RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Opep+ deve aumentar produção de petróleo pela quarta vez seguida, mesmo com guerra entre EUA e Irã

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 14:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0890,73%Dólar TurismoR$ 5,2880,54%Euro ComercialR$ 5,7880,41%Euro TurismoR$ 6,0270,2%B3Ibovespa176.520 pts-0,58%MoedasDólar ComercialR$ 5,0890,73%Dólar TurismoR$ 5,2880,54%Euro ComercialR$ 5,7880,41%Euro TurismoR$ 6,0270,2%B3Ibovespa176.520 pts-0,58%MoedasDólar ComercialR$ 5,0890,73%Dólar TurismoR$ 5,2880,54%Euro ComercialR$ 5,7880,41%Euro TurismoR$ 6,0270,2%B3Ibovespa176.520 pts-0,58%Oferecido por

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) deve aprovar um novo aumento nas metas de produção de petróleo para setembro durante a reunião marcada para 2 de agosto, segundo três fontes ouvidas pela Reuters nesta quarta-feira (23).

A decisão, porém, ocorre em meio a um cenário de tensão geopolítica, já que a guerra dos Estados Unidos contra o Irã voltou a dificultar o aumento da produção por alguns integrantes do grupo.

De acordo com as fontes, sete dos principais membros da Opep+ – Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã – devem elevar a meta conjunta de produção em cerca de 188 mil barris por dia a partir de setembro. O volume é o mesmo aprovado para os meses de junho, julho e agosto.

Preço do petróleo dispara após Opep anunciar corte de mais de 1 milhão de barris por dia — Foto: JN

A Opep e as autoridades russas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. As fontes falaram sob condição de anonimato e ressaltaram que nenhuma decisão final foi tomada até o momento.

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Imposto de Renda 2026: Receita abre consultas ao 3º lote de restituição nesta sexta-feira

Fonte: G1 Imposto de Renda | Publicado em: 23/07/2026 14:51

Economia Imposto de renda Imposto de Renda 2026: Receita abre consultas ao 3º lote de restituição nesta sexta-feira Com mais de 2,7 milhões de contribuintes contemplados no lote, a Receita Federal pagará R$ 4,61 bilhões em restituições no final deste mês. Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

A Receita Federal abre a consulta ao 3º lote de restituição do IRPF 2026 nesta sexta-feira (24). O pagamento de R$ 4,61 bilhões ocorre em 31 de julho.

Este lote vai beneficiar 2,74 milhões de contribuintes, a maioria sem enquadramento em categorias prioritárias.

A consulta pode ser feita no site da Receita Federal, acessando 'Meu Imposto de Renda'. O aplicativo para celulares e tablets também disponibiliza o serviço.

Se houver erro nos dados bancários, o contribuinte pode reagendar o pagamento pelo Banco do Brasil por até 1 ano. Pendências podem ser corrigidas no portal e-CAC.

A Receita Federal libera, a partir das 9h desta sexta-feira (24), as consultas ao terceiro lote de restituições do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026.

Serão pagos R$ 4,61 bilhões a 2,74 milhões de contribuintes. O valores serão depositados em 31 de julho. (veja aqui como consultar).

839.464 restituições para contribuintes prioridade em razão da utilização da declaração pré-preenchida e/ou da opção de recebimento via PIX;507.262 restituições serão pagas a contribuintes enquadrados em diferentes critérios de prioridade;1.396.474 restituições referem-se a contribuintes sem enquadramento em categorias prioritárias.

Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos:

O contribuinte pode verificar se vai receber neste lote por meio da página da Receita na internet. Basta clicar na opção "Meu Imposto de Renda" e, em seguida, em "Consultar a Restituição".

A página oferece orientações e os canais de prestação do serviço, permitindo uma consulta simplificada ou completa da situação da declaração, por meio do extrato de processamento, acessado no e-CAC. Caso identifique alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações.

A Receita Federal disponibiliza, também, aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF.

Em nota oficial, o Fisco afirma que "assume o compromisso de realizar pagamento de restituições apenas em conta bancária de titularidade do contribuinte". Assim, vale destacar que as rotinas de segurança da Receita impedem o pagamento caso ocorra erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta de destino.

"Para não haver prejuízo ao contribuinte, a Receita oferece o serviço de reagendamento disponibilizado pelo Banco do Brasil pelo prazo de até um ano da primeira tentativa de crédito. Assim, o contribuinte poderá corrigir os dados bancários para uma conta de sua titularidade", afirma a nota.

Neste caso, o cidadão poderá reagendar o crédito dos valores pelo Portal BB, ou ligando para a Central de Relacionamento BB por meio dos telefones:

4004-0001 (capitais)0800-729-0001 (demais localidades)0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos)

Ao utilizar esse serviço o contribuinte deve informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração. Depois, é só aguardar a nova tentativa de crédito. Caso o contribuinte não resgate sua restituição dentro do prazo, precisará fazer um requerimento pelo Portal e-CAC.

Ao realizar a consulta, o contribuinte também poderá saber se há alguma pendência em sua declaração que impeça o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada "malha fina".

Para saber a situação de sua declaração do IR, o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet.

Acesso se dá mediante o uso da conta gov.br, nos níveis prata ou ouro.Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos".Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026.

No caso de haver pendência, isso quer dizer que a declaração caiu na malha fina do leão, ou seja, foi retida por conta de divergências de dados com aqueles que o Fisco possui sobre o contribuinte.

Nesse caso, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços).

Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema.

No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina.No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.

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Biquíni, 80 anos: como traje batizado por causa de bomba nuclear se tornou símbolo de brasilidade

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 13:51

Pop & Arte Biquíni, 80 anos: como traje batizado por causa de bomba nuclear se tornou símbolo de brasilidade Quando surgiu, o biquíni "não era apenas um novo traje de banho. Era uma provocação aos costumes, aos códigos de moralidade e à forma como o corpo feminino era regulado socialmente", diz especialista. E, no Brasil, ele encontrou o seu campo mais fértil. Por BBC

Biquíni, 80 anos: como traje batizado por causa de bomba nuclear se tornou símbolo de brasilidade — Foto: Getty Images

Pensando apenas na sua criação e na sua consolidação inicial podemos citar a França, onde nasceu; as Ilhas Marshall, de onde pegou emprestado o nome; os Estados Unidos, cuja cultura pop o disseminou; o Brasil — país que acabou virando o habitat natural para a peça, principalmente graças às praias e à imagem do Rio de Janeiro e a Alemanha, onde nasceu a mulher pioneira na introdução da peça de vestuário no Brasil.

A sacada foi de um engenheiro mecânico francês de 50 anos que acabava de fazer uma inusitada mudança de carreira — deixava o ramo automobilístico para assumir a empresa de lingeries da mãe.

Trata-se de Louis Réard (1896-1984). Em julho de 1946, ele lançou um item que seria revolucionário para a moda mundial: uma roupa de praia feminina em duas peças, mais parecido com uma calcinha e um sutiã do que com os recatados maiôs que se usavam na época.

"No lançamento, ele foi apresentado como o menor maiô do mundo", conta a designer de moda e historiadora Simone Ferreira de Albuquerque, professora na Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Embora trajes de banho de duas peças já existissem, Réard reduziu ainda mais a quantidade de tecido, deixando o umbigo à mostra pela primeira vez.

Catorze anos antes do lançamento, o estilista francês Jacques Heim (1899-1967) havia tentado emplacar um maiô de duas peças semelhante, que ele chamou de átomo, em alusão às dimensões diminutas, mas não teve aderência nas clientes, resistentes a exibir as barriguinhas e os umbigos em público.

Autora do livro Marketing de Luxo Contemporâneo e professora de moda na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a consultora Maya Mattiazzo também conta que existem registros semelhantes desde a Antiguidade, com mulheres "usando peças semelhantes a um top e uma calcinha", só que diferentes dos biquínis modernos.

Mas foi mesmo o modelo de Réard que conseguiu "romper com os padrões morais da época", explica a jornalista especializada em moda Andreia Meneguete, professora e coordenadora acadêmica do hub de moda da ESPM.

Louis Réard era um engenheiro mecânico francês que deixou o ramo automobilístico para assumir a empresa de lingeries da mãe — Foto: Getty Images

E, se as notícias da época eram sobre testes nucleares que os Estados Unidos faziam no Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall — em pleno Oceano Pacífico —, Réard decidiu que a invenção, bombástica que era, assumiria o mesmo nome.

Nenhuma modelo profissional topou trajar a novidade e aparecer seminua em público. Réard contratou então a dançarina Micheline Bernardini, que fazia shows eróticos no Casino de Paris, na França, e tinha de 18 para 19 anos.

Ela entraria para a história após se exibir vestindo o biquíni criado por Réard na piscina pública parisiense Molitor.

Micheline Bernardini entrou para a história ao se exibir vestindo o biquíni criado por Réard — Foto: Getty Images

"O biquíni já nasceu carregando um discurso de ruptura", comenta a professora Meneguete, da ESPM.

"Não era apenas um novo traje de banho. Era uma provocação aos costumes, aos códigos de moralidade e à forma como o corpo feminino era regulado socialmente."

A nova peça foi logo considerada escandalosa por setores religiosos, autoridades públicas e parte da imprensa.

"Em diversos países europeus, seu uso foi restringido ou proibido em praias públicas, e durante vários anos ele permaneceu associado à ousadia e à transgressão", explica Nadja Pimentel, educadora e técnica do ateliê do núcleo de moda da Universidade Anhembi Morumbi.

Até o papa se incomodou. Em 1951, a modelo sueca Kerstin Håkansson (1929-2024) venceu o concurso Miss Mundo, em sua primeira edição. Ela foi coroada trajando o minúsculo traje de banho.

O sumo pontífice da época, Pio 12 (1876-1958), condenou: chamou o biquíni de "pecaminoso" e contrário aos padrões cristãos de modéstia.

Há também registros de policiais multando moças que trajavam biquínis em praias italianas até o fim dos anos 1950.

Apesar da resistência, Réard conseguiu causar um estrondo na moda, impulsionado pelo marketing e por um contexto revolucionário favorável no pós-Segunda Guerra.

Nos anos 1950, atrizes como Brigitte Bardot (1935-2025) passaram a ser vistas e fotografadas de biquíni em praias da Riviera Francesa.

A atriz marcou a história do cinema ao aparecer de biquíni no filme E Deus Criou a Mulher, produção de 1956 que sofreu com a censura em diversos países. A atriz suíça Ursula Andress, com seu biquíni branco no filme 007 Contra o Satânico Dr. No, de 1962, é outro ponto importante dessa história

"Na década de 1960, com a revolução sexual, o cinema e a cultura pop, o biquíni deixou de ser visto apenas como escândalo para se tornar símbolo de liberdade", diz Meneguete.

Pio 12 chamou biquíni usado pela modelo sueca Kerstin Håkansson — a primeira Miss Mundo — de "pecaminoso" — Foto: Getty Images

Quando chegou ao Brasil, o biquíni encontrou nas praias locais o terreno mais adequado para fincar raízes e logo tornou-se símbolo nacional.

A partir das décadas de 1950 e 1960, atrizes, vedetes dos teatros de revista, modelos e musas das praias cariocas ajudaram a popularizar a peça, explica o historiador Marcos Valer.

Entre elas, estavam atrizes como Carmem Verônica e Angelita Martinez (1931-1980), que causavam furor e disputavam as atenções nas areias de Copacabana ao aparecerem de biquíni.

"Frequentemente fotografadas nas praias de Copacabana, elas deram grande visibilidade ao biquíni e contribuíram para sua popularização entre as brasileiras. A partir daí o traje deixou de ser uma curiosidade isolada para se tornar um elemento cada vez mais presente na cultura de praia do país", afirma a designer de moda Nadja Pimentel.

Outra que popularizou a peça foi a modelo Marta Rocha (1932-2020), que usou um traje em duas peças durante o certame que a elegeria Miss Brasil em 1954.

Também não podemos não mencionar pioneiras famosas como a atriz Leila Diniz (1945-1972), que desafiou o moralismo ao aparecer grávida na praia de biquíni, e a ex-modelo e empresária Helô Pinheiro, eternizada como a "garota de Ipanema".

Alemã que se estabeleceu no Rio de Janeiro nos anos 1930 fugindo do nazismo, a estilista e pintora Erna Miriam Etz Kaufmann (1914-2010) costumava trajar um maiô em duas peças, maior que os biquínis, confeccionado por ela própria em seus banhos de mar no Arpoador antes mesmo da criação moderna de Réard.

A professora Simone de Albuquerque conta que ela adotou o traje porque sua mãe dizia que grávidas precisavam tomar sol no umbigo.

No livro O Biquíni Made In Brazil, a jornalista Lilian Pacce situa Kaufmann usando a peça concebida na França pela primeira vez no Rio em 1948.

A professora Meneguete explica que o biquíni também ressaltou a ideia brasileira de corpo menos rígida do que em outras culturas.

Em 1961, o então presidente Jânio Quadros (1917-1992) também engrossou o cerco moralista à peça na esteira de suas políticas conservadoras. Ele chegou a proibir o biquíni em espaços públicos e vetou seu uso em concursos de beleza.

"A proibição revela um paradoxo da época: enquanto o biquíni se popularizava nas praias e se tornava símbolo de modernidade e liberdade feminina, o Estado ainda tentava controlar a exposição do corpo e impor determinados padrões morais à sociedade", comenta o historiador Marcos Valer.

A historiadora Maíra Rosin, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que esse impacto inicial é decorrente também da transformação das praias enquanto espaço público. Até o início do século passado, banhar-se no mar não era visto como lazer, mas como atividade terapêutica.

"Quando se começou a ir a praia [como diversão] as pessoas vão de forma mais contida. Até os trajes masculinos eram mais fechados", lembra Rosin, que pesquisa o relação de mulheres com o espaço urbano .

"E aí essas duas peças do biquíni, lembrando uma roupa de baixo, uma lingerie, isso causou um furor enorme."

Até a chegada do biquíni, os maiôs dominavam as praias do Rio de Janeiro (a foto foi tirada em 1946) — Foto: Acervo Rafael Cosme

Mas se significou um afronta das mulheres contra conservadores, o biquíni também trava, desde o início, uma batalha entre liberdade e sexualização do corpo feminino, segundo especialistas.

Do lado da autonomia, Pimentel ressalta que, para muitas mulheres, "vestir um biquíni representa a liberdade de ocupar espaços públicos, exercer escolhas sobre o próprio corpo e expressar sua identidade sem que isso seja interpretado como um julgamento moral".

Por outro lado, "essa mesma imagem foi apropriada internacionalmente para construir um estereótipo da mulher brasileira excessivamente sensualizada. Em muitos momentos, o corpo feminino passou a representar uma espécie de cartão-postal do país, reduzindo a diversidade das mulheres brasileiras a uma única narrativa", completa Meneguete.

Maíra Rosin também vê o item, desde o início, no centro de uma narrativa entre autonomia e controle dos corpos femininos.

"O biquíni pode ser ao mesmo tempo libertador e problemático. Dá a ideia de que a mulher pode vestir o que ela quiser, claro. Mas também carrega em si o controle do corpo feminino", argumenta.

A especialista Andreia Meneguete diz que o Brasil não só adotou o biquíni como o reinventou — Foto: Getty Images

Mas a historiadora ressalta que o discurso contemporâneo permite hoje uma análise mais adequada sobre o papel da peça.

"O biquíni pode ser lido de várias formas, dependendo do contexto social e político. Hoje há muitas campanhas enfatizando que o seu corpo de praia é o seu próprio corpo. Podemos pensar dessa forma e não como o biquíni enquanto símbolo de mulher brasileira gostosa", explica.

Biquíni se tornou um ícone de brasilidade — tanto no país como no resto do mundo — Foto: Getty Images

A especialista Meneguete diz que o país não só adotou o biquíni como o reinventou. Sobretudo após os anos 1970, "com modelagens próprias, cortes menores e uma estética que influenciou o mundo".

"E, no mundo da moda, poucas peças conseguiram se manter relevantes por 80 anos", celebra a professora Mattiazzo.

A partir de um questionamento da BBC News Brasil, a professora definiu as principais fases que marcam a evolução do biquíni ao longo dessas oito décadas.

A época do "escândalo, principalmente por expor o umbigo feminino", e "um marco simbólico muito importante, já que o umbigo estava associado ao erótico".

A criação do biquíni foi "um escândalo, principalmente por expor o umbigo feminino", diz a professora Maya Mattiazzo — Foto: Getty Images

Era o biquíni das pin-ups, as estrelas de Hollywood com estética sensual que ajudaram a popularizar o item. "As modelagens eram grandes e cobriam boa parte dos quadris, valorizando uma silhueta bem feminina", contextualiza.

O biquíni evoluiu para representar melhor a mentalidade daquele tempo. É quando, lembra Mattiazzo, surgiram ideias mais ousadas ainda, como o monoquíni, idealizado pelo estilista austríaco Rudi Gernreich (1922-1985), que eliminava a parte de cima, deixando os seios à mostra. Também são desse período os modelos extremamente cavados conhecidos como "fio-dental".

Mattiazzo conta que a década ficou marcada pela "expressão por meio do corpo", com o Brasil se posicionando como um influenciador efetivo da moda-praia. "As laterais [do biquíni] diminuem, o bronzeado se torna parte da estética da praia e o Rio de Janeiro se consolida como palco dessa narrativa", diz.

Nesta década, inventaram o estilo chamado de "asa-delta". "Com as laterais super altas e modelagem bem cavada, o modelo cria um efeito visual de alongar a silhueta", explica. "Se espalhou pelo mundo e, algumas décadas depois, é visto nas passarelas internacionais."

Uma nova maneira de culto ao corpo. "Foi um período com estética mais minimalista dominando a moda, se contrapondo aos exageros da década anterior. Os biquínis ficaram mais simples. O corpo começava a ser visto como um projeto pessoal", esclarece a professora.

Começaram com o chamado "biquíni brasileiro" sendo encarado como uma categoria, o suprassumo do segmento, a referência global. E, pontua Mattiazzo, essas modelagens menores, com amarrações laterais e cortes mais cavados se tornaram item de exportação, valorizado em países europeus e nos Estados Unidos.

Temos a diversidade dos corpos [sendo destacada]", diz a especialista. "A sociedade debate temas como: inclusão, representatividade, diversidade de corpos e perfis de mulheres. O mercado começa a reconhecer que não existe apenas um corpo para usar biquíni. E entram em pauta assuntos como conforto", ressalta.

E agora? Para Mattiazzo, vivemos a era da liberdade e da consciência, com múltiplos cenários. "O resort, o esportivo, a valorização do artesanal, a variedade de tecidos… Fica mais difícil apontar uma estética que o defina", comenta.

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Governo deve prorrogar por mais dois meses subsídio à gasolina

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 13:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0830,63%Dólar TurismoR$ 5,2860,49%Euro ComercialR$ 5,7840,34%Euro TurismoR$ 6,0250,17%B3Ibovespa176.583 pts-0,54%MoedasDólar ComercialR$ 5,0830,63%Dólar TurismoR$ 5,2860,49%Euro ComercialR$ 5,7840,34%Euro TurismoR$ 6,0250,17%B3Ibovespa176.583 pts-0,54%MoedasDólar ComercialR$ 5,0830,63%Dólar TurismoR$ 5,2860,49%Euro ComercialR$ 5,7840,34%Euro TurismoR$ 6,0250,17%B3Ibovespa176.583 pts-0,54%Oferecido por

Diante da retomada da guerra no Oriente Médio nas últimas semanas, a equipe econômica deve anunciar a prorrogação, por mais dois meses, da chamada "subvenção", um tipo de subsídio, para manter o preço da gasolina mais baixo.

De acordo com interlocutores da pasta, a decisão deve ser anunciada até o fim de semana — quando termina o prazo atual fixado para o benefício.

Anunciado em maio, o subsídio foi definido em R$ 0,44 por litro da gasolina para tentar conter os efeitos guerra na economia brasileira.

Com alta do petróleo, há pressão sobre os preços dos combustíveis, algo que se reverbera por toda economia (leia mais abaixo).

Alguns dias após o anúncio do subsídio, em maio, a Petrobras anunciou um novo ajuste de R$ 0,48 nos preços da gasolina A para as distribuidoras. Por conta da subvenção concedida pelo governo, o aumento efetivo foi menor: de R$ 0,04 por litro.

O subsídio é pago diretamente aos produtores e importadores de gasolina, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Também para conter os efeitos da guerra na inflação, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, na semana passada, a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período.

A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, travou o fluxo de navios petroleiros no Estreito de Ormuz — corredor marítimo no Golfo Pérsico por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Com isso, o barril do petróleo, principal matéria-prima dos combustíveis, superou os US$ 100.

LEIA MAIS: Dólar opera em alta, após novos ataques entre EUA e Irã e com alta do petróleo no radar; Ibovespa cai

Após negociações, os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo de paz preliminar na guerra do Oriente Médio em 17 de junho, o que contribuiu para a queda do preço do barril de petróleo para menos de US$ 80 por algumas semanas.

Menos de mês depois, em 8 de julho, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que o acordo de paz firmado com o Irã teria acabado, e que não buscaria mais diálogo com Teerã, o que voltou a pressionar novamente os preços dos combustíveis. O petróleo opera novamente acima de US$ 100 por barril nesta semana.

"Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (…) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou", afirmou Trump, na ocasião, quando perguntado se o acordo teria "morrido".

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Casa Branca diz que governo fará anúncio de novas tarifas nesta quinta

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 13:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2870,5%Euro ComercialR$ 5,7850,36%Euro TurismoR$ 6,0270,2%B3Ibovespa176.588 pts-0,54%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2870,5%Euro ComercialR$ 5,7850,36%Euro TurismoR$ 6,0270,2%B3Ibovespa176.588 pts-0,54%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2870,5%Euro ComercialR$ 5,7850,36%Euro TurismoR$ 6,0270,2%B3Ibovespa176.588 pts-0,54%Oferecido por

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou nesta quinta-feira (23) que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, fará um anúncio sobre novas tarifas antes do fim da vigência da taxa global de 10%, previsto para sexta-feira (24).

A expectativa é que a medida inclua uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos de cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

A possível nova tarifa está relacionada a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração trata de supostas falhas de parceiros comerciais no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado.

Tarifaço de Trump pressiona setores, mas Brasil chega menos dependente dos EUA, dizem especialistasTarifaço: setores atingidos e governo divergem sobre possibilidade de aplicar reciprocidade aos EUA

O governo brasileiro já espera a aplicação da nova tarifa e acompanha as negociações com representantes dos setores afetados.

A investigação concluiu que a entrada de produtos "produzidos com trabalho forçado" não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos.

Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno.

O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países.

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MPF quer suspender gasolina com 32% de etanol e cobra R$ 500 milhões em indenização; entenda

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 09:51

Carros MPF quer suspender gasolina com 32% de etanol e cobra R$ 500 milhões em indenização; entenda Ministério Público Federal diz que governo quer aumentar o etanol na gasolina para 32% sem apresentar laudos que garantam a segurança para os carros e impacto ambiental. Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

MPF pede suspensão das medidas até que estudos técnicos provem que a nova combinação de gasolina e etanol é segura para os veículos.

Especialistas avaliam que a medida pode aumentar o risco de desgaste em motores de veículos mais antigos ou sem calibração específica para essa nova mistura.

O consumo tende a aumentar em modelos flex e movidos apenas a gasolina, além de haver risco de ressecamento de mangueiras e oxidação de componentes metálicos.

A Unica afirma que os ensaios realizados não identificaram impactos negativos no desempenho de veículos e que o setor possui capacidade para atender à demanda.

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com um pedido liminar nesta quarta-feira (22) para suspender a decisão do governo que aumenta a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

A ação civil pública tem como objetivo impedir a adoção do E32, nome dado à gasolina com 32% de etanol, até que estudos técnicos comprovem que a nova mistura é segura para os veículos. O MPF também pede que a União seja condenada a pagar R$ 500 milhões por danos coletivos. (entenda mais abaixo)

🔎 O E32 foi aprovado pelo CNPE em junho e faz parte da política do governo para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a dependência da gasolina importada.

Segundo o MPF, a alteração foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) "sem a devida análise de impacto e sem demonstrar cientificamente a viabilidade da medida para a frota nacional".

O documento argumenta que a União utilizou estudos realizados com a mistura anterior, de 30% de etanol, para justificar o aumento, considerando a margem de tolerância de até dois pontos percentuais prevista nos testes.

Para o MPF, esses ensaios tinham como objetivo "avaliar o desempenho e a dirigibilidade dos veículos, considerando a margem de tolerância da especificação daquele combustível" e, portanto, não foram realizados para validar a adoção permanente da mistura de 32% de etanol na gasolina.

A ação também sustenta que os ensaios utilizados pelo governo federal não apresentaram conclusões sobre:

Durabilidade;Emissões;Autonomia;Compatibilidade com as diversas tecnologias na frota;Comportamento da nova mistura em uso contínuo.

A especificação da gasolina E32 permite que o combustível vendido nos postos contenha até 34% de etanol. Segundo o MPF, essa possibilidade não passou por validação técnica específica.

O MPF ainda diz que "há evidências de que o aumento do etanol na gasolina pode provocar corrosão em peças metálicas, desgaste prematuro de bombas e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados".

O MPF também argumenta que a decisão não considerou adequadamente os possíveis impactos ambientais da medida e pede uma indenização de R$ 500 milhões por danos coletivos. Segundo o órgão, faltam estudos que avaliem os efeitos do desgaste acelerado de componentes dos veículos.

O argumento é que, embora o etanol emita menos poluentes, a substituição mais frequente de peças poderia aumentar o descarte de borracha, metal e plástico.

Além da suspensão do aumento da mistura de etanol, o MPF pede que a Justiça determine a realização de uma perícia técnica independente para avaliar os riscos aos motores e ao meio ambiente. A ação também solicita a adoção de protocolos mais rigorosos para futuras alterações na composição dos combustíveis.

"O Estado brasileiro não pode impor à coletividade a utilização de combustível com composição diversa sem demonstrar, de forma clara, objetiva e tecnicamente consistente, que a medida foi precedida de estudos suficientemente abrangentes", diz o procurador da República Cleber Eustáquio Neves, autor da ação.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu no dia 14 de julho aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%.

"Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira", justificou o conselho, em nota

Os preços do petróleo subiram e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar.

O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo.

O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota.

Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores.

A medida de aumentar o volume de etanol na gasolina vinha sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a medida pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo)

Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol.

"No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", complementou nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também diz que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida pode reduzir a importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil. (veja mais abaixo)

Nova composição da gasolina deve passar a ter 32% de etanol — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor.

A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica.

Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol.

tanque;boia;bomba de combustível;linhas de combustível metálicas ou plásticas;bico injetor;câmara de combustão;pistões;vedações.

Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo os especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência.

"As avarias principais que podem ocorrer seriam de corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção, pois podem provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e consumo e até dano total, principalmente na bomba e injetores", explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor — Foto: Arte / g1

Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor.

O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina.

🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal.

Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia.

Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano.

Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado.

Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumento de etanol na gasolina — Foto: Divulgação

No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos.

"Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas", explica Fábio Rhoden, sócio proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center.

O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã.

O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o "cérebro" do motor.

A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape.

Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro — Foto: Divulgação / Bosch

Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor.

Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade.

Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo.

"Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol", avisa Rhoden.

Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações.

Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto — Foto: Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center

A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque.

Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa "queima" das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina.

Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível.

Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições.

Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil.

Na maioria dos casos, a vela não "queima" apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido.

E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Benimports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação.

As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI.

Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina.

“Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica.

Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são:

Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível;desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação;ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos;oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação;travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível;baixa vida útil de velas de ignição.

Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra.

Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam.

“Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica.

A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves.

Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes.

"Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea", explica Calvet.

O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação.

A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. "A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema", diz Calvet.

Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou em nota nesta terça-feira que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório.

Segundo a entidade, “a medida reforça a segurança energética do país ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, contribuindo para reduzir a dependência de importações de gasolina e aumentar a previsibilidade no abastecimento, especialmente em um cenário internacional marcado por volatilidade.”

A Unica diz que “o avanço para o E32 ocorre em linha com a trajetória histórica do Brasil, que já opera com misturas elevadas de etanol há anos, apoiado em uma das maiores frotas flex do mundo e em uma cadeia produtiva consolidada.”

A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo.

De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira.

Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável.

Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira.

Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos.

A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível.

A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar.

Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil.

“Além dos ganhos em segurança energética e competitividade, o E32 reforça uma das principais vantagens estratégicas do Brasil: a capacidade de expandir o uso de combustíveis renováveis em larga escala", afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Google é multado em US$ 1 bilhão pela União Europeia e tenta evitar novas sanções

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 08:55

Tecnologia Google é multado em US$ 1 bilhão pela União Europeia e tenta evitar novas sanções Empresa foi punida por violar a Lei dos Mercados Digitais da UE, mas reguladores europeus disseram que as negociações com a gigante de tecnologia têm sido "construtivas". Por Reuters

O Google foi multado nesta quinta-feira (23) em 890 milhões de euros pela União Europeia. A punição ocorreu por violação de regras da Lei dos Mercados Digitais.

A Comissão Europeia aplicou 460 milhões de euros por favorecimento na busca e 430 milhões por restrições no Google Play. O total acumulado chega a 10,38 bilhões de euros.

A empresa tem 60 dias para cumprir as determinações e criticou a decisão. O Google afirmou que poderá recorrer judicialmente contra as penalidades aplicadas.

A comissão destacou o progresso do Google na adaptação das buscas e da loja virtual. As discussões continuarão sobre os resumos gerados por inteligência artificial.

A ação europeia gera atritos com o governo dos EUA, sob Donald Trump. Apple e Meta também já receberam multas com base na mesma legislação.

O Google, da Alphabet, foi multado nesta quinta-feira (23) em 890 milhões de euros (cerca de US$ 1 bilhão, ou R$ 5,6 bilhões) por violar regras da União Europeia criadas para limitar o poder das grandes empresas de tecnologia, informou a Comissão Europeia.

Apesar da punição, a gigante americana deve evitar novas sanções. Reguladores europeus elogiaram o progresso da empresa na adaptação à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês).

As multas reforçam a estratégia da União Europeia de combater práticas anticompetitivas das big techs, mesmo diante das críticas do governo dos EUA e das ameaças de impor tarifas retaliatórias.

A Comissão Europeia aplicou uma multa de 460 milhões de euros ao Google por favorecer seus próprios serviços nos resultados de busca relacionados a compras, hotéis, transporte e esportes.

Uma segunda multa, de 430 milhões de euros, foi aplicada pelas restrições impostas na loja de aplicativos Google Play, que impedem desenvolvedores de direcionar gratuitamente os usuários para ofertas mais baratas em lojas de aplicativos ou sites concorrentes.

A Reuters antecipou as duas penalidades. Elas são as primeiras aplicadas ao Google com base na DMA, mas correspondem à quinta e à sexta multas recebidas pela empresa na União Europeia por práticas anticompetitivas.

Com isso, o valor total das sanções impostas ao Google no bloco chega a 10,38 bilhões de euros (cerca de R$ 65,3 bilhões) ao longo de quase duas décadas.

"Nosso dever e obrigação é cumprir as leis e garantir que elas sejam plenamente respeitadas", afirmou a chefe da área antitruste da União Europeia, Teresa Ribera, ao ser questionada sobre a reação dos EUA.

"O objetivo da DMA é garantir condições de concorrência justas e equitativas. Com essas decisões, queremos assegurar que haja competição", disse a comissária europeia para Tecnologia, Henna Virkkunen.

O Google tem 60 dias para cumprir as determinações da Comissão Europeia, que exigem tratamento justo e não discriminatório aos concorrentes e permitem que desenvolvedores direcionem usuários para ofertas fora do Google Play.

"Para cumprir essas exigências, estamos tendo que remover recursos de busca em tempo real que os europeus apreciam, como preços instantâneos e disponibilidade direta de hotéis, voos e restaurantes, além de desmontar proteções de segurança no Google Play", afirmou Kent Walker, presidente de Assuntos Globais do Google, em comunicado.

"Isso não é concorrência justa; é uma degradação do produto impulsionada por um pequeno grupo de reclamantes que busca apenas benefícios próprios, enquanto empresas e consumidores europeus sofrem as consequências. A regulamentação deveria melhorar os produtos, não piorá-los", acrescentou.

A Comissão Europeia indicou que novas multas são improváveis e destacou o "diálogo construtivo" mantido com o Google, além do progresso significativo da empresa para cumprir a DMA.

Segundo o órgão, o Google propôs e começou a testar mudanças na forma como exibe seus próprios serviços na Busca para categorias como compras, hotéis e voos. A Comissão classificou essas alterações como um avanço substancial.

A empresa também iniciou testes para modificar a apresentação de anúncios relacionados a compras e a conteúdos, como esportes. A Comissão informou que continuará avaliando essas mudanças e mantendo negociações com a companhia.

Os reguladores europeus acrescentaram que o Google poderá aplicar os princípios da decisão desta quinta-feira também aos seus resumos gerados por inteligência artificial, conhecidos como AI Overviews e AI Mode. As discussões sobre essas ferramentas devem continuar.

Já as mudanças nas regras de direcionamento do Google Play receberam uma aprovação preliminar da Comissão.

"Esses avanços representam um bom progresso rumo ao cumprimento das normas e também serão avaliados à luz da ordem emitida na decisão de hoje", afirmou o órgão.

A atuação da União Europeia contra as grandes empresas de tecnologia tem provocado atritos com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou retaliar com tarifas por considerar que as medidas atingem empresas americanas. Parlamentares americanos também aumentaram a pressão sobre o bloco.

As sanções desta quinta-feira são a terceira aplicação de multas com base na DMA, após as penalidades impostas à Apple e à Meta em abril do ano passado.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

O plano da China para se livrar da dependência do agro brasileiro (e por que isso assusta o Brasil)

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 05:52

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%Oferecido por

O Plano Quinquenal da China prioriza a segurança alimentar para reduzir a dependência de importações agrícolas. O plano desafia o agronegócio do Brasil, seu principal fornecedor.

De janeiro a junho de 2026, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 58,322 bilhões. No mesmo período, as vendas para os Estados Unidos caíram 13%.

Projeções da consultoria Systemiq indicam que as importações chinesas de soja podem cair 25% até 2030. O recuo é impulsionado por novas tecnologias de biomanufatura e alimentação animal.

A senadora Tereza Cristina alertou que "o Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado". Ela defende a agregação de valor e investimentos em combustíveis sustentáveis.

Cerca de 84% do consumo doméstico de soja na China depende de importações e mais da metade desse abastecimento vem do Brasil — Foto: Bloomberg via Getty Images/BBC

Em pouco mais de duas décadas, a China passou de parceiro secundário a principal destino das exportações brasileiras, impulsionando uma sucessão de recordes de vendas do agronegócio nacional. Apenas em 2025, o Brasil faturou US$ 100 bilhões com o mercado chinês — mais do que com qualquer outro país do mundo.

O ritmo segue forte em 2026. De janeiro a junho, as vendas brasileiras para o mercado chinês atingiram US$ 58,322 bilhões, um crescimento de 21,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados consolidados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No mesmo intervalo, as exportações para os Estados Unidos recuaram 13%, uma perda de US$ 2,6 bilhões, após o governo de Donald Trump impor tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros em 2025. Na quarta-feira (22/7), entrou em vigor uma nova tarifa adicional de 25%, ampliando a pressão para que o Brasil encontre outros destinos para os produtos afetados.

Mas as barreiras comerciais que vem sendo impostas por Trump também podem acelerar uma mudança mais ampla no comércio agrícola global.

Uma reportagem publicada na terça-feira (21/7) no britânico Financial Times, um dois principais jornais de finanças do mundo, afirma que os EUA correm o risco de perder para o Brasil o posto de maior exportador agrícola do mundo.

Segundo o Departamento de Agricultura americano e o Ministério da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, apenas US$ 2 bilhões a mais do que o Brasil. Em 2021, essa diferença foi de US$ 56 bilhões.

Analistas ouvidos pelo jornal apontam que um dos principais fatores por trás desse avanço foi a guerra comercial iniciada por Donald Trump, principalmente contra a China. Desde seu primeiro mandato, quando tarifas foram impostas ao país asiático em 2018, Pequim reduziu significativamente as compras de produtos agrícolas americanos e ampliou suas importações de países como o Brasil.

Esse cenário reforça, no curto prazo, a importância do mercado chinês para compensar perdas em outros parceiros comerciais. Mas, enquanto o Brasil se volta para a China como parte de sua estratégia de diversificação, Pequim trabalha para reduzir justamente a dependência externa que ajudou a transformar o país em uma potência agrícola.

"A China identificou que estar muito exposta a importações é um elemento de vulnerabilidade para um país com uma população tão grande e por isso está promovendo uma mudança estrutural", afirma Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e ex-assessora especial do Ministério da Agricultura.

Essa mudança aparece de forma explícita no recém-lançado 15º Plano Quinquenal Nacional (2026-2030) da China. O documento elevou a segurança alimentar à condição de prioridade estratégica nacional e estabeleceu metas para ampliar a produção doméstica de grãos, aumentar a autossuficiência em sementes agrícolas, acelerar o uso de inteligência artificial no campo e desenvolver novas fontes de proteína.

"Obviamente, a China não vai renunciar às exportações brasileiras de soja num prazo visível, mas ela vai começar a depender num grau cada vez menor dessas importações, porque está investindo seriamente em tecnologias de substituição dessas proteínas vegetais por aminoácidos industriais e outras formas de produção de proteína para consumo animal", afirma o professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo Ricardo Abramovay.

O alerta encontra respaldo em projeções do relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, segundo o qual as importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030 — uma redução equivalente a aproximadamente 23,5 milhões de toneladas.

Entre os fatores apontados estão melhorias na alimentação animal, ganhos de produtividade e o avanço de proteínas produzidas por novos processos industriais. O estudo destaca tecnologias como fermentação de precisão, biomanufatura e carne cultivada em laboratório, métodos que podem reduzir a necessidade de soja destinada à produção convencional de proteína animal.

"Essa ideia de que a produção brasileira de soja é importantíssima para alimentar o mundo é uma ficção. Nós não alimentamos pessoas, nós alimentamos animais", afirma Abramovay.

A transformação da China em potência econômica foi acompanhada por uma mudança igualmente profunda na forma como sua população se alimenta. Desde o início das reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970, centenas de milhões de chineses deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Com mais renda disponível, a dieta do país passou por uma rápida diversificação: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada.

Essa mudança teve efeitos diretos sobre o comércio global de alimentos. Para produzir mais fontes de proteína, a China precisou ampliar fortemente a oferta de ração animal — que tem como um dos insumos principais a soja. Foi essa demanda crescente que ajudou a transformar o Brasil em um dos principais fornecedores agrícolas do país asiático.

Isso porque o território chinês enfrenta limitações estruturais para expandir sua produção agrícola: o país abriga cerca de um quinto da população mundial, mas dispõe de menos de 10% das terras agricultáveis do planeta e de cerca de 6% dos recursos hídricos globais.

Assim, durante décadas, a solução encontrada por Pequim foi combinar produção doméstica com importações crescentes de alimentos e insumos agrícolas. Esse modelo permitiu sustentar a expansão do consumo sem exigir que o país produzisse internamente tudo aquilo que sua população demandava.

Agora, porém, a mesma dependência externa que ajudou a impulsionar seu crescimento passou a ser vista internamente com apreensão, especialmente em um contexto marcado por guerras, disputas comerciais, sanções econômicas e interrupções nas cadeias globais de suprimento.

A preocupação não é teórica. Segundo o relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, a China é hoje o maior importador de alimentos do mundo e acumula um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões.

No caso da soja, cerca de 84% do consumo doméstico depende de importações. Mais da metade desse abastecimento vem do Brasil, que responde por cerca de 71% das compras chinesas do grão.

Na carne bovina, a dependência externa é menor, mas ainda relevante: aproximadamente 32% do consumo é importado, e o Brasil responde por 54% dessas compras.

O historiador econômico Adam Tooze, da Universidade Columbia, enxerga paralelos entre a atual estratégia de soberania alimentar chinesa e a política industrial que permitiu ao país assumir posições de liderança global em setores como energia solar, baterias e veículos elétricos.

Em artigo recente publicado no jornal britânico Financial Times, ele aponta o caminho percorrido por Pequim em ambos os casos: planejamento estatal, financiamento direcionado, coordenação entre universidades, empresas e centros de pesquisa e forte aposta em inovação tecnológica.

"Se o desacoplamento alimentar for perseguido com a mesma energia da política industrial da China, ele irá subverter a economia agrícola global do último quarto de século", alerta Tooze.

O historiador argumenta que a dependência de importações ajudou a sustentar a rápida melhora do padrão de vida da população chinesa, mas também criou vulnerabilidades que passaram a preocupar a liderança do país.

"É para os atuais líderes de mercado que a formidável guinada da China em direção à segurança tecnoindustrial traz uma incerteza radical", conclui.

Para Wachholz, a lógica por trás dessa transformação vai além da produção agrícola. Segundo ela, Pequim passou a tratar a segurança alimentar como uma questão estratégica porque precisa garantir o abastecimento de uma população cada vez mais urbana, rica e exigente.

"A China não depende de importações para assegurar o mínimo de calorias para a sua população. Ela depende delas para garantir uma alimentação mais diversa", afirma.

Essa mudança ajuda a explicar por que o governo chinês tem direcionado investimentos para áreas como biotecnologia, agricultura de precisão e novas formas de produção de proteína. Ela também reflete transformações no comportamento do consumidor chinês, cada vez mais atento à relação entre alimentação, saúde e sustentabilidade.

"É muito comum usar o termo 'verde' na China. E esse termo está associado não apenas a algo que seja benéfico para o meio ambiente, mas também para a saúde. Os chineses tendem a compreender esses dois conceitos de forma associada", diz Wachholz.

A preocupação com os possíveis impactos dessas mudanças já chegou ao agronegócio brasileiro. Uma das principais lideranças políticas do setor no país, a senadora pelo Mato Grosso do Sul e ex-ministra da Agricultura (2019-2022) Tereza Cristina (PP) tem conversado com representantes do setor sobre o assunto.

"O Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado", afirma. "Não vai acontecer da noite para o dia [a redução das importações], mas o Brasil tem que estar de olho e se preparar para novos mercados ou para a diminuição da área plantada de soja", afirma.

Para ela, um dos pontos de atenção é a possível expansão do uso de sementes geneticamente modificadas pelos produtores chineses. Embora a China importe há décadas grandes volumes de soja transgênica produzida em países como Brasil e EUA, o cultivo doméstico dessas variedades avançou mais lentamente por razões regulatórias e políticas.

Nos últimos anos, porém, Pequim passou a flexibilizar gradualmente essas restrições e a investir pesadamente em melhoramento genético, biotecnologia e desenvolvimento de sementes próprias. O 15º Plano Quinquenal estabelece como meta elevar a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas para 85%.

"A hora que eles passarem para os transgênicos e aumentarem essa produção própria para diminuir a dependência, o Brasil será o primeiro país impactado, já que nós somos os maiores exportadores de soja", diz Tereza Cristina.

Na visão de Abramovay, há também um fator geopolítico em jogo: uma eventual acomodação das tensões comerciais entre Washington e Pequim poderia levar a China a ampliar compras de produtos agrícolas americanos como parte de acordos mais amplos entre as duas potências.

China elevou a segurança alimentar à condição de prioridade estratégica nacional e estabeleceu metas para ampliar a produção doméstica — Foto: Future Publishing via Getty Images/BBC

Para Tereza Cristina, o alerta não significa que o Brasil esteja condenado a perder espaço, mas que precisa começar a se adaptar a um cenário diferente daquele que predominou nas últimas duas décadas.

"O Brasil tem que pensar no que fazer estrategicamente, se terá que diminuir a produção de soja ou passar para outros produtos", avalia. "Não existem outros países para onde a gente possa exportar esse volume que podemos vir a perder se a China diminuir a demanda".

Segundo ela, a experiência recente mostra que metas anunciadas por Pequim costumam ser perseguidas de forma consistente:

A ex-ministra defende a agregação de valor à produção agrícola brasileira como alternativa para a potencial redução das importações da China.

"A soja não é só um produto, um grão. Ela tem muita tecnologia dentro", afirma. "O Brasil hoje é o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo. Isso é agregação de valor, é transformar soja e milho em proteína".

"Se a gente investir em SAF, que é o combustível sustentável de aviação, e em combustíveis para navegação, podemos direcionar boa parte dessa produção para esses mercados, aí quem terá que ficar de olho aberto é a China".

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Laudemir Müller, acredita que a instabilidade internacional pode favorecer as exportações brasileiras para a China, mesmo diante da nova estratégia de Pequim:

"A gente vê um reposicionamento de todos os países, mas em um mundo mais instável, uma reação natural é olhar para quem realmente é um bom parceiro", respondeu, ao ser questionado pela reportagem durante entrevista coletiva na sede da Apex, em Brasília, na sexta-feira (17/7). "Nesse mundo de instabilidade e de redução de dependência, o Brasil aparece com destaque como um país amigo e um fornecedor estável."

Para Tereza Cristina, o governo deveria manter estruturas permanentes de inteligência estratégica para monitorar tendências globais e antecipar mudanças de mercado. Wachholz, que estabeleceu o "Programa China" na gestão da ministra, também vê falhas na resposta brasileira, mas direciona suas críticas principalmente ao setor privado.

"Ele deveria estar mais presente na China, fazendo mais ações de monitoramento e de acompanhamento e promoção dos nossos produtos", afirma. "O governo brasileiro trabalha para abrir o mercado, mas mesmo depois de aberto, os fluxos de negócio demoram a acontecer. Não é como se o Estado brasileiro fosse o exportador".

Apesar dos alertas, nenhum dos entrevistados prevê um colapso da relação comercial entre Brasil e China. O consenso é que Pequim continuará importando grandes volumes de alimentos brasileiros por muitos anos. O risco, segundo Wachholz, está em continuar tomando decisões de investimento de longo prazo como se a demanda chinesa fosse crescer indefinidamente.

Desde que a China se tornou o principal destino das exportações brasileiras, em 2009, a ascensão do país asiático ajudou a transformar o Brasil em uma potência agrícola.

Em um momento em que as tarifas dos Estados Unidos aumentam a importância da diversificação de mercados, o próximo desafio, afirmam os especialistas, será entender como responder a um parceiro que continua sendo o maior comprador do mundo, mas que investe cada vez mais para precisar comprar menos.

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NR-1: o que muda para os trabalhadores após o STF suspender multas por 90 dias?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 03:51

Trabalho e Carreira NR-1: o que muda para os trabalhadores após o STF suspender multas por 90 dias? A decisão suspende temporariamente as punições previstas na norma, mas mantém a obrigação das empresas de prevenir assédio, sobrecarga e outros riscos à saúde mental. Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

O STF suspendeu por 90 dias a aplicação de multas da NR-1 relacionadas aos riscos psicossociais, mas manteve a obrigação das empresas de prevenir fatores como assédio, excesso de jornada e sobrecarga de trabalho.

A decisão não altera os direitos dos trabalhadores, que continuam protegidos pela Constituição, pela CLT e podem denunciar irregularidades aos órgãos competentes ou buscar a Justiça.

Especialistas e o MPT afirmam que a suspensão das penalidades não representa uma pausa na responsabilidade das empresas, que devem manter as medidas de prevenção à saúde mental.

Durante o período, ficam suspensas apenas as sanções administrativas previstas na NR-1. Ao fim dos 90 dias, o STF deverá reavaliar o tema após uma tentativa de conciliação entre governo, empregadores e trabalhadores.

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias a aplicação de multas e outras sanções previstas na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) relacionadas aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho levantou dúvidas entre trabalhadores sobre possíveis mudanças na proteção à saúde mental.

A atualização da norma, que entrou em vigor em maio deste ano, ampliou a responsabilidade das empresas na prevenção de fatores como assédio moral, estresse ocupacional, excesso de jornada e sobrecarga de trabalho, que podem comprometer a saúde mental dos empregados.(veja o que muda)

Apesar da decisão, os direitos dos trabalhadores permanecem os mesmos. O STF suspendeu apenas a aplicação das penalidades administrativas previstas na atualização da NR-1, mantendo a obrigação das empresas de identificar, avaliar e prevenir fatores de risco psicossocial.

A medida é provisória, vale para empresas de todo o país e foi tomada para permitir uma tentativa de conciliação entre representantes do governo, empregadores e demais envolvidos sobre a forma de aplicação da norma.

Com isso, durante os próximos 90 dias, os auditores-fiscais do trabalho não poderão aplicar multas ou outras sanções pelo descumprimento das regras da NR-1 relacionadas aos riscos psicossociais.

Ainda assim, as empresas continuam obrigadas a identificar, avaliar e prevenir situações como excesso de carga de trabalho, pressão constante, assédio e falhas na organização do trabalho.

A suspensão das multas também não altera direitos garantidos pela Constituição Federal, pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nem por outras normas de proteção ao trabalhador.

Isso significa que o empregado continua tendo direito a um ambiente de trabalho seguro e saudável e pode denunciar situações de assédio moral, metas abusivas, jornadas excessivas ou outras práticas que coloquem sua saúde mental em risco.

Embora as penalidades administrativas tenham sido suspensas temporariamente, a obrigação de prevenção continua em vigor.

Em nota, o Ministério Público do Trabalho (MPT) afirmou que a decisão tem caráter temporário e não afasta o dever das empresas de identificar, avaliar e prevenir riscos psicossociais. Segundo o órgão, a proteção à saúde mental continua garantida pela Constituição, pela CLT e por normas internacionais.

A advogada e mediadora Renata Porto Adri, pesquisadora da UNIFESP/CNPq, afirma que a suspensão das multas não representa uma pausa na responsabilidade das empresas.

Segundo ela, a decisão do STF deve ser encarada como uma oportunidade para aperfeiçoar a aplicação da norma, e não como autorização para interromper medidas de prevenção.

A especialista afirma que as empresas devem aproveitar esse período para revisar processos internos, estruturar diagnósticos, elaborar planos de ação e fortalecer iniciativas voltadas à saúde mental. Ela avalia ainda que a conciliação proposta pelo STF pode tornar a aplicação da NR-1 mais clara e previsível, sem comprometer a proteção aos trabalhadores.

Na mesma linha, a Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST) afirmou que a suspensão das multas não altera a realidade do adoecimento mental no país.

Segundo a entidade, a decisão impede apenas a aplicação de sanções administrativas durante 90 dias, mas não elimina a obrigação das empresas de prevenir riscos psicossociais nem reduz os impactos do assédio, da sobrecarga de trabalho e de outros fatores relacionados ao trabalho.

A associação defende que as empresas mantenham o mapeamento e a gestão desses riscos, argumentando que o objetivo da NR-1 é prevenir o adoecimento dos trabalhadores, e não apenas evitar multas.

As empresas continuam obrigadas a identificar e prevenir riscos psicossociais relacionados ao trabalho.Trabalhadores continuam protegidos pela Constituição, pela CLT e pela legislação trabalhista.Casos de assédio moral, excesso de jornada e outras práticas ilegais continuam sujeitos à responsabilização judicial.Trabalhadores podem denunciar irregularidades ao Ministério Público do Trabalho, à Inspeção do Trabalho, aos sindicatos e à Justiça do Trabalho.Empresas ainda podem responder por indenizações em caso de danos decorrentes das condições de trabalho.

ficam suspensas multas, autuações e outras sanções administrativas relacionadas aos dispositivos da NR-1 questionados no STF;também ficam suspensos os efeitos das penalidades já aplicadas com base nesses dispositivos.

Ao final desse prazo, o Supremo deverá reavaliar a questão após a tentativa de conciliação entre governo, empregadores e trabalhadores.

A decisão do STF ocorre após quase dois anos de discussões sobre a atualização da NR-1. As mudanças na norma foram anunciadas pelo Ministério do Trabalho em agosto de 2024 para incluir os riscos psicossociais entre os fatores que devem ser identificados e gerenciados pelas empresas.

Inicialmente, elas entrariam em vigor em maio de 2025, mas, após pressão de entidades empresariais e sindicatos patronais, o governo adiou a implementação por um ano. A atualização passou a valer em maio deste ano.

A atualização da NR-1 ocorre em meio ao agravamento dos problemas de saúde mental relacionados ao trabalho. Especialistas ouvidos pelo g1 consideram a medida urgente.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos no mundo por problemas de saúde ligados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas longas, assédio e insegurança no emprego.

No Brasil, o cenário também preocupa. No ano passado, o g1 revelou com exclusividade, com base em dados do Ministério da Previdência Social, que o Brasil já vivia uma crise de saúde mental, com o maior número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos.

Uma análise da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) mostra que mais de duas mil profissões estão entre aquelas em que os trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por transtornos mentais no Brasil.

Trabalhadores que enfrentam situações relacionadas a riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como assédio moral, sobrecarga, metas abusivas e jornadas excessivas, podem recorrer a diferentes canais para denunciar irregularidades. Entre eles estão:

Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas;Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União;Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas;Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados;Canal do Ministério Público do Trabalho: O MPT tem um canal de denúncias e atua para combater o assédio moral nas relações de trabalho;Disque 100: Serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho.

O denunciante não precisa se identificar. Quanto mais informações forem fornecidas, maiores as chances de os órgãos apurarem se houve irregularidade e adotarem as medidas cabíveis.

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Quando vender muito vira um problema: a história da loja de cookies que cresceu rápido demais

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/07/2026 03:51

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Quando vender muito vira um problema: a história da loja de cookies que cresceu rápido demais Após viralizar nas redes sociais e faturar R$ 110 mil no primeiro mês, negócio enfrentou desafios para atender à demanda e mostrou que crescer exige mais do que um bom produto. Por PEGN

Após viralizar nas redes sociais antes mesmo da inauguração, a loja de cookies de Pedro Palma esgotou em apenas dois dias o estoque previsto para duas semanas e faturou R$ 110 mil no primeiro mês.

O crescimento acelerado, no entanto, revelou gargalos na operação: o empreendedor passou a trabalhar até 16 horas por dia, acumulando funções e sem conseguir atender toda a demanda.

A reportagem mostra que, além da produção, problemas como layout da cozinha, falta de padronização dos processos e mistura das finanças pessoais com as da empresa dificultam a gestão do negócio.

Com a orientação de Marcelo Baccarini, Pedro iniciou a profissionalização da operação, investindo em equipamentos, treinamento da equipe e organização dos processos para sustentar o crescimento.

Para muitos empreendedores, o maior desafio é conquistar clientes. Para Pedro Palma, dono de uma loja de cookies, o problema começou justamente quando eles apareceram — e em grande quantidade.

Antes mesmo da inauguração, o negócio já chamava atenção nas redes sociais. O empreendedor decidiu transformar a reforma do ponto comercial em uma espécie de reality, compartilhando os bastidores da obra, os imprevistos e até momentos inusitados.

A estratégia despertou a curiosidade do público e criou uma comunidade de seguidores antes da abertura das portas. O resultado foi imediato: em apenas dois dias, todo o estoque preparado para durar duas semanas havia acabado.

O sucesso, porém, trouxe um desafio que muitos pequenos empresários enfrentam quando crescem mais rápido do que conseguem se estruturar. Sem conseguir acompanhar a demanda, Pedro acumulou funções.

Produzia os cookies, limpava a cozinha, fazia compras, respondia clientes e administrava a operação. A rotina chegava a 16 horas de trabalho por dia, enquanto centenas de mensagens de consumidores permaneciam sem resposta.

A estrutura física também passou a limitar o crescimento. A produção acontece em três andares, exigindo deslocamentos constantes de ingredientes, bandejas e embalagens, reduzindo a produtividade da equipe.

Além disso, processos pouco organizados aumentavam o tempo gasto em tarefas simples, como lavar equipamentos diversas vezes ao longo do dia. Outro ponto crítico estava na gestão financeira.

O empreendedor ainda misturava despesas pessoais com as da empresa e, apesar de ter faturado R$ 110 mil no primeiro mês, admitia não saber exatamente qual havia sido o lucro do negócio — um erro comum em empresas que crescem sem controles financeiros consolidados.

Agora, o desafio deixa de ser vender cookies e passa a ser construir uma empresa. Isso inclui padronizar processos, treinar funcionários, organizar a produção e criar mecanismos para que o negócio funcione sem depender exclusivamente do fundador.

Pedro já começou essa transformação, com investimentos em novos equipamentos e na capacitação da equipe. A expectativa é que, com processos mais estruturados, a operação consiga acompanhar o crescimento sem comprometer a experiência dos clientes.

"Meu sonho é continuar, é ter força para continuar, independentemente de onde a loja de cookie for me levar", afirma o empreendedor.

📍 Endereço: Rua Sete de Abril 154, Loja 21 São Paulo/SP – CEP: 01043-000📞Telefone: 11 910374167📧 E-mail: querocuki@gmail.com📸 Instagram: https://www.instagram.com/querocuki🤳🏽Tik tok: https://www.tiktok.com/@querocuki

📍 Endereço: Rua Augusta, 2542 – Jardim Paulista São Paulo/SP – CEP: 01413-100📸 Instagram: https://www.instagram.com/popular/villa-san-pietro/

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