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UE proíbe termo ‘carne vegetal’ para proteger pecuaristas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 12:45

Agro UE proíbe termo 'carne vegetal' para proteger pecuaristas Medida representou uma vitória ao agro europeu, que argumenta que os alimentos à base de plantas que imitam a carne induzem consumidor a erro. Ambientalistas se opõe à decisão. Por Redação g1

O Parlamento Europeu aprovou, nesta terça-feira (16), uma lei que proíbe o uso do termo "carne vegetal" para produtos à base de plantas, com o objetivo de proteger os seus pecuaristas, informou a agência de notícias France Presse.

Apesar disso, o bloco continua permitindo o uso de denominações como "hambúrguer vegetariano" e "salsicha vegetal", após um acordo alcançado em março entre eurodeputados e representantes dos Estados-membros.

A proibição – que ainda precisa da aprovação definitiva dos Estados-membros – representa uma vitória para os pecuaristas, que argumentam que os alimentos de origem vegetal que imitam a carne podem induzir os consumidores ao erro e prejudicar seu setor.

"Esta é uma vitória para nossos produtores, para sua experiência e para a transparência que se deve aos consumidores", afirmou Celine Imart, produtora de cereais e deputada francesa de direita que impulsionou a proposta.

➡️ O texto restringe o uso da etiqueta genérica "carne", assim como uma longa lista de termos que incluem "vitela", "porco", "frango", "peru", "pato" e "cordeiro".

Além disso, define claramente a carne como "partes comestíveis de animais", proibindo também seu uso para produtos cultivados em laboratório ou à base de células.

Os varejistas do setor de alimentos na Alemanha, o maior mercado europeu de produtos alternativos de origem vegetal, tinham se oposto a este veto, junto com ambientalistas e defensores dos consumidores.

O cantor Paul McCartney também havia se manifestado em defesa dos bifes à milanesa de soja e das salsichas de tofu.

➡️ O consumo, na União Europeia (UE), de alternativas vegetais aos produtos feitos com carne quintuplicou desde 2011, segundo dados da organização de consumidores BEUC, impulsionado pela preocupação com o bem-estar animal, o impacto ambiental da pecuária e questões de saúde.

No entanto, o debate ainda não foi concluído. A nova norma será aplicada, em um primeiro momento, até o final do próximo ano.

Para o período seguinte, já estão em curso as negociações sobre a organização comum de mercado da UE para os produtos agrícolas, que é revista a cada sete anos.

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Trump e Lula posam para ‘foto de família’ do G7; VEJA as imagens

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 11:45

Mundo Trump e Lula posam para a 'foto de família' do G7; VEJA as imagens Grupo reúne as principais economias ricas do mundo e discute temas globais. Brasil não faz parte, mas foi convidado para a cúpula na França. 16/06/2026 10h36 Atualizado 16/06/2026

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) posaram nesta terça-feira (16) para a tradicional "foto de família" durante a cúpula do G7, que acontece na cidade de Evian, na França.

O encontro acontece em meio a tensões entre Brasil e EUA por conta da aplicação pelo governo Trump de novas tarifas contra produtos brasileiros.

➡️ A chamada "foto de família" é a fotografia oficial tirada em encontros de chefes de Estado e de governo. O nome vem da ideia de reunir todos os participantes em uma única imagem e serve como um símbolo de unidade.

o presidente da França, Emmanuel Macron; o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni; a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi; a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa; a chanceler da Alemanha, Friedrich Merz; o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi; a presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; o presidente do Quênia, William Ruto; e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.

Contexto: o G7 é um grupo das principais economias ricas do mundo que se reúne para discutir temas globais. Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — além da União Europeia – participam das reuniões. O Brasil não integra o G7, mas pode ser convidado para a cúpula.

Foto de família da cúpula do G7 em Evián, na França, com residente dos EUA, Donald Trump; presidente da França, Emmanuel Macron; primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni; primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi; presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa; chanceler da Alemanha, Friedrich Merz; presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi; presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung; primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; presidente do Quênia, William Ruto; e primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, em 16 de junho de 2026. — Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters

Keir Starmer (Reino Unido), Donald Trump (EUA), William Ruto (Quênia) e Emmanuel Macron (França). — Foto: REUTERS/Isabel Infantes/Pool REFILE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda) participa de foto de família da cúpula do G7 em Evián, na França, em 16 de junho de 2026. — Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters

Trump acena pouco antes da tradicional 'foto de família' do G7. — Foto: Reuters/Isabel Infantes/Pool

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante fotografia oficial dos chefes de delegação dos países membros e dos países convidados do G7, em Évian-les-Bains – França. — Foto: Ricardo Stuckert / PR

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Com acordo entre EUA e Irã, governo vai suspender subsídios aos combustíveis, diz ministro

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 11:45

Política Com acordo entre EUA e Irã, governo vai suspender subsídios aos combustíveis, diz ministro Em entrevista à GloboNews, Guimarães afirmou que redução das tensões no Oriente Médio deve aliviar a pressão sobre os preços internacionais do petróleo. Por Túlio Amâncio, GloboNews — Brasília

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta terça-feira (16) que o governo pretende suspender os subsídios aos combustíveis caso seja confirmado o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, previsto para ser assinado na sexta-feira (19), segundo anúncios feitos por líderes dos dois países.

Em entrevista à GloboNews, Guimarães afirmou que a redução das tensões no Oriente Médio deve aliviar a pressão sobre os preços internacionais do petróleo, tornando desnecessária a manutenção das medidas adotadas pelo governo para conter o impacto dos combustíveis sobre o consumidor.

Gasolina: o subsídio é de R$ 0,44 por litro, valor que corresponde a cerca da metade dos tributos federais incidentes sobre o combustível (PIS/Cofins e Cide, que somam R$ 0,89 por litro).Diesel: o benefício é de R$ 1,12 por litro. A medida foi adotada após o fim da isenção total dos tributos federais sobre o combustível.Diesel importado: a União e os estados mantêm um mecanismo de compensação para incentivar as importações e garantir o abastecimento do mercado nacional.

Segundo o ministro, a eventual queda dos preços internacionais também esvaziaria a necessidade de aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114, em tramitação na Câmara dos Deputados, que prevê medidas para reduzir a carga tributária sobre combustíveis a partir de 2026.

“Se o acordo de paz for assinado — e essa é a nossa expectativa para sexta-feira —, nós retiraremos da tramitação na Câmara o PLP 114. Isso vai ser um alívio muito grande”, afirmou Guimarães.

LEIA TAMBÉM: Preços do petróleo caem após anúncio do acordo de paz entre Irã e EUA e reabertura do Estreito de Ormuz

A perspectiva de entendimento entre Estados Unidos e Irã reduziu os temores do mercado sobre possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo. Com isso, o preço da commodity registrou forte queda nesta terça-feira.

O barril do petróleo Brent, referência internacional, recuou cerca de 5% e passou a ser negociado na faixa entre US$ 81 e US$ 83, o menor patamar em três meses.

O mercado financeiro reagiu ao anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por mediadores internacionais envolvidos nas negociações, reforçando a expectativa de normalização da oferta global de energia.

A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle — Foto: A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle

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IA do Facebook vira ‘buscador’ e vai usar posts de usuários para dar respostas; entenda

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 11:45

Tecnologia IA do Facebook vira 'buscador' e vai usar posts de usuários para dar respostas; entenda Ferramenta 'AI Mode' usará dados de grupos e Reels para responder buscas de usuários; plataforma também ganha novos recursos de edição de fotos e vídeos com IA. Por Redação g1

Novo recurso de IA do Facebook cria respostas com base em postagens de usuários da plataforma — Foto: Divulgação / Meta

A Meta, dona do Facebook e do Instagram, anunciou na segunda-feira (15) o lançamento do "AI Mode", uma ferramenta de busca dentro do Meta AI que vai dar respostas baseadas em conteúdos compartilhados publicamente por outras pessoas em aplicativos da empresa.

A novidade, segundo a companhia, busca oferecer perspectivas e experiências reais, em vez de exibir apenas uma lista de resultados de busca, como o Google.

Ao fazer uma pergunta em linguagem natural, o sistema processa discussões e opiniões de usuários para formular uma resposta direta.

O mecanismo é impulsionado pela tecnologia Muse Spark e visa facilitar a localização de recomendações e opiniões compartilhadas na rede social.

O g1 perguntou à Meta se o recurso já está disponível no Brasil e se haverá moderação do que é exibido e aguarda reposta.

Além da busca, a atualização traz recursos criativos baseados em inteligência artificial para facilitar a criação e o compartilhamento de conteúdo.

O sistema atualizou as sugestões do rolo de câmera com novos modelos de recorte para colagens, capazes de reunir de forma automática registros como encontros de amigos realizados no último mês.

Novo recurso de IA do Facebook faz colagens com fotos do usuário e amigos — Foto: Divulgação / Meta

A ferramenta também adicionou novos efeitos de transição para produzir montagens de vídeo estilizadas com apenas um toque.

De acordo com a Meta, essas sugestões de fotos e vídeos obtidas a partir do rolo de câmera funcionam de forma estritamente opcional.

O recurso exige a autorização prévia do usuário para operar e pode ser completamente desativado a qualquer momento por meio das configurações de privacidade do aplicativo.

Novo recurso de IA do Facebook permite trocar roupas e acessórios em fotos — Foto: Divulgação / Meta

Também foram lançados filtros de fotos que permitem alterar virtualmente o vestuário, os penteados e os acessórios dos usuários com o auxílio da tecnologia.

No caso de torcedores, a função permite vestir digitalmente a camisa de um time de preferência. Para utilizar o recurso, basta tocar no ícone de edição de inteligência artificial nos Stories e escolher a opção "Wear It", ou acessar a foto de perfil e selecionar a mudança de guarda-roupa nas ferramentas de estilo.

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Trump diz que ‘em breve’ pode voltar a impor sanções ao petróleo da Rússia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 10:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0750,15%Dólar TurismoR$ 5,266-0,09%Euro ComercialR$ 5,8880,29%Euro TurismoR$ 6,120-0,05%B3Ibovespa169.536 pts-0,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0750,15%Dólar TurismoR$ 5,266-0,09%Euro ComercialR$ 5,8880,29%Euro TurismoR$ 6,120-0,05%B3Ibovespa169.536 pts-0,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,0750,15%Dólar TurismoR$ 5,266-0,09%Euro ComercialR$ 5,8880,29%Euro TurismoR$ 6,120-0,05%B3Ibovespa169.536 pts-0,52%Oferecido por

Oleoduto de Druzhba, que passa pela Ucrânia e leva petróleo russo para países da Europa. Foto de 2022. — Foto: REUTERS/Bernadett Szabo/Foto de Arquivo

O presidente americano Donald Trump disse nessa terça-feira (16) que "em breve" os EUA poderão voltar a impor sanções ao petróleo da Rússia.

A declaração foi feita a jornalistas, durante uma reunião com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, o xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan, na cúpula do G7, na França.

Trump afirmou que os Estados Unidos podem, agora, deixar expirar as isenções relacionadas ao petróleo russo, após fecharem um acordo para encerrar a guerra com o Irã.

Em março, Trump tomou uma medida controversa, ao aliviar as sanções à Rússia, em meio à crise no Oriente Médio, para evitar uma disparada nos preços da energia. Na época, a decisão provocou críticas dos aliados europeus.

Os Estados Unidos e o Irã, que estavam em guerra desde o fim de fevereiro, anunciaram no fim de semana que chegaram a um acordo para encerrar o conflito.

O anúncio não significa, porém, o fim automático da guerra. O acordo prevê, inicialmente, um cessar-fogo — ou seja, uma trégua nos ataques, e não o fim definitivo deles.

Esse cessar-fogo duraria enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. Outras questões, como a navegação no Estreito de Ormuz e a compensação financeira do Irã, não estão completamente esclarecidas até o momento.

A íntegra do acordo será conhecida na sexta-feira (19), quando haverá uma cerimônia para assinatura do documento em Genebra, na Suíça.

Em meio ao anúncio, o barril de petróleo Brent era negociado abaixo do valor de US$ 80 dólares pela primeira vez desde o início de março, depois que Trump anunciou que o Estreito de Ormuz será totalmente reaberto até sexta-feira.

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Parlamento europeu aprova acordo comercial com EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 08:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%Oferecido por

O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira (16) uma redução de tarifas de importação sobre diversos produtos dos EUA, cumprindo sua parte em um acordo comercial firmado no ano passado, informou a agência de notícias Reuters.

A aprovação acontece onze meses depois de o acordo ter sido firmado, durante um encontro em um campo de golfe de Trump, na Escócia.

Diante da demora, Trump ameaçou impor tarifas “muito mais altas” caso o bloco não adotasse as medidas até 4 de julho.

Pelo entendimento, a UE concordou em eliminar tarifas sobre produtos industriais americanos e conceder acesso preferencial a produtos agrícolas dos EUA. Em troca, os EUA mantiveram tarifas de 15% sobre a maior parte dos bens europeus.

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Leilões de propriedades rurais disparam no Brasil com aumento da inadimplência no campo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 05:49

Agro Leilões de propriedades rurais disparam no Brasil com aumento da inadimplência no campo Número de imóveis levados a leilão cresce com aumento das dívidas de produtores, pressionados por juros altos, queda nos preços de grãos e eventos climáticos. Por Reuters

Os leilões de propriedades rurais retomadas por credores estão crescendo rapidamente em todo o Brasil, segundo dados compilados para a Reuters, à medida que a inadimplência no campo chegou a quase um quinto dos empréstimos em circulação.

A queda nos preços dos grãos, os juros elevados e o aumento dos custos dos insumos, somados aos impactos de um clima cada vez mais imprevisível, têm levado a falências e à perda de propriedades rurais no país, disseram produtores e analistas à Reuters.

Para agravar a situação, agricultores brasileiros se preparam para a possível ocorrência de um “super El Niño”, que pode prejudicar a produtividade das safras e reduzir ainda mais a renda no campo.

Além disso, a alta nos preços dos fertilizantes durante a guerra no Irã levou muitos agricultores a reduzir os planos de novos plantios.

O Rio Grande do Sul é um dos estados mais afetados pela inadimplência, após as enchentes catastróficas de 2024, associadas ao fenômeno El Niño e às mudanças climáticas, segundo estudo publicado em janeiro na revista “NPJ Natural Hazards”, da editora Nature.

As dívidas com problemas de pagamento no crédito rural mais que quadruplicaram em dois anos, chegando a R$ 171,2 bilhões no início deste ano, segundo dados do Banco Central. Já a parcela de empréstimos em atraso no crédito rural subiu para 19,6%, ante 5,5% dois anos antes.

"Este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado", disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura do Brasil, Guilherme Campos, à Reuters.

Os credores têm intensificado a execução de garantias e tomado mais terras agrícolas em caso de inadimplência, o que elevou o número de propriedades levadas a leilão, segundo dados do site Leilão Imóvel obtidos pela Reuters.

O volume desses leilões chegou a 14.219 propriedades rurais em 2025, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.

As propriedades retomadas e leiloadas por meio de processos extrajudiciais — mais rápidos — quase dobraram, chegando a 2.398 no ano passado.

O Leilão Imóvel passou a acompanhar cerca de 7% mais leiloeiras em 2025, o que significa que os dados não são totalmente comparáveis, explicou o cofundador André Figueiredo, à Reuters.

Ainda assim, as maiores leiloeiras compartilham dados desde 2019, o que indica uma tendência clara de piora nas condições financeiras dos produtores, afirmou.

"O volume de imóveis rurais aumentou bastante", disse ele, acrescentando que as regiões voltadas para a produção de soja e outros grãos foram as mais afetadas.

Os pedidos de recuperação judicial do setor agrícola cresceram 56% em 2025, após mais que dobrarem em 2024, segundo dados da Serasa Experian.

Os produtores ainda enfrentam dificuldades para se recuperar de uma série de choques recentes, disse o responsável pelo setor de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, à Reuters.

Segundo ele, fatores como o clima adverso, a queda nos preços das exportações agrícolas — especialmente da soja — e a taxa básica de juros, que subiu de 2% para 15% em cinco anos, têm dificultado o pagamento das dívidas.

"A perspectiva para frente não é boa", acrescentou ele. "Os juros ficaram muito altos e não sabe onde vão ficar os preços das commodities. A chance de choques por problemas climáticos é muito alta."

Um agricultor do Rio Grande do Sul, que pediu para não ser identificado, afirmou que tem dificuldade para lidar com juros “impagáveis” após perdas causadas por eventos climáticos extremos. Segundo ele, um credor já tomou posse de mais da metade da fazenda da família.

"A mudança climática, ela é expressiva, ela é evidente. Nós não estamos conseguindo produzir uma hora por muita chuva e outra hora por muito sol. Então eu te digo assim: o fator clima é o fator que nos colocou nessa posição."

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Único brasileiro inscrito em audiência sobre tarifaço defende PIX e cobra debate técnico: ‘Temos que sair da retórica’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 05:49

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%MoedasDólar ComercialR$ 5,0670,09%Dólar TurismoR$ 5,2710,09%Euro ComercialR$ 5,8690,21%Euro TurismoR$ 6,1230,23%B3Ibovespa170.415 pts-0,42%Oferecido por

Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro — Foto: Arquivo pessoal

Até agora, somente um brasileiro se inscreveu para participar da audiência pública que pode influenciar os próximos rumos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Gustavo Pessoa é professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro.

A audiência está prevista para 6 de julho e antecede a decisão final do governo dos EUA sobre possíveis medidas comerciais. Empresas, associações, governos e outros interessados poderão apresentar seus posicionamentos.

O processo é conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que investiga práticas relacionadas a produtos brasileiros e ainda está na fase de coleta de informações.

A investigação abrange diferentes temas, entre eles o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção e o PIX — sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central que passou a ocupar papel central na apuração.

⚖️ As inscrições seguem abertas até 22 de junho. As manifestações enviadas passam a integrar oficialmente o processo e podem influenciar os próximos desdobramentos da investigação.

Pessoa afirma que decidiu se inscrever porque considera que o debate sobre o PIX deixou de tratar apenas de um meio de pagamento e passou a envolver a infraestrutura do sistema financeiro. Para ele, o processo exige explicações técnicas e espaço para diferentes pontos de vista.

"É importante que aparecesse alguém de forma independente para tentar explicar isso de uma forma um pouco melhor e até apontar uma forma de resolver a questão no campo técnico."

Em entrevista ao g1, o economista comenta os questionamentos dos EUA sobre o PIX, discute o papel do BC como regulador e operador do sistema e afirma que transparência e diálogo institucional podem ser mais eficazes do que medidas comerciais amplas.

g1 – Você pediu para participar da audiência pública da USTR em um momento em que há poucas inscrições. O que motivou essa iniciativa e que contribuição acredita poder levar ao debate?

Gustavo Pessoa: Sou professor de Economia na FGV e pesquiso falhas sistêmicas no sistema financeiro. Então, é um tema que já venho pesquisando há bastante tempo. E essa questão do PIX é muito sensível porque, se analisarmos hoje, mais de 54% de todas as transações no Brasil são realizadas via PIX. Então, a discussão deixou de ser apenas uma questão de meio de pagamento e virou uma questão de infraestrutura.

E tudo o que se refere à infraestrutura, com mais da metade de todos os processamentos passando por ele, cria uma questão de potencial risco sistêmico. Hoje, o PIX transaciona mais de duas vezes o PIB do Brasil — estamos falando de algo em torno de R$ 25 trilhões por ano, o que faz dele uma ferramenta importantíssima.

A segunda questão é que pode existir um conflito de interesse entre o Banco Central, que é o regulador, e também o provedor desse serviço. É claro que essa investigação é muito mais ampla do que apenas a questão do PIX. Ela envolve práticas comerciais, a questão do etanol e outros temas, mas eu tenho certeza de que o cerne de tudo é a questão do PIX.

Eu quis me inscrever nesse processo para trazer uma visão mais técnica e independente, porque sabemos que grande parte da discussão é uma questão política entre governos. Então, é importante que apareça alguém de forma independente para tentar explicar isso um pouco melhor e até apontar uma forma de resolver a questão no campo técnico.

g1 – Um dos principais questionamentos da USTR é o fato de o Banco Central atuar, ao mesmo tempo, como regulador e operador do PIX. Quais seriam os possíveis problemas dessa estrutura e até que ponto essa preocupação é legítima?

Existe uma problemática porque o Banco Central está adquirindo uma nova função que não tinha. Até então, tinha o papel de regular as instituições financeiras. Agora, a partir do momento em que oferece um serviço diretamente aos cidadãos, acaba sendo uma espécie de concorrência para outros meios de pagamento e outras instituições financeiras.

Então, a partir do momento em que oferece um novo serviço, ele também tem que dar a mesma transparência que outro operador daria. O que seria isso? Espaço para a competição, mais transparência e um certo backup contra falhas. Então, ele tem que dar certos resguardos que até então não precisava oferecer, mas isso ocorre porque assumiu uma nova função perante a sociedade.

Eu acredito que eles tenham tudo isso para fazer. É questão, claro, de se organizar e mostrar que existe uma governança para ofertar esse novo serviço. Mas também é importante que haja transparência e que se mostre toda essa capacidade de operacionalizar o sistema.

g1 – No documento de inscrição, você propõe a criação de um "teste de neutralidade para pagamentos digitais". O que significa neutralidade nesse contexto e como esse teste poderia ser aplicado, na prática, para avaliar um sistema como o PIX?

Sim. Inclusive, nos documentos que anexo a esse processo, eu falo que a gente deveria instituir um sistema de teste de neutralidade. Basicamente, seria testar cinco questões.

Uma delas seria em relação ao acesso: testar se todas as empresas, sejam brasileiras, norte-americanas ou de outros países, têm acesso a esse meio de pagamento, o PIX. Então, verifica-se se o acesso é igual para todas as empresas ou se existe alguma discriminação.

A outra questão é a interoperabilidade [capacidade de diferentes sistemas e plataformas trocarem informações e funcionarem entre si]. Então, vê-se a questão técnica: se as APIs funcionam tanto para o PIX quanto para o cartão de crédito, se atendem aos requisitos de cibersegurança e tudo mais.

Outra questão é a transparência, verificando se regras relacionadas a taxas, supervisão e padrões de aplicação funcionam da mesma maneira.

Outra é em relação aos dados, porque hoje quem cuida dos dados do PIX é o Banco Central. No caso do cartão de crédito, são as operadoras. Elas seguem uma série de regulamentações e normas para garantir a proteção desses dados. Então, também é importante mostrar isso.

E a última questão é a integridade dos dados, envolvendo suporte, prevenção à lavagem de dinheiro, o "conheça seu cliente" e a parte de compliance.

Então, tudo aquilo que o Banco Central exige das operadoras de cartão de crédito, débito etc., será que ele também faz com o PIX? É importante dar mais clareza sobre isso para o público em geral.

g1 – Você argumenta que medidas específicas seriam mais eficazes do que tarifas amplas para lidar com preocupações relacionadas aos pagamentos digitais. Que tipo de compromisso regulatório ou institucional poderia responder às preocupações dos EUA sem comprometer os benefícios do PIX?

Quando você lê o processo, ele parece sério e apresenta hipóteses válidas, mas eles estão esperando respostas.

É claro que é uma questão muito ampla, mas o processo dá espaço ao direito de defesa. Então, eu acredito que, apresentando essas respostas e mostrando como o BC tem compromisso com a transparência, com a integração de outros sistemas e com a não discriminação de participantes, isso seria muito bem recebido.

E, claro, eu acho que deve ser criado um fórum de comunicação mais claro envolvendo o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o Departamento de Comércio dos EUA, porque isso envolve questões muito maiores.

g1 – O PIX costuma ser comparado ao UPI, da Índia, que movimenta um volume ainda maior de transações. Na sua avaliação, por que o sistema brasileiro acabou se tornando alvo dessa investigação dos EUA?

O nosso sistema bancário é muito diferente. A nossa realidade social também é muito diferente. E o sucesso do PIX é muito maior. O Brasil tem uma conexão maior com os outros países da América Latina porque é um líder regional e consegue dialogar com esses países.

Então, me parece que é muito mais uma questão geopolítica e geoestratégica do que qualquer outra coisa. A atenção se voltou para o PIX porque somos a nação mais parecida com os EUA em meios de pagamento, em termos de sociedade e de mercado. Então, eles conseguem nos comparar com eles, algo que não conseguem fazer da mesma forma com a Índia ou a China.

g1 – O que você espera dessa audiência? Acredita que haverá espaço para que contribuições técnicas, como a sua, sejam consideradas pelas autoridades americanas?

Como pesquisador e professor, a gente sempre tenta falar aquilo que estudou e o que considera correto. Agora, se o outro lado vai compreender ou abrir espaço, é outra questão. A gente fica com o dever de expor aquilo que nos parece minimamente plausível. Caso aconteça alguma coisa e eu seja chamado para o "hearing", vou com o maior prazer e vou me colocar à disposição.

A questão que me fica é que a gente tem que seguir todos os protocolos, mesmo que eles pareçam inertes. Caso a gente não faça uma defesa, podemos ser acusados de não ter nos defendido. Abriu-se uma investigação, esperou-se uma resposta e não houve uma defesa. Esse tipo de coisa não pode acontecer.

Bem ou mal, nós temos instituições muito sólidas, um Itamaraty muito qualificado e um Ministério da Fazenda com ótimos servidores. Então, é importante utilizar todo o espaço oficial que a gente tenha. Porque, se ficarmos dependendo apenas de conversas não oficiais, de pronunciamentos e tudo mais, podemos perder oportunidades de mostrar substância de verdade. Nós temos um trabalho técnico e documentos para apresentar. Não é só achismo.

Então, temos que sair da retórica e partir realmente para o posicionamento. Se isso vai dar certo ou não, é outra questão. Mas é importante mostrar substância em todos os canais oficiais que tenhamos disponíveis.

Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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A ‘guerra silenciosa’ entre China e Panamá por controle de portos no Canal

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 04:45

Mundo A 'guerra silenciosa' entre China e Panamá por controle de portos no Canal A China aumentou significativamente as retenções de navios com bandeira panamenha em portos chineses após uma decisão desfavorável a uma empresa que administrava dois importantes portos do Canal do Panamá. Por BBC

A 'guerra silenciosa' entre China e Panamá por controle de portos no Canal — Foto: Getty Images via BBC

A história da empresa CK Hutchison Holdings e do Panamá se transformou em um dos maiores conflitos geopolíticos ligados ao Canal do Panamá nos últimos anos.

O embate envolve duas superpotências, Estados Unidos e China, uma hidrovia por onde passa até 6% do comércio mundial e alguns dos mais importantes operadores portuários do planeta.

E a exclusão dessa empresa chinesa sediada em Hong Kong da administração de dois portos provocou o que parece ser uma dura punição por parte de Pequim, em meio à crescente disputa por influência entre Estados Unidos e China na América Latina.

"Desde 8 de março de 2026, e ainda hoje, a China vem retendo navios mercantes de bandeira panamenha em um ritmo sem precedentes, justificando a medida como inspeções do Estado do porto", explica a Ambrey Analytics, divisão de inteligência da empresa britânica de segurança marítima Ambrey.

Somente em abril, a China reteve 136 embarcações registradas sob bandeira panamenha, número 6,4 vezes superior à média de 2025. Em março, foram 96 navios, cerca de 74% de todas as retenções realizadas pela China naquele mês. Somando todas as embarcações imobilizadas desde o início do ano, o total chega a 272.

"As retenções são justificadas por deficiências técnicas e costumam durar entre um e cinco dias, mas interrompem escalas e aumentam os custos", explica a empresa de análise.

A situação coincide com uma decisão da Suprema Corte do Panamá que retirou da CK Hutchison a concessão de dois terminais de contêineres no Canal do Panamá.

Um deles é o porto de Balboa, o segundo mais movimentado do país em volume de contêineres. O outro é o porto de Cristóbal. Ambos ficam em áreas adjacentes ao canal.

Por sua localização estratégica, em cada extremidade das entradas do canal pelo Pacífico e pelo Atlântico, esses dois portos despertavam especial preocupação na administração Trump, que transformou o tema em prioridade de sua agenda logo após assumir a Casa Branca.

A pressão americana atingiu seu ponto máximo quando Trump ameaçou o governo panamenho com retomar à força o controle do canal — administrado pelo país centro-americano desde 1999 — alegando interferência chinesa.

Não há evidências públicas de que o governo chinês exerça qualquer controle sobre o canal. No entanto, empresas chinesas têm presença significativa na região e, ao longo dos anos, realizaram investimentos relevantes na hidrovia e em sua infraestrutura.

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou repetidamente que não existe "absolutamente nenhuma interferência chinesa" no canal.

Mas, no fim de janeiro, a Suprema Corte panamenha declarou inconstitucional a concessão de 1997 — e sua renovação em 2021 — que permitia à Panama Ports Company, subsidiária da CK Hutchison, operar os terminais.

As autoridades da China e de Hong Kong manifestaram oposição à decisão e a classificaram como um "ato de má-fé".

Já a CK Hutchison, que administrou os portos durante quase 30 anos, acusou as autoridades panamenhas de confiscarem ilegalmente seus ativos e iniciou uma arbitragem internacional contra o país, reivindicando uma indenização superior a US$ 2 bilhões por perdas e danos.

Pequim argumenta que a decisão da Justiça panamenha foi motivada pela pressão dos Estados Unidos, e não por um processo judicial independente.

Enquanto isso, a Autoridade Portuária Nacional do Panamá assumiu o controle dos dois portos, e as represálias chinesas começaram do outro lado do mundo.

A punição a navios panamenhos que chegam a portos chineses é o estágio mais recente de uma escalada de tensões entre China e Estados Unidos, intensificada por disputas sobre infraestrutura portuária estratégica e o controle de rotas comerciais fundamentais.

"Por meio dessas detenções em massa de navios de bandeira panamenha, Pequim está enviando uma mensagem direta e prática: decisões que afetem os interesses de empresas chinesas ou ligadas a Hong Kong terão um custo tangível e imediato", afirmou à BBC News Mundo Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do banco de investimentos Natixis e pesquisadora sênior do centro de estudos europeu Bruegel.

Para García-Herrero, as retenções vão muito além da burocracia portuária. Elas representam uma forma de pressão econômica assimétrica destinada a gerar atrasos, custos e transtornos reais ao comércio marítimo.

"O objetivo é dissuadir outros países de adotarem medidas semelhantes e lembrar que Pequim reage quando considera que seus 'direitos legítimos' foram violados", afirma.

A construção do canal foi concluída em 1914 e ele permaneceu sob controle dos Estados Unidos até 1977 — Foto: Getty Images via BBC

Evan Ellis, professor e pesquisador de estudos latino-americanos do Instituto de Estudos Estratégicos da Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, concorda.

"Parece bastante evidente que o assédio chinês a navios de bandeira panamenha faz parte de uma mensagem mais ampla que a China está enviando ao governo do Panamá, assim como a outros governos, sobre o preço de não cooperar com Pequim ou de adotar medidas que prejudiquem suas empresas", diz.

"A atuação da China neste caso específico parece um pouco mais explícita e abrangente do que vimos em respostas a ações de outros governos", acrescenta o analista.

O aumento das retenções faz parte de uma resposta chinesa mais ampla, que também inclui a suspensão dos serviços de contêineres da COSCO em Balboa, a convocação de executivos da Maersk e da MSC — as duas maiores empresas de transporte marítimo do mundo — para reuniões em Pequim, além da paralisação de novos investimentos chineses no Panamá.

"Há tentativas documentadas de pressionar a Maersk e a Mediterranean Shipping Company para que suas subsidiárias não aceitem os contratos concedidos para as operações temporárias dos portos que estão sendo retirados da Hutchison", afirma Ellis.

A BBC News Mundo entrou em contato com o Conselho de Estado da República Popular da China e com a embaixada chinesa em Londres para conhecer sua posição sobre o tema, mas não havia recebido resposta até a publicação desta reportagem.

A razão para essa ofensiva chinesa em diversas frentes é que o Canal do Panamá representa um ponto crítico na estratégia marítima do gigante asiático, conectando dois oceanos e servindo como porta de entrada privilegiada para a América Latina.

"Os terminais de Balboa e Cristóbal eram peças importantes da rede global de portos que Pequim construiu para garantir rotas de abastecimento, reduzir a dependência de pontos controlados por terceiros e ampliar sua influência comercial no Hemisfério Ocidental", explica García-Herrero.

Por isso, perder o controle operacional desses terminais representa um revés para sua capacidade logística e de projeção econômica em uma área que Washington historicamente considera parte de sua esfera de influência.

Shengyu Wang, pesquisador assistente do Centro de Análise da China do Instituto de Política da Sociedade Asiática, que conversou com a BBC, lembra que os interesses empresariais chineses e o Estado chinês nem sempre atuam como um único ator.

Por isso, ele acredita que as represálias chinesas também podem ter como alvo a própria CK Hutchison Holdings.

Em março de 2025, a empresa anunciou um acordo para vender a maior parte de seu negócio portuário global — incluindo os portos de Balboa e Cristóbal, no Panamá — a um consórcio liderado pela BlackRock e pela MSC por cerca de US$ 20 bilhões, algo que pode ter desagradado Pequim.

"A tentativa de vender esses ativos portuários pode ter criado um problema para o governo chinês. Na visão de Pequim, o fato de uma empresa ligada à China vender ativos portuários estratégicos sem consultar as autoridades pode ser interpretado como um desafio ao Estado", afirma o analista.

O Canal do Panamá é importante para a China porque representa um ponto estratégico do comércio mundial — Foto: Getty Images via BBC

"Ela também pode refletir o esforço de Pequim para disciplinar empresas ligadas à China e demonstrar que acordos estratégicos de infraestrutura não podem ser desfeitos de uma maneira que prejudique o Estado chinês", acrescenta.

As retenções de navios também provocaram forte insatisfação nos Estados Unidos, já que embarcações de bandeira panamenha transportam uma parcela significativa da carga conteinerizada americana.

Por isso, "essas ações podem acarretar consequências comerciais e estratégicas importantes para o transporte marítimo dos Estados Unidos", afirmou a Comissão Marítima Federal americana em comunicado.

O fato é que ainda não ocorreu uma mudança em massa de registros de embarcações para fora do Panamá.

A maioria dos navios mercantes que utilizam a bandeira panamenha pertence a armadores estrangeiros que buscam evitar regulamentações marítimas mais rígidas impostas por seus próprios países.

O Panamá opera um sistema conhecido como registro aberto. Sua bandeira oferece vantagens como processos de registro mais simples — muitas vezes feitos online — e a possibilidade de contratar mão de obra estrangeira mais barata.

No entanto, a Ambrey Analytics afirma que empresas chinesas de leasing marítimo estão exigindo que armadores transfiram seus registros para outros países, deixando de usar a bandeira panamenha, como condição para financiar a construção de novos navios. Isso poderá gerar impactos de longo prazo para o registro naval panamenho.

"Tudo isso se encaixa em um padrão mais amplo de coerção chinesa discreta que vem se desenvolvendo há anos e que possivelmente é até mais agressiva do que a pressão normalmente exercida pelos Estados Unidos", afirma Ellis.

O analista argumenta que a China costuma preferir mecanismos indiretos de pressão em vez de sanções comerciais formais.

Como exemplo, ele cita a suspensão das compras de óleo de soja da Argentina após ações antidumping movidas contra empresas chinesas pelo Congresso argentino em 2010.

"Ou as ameaças contra a Guiana quando seu governo cogitava permitir que Taiwan abrisse um escritório de representação comercial no país sul-americano em 2020, bem como a suspensão das compras de castanhas e outros produtos da Guatemala quando o presidente eleito Bernardo Arévalo declarou que pretendia manter a cooperação com Taiwan", lembra.

A China alegou problemas fitossanitários para interromper as importações desses produtos, em "um lembrete sutil do poder da China de deixar de comprar produtos estratégicos", conclui Ellis.

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Após campanha associada a massacre, Starbucks demite CEO na Coreia do Sul e dá aulas de história a funcionários

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 16/06/2026 03:46

Trabalho e Carreira Após campanha associada a massacre, Starbucks demite CEO na Coreia do Sul e dá aulas de história a funcionários Empresa pediu desculpas após campanha ser acusada de fazer referência a episódio da ditadura militar sul-coreana e determinou treinamento obrigatório. Por Associated Press

Starbucks demite CEO na Coreia do Sul e dá aulas de história a funcionários — Foto: AP Photo/Lee Jin-man

A operação da Starbucks na Coreia do Sul anunciou nesta segunda-feira (15) que fechará todas as lojas do país mais cedo no dia 22 de junho para realizar um treinamento obrigatório sobre história e sensibilidade social.

A medida ocorre após uma forte reação negativa a uma campanha de marketing amplamente interpretada como ofensiva às vítimas de uma repressão militar contra manifestantes pró-democracia em 1980.

O grupo Shinsegae, que detém 67,5% da Starbucks Korea, informou que executivos e funcionários da sede participarão de um treinamento conduzido por professores de história e sociologia. Já as unidades em todo o país fecharão às 15h na próxima segunda-feira (22), para que os colaboradores possam assistir à gravação da sessão.

A crise começou quando a rede tentou promover uma linha de copos térmicos de aço inoxidável chamada “SS Tank”, declarando o dia 18 de maio como “Tank Day”. A data marca o aniversário do levante pró-democracia de 1980 na cidade de Gwangju, no sul do país, que foi violentamente reprimido pelo governo militar da época, com uso de tropas, tanques e helicópteros, deixando centenas de mortos e feridos.

A campanha gerou ainda mais indignação ao usar o slogan “Bata na mesa!”, interpretação associada a uma declaração policial de 1987 que tentou encobrir a morte por tortura do estudante ativista Park Jong-chol. Na ocasião, autoridades afirmaram falsamente que ele teria morrido após investigadores “baterem na mesa”.

Diante da reação imediata do público, o grupo Shinsegae cancelou a campanha em poucas horas e demitiu o CEO da Starbucks Korea.

O presidente do grupo, Chung Yong-jin, fez um pedido de desculpas em rede nacional, enquanto a polícia abriu uma investigação após denúncias de familiares das vítimas do massacre de Gwangju. Chung também participará de um treinamento separado com executivos das empresas do grupo, previsto para 24 de junho.

Chung Yong-jin, presidente do Grupo Shinsegae, curva-se em sinal de desculpas em Seul, Coreia do Sul, na terça-feira, 26 de maio de 2026 — Foto: AP/Lee Jin-ma

Segundo a empresa, a decisão de fechar todas as lojas mais cedo, pela primeira vez desde a chegada da Starbucks ao país em 1999, e promover o treinamento em larga escala demonstra a seriedade com que o grupo encara a controvérsia e sua intenção de evitar novos episódios semelhantes.

A repressão em Gwangju ocorreu meses após o general Chun Doo-hwan assumir o poder em um golpe no fim de 1979.

Registros oficiais apontam cerca de 200 mortos, embora ativistas afirmem que o número real seja muito maior. O governo também prendeu dezenas de milhares de pessoas, sob a alegação de combater distúrbios sociais.

A indignação popular com a ditadura de Chun levou a grandes protestos nacionais em 1987, forçando a adoção de eleições presidenciais diretas, marco considerado o início da transição democrática da Coreia do Sul.

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