RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

SpaceX já gastou US$ 15 bilhões para viabilizar foguete reutilizável

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 01/05/2026 07:44

Tecnologia SpaceX já gastou US$ 15 bilhões para viabilizar foguete reutilizável Projeto é central para os planos da empresa de Elon Musk, incluindo internet via satélite e missões à Lua e Marte, mas ainda enfrenta desafios técnicos e altos custos para se tornar viável em larga escala. Por Reuters

A SpaceX já destinou mais de US$ 15 bilhões ao desenvolvimento da Starship, valor muito superior ao investido no Falcon 9 e que reflete anos de tentativa de criar um foguete reutilizável em larga escala.

O projeto é central para os planos da empresa, incluindo expansão da Starlink, missões à Lua e a Marte e novas aplicações no espaço, com potencial de reduzir custos ao transportar mais carga por lançamento.

A Starship pode levar até 60 satélites por voo, bem acima do modelo atual, o que reforça sua importância para a viabilidade econômica da Starlink e explica o foco crescente dos investimentos.

Apesar dos avanços, os testes ainda apresentam falhas e exigem ajustes, enquanto desafios como infraestrutura, alto consumo de recursos e metas ambiciosas seguem como obstáculos relevantes.

A SpaceX já gastou mais de US$ 15 bilhões no desenvolvimento do foguete Starship, segundo documento da empresa analisado pela Reuters. O valor é superior ao investimento feito no Falcon 9, hoje o principal veículo da companhia, e reflete quase uma década de esforços para criar um sistema de lançamento que possa ser reutilizado diversas vezes.

O projeto é central para o futuro dos negócios mais rentáveis da empresa de Elon Musk, que se prepara para chegar ao mercado com uma avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão.

A Starship foi projetada para lançar maiores volumes de satélites da rede Starlink, transportar humanos à Lua e a Marte e, no longo prazo, colocar em órbita estruturas voltadas à computação para inteligência artificial, como alternativa a centros de dados na Terra.

O investimento de US$ 15 bilhões, ainda não divulgado anteriormente, supera com ampla margem os cerca de US$ 400 milhões gastos no desenvolvimento do Falcon 9, considerado hoje o foguete mais utilizado no mundo.

Esse modelo foi fundamental para a liderança comercial da SpaceX, ao permitir lançamentos frequentes da Starlink e consolidar vantagem sobre concorrentes.

“Continuamos investindo de forma significativa para ampliar nossa liderança, buscando reutilização total e rápida em larga escala, incluindo mais de US$ 15 bilhões em nosso foguete de nova geração, Starship”, afirmou a empresa em seu registro confidencial.

A SpaceX pretende iniciar o lançamento da nova geração de satélites Starlink, chamada V3, no segundo semestre de 2026. A expectativa é que isso ocorra com a Starship, que pode transportar até 60 satélites por voo — um número bem superior aos cerca de 24 levados atualmente pelo Falcon 9.

Esse ganho de capacidade ajuda a explicar por que o desempenho da Starship é considerado decisivo para a expansão da Starlink. Quanto mais satélites forem lançados por missão, menor tende a ser o custo por unidade colocada em órbita.

Hoje, o programa concentra a maior parte dos investimentos da empresa. Em 2025, a SpaceX destinou US$ 3 bilhões à pesquisa e desenvolvimento em seu segmento espacial, valor totalmente voltado à Starship — um aumento relevante em relação aos US$ 1,8 bilhão registrados no ano anterior.

Desde 2023, a SpaceX realizou 11 voos de teste da Starship. Os resultados incluem avanços importantes, mas também episódios de falha que exigiram ajustes no projeto. Um dos marcos mais relevantes foi a captura do propulsor Super Heavy com braços mecânicos durante o retorno à Terra, um passo importante para tornar o sistema reutilizável.

Mesmo com esse progresso, a empresa reconhece que ainda há desafios antes de atingir a meta de realizar milhares de lançamentos por ano. Esse volume seria necessário para viabilizar planos mais ambiciosos, como a colocação em órbita de grandes estruturas voltadas à inteligência artificial.

“Eles estão muito perto”, disse Chris Quilty, presidente da consultoria Quilty Space. “Mas ainda não sabemos se conseguem fazer isso de forma repetida.”

Entre os principais obstáculos está a infraestrutura necessária em terra, que envolve abastecimento de combustível, sistemas de água e proteção para o retorno do foguete à atmosfera. O consumo de recursos também chama atenção: um único lançamento pode exigir o equivalente a 244 caminhões de gás natural e cerca de 1 milhão de galões de água.

Outro ponto considerado crítico é o reabastecimento em órbita, etapa ainda não testada que envolve transferir combustível entre veículos no espaço. Essa operação é vista como essencial para missões mais longas, como viagens à Lua ou a Marte.

“Esse provavelmente é o último grande desafio”, disse Hans Koenigsmann, ex-vice-presidente da SpaceX.

A complexidade aumenta porque o combustível precisa ser mantido em temperaturas extremamente baixas, o que dificulta o armazenamento e a transferência.

Ao longo da última década, a SpaceX construiu no Texas uma base dedicada ao desenvolvimento da Starship, chamada Starbase. O local foi estruturado para permitir produção em maior escala, com um ritmo mais próximo ao da indústria aeronáutica do que ao padrão tradicional do setor espacial.

As falhas registradas durante os testes levaram a centenas de mudanças no projeto do foguete. Segundo especialistas, a Starship representa uma mudança significativa em relação aos modelos anteriores, tanto em tamanho quanto em complexidade.

A empresa se prepara agora para um novo voo de teste — o primeiro desde outubro — que deve marcar a estreia do protótipo Starship V3.

“A versão 3 é basicamente um projeto totalmente novo”, disse Charlie Cox, diretor de engenharia da Starship.

Com diversas melhorias, o modelo foi projetado para voos orbitais, testes mais longos no espaço e missões tripuladas à Lua. Essa etapa é considerada uma das mais desafiadoras do programa Artemis, da NASA, que já destinou ao menos US$ 3 bilhões à SpaceX.

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Petróleo segue acima de US$ 110 enquanto bolsas globais têm desempenho misto

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/05/2026 06:45

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%Oferecido por

Nos EUA, onde não é feriado, índices futuros sobem com resultados de empresas, apesar de sinais de economia mais fraca.

O preço do petróleo se mantém em patamar elevado nesta sexta-feira (1º), em meio às incertezas sobre a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, junto aos seus efeitos sobre a oferta global da commodity.

Por volta das 6h30 (hirário de Brasília), o barril do Brent — referência internacional — subia 1,48%, sendo negociado a US$ 112,03 por barril, enquanto o petróleo de referência dos Estados Unidos avançavapara US$ 105,19.

As dúvidas sobre um acordo para consolidar um cessar-fogo de três semanas persistem, após o líder supremo iraniano afirmar que o país manterá suas capacidades nucleares e de mísseis.

O cenário pressiona o governo dos EUA, que avalia alternativas para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás.

Depois da forte alta registrada na véspera, o mercado mostrou sinais de acomodação. Ao longo da quinta-feira, o Brent para entrega em julho chegou a US$ 114,70, recuou para perto de US$ 107 e encerrou o dia em US$ 110,40.

Durante o conflito, o pico foi de US$ 119,50, enquanto, antes da guerra, o barril era negociado em torno de US$ 70.

Com a maioria dos mercados fechados pelo feriado do Dia do Trabalhador, as bolsas globais tiveram movimentação limitada. Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 0,6%. Já o Nikkei, no Japão, subiu 0,7%, e o S&P/ASX 200, na Austrália, avançou 0,9%.

Nos EUA — onde os mercados operam normalmente nesta quarta-feira, já que o 1º de maio não é feriado no país —, os contratos futuros subiam após uma sessão de recordes na véspera. O S&P 500 avançou 1% e alcançou novo patamar histórico, enquanto o Dow Jones subiu 1,6% e o Nasdaq renovou seu recorde.

O movimento foi impulsionado por resultados de grandes empresas. A Alphabet subiu 10% após divulgar lucro acima do esperado, enquanto a Meta caiu 8,7% diante da previsão de aumento de gastos com inteligência artificial. A Microsoft também recuou, após elevar suas estimativas de investimentos.

Dados recentes mostram que a economia americana perdeu ritmo no início do ano, enquanto a inflação avançou em março. Ao mesmo tempo, pedidos de seguro-desemprego caíram, indicando menor número de demissões.

Bombas de extração abandonadas e danificadas ao longo do tempo em um campo da estatal de petróleo PDVSA no Lago de Maracaibo, em Cabimas, na Venezuela. — Foto: Reuters

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Projeto no Pará revoluciona o cultivo de dendê e eleva produção em até 38%; saiba mais

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/05/2026 05:07

GLOBO RURAL Projeto no Pará revoluciona o cultivo de dendê e eleva produção em até 38%; saiba mais Um projeto inovador em Tomé-Açu imita a floresta e atrai o interesse da indústria de cosméticos. Por Redação g1

Projeto inovador em Tomé-Açu (PA) está mudando a forma de produzir dendê ao apostar em sistemas agroflorestais que imitam a floresta.

A iniciativa vem recuperando o solo, aumentando a produtividade em até 38% por planta e ainda atraindo o interesse da indústria de cosméticos.

O azeite de dendê, muito conhecido por ser ingrediente essencial no acarajé baiano, é hoje o óleo vegetal mais consumido no mundo.

No Pará, maior produtor brasileiro, esse cenário começa a mudar. Em Tomé-Açu, produtores estão adotando um modelo mais sustentável, baseado no Sistema Agroflorestal (SAF), que integra o cultivo do dendê com outras espécies.

Um projeto inovador em Tomé-Açu (PA) está mudando a forma de produzir dendê ao apostar em sistemas agroflorestais que imitam a floresta.

A iniciativa vem recuperando o solo, aumentando a produtividade em até 38% por planta e ainda atraindo o interesse da indústria de cosméticos (veja reportagem completa no vídeo acima).

O azeite de dendê, muito conhecido por ser ingrediente essencial no acarajé baiano, é hoje o óleo vegetal mais consumido no mundo. Ele está presente em diversos produtos do dia a dia — de alimentos industrializados a cosméticos e até no biodiesel.

Apesar disso, a cultura do dendê carrega uma imagem negativa no cenário internacional, principalmente por estar associada ao desmatamento no Sudeste Asiático.

No Pará, maior produtor brasileiro, esse cenário começa a mudar. Em Tomé-Açu, produtores estão adotando um modelo mais sustentável, baseado no Sistema Agroflorestal (SAF), que integra o cultivo do dendê com outras espécies.

Diferente do monocultivo tradicional, o chamado “SAF Dendê” combina a palmeira com culturas como açaí, cacau e andiroba. A proposta é simples: reproduzir o funcionamento da floresta.

Esse modelo diversificado não só melhora o equilíbrio ambiental como também reduz a dependência de insumos externos, tornando a produção mais resiliente e sustentável.

A vocação agrícola de Tomé-Açu vem de longe, desde a chegada de imigrantes japoneses na década de 1920. Nos anos 1960, a região viveu o auge da produção de pimenta-do-reino, conhecida como “diamante negro”.

Porém, o cultivo intensivo em monocultura acabou esgotando o solo, favorecendo o surgimento da fusariose, uma doença causada por fungo que devastou as plantações. Esse episódio levou os produtores a repensarem o modelo de produção.

O dendê foi introduzido nos anos 1980, inicialmente também em monocultivo. Mas, com o tempo, os agricultores passaram a incorporar conhecimentos tradicionais da Amazônia, adotando sistemas mais diversificados.

produção por planta: no monocultivo, cada planta produz em média 130 kg de cachos por ano; no SAF, esse número chega a 180 kg.recuperação do solo: em cerca de 17 anos, a camada de matéria orgânica aumentou de 5 cm para mais de 30 cm.valor de mercado: o dendê produzido nesse sistema pode alcançar preços entre 15% e 20% superiores ao convencional.

Além disso, o próprio sistema passa a fornecer nutrientes naturalmente, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos.

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Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos; entenda o que está por trás do esgotamento no trabalho

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/05/2026 05:07

Trabalho e Carreira Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos; entenda o que está por trás do esgotamento no trabalho Segundo dados da Previdência Social, os afastamentos por burnout passaram de 823 em 2021 para 7.595 em 2025 — uma alta de cerca de 823%, que acende um alerta sobre a saúde mental dos trabalhadores. Por Rayane Moura, Poliana Casemiro, g1 — São Paulo

Os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos, passando de 823 em 2021 para 7.595 em 2025, segundo dados da Previdência Social, refletindo o agravamento da crise de saúde mental no trabalho.

Especialistas apontam múltiplas causas para o avanço, como jornadas longas, pressão por metas, vínculos precários, uso intensivo de tecnologia, insegurança no emprego e maior reconhecimento e registro do adoecimento relacionado ao trabalho.

Relatos de trabalhadores mostram como o esgotamento se manifesta na prática, com exaustão extrema, ansiedade, insônia e perda de funcionalidade, muitas vezes em ambientes sem critérios claros de crescimento e com pouca proteção à saúde mental.

Apesar do reconhecimento do burnout pela OMS, o enquadramento legal no Brasil ainda é complexo, e o atraso na atualização da NR‑1 mantém desafios na prevenção, fiscalização e responsabilização de empresas.

O Brasil enfrenta um agravamento da crise de saúde mental no trabalho, com impacto direto na vida de milhares de profissionais. Dados do Ministério da Previdência Social, obtidos com exclusividade pelo g1, mostram que os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos.

Em 2025, foram concedidos 7.595 benefícios por incapacidade temporária por esgotamento profissional, contra 823 em 2021 — quase nove vezes mais no período. (veja o comparativo ano a ano abaixo)

O avanço também é observado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). As denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho passaram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025 — aumento de cerca de 438%, ou 832 registros a mais. (confira o comparativo abaixo)

No ano passado, o g1 mostrou que o país havia atingido um pico histórico de afastamentos por transtornos mentais em 2024. Em 2025, o cenário não apenas se repete como se intensifica: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por esse tipo de adoecimento.

Diante do avanço dos números, o governo federal anunciou uma atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos psicossociais e prevê punições a empresas por práticas que afetem a saúde mental dos trabalhadores.

A medida estava prevista para entrar em vigor em maio de 2025, mas, após pressão de entidades empresariais, foi adiada para maio deste ano.

Mas por que esse aumento vem acontecendo? O que há por trás do esgotamento no trabalho? Especialistas afirmam que os transtornos mentais são multifatoriais e não têm uma única explicação.

Psiquiatras e analistas apontam que vínculos precários, jornadas longas, baixos salários, metas inalcançáveis e pressão constante ajudam a construir um ambiente de trabalho que empurra profissionais para o estresse crônico.

A pandemia também deixou marcas profundas. Embora o desemprego e a informalidade tenham recuado, persistem efeitos das mudanças recentes, como a intensificação do ritmo de trabalho e o uso massivo de tecnologias digitais.

Além disso, o crescimento do emprego formal não foi acompanhado por melhorias equivalentes nas condições de trabalho. Soma-se a isso o déficit de auditores fiscais, que limita a fiscalização das relações trabalhistas no país.

O que justifica esse aumento? Quem são esses trabalhadores?O que diz a legislação sobre burnout? Atraso na atualização da NR-1

Para especialistas, os números não indicam apenas uma explosão repentina de novos casos, mas uma combinação de piora real nas condições de trabalho, maior reconhecimento do problema e mudanças na forma de registrar o sofrimento psíquico relacionado ao ambiente profissional.

Segundo o psiquiatra Arthur Danila, Coordenador do Programa de Mudança de Hábito e Estilo de Vida (PROMEV) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o aumento deve ser interpretado como resultado de três fenômenos simultâneos.

“O trabalho ficou mais acelerado, mais conectado, mais monitorado e mais competitivo. Ao mesmo tempo, passamos a reconhecer melhor que parte do sofrimento mental tem relação direta com o ambiente ocupacional”, afirma.

De acordo com o especialista, houve uma piora objetiva das condições psicossociais no trabalho. Muitos profissionais convivem com altas demandas, pressão constante por resultados, insegurança econômica e pouca possibilidade de recuperação entre uma jornada e outra.

Outro fator é a chamada jornada expandida invisível. Mesmo fora do horário formal, trabalhadores permanecem conectados por mensagens, e-mails e plataformas digitais, o que dificulta o descanso psicológico.

“O trabalhador contemporâneo vive mais conectado, mais monitorado, mais competitivo e com menos previsibilidade. É uma combinação muito tóxica”, explica. Essa permanência em estado de alerta contínuo, segundo Danila, mantém o organismo em modo de ameaça.

Segundo ele, esse estado de alerta contínuo compromete a capacidade de recuperação do organismo. “O sono piora, a irritabilidade aumenta, a concentração cai. A fronteira entre trabalho e vida pessoal foi corroída. O descanso existe fisicamente, mas não mentalmente”, diz.

Desde 2022, o burnout passou a integrar a Classificação Internacional de Doenças (CID-11), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, deixou de ser tratado apenas como “estresse” e passou a ser reconhecido como fenômeno ocupacional ligado ao trabalho. (veja abaixo o que mudou)

Isso também ajudou a delimitar melhor o conceito. Diferentemente de uma doença médica isolada, o burnout é definido como um fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente manejado.

O quadro é caracterizado por três dimensões principais: exaustão intensa, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.

“Não se trata de usar o termo como rótulo para qualquer sofrimento. É preciso avaliar se os sintomas estão diretamente relacionados ao contexto de trabalho”, afirma o psiquiatra.

Para o especialista, há sinais de redução parcial do estigma em relação à saúde mental. Mais trabalhadores procuram ajuda antes de um colapso total, e o tema passou a ser discutido com mais frequência em empresas e instituições. Por outro lado, os quadros chegam aos serviços de saúde com maior complexidade clínica.

“Muitos pacientes apresentam insônia persistente, crises de ansiedade, sintomas depressivos e prejuízo significativo na vida pessoal e familiar. O risco é banalizar o burnout, mas é ainda mais grave tratá-lo como fragilidade individual”, diz Danila.

Segundo ele, há fortes indícios de que o problema foi subnotificado no passado. Muitos casos eram registrados como depressão, ansiedade ou estresse, sem associação formal com o trabalho. Em outros, o sofrimento sequer chegava aos sistemas oficiais.

A experiência de quem passou pelo burnout ajuda a entender como o problema se desenvolve no cotidiano profissional.

É o caso de Marcela Moreira, formada em física e com carreira na área de dados em um banco. Ela começou a perceber sinais de esgotamento após anos lidando com metas rígidas, pressão constante e mudanças sucessivas de equipe.

Segundo ela, o ambiente corporativo já era marcado por estresse crônico, mas a situação se agravou quando passou a atuar em uma área com demandas mais urgentes e cobrança diária por resultados.

“O trabalho exige que você esteja sempre se provando, aprendendo sozinho e entregando rápido. Isso vai se acumulando”, conta. "

"Existe uma pressão muito grande para atingir metas. Elas não podem ser impossíveis, mas também não podem ser fáceis. Isso cria uma cobrança constante, que foge do saudável”, afirma.

Com o tempo, o estresse se tornou contínuo. Marcela diz que demorou a perceber a gravidade da situação porque o cansaço havia se tornado parte da rotina.

“Aquilo estava tão normalizado que eu achava que era só o meu estado padrão de sobrevivência”, relata. O alerta veio quando pessoas próximas começaram a questionar se ela estava bem.

Entre os principais sintomas, ela relata uma alternância entre apatia e picos de ansiedade. “Ou eu não conseguia me importar com nada, ou entrava em pânico. Não tinha meio-termo.”

Os sintomas se intensificaram após a retirada gradual de um antidepressivo que ela usava havia anos. Em consulta médica, recebeu a orientação para se afastar temporariamente do trabalho. Pouco tempo depois, acabou sendo demitida sem justa causa.

Ela descreve o período como uma mistura de vergonha e alívio. “Foi um baque no ego, mas a sensação de alívio físico foi imediata. Era como se meu corpo entendesse que a pressão tinha acabado.”

Hoje, ela busca reorganizar a vida profissional e cuidar da saúde mental. Para Marcela, a experiência deixou um alerta: “Não dá para tratar exaustão como algo normal. Eu precisei parar para perceber isso.”

Marcela Moreira, formada em física e com carreira na área de dados em bancos, se afastou do trabalho por burnout — Foto: Reproduçã/Instagram

Outro caso é o da pedagoga e doutoranda Cristine Oittica, com mais de 15 anos de atuação na educação pública. Ela afirma que passou a adoecer mentalmente após ingressar no terceiro setor, em 2022, em uma grande fundação ligada ao sistema financeiro.

Contratada como analista educacional, diz que desde o início foi excluída de projetos estruturantes e direcionada a tarefas operacionais, apesar da experiência e da formação acadêmica.

“Eu via colegas com o mesmo cargo sendo alocados em projetos, crescendo e sendo promovidos. Eu não tinha projeto, não tinha estado, não tinha lugar”, relata.

Segundo Cristine, pedidos de feedback e de desenvolvimento profissional recebiam respostas vagas, sem critérios claros para crescimento. Ao longo de quase quatro anos, ela passou por cinco gestões diferentes, sem um plano formal de desenvolvimento.

A falta de reconhecimento gerou um sentimento constante de frustração. “Chegou um momento em que eu pensei: o problema sou eu. Comecei a trabalhar cada vez mais para tentar provar meu valor.”

Com o tempo, os impactos passaram a aparecer na saúde. Ela relata insônia severa, crises de ansiedade, exaustão extrema, dificuldade de concentração e isolamento social.

Nesse período, descreve jornadas prolongadas, ausência de pausas reais — inclusive em viagens de trabalho — e um ambiente marcado por cobrança velada e competição interna.

“A gente batia o ponto, mas nunca parava de trabalhar. O trabalho ocupava o almoço, o jantar, a viagem, a cabeça”, afirma. “Eu trabalhava 12, 14 horas por dia, mesmo fora do expediente. O corpo entra em estado de alerta constante”, completa.

Cristine buscou terapia e acompanhamento psiquiátrico e acionou canais internos da empresa para relatar episódios de assédio e discriminação, mas as denúncias, segundo ela, foram consideradas inconclusivas.

Entre 2024 e 2025, passou por sucessivos afastamentos médicos. O diagnóstico formal registrado foi de transtorno de ansiedade generalizada — e não burnout, o que, segundo especialistas, pode dificultar o reconhecimento do vínculo entre adoecimento e trabalho.

Após retornar de férias, foi demitida no mesmo dia. “A mensagem que ficou é que tudo o que eu fiz não foi suficiente. Isso desmonta a pessoa”, afirma.

Hoje, Cristine segue em tratamento e tenta reconstruir a rotina. Para ela, o debate sobre saúde mental no trabalho precisa considerar quem são os trabalhadores que adoecem.

Cristine Reis Oittica, 36 anos, pedagoga e doutoranda, foi demitida após afastamento do trabalho. — Foto: Arquivo Pessoal

A inclusão do burnout na CID-11 aumentou a visibilidade do problema, mas não alterou automaticamente o enquadramento jurídico no Brasil. Na prática, o reconhecimento ainda depende da comprovação de que o adoecimento está relacionado ao trabalho.

A advogada trabalhista Nathalia Sequeira Coelho explica que o impacto é mais interpretativo do que legal. “A entrada do burnout na CID-11 é importante, mas o reconhecimento jurídico depende da prova do nexo causal entre o trabalho e a doença.”

Ou seja: o burnout pode ser equiparado a acidente de trabalho quando ficar comprovado de que o adoecimento está ligado ao trabalho. Para comprovar esse vínculo, é necessário reunir elementos como:

diagnóstico médico consistenterelatórios clínicoseventual afastamento previdenciárioperícia médicaprovas das condições de trabalho, como excesso de jornada, metas abusivas, cobranças desproporcionais, assédio moral, acúmulo de funções e registros (e-mails, ponto, mensagens e testemunhas)

O problema, segundo especialistas, é que muitas dessas situações não ficam formalmente registradas — e colegas de trabalho podem ter receio de depor.

“A prova muitas vezes depende de testemunhas, e colegas ainda têm receio de se comprometer”, afirma. “Além disso, por se tratar de adoecimento psíquico, há discussão sobre fatores pessoais, o que exige demonstrar que o trabalho foi causa ou, ao menos, concausa relevante”, completa.

Segundo a especialista, a Justiça do Trabalho analisa cada caso individualmente, sem condenações automáticas. Quando o conjunto de provas demonstra um ambiente de trabalho adoecedor, há decisões que reconhecem o burnout como doença ocupacional e condenam empregadores ao pagamento de indenizações por danos morais e, em alguns casos, materiais.

O reconhecimento também pode garantir estabilidade provisória. Quando o burnout é equiparado a acidente de trabalho, aplica-se a garantia prevista na Lei nº 8.213/91, que assegura emprego por 12 meses após o fim do auxílio-doença acidentário.

Mesmo sem esse tipo de benefício, a estabilidade pode ser reconhecida pela Justiça, desde que fique comprovado o nexo entre o adoecimento e o trabalho. Nos casos de afastamento, o INSS avalia tanto a incapacidade quanto a relação com a atividade profissional.

A diferença é relevante. No B91, o trabalhador tem direito à estabilidade de 12 meses após o retorno e ao depósito do FGTS durante o afastamento — o que não ocorre no benefício comum.

“O afastamento por si só não garante estabilidade. É necessário comprovar a relação entre o adoecimento e o trabalho”, explica a advogada. “Mesmo quando o benefício é comum, a Justiça pode reconhecer esse direito, se houver prova do nexo”, completa.

De acordo com Nathalia, há aumento na judicialização e maior sensibilidade do Judiciário em relação aos casos de saúde mental. “Isso não significa condenação automática, mas uma tendência de maior responsabilização quando há falha da empresa”, afirma.

A especialista ainda destaca que a cobrança por produtividade não é ilegal, mas passa a ser considerada abusiva quando ultrapassa limites e expõe o trabalhador a situações de humilhação, pressão excessiva ou desgaste contínuo.

Em 2024, o governo anunciou a atualização da NR‑1, que passaria a incluir os riscos psicossociais na fiscalização do ambiente de trabalho.

O que mudaria com a NR-1? Com a atualização da norma, auditores do trabalho poderiam fiscalizar e aplicar multas caso fossem identificadas questões como metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia no trabalho e condições precárias de trabalho.➡️ Ou seja, isso passaria a ter o mesmo peso de fiscalização de pontos como questões que envolvem acidente de trabalho ou doença.

Prevista inicialmente para 2025, a regra foi adiada para maio de 2026 e pode sofrer novo adiamento após pressão de entidades empresariais.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (30) que não pretende adiar novamente a atualização da NR-1. Segundo ele, “já houve uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para novo adiamento”.

O ministro ainda afirmou que uma nova mudança só ocorreria em caso de acordo entre empresas e representantes dos trabalhadores — o que hoje não existe.

Por outro lado, auditores fiscais e o MPT defendem que seja mantido o prazo de 26 de maio. Para esses órgãos, as exigências não são novas e o adiamento pode comprometer a proteção à saúde dos trabalhadores.

Enquanto o debate segue sem definição, especialistas alertam que o crescimento dos afastamentos reforça a urgência de medidas concretas para melhorar as condições de trabalho e prevenir o adoecimento mental.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Equipe econômica estima alta de gastos públicos três vezes acima do limite da regra fiscal em 2026

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/05/2026 05:07

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%Oferecido por

A equipe econômica está prevendo que as despesas totais do governo somem R$ 2,63 trilhões em 2026, com um crescimento real (acima da inflação) de 7,95%, ou R$ 194 bilhões.

Os números constam no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado neste mês ao Congresso Nacional.

➡️Com uma alta real (acima da inflação) projetada de quase 8% em 2026, um ano eleitoral, as despesas totais subirão 3,2 vezes acima do limite de 2,5% existente no arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas.

➡️De acordo com o Ministério da Fazenda, o aumento real das despesas pode apresentar "valores distintos" do limite de 2,5% do arcabouço fiscal por conta de alguns fatores. São eles:

despesas fora do limite da regra fiscal;período diferente de cálculo, pois a regra fiscal considera a alta real com base na inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior;etapa de execução da despesa, ao comparar dotação com valores pagos ou liquidados.

O g1 entrou em contato com o Tesouro Nacional e questionou se o arcabouço fiscal está falhando em conter as despesas, apesar do limite de 2,5% fixado.

"Sim, a regra está em pleno funcionamento, com observância por todos os Poderes. Conforme mencionado, há seção específica do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do 1º bimestre de 2026 que demonstra a compatibilidade das projeções com o limite de despesas estipulado pela LC nº 200/2023", disse o Ministério da Fazenda.

➡️Conforme a explicação do governo, um motivo para alta real projetada dos gastos quase três vezes acima do teto do arcabouço, em 2026, são gastos fora do teto de 2,5%.

Repasses aos estados e municípios de benefícios constitucionais por meio dos fundos de participação;Créditos extraordinários;Contribuição do Salário Educação;Exploração de Recursos Naturais;Complementação da União ao Fundeb;Fundo Constitucional do Distrito Federal;Precatórios (que voltam progressivamente para a meta em dez anos);Fundos de compensação e de desenvolvimento regional aos estados (decorrentes da reforma tributária sobre o consumo);E receitas próprias do Poder Judiciário, entre outros.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estima que cerca de R$ 250 bilhões em gastos (sem contar as transferências constitucionais aos estados e municípios) estarão fora do limite do arcabouço fiscal neste ano.

➡️O órgão observou, em estudo divulgado no fim de 2025, que as exceções ao arcabouço fiscal cresceram nos últimos anos.

Avaliou, ainda, que o "uso contínuo" dessas exceções pode trazer um "indesejável enfraquecimento dessas regras como âncoras fiscais".

"No limite, as regras deixariam de orientar os rumos da política fiscal, diminuindo a previsibilidade da atuação do poder público em relação à execução das despesas primárias", avaliou a instituição.

Estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, divulgado em 2025, chega à mesma conclusão.

"As novas exclusões e constituição de arranjos extraorçamentários cumulativamente reduzem a universalidade da regra e podem afetar a credibilidade do arcabouço fiscal (…) A consolidação do regime fiscal dependerá da capacidade do Congresso Nacional, do Poder Executivo e dos órgãos de controle em resistir à proliferação de exceções e fundos privados", diz o texto.

➡️Grande parte da pressão de aumento dos gastos, porém, está relacionada às despesas previdenciárias — estas dentro do limite do arcabouço fiscal —, com estimativa de uma alta real (acima da inflação) de 7,6% neste ano, o equivalente a quase R$ 80 bilhões.

O crescimento de gastos da Previdência, por sua vez, tem a ver com a política de aumento do salário mínimo acima da inflação adotada pelo presidente Lula.

Como o salário mínimo é o piso de aposentadorias, pensões e outros benefícios, seu aumento implica em mais gastos públicos.A estimativa do governo é de que a cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, os gastos previdenciários subam cerca de R$ 400 milhões.

Além do reajuste do salário mínimo, o governo também informou que buscará reduzir a fila do INSS, o que também pressionará as despesas em 2026.

Grande parte da pressão de aumento dos gastos está relacionada às despesas previdenciárias. — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

➡️O governo estima ainda que os gastos com os servidores públicos terão forte alta neste ano, somando R$ 457 bilhões, um aumento real de quase 12% (bem acima do limite de 2,5% do arcabouço fiscal). Nesse caso, o aumento estimado é de R$ 47 bilhões.

O governo Lula retomou a política de reajustes salariais aos servidores públicos, interrompida na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e também vem concedendo aumento de outros benefícios, como o vale alimentação.

➡️Como os gastos com benefícios previdenciários e com servidores estão dentro do limite do arcabouço fiscal e são obrigatórios, eles não podem ser cortados pelo governo federal.

➡️Para atingir a meta fiscal e limitar as despesas sujeitas ao teto dentro do limite de alta real de 2,5%, a área econômica terá de comprimir os gastos livres, chamados de "discricionários".

investimentos em infraestrutura;verbas para a defesa agropecuária;bolsas do CNPq e da Capes;emissão de passaportes;fiscalização ambiental e do trabalho escravo;Farmácia Popular;despesas administrativas;recursos para universidades federais; erecursos para agências reguladoras, entre outros.

Com essa dinâmica de expansão dos gastos obrigatórios, economistas avaliam que será necessária uma nova reforma fiscal no futuro, pois o arcabouço, com as regras atuais, ficará insustentável.

Especialistas ouvidos pelo g1 avaliaram que Lula enfrentará, já neste ano, restrições para investimentos e gastos livres dos ministério.A paralisia da máquina pública só não acontecerá em 2027 por conta da mudança na regra da contabilização dos precatórios dentro da meta fiscal.

A dinâmica de crescimento dos gastos também está pressionando a inflação, o que demanda juros mais altos por parte do Banco Central. Atualmente, a taxa básica da economia está em 14,5% ao ano, patamar historicamente elevado.

Esse chamado ciclo vicioso de aumento de gastos e de juros elevados, por sua vez, pressiona a dívida pública brasileira — que já está acima dos países emergentes e da Zona do Euro.

💵 Em termos práticos, com uma dívida mais alta há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país.

🔎 A dívida do setor público consolidado é considerada um termômetro da chamada "solvência" de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.

Para conter o endividamento público, analistas apontam que o governo deveria retomar superávits nas contas públicas por meio de reformas mais profundas nos gastos obrigatórios (previdenciários, pessoal e sociais, por exemplo).

Apesar da ausência de medidas mais duras no primeiro mandato do presidente Lula, a equipe econômica já deu sinais de preocupação sobre o aumento dos gastos obrigatórios.

No ano passado, o então secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avaliou que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que esse tema precisará ser discutido, inevitavelmente, em até dez anos.Antes de deixar o cargo em março, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu uma reformulação dos gastos sociais do governo, especialmente os voltados à assistência social.

Um controle maior dos gastos públicos é algo que vem sendo pedido por economistas do mercado financeiro desde o início do governo Lula.

Além da reforma de gastos sociais e de uma nova reforma previdenciária, eles também recomendam uma reforma administrativa, a desvinculação do salário mínimo das despesas previdenciárias e a desindexação de despesas com saúde e educação, entre outras medidas.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Cinco datas para tirar férias ainda em 2026 e ‘ganhar’ até seis dias de descanso

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/05/2026 03:59

Trabalho e Carreira Cinco datas para tirar férias ainda em 2026 e 'ganhar' até seis dias de descanso De maio a novembro, datas do calendário abrem espaço para folgas prolongadas com poucos dias de férias. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

A partir de abril, ainda dá para planejar folgas estratégicas que, com poucos dias de folga, se transformam em períodos mais longos longe do trabalho.

Em alguns casos, a combinação de feriados com fins de semana permite emendar até seis dias seguidos de descanso.

A legislação trabalhista permite emendar férias com feriados, desde que sejam respeitadas as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Tem feriado que cai no meio da semana e vira só uma pausa isolada. Mas outros parecem feitos sob medida para quem quer esticar o descanso sem gastar tantos dias de férias, e 2026 ainda guarda algumas dessas oportunidades no calendário.

A partir de abril, ainda dá para planejar folgas estratégicas que, com poucos dias de folga, se transformam em períodos mais longos longe do trabalho. Em alguns casos, a combinação de feriados com fins de semana permite emendar até seis dias seguidos de descanso.

A legislação trabalhista permite emendar férias com feriados, desde que sejam respeitadas as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como a proibição de iniciar o período de férias nos dois dias que antecedem feriados ou o descanso semanal.

👷 Dia do Trabalhador — até 17 dias de descanso usando 12 dias de férias📅 Sugestão: 4 a 15 de maioO feriado de 1º de Maio cai numa sexta-feira. Ao emendar as férias logo depois, é possível aproveitar dois fins de semana e somar até 17 dias de folga.🗡️ Independência do Brasil — até 16 dias usando 11 dias de férias📅 Sugestão: 8 a 18 de setembroO feriado de 7 de setembro cai numa segunda-feira. Com férias encaixadas e dois fins de semana, o descanso pode render até 16 dias.🙏 Nossa Senhora Aparecida até Finados — até 24 dias de descanso usando 18 dias de férias📅 Sugestão: 13 a 30 de outubroO feriado de 12 de outubro (segunda-feira) pode ser o início de uma folga que vai até antes de 2 de novembro (domingo). É uma boa opção para quem deseja viajar para fora do país ou descansar por mais tempo.⚰️ Finados + Consciência Negra — até 23 dias de descanso usando 17 dias de férias📅 Sugestão: 31 de outubro a 22 de novembroAo combinar os feriados de 2 de novembro (domingo) e 20 de novembro (quinta-feira), é possível garantir um dos períodos mais vantajosos do segundo semestre.🎄Natal e Ano Novo — pausa prolongada no fim de anoTanto o Natal quanto a Confraternização Nacional caem em sextas-feiras, o que facilita a criação de um recesso prolongado no final do ano.

Antes de marcar as férias, é importante lembrar algumas regras da CLT — e não são poucas. Por exemplo, existe um limite mínimo de dias para o descanso. Assim, quem pretende pedir apenas quatro dias para emendar com um feriado não conseguirá.

Mesmo quem deseja vender parte das férias para receber um dinheiro extra deve respeitar o limite máximo permitido por lei.

O g1 ouviu o advogado trabalhista Bruno Okajima para ajudar no planejamento. A seguir, ele responde às principais dúvidas:

🗓️ Posso emendar as férias com feriados ou finais de semana?➗ Em quantas vezes posso parcelar as férias?🤝 Quem decide as férias: o empregador ou o empregado?❌ Posso cancelar ou alterar o período de férias já marcado?💵 É possível vender todos os dias de férias?🙅‍♂️ É possível perder o direito às férias?👩‍🎓 Estagiários, temporários e PJs têm direito a férias?📝 Veja o calendário de feriados em 2026

Sim, desde que as férias não comecem nos dois dias que antecedem feriados ou o descanso semanal remunerado.

Segundo Okajima, essa regra evita que o trabalhador “perca” dias de férias ao coincidir com descansos já garantidos por lei. Além disso, convenções ou acordos coletivos podem estabelecer regras próprias sobre a emenda ou o início do período.

Desde a reforma trabalhista, as férias podem ser divididas em até três períodos. Um deles precisa ter pelo menos 14 dias corridos, e os outros dois, no mínimo 5 dias cada.

“O fracionamento depende de acordo entre empregado e empregador, e normas coletivas podem impor restrições ou condições específicas”, explica Okajima.

A decisão cabe ao empregador, que deve avisar o trabalhador com, no mínimo, 10 dias de antecedência.

Há exceções, como no caso de familiares que trabalham na mesma empresa, que podem tirar férias no mesmo período.

Em regra, as férias são definidas pelo empregador, que deve comunicá-las com 30 dias de antecedência. Após esse prazo, só podem ser alteradas ou canceladas mediante comum acordo.

Se o empregado já tiver assumido compromissos, como a compra de passagens, uma alteração unilateral pode gerar questionamentos. Algumas normas coletivas também preveem hipóteses de mudança em razão de necessidade do serviço.

Não. A CLT só permite vender até um terço do período — ou seja, até 10 dias, no caso de férias de 30 dias.

Esse direito, chamado de abono pecuniário, deve ser solicitado até 15 dias antes do fim do período aquisitivo. O pagamento deve ser feito junto com o das férias, até dois dias antes do início do descanso, e o empregador não pode recusar o pedido.

Sim. O trabalhador pode perder o direito se tiver mais de 32 faltas injustificadas no período aquisitivo ou em situações como:

licença remunerada superior a 30 dias, paralisação da empresa por mais de 30 dias com salário pago ou afastamento previdenciário (auxílio-doença ou acidente) por mais de seis meses, mesmo que descontínuos.

Fora essas hipóteses, o direito é irrenunciável. Caso a empresa não conceda as férias dentro do prazo legal, terá de pagá-las em dobro, explica Okajima.

A CLT assegura férias remuneradas a quem trabalha com carteira assinada, após 12 meses de serviço.

Estagiários, embora não sejam regidos pela CLT, têm direito a um recesso de 30 dias após um ano de estágio — proporcional se o período for menor — e remunerado quando há bolsa ou outra forma de contraprestação.

Já profissionais contratados como Pessoa Jurídica (PJ) não têm direito a férias, pois são considerados autônomos. Trabalhadores temporários, por sua vez, recebem férias proporcionais ao tempo trabalhado, pagas na rescisão se o contrato terminar antes de completar um ano.

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‘Trabalho mais perigoso do mundo’: o cientista que percorre o labirinto radioativo de Chernobyl

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/05/2026 03:59

Trabalho e Carreira 'Trabalho mais perigoso do mundo': o cientista que percorre o labirinto radioativo de Chernobyl Centenas de toneladas de material radioativo permanecem sob as ruínas de Chernobyl, 40 anos depois do acidente fatal. O trabalho de um jovem pesquisador é entrar nesse labirinto radioativo e proteger o mundo de um novo desastre nuclear. Por Carlos Serrano, Diana Kuryshko

Anatolii Doroshenko é pesquisador do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares, na Ucrânia — Foto: Getty Images via BBC

O reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, ficou completamente destruído com a explosão fatal do dia 26 de abril de 1986.

Mas, a cerca de 10 metros de profundidade, permanecem os centros de controle e monitoramento, que sobreviveram ao desastre.

"É como um grande labirinto embaixo do reator", explica à BBC o pesquisador Anatolii Doroshenko, de 38 anos, do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares (ISPNPP, na sigla em inglês).

Seu trabalho inclui percorrer esse labirinto pelo menos uma vez por mês — uma missão que, segundo a revista New Scientist, "pode ser considerada o trabalho mais perigoso do mundo".

Naquela rede de salas e corredores subterrâneos, tudo está contaminado pela radiação: o piso, os equipamentos, as paredes e até o ar.

A explosão do dia 26 de abril de 1986 destruiu o reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia — Foto: Getty Images via BBC

Ali, Doroshenko se encarrega de revisar os equipamentos, coletar dados, instalar medidores, retirar amostras e monitorar o estado do combustível nuclear.

Em algumas salas, a radiação é tão alta que o pesquisador precisa completar suas tarefas em menos de quatro minutos e sair imediatamente. Em outras, os níveis de radiação não permitem nem mesmo que ele se detenha por ali.

"O medo ajuda a manter o controle e seguir as orientações para garantir baixas doses de radiação", explica ele.

"Aqui, o maior risco é se acostumar às condições do lugar. Se você se acostumar ao medo, começa a ignorar que está rodeado de radiação. Qualquer coisa, uma luva, uma peça metálica, pode estar contaminada, mesmo que não se observe."

Os labirintos percorridos por Doroshenko são as instalações de onde era controlada a usina de Chernobyl.

O local é escuro. Alguns corredores têm iluminação, mas o pesquisador e seus colegas sempre levam lanternas.

Algumas passagens são tão estreitas que eles precisam caminhar agachados. Todas as salas e corredores estão sinalizados, mas é preciso conhecer bem o caminho para não se perder entre as passagens.

Eles também contam com mapas de contaminação, que indicam quais são as áreas com maior radioatividade.

Visitante da central nuclear de Chernobyl grava na sala de controle do bloco 4 destruído da usina — Foto: Getty Images via BBC

O local está repleto de tubos com água radioativa e perigosas formações de cório, uma substância produzida quando o combustível nuclear, sob temperaturas de milhares de graus Celsius, se misturou com a estrutura do núcleo do reator.

Essa substância se infiltrou entre as ruínas, como se fosse lava, formando figuras peculiares. Uma das mais conhecidas é a chamada "pata de elefante".

A 'pata de elefante' é uma formação de cório altamente radioativa — Foto: Getty Images via BBC

Existem ainda na unidade 4 cerca de 200 toneladas de combustível nuclear, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica. A previsão é que recuperar esse material altamente radioativo leve cerca de 40 anos.

Tudo está coberto por um sarcófago que, por sua vez, está rodeado pelo Novo Confinamento Seguro, um domo de aço mais alto que a Estátua da Liberdade. Ele foi projetado para vedar hermeticamente, durante 100 anos, o reator 4 e proteger o mundo da radiação de Chernobyl.

Grande parte desse combustível nuclear está em locais inatingíveis para Doroshenko e seus colegas.

Após a explosão de 1986, a unidade 4 foi coberta com grandes volumes de cimento, para deter a infiltração da radiação.

"Se pudéssemos retirar amostras do reator destruído, poderíamos determinar precisamente seu nível de risco nuclear", explica Doroshenko.

"Mas ele está sob uma enorme camada de cimento e o acesso humano é impossível. Por isso, realizamos medições para compreender quais processos ocorrem no combustível nuclear."

Tudo no interior do reator 4 de Chernobyl está contaminado pela radiação. — Foto: Getty Images via BBC

Para descer até o labirinto, Doroshenko utiliza diversas camadas de roupas protetoras. Elas incluem protetores dos braços, de sapatos e um respirador FFP2 com válvula.

Em algumas regiões mais estreitas, onde é preciso abrir caminho entre os escombros, ele acrescenta um traje especial de polietileno.

Ao sair, ele deve passar por diversos pontos de controle e por uma "zona suja", onde tira a roupa, que passa a ser descontaminada ou diretamente destruída, caso não se consiga remover a radiação.

Em seguida, vem uma ducha obrigatória e uma estação de dosimetria para confirmar que não haja partículas radioativas no seu corpo.

Doroshenko afirma que, para manter a segurança no reator, é preciso não entrar em pânico — Foto: Arquivo pessoal

Doroshenko gosta do seu trabalho. Ele conta que visitar a unidade 4 o leva a um estado de "quase euforia", uma emoção que, segundo ele acredita, pode ser comparada com escalar o Everest.

Cerca de 10 metros abaixo do reator 4 de Chernobyl, existe uma rede de salas e corredores que Doroshenko percorre uma vez por mês — Foto: Getty Images via BBC

"Este lugar está repleto de mitos e é frequentemente demonizado, mas não é tão assustador, como muitos tentam apresentá-lo", explica o pesquisador.

"Quando você está ali, se dá conta de que é uma estrutura criada por seres humanos. Você compreende que aquele espaço exige vigilância e supervisão constante."

"Se pessoas como nós deixarmos de descer ali, será iniciado um processo sem controle, o que é perigoso", afirma ele.

O reator 4 está coberto pelo Novo Confinamento Seguro, um domo de aço projetado para durar 100 anos — Foto: Getty Images via BBC

Uma vez por ano, Anatolii Doroshenko passa por exames médicos obrigatórios e, nas suas férias, tenta sempre ir para o mar.

"Não me impuseram um limite. Se vier uma geração que possa me substituir, pensarei em me aposentar. Mas, por enquanto, não penso nisso."

Para ele, o mais importante é que as pessoas tenham em mente os desafios enfrentados em Chernobyl: conter a radiação dos resíduos de combustível nuclear e manter o controle das instalações.

Imagem inicial de Caroline Souza, da Equipe de Jornalismo Visual da BBC Américas, com fotos da Getty Images e da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia.

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Há 2 horas Economia Começa nesta sextaVeja quem ganha e quem perde no Brasil com o acordo UE-Mercosul

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Acordo UE-Mercosul começa a valer; veja o que está em jogo para o agro — de frutas a carnes e café

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/05/2026 00:59

Agro Acordo UE-Mercosul começa a valer; veja o que está em jogo para o agro — de frutas a carnes e café Uma série de produtos terá taxas de importação gradualmente zeradas na Europa. Carnes terão redução de tarifas, mas com cota de exportação. Por Paula Salati, Vivian Souza, g1 — São Paulo

O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul passa a valer de forma provisória no Brasil nessa sexta-feira (1°).

Com isso, o agronegócio brasileiro, alvo de forte resistência de produtores europeus, passa a se beneficiar nas exportações para o mercado europeu.

O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.

Entre os itens que vão passar a ter taxa zero, estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel e moído – o café em grão já entra na Europa sem taxa.

Outros produtos terão redução de imposto, mas condicionada a cotas de exportação. É o caso de carne bovina, frango e porco, que são considerados produtos “sensíveis” pelos europeus por competirem diretamente com a produção local.

O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul passa a valer de forma provisória no Brasil nessa sexta-feira (1°). Com isso, o agronegócio brasileiro, alvo de forte resistência de produtores europeus, passa a se beneficiar nas exportações para o mercado europeu.

➡️ O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto.

Entre os itens que vão passar a ter taxa zero, estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel e moído — o café em grão já entra na Europa sem taxa.

Outros produtos terão redução de imposto, mas condicionada a cotas de exportação. É o caso de carne bovina, frango e porco, que são considerados produtos “sensíveis” pelos europeus por competirem diretamente com a produção local.

Os produtores da UE desses setores são justamente os que resistem ao acordo, mesmo após sua assinatura em 17 de janeiro. Por pressão deles e de ambientalistas, o Parlamento europeu enviou o tratado para o Tribunal de Justiça do bloco, o que deve atrasar sua implementação definitiva .

Ainda assim, a aplicação provisória já permite o início da redução das tarifas. Ao longo dos últimos meses, o g1 conversou com diversos setores do agro brasileiro para entender os potenciais benefícios do acordo e suas limitações.

Mesmo os segmentos que já exportavam com tarifa zero para a UE avaliam positivamente o tratado, pois, segundo eles, acordos comerciais não se limitam à redução de tarifas, mas também abrem espaço para ampliação de investimentos bilaterais.

Os exportadores de frutas estão entre os setores que mais devem se beneficiar do tratado. A uva brasileira, por exemplo, passará a entrar na União Europeia com tarifa zero a partir dessa sexta (1º), diz Luiz Roberto Barcelos, diretor da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

Outros produtos como abacate, limão, melão, melancia e maçã terão tarifas zeradas de 4 a 7 anos. O cronograma ficou assim:

🍇uva: tarifa de 11% zera imediatamente;🥑abacate: taxa de 4% zera em 4 anos;🍋‍🟩limão: imposto de 14% zera em 4 anos;🍉melão e melancia: taxa de 9% zera em 7 anos;🍎maçã: taxa de 10% zera em 10 anos.

Segundo Barcelos, a medida tende a impulsionar o consumo de frutas brasileiras no continente europeu, ao reduzir os custos para os importadores.

"O Brasil exporta frutas como melão e melancia em períodos de entressafra europeia, além de frutas tropicais que não são produzidas localmente, o que reduz riscos de competição direta com produtores do bloco", afirma.

Nesse setor, os cafés solúvel e moído são os que mais devem ganhar com o acordo, pois o produto em grão, que representa 97% das vendas para a Europa, já entra no bloco sem tarifa.

A UE aplica uma taxa de importação de 9% sobre o café solúvel brasileiro e de 7,5% sobre o torrado e moído. Mas, a partir dessa sexta, essas taxas vão começar a cair todos os anos, até zerar em 2030.

"Cada ano, a taxa cairá 25%. No quinto ano, será zerada completamente", disse ao g1 Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

"O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa", destaca.

Para ele, mesmo que quase todas as exportações já sejam isentas de tarifa, os benefícios de um tratado comercial não devem ser subestimados.

"Um acordo comercial é mais do que redução de tarifas. No setor de café, isso representa, por exemplo, a possibilidade de um grande grupo empresarial investir em fábricas no Brasil, de produzir seus blends aqui", afirma.

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Já o potencial de aumento das exportações de carnes é mais restrito, seja pelas cotas que condicionam a redução de tarifas, seja pelas regras que a UE aprovou para proteger seus pecuaristas.

Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes.

Tradicionalmente, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação na UE. Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Com o acordo, esse percentual será zerado, informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Outros tipos de carne pagavam tarifa de 12,8% mais 221,1 euros por 100 kg. Com o acordo, essa cobrança é substituída por uma cota conjunta para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai de até 99 mil toneladas anuais, com tarifa de 7,5% — bem abaixo das 128 mil toneladas que o Brasil exportou sozinho para a UE no ano passado.

Em dezembro do ano passado, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, disse que a nova cota é pequena, mas que o acordo em si fortalece as relações com a UE.

Já Roberto Perosa, presidente da Abiec, questionou em janeiro se o mercado terá "apetite" para crescer além do patamar atual ou se o acordo servirá sobretudo para reduzir o imposto sobre o que já é exportado, melhorando margens de lucro sem ampliar volumes.

Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves. Até então, o setor contava com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país exporta até 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada.

A partir dessa sexta, contudo, o Brasil passa a ter, junto a outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero.

A cota começa menor no primeiro ano e cresce em parcelas anuais iguais até atingir o total no sexto ano, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). As exportações fora dessa cota continuarão sujeitas às tarifas atuais.

"O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional", disse a entidade, em dezembro. "Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango", concluiu a ABPA.

No setor de sucos de laranjas, os principais produtos exportados terão redução gradual de tarifas até chegar a zero em 7 a 10 anos. As alíquotas vigentes até então variavam de 12,2% a 33,6%, com algumas categorias sujeitas a um valor adicional por quilo.

"Em cinco anos, já alcançaremos uma tarifa 50% menor do que a praticada hoje, o que é relevante", disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, em dezembro.

Segundo a associação, a diminuição das taxas deve gerar uma economia tarifária de aproximadamente US$ 250 milhões — o equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão — nos primeiros cinco anos de vigência para as exportações brasileiras de suco de laranja.

A soja e os produtos florestais são, respectivamente, o segundo e o terceiro itens mais exportados pelo Brasil à UE, atrás apenas do café. Eles já têm tarifa zero na Europa, mas associações setoriais celebraram o acordo.

“Trata-se de uma negociação construída ao longo de muitos anos, que agora dá mais um passo estratégico para aproximar duas regiões, em um momento de escala do protecionismo e forte enfraquecimento do multilateralismo como conhecíamos até então", diz Paulo Hartung, presidente executivo da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores)

"No caso da celulose, […] o ganho está mais ligado ao ambiente geral, com maior previsibilidade e segurança nas relações comerciais entre os blocos.”

Já a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) disse que "o acordo poderá reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados".

Em dezembro, a UE aprovou uma série de proteções aos seus produtores rurais, conhecidas como "salvaguardas", que incomodaram o agro brasileiro.

Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.

Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio.

Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo que foi negociado entre as partes, mas que farão parte de um regulamento interno da UE.

Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.

Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.

"Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem", diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.

Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. "A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa", exemplificou.

Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas.

"Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada", disse a ABPA, ao g1.

O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates.

As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia.

O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países. Em janeiro, o tratado foi assinado e entra em vigor de forma provisória nessa sexta.

“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo", disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupo das maiores economias do mundo.

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Acordo UE-Mercosul: imposto do vinho europeu começa a cair nesta sexta e zera em 2034; veja datas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/05/2026 00:59

Agro Acordo UE-Mercosul: imposto do vinho europeu começa a cair nesta sexta e zera em 2034; veja datas Taxa de importação sobre vinhos europeus e champanhes cairá de 27% para 24% nesta sexta, e para 21% em 1º de janeiro de 2027. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

A taxa de importação sobre vinhos e champanhes europeus começa a cair progressivamente nessa sexta-feira (1°) e será zerada em 2034 para os brasileiros.

A mudança faz parte do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que passa a valer de forma provisória a partir deste mês.

Até então, o imposto cobrado na importação de vinhos e champanhes da UE era de 27%. Com o acordo, a taxa cai para 24% nesta sexta e para 21% em 1º de janeiro de 2027.

Já os espumantes têm um cronograma diferente. As garrafas com preço acima de US$ 8 por litro terão a tarifa zerada imediatamente. Já os rótulos abaixo desse valor só ficarão isentos após 12 anos.

A redução de tarifas será aplicada mesmo na fase provisória do acordo, que só não entrou em vigor de forma definitiva por causa resistência de produtores rurais europeus, principalmente dos franceses.

A taxa de importação sobre vinhos europeus e champanhes começa a cair progressivamente nessa sexta-feira (1°) e será zerada em 2034. A mudança faz parte do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que passa a valer de forma provisória a partir deste mês.

🍷 O imposto de importação sobre vinhos cairá de 27% para 24% nesta sexta, e para 21% em 1º de janeiro de 2027.

Abaixo, o g1 mostra como fica a tarifa ano a ano, com base em informações obtidas junto aos Ministérios do Desenvolvimento (Mdic) e da Agricultura (Mapa) e à Comissão Europeia.

Veja como ficam as taxas de importação de vinhos europeus e de champanhe até 2034. — Foto: Arte/g1

Já os espumantes têm um cronograma diferente. As garrafas com preço acima de US$ 8 por litro terão a tarifa zerada imediatamente. Já os rótulos abaixo desse valor só ficarão isentos após 12 anos.

➡️ A diferença entre champanhe e espumante está em sua origem: todo champanhe é um espumante, mas só pode receber esse nome se for feito na região de Champagne, na França, seguindo regras específicas de produção.

A redução de tarifas será aplicada mesmo na fase provisória do acordo, que só não entrou em vigor de forma definitiva por causa resistência de produtores rurais europeus, principalmente dos franceses.

Eles temem que produtos agrícolas sul-americanos se tornem mais baratos na Europa, reduzindo a competitividade dos produtores locais

O acordo foi assinado no dia 17 de janeiro, após mais de 25 anos de negociações marcadas por idas e vindas. No entanto, quatro dias depois, o Parlamento europeu decidiu enviar o tratado para o Tribunal de Justiça da UE para revisão jurídica, o que deve atrasar a implementação definitiva.

Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV, diz que a redução de imposto pode baratear o preço dos vinhos e ampliar a variedade de rótulos europeus no país.

Ele explica que a Europa, diferentemente do Brasil, reúne alguns dos maiores produtores de vinho do mundo — como Itália, França e Espanha —, o que permite a oferta de bebidas mais baratas. “É possível encontrar vinhos muito bons por dois, três ou quatro euros”, afirma.

No entanto, na visão dele, o que desestimula a compra desses vinhos mais baratos pelo Brasil é justamente a alta taxa de importação.

"Com as tarifas atuais, é melhor você importar um vinho de 15 euros do que de cinco. Por quê? Porque a tarifa do imposto acaba igualando todos eles em uma faixa semelhante de preço e o cliente brasileiro que compra vinho da Europa já está disposto a pagar mais caro por ele", diz Kanter.

Ele afirma, no entanto, que a redução gradual da taxa vai estimular as empresas brasileiras a diversificarem as suas compras e a apostar em vinhos europeus de menor preço.

"Eu acredito que o consumidor brasileiro vai ser beneficiado. Ele vai passar a ter acesso a uma oferta muito maior de vinhos de qualidade média, a preços extremamente competitivos, muito mais do que você encontra hoje no mercado", ressalta.

"Hoje, para você ter um preço competitivo, você compra do Chile ou da Argentina", comenta o professor.

Esses dois países sul-americanos têm um volume de produção de vinho bem maior que o do Brasil. E é por isso que os rótulos chilenos e argentinos são, em geral, mais em conta que os nacionais no mercado brasileiro, diz Kanter.

Com o tempo, ele acredita que os vinhos europeus sigam a mesma tendência observada hoje nos rótulos chilenos e argentinos.

O professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer, concorda, e aposta que o brasileiro "vai tomar vinho mais barato", principalmente pelo aumento da concorrência entre mais países pelo mercado nacional.

Os dois especialistas destacam que essa diminuição de preço não será imediata e deve acontecer gradualmente.

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Chegou a hora! Veja quem ganha e quem perde no Brasil com o acordo UE-Mercosul

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 01/05/2026 00:59

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%MoedasDólar ComercialR$ 4,952-0,99%Dólar TurismoR$ 5,155-1,09%Euro ComercialR$ 5,811-0,48%Euro TurismoR$ 6,064-0,54%B3Ibovespa187.318 pts1,39%Oferecido por

Mais de 80% das exportações brasileiras para a União Europeia passam a ter tarifa zerada, incluindo mais de 5 mil produtos.

No entanto, os ganhos desse acordo tendem a ser distribuídos de forma desigual entre setores e regiões.

O impacto no PIB deve ser limitado, com alta de até 0,5% até 2040 e maior efeito sobre comércio exterior e investimentos.

Agronegócio exportador e indústria competitiva estão entre os principais beneficiados, junto a setores que usam insumos europeus.

Indústria menos competitiva e pequenos produtores devem enfrentar maior pressão no mercado interno.

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começa a ser aplicado provisoriamente nesta sexta-feira (1º), após mais de duas décadas de negociações. A implementação é gradual, mas já produz efeitos imediatos sobre as exportações brasileiras.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos enviados pelo Brasil ao bloco europeu passam a ter tarifa de importação zerada já nesta etapa inicial.

🛒 Ao todo, mais de 5 mil itens entram no mercado europeu sem imposto, ampliando o acesso das empresas nacionais.

Embora o Brasil seja o principal beneficiado, concentrando mais de 80% do comércio do Mercosul com a União Europeia e tendo papel central nas negociações, isso não necessariamente se traduz em ganhos uniformes entre setores e regiões do país.

Estimativas do governo apontam para um impacto positivo, porém limitado, entre 0,3% e 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, com efeitos mais concentrados sobre atividades mais ligadas ao comércio exterior. (veja o mapa abaixo)

Ao g1, a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Regiane Bressan explicou que o acordo amplia oportunidades, ao mesmo tempo em que expõe fragilidades estruturais do país.

“Ele beneficia quem já é competitivo, mas deve acabar pressionando quem depende mais do mercado interno.”

Os ganhos mais rápidos devem aparecer no agronegócio voltado à exportação, setor tradicionalmente competitivo e favorecido pelo desenho do acordo.

Entre os produtos brasileiros com maior potencial de aumento nas vendas para a União Europeia estão:

Embora o acesso ao mercado europeu seja limitado por cotas em itens sensíveis, como carne bovina e açúcar, especialistas destacam que o volume autorizado já representa uma ampliação relevante em relação ao comércio atual.

Esses efeitos tendem a beneficiar principalmente o Centro-Oeste, onde se concentram grãos e proteína animal, e parte do Sul, com forte presença de agroindústria exportadora.

Diferentemente de outros acordos firmados pelo Brasil, o tratado com a União Europeia também traz ganhos imediatos para a indústria exportadora.

Dados da CNI mostram que, dos 2.932 produtos brasileiros com tarifa zerada já na entrada em vigor, cerca de 93% são bens industriais.

máquinas e equipamentos;metalurgia;materiais elétricos;produtos químicos;alimentos industrializados.

No setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, quase 96% das exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifa, incluindo compressores, bombas industriais e peças mecânicas.

Segundo a entidade, a eliminação das tarifas reduz custos e aumenta a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes de países que não possuem acordo comercial com o bloco europeu.

Outro grupo que pode se beneficiar do acordo — ainda que de forma mais gradual — é a indústria brasileira que utiliza insumos, máquinas e componentes europeus.

Hoje, tarifas que chegam a 35% encarecem equipamentos, peças e produtos químicos importados da União Europeia. Com a eliminação progressiva dessas tarifas, empresas podem reduzir custos de produção, ganhar eficiência e melhorar sua competitividade, inclusive no mercado interno.

indústria química;farmacêutica;autopeças;máquinas e equipamentos;setores de alta dependência tecnológica.

Especialistas ressaltam, porém, que esses ganhos dependem de investimentos, modernização e de um ambiente de negócios mais favorável no país.

Por outro lado, o acordo tende a aumentar a pressão sobre setores industriais menos competitivos, sobretudo aqueles voltados ao mercado interno e com menor capacidade de inovação.

Mesmo com prazos longos para a redução de tarifas — que em alguns casos chegam a 15 ou 18 anos —, a expectativa é de intensificação gradual da concorrência com produtos europeus de maior valor agregado.

O risco, segundo especialistas, não é um fechamento abrupto de fábricas, mas uma perda progressiva de participação de mercado, especialmente no Sudeste, principal polo industrial do país.

Outro grupo que vê o acordo com cautela é o da agricultura familiar e de pequenos produtores, especialmente em segmentos como queijos, vinhos e produtos artesanais.

Embora o tratado proteja indicações geográficas brasileiras, produtores apontam que a concorrência com produtos europeus — muitas vezes subsidiados e produzidos em grande escala — pode dificultar a permanência no mercado doméstico.

Para esses segmentos, Bressan destaca que o acordo exige adaptação rápida, acesso a crédito, certificações e políticas públicas de apoio.

INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul — Foto: Arte/g1

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