos preservam memórias, fortalecem laços comunitários e mantêm viva uma tradição que marcou gerações. Por Nosso Campo, TV TEM

Antigas vendinhas do interior de São Paulo resistem ao tempo e preservam tradições, memórias e laços comunitários diante das transformações do campo.

Na Estrada 12, em Três Fronteiras, a vendinha da família Scarabeli funciona há 40 anos e virou ponto de encontro de moradores e turistas.

O historiador Silvio Luiz Lofego explica que esses estabelecimentos representam espaços de resistência e símbolos de convivência para as comunidades rurais locais.

Em Nova Canaã Paulista, outra vendinha aberta há quase 70 anos preserva o costume do fiado e histórias de amizades de longa data.

Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP — Foto: Reprodução/TV TEM

Em meio às transformações do campo e aos avanços das grandes redes comerciais, antigas vendinhas do interior de São Paulo seguem resistindo ao tempo. Os estabelecimentos preservam memórias, fortalecem laços comunitários e mantêm viva uma tradição que marcou gerações.

Na Estrada 12, em Três Fronteiras (SP), próximo a Santa Fé do Sul, uma vendinha aberta há quatro décadas continua atraindo visitantes em busca de sabores e lembranças de um interior que parece ter parado no tempo.

Foi ali que o agricultor Antônio Scarabeli construiu a vida com a família. Segundo ele, a movimentação era intensa quando a região era ocupada principalmente por pequenos sitiantes e cafezais. “Tinha muita gente. Nós vendíamos de tudo. Depois foi acabando o café, entrando a cana e o povo foi indo embora”, relembra.

O filho, Dimar Aparecido Scarabeli, conta que o local chegou a funcionar como principal centro comercial da região. “A compra da semana, do mês, era tudo aqui. Chegamos a vender 100, 150 quilos de farinha e dezenas de fardos de açúcar por semana”, afirma.

Hoje, a função mudou. A vendinha deixou de ser um grande mercado rural, mas continua sendo ponto de encontro para moradores e turistas. Entre os produtos mais procurados estão conservas, queijos e doces artesanais produzidos por Nádia Maria Freitas Scarabeli.

Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP — Foto: Reprodução/TV TEM

Para muitos frequentadores, visitar uma vendinha é também revisitar a própria história. A cliente Mariene Maia frequenta o local desde a infância, quando acompanhava familiares que moravam na zona rural.

“Me faz sentir muita saudade daquele tempo que, infelizmente, não vai voltar. Mas estamos resgatando essas raízes e mantendo essa história viva”, diz Mariene.

Segundo o historiador Silvio Luiz Lofego, as vendinhas assumiram um papel importante na preservação da memória rural. “Elas representam espaços de resistência. Muitas comunidades rurais desapareceram ou perderam características ao longo das últimas décadas, mas as vendas permanecem como símbolos de convivência e identidade local”, explica.

Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP — Foto: Reprodução/TV TEM

Em Nova Canaã Paulista (SP), a cerca de 30 quilômetros dali, outra vendinha mantém viva a tradição. Localizada no Bairro do Louro, ela existe há quase 70 anos.

Há 42 anos, o espaço é administrado por Paulo Francisco Araújo e pela esposa, Sônia Maria Andrade Araújo. “Aqui tinha de tudo, igual a um mercadinho. Muitas vendas fecharam, mas nós continuamos”, conta Paulo.

Além das mercadorias, o local preserva um costume cada vez mais raro: a venda fiado. “Já ajudei a tratar de bastante família. Criei meus filhos aqui e melhorei minha vida trabalhando na venda”, lembra.

O estabelecimento também guarda uma história de amor. Paulo e Sônia se conheceram ali há mais de meio século e seguem recebendo clientes que, com o tempo, se tornaram amigos. “A clientela virou família. Temos amigos de 50 anos aqui”, afirma Sônia.

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Suco de uva orgânico de São Roque ganha prêmio nacional após 6 anos de pesquisa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/06/2026 08:44

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Suco de uva orgânico de São Roque ganha prêmio nacional após 6 anos de pesquisa Bebida produzida em área de pesquisa da Apta atingiu mais de 90 pontos em teste cego da Associação Brasileira de Enologia. Cultivo usa manejo agroecológico. Por Nosso Campo, TV TEM

Um suco de uva orgânico produzido em São Roque (SP) conquistou a medalha de platina da Associação Brasileira de Enologia.

O produto atingiu entre 90 e 95 pontos em uma avaliação rigorosa que analisou cerca de 200 amostras brasileiras.

A bebida é o resultado de uma pesquisa de seis anos conduzida pela Apta Regional, Sindusvinho e Instituto Federal.

As videiras são cuidadas sem defensivos químicos, utilizando linhas de plantas nativas para atrair predadores naturais de pragas.

O suco campeão é feito combinando o processamento controlado de duas variedades de uvas: a Bordô e a Isabel.

Suco de uva orgânico de São Roque ganha prêmio nacional após 6 anos de pesquisa — Foto: TV TEM/Reprodução

Um suco feito com uvas orgânicas em São Roque (SP) foi premiado como um dos melhores do Brasil. O produto conquistou a medalha de platina no concurso da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atingindo nota entre 90 e 95 pontos em uma escala até 100. A bebida disputou o título com quase 200 amostras de todo o país.

O resultado é fruto de um projeto que une o conhecimento do campo à pesquisa acadêmica. O experimento durou seis anos, com quatro safras colhidas que comprovaram a viabilidade de produzir uvas sem agrotóxicos na região.

O trabalho foi desenvolvido pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta Regional), em parceria com o Instituto Federal e o Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque (Sindusvinho).

O cultivo é feito em uma área de 4 mil metros quadrados que reúne mais de 1,3 mil videiras. O espaço funciona como uma "sala de aula a céu aberto" para estudantes do curso de Enologia do Instituto Federal. No local, é aplicado o conceito agroecológico:

Linhas alternadas: o mato e as plantas espontâneas são mantidos em uma fileira sim e outra não;Proteção natural: essa vegetação nativa serve de abrigo para insetos que combatem as pragas da videira, eliminando o uso de defensivos químicos;Colheita manual: os cachos são retirados um a um, avaliando critérios de cor, textura e doçura.

Após a colheita, as uvas passam por um processo rigoroso de extração e envase para manter a pureza da fruta. De acordo com o presidente do Sindusvinho, Alex de Moraes, o segredo do sabor premiado está na mistura exata e equilibrada de duas variedades tradicionais de uva: a Bordô e a Isabel.

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Renda maior, emprego forte e dívida crescente: por que o consumo segue forte mesmo com juros altos?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/06/2026 05:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.278 pts-0,1%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.278 pts-0,1%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.278 pts-0,1%Oferecido por

A economia brasileira vive um fenômeno que desafia as previsões econômicas. A taxa básica de juros começou a cair depois de atingir o maior patamar em 20 anos, enquanto a população enfrentava níveis recordes de endividamento e inadimplência.

Economistas esperavam um freio da atividade econômica já no primeiro trimestre de 2026. O Produto Interno Bruto (PIB) mostrou, contudo, um avanço do consumo das famílias no período: alta de 1% em relação ao trimestre anterior e de 1,7% contra o mesmo período do ano passado.

Segundo especialistas, o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda das famílias — tanto pelo emprego quanto por políticas públicas de transferência de renda — ajudam a explicar esse cenário.

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em abril foi de 5,8%, menor patamar para o período na série histórica do Instituto Brasileirao de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período, o rendimento real habitual dos trabalhadores foi de R$ 3.732, valor 5,3% maior do que um ano antes.

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“As pessoas precisam permanecer inseridas no mercado de trabalho para dar conta do consumo. Isso faz com que o mercado reaja aos efeitos adversos, como a taxa de juros, com certa sustentabilidade”, afirmou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE.

Junto ao mercado de trabalho forte, o aumento real do salário mínimo, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o alívio de dívidas promovido pelo Desenrola 2.0 foram algumas políticas públicas que mantiveram o ganho de renda da população.

“Tivemos, ao longo dos anos, uma série de transferências de renda. Esse dinheiro vai direto para o consumo imediato, como alimentação, vestuário e serviços”, afirma André Sacconato, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Segundo especialistas, esse perfil de consumo também reflete a crescente digitalização da economia. Parte do avanço do setor de serviços está ligada a áreas como tecnologia, internet e telefonia.

De acordo com Juliana Trece, coordenadora do núcleo de contas nacionais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), outros segmentos que impulsionam o consumo são bares, restaurantes e viagens.

“O curioso é que, mesmo com juros elevados, os bens duráveis — que normalmente crescem menos nesse cenário — seguem avançando, com destaque para o aumento do consumo de automóveis importados, especialmente híbridos e elétricos. Já entre os bens não duráveis, há maior consumo de itens essenciais”, diz.

Ainda que a economia envie sinais positivos, especialistas alertam para o nível de endividamento das famílias. Os dados mais recentes do Banco Central (BC) mostram que o indicador chegou a 49,8% em março, alta de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025.

“A classe média está pressionada porque tem um consumo maior sustentado pelo crédito, que está cada vez mais caro”, afirma Sacconato, da FecomercioSP.

O levantamento do BC também mostra aumento importante da inadimplência em quase todas as modalidades de crédito para pessoas físicas. Nas linhas com recursos livres — aquelas em que taxas e condições são definidas pelos bancos — o calote chegou a 7,2%.

🔎 A inadimplência é especialmente grave porque representa o percentual das operações de crédito com atraso superior a 90 dias em relação ao saldo total. O resultado mais recente mostra aumento de 1,2 ponto percentual em relação a abril de 2025 (6%).

“A classe média não consegue consumir hoje como consumia anos atrás. O modelo econômico atual, baseado em transferências de renda, não é sustentável porque, no fim, aumenta o endividamento, a inadimplência e a necessidade de manter juros elevados por mais tempo”, diz Sacconato.

Mesmo com a perspectiva de juros e inflação elevados nos próximos meses, especialistas avaliam que o consumo das famílias deve continuar crescendo neste ano.

Segundo Juliana Trece, a projeção do FGV Ibre é que o consumo das famílias encerre o ano com alta de 2,2%, acima do crescimento de 1,3% registrado no ano passado.

“A gente sabe que o BC deve ser cada vez mais cauteloso nos cortes de juros. O mercado de trabalho aquecido ainda deve contribuir e, como se trata de um ano eleitoral, é possível que haja novos estímulos por meio de programas de transferência de renda”, afirma a economista.

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A dez dias do fim do prazo, governo ainda não pagou 10% do valor mínimo de emendas previstas para o 1º semestre

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/06/2026 04:44

Política A dez dias do fim do prazo, governo ainda não pagou 10% do valor mínimo de emendas previstas para o 1º semestre Especialistas avaliam impacto de emendas nas eleições e criticam a mudança de finalidade dos repasses. Ao todo, governo pagou R$ 18,3 bilhões em emendas parlamentares este ano. Por Vinícius Cassela, Caetano Tonet, g1 — Brasília

A dez dias do fim do prazo estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não pagou 10% do volume mínimo de emendas previstas para o primeiro semestre.

🔎 O calendário aprovado na LDO prevê o pagamento no primeiro semestre de 65% das emendas individuais e de bancada a fundos de saúde, de assistência social e de transferências especiais, que podem ser aplicadas em qualquer finalidade.

O governo ainda precisa repassar um terço do valor previsto para as emendas feitas por transferências especiais — as chamadas emendas PIX.

💰 Até 18 de junho, o governo federal pagou R$ 15,8 bilhões do total de R$ 17,3 bilhões previstos para essas ações. Desse total, o Executivo quitou R$ 12,3 bilhões em emendas de saúde e R$ 583,1 milhões de assistência social, o que representa o total para essas áreas.

Em relação às emendas de transferências especiais, conhecidas como emndas PIX, o governo pagou R$ 2,8 bilhões, o que corresponde a 63% dos recursos obrigatórios nessa modalidade. Até o fim do mês, no entanto, o Executivo ainda precisa quitar R$ 1,6 bilhão, 37% do total.

Do valor pendente, R$ 109 milhões tiveram os planos de trabalhos rejeitados pelo governo, por algum vício na indicação, e R$ 530 milhões estão em processo de aprovação.

🔎 As emendas PIX foram criadas em 2019 e ficaram conhecidas assim pela dificuldade na fiscalização dos recursos, uma vez que os valores eram transferidos por parlamentares diretamente para estados ou municípios sem a necessidade de apresentação de projeto, convênio ou justificativa.

A modalidade chegou a ser bloqueada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, em 2024.

Após um acordo entre os Três Poderes em fevereiro de 2025, o Congresso aprovou um projeto de lei complementar com a exigência de um plano de trabalho para as emendas PIX.

Para Eduardo Grin, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o calendário de emendas cria um desequilíbrio nas eleições de 2026.

"O impacto é direto porque deputado que recebe mais emenda tem mais chance de reeleição. A gente vai consolidando, entre aspas, uma casta no Congresso, privilegiada. Isso torna a competição política desigual. Quem não tem os mesmos recursos têm menos chance de ganhar uma eleição, sobretudo postulantes novos que não têm cargos", pontuou.

Ele argumenta também que o envio de verbas por parlamentares para seus redutos eleitorais, na prática, antecipa a campanha para esses políticos e que esse foi o objetivo do Congresso ao aprovar o calendário de pagamento de emendas.

"O deputado faz um acordo com o prefeito para dizer 'foi o nosso deputado, a nossa deputada que trouxe recursos para a cidade'. Ou seja, eu tenho chance de ter exposição pública muito maior, eu tenho chance de ter o meu nome associado a uma conquista feita para a cidade", afirmou.

"É claro que isso tem impacto nas eleições. Essa nova regra que os parlamentares aprovaram obrigando o governo a empenhar todas as emendas até junho, ela foi pensada, justamente, para ter esse efeito eleitoral", concluiu.

Já para o gerente de pesquisa e advocacy da Transparência Internacional Brasil, Guilherme France, essa imposição das emendas ainda criou um novo problema nas contas públicas por trazer um desequilíbrio na execução, obrigando o governo a contigenciar contas como despesas com educação, para pagar as emendas.

“Quando você perde essa flexibilidade da execução gerando uma dificuldade também para manter as contas equilibradas e, no final das contas, o que a gente tem visto é que com o calendário para pagamento de emendas não existe flexibilidade no pagamento e outras áreas acabam sofrendo”, disse.

Além disso, France ainda aponta que por as emendas estarem aumentando cada vez mais e tomando mais espaço do orçamento do governo federal, elas têm mudado de características, deixando de ter um caráter de investimento e passando a ser custeio de atividades públicas, como o pagamento de salários.

“Na Saúde, a gente vê os recursos indo cada vez mais para custeio e não para investimento. O que inverte a lógica do gasto público de emendas, porque as emendas não são necessariamente contínuas. Então, não quer dizer que ano que vem vai ter a mesma emenda que teve esse ano, o que acaba gerando esse problema de gestão pública. A gente está investindo um ano sem saber se terá recursos no ano seguinte”, concluiu.

Estudo mostra baixa relevância e transparência das emendas parlamentares individuais — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Até a última quinta-feira, o governo pagou um total R$ 18,4 bilhões em emendas parlamentares. Desse montante, R$ 10,9 bilhões foram para indicações feitas por deputados federais. Outros R$ 4,2 bilhões foram para senadores e R$ 3,2 bilhões foram emendas definidas pelas bancadas estaduais.

Assim, o governo pagou R$ 2,6 bilhões a mais do que o definido como obrigatório para este 1º semestre de 2026. A maior parte desse montante foram para emendas destinadas ao custeio de serviços relacionados a Atenção Primária à Saúde, R$ 1,9 bilhão.

O restante foi pago para outras ações públicas, como fomento à cultura, promoção do turismo e o setor agropecuário.

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Vítimas do trabalho forçado nazista ainda cobram reparação: ‘Não compensou nem de longe os danos’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/06/2026 03:59

Trabalho e Carreira Vítimas do trabalho forçado nazista ainda cobram reparação: 'Não compensou nem de longe os danos' Há 25 anos, fundo criado para indenizar milhões de pessoas forçadas a trabalhar para o regime nazista começou a fazer primeiros pagamentos – insuficientes, na opinião da própria diretora. Por Ben Knight

A fundação alemã Memória, Responsabilidade e Futuro (EVZ) completa, neste mês, 25 anos desde o início do pagamento de compensações aos últimos sobreviventes obrigados a trabalhar sob o regime nazista.

Mas há quem defenda que esses pagamentos deveriam ter começado muito antes, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e que também deveriam ter sido significativamente maiores.

Segundo a EVZ, € 4,4 bilhões (cerca de R$ 23,6 bilhões) foram pagos a 1,66 milhão de ex-trabalhadores forçados e seus sucessores legais, em cerca de cem países, entre 2001 e 2007, quando as últimas indenizações foram concluídas.

Estima-se que cerca de 26 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a trabalhar para o regime nazista entre 1933 e 1945, aproximadamente metade delas em territórios ocupados fora das fronteiras da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Estudos históricos indicam que, se todo o trabalho explorado durante a era nazista tivesse sido plenamente indenizado, o fundo original teria que somar entre 90 bilhões e 112 bilhões de euros (cerca de R$ 483 bilhões e R$ 601 bilhões).

"Se você me perguntar: foi um fundo grande? Não, claro que não, considerando a injustiça", afirmou a diretora da EVZ, Andrea Despot.

"Havia cerca de 26 milhões de pessoas trabalhando em fábricas, na agricultura, em igrejas, em residências particulares e em empresas. Quase não houve setor da sociedade que não tenha se beneficiado disso. Pode-se dizer que o fundo não compensou nem de longe os danos e a exploração sofridos."

A EVZ foi criada em julho de 2000, tanto para indenizar trabalhadores forçados quanto para promover e financiar projetos voltados à defesa dos direitos humanos, dos valores democráticos e dos interesses dos sobreviventes do regime nazista.

A organização foi constituída com um fundo de 10,1 bilhões de marcos alemães, o equivalente a cerca de € 5,16 bilhões (R$ 27,7 bilhões), sendo metade proveniente do governo federal e a outra metade de uma iniciativa que reuniu cerca de 6.500 empresas alemãs — chamada Iniciativa da Fundação da Indústria Alemã. Muitas dessas empresas, embora não todas, haviam utilizado trabalho forçado.

Grupo de civis russos que foi obrigado a fazer trabalhos forçados durante o regime nazista — Foto: Foto: Everett Collection/IMAGO

Embora a Alemanha Ocidental tenha adotado medidas de reparação, como a Lei Federal de Indenização de 1953, destinada a pessoas perseguidas por razões políticas, raciais ou religiosas, essas iniciativas excluíram os trabalhadores forçados.

Entre as décadas de 1950 e 1980, sob pressão da opinião pública, algumas grandes empresas da Alemanha Ocidental pagaram voluntariamente milhões de marcos alemães em compensações, mas esses pagamentos não alcançaram pessoas da Europa Oriental.

O debate nos anos 1990 foi difícil, com muitas empresas alemãs inicialmente se recusando a contribuir para o fundo e a assumir responsabilidade pelo uso de trabalho forçado.

"No fim, foi basicamente uma solução simbólica", afirma o historiador Constantin Goschler, da Universidade do Ruhr, em Bochum, que publicou, em 2012, uma coletânea ampla de estudos sobre o tema.

"As pessoas que representavam os demandantes defendiam um valor de pelo menos dois dígitos [em bilhões], enquanto aqueles que pagariam queriam um montante que não ultrapassasse dois dígitos", lembra.

"Assim, chegou-se a 10 bilhões de marcos alemães. Isso não refletia a dimensão dos danos, foi resultado de uma negociação psicológica".

A pressão jurídica também teve papel importante, à medida que diferentes grupos de vítimas — especialmente nos Estados Unidos — passaram a recorrer com mais frequência a ações coletivas.

"Não foi uma decisão puramente moral ou ética. Isso teve peso, mas não foi o único fator", diz Despot.

"Depois de décadas de reivindicações dos sobreviventes, houve pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos e de organizações judaicas, que estavam preparando ações coletivas."

Essas ameaças acabaram levando a Alemanha a negociar com os Estados Unidos, com o objetivo de garantir segurança jurídica no futuro.

Segundo Goschler, há um motivo central para o fato de o Estado alemão ter levado mais de meio século para oferecer compensações aos ex-trabalhadores forçados: a Guerra Fria.

"Havia um princípio: não se enviava dinheiro para o outro lado da Cortina de Ferro." Isso significava que a Alemanha Ocidental se recusava a transferir recursos aos países do Leste, especialmente à Polônia.

Outro fator, de acordo com o historiador, é que os ex-trabalhadores forçados na Europa Oriental frequentemente eram tratados com suspeita e, por isso, recebiam pouco apoio em seus próprios países.

"Os trabalhadores forçados — muitos deles mulheres — na antiga União Soviética eram vistos como colaboradores, por terem trabalhado para a economia de guerra nazista. Ao retornarem, eram recebidos com desconfiança, enviados a campos de triagem e levavam uma vida muito difícil", explica.

Quando a Alemanha finalmente iniciou os pagamentos, muitos sobreviventes estavam menos interessados no dinheiro do que no reconhecimento histórico. "Mais importante do que o valor recebido era o certificado que confirmava que eram vítimas, e não traidores."

Ainda há muitos ex-trabalhadores forçados vivos. A organização Jewish Claims Conference estima que existam cerca de 200 mil sobreviventes judeus ao redor do mundo, além de várias centenas de milhares de europeus orientais, sinti e roma e ex-prisioneiros políticos que foram obrigados a trabalhar pelos nazistas. Números exatos para esses grupos nunca foram estabelecidos.

Embora as indenizações tenham sido pagas há anos, o trabalho da EVZ continua. Hoje, a fundação atua como entidade beneficente, financiando projetos voltados à promoção dos direitos humanos, dos valores democráticos e da educação histórica e política.

Segundo Despot, o principal objetivo da EVZ atualmente é preservar a memória histórica da Alemanha sobre o período nazista, em especial o sistema de trabalho forçado que beneficiou milhares de empresas alemãs.

Em 2025, a EVZ foi classificada como "organização indesejável" pelo Kremlin, após manifestar apoio à Ucrânia.

"Ucrânia, Belarus e Rússia foram profundamente marcadas pela ocupação alemã, que foi genocida e exploratória", afirma Despot.

"Esses países sempre foram parceiros em nosso trabalho. A guerra da Rússia contra a Ucrânia também representa um ataque à identidade e à história ucranianas."

Atualmente, a EVZ apoia organizações russas e belarussas que foram forçadas ao exílio por seus governos.

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