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Entenda a polêmica sobre o uso de antibióticos na produção de carnes

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/06/2026 09:55

GLOBO RURAL Entenda a polêmica sobre o uso de antibióticos na produção de carnes União Europeia formalizou exclusão do Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com isso, país fica proibido de exportar a partir de 3 de setembro. Por Redação g1, Globo Rural

A União Europeia (UE) oficializou a sua decisão de excluir o Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com isso, o Brasil fica proibido de exportar carne para a UE a partir de 3 de setembro deste ano.

Os antimicrobianos são substâncias usadas para controlar microorganismos como bactérias, fungos, vírus e parasitas.

A veterinária Silvana Gorniak, da USP, explica que, na criação animal, esses produtos têm quatro usos principais:

o terapêutico: para tratar o bicho que apresentou algum sintoma;o preventivo: para evitar que a doença apareça;o metafilático: para conter um surto na criação.promotor de crescimento: nesse caso, os antimicrobianos são incluídos na composição da ração para melhorar o desempenho animal.

A UE já adota uma políticia de tolerância zero para o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento. Um exemplo de susbtância usada para esse fim é a monensina, um dos aditivos mais usados em confinamentos bovinos.

"Por que existe essa discussão em relação ao uso dos antimicrobiano como promotor de desempenho? Eu uso uma dose muito mais baixa por um tempo muito prolongado. Essa dose muito mais baixa pode propiciar que parte dessas bactérias possam morrer, mas uma outra grande parte pode sobreviver, carregando genes de resistência".

"Existe uma frase que a gente sempre fala que o que não mata, fortalece. E aí cada vez mais fica mais difícil ter antimicrobianos que possam combater essa bactéria.

Em entrevista ao Globo Rural no início de maio, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, garantiu que os exportadores de carne de aves já não usam antibióticos para melhorar o desempenho em nenhuma fase da criação.

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Google e SpaceX fecham acordo bilionário para turbinar IA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/06/2026 09:15

Tecnologia Google e SpaceX fecham acordo bilionário para turbinar IA Acordo ocorre em meio à disputa entre gigantes da tecnologia por infraestrutura para desenvolver sistemas de inteligência artificial cada vez mais avançados. Por France Presse

Elon Musk, dono do X, da SpaceX e da Tesla, em reunião na Casa Branca, em 26 de fevereiro de 2025 — Foto: Reuters/Bryan Snyder

A SpaceX fechou um acordo bilionário para fornecer ao Google uma grande capacidade de computação, reforçando sua posição como fornecedora de infraestrutura para inteligência artificial (IA).

O contrato foi anunciado em um momento em que as gigantes da tecnologia disputam recursos para desenvolver modelos de IA cada vez mais avançados. No caso do Google, a capacidade computacional será usada para impulsionar o Gemini, sua família de modelos de inteligência artificial.

Segundo o acordo, o Google pagará US$ 920 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) por mês até junho de 2029 para utilizar aproximadamente 110 mil processadores gráficos (GPUs) da Nvidia, componentes amplamente usados no treinamento e na operação de sistemas de IA.

Ao longo de todo o contrato, os pagamentos podem chegar a quase US$ 30 bilhões (R$ 153,7 bilhões). A tarifa mensal integral começará a ser paga em outubro de 2026.

No mês passado, a Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude, também fechou um contrato com a SpaceX para alugar um de seus principais centros de dados em Memphis, nos Estados Unidos. O acordo prevê pagamentos de US$ 1,25 bilhão (R$ 6,4 bilhões) por mês.

As instalações foram construídas originalmente para atender a xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, que se fundiu à SpaceX em fevereiro.

Os acordos com Google e Anthropic foram anunciados poucos dias antes da abertura de capital da SpaceX, que pode se tornar a maior da história. A expectativa é que a empresa seja avaliada em US$ 1,8 trilhão (R$ 9,22 trilhões).

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Melhor que qualquer ‘hacker’ humano: o que é o novo modelo de inteligência artificial que assusta o sistema financeiro

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/06/2026 07:45

Tecnologia Melhor que qualquer 'hacker' humano: o que é o novo modelo de inteligência artificial que assusta o sistema financeiro A Anthropic afirma ter descoberto que sua nova ferramenta consegue superar humanos em algumas tarefas de hacking e segurança cibernética. Por BBC

Nas últimas semanas, o mundo da inteligência artificial tem andado em polvorosa após alegações feitas pela empresa líder Anthropic sobre seu novo modelo, Claude Mythos.

A empresa afirma ter descoberto que a ferramenta pode superar humanos em algumas tarefas de hacking e segurança cibernética — o que levou reguladores, parlamentares e instituições financeiras a discutirem os perigos que ela poderia representar para serviços digitais.

Várias gigantes da tecnologia receberam acesso ao Mythos por meio de uma iniciativa chamada Project Glasswing, concebida para reforçar a resiliência contra o próprio Mythos.

A Anthropic anunciou esta semana que vai estender o acesso ao Mythos para outras 150 instituições em setores diversos, como energia, água, saúde, comunicações e equipamentos. Novos parceiros precisarão atender a requisitos de segurança antes de obterem acesso ao modelo.

Alguns analistas ainda são mais céticos sobre a capacidade do Mythos e dizem que é do interesse da Anthropic sugerir que ela possui uma ferramenta com habilidades nunca antes vistas.

O tema também causou medo no sistema financeiro e chegou a ser abordado em reunião do FMI em Washington envolvendo autoridades internacionais.

Na prática — como costuma acontecer com a IA — a tarefa de distinguir entre fatos e exageros é complicada.

O Mythos é um dos modelos mais recentes da Anthropic, desenvolvido como parte de seu sistema de IA mais amplo chamado Claude. Ele engloba o assistente de IA e a família de modelos da empresa, rivalizando com o ChatGPT da OpenAI e o Gemini do Google.

Pesquisadores que testam como modelos de IA lidam com solicitações ou tarefas específicas, conhecidos como "red teams", disseram em um relatório que o Mythos era "incrivelmente capaz em tarefas de segurança de computadores".

Eles descobriram que a ferramenta poderia localizar bugs inativos escondidos em códigos de décadas atrás e explorá-los com facilidade.

Em vez de disponibilizá-lo amplamente aos utilizadores do Claude, a Anthropic concedeu acesso a 12 empresas de tecnologia por meio do Project Glasswing, que descreveu como "um esforço para proteger sistemas essenciais de software".

Entre elas estão a gigante de computação em nuvem Amazon Web Services, os fabricantes de dispositivos Apple, Microsoft e Google, e os fabricantes de chips Nvidia e Broadcom.

A Crowdstrike, cuja atualização defeituosa de software causou uma grande interrupção global em julho de 2024, também está entre os parceiros do projeto, e a Anthropic afirma ter concedido acesso ao Mythos a mais de 40 organizações responsáveis por softwares considerados críticos.

Em um vídeo divulgado junto com o lançamento do Project Glasswing, o chefe da Anthropic, Dario Amodei, disse que a empresa se ofereceu para trabalhar com funcionários do governo dos EUA a fim de "ajudar a se defender contra o risco desses modelos".

A Anthropic afirma que, durante os testes, descobriu que o modelo é altamente habilidoso em tarefas de segurança cibernética e hacking, superando humanos.

"O Mythos Preview já encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo algumas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web", afirmou a Anthropic em 7 de abril.

"Dada a velocidade do progresso da IA, não demorará muito para que tais capacidades se disseminem, potencialmente além de agentes comprometidos com seu uso seguro."

A empresa disse que ele poderia localizar — com pouca supervisão — falhas críticas que exigem ação imediata em sistemas antigos, incluindo uma vulnerabilidade que esteve presente em um sistema por 27 anos, e sugerir maneiras de explorá-las.

Desde então, alguns ministros das finanças, banqueiros centrais e executivos do setor financeiro expressaram sérias preocupações, temendo que o modelo possa comprometer a segurança dos sistemas financeiros.

O ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne, disse à BBC que o Mythos foi discutido em uma reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington em abril.

"Certamente é sério o suficiente para merecer a atenção de todos os ministros das Finanças", disse ele.

O diretor do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, disse à BBC: "Temos de analisar com muito cuidado agora o que esse desenvolvimento recente da IA pode significar para o risco de crime cibernético."

A União Europeia disse que também está em discussões com a Anthropic sobre suas preocupações relacionadas ao Mythos. Em maio, o bloco europeu recebeu acesso à ferramenta.

Ciaran Martin, ex-chefe do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, disse à BBC no início desta semana que a alegação de que o Mythos poderia descobrir vulnerabilidades críticas muito mais rapidamente do que outros modelos de IA "realmente abalou as pessoas".

"A segunda questão é que, mesmo com vulnerabilidades existentes que conhecemos, mas contra as quais as organizações podem não ter aplicado correções ou podem não estar bem defendidas, ele é simplesmente um hacker muito bom", disse ele.

Muitos analistas independentes e especialistas em segurança cibernética ainda não puderam testar o Mythos por conta própria, e alguns permanecem céticos quanto ao seu desempenho.

O Instituto de Segurança em IA do Reino Unido concluiu recentemente que, embora se trate de um modelo muito poderoso, sua maior ameaça seria contra sistemas mal protegidos e vulneráveis.

"Não podemos afirmar com certeza se o Mythos Preview seria capaz de atacar sistemas bem protegidos", disseram seus pesquisadores.

A italiana Valentina Palmiotti — mais conhecida como Chompie — participa de torneios internacionais de hacking ético, em que competidores ganham dinheiro encontrando vulnerabilidades em sistemas de segurança antes que elas possam ser exploradas por cibercriminosos.

Ela disse à BBC que seus dias de competição podem estar contados devido à ascensão de ferramentas de IA como o Claude Mythos.

Novos modelos e ferramentas estão surgindo o tempo todo e geralmente são acompanhados por promessas de revolucionar nossas vidas — para melhor ou para pior.

Aproveitar essa mistura de medo e entusiasmo sobre a IA e seu impacto futuro também se tornou uma marca registrada do setor e de suas estratégias de marketing nos últimos anos.

No caso da Mythos, ainda não sabemos o suficiente para entender se essas esperanças ou temores são justificados, ou mais um reflexo do entusiasmo que cerca o setor.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, já alertou contra o uso indevido dos produtos da empresa antes — Foto: Reuters via BBC

Em ambos os casos, de acordo com o National Cyber Security Centre, órgão britânico de cibersegurança, a coisa mais importante que podemos fazer agora é não entrar em pânico e, em vez disso, focar na necessidade de corrigir a segurança cibernética básica.

Afinal, a maioria dos hackers não precisa de ferramentas de superinteligência artificial para violar sistemas — ataques muito mais simples geralmente são suficientes.

"Para alguns, esse é um evento apocalíptico, para outros, parece muito exagero", disse Martin à BBC.

Mas ele afirmou que, seja esta ferramenta ou outras subsequentes desenvolvidas pela Anthropic ou por concorrentes, além dos riscos existe uma oportunidade de construir um mundo online mais seguro.

"No médio prazo, há uma oportunidade de usar essas ferramentas para corrigir muitas das vulnerabilidades subjacentes da internet", afirmou.

No final de abril, a Anthropic anunciou que estava investigando uma denúncia de que um pequeno grupo de pessoas obteve acesso ao Claude Mythos.

"Estamos investigando uma denúncia de acesso não autorizado ao Claude Mythos Preview por meio de um de nossos ambientes de fornecedores terceirizados", afirmou a empresa em comunicado.

A declaração foi uma resposta a uma reportagem da Bloomberg, que revelou que usuários em um fórum privado conseguiram acessar o modelo sem as permissões necessárias.

Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

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Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/06/2026 05:54

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1571,78%Dólar TurismoR$ 5,3641,7%Euro ComercialR$ 5,9431,13%Euro TurismoR$ 6,1910,98%B3Ibovespa169.019 pts-0,77%MoedasDólar ComercialR$ 5,1571,78%Dólar TurismoR$ 5,3641,7%Euro ComercialR$ 5,9431,13%Euro TurismoR$ 6,1910,98%B3Ibovespa169.019 pts-0,77%MoedasDólar ComercialR$ 5,1571,78%Dólar TurismoR$ 5,3641,7%Euro ComercialR$ 5,9431,13%Euro TurismoR$ 6,1910,98%B3Ibovespa169.019 pts-0,77%Oferecido por

A investigação dos Estados Unidos reacende o debate sobre a soberania dos sistemas de pagamento. Apesar das acusações de “concorrência desleal”, o uso de cartões de crédito cresceu 125% no Brasil desde a criação do PIX.

Esse novo episódio de tensão na relação entre Brasil e Estados Unidos mostra como os meios de pagamento se tornaram um tema estratégico em um mundo cada vez mais digital. Após a ameaça de novas medidas comerciais por parte de Washington, na última terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou Flávio Bolsonaro e participou de um evento em Goiás segurando um cartaz com a frase: “O PIX é do Brasil”.

Durante o discurso em Goiás, Lula voltou a defender o sistema. “Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX”, afirmou o presidente, que também disse esperar um telefonema de Donald Trump para discutir os impasses entre os dois países.

A reação ocorreu horas depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação aberta com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio, de 1974.

No documento, o Brasil é acusado de adotar práticas consideradas “irracionais” ou “discriminatórias” contra empresas americanas de pagamentos eletrônicos ao favorecer o PIX, um sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central.

Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Embora a decisão não leve automaticamente a sanções, ela abre caminho para possíveis medidas comerciais contra o Brasil. A investigação questiona, entre outros pontos, o fato de o Banco Central atuar ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, a obrigatoriedade de oferta do PIX por grandes instituições financeiras e as regras que garantem destaque ao serviço nos aplicativos dos bancos.

Em resposta à conclusão preliminar da investigação, o governo brasileiro classificou as acusações como injustificadas e reiterou que o PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos, aberta a empresas nacionais e estrangeiras. Em nota, o Planalto manifestou “indignação” com a decisão do USTR e informou que continuará negociando com Washington até a divulgação do relatório final, prevista para 15 de julho.

A controvérsia surge em meio a uma escalada mais ampla das tensões entre Brasília e Washington. Na última sexta-feira (29), os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Para o cientista político Feliciano Guimarães, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), os dois episódios fazem parte de um cenário mais amplo de deterioração das relações entre os dois países.

"Estamos entrando em um dos capítulos mais perigosos da história do relacionamento entre Brasil e Estados Unidos desde a Guerra Fria", afirma.

Na avaliação de Guimarães, a classificação amplia as ferramentas disponíveis para os Estados Unidos pressionarem indivíduos, empresas e instituições brasileiras possivelmente ligadas a essas organizações. Esse aumento de possibilidades de ação se torna ainda mais sensível com a proximidade da eleição presidencial, em outubro.

"Imagine o que aconteceria com a economia brasileira se, duas semanas antes das eleições, o Departamento de Estado designasse o Itaú como um banco ligado a organizações terroristas como o PCC e o Comando Vermelho", questiona.

No cenário projetado pelo pesquisador, as ações do banco cairiam rapidamente, seus ativos nos Estados Unidos poderiam ser bloqueados e a instituição correria o risco de ser afastada do sistema Swift, usado para transações financeiras internacionais.

"Haveria uma quebra automática do sistema financeiro brasileiro, e o governo federal não teria capacidade de cobrir. A mesma coisa poderia acontecer com os outros bancos. Este é, de longe, o maior perigo. Agora, todos os bancos brasileiros têm que quintuplicar o departamento de compliance para retirar todo dinheiro suspeito de passar por PCC e CV de dentro da instituição, imediatamente."

Nas primeiras reações à classificação dessas facções como organizações terroristas, integrantes do governo brasileiro já demonstraram preocupação com possíveis efeitos sobre o PIX. O receio é que os Estados Unidos adotem medidas contra o sistema de pagamentos e as empresas que o utilizam, com base na interpretação de que ele poderia facilitar atividades criminosas. Poucos dias depois, ao classificar o tema como "prática comercial desleal", o PIX passou ao centro da tensão diplomática.

A ofensiva dos Estados Unidos contra o PIX não surgiu de forma repentina. A investigação foi aberta pelo USTR, em julho de 2025, e também analisa temas como comércio digital, tarifas, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Desde então, o governo brasileiro contesta sua legitimidade, argumentando que o PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos, aberta a qualquer instituição autorizada a operar no país, e que o uso da Seção 301 é incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em abril deste ano, representantes do Ministério da Fazenda e do Itamaraty viajaram a Washington para prestar esclarecimentos às autoridades americanas.

A China também consolidou plataformas próprias para pagamentos instantâneos, como Alipay e WeChat Pay — Foto: Don Huh via DW

A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, questiona a própria base da investigação. "O PIX não é uma prática comercial. O PIX é um sistema público de pagamentos não discriminatório", define.

Para De Bolle, a investigação só pode ser compreendida quando se consideram os interesses econômicos envolvidos. Grandes empresas americanas do setor de pagamentos vêm pressionando governos em diferentes partes do mundo diante do avanço de sistemas digitais criados ou apoiados por Estados.

"Essas plataformas acabam afetando os negócios dessas empresas. Desde a adoção do PIX, empresas como Visa e Mastercard têm reclamado muito, alegando que vão perder mercado", afirma.

Segundo a economista, o peso político dessas empresas ajuda a explicar por que o PIX foi incluído na investigação comercial dos Estados Unidos.

"Essas empresas têm um lobby muito forte. Como o governo Trump funciona muito com lobby, acabou aceitando as reclamações dessas empresas de cartão de crédito em relação ao PIX."

De Bolle considera que a posição brasileira é sólida do ponto de vista jurídico. "A chance de os Estados Unidos prevalecerem nessa investigação 301 é relativamente baixa. O Brasil tem como recorrer na OMC e provavelmente ganha essa causa porque, de novo, o PIX não é um instrumento de política comercial", afirma.

Apesar da acusação de concorrência desleal, a ampla adoção do PIX no Brasil teve como principal efeito a substituição do dinheiro em espécie, sem reduzir o uso de cartões. Em 2020, ano de lançamento do sistema, o volume movimentado com cartões no país foi de cerca de R$ 2 trilhões. Em 2025, esse total chegou a R$ 4,5 trilhões — um crescimento de aproximadamente 125%, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

A cientista política Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM e coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos, acrescenta que empresas de tecnologia como Meta, Apple e Google também têm interesse direto na evolução do mercado brasileiro de pagamentos digitais e exercem influência significativa sobre o atual governo americano.

O PIX foi criado com o objetivo de ampliar a inclusão financeira, aumentar a concorrência no sistema bancário e modernizar a infraestrutura de pagamentos do país. Em 2018, o Banco Central convidou o setor privado a desenvolver uma plataforma nacional de pagamentos instantâneos.

Como a iniciativa não avançou, a autoridade monetária decidiu assumir o projeto e desenvolver o PIX com sua própria equipe técnica.

Lançado em novembro de 2020, o sistema já soma mais de 175 milhões de usuários cadastrados, dos quais cerca de 160 milhões são pessoas físicas. Hoje, é utilizado por aproximadamente 93% da população adulta do país e responde por quase metade de todas as transações financeiras realizadas no Brasil.

Segundo estudo da ACI Worldwide e do Centre for Economics and Business Research (CEBR), o PIX pode adicionar cerca de R$ 280 bilhões à economia brasileira até 2028.

"O PIX não foi criado para substituir Visa e Mastercard. Ele foi criado para promover inclusão financeira, tecnologia e inovação", afirma o alemão Ralf Germer, fundador e CEO da fintech PagBrasil. "O Brasil é claramente uma referência mundial. Não foi o primeiro país a criar um sistema desse tipo, mas foi provavelmente o mais bem-sucedido e se tornou um exemplo para outros países."

Germer atribui o sucesso da iniciativa a uma trajetória mais longa de digitalização do sistema financeiro brasileiro. Quando esteve no país pela primeira vez, em 1986, ficou surpreso ao conseguir tirar um extrato de sua conta em qualquer agência bancária.

"Na Alemanha, ainda não era possível. Eu só conseguia fazer isso na minha própria agência. Isso mostra que o Brasil sempre foi muito avançado nessa área", recorda.

A Índia desenvolveu o Unified Payments Interface (UPI), hoje o maior sistema de pagamentos instantâneos do mundo — Foto: Indranil Aditya/NurPhoto/picture alliance via DW

Ao comentar a investigação nos Estados Unidos, o executivo questiona a acusação de concorrência desleal e destaca que o PIX é uma infraestrutura de pagamentos.

"Talvez possamos compará-lo à malha rodoviária de um país. A rede de estradas é, em grande parte, operada pelo Estado. Algumas estradas são construídas pelo próprio Estado, outras pela iniciativa privada. Mas as regras — por onde passam as estradas, quais são as normas de trânsito — são definidas pelo Estado."

"E há um ponto muito importante: o PIX é uma infraestrutura aberta. Todas as empresas que atuam no Brasil podem participar: comerciantes, bancos e também os operadores americanos de cartões, que de fato participam do sistema", destaca.

O Brasil não está sozinho na busca por maior autonomia. A Índia desenvolveu o Unified Payments Interface (UPI), hoje o maior sistema de pagamentos instantâneos do mundo, enquanto a China consolidou plataformas próprias como Alipay e WeChat Pay. O desafio agora é integrar esses sistemas. Iniciativas como o BRICS Pay e acordos bilaterais procuram facilitar pagamentos internacionais, e brasileiros já conseguem usar o PIX para pagar compras em países como a Argentina.

O uso crescente de instrumentos financeiros como forma de pressão geopolítica nos últimos anos tem levado governos e bancos centrais a intensificar o debate sobre como reduzir a dependência de infraestruturas financeiras controladas por terceiros.

A economista Carla Beni, da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta a exclusão de bancos russos do sistema Swift após a invasão da Ucrânia como um marco dessa transformação.

"O mundo de hoje não é mais o do pós-guerra. Tornou-se uma necessidade importante não deixar uma infraestrutura de pagamentos nas mãos de uma empresa estrangeira ou de outro governo", afirma.

O debate ganhou força especialmente na Europa. Em discurso recente, o presidente do Banco Central alemão (Bundesbank), Joachim Nagel, classificou o euro digital como uma questão de "autonomia estratégica" para o continente. Ao mesmo tempo, instituições financeiras europeias desenvolvem o Wero, uma iniciativa criada para oferecer uma alternativa regional às redes internacionais de pagamento.

Defensores desses projetos afirmam que a Europa ainda depende excessivamente de empresas estrangeiras para processar pagamentos eletrônicos. Assim como ocorreu no Brasil com o PIX, a discussão envolve a capacidade de manter sob controle local infraestruturas consideradas estratégicas para a economia digital.

Para Guimarães, a forma como Washington vai lidar com o caso brasileiro será observada atentamente por outros países.

"Se eles conseguirem quebrar o Brasil ou reverter o PIX, estarão mandando um sinal para o mundo. Qualquer país que queira buscar soberania digital nos mesmos termos saberá que terá problemas."

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Chevrolet Sonic, Volkswagen Tera ou Fiat Pulse? O g1 mostra o perfil de cliente para cada SUV

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/06/2026 04:45

Carros Chevrolet Sonic, Volkswagen Tera ou Fiat Pulse? O g1 mostra o perfil de cliente para cada SUV Modelos têm motor 1.0 turbo e brigam na faixa de preço dos R$ 135 mil. Comparativo analisa lista de equipamentos de série, preços de revisões, consumo e desempenho. Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

O g1 mostrou em primeira mão o primeiro teste do Chevrolet Sonic. Agora, chegou a hora de colocar o SUV frente a frente com os principais concorrentes: Fiat Pulse e Volkswagen Tera. Os três custam cerca de R$ 135 mil e são equipados com motor 1.0 turbo e câmbio automático.

Antes do lançamento, a expectativa era de que o Sonic competisse com o Volkswagen Nivus. Porém, o preço e as dimensões do modelo o colocaram em disputa direta com o Volkswagen Tera, líder de vendas do segmento, e com o Fiat Pulse.

Mas qual dos três oferece o melhor pacote de equipamentos? Qual é o mais econômico? Qual tem a manutenção mais cara? E para qual perfil de consumidor cada modelo faz mais sentido?

Ao anunciar o Sonic, a Chevrolet fez estardalhaço em torno do preço. A versão de entrada Premier foi lançada por R$ 129.990, mas com um asterisco ao lado. Desde o primeiro dia nas lojas e no site, o SUV tinha preço de tabela de R$ 134.990.

Quem ia até o showroom era informado pelos vendedores de que o preço promocional era “por tempo limitado”. A reportagem do g1 ouviu de uma das vendedoras que o valor mais baixo seria “limitado a 3.000 unidades”. Porém, até a conclusão desta reportagem, a promoção continuava.

Um banner no site também traz, de forma clara desde o lançamento, o preço de R$ 129.990 em condições especiais de compra. A entrada deve ser de 70%, com mais 12 parcelas, ou de 50%, com mais 36 parcelas. Ambas as condições estão sujeitas à análise de crédito da GM Financial.

Portanto, para este comparativo, o g1 considerou os preços de tabela informados pelas montadoras, sem promoções. Assim, Pulse e Tera ficam bem próximos do lançamento da Chevrolet.

O Volkswagen é o mais barato, mas faltam equipamentos que os rivais oferecem de série. É preciso desembolsar mais de R$ 1.400 para incluir ar-condicionado automático e carregador por indução no Tera.

O consumo de combustível na cidade é melhor no Fiat Pulse, que também é o mais potente e tem a melhor aceleração de 0 a 100 km/h. É, portanto, o SUV compacto ideal para o cliente que gosta de mais fôlego e não quer gastar mais na bomba de combustível.

Por falar em gastos, o g1 também levantou os custos das revisões até 50 mil km. Esse dado é importante, pois mostra quanto o consumidor precisa desembolsar nas revisões programadas e, por consequência, o custo para manter as garantias estendidas.

Vale notar que o Chevrolet oferece cinco anos de cobertura, enquanto Fiat e Volkswagen têm três anos de garantia.

O campeão de vendas Tera tem os preços de revisão mais salgados. Ao chegar à marca de cinco anos ou 50 mil km rodados (o que acontecer primeiro), o proprietário do Volkswagen desembolsa R$ 1.482 a mais que o dono do Sonic.

A Fiat não permite consultar o programa de revisão completo do Pulse Hybrid em seu site. Apenas consta a informação de que as três primeiras revisões do modelo, somadas, saem por R$ 2.537. O g1 entrou em contato com a montadora para ter acesso às informações.

Como já foi citado, o Tera não tem ar-condicionado automático nem carregador de celular por indução de série. É preciso desembolsar R$ 1.490 pelo “Pacote Conforto” para ter os dois itens no Volkswagen.

Sonic e Pulse têm esses equipamentos de série e contam com bancos em couro sintético, farol alto automático, sensor crepuscular e alerta de saída de faixa.

O Fiat poderia evoluir no cluster de instrumentos. Os concorrentes têm telas de 8 polegadas, enquanto o Pulse utiliza instrumentos tradicionais com uma tela de apenas 3,5 polegadas no centro.

Já o Tera é o único com controle adaptativo da velocidade de cruzeiro com distância e alerta de fadiga. O Fiat Pulse tem menos airbags, não conta com ajuste de profundidade para o volante e não oferece assistente de permanência em faixa. O Sonic é o único com alerta de ponto cego.

O comportamento do consumidor brasileiro deu origem ao segmento dos SUVs compactos. As montadoras perceberam que o cliente queria pagar pouco por um carro mais altinho e com aspecto de utilitário esportivo. Não queria motor beberrão nem tração 4×4.

É como se as fábricas pegassem um hatch da linha de produção e trocassem alguns elementos para lhe dar a etiqueta de SUV.

Dessa estratégia nasceram Renault Kardian, Citroën C3 Aircross, Peugeot 2008, Nissan Kicks, Hyundai Creta, VW T-Cross, Fiat Pulse, Chevrolet Tracker e tantos outros. Todos derivados de plataformas modulares de compactos.

Por incrível que pareça, essa estratégia tem um lado positivo. Esses modelos altinhos conseguem herdar, na maioria das vezes, o comportamento mais urbano de seus “irmãos” compactos.

No caso do Tera, a sensação ao dirigir é muito parecida com a do Polo e a do Nivus. Apesar da baixa potência, o Volkswagen agrada ao volante na hora de encarar uma estrada sinuosa.

O Fiat Pulse é o mais potente e tem o melhor desempenho, mesmo sendo o mais pesado do trio. Isso se reflete em uma experiência mais próxima da proposta de um SUV, muito pela altura extra e pelo acerto da suspensão.

O Sonic é o mais parecido com um hatch. A Chevrolet acertou a mão no modelo, que saiu bem calibrado e com os sistemas de assistência no tom certo. A posição de dirigir não é alta de maneira artificial. Se existir, no futuro, um Sonic RS com motor 1.2, o modelo certamente será mais divertido na estrada.

Em relação ao espaço interno, o Fiat leva vantagem pela altura e não faz feio mesmo com o entre-eixos mais curto. O Sonic e, principalmente, o Tera não acomodam tão bem os ocupantes mais altos.

Quando falamos de vida a bordo, nenhum desses carros comete falhas graves no quesito ergonomia. Existem, porém, pontos em que alguns modelos se destacam.

A multimídia MyLink e o fato de contar com ponto de Wi-Fi e sistema OnStar de série colocam o Chevrolet acima dos rivais em conectividade. Além disso, a lógica do sistema, a velocidade de resposta e até o visual escuro com ícones minimalistas facilitam o uso dentro do Sonic.

O cluster de instrumentos, grande e com formato quase quadrado, causa estranheza no começo, mas em poucos minutos já é possível se acostumar. O mais comum é encontrar um painel com formato mais horizontal, como no Tera.

O sistema multimídia, a lógica de funcionamento e a organização dos menus também agradam no VW. A marca já entendeu que, independentemente do preço do carro, todos os modelos devem oferecer conectividade e sistemas que funcionem de forma praticamente instantânea para o cliente.

A falha é que o carregador por indução não é de série. Como Android Auto e Apple CarPlay sem fio consomem bastante bateria, a necessidade de conectar o celular por cabo para recarregá-lo elimina boa parte da vantagem da conexão sem fio.

Para ter esse recurso, é preciso pagar R$ 1.490 a mais por um pacote que também inclui ar-condicionado automático. Ainda assim, a vida a bordo e a posição de dirigir são boas.

A Fiat escolheu uma estratégia diferente para o Pulse. A multimídia utilizada pela Stellantis e os demais sistemas também são bons, mas ficam um pouco atrás dos rivais neste comparativo.

O quadro de instrumentos, com formato clássico, oferece boa visualização. Ainda assim, é razoável que um cliente disposto a pagar esse valor, ao observar os concorrentes, espere que a Fiat também ofereça um cluster 100% TFT.

Pela lista de equipamentos, preço e design, o Sonic surge como uma novidade interessante no segmento. O modelo tem atributos para fazer sucesso se a Chevrolet mantiver o preço agressivo e introduzir novas versões de entrada. O cliente que busca novidade tem perfil para o Sonic.

O Pulse tem vantagem pelo consumo mais baixo, pelo desempenho e pelas proporções que o deixam “altinho”. O cliente que busca esses atributos em primeiro lugar tem perfil para o Fiat.

Já o Tera tem ao volante o DNA de condução da Volkswagen e alguns itens exclusivos, como controle adaptativo da velocidade de cruzeiro com distância e alerta de fadiga. Mas poderia ter manutenção mais barata. Os números de vendas mostram o sucesso do carro e indicam que seu público é formado por consumidores que valorizam a marca.

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Guia g1 #1: qual é o melhor momento para trocar de carro?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/06/2026 00:46

Podcasts Guia g1 Guia g1 #1: qual é o melhor momento para trocar de carro? Neste episódio, Rogério Galvão, do canal Único Dono, ensina como aproveitar períodos do ano — como fim de mês e troca de modelo — para fazer um bom negócio ao comprar um carro. Por Vinicius Montoia, g1 — São Paulo

O melhor momento para comprar um carro pode variar de acordo com o tipo de veículo, as condições do mercado e até mesmo o perfil do comprador.

No primeiro episódio da nova temporada do podcast Guia g1, o especialista em carros usados Rogério Galvão, explica que não existe uma “data mágica” para fazer o melhor negócio, mas sim janelas de oportunidade.

Segundo ele, início e fim de ano, fim de mês e períodos de troca de modelo costumam ser os momentos mais vantajosos para quem está em busca de um carro novo, seminovo ou usado.

O especialista também alerta para os cuidados com promoções sazonais, como as da Black Friday, e dá a dica: é essencial usar a razão e não a emoção na hora da compra: pensar no orçamento, nas necessidades da família e nos custos de manutenção antes de se deixar levar pelo design ou pela empolgação do momento.

Podcasts são episódios de programas de áudio distribuídos pela internet e que podem ser apreciados em diversas plataformas — inclusive no g1, no ge.com e no gshow, de modo gratuito.

Geralmente, os podcasts costumam abordar um tema específico e de aprofundamento na tentativa de construir um público fiel.

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Próximo feriadão é só daqui a 3 meses; veja os feriados que ainda restam em 2026

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/06/2026 00:46

Trabalho e Carreira Próximo feriadão é só daqui a 3 meses; veja os feriados que ainda restam em 2026 Dos seis feriados restantes, cinco caem perto do fim de semana e podem ser emendados, ampliando os dias de descanso. Confira o calendário. Por Redação g1 — São Paulo

Após o Corpus Christi, que garantiu para alguns trabalhadores um descanso prolongado de até quatro dias, muita gente já começou a olhar para os próximos feriados de 2026.

Ao todo, o calendário terá 10 feriados nacionais, sendo que nove cairão em dias úteis — cenário considerado favorável para quem pretende planejar folgas prolongadas ao longo do ano.

O próximo feriado nacional será o 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, que neste ano cairá em uma segunda-feira e poderá render um novo “feriadão”.

Na sequência, o Dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, também cairá em uma segunda-feira e poderá prolongar o descanso para quem não trabalha aos fins de semana.

Após o Corpus Christi, celebrado na última quinta-feira (4) e que garantiu, para alguns trabalhadores, um descanso prolongado de até quatro dias, muita gente já começou a olhar para o próximo feriadão.

Ao todo, ainda restam seis feriados nacionais em 2026 — e cinco deles podem ser emendados, prolongando os dias de descanso.

O próximo feriado nacional, porém, só acontecerá daqui a três meses: o 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, que neste ano cai em uma segunda-feira e pode render folga prolongada para quem não trabalha aos fins de semana.

Vale lembrar que, mesmo nos feriados nacionais, nem todos os trabalhadores são dispensados. A legislação permite o funcionamento de atividades consideradas essenciais.

⚠️ Nesses casos, quem trabalhar na data tem direitos garantidos, como remuneração em dobro ou folga compensatória.

Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano.

Depois do 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, o próximo feriado nacional será 12 de outubro, quando é celebrado o Dia de Nossa Senhora Aparecida.

A data também cairá em uma segunda-feira e poderá render um descanso prolongado para quem não trabalha aos fins de semana.

7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira)12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira)2 de novembro, Finados (segunda-feira)15 de novembro, Proclamação da República (domingo)20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira)25 de dezembro, Natal (sexta-feira)

28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira)24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira)31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira)

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Trabalhadores rurais do oeste paulista ganham área de vivência com energia solar

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/06/2026 08:45

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Trabalhadores rurais do oeste paulista ganham área de vivência com energia solar Região é destaque na produção de gramados usados em estádios, centros de treinamento, clubes e escolas. Em uma das fazendas, vendas cresceram mais de 50% nas últimas semanas. Por Nosso Campo, TV TEM

Trabalhadores rurais de Sandovalina, no oeste paulista, ganharam uma área de vivência móvel equipada com energia solar para descanso e higiene durante o cultivo de cana-de-açúcar.

O espaço atende mais de 900 funcionários de uma usina sucroenergética desde 2023, facilitando banhos, trocas de roupas e alimentação nos 3 turnos de trabalho.

A estrutura móvel conta com 8 painéis solares, sendo 6 para gerar eletricidade e 2 para aquecer a água dos banheiros e do refeitório de forma econômica.

A procura por essas acomodações cresce mensalmente e já se expande para outros setores do agronegócio, como as lavouras de soja, amendoim e laranja.

Estrutura móvel com energia solar oferece banho, alimentação e descanso para trabalhadores rurais em usina de Sandovalina (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução

Em Sandovalina (SP), município localizado na região de Presidente Prudente, trabalhadores rurais têm acesso à área de lazer móvel durante os três turnos de trabalho no cultivo de cana-de-açúcar. O espaço conta com armários, banheiros e chuveiros aquecidos que recebem energia de placas fotovoltaicas.

Ivanez Muniz Ribeiro, auxiliar agrícola, relata como o espaço ajuda na rotina do campo, facilitando a hora de tomar banho, trocar roupas contaminadas de defensivos agrícolas, se alimentar e descansar após longos períodos debaixo do sol . A usina do setor sucroenergético conta com mais de 900 funcionários, que possuem esse espaço desde 2023.

Para Marcelo Pondé, coordenador de saúde e segurança do trabalho, o objetivo é estender o bem-estar das zonas industriais para a zona rural, proporcionando um ambiente mais seguro e produtivo.

A estrutura móvel possui oito painéis solares: seis são responsáveis pela produção de energia elétrica e dois pelo aquecimento da água dos banheiros e do refeitório. O diretor de vendas Fernando Juliano explica que os painéis oferecem um custo-benefício melhor em comparação ao uso de baterias, que precisariam ser trocadas diariamente para garantir o fornecimento nos três turnos.

A procura por essas acomodações tem crescido de forma mensal e já se expande para outras áreas do agronegócio, como as lavouras de amendoim, soja e laranja. Segundo o setor, isso demonstra um investimento crescente em qualidade de vida e modernização para os colaboradores do campo.

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Como drones e máquinas mudam rotina e dão mais qualidade de vida para produtores rurais no ES

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/06/2026 07:06

Espírito Santo Agronegócios Como drones e máquinas mudam rotina e dão mais qualidade de vida para produtores rurais no ES Tecnologia facilita o trabalho na colheita, reduz os danos à saúde e ajuda a manter viva as histórias das famílias capixabas, incentivando a permanência no campo e a sucessão familiar. Por Enzo Teixeira, g1 ES e TV Gazeta

Principalmente para os produtores rurais mais velhos, a tecnologia é uma aliada para seguir na atividade com menos esforço, mais segurança e qualidade de vida.

Adotar a tecnologia que facilita o trabalho na colheita e reduz os danos à saúde é uma maneira, também, de manter viva as histórias das famílias capixabas.

Com drones, é possível realizar a aplicação de produtos defensivos sem que o produtor carregue peso ou se exponha a produtos químicos.

O uso de máquinas e drones tem transformado a rotina no campo no Espírito Santo. Principalmente para os produtores rurais mais velhos, a tecnologia é uma aliada para seguir na atividade com menos esforço, mais segurança e qualidade de vida.

Na propriedade do cafeicultor Antônio Carlos Soares, de 69 anos, em Vila Valério, Noroeste do estado, a mecanização chegou por desejo próprio. Para que ele pudesse seguir no campo, era necessário diminuir o esforço físico.

“Incentiva o produtor a ficar no campo e a trabalhar até com mais idade, porque fica mais fácil de fazer as coisas. Antigamente, você carregava o café nas costas. Hoje, por exemplo, tem máquina que colhe (o café), que joga em cima do caminhão. Você não pega mais os saquinhos de café para jogar em cima.”

Para o produtor capixaba, adotar a tecnologia que facilita o trabalho na colheita e reduz os danos à saúde é uma maneira, também, de manter viva a história da família. Antônio Carlos começou na propriedade aos 8 anos de idade, acompanhando o pai dele.

“O café sempre foi a base da vida da família. Eu fui acompanhando meu pai, ajudando ele a trabalhar desde criança. Comecei trabalhando, naquela época, de 8 para 9 anos”, lembra ele.

Drones auxiliam na pulverização de defensores nas lavouras do Espírito Santo. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Com o tempo, o cafeicultor formou a própria lavoura. Hoje, são aproximadamente 60 mil pés de café e alguns drones para realizar a aplicação de produtos defensivos sem que o produtor carregue peso ou se exponha a produtos químicos.

“Antes era preciso usar a bombinha costal. Hoje, praticamente usamos muito pouco ela”, afirma o produtor.

Segundo o engenheiro agrônomo Perseu Fernando Perdona, da cooperativa Cooabriel, além do risco biológico dos defensores utilizados nas lavouras, há a questão da saúde ergonômica, que era prejudicada com o uso de equipamento costal.

“A questão da saúde ergonômica também melhora quando não precisa colocar costal. Evita de ficar carregando peso e também ganha tempo; otimiza o tempo do produtor para que ele possa fazer outras atividades.”

Para Octávio Ribeiro, supervisor de vendas da Cooabriel, a tecnologia no campo também tem outros impactos. Um deles é o fortalecimento da sucessão familiar nas propriedades rurais.

“A tecnologia vem muito para somar de forma positiva para que os jovens interajam mais no campo e se interessem mais por tocar a atividade do pai, do avô, ao que está em família”, afirma ele.

Maquinário facilita trabalho de produtores rurais no Espírito Santo. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Além do serviço de pulverização com drones, a Cooabriel também oferece acompanhamento técnico aos produtores. Profissionais como engenheiros agrônomos e especialistas em agropecuária realizam o monitoramento da lavoura.

“A gente analisa o vigor, a taxa de crescimento da lavoura, a infestação de alguma praga, alguma doença, a necessidade de algum corretivo de solo, qual fertilizante utilizar, quando utilizar, como utilizar”, explica Octávio Ribeiro.

A orientação também inclui o uso seguro dos equipamentos e a busca por mais produtividade, sem deixar de lado o conhecimento de quem passou a vida na lavoura.

Segundo o supervisor de vendas, qualquer ferramenta que o produtor tenha dentro da propriedade que venha a auxiliar o trabalho no campo é uma forma de tecnologia embarcada à propriedade.

“Então, desde o preparo do solo, a produção, colher e vender de maneira mais rápida e eficiente, são tecnologias que ajudam o produtor.”

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Após tragédias recentes, novo El Niño testa preparo do Brasil para eventos extremos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/06/2026 03:54

Agro Após tragédias recentes, novo El Niño testa preparo do Brasil para eventos extremos Órgãos públicos ampliam monitoramento e articulam ações, mas ainda carecem de planejamento contínuo e investimentos estruturais. Por Deutsche Welle

Chuva extrema no Rio Grande do Sul em 2024, provocada por sobreposição de eventos climáticos, incluindo El Niño — Foto: Renan Mattos/REUTERS via DW

Um novo episódio de El Niño já dá sinais no Pacífico e pode trazer mais chuvas ao Sul e seca ao Norte e Nordeste. Ainda há dúvidas sobre a intensidade do fenômeno, em meio à falta de preparo e adaptação no país. Do alto, satélites e radares acompanham a massa de água mais quente que se desloca pelo Oceano Pacífico em direção à costa da América do Sul.

Esse monitoramento, reforçado por boias no mar, indica um padrão já conhecido pelos pesquisadores: mais um El Niño está em formação. A principal incerteza agora é sobre sua intensidade.

"O termo 'super El Niño' não é exatamente adequado", afirma Tércio Ambrizzi, professor de ciências atmosféricas na Universidade de São Paulo (USP). "A tendência é que ele seja de moderado para forte", comenta sobre um certo consenso na comunidade científica.

O fenômeno costuma ser identificado quando a temperatura da superfície do Oceano Pacífico, na região equatorial, fica cerca de 0,5 °C acima do normal por um período prolongado, geralmente de pelo menos três meses. Desde fevereiro, as medições apontam essa elevação na região.

Os cientistas ainda aguardam a confirmação de onde ocorrerá o maior aquecimento no oceano. Esse fator será decisivo para definir como os impactos serão sentidos no Brasil.

"Comparando com outros do passado, é possível que os primeiros sinais desse El Niño devem aparecer no Sul do Brasil durante a primavera, com mais chuvas", afirma José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), há 90% de probabilidade de o El Niño ocorrer novamente este ano. Ele pode ter intensidade forte, o que tende a agravar tanto as secas quanto as chuvas intensas, além de aumentar o risco de ondas de calor em terra e no oceano.

"As condições do El Niño vão lançar mais lenha na fogueira de um mundo que está se aquecendo e seu impacto será ainda mais severo, chegará mais longe e cruzará fronteiras com uma velocidade devastadora", alertou o organismo científico das Nações Unidas na última terça-feira (02).

Entre o fim de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar na área do Pacífico usada como referência já se aproximava dos níveis típicos de El Niño. Esse cenário era reforçado por temperaturas abaixo da superfície mais de 6 ºC acima da média.

O possível surgimento de um El Niño de forte intensidade tem movimentado debates pelo país. No Congresso Nacional, sessões discutem se seus impactos podem prejudicar a população, a economia e o agronegócio.

A próxima safra de grãos, por exemplo, está estimada em 356 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 1,2% em relação à safra anterior.

À DW, a Defesa Civil da União, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, informou que acompanha diariamente as condições climáticas em articulação com estados, municípios e instituições como o Cemaden e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Condições geradas por El Niño podem facilitar as queimadas e impactar produções agrícolas — Foto: Michael Dantas/AFP via DW

"Ainda não há um prognóstico preciso sobre os impactos do fenômeno. Por isso, a atuação está focada no monitoramento constante e na preparação antecipada para que, caso haja previsão de situações mais críticas, os alertas e medidas necessárias sejam adotados em tempo oportuno", respondeu o órgão, por meio de nota.

Se o fenômeno se confirmar, espera-se um agravamento da seca durante o inverno e o início do verão em algumas regiões, como o Norte — especialmente na Amazônia — e parte do Nordeste. Essas condições podem favorecer queimadas e afetar a produção agrícola. No Sul, há previsão de aumento das chuvas.

"Cada El Niño tem sua própria impressão digital. Ele nunca é igual ao outro", afirma Ambrizzi. O episódio mais recente do El Niño ocorreu entre 2023 e 2024 e foi um dos cinco mais intensos registrados, o que influenciou a ocorrência de temperaturas globais recordes.

As periferias de Porto Alegre foram fortemente atingidas pelos eventos de 2024 — Foto: Gustavo Basso/DW

Ainda está recente a memória da destruição causada pelas chuvas extremas no Rio Grande do Sul, em 2024. Naquele ano, uma combinação de eventos climáticos, incluindo um El Niño intenso, provocou a pior inundação da história do estado.

"Os governos e autoridades em geral parecem mais preocupados. Mas só isso não é suficiente. Mesmo que o El Niño não seja intenso, a atmosfera já está mais quente, já existe o aquecimento global, o que já deveria estar provocando mudanças de forma mais sistemática", pontua Marengo.

Nas comunidades mais vulneráveis, há a percepção de que faltaram investimentos públicos para adaptação e enfrentamento de chuvas ou secas extremas intensificadas pelo El Niño.

"As periferias das cidades já sofrem com impactos acumulados por vários desastres. Não temos quase nada pronto para adaptar nossas comunidades a esse cenário", afirma Thaynah Gutierrez, secretária executiva da Rede por Adaptação Antirracista, citando as periferias de Porto Alegre, fortemente atingida pelos eventos de 2024.

Para especialistas em gestão de riscos, a preparação para eventos climáticos extremos não deveria depender da confirmação de um fenômeno específico. Ela deveria fazer parte de uma agenda contínua de planejamento.

Embora tenha havido avanços na conscientização em órgãos públicos, no setor privado e na sociedade civil, o debate ainda costuma se concentrar no que exatamente vai acontecer: se haverá seca, chuvas intensas ou enchentes.

"Mais do que reagir a cada novo alerta, independentemente da ocorrência de um evento específico, os territórios devem estar preparados. O foco precisa estar na resiliência das cidades, da infraestrutura e dos sistemas produtivos", sugere Victor Marchezini, sociólogo no Cemaden e coordenador do Projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Outro desafio está na comunicação de risco. Com a multiplicação de análises meteorológicas nas redes sociais — muitas vezes produzidas por consultorias privadas e influenciadores com diferentes interesses — a população fica exposta a informações desencontradas.

"Esse excesso de mensagens pode gerar dúvidas sobre quais previsões são mais confiáveis e quais medidas concretas devem ser adotadas", critica o sociólogo.

Formada em administração pública, Gutierrez acompanha o alarmismo gerado pelas previsões, mas afirma que a maioria da população não acessa esse tipo de conteúdo — exceto por meio de vídeos que viralizam na internet.

"No geral, faltam aos governos e instituições um conhecimento situado de quais são os territórios mais vulneráveis. Nós queremos falar sobre isso de forma responsável e cobrar governos para que priorizem esses territórios na preparaçao", argumenta.

A responsabilidade de cobrar investimentos e prestar contas precisa fazer parte de todas as esferas de governo, assim como o planejamento, complementa Marchezini.

"Isso permitiria, por exemplo, a realização antecipada de licitações e contratos para resposta a desastres, reduzindo a necessidade de medidas emergenciais e de gastos extraordinários quando as crises já estiverem em curso", comenta.

Diante das previsões, Santa Catarina, por exemplo, decretou estado de alerta climático, válido até novembro. Ao mesmo tempo, o governo estadual praticamente paralisou os investimentos em prevenção de desastres, segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento e Gestão Fiscal (Sigef-SC), divulgados pela Assembleia Legislativa do estado.

Em 2025, apenas 15,4% dos recursos previstos no orçamento da Secretaria de Proteção e Defesa Civil foram executados. O volume destinado à construção, ampliação e reforma de barragens foi ainda menor: apenas 0,66% do total foi empenhado.

"Vale lembrar que estamos em ano de eleições. Não podemos continuar elegendo esses políticos que vão usar os recursos que deveriam ir para o preparo e adaptação aos eventos extremos para desvios", comenta Gutierrez.

Iniciativa é uma medida para aumentar a transparência e o controle sobre os rendimentos da magistratura.

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