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Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no ES

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 04:47

Espírito Santo Agronegócios Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no ES O produtor adquiriu produtos anunciados como frutas e verduras exóticas, mas nada do que foi prometido nasceu. Por g1 ES

Um produtor rural do Espírito Santo caiu em um golpe após comprar sementes de frutas e verduras pela internet.

A cunhada dele encontrou na internet anúncios de sementes exóticas, como tomate negro, tomate gigante e melancia roxa, e decidiu comprar para presentear o produtor.

Segundo a família, as embalagens pareciam confiáveis, com manual de plantio e até QR Code com orientações.

Um produtor rural do Espírito Santo caiu em um golpe após comprar sementes de frutas e verduras pela internet. Em vez das espécies anunciadas, o agricultor Aldaécio Bermagini viu nascer apenas capim, em São Mateus, no Norte do estado.

Aldaécio Bergamini cultiva café, pimenta e mantém uma horta com variedades exóticas. Apaixonado por plantas diferentes, o agricultor costuma testar novas espécies na propriedade.

Entre os cultivos, ele já plantou berinjela branca, quiabo rosa, abacaxi sem espinho e até uma variedade de mandioca que pode ser consumida crua.

Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Dessa vez, no entanto, a novidade veio acompanhada de frustração. A cunhada dele, Lucineia Souza Pinheiros, encontrou na internet anúncios de sementes exóticas, como tomate negro, tomate gigante e melancia roxa, e decidiu comprar para presentear o produtor.

“Eu vi a semente diferente e comprei para ele plantar lá na roça. Mas, quando chegou, já achei suspeito”, contou Lucineia.

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Segundo a família, as embalagens pareciam confiáveis, com manual de plantio e até QR Code com orientações. Apesar disso, após o plantio, nenhuma das espécies prometidas se desenvolveu. No lugar, cresceram apenas mato e capim.

Após perceber o golpe, Aldaécio gravou um vídeo nas redes sociais para alertar outras pessoas. A publicação repercutiu e, segundo ele, vários usuários relataram ter passado pela mesma situação.

De acordo com a legislação brasileira, sementes comercializadas precisam seguir regras do Ministério da Agricultura, como identificação do produtor, CNPJ, nota fiscal e certificado de conformidade que comprove a qualidade do produto.

Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Depois do prejuízo, a família afirma que não pretende mais comprar sementes pela internet. "Na internet, não mais. Não recomendo", disse Lucineia.

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A paulistana filha de faxineira e pintor de paredes que se tornou artista plástica mundialmente reconhecida: ‘Não acredito em fazer dinheiro e sair do país’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 04:47

Trabalho e Carreira A paulistana filha de faxineira e pintor de paredes que se tornou artista plástica mundialmente reconhecida: 'Não acredito em fazer dinheiro e sair do país' Rosana Paulino foi por muito tempo 'a única negra da sala', mas nunca se conformou com isso. Fez da falta de dinheiro na infância motor da criatividade por trás de obras que questionam a posição da mulher negra e o racismo e tornaram uma referência global da arte contemporânea. Por BBC

Rosana Paulino, a filha de faxineira que se tornou artista plástica mundialmente reconhecida — Foto: Raoni Maddalena / BBC News Brasil

No último Dia da Consciência Negra, Rosana Paulino chegou ao Museu de Arte do Rio de Janeiro, o MAR, não apenas como uma artista visual consagrada, mas também como curadora.

Era o lançamento de uma série de minidocumentários sobre 20 artistas brasileiros negros e negras que desenvolvem trabalhos "de excelência", como ela destacou ao lado do diretor Fabiano Maciel.

"Isso não é uma onda passageira. São artistas muito bem formados, com produções muito fortes e bem fundamentadas e que simplesmente não eram conhecidos", ressaltou Paulino perante a plateia. "Estamos dentro de um momento histórico."

O momento prolífico vem de caminhos abertos pela própria artista. Filha de um pintor de paredes e de uma faxineira, a paulistana é referência na arte brasileira e representa o país na 61ª Bienal Internacional de Veneza, ao lado da carioca Adriana Varejão.

No palco do MAR, estava à vontade no papel de decana da arte afro-brasileira. Voltar holofotes para o trabalho de outros artistas simboliza a generosidade dos seus 30 anos de carreira — e o contraste com o início de sua trajetória.

"Trabalhei praticamente dez anos sozinha quando comecei", conta a artista e educadora de 59 anos à BBC News Brasil, lembrando a ausência de artistas negros na cena contemporânea em meados dos anos 1990.

"Agora, a proliferação de artistas, críticos e curadores [afro-brasileiros] que temos… Esse é um panorama que eu não esperava ver em vida", comemora.

'Comigo Ninguém Pode', nome da exposição do Pavilhão do Brasil em Veneza, surge da obra à direita, da série Senhora das Plantas, de Paulino. À esquerda, Monocromo Maragogipinho, de Adriana Varejão — Foto: Rafa Jacinto/Fundação Bienal de São Paulo

Paulino vem enfileirando feitos nos últimos anos. Teve exposições individuais em cidades como Buenos Aires, Bruxelas e Nova York, onde descortinou um painel de nove metros de altura na High Line.

Teve obras compradas pela Tate Modern, em Londres, e pelo MoMA (o Museu de Arte Moderna de Nova York), além de ter recebido prêmios como o Munch Award (que a destacou como "voz de liderança do feminismo negro" em sua primeiríssima edição, em 2024) e o Jane Lombard de Arte e Justiça Social (em reconhecimento por História Natural, de 2016, livro em que explora as histórias entrelaçadas da ciência e da violência racial).

Em um país com mais de 55% da população negra e parda, fingir que a visualidade brasileira é só aquilo que está nos museus, seguindo os critérios europeus ou o americano, é uma "sandice", diz Paulino.

"Não podemos ter um sistema de artes visuais como tínhamos, ou ainda temos. Isso é uma aberração. O Brasil é um país que não olha para si mesmo, que não se enxerga. A entrada de negros e negras no panorama do país é salutar. Temos uma visualidade muito forte, e boa parte vem das produções negras e indígenas."

A instalação Tecelãs (2003) recebe os visitantes na entrada do Pavilhão do Brasil em Veneza, com pequenas esculturas feitas com faiança, terracota, algodão e fios sintéticos — Foto: Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo

Ao lado de Adriana Varejão, Rosana Paulino comanda o pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, em uma edição composta apenas de mulheres, sendo duas negras — a curadoria deste ano coube a Diane Lima, a primeira mulher negra alçada a este cargo.

"É uma oportunidade de discutir a formação do país de uma maneira sofisticada, apresentando para o mundo, junto com a Varejão, um Brasil diferente, que muita gente não sabe que existe e que é fortemente marcado pela questão negra e pela relação com a natureza", diz Paulino.

O título da mostra, "Comigo Ninguém Pode", vem de uma das obras de Paulino, da série Senhora das Plantas, em que retrata mulheres com galhos, folhas e raízes em plena metamorfose com plantas de poder.

Popular e com potencial tóxico, a comigo-ninguém-pode fala de "proteção, resiliência e estratégias de sobrevivência em contextos hostis", descreve Paulino.

Não é a primeira vez de Paulino na Bienal de Veneza. Em 2022, ela foi convidada pela curadoria internacional para a mostra principal.

"É muito simbólico que Rosana esteja no pavilhão brasileiro depois de estar na exposição principal", diz Igor Simões, que foi cocurador de sua mostra individual no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, o Malba, em 2024.

"A curiosidade estrangeira veio antes de o Brasil entender o quão gigante é a sua produção. Tê-la no pavilhão faz crer que o país esteja interessado em olhar para si mesmo, e para a matéria da qual é feito."

Trabalhando com desenhos, pinturas, bordados, gravura, colagem, escultura e instalações, Paulino desenvolve obras que refletem sobre a posição da mulher negra, a ancestralidade e as marcas do colonialismo e da escravidão na sociedade brasileira.

Ela desconstrói imagens e teorias racistas de pseudociências que propagavam a inferioridade do negro para justificar a escravidão. "O racismo científico foi pouco estudado, mas é fundamental para entender a desumanização e a desvalorização desse corpo, a ponto de ser totalmente descartável", afirma.

"Sem isso, a gente não entende como a polícia mata do jeito que mata. A gente não entende como 117 pessoas foram mortas no Rio de Janeiro naquele massacre [nos complexos do Alemão e da Penha]. A morte do cachorro Orelha causou mais comoção do que 117 mortos enfileirados."

Em Aracnes, Paulino costura retratos de mulheres negras com fios que remetem a teias de aranhas — Foto: Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo

Paulino nasceu e cresceu na Freguesia do Ó, na Zona Norte de São Paulo, à época ainda um bairro rural, onde a mãe criava galinhas e mantinha uma horta. O pai começou a vida descarregando caminhão de açúcar, até aprender o ofício de pintor de paredes. A mãe foi faxineira durante boa parte da vida e bordava para complementar a renda.

"Nunca passamos fome, mas não tínhamos luxos", lembra Paulino, uma entre quatro irmãs. Ela passou uma infância de interior, brincando na rua, subindo em árvore, fazendo experimentos com cupim, coisa de quem logo cedo decidiu que iria estudar biologia, e juntou dinheiro na adolescência para assinar a revista Ciência Hoje.

Ao lado do fascínio pela natureza, havia o gosto pelo que podia criar com as mãos. Com barro tirado de um braço de rio perto de casa, sua mãe modelava mesinhas e cadeiras para as bonecas das filhas, que entravam no jogo. Adoravam desenhar e brincavam com personagens que criavam no papel.

"Uma coisa que poderia ser um empecilho, que era falta de dinheiro para comprar brinquedo, ela acabou transformando em um motor para criatividade", diz Paulino sobre a mãe, que até então só havia completado a terceira série, mas tinha forte intuição para educação. "Acho que o germe da escolha pela profissão de artista vem muito da minha infância."

Quando a mãe descobriu um curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios, incentivou a filha então com 15 anos a se matricular. Chegou ao vestibular com o coração bifurcado. Passou em biologia na Unicamp e em artes visuais na Universidade de São Paulo (USP). Nunca fez o primeiro curso, mas acabou entrelaçando os dois campos, trazendo a natureza para sua obra.

Paulino chegou ao doutorado na Escola de Comunicações e Artes Visuais da USP e se especializou em gravura no London Print Studio, em Londres, com uma bolsa da Capes, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

A temporada na Inglaterra foi essencial para acompanhar o que estava acontecendo e sendo debatido fora do país, em uma época em que a internet engatinhava.

Na primeira semana do bacharelado na USP, em uma das primeiras aulas, ouviu do professor: "Esqueçam tudo que vocês aprenderam. Agora vocês serão artistas eruditos".

"Tá, agora eu faço o quê? Tiro minha pele e largo lá na porta?", ela rememorou no Canal Curta!. "Porque não é tema, é vivência. Não é tema, é necessidade. Não é tema, é ancestralidade."

A escultura Crisálida (2026) foi feita por Rosana Paulino especialmente para a Bienal de Veneza, em bronze, dando forma ao desenho de uma gravura que fez 20 anos atrás — Foto: Rafa Jacinto/ Fundação Bienal de São Paulo

Depois de desbravar os espaços elitizados da arte contemporânea, Paulino ajudou a puxar uma geração de artistas negras e negros, muitos amadrinhados por ela, que carinhosamente a chamam de "dinda".

Alguns são retratados nos minidocumentários da série Raiz, do Canal Curta!, como o artista Dalton Paula e o curador Igor Simões.

Simões ressalta seu papel de professora, orientadora e abre-alas para inserir "vozes negras no cubo branco da arte brasileira", tomando emprestado o nome do ciclo de debates que o aproximou de Paulino, uns 15 anos atrás, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul — e que acabou virando um marco em sua carreira e ensejando sua tese de doutorado.

"Rosana nunca se contentou com a possibilidade de ser a única negra da sala. Ainda mais uma sala repleta de pensamentos, ideologias e imaginários brancos. Ela fez de sua trajetória uma porta aberta para que outras pessoas pudessem chegar", afirma o curador, que agora comanda uma mostra de artistas afro-brasileiros em Nova York.

Paulino conta que optou por não ter filhos porque não queria renunciar à carreira. Foi então que os afilhados começaram a chegar. "Eles que me escolhem como madrinha, não sou eu que adoto", diverte-se.

Ela responde como a orientadora generosa que muitos pós-graduandos sonham em ter, mostrando o caminho das pedras. "Eu digo: 'Você vai ler isso, você precisa falar com fulano e beltrano, você precisa ir para tal museu, você precisa desenvolver isso no seu trabalho'. Começo a dar uma série de referências de artistas e teóricos. Uns dizem que sou a mãe de santo das artes", conta ela, filha de Ogum com Iansã.

Paulino desenvolveu Parede da Memória ainda como estudante na USP. A obra foi decisiva em sua carreira, hoje parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo — Foto: Isabella Matheus

O reconhecimento na esfera internacional proporcionou a Paulino "muitas cantadas" para sair do país, "sobretudo de universidades americanas".

No entanto, ela permanece com os pés fincados na Zona Norte paulistana, onde nasceu. Seu ateliê, uma casa de três andares com luz natural e paredes verde claro, fica em Pirituba, bairro de classe média cortado pela Linha 7 do Trem Metropolitano de São Paulo.

"Não acredito em fazer dinheiro e sair do país, ou em fazer dinheiro e sumir da minha região", diz ela.

Em Pirituba, ela comprou uma casa em frente ao seu ateliê. Basta atravessar uma praça, onde há sempre crianças brincando e onde sua equipe distribui cachos de bananas que crescem no quintal.

Sua ideia é transformar o espaço em um centro de pesquisas para receber estudantes e jovens artistas, com uma biblioteca especializada em arte, diáspora, questões afro-brasileiras e bibliografia da América Latina, Ásia, Oriente Médio, como uma tentativa de preencher lacunas de uma formação centrada na Europa e nos Estados Unidos.

"Tenho que ter uma ação comunitária além da produção de arte, senão minha vida não teria sentido", afirma.

No amplo quintal da nova casa, há espaço para suas plantinhas e uma horta que quer plantar, mas ainda não teve tempo, e um horizonte livre com vista para o verde da mata e o Pico do Jaraguá.

"O meu temperamento sempre foi assim, muito inquieto. Essa coisa de ficar parada, reclamando, chorando, não funciona comigo", diz Paulino. "Não que transformar o status quo seja fácil. Não é."

"Mas temos que arregaçar as mangas e ir em frente", ela afirma. "Gosto de mudança. Gosto de ver o país se olhando, se reconhecendo e avançando.

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‘Personal organizer’: como o serviço de organização exclusiva virou negócio que rende até R$ 20 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 24/05/2026 04:47

Empreendedorismo Guia do empreendedor ‘Personal organizer’: como o serviço de organização exclusiva virou negócio que rende até R$ 20 mil por mês Profissão surgiu nos anos 1980, nos Estados Unidos, chegou ao Brasil há cerca de 15 anos e ainda não é regulamentada. Associação pede CNAE próprio desde 2019. Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

O serviço de personal organizer vai além da organização visual, foca em funcionalidade, bem-estar e rotina personalizada — e pode gerar faturamento mensal de até R$ 20 mil.

A atividade chegou ao Brasil há cerca de 15 anos, ganhou força na pandemia e ainda não é regulamentada, apesar do crescimento acelerado do mercado.

O público inclui famílias, profissionais em home office, empresas e pessoas em momentos de transição, como mudanças ou luto; os valores variam conforme o projeto.

A formação é essencial, os ganhos não são imediatos e o trabalho exige preparo técnico, físico e emocional, além de visão empreendedora para crescer na área.

Imagine ter um guarda-roupa organizado por cores, tipos de peças, alturas e estações, ou uma cozinha em que cada item está exatamente onde faz sentido para o uso diário. Essa rotina, antes associada quase exclusivamente às celebridades, tornou-se cada vez mais comum graças ao trabalho das personal organizers — ou organizadoras pessoais, em português.

Essas profissionais organizam ambientes de forma funcional, com foco na otimização de espaço, praticidade na rotina e bem-estar do cliente. O serviço é personalizado, varia conforme o perfil do cliente e, em alguns casos, pode render até R$ 20 mil por mês, embora os ganhos dependam da experiência da profissional, da região e do tipo de projeto realizado.

Segundo Ana Alarcon, presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP), a atuação vai muito além da estética. “O trabalho começa entendendo a rotina e as necessidades de cada cliente. Não existe organização padrão, porque cada casa e cada pessoa funcionam de um jeito”, afirma.

De acordo com o Sebrae, a maior parte das personal organizers atua em residências, organizando desde um único cômodo até imóveis inteiros. O mercado, no entanto, também alcança nichos específicos, como organização de closets, assessoria de mudanças e até ambientes corporativos, incluindo escritórios, consultórios e lojas.

A profissão começou a se estruturar na década de 1980, nos Estados Unidos. Embora não haja registros históricos precisos sobre esse início, a atividade foi ganhando espaço em outros países ao longo dos anos. No Brasil, o movimento começou por volta dos anos 2000 e passou a se consolidar há cerca de 15 anos, ainda de forma pouco conhecida no início.

O boom mais recente ocorreu durante a pandemia, quando a casa passou a concentrar trabalho, escola e convivência. A sobrecarga dos ambientes escancarou a desorganização de muitas rotinas domésticas. Ao mesmo tempo, vídeos de “antes e depois” no Instagram e no TikTok impulsionaram o interesse pelo serviço e ajudaram muitos profissionais a iniciar carreira durante o isolamento.

Hoje, a demanda vem principalmente de famílias com jornadas intensas, trabalhadores em home office, pessoas em processo de mudança, clientes que acumulam objetos ou que simplesmente não conseguem manter uma rotina funcional sozinhas.

Em momentos mais delicados, o serviço também é procurado em situações de divórcio ou luto, quando a reorganização da casa acompanha a reorganização da vida. Para se profissionalizar na área, não há exigência de formação superior específica.

O g1 ouviu especialistas do setor, profissionais de referência e representantes de instituições para explicar o universo das personal organizers a partir de seis pontos:

Do CLT para o negócio próprio Profissão não regulamentadaCursos e formaçõesQuem são os clientes?Quanto custa contratar um personal organizer?Dicas para quem quer começar

O caminho para o empreendedorismo costuma se repetir: mulheres sobrecarregadas pela rotina corporativa, apaixonadas por organização e que encontram na profissão uma forma de empreender — muitas vezes faturando mais do que no trabalho com carteira assinada.

É o caso de Cora Fernandes, de 38 anos, personal organizer desde o fim de 2016. Antes da mudança de carreira, ela trabalhou por anos em uma concessionária, onde começou como auxiliar financeira e chegou ao cargo de coordenadora de atendimento ao cliente.

Apesar da estabilidade no trabalho por meio do regime CLT, já não se identificava com a vida corporativa. Mãe de três filhos, Cora sempre teve facilidade para organizar a casa e estruturar rotinas.

A virada aconteceu quando uma colega percebeu esse talento e sugeriu que ela conhecesse o mercado de organização profissional. Curiosa, ela pesquisou a profissão, fez um curso no Senac São Paulo e começou a atender os primeiros clientes.

No início, a empreendedora ingressou na atividade impulsionada por indicações no boca a boca e pelas redes sociais, em um período em que a profissão ainda era pouco conhecida no Brasil.

Cora Fernandes atua como personal organizer há cerca de dez anos. — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais

Com o tempo, Cora consolidou a marca e passou a atuar exclusivamente como personal organizer. Ao atender celebridades como Fernanda Souza e Sheron Menezzes, ela ganhou visibilidade nas redes e percebeu a necessidade de profissionalizar a comunicação.

“Hoje eu digo que não consigo viver apenas da organização. Passei a trabalhar também com comunicação voltada à organização. Sou personal organizer, mas entendi a necessidade de me formar em marketing, porque além dos atendimentos, eu tenho uma rede com mais de 200 mil seguidores. Falar sobre organização também faz parte do meu trabalho". resume Cora Fernandes.

Trajetória semelhante é a de Josilene Maria Martins, a Josi Martins, que trabalha há 11 anos na área. Atualmente com 37 anos, ela teve o primeiro contato com o universo da organização enquanto atuava no setor de marketing de uma indústria metalúrgica que fabricava organizadores.

No dia a dia, percebeu como os produtos eram adaptados para diferentes usos, o que despertou seu interesse pelo segmento. A princípio, a ideia era entender melhor esse público para contribuir com a empresa.

Mas o que começou como pesquisa virou mudança de carreira. Em busca de renda extra, Josi passou a atender clientes à noite e nos fins de semana. Em três meses, já faturava o dobro do salário CLT. A decisão veio naturalmente: pediu demissão e passou a se dedicar integralmente ao novo negócio.

Desde então, investiu em formação e se especializou em nichos como organização pós-mudança e marcenaria, o que abriu portas para trabalhos com arquitetos e projetos de alto padrão.

Hoje, lidera uma equipe, atua em diferentes estados e diversificou a atuação com cursos, mentorias, venda de produtos e produção de conteúdo, alcançando faturamento mensal em torno de R$ 20 mil.

Josi Martins atua como Personal Organizer há 11 anos, além de ter uma loja de organizadores. — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais

Já Isabela Sekulic, de 29 anos, começou durante a pandemia. Natural de Curitiba (PR), ela atravessava um período de incertezas profissionais e trabalhava como gerente na loja da mãe. “Eu estava cansada, nada me brilhava os olhos”, lembra.

Com o isolamento social, Isabela retomou um hobby de infância: organizar o guarda-roupas. Ao compartilhar a organização da própria casa nas redes sociais, os vídeos começaram a viralizar. Incentivada pela família, decidiu se profissionalizar e começou um curso on-line de personal organizer.

Enquanto aprendia as técnicas e estudava edição de vídeo, o perfil nas redes continuavam crescendo. Ainda durante a formação, surgiu o primeiro trabalho remunerado: uma amiga pediu que ela organizasse seu guarda-roupa. “Foi ali que tudo começou”, conta.

A partir desse momento, Isabela passou a unir o conhecimento teórico à prática diária. As redes sociais seguiram como principal vitrine – e também como acelerador da carreira. O método visual que adotou, inspirado no estilo norte-americano "The Home Edit", com organização por cores, tornou-se sua marca registrada.

Com o aumento da visibilidade, ampliou os atendimentos, formou equipe e passou a atuar em diferentes cidades. A demanda crescente a levou também ao ensino, com a criação de um curso profissionalizante focado no chamado “método arco-íris”, que hoje representa um dos principais pilares financeiros da empreendedora.

Atualmente, ela vive exclusivamente da profissão e fatura, em média, R$ 10 mil por mês apenas com projetos de organização – valor que cresce quando somado à venda de organizadores e ao curso on-line, que reúne alunas de diversas regiões do país.

Multifacetado, o negócio de Isabela envolve organização profissional, produção de conteúdo e ensino. No centro de tudo, porém, permanece a mesma motivação que surgiu ainda na infância: transformar o caos em funcionalidade e beleza por meio da organização.

Isabela Sekulic, de 29 anos, tem como foco o “método arco‑íris” – a organização por cores. — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais

Na prática, o trabalho do personal organizer começa com a compreensão da rotina e das necessidades de quem utiliza o espaço. A partir disso, são realizadas etapas como triagem, categorização, redefinição de fluxo e implantação de sistemas que permitam manter a organização no longo prazo.

A própria associação do setor define a atividade como a criação de sistemas personalizados a partir da análise da rotina diária do cliente, com o objetivo de promover bem-estar físico e psicológico.

“No nosso trabalho, é essencial respeitar o estilo de vida e a individualidade de cada cliente. Cada casa tem sua história e cada pessoa, necessidades únicas”, resume Ana Alarcon.

No dia a dia, isso se traduz em serviços que vão da organização de um closet ou cozinha até casas inteiras, escritórios e projetos pós-mudança, incluindo o treinamento de famílias e equipes de apoio, como diaristas, empregadas domésticas e babás.

Apesar da expansão do mercado, a profissão ainda não é regulamentada. A ocupação foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) em 2022 e, desde 2019, a associação do setor acompanha um pedido para a criação de uma Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) específica.

Especialistas e profissionais ouvidos pelo g1 ressaltam que a formação é uma etapa fundamental para quem deseja ingressar na carreira. Gostar de organizar não é suficiente: é preciso aprender métodos, técnicas e processos para atuar de forma profissional.

Como não há curso técnico ou universitário específico, todas as formações disponíveis no mercado se enquadram como cursos livres, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), mas sem caráter de graduação.

Essas capacitações são oferecidas por escolas independentes, instituições de ensino e, em muitos casos, por profissionais experientes da área. Algumas faculdades também disponibilizam a formação no formato de cursos de extensão.

Há opções de cursos básicos e especializações em nichos específicos, como organização pós-mudança, closets, cozinhas e ambientes corporativos. Profissionais relatam que o investimento inicial costuma variar entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, valor que pode aumentar ao longo da carreira com congressos, certificações, mentorias e deslocamentos.

Segundo Ana Alarcon, o mercado foi estruturado, em grande parte, por escolas pioneiras que surgiram há mais de uma década e formaram a base dos profissionais que atuam hoje. Após a pandemia, houve uma explosão de novas ofertas, ampliando tanto o acesso a cursos de qualidade quanto a presença de formações superficiais.

Diante disso, a associação passou a desenvolver critérios objetivos para orientar quem deseja se qualificar. A recomendação é avaliar quem é o formador, há quanto tempo atua no mercado, quantas turmas já formou e qual a experiência prática oferecida.

A ANPOP prepara para 2026 o lançamento de um selo de recomendação para cursos que atendam a critérios mínimos de qualidade. Ana ressalta ainda que nem todos que buscam uma formação pretendem atuar profissionalmente.

Ana Alarcon atua como personal organizer e é presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP). — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais

O serviço de organização profissional deixou de ser restrito à classe alta. Hoje, clientes da classe média também contratam personal organizers por falta de tempo, sobrecarga de trabalho ou picos de desorganização após reformas e mudanças.

Casais jovens, mães com rotinas intensas, aposentadas e homens solteiros estão entre os principais perfis atendidos, além de empresas, clínicas e estoques comerciais. Segundo a associação, a procura vem, em geral, de pessoas que não conseguem, sozinhas, colocar a própria casa em ordem.

“A organização deixou de ser vista como algo exclusivo de celebridades. Hoje existem diferentes formatos de atendimento, como diárias, projetos completos ou consultorias, o que amplia o acesso”, explica Ana Alarcon.

Quanto à sazonalidade, o pico de demanda costuma ocorrer entre novembro e dezembro, quando clientes buscam preparar a casa para festas e férias. Janeiro e fevereiro tendem a ser meses mais fracos, embora profissionais consolidadas mantenham a agenda cheia ao longo do ano.

Não existe tabela nacional nem piso salarial. As profissionais podem cobrar por hora, diária, ambiente ou projeto fechado. Os valores dependem do volume de itens, do número de cômodos, da necessidade de assistentes, do deslocamento e da compra de organizadores.

“Já realizei projetos de mudança que duraram 36 horas e outros que se estenderam por dois meses. Os valores podem variar de R$ 800 a R$ 100 mil”, afirma Ana Alarcon. Segundo ela, o preço é definido pela complexidade do projeto, tempo envolvido, tamanho da equipe e nível de dedicação exigido.

Entre os principais desafios da profissão estão a desvalorização do ofício, a resistência dos clientes às mudanças, o esforço físico e as dificuldades logísticas. Outro obstáculo comum no início da carreira é a instabilidade de renda.

“É extremamente raro alguém recém-formado alcançar faturamentos altos logo no primeiro mês”, afirma Ana Alarcon. No começo, os ganhos podem girar em torno de R$ 4 mil mensais, a depender da região e da capacidade de captação de clientes.

➡️ Ir além da técnica: buscar formações que incluam atendimento ao cliente, ética, precificação, marketing e gestão — não apenas organização prática.➡️ Construir portfólio: começar por ambientes próprios ou de pessoas próximas para gerar antes e depois consistentes e divulgar nas redes sociais.➡️ Atuar como assistente: trabalhar em equipes mais experientes ajuda a acelerar o aprendizado e garante maior segurança financeira no início.➡️ Encontrar um nicho: áreas como mudanças, closets, brinquedotecas, cozinhas, marcenaria ou empresas facilitam o fechamento de projetos mais complexos.➡️ Precificar com método: considerar mão de obra (própria e da equipe), custos fixos e variáveis, materiais, deslocamento e margem de lucro, fechando projetos conforme o domínio do tempo de execução aumenta.

“Quem quer trabalhar como personal organizer precisa entender que é uma atividade de prestação de serviço. É preciso gostar de pessoas, ter neutralidade e respeito ao entrar na casa do cliente”, afirma Ana Alarcon.

A professora Caroline dos Santos Simões, do Senac São Paulo, afirma que apesar dos desafios, o mercado segue em expansão, impulsionado pela busca por bem-estar, produtividade e otimização dos espaços.

"Trata-se de uma profissão com baixo investimento inicial, grande possibilidade de personalização dos serviços e potencial de crescimento, seja por meio da ampliação da atuação presencial, da oferta de consultorias on-line ou do desenvolvimento de produtos e treinamentos", finaliza.

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Ex-modelo conta como Jeffrey Epstein usava falsas propostas de trabalho para atrair vítimas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 03:47

Trabalho e Carreira Ex-modelo conta como Jeffrey Epstein usava falsas propostas de trabalho para atrair vítimas Investigações apontam que a rede explorava a vulnerabilidade profissional de modelos com promessas de carreira internacional. Por RFI

A ex-modelo francesa Juliette posa durante uma sessão de fotos em Paris em 10 de março de 2026 — Foto: Joël Saget / AFP

Após a procuradora Laure Beccuau revelar à rádio RTL que novas potenciais vítimas de Jeffrey Epstein procuraram a promotoria de Paris, a ex‑modelo francesa Juliette, hoje com 43 anos, decidiu contar como escapou há mais de 20 anos.

Seu relato surge enquanto duas investigações avançam na França sobre violência sexual e aspectos financeiros ligados à rede do milionário.

Quatro meses após a divulgação dos “Epstein Files” pela justiça dos EUA, novos testemunhos continuam emergindo. Na França, ao menos dez potenciais vítimas se apresentaram à promotoria de Paris, segundo informou a procuradora Laure Beccuau, em entrevista à rádio RTL.

Entre elas está Juliette, ex‑modelo francesa que, aos vinte e poucos anos, cruzou o caminho de Jeffrey Epstein – sem saber quem ele era – e conseguiu escapar antes de ser capturada pela engrenagem de exploração sexual que hoje é investigada em vários países.

Juliette guardou quase tudo daquela época: o book, e‑mails, anotações e até a agenda onde escreveu à mão os contatos de Epstein e de Daniel Siad, um recrutador de modelos.

Anos depois, descobriria que Siad era suspeito pelo FBI de identificar e recrutar jovens para o milionário. Foi ele quem a abordou em Paris, em 2004, entre dois castings, oferecendo “oportunidades” em Nova York. Sua agência confirmou que Siad era “confiável”. Juliette aceitou.

“Me deram o endereço de um apartamento em Nova York. Não sabia se era ligado a uma agência. Não me deram detalhes, nem horários, nada. Presumi que era profissional. Se não me davam informações, era porque não havia perguntas a fazer.”

O primeiro encontro: passaporte retido e mal‑estar  Ao chegar a Nova York, Juliette encontrou Epstein rapidamente. Ele não tinha “tempo para recebê‑la”, tomou seu passaporte e marcou para o dia seguinte.

Sua mãe, desconfiada, ligou para alertá‑la sobre o risco de uma rede de tráfico sexual. Juliette hesitou, mas decidiu voltar: “Nada tinha acontecido. Eu tinha um objetivo: conseguir contrato.”

Epstein tentou deixá‑la à vontade, mostrou o apartamento, apresentou um estúdio que não parecia profissional. Fotos de close de partes íntimas de mulheres cobriam paredes.

“Olhei com curiosidade e pensei: que fascinação é essa? Achei inadequado. Comecei a me sentir mal.”

Ele a conduziu por um corredor com quartos. Sentou‑se na cama e fez sinal para que ela se aproximasse. Juliette parou na porta:

“Te aviso, não vou fazer nada.” Epstein recuou, disse que só queria “avaliar” se poderia apresentá‑la às agências. Ela entrou. Ele pediu que ficasse de roupa íntima – comum no meio – mas também que tirasse o sutiã, o que não era.

Epstein a examinou, tocou suas coxas, quadris, nádegas. Disse que ela “não estava pronta”, que precisava perder peso e que levaria três meses até ser apresentada às agências. Ofereceu acesso a academias e “pequenos trabalhos” enquanto esperava: aeromoça em jato privado, acompanhante à noite. Foi aí que Juliette entendeu o risco.

“Acho que ele sentiu que eu não ia permitir, ou que eu tinha entendido como funcionava”, relembra a jovem. Ela ficou mais alguns dias em Nova York, fez castings, mas percebeu que estava “queimada” em todas as agências. “É uma loucura.”

“Vergonha se fosse uma oportunidade de trabalho que perdi. Vergonha se fosse uma rede criminosa, por ter acreditado que podia ser outra coisa.”

Em 2019, ao ouvir o nome de Epstein no rádio, Juliette entrou em choque. Só então compreendeu o que havia escapado. Sua história, reconstruída com base nos documentos que guardou e no depoimento prestado à polícia francesa em 2019, revela como funcionava o processo de aliciamento do predador. (Entenda mais abaixo)

Epstein já tinha sido condenado em 2008 por solicitação de prostituição e incitação de menores, cumprindo apenas 13 meses. Em 2019, foi preso novamente e encontrado morto na cela um mês depois.

Juliette prestou depoimento à polícia francesa em 2019. Seu nome aparece nos “Epstein Files”, os três milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro de 2026. Ela acredita que o milionário a expor a “níveis de submissão” para medir até onde iria em troca de trabalho.

As investigações abertas na França – uma sobre violência sexual, outra sobre aspectos financeiros – buscam entender como funcionava a rede de Epstein em Paris, onde ele viveu por anos.

Recrutadores identificavam jovens modelos, mas também algumas em fim de carreira, oferecendo contratos internacionais. A vulnerabilidade profissional era explorada como porta de entrada.

Juliette reconhece hoje os sinais: a falta de informações, o visto inadequado, o apartamento sem vínculo com agência, o controle do passaporte, a pressão psicológica, a promessa de “oportunidades” nebulosas. “Ele testava limites. Era um processo.”

“Eu não sabia quem ele era. E tinha vergonha.” Hoje, aos 43 anos, ela tenta reconstruir a narrativa da própria vida. “Passei anos revendo a cena. Só em 2019 entendi de verdade.”

Seu testemunho, agora público, ajuda a mapear o funcionamento da rede e a compreender como tantas jovens foram capturadas por um sistema que misturava glamour, poder e violência.

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De ‘carro de patrão’ a esquecido: por que os sedãs estão sumindo do Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 03:47

Carros De ‘carro de patrão’ a esquecido: por que os sedãs estão sumindo do Brasil Em 10 anos, sedãs deixaram de ser quase 30% dos emplacamentos para chegar a 12%. Nesse intervalo, os SUVs dispararam em vendas: passaram de 14% para quase 55% do mercado. Por André Fogaça, g1 — São Paulo

Hoje pode soar estranho, mas o tipo de carro mais vendido no Brasil em 2015 era o sedã. Em 10 anos, porém, o mercado passou por uma transformação profunda, e o modelo preferido dos consumidores mudou: agora, é o SUV.

De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 29% dos carros zero quilômetro vendidos em 2015 eram sedãs. Em 2025, a participação desses modelos caiu para 12%.

Nesse mesmo intervalo de tempo, os SUVs dispararam em vendas: passaram de 14% para quase 55% do mercado.

“Eu vejo a queda dos sedãs muito mais como uma perda de protagonismo do que um abandono. O SUV virou o ‘carro padrão’ da família brasileira”, afirma Murilo Briganti, sócio da Bright Consulting.

Segundo ele, a diferença cada vez menor de preços entre SUVs e sedãs influenciou a escolha do consumidor. Na faixa dos R$ 110 mil, convivem modelos como Volkswagen Virtus e T-Cross. Já na casa dos R$ 200 mil, estão Toyota Corolla e Corolla Cross.

Milad Kalume Neto, consultor automotivo, pensa parecido e avalia que a chegada de vários SUVs de entrada — como Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Chevrolet Sonic e outros — tende a reduzir ainda mais o espaço dos sedãs no mercado.

“Provavelmente teremos picos de vendas com 50% de participação ao longo do ano”, afirma Kalume Neto.

Embora o mercado de sedãs tenha encolhido bastante, ainda existe um público cativo, quase de nicho, que ajuda a evitar o desaparecimento desses modelos das ruas brasileiras.

Para Kalume Neto, o segmento conhecido como “carro de patrão” foi o menos afetado. “Aquela imagem do CEO de uma empresa saindo de um Fiesta Hatch? Não, né! O cara sai de Mercedes Classe C, E, SL… todos sedãs!”, diz.

Na avaliação do consultor, a exclusividade dos sedãs mais caros faz com que esses modelos praticamente não disputem espaço com os SUVs de luxo.

Essa diferença fica clara no gráfico abaixo. Os sedãs grandes, que normalmente concentram os modelos mais caros e voltados ao público executivo, mantiveram uma trajetória mais estável nos últimos 10 anos.

Já os modelos pequenos despencaram, passando de 17% para menos de 3% das vendas — queda de quase 83% em uma década.

“Chegou a ter uma certa competição com as SUVs, mas em geral é inatingível numa série de aspectos, entre os quais, a exclusividade”, diz Milad sobre a preferência pelos sedans mais corporativos.

Kalume Neto e Briganti também concordam que taxistas e motoristas de transporte por aplicativo ajudam a sustentar o volume de vendas dos sedans.

“Frotas, locadoras, motoristas de app e taxistas valorizam espaço interno, conforto e custo operacional”, diz Briganti.

O espaço do porta-malas também é um fator relevante para sustentar as vendas entre consumidores que transportam mais bagagem ou costumam fazer viagens mais longas.

“Existe um público mais tradicional que ainda prefere o sedan pela dinâmica: carro mais baixo, centro de gravidade mais próximo do solo, melhor estabilidade em estrada”, aponta o especialista.

Não há como falar de sedã sem citar o Toyota Corolla. Por isso, o g1 passou uma semana a bordo da versão Altis Hybrid para entender se a escolha ainda faz sentido.

O Corolla oferece acabamento com materiais macios ao toque em grande parte da cabine, deixando o uso de plástico rígido restrito a poucos pontos.

Entre os SUVs concorrentes, esse nível de cuidado com os materiais não é tão presente quanto no sedã da Toyota. Modelos como Volkswagen Taos, Nissan Kicks e Hyundai Creta, por exemplo, utilizam muito mais plástico rígido na cabine.

O Corolla conta com uma central multimídia satisfatória, de 10,1 polegadas, com espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além de teto solar. O modelo também oferece piloto automático adaptativo, que consegue manter o carro centralizado mesmo em trechos sem faixas pintadas.

Comparado ao Corolla Cross, SUV que herdou seu nome, as diferenças ficam mais evidentes no espaço interno. O sedã tem cerca de seis centímetros a mais de entre-eixos, o que se traduz em maior conforto para passageiros mais altos no banco traseiro.

O porta-malas também é maior, mas apresenta a limitação comum aos sedãs: a altura é restrita pela carroceria e pelo vidro traseiro. Para quem precisa transportar objetos mais altos, o SUV continua sendo a alternativa mais indicada.

Para não dizer que o sedã leva vantagem em todos os aspectos, o Toyota Corolla Cross adota uma solução mais moderna ao oferecer freio de estacionamento eletrônico. Além de manter o carro parado no semáforo sem a necessidade de pressionar o pedal ou acionar uma alavanca, o sistema permite que o piloto automático adaptativo pare o veículo completamente.

Esse é um detalhe relevante para quem procura um pacote mais completo. Ainda assim, no sedã, a posição de dirigir mais baixa transmite maior sensação de segurança em curvas e reforça um caráter esportivo que o SUV não oferece.

Dessa forma, o Corolla sedã oferece uma condução mais interessante, reforçada pelo desenho mais aerodinâmico da carroceria.

Já o Corolla Cross aposta em linhas mais retas e se destaca ao enfrentar lombadas e valetas. Nos testes, não foram raras as situações em que o sedã raspou o para-choque ao entrar em rampas de estacionamento ou ao circular por vias com muitas valetas.

Com isso, fica claro que o sedã continua sendo uma ótima aposta em dirigibilidade para quem gosta de estar ao volante. Mas o SUV virou mania nacional, faz sentido para quem prioriza conforto no uso urbano e precisa de mais altura para transportar volumes maiores no porta-malas.

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Barbeiro especializado em crianças neurodivergentes vira referência e fatura R$ 70 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 24/05/2026 02:46

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Barbeiro especializado em crianças neurodivergentes vira referência e fatura R$ 70 mil por mês Negócio aposta em atendimento humanizado, soma 4,5 mil na fila e atrai clientes até do exterior. Por PEGN

Renan cresceu entre tesouras e maquininhas. Chegou a iniciar uma faculdade de engenharia, mas foi na barbearia que encontrou seu propósito.

Ao começar a atender crianças, percebeu uma demanda pouco explorada e passou a desenvolver um atendimento mais humanizado.

Com o tempo, virou referência na região e passou a atrair famílias em busca de um ambiente preparado para lidar com dificuldades sensoriais.

O crescimento ganhou impulso com as redes sociais. Um vídeo de atendimento a uma criança que não aceitava cortar o cabelo viralizou e alcançou milhões de visualizações.

Cortar o cabelo pode ser um desafio para muitas crianças. O barulho das máquinas, o uso de tesouras e o tempo prolongado sentado costumam transformar um momento simples em uma experiência desconfortável – especialmente para crianças neurodivergentes.

Em um salão na cidade de Mauá, na região do ABC paulista, no entanto, essa lógica foi invertida. O corte deixou de ser apenas um serviço e passou a ser um processo de acolhimento, respeito ao tempo de cada criança e adaptação às suas necessidades.

À frente do negócio está o barbeiro Renan Santana, que se especializou no atendimento infantil e em crianças com autismo, síndrome de Down e outras condições. “Aqui é um espaço que acolhe a criança no âmbito geral”, afirma.

Filho de profissionais da área da beleza, Renan cresceu entre tesouras e maquininhas. Chegou a iniciar uma faculdade de engenharia, mas foi na barbearia que encontrou seu propósito.

Ao começar a atender crianças, percebeu uma demanda pouco explorada e passou a desenvolver um atendimento mais humanizado. Com o tempo, virou referência na região e passou a atrair famílias em busca de um ambiente preparado para lidar com dificuldades sensoriais.

A aposta no público infantil evoluiu para um nicho ainda mais específico: crianças neurodivergentes. A decisão veio ao perceber que poucos profissionais atuavam nessa área, enquanto a procura por seu trabalho aumentava.

“Se você resolve uma dor, existe um mercado”, resume. Hoje, o salão tem faturamento médio mensal de cerca de R$ 70 mil.

O crescimento ganhou impulso com as redes sociais. Um vídeo de atendimento a uma criança que não aceitava cortar o cabelo viralizou e alcançou milhões de visualizações. A repercussão trouxe uma alta demanda e ampliou a visibilidade do negócio.

O espaço também foi adaptado para reduzir estímulos que possam gerar desconforto. Espelhos não ficam à frente das crianças durante o corte, e o ambiente conta com elementos lúdicos e brinquedos sensoriais.

Renan buscou ainda formação em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), técnica utilizada no atendimento a pessoas com autismo, para aprimorar o manejo durante os atendimentos.

Com o tempo, ele percebeu que não eram apenas as crianças que precisavam de cuidado. As famílias também chegavam fragilizadas e encontravam no espaço um ambiente de acolhimento. Para muitos pais, ver o filho conseguir passar por uma experiência simples representa uma conquista importante.

Hoje, o salão atende clientes de diferentes regiões e até de outros países, como Canadá e Austrália, e acumula uma lista de espera que já ultrapassa 4.500 pessoas. Apesar da expansão, o empreendedor afirma que o foco segue o mesmo: oferecer um serviço que una técnica, sensibilidade e inclusão.

📍 Endereço: Rua Aquidabam, 445 – Térreo Mauá/ SP –CEP: 09360-020📞 Telefone: (11) 93205-8280📧 Email: equipetiorenan@gmail.com📸 Instagram: https://www.instagram.com/orenanbarbeiro📘Facebook: https://www.facebook.com/share/1HzLx4qMC7/?mibextid=wwXIfr

Há 1 hora Mundo Trump diz que acordo está ‘amplamente negociado’ após conversa com líderes do Oriente MédioHá 1 horaAgência iraniana nega versão americana e afirma que Teerã quer impor regras ao Estreito

Há 6 horas Jornal Nacional Estados UnidosHomem que fez disparos perto da Casa Branca é morto por agentes; outra pessoa é baleada

Há 5 horas Mundo Casa Branca chegou a ser interditada após disparosHá 5 horasSuspeita de elo com PCCDeolane: ostentação criou ‘cenário fértil’ para lavagem e deu ar de legalidade ao dinheiro, diz polícia

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Que horas é o sorteio da Mega-Sena 30 anos? g1 transmite ao vivo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 00:50

Loterias Oferecido por: Que horas é o sorteio da Mega-Sena 30 anos? g1 transmite ao vivo Sorteio será realizado neste domingo, 24 de maio às 11h. Concurso comemorativo terá prêmio estimado em R$ 300 milhões. Por Redação g1 — São Paulo

Segundo a Caixa, o prêmio não acumula: se ninguém acertar as seis dezenas, a bolada vai para a quina.

A Caixa Econômica Federal realiza neste domingo (24) o sorteio especial da Mega-Sena 30 anos, concurso comemorativo que terá prêmio estimado em R$ 300 milhões. O sorteio será realizado às 11h.

O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.

Acompanhe o sorteio da Mega 30 anos no site do g1Acompanhe o sorteio da Mega 30 anos no canal do g1 no YouTube

Segundo as regras divulgadas pela Caixa, o prêmio do sorteio especial não acumula. Com isso, se ninguém acertar as seis dezenas, o valor principal será dividido entre os apostadores que acertarem a quina.

Se ainda assim não houver vencedores suficientes, seguirá para a quadra, aumentando as chances de alguém acertar a sequência de números.

De acordo com a Caixa, 980 apostas já receberam prêmios milionários desde a criação da loteria. O maior prêmio pago em um concurso regular da Mega-Sena — sem considerar a Mega da Virada — foi de R$ 317,8 milhões, em outubro de 2022.

O sorteio do concurso especial da Mega-Sena 30 anos será no próximo domingo, 24 de maio de 2026. A Caixa Econômica Federal elevou a estimativa do prêmio para R$ 300 milhões — Foto: Cesar ConventiI/Fotoarena/Estadão Conteúdo

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Mega-Sena 30 anos: prêmio especial sobe para R$ 320 milhões; g1 transmite sorteio no domingo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/05/2026 14:52

Loterias Oferecido por: Mega-Sena 30 anos: prêmio especial sobe para R$ 320 milhões; g1 transmite sorteio no domingo Sorteio será realizado em 24 de maio. As apostas podem ser registradas até as 22h (horário de Brasília) de 23 de maio. Por Redação g1 — São Paulo

A Caixa Econômica Federal aumentou a estimativa do prêmio do concurso especial de 30 anos da Mega-Sena para R$ 320 milhões. O sorteio será realizado às 11h do dia 24 de maio.

A estimativa para o concurso 3.010 era inicialmente de R$ 150 milhões, conforme divulgado pela Caixa em abril. O valor subiu para R$ 200 milhões, depois foi elevado novamente para R$ 320 milhões, e chegou a R$ 320 milhões neste sábado (23).

Segundo as regras divulgadas pela Caixa, o prêmio do sorteio especial não acumula. Com isso, se ninguém acertar as seis dezenas, o valor principal será dividido entre os apostadores que acertarem a quina.

Se ainda assim não houver vencedores suficientes, seguirá para a quadra, aumentando as chances de alguém acertar a sequência de números.

As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) do dia 23 de maio pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país. Clientes do banco também podem fazer suas apostas pelo internet banking.

O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.

A Caixa havia informado que, desde domingo (17), todas as apostas na modalidade da Mega-Sena passarão a ser exclusivas para a Mega 30 anos.

Para jogar, basta marcar de 6 a 20 números dentre os 60 disponíveis nos volantes ou deixar que o sistema escolha as dezenas, por meio da Surpresinha. A aposta simples custa R$ 6.

Quem aposta também pode escolher participar do concurso por meio de bolões, preenchendo o campo específico no volante.

De acordo com a Caixa, 980 apostas já receberam prêmios milionários desde a criação da loteria. O maior prêmio pago em um concurso regular da Mega-Sena — sem considerar a Mega da Virada — foi de R$ 317,8 milhões, em outubro de 2022.

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Dona da Fleischmann assina acordo de compra da rede de franquias Casa de Bolos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/05/2026 13:35

RIBEIRÃO E FRANCA Dona da Fleischmann assina acordo de compra da rede de franquias Casa de Bolos Negócio prevê aquisição de 100% da empresa de Ribeirão Preto (SP). Valor da transação não foi divulgado e ainda depende de aprovação do Cade. Por g1 Ribeirão e Franca

AB Mauri Brasil, dona das marcas Fleischmann e Ovomaltine, anunciou a compra de 100% da rede de franquias Casa de Bolos.

Segundo o Cade, após a avaliação, a Superintendência-Geral pode aprovar a compra sem restrições, aprovar mediante condições ou encaminhar para apreciação do Tribunal do Cade.

A rede de franquias foi fundada em 2010, em Ribeirão Preto, e atualmente conta com mais de 600 lojas em mais de 250 cidades brasileiras.

A AB Mauri Brasil, subsidiária da Associated British Foods (ABF) e dona das marcas Fleischmann e Ovomaltine, anunciou nesta semana que assinou um acordo de compra para adquirir 100% da Casa de Bolos, rede de franquias com sede em Ribeirão Preto (SP).

O valor da transação está em sigilo e ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Casa de Bolos fechou o ano de 2025 com faturamento de R$ 720 milhões.

Segundo a empresa, após a conclusão da transação, ela continuará operando de forma independente, como uma unidade de negócios dentro da AB Mauri Brasil, mantendo a marca, o posicionamento, o portfólio e o modelo de franquias.

Ao g1, o Cade informou que foi notificado pelas empresas na terça-feira (19) e disse que, após o protocolo da operação, o processo será instruído pela Superintendência-Geral do Cade, que vai avaliar os possíveis impactos concorrenciais da operação.

Ainda segundo o Cade, após a avaliação, a Superintendência-Geral do órgão pode aprovar a compra sem restrições, aprovar mediante condições ou encaminhar para apreciação do Tribunal do Cade.

"Caso a operação seja analisada sob procedimento sumário, o prazo é de até 30 dias. Se o ato de concentração tramitar sob procedimento ordinário, em que a análise é mais complexa, aplica-se o prazo legal de até 240 dias, prorrogável nas hipóteses previstas na Lei nº 12.529/2011".

MP pede interdição da Delegacia da Polícia Civil em Cravinhos por situação precária do prédioVídeo: ladrões empurram carro quebrado na fuga após furto de loja em Ribeirão Preto

A rede de franquias Casa de Bolos foi fundada em 2010, em Ribeirão Preto, e atualmente conta com mais de 600 lojas em mais de 250 cidades brasileiras.

A AB Mauri Brasil tem de mais de 90 anos de história e atualmente, atende clientes com amplo portfólio de produtos sob as marcas Fleischmann, Fleischmann Gran Finale, Mauri, Aromaferm, Sohovos e Softase-R, além de atuar como parceira de distribuição de Twinings, Ovomaltine, Amigos do Bem e Danke.

Rede de franquias Casa de Bolos foi criada em 2010, em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

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Estresse causado por moscas reduz produção de leite e gera prejuízo a produtores em MS

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/05/2026 10:45

Mato Grosso do Sul Estresse causado por moscas reduz produção de leite e gera prejuízo a produtores em MS Produtores de Costa Rica relatam perdas na produção de leite e apontam possível ligação entre a infestação e o uso de vinhaça em lavouras de cana-de-açúcar. Por Débora Ricalde, Alyson Maruyama, g1 MS e TV Morena

O problema, que se intensificou nos últimos anos no município, afeta o gado, reduz a alimentação dos animais e provoca queda na produção de leite.

A usina citada pelos produtores fica a cerca de 10 quilômetros de Costa Rica. A vinhaça, gerada durante o processamento da cana-de-açúcar, é utilizada como biofertilizante nas lavouras.

Pequenos produtores rurais de Costa Rica relatam prejuízos causados pela infestação da mosca-do-estábulo. O problema, que se intensificou nos últimos anos no município, afeta o gado, reduz a alimentação dos animais e provoca queda na produção de leite. Em uma das propriedades atingidas, a perda chegou a 30%.

Segundo os produtores, a infestação se agravou nos últimos anos. Eles suspeitam que o aumento da população de moscas esteja relacionado ao manejo da vinhaça, resíduo gerado na produção de açúcar e etanol e utilizado como fertilizante em lavouras de cana-de-açúcar.

As moscas se concentram no corpo dos animais, que tentam se proteger permanecendo agrupados. O comportamento foge do habitual, já que o gado normalmente fica espalhado pelo pasto.

Diferentemente da mosca doméstica, a mosca-do-estábulo possui estrutura adaptada para picar e sugar o sangue dos animais.

O produtor rural Manoel Rodrigues afirma que os animais passam grande parte do dia tentando se defender dos insetos. Segundo ele, a situação compromete a alimentação do rebanho e reduz a produção de leite.

"Ele não consegue alimentar, só alimenta à noite. Durante o dia ele fica todo montuado e se batendo, encosta umas nas outras pra se defender, porque onde ela tá encostada ali, ela não vai ser atingida, né? E é dessa forma aí que a gente tá convivendo há vários dias aqui", conta.

O produtor Vanderlei de Souza relata situação semelhante. Para ele, a infestação pode estar relacionada às atividades de uma usina instalada nas proximidades do município.

"Acredito que é da usina. Porque não tinha isso aqui com o tempo. E, às vezes, quando eles param na época de moagem, de jogar essa vinhaça, elas diminui. Então, da noite pro dia, ela forma muito", comenta.

A usina citada pelos produtores fica a cerca de 10 quilômetros de Costa Rica. A vinhaça, gerada durante o processamento da cana-de-açúcar, é utilizada como biofertilizante nas lavouras. O manejo do material deve seguir normas técnicas, incluindo medidas para evitar o acúmulo de líquido nas áreas agrícolas.

O produtor Arionildo Nogueira afirma que a presença da mosca-do-estábulo se tornou frequente após a instalação da usina na região, há cerca de 14 anos.

"A gente está aqui há 30 anos, né? E, de 14 anos pra cá, que a usina instalou aqui no nosso município, começou o ataque da mosca e nunca teve um ano que não teve. Tem os altos e baixos".

Para tentar reduzir a infestação, a usina tem aplicado produtos de controle em áreas próximas às propriedades rurais e instalado armadilhas nas cercas. Os dispositivos são formados por faixas plásticas com material adesivo que captura os insetos.

Apesar das medidas adotadas, os produtores afirmam que os resultados ainda são insuficientes e cobram uma solução definitiva para o problema.

"Ninguém está pedindo para que a usina feche, pare de operar. A gente só quer que eles resolvam o problema e deixem a gente trabalhar", diz Manoel.

Manoel destaca ainda que os prejuízos atingem principalmente os pequenos produtores, que dependem da renda gerada pela atividade rural.

"Para o pequeno, o impacto se torna maior ainda, né? Porque aquilo ali já é a rendinha dele sobreviver. Ele conta com todo o centavo ali para sobreviver. E aí, vem esses prejuízos aí, o cara deixa de produzir, e no final do ano ele está no vermelho, devendo. Não consegue fechar a conta."

Em nota, a indústria informou que realiza o manejo da vinhaça de acordo com protocolos agronômicos, a legislação vigente e as práticas técnicas do setor. A empresa também afirmou que mantém monitoramento contínuo das áreas e diálogo com produtores rurais e órgãos competentes.

Segundo a Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), a mosca-do-estábulo é um desafio para a agropecuária. A entidade afirma que a ocorrência do inseto está relacionada a diferentes fatores ambientais e climáticos, principalmente em períodos de temperaturas elevadas e maior volume de chuvas.

Ainda conforma a Biosul, a associação atuam há mais de uma década em parceria com produtores rurais, usinas, órgãos públicos e a Embrapa Gado de Corte. O trabalho inclui pesquisas, ações preventivas e protocolos voltados ao manejo de áreas agrícolas e resíduos orgânicos.

Gados apresentam comportamento incomum de ficarem agrupados por causa de moscas em Costa Rica (MS) — Foto: Sergio Saturnino/TV Morena

Estresse causado por moscas reduz produção de leite e gera prejuízo em MS — Foto: Sergio Saturnino/TV Morena

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