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Com R$ 65,1 bilhões em dívidas, Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 11/03/2026 08:57

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,157-0,15%Dólar TurismoR$ 5,356-1,03%Euro ComercialR$ 5,989-0,12%Euro TurismoR$ 6,233-0,84%B3Ibovespa183.447 pts1,4%MoedasDólar ComercialR$ 5,157-0,15%Dólar TurismoR$ 5,356-1,03%Euro ComercialR$ 5,989-0,12%Euro TurismoR$ 6,233-0,84%B3Ibovespa183.447 pts1,4%MoedasDólar ComercialR$ 5,157-0,15%Dólar TurismoR$ 5,356-1,03%Euro ComercialR$ 5,989-0,12%Euro TurismoR$ 6,233-0,84%B3Ibovespa183.447 pts1,4%Oferecido por

A Raízen anunciou nesta quinta-feira (11) que entrou com pedido de recuperação extrajudicial, em meio às negociações com credores para reestruturar sua dívida e reforçar o caixa da companhia.

Em comunicado, a empresa informou que o pedido foi protocolado na Comarca da Capital de São Paulo e foi estruturado em acordo com seus principais credores financeiros quirografários.

O objetivo é criar um ambiente jurídico mais seguro para negociar e reorganizar as dívidas financeiras do grupo, que somam cerca de R$ 65,1 bilhões, além de valores devidos entre empresas do próprio grupo.

Segundo a companhia, o plano já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia, percentual suficiente para protocolar o pedido de recuperação extrajudicial.

A partir de agora, a empresa terá até 90 dias para obter o apoio mínimo necessário para que o plano seja homologado pela Justiça e passe a valer para todos os credores incluídos na negociação.

A Raízen anunciou nesta quinta-feira (11) que entrou com pedido de recuperação extrajudicial, em meio às negociações com credores para reestruturar sua dívida e reforçar o caixa da companhia.

Em comunicado, a empresa informou que o pedido foi protocolado na Comarca da Capital de São Paulo e foi estruturado em acordo com seus principais credores quirografários (sem garantia).

O objetivo é criar um ambiente jurídico mais seguro para negociar e reorganizar as dívidas financeiras do grupo, que somam cerca de R$ 65,1 bilhões, além de valores devidos entre empresas do próprio grupo.

Segundo a companhia, o plano já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia, percentual suficiente para protocolar o pedido de recuperação extrajudicial.

🔎 A recuperação extrajudicial é um acordo no qual a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com alguns credores, fora da Justiça. O objetivo é obter mais prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como o risco de falência.

A partir de agora, a empresa terá até 90 dias para obter o apoio mínimo necessário para que o plano seja homologado pela Justiça e passe a valer para todos os credores incluídos na negociação.

O plano pode incluir injeção de dinheiro pelos acionistas, transformação de parte das dívidas em ações da empresa, troca de dívidas por novos prazos de pagamento, mudanças na estrutura da companhia e venda de ativos.

A Raízen afirmou ainda que o processo tem escopo apenas financeiro e não inclui obrigações com clientes, fornecedores, revendedores ou outros parceiros comerciais, que continuarão sendo pagos normalmente.

“A recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios”, disse a empresa em comunicado.

A empresa de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis enfrenta pressão financeira após ver sua dívida líquida atingir R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro, segundo dados divulgados anteriormente.

Nos últimos dias, a controladora Cosan vinha indicando que uma solução para a situação da empresa poderia ser anunciada em breve, segundo a Reuters.

Em teleconferência com analistas, o CEO da companhia, Marcelo Martins, afirmou que as discussões estavam avançando com credores e acionistas.

“Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen”, disse Martins.

A Raízen já havia informado anteriormente que avaliava uma proposta de capitalização liderada pela Shell, no valor total de R$ 4 bilhões.

O plano previa um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e mais R$ 500 milhões de um veículo de investimento ligado à família do empresário Rubens Ometto.

🔎 Na prática, esse dinheiro entraria na empresa como novo capital, fortalecendo o caixa e ajudando a equilibrar as finanças enquanto a companhia renegocia suas dívidas com credores.

Em comunicado divulgado no final de fevereiro, a companhia afirmou que também analisava a possibilidade de reestruturar seu endividamento por meio de uma recuperação extrajudicial.

De acordo com Martins, já havia “um engajamento bastante forte” nas conversas envolvendo credores, a Shell e o próprio Ometto, que integra o grupo controlador da Cosan.

A situação financeira da Raízen se deteriorou nos últimos anos em meio a altos investimentos, condições climáticas instáveis e juros elevados, fatores que pressionaram o caixa da companhia.

Ainda segundo o CEO da Cosan, a holding não participará diretamente da capitalização em discussão, embora acompanhe as negociações como acionista.

“Mas nós como acionistas e conselheiros temos acompanhado esta evolução e acreditamos que nos próximos dias a gente deva ter novos desdobramentos desse plano de encontrar uma saída adequada para a companhia”, afirmou, segundo a Reuters.

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O Brasil pode viver novo boom das commodities com a guerra?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 11/03/2026 02:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,157-0,15%Dólar TurismoR$ 5,356-1,03%Euro ComercialR$ 5,989-0,12%Euro TurismoR$ 6,233-0,84%B3Ibovespa183.447 pts1,4%MoedasDólar ComercialR$ 5,157-0,15%Dólar TurismoR$ 5,356-1,03%Euro ComercialR$ 5,989-0,12%Euro TurismoR$ 6,233-0,84%B3Ibovespa183.447 pts1,4%MoedasDólar ComercialR$ 5,157-0,15%Dólar TurismoR$ 5,356-1,03%Euro ComercialR$ 5,989-0,12%Euro TurismoR$ 6,233-0,84%B3Ibovespa183.447 pts1,4%Oferecido por

A guerra travada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem lançado incerteza sobre os rumos da economia global.

A alta no petróleo, com o bloqueio do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana e redução na oferta dos países no Golfo Pérsico, já leva analistas a apostarem numa inflação generalizada como uma das consequências do conflito.

Além do petróleo, o choque econômico também atinge em cheio a oferta de fertilizantes, já que cerca de um terço do insumo passa por Ormuz.

O impacto dessa crise nos preços ainda é incerto, mas uma alta nas commodities já vem ocorrendo nas últimas semanas.

O índice CRB, um dos principais termômetros de matérias-primas básicas como petróleo e alimentos, atingiu, a última segunda-feira (09/03), a maior cotação desde 2011.

A guerra travada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem lançado incerteza sobre os rumos da economia global. A alta no petróleo, com o bloqueio do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana e redução na oferta dos países no Golfo Pérsico, já leva analistas a apostarem numa inflação generalizada como uma das consequências do conflito.

Além do petróleo, o choque econômico também atinge em cheio a oferta de fertilizantes, já que cerca de um terço do insumo passa por Ormuz. O Irã, por si só, é um dos maiores exportadores de ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizado por agricultores de todo o mundo.

O impacto dessa crise nos preços ainda é incerto, mas uma alta nas commodities já vem ocorrendo nas últimas semanas.

O índice CRB, um dos principais termômetros de matérias-primas básicas como petróleo e alimentos, atingiu, a última segunda-feira (09/03), a maior cotação desde 2011. E a tendência, segundo especialistas, é que esse movimento se mantenha, pelo menos enquanto durar o conflito.

É esse ponto que levanta questões sobre o papel do Brasil nesse cenário. O país é não só o maior produtor de alimentos do mundo, como o sexto maior produtor de petróleo bruto e décimo no ranking de exportadores do combustível fóssil. Tem, assim, grande parte de sua balança comercial dependente de produtos primários.

Foi justamente um incremento na cotação desses itens que gerou o que ficou conhecido como "boom das commodities", a partir do início do século 21 até o começo da década de 2010. O período beneficiou a economia brasileira, contribuindo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a consolidação do país como grande economia exportadora de matérias-primas.

No entanto, de acordo com especialistas consultados pela DW, o cenário atual é distinto. Mesmo assim, existe a possibilidade de que o Brasil se beneficie do contexto causado pelo conflito no Oriente Médio – mas não sem se livrar dos choques.

Fumaça sobe após ataque à refinaria de petróleo da Bapco em Sitra, no Bahrein, em 9 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer

O fechamento do Estreito de Ormuz tem impactado diretamente na oferta de produtos como petróleo, gás natural e fertilizantes. É uma diferença fundamental em relação ao boom das commodities, basicamente fomentado pelas altas taxas de crescimento da economia da China.

O país asiático registrou, entre 2002 e 2011, uma alta do PIB acima de 9%, propulsionada principalmente pela rápida expansão industrial chinesa. Houve maior demanda por matérias-primas, o que gerou uma oportunidade para o Brasil. Foi durante esse também, em 2009, que a China se tornou o maior parceiro comercial brasileiro.

Mas, desde então, a economia chinesa vem reduzindo as taxas de crescimento e, neste ano, pela primeira vez desde 1991, o país asiático colocou como meta uma alta anual do PIB abaixo dos 5%.

É para lá que o Brasil manda 80% da sua soja, produto brasileiro mais vendido para o exterior, que correspondeu a 34,5% das exportações do país em 2025 – registrando um total de US$ 34,5 bilhões na balança comercial brasileira do ano passado. O país asiático compra ainda 56% do minério de ferro produzido no Brasil e 45% do petróleo bruto.

Um bloqueio mais prolongado no Estreito de Ormuz, com o recrudescimento na guerra no Irã, deverá pressionar para uma alta das commodities agrícolas como efeito cascata a partir do encarecimento dos combustíveis e dos fertilizantes, aliada à incerteza que gera especulação no mercado.

"Para a China, por exemplo, o fornecimento de grãos do Brasil deverá ficar no mesmo patamar. Só que, se houver alta dos preços, isso gera uma maior receita. Não é uma coisa muito significativa, mas pode acontecer", explica Francisco Américo Cassano, professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Santa Cecília. "Não vejo como um novo boom, mas como um aumento da exportação", complementa.

Um fator a mais poderá ser causado pelo choque nos fertilizantes: os próximos meses serão cruciais para o início do plantio em países do Hemisfério Norte, o que também pode gerar uma redução na oferta por lá e o redirecionamento das compras para países como o Brasil, onde as safras ocorrem no segundo semestre.

Cassano, no entanto, acredita que as chances de isso ocorrer são menores. "Mesmo porque o Donald Trump não tem tanto interesse desse conflito se alastrar por tanto tempo, porque ele vai sofrer o mesmo problema de inflação dentro dos Estados Unidos".

O fato de estar fora da região de conflito realmente pode fazer com que o Brasil se beneficie do cenário atual, analisa Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).

"O país se torna uma opção de investimento de uma forma geral, exatamente porque está longe das tensões. Tem uma política de se manter distanciado, está longe do ponto de vista geográfico e político e tem várias oportunidades de negócios – na agricultura, na energia e diversos outros setores", aponta o economista.

Segundo ele, o contexto internacional tende a fazer com o que país siga atraindo investimento direto estrangeiro, fluxo que já vem ocorrendo nos últimos por causa do aumento das incertezas na geopolítica mundial.

"É muito provável que os preços da energia e alimentos subam mesmo após o fim da guerra, por causa da mudança climática. Quando você coloca a geopolítica em cima, os efeitos são ainda maiores", diz Arbache. "Isso tende a ser benéfico no médio e longo prazo, mas de maneira condicionada, porque é um cenário de incertezas", ressalta o professor.

Já no curto prazo, a situação é mais complicada. O aumento da percepção de risco nos mercados pode atingir o risco de crédito e o risco-país, impactando principalmente os países emergentes. A elevação do preço do petróleo e fertilizantes pode afetar a economia brasileira e chegar no consumidor, com choques no valor do frete e dos alimentos, por exemplo.

Mas mesmo uma alta nas commodities, lembra Cassano, com o mercado externo pagando mais caro nos alimentos, por exemplo, deve gerar mais inflação para o consumidor interno.

"Os preços tendem a subir também porque o produtor está recebendo mais lá fora e isso impacta diretamente os preços internos, gerando mais inflação", afirma o professor da Universidade Santa Cecília.

Além disso, os efeitos da guerra no Irã sobre incertezas e decisões de investimento vão continuar, mesmo se o conflito chegar ao fim nas próximas semanas. As retaliações do Irã em países vizinhos no Golfo Pérsico causaram estragos em plantas energéticas e reservatórios em importantes para países como Emirados Árabes, Catar e Arábia Saudita.

"Essas nações têm grandes fundos soberanos, que são investidores inclusive no Brasil – muito provavelmente, isso vai fazer com que eles reduzam esses aportes", pontua Arbache.

Segundo ele, no entanto, mesmo que o cenário ainda seja incerto quanto a previsões, o consumidor poderá voltar a ganhar no longo prazo, com um aumento da atratividade do Brasil que impulsionará a atividade econômica, gerando mais emprego.

"Mas, no curto prazo, deve perder, como praticamente todo mundo. É uma guerra com impactos generalizados por causa da globalização. É uma guerra que mirou um alvo e está acertando em vários outros, com múltiplas complicações econômicas", finaliza o professor da UnB.

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Com pressão das chinesas, Renault planeja metade das vendas em carros elétricos ou híbridos até 2030

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/03/2026 16:50

Carros Com pressão das chinesas, Renault planeja metade das vendas em carros elétricos ou híbridos até 2030 Plano faz parte de um projeto maior, que não abandona veículos a combustão e quer 1 milhão de carros vendidos fora da Europa até o final desta década. Por Reuters

A Renault pretende que metade das vendas de seus carros ocorra fora da Europa até 2030, além de ampliar a presença de modelos eletrificados em seu portfólio.

A estratégia, apresentada nesta terça-feira (10), recebeu o nome de futuREady. O plano prevê a venda de 2 milhões de veículos até o fim da década, com metade desse volume destinada a mercados fora da Europa.

O grupo enfrenta uma concorrência cada vez mais intensa de fabricantes chinesas conhecidas por preços mais baixos, como BYD e o grupo Chery, além de rivais tradicionais, como a Stellantis, que controla marcas como Fiat e Jeep.

No Brasil, a marca francesa perdeu quase metade da participação de mercado registrada antes da pandemia. Em 2019, representava 9% dos emplacamentos de veículos zero quilômetro; hoje, esse índice é de 5,1%, o que corresponde a uma queda de 43% no período.

De acordo com a nova estratégia, a Renault planeja lançar 36 modelos nos próximos cinco anos. Desse total, 14 serão voltados a mercados fora da Europa — número bem superior aos oito lançamentos feitos no período anterior.

A Renault pretende que metade das vendas de seus carros ocorra fora da Europa até 2030, além de ampliar a presença de modelos eletrificados em seu portfólio.

A estratégia, apresentada nesta terça-feira (10), recebeu o nome de futuREady. O plano prevê a venda de 2 milhões de veículos até o fim da década, com metade desse volume destinada a mercados fora da Europa.

"A Renault pretende que 100% de suas vendas na Europa sejam de veículos eletrificados e que 50% das vendas fora da Europa também sejam eletrificadas, ao mesmo tempo em que busca entregar uma rentabilidade forte e sustentável", revelou Fabrice Cambolive, diretor executivo da Renault;

O grupo enfrenta uma concorrência cada vez mais intensa de fabricantes chinesas conhecidas por preços mais baixos, como BYD e o grupo Chery, além de rivais tradicionais, como a Stellantis, que controla marcas como Fiat e Jeep.

No Brasil, a marca francesa perdeu quase metade da participação de mercado registrada antes da pandemia. Em 2019, representava 9% dos emplacamentos de veículos zero quilômetro; hoje, esse índice é de 5,1%, o que corresponde a uma queda de 43% no período.

No Brasil, a eletrificação da linha da marca começou. O Renault Koleos é o primeiro modelo híbrido da fabricante, com 245 cavalos de potência, e foi lançado com o objetivo de enfrentar o avanço de marcas chinesas como BYD e GWM.

De acordo com a nova estratégia, a Renault planeja lançar 36 modelos nos próximos cinco anos. Desse total, 14 serão voltados a mercados fora da Europa — número bem superior aos oito lançamentos feitos no período anterior.

Quatro desses modelos serão destinados ao mercado indiano, segundo Fabrice Cambolive. A produção do SUV compacto Bridger deve começar no próximo ano, com lançamento previsto em outros países logo na sequência.

A retomada do foco internacional indica uma nova prioridade para as vendas fora da Europa. Isso ocorre após a saída da empresa de diversos mercados durante a gestão do ex-presidente-executivo Luca de Meo, em meio a uma tentativa de conter prejuízos significativos dentro de uma estratégia conhecida como “Renaulution”.

"Com a Renaulution, provamos que podemos vencer, agora precisamos provar que podemos durar", disse o presidente-executivo François Provost, que substituiu de Meo no ano passado, aos analistas em uma apresentação no centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa nos arredores de Paris.

Embora a Renault esteja hoje em uma situação mais favorável, a concorrência ficou mais intensa. Além disso, a redução dos incentivos aos veículos elétricos nos Estados Unidos, durante o governo Donald Trump, levou alguns concorrentes a registrar grandes perdas financeiras e a mudar seus planos de forma repentina.

Para Michael Foundoukidis, analista da Oddo BHF, a estratégia de priorizar modelos mais rentáveis e expandir a atuação internacional oferece um caminho mais claro para preservar a lucratividade. Ainda assim, ele ressalta que o sucesso depende da capacidade da empresa de colocar o plano em prática.

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PL dos apps de transporte: reunião acaba sem acordo sobre valor mínimo de corridas e entregas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/03/2026 12:48

Política PL dos apps de transporte: reunião acaba sem acordo sobre valor mínimo de corridas e entregas Última versão do texto fixou valor mínimo em R$ 8,50. Governo quer R$10, mas relator resiste e cita diferenças regionais. Motta quer acelerar votação, que pode ocorrer em abril. Por Luiz Felipe Barbiéri, g1 — Brasília

Reunião de ministros do governo com Motta e deputados envolvidos na elaboração do projeto que regulamenta o trabalho por aplicativos terminou sem um acordo sobre o valor mínimo a ser pago por entregas e corridas aos trabalhadores.

O relator apresentou a última versão do texto em dezembro, prevendo o valor mínimo de R$ 8,50 por entrega e corrida. O governo, por sua vez, defende o valor mínimo de R$ 10.

Apesar da divergência, Motta quer acelerar a votação e, se possível, votar o texto já na próxima semana na comissão especial e, na sequência, no plenário.

A reunião de ministros do governo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e deputados envolvidos na elaboração do projeto que regulamenta o trabalho por aplicativos terminou sem um acordo sobre o valor mínimo a ser pago por entregas e corridas aos trabalhadores.

A proposta tramita em uma comissão especial da Câmara. O relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), apresentou a última versão do texto em dezembro, prevendo o valor mínimo de R$ 8,50 por entrega e corrida. O governo, por sua vez, defende o valor mínimo de R$ 10.

“No caso de entregadores, é piso por entrega feita e aí a nossa defesa segue sendo taxa mínima de R$ 10 até 4 quilômetros com 2,50 por quilômetro adicional e fim das entregas agrupadas”, afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

A entrega agrupada é um mecanismo em que o entregador faz várias entregas, mas não recebe o valor integral da plataforma, porque os destinos são próximos.

até três quilômetros rodados, no caso de coleta e entrega de bens por meio de automóvel ou outro veículo automotor de porte similar;até quatro quilômetros, no caso de coleta e entrega de bens a pé ou por meio de veículo motorizado de duas ou três rodas ou de bicicleta

Em relação aos motoristas de aplicativo de transporte de pessoas, a proposta prevê remuneração bruta mínima de R$ 8,50 para cada serviço em que a distância entre o ponto de embarque do passageiro e o ponto final de destino seja de até dois quilômetros.

Coutinho argumenta que é preciso ter sensibilidade a respeito do valor mínimo, uma vez que o Brasil tem dimensões continentais e muitas diferenças em relação ao custo dos serviços.

“A nossa questão, por nós, a gente quer colocar o máximo de ganho para o trabalhador. Mas R$10 em São Paulo não é igual a R$10 em Brasília ou no interior de Pernambuco, onde o tíquete de um lanche é muito inferior. Isso pode inviabilizar os serviços na ponta. Esse é o único ponto de divergência” afirmou.

O governo vai insistir no ponto e, caso o valor mínimo não suba, deverá apresentar uma emenda para ser votada no plenário.

Apesar da divergência, Motta quer acelerar a votação e, se possível, votar o texto já na próxima semana na comissão especial e, na sequência, no plenário.

O presidente da Câmara diz que a votação do projeto na Casa pode ser concluída na primeira semana de abril.

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Taylor Swift, Kim Kardashian, Jordan, Oprah e mais: veja os 22 famosos bilionários da Forbes

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/03/2026 12:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,145-0,38%Dólar TurismoR$ 5,351-1,13%Euro ComercialR$ 5,995-0,04%Euro TurismoR$ 6,244-0,66%B3Ibovespa183.557 pts1,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,145-0,38%Dólar TurismoR$ 5,351-1,13%Euro ComercialR$ 5,995-0,04%Euro TurismoR$ 6,244-0,66%B3Ibovespa183.557 pts1,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,145-0,38%Dólar TurismoR$ 5,351-1,13%Euro ComercialR$ 5,995-0,04%Euro TurismoR$ 6,244-0,66%B3Ibovespa183.557 pts1,46%Oferecido por

Beyoncé, Dr. Dre, Roger Federer e James Cameron entram na lista de bilionários — Foto: Reuters e AP

A lista anual de bilionários da revista Forbes, divulgada nesta terça-feira (10), reúne 22 celebridades em 2026 e mostra que a fortuna de atletas e artistas continua em expansão.

Segundo a publicação, esses nomes somam US$ 48,1 bilhões em patrimônio, um aumento em relação aos 18 bilionários que acumulavam US$ 39 bilhões em 2025.

Entre os estreantes estão a cantora Beyoncé, o ex-tenista Roger Federer, o cantor e produtor musical Dr. Dre e o cineasta James Cameron. Eles se juntam a nomes já consolidados na lista, como Steven Spielberg, George Lucas e Oprah Winfrey.

De acordo com a revista, a categoria de “celebridade” considera pessoas que primeiro ficaram famosas e depois transformaram essa notoriedade em grandes fortunas, muitas vezes por meio de negócios e investimentos além de suas áreas de atuação.

O levantamento reforça uma tendência crescente: celebridades cada vez mais atuam como empreendedores e investidores, diversificando fontes de renda e transformando carreiras de sucesso em grandes fortunas.

Steven Spielberg (EUA): US$ 7,1 bilhõesGeorge Lucas (EUA): US$ 5,2 bilhõesMichael Jordan (EUA): US$ 4,3 bilhõesVincent McMahon (EUA): US$ 3,6 bilhõesOprah Winfrey (EUA): US$ 3,2 bilhõesJay-Z (EUA): US$ 2,8 bilhõesTaylor Swift (EUA): US$ 2 bilhõesKim Kardashian (EUA): US$ 1,9 bilhãoPeter Jackson (Nova Zelândia): US$ 1,9 bilhãoMagic Johnson (EUA): US$ 1,6 bilhãoTiger Woods (EUA): US$ 1,5 bilhãoDick Wolf (EUA): US$ 1,5 bilhãoTyler Perry (EUA): US$ 1,4 bilhãoLeBron James (EUA): US$ 1,4 bilhãoBruce Springsteen (EUA): US$ 1,2 bilhãoArnold Schwarzenegger (EUA): US$ 1,2 bilhãoJerry Seinfeld (EUA): US$ 1,1 bilhãoRoger Federer (Suíça): US$ 1,1 bilhãoJames Cameron (Canadá): US$ 1,1 bilhãoRihanna (Barbados): US$ 1 bilhãoBeyoncé Knowles-Carter (EUA): US$ 1 bilhãoDr. Dre (EUA): US$ 1 bilhão

A cantora e compositora norte-americana Beyoncé, de 44 anos, está entre os destaques da lista, com patrimônio estimado em US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões). A artista acumulou riqueza ao longo de décadas com vendas de música, turnês mundiais, investimentos e colecionismo de arte ao lado do marido, o rapper e empresário Jay-Z, que já figurava no ranking.

Outro estreante é o produtor e rapper Dr. Dre, de 61 anos, também com fortuna estimada em US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões). Grande parte de seu patrimônio veio da venda da marca de fones Beats by Dre para a Apple em 2014, em um negócio avaliado em cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões) em dinheiro e ações.

No esporte, o ex-tenista suíço Roger Federer, de 44 anos, aparece pela primeira vez no ranking com patrimônio estimado em US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões). Além da carreira consagrada, marcada por 20 títulos de Grand Slam, parte significativa de sua fortuna vem de contratos de patrocínio e de sua participação na fabricante de calçados On Running.

Já no cinema, o diretor canadense James Cameron, de 71 anos, também passou a integrar o grupo de bilionários. Com patrimônio estimado em US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), ele construiu sua fortuna dirigindo grandes sucessos de bilheteria, como "Titanic", "Avatar" e "O Exterminador do Futuro".

Beyoncé vence Grammy de Álbum do Ano com 'Cowboy Carter' em 3 de fevereiro de 2025. — Foto: REUTERS/Mario Anzuoni

Entre as celebridades bilionárias, o maior patrimônio pertence ao diretor Steven Spielberg, com cerca de US$ 7,1 bilhões. Ele é seguido pelo cineasta George Lucas, com US$ 5,2 bilhões, e pelo ex-jogador de basquete Michael Jordan, com US$ 4,3 bilhões.

A lista também inclui nomes do entretenimento e do esporte que transformaram sua popularidade em negócios milionários, como Jay-Z, Taylor Swift, Kim Kardashian e LeBron James. Veja abaixo os dez principais:

Steven Spielberg se tornou famoso por dirigir alguns dos filmes mais icônicos do século XX, incluindo Tubarão, E.T., Indiana Jones e Jurassic Park. Não é a primeira vez que ele aparece na lista da Forbes.

Em 1994, fez a primeira aparição na lista dos norte-americanos mais ricos. De lá para cá, além dos ganhos com filmes, Spielberg negociou para receber 2% das vendas de ingressos nos parques temáticos da Universal até o fim da vida.

George Lucas dirige o robô C-3PO (Anthony Daniels) em 'Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones' — Foto: Divulgação

George Lucas criou Star Wars, uma franquia que continua forte quase 50 anos após o lançamento do primeiro filme. Muitos filmes futuros estão planejados, incluindo The Mandalorian & Grogu, esperado para 2026.

Apesar disso, ele não recebe mais dividendos das novas produções, pois vendeu os direitos de Star Wars em 2012, quando a Disney comprou sua produtora LucasFilm por US$ 4 bilhões em dinheiro e ações.

Michael Jordan, maior astro do basquete dos EUA, em imagem de 2015 — Foto: Charles Rex Arbogast / Arquivo / AP Photo

A lenda do basquete Michael Jordan se tornou o primeiro atleta a entrar na lista da Forbes das 400 pessoas mais ricas dos EUA em 2023, oito anos após se tornar o primeiro atleta bilionário.

Jordan fez a maior parte de sua fortuna através de parcerias de marca. A Nike paga a ele mais de US$ 100 milhões por ano em royalties pela marca Jordan.

Vince McMahon começou como locutor de TV para a empresa de luta livre de seu pai (então WWF, agora WWE) nos anos 1970. Ele comprou o negócio em 1982 e o transformou em uma potência global.

McMahon fundiu a WWE com a UFC em 2023 para formar a TKO Group Holdings, da qual foi brevemente presidente antes de renunciar no ano passado em meio a alegações de má conduta sexual (que ele nega). Ele tem vendido sua participação na empresa.

Oprah Winfrey gesticula perto do Gritti Palace Hotel, antes do casamento do fundador da Amazon — Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Oprah Winfrey ganhou fama como apresentadora do The Oprah Winfrey Show, que foi ao ar de 1986 a 2011. Em 2003, seus ganhos como apresentadora, atriz e produtora a tornaram bilionária — a primeira mulher negra a alcançar esse status.

Winfrey continua a ganhar dinheiro no entretenimento, coestrelando o drama de guerra de 2024 The Six Triple Eight (Batalhão 6888). Atualmente, ela também investiu grande parte de sua fortuna em imóveis na Califórnia e no Havaí, onde possui mais de 800 hectares.

O portfólio de Jay-Z é vasto, abrangendo ativos como sua marca de champanhe Armand de Brignac, sua marca de conhaque D’Usse, uma participação no Uber que ele comprou nos primeiros dias do aplicativo, uma impressionante coleção de arte (incluindo peças de Jean-Michel Basquiat) e, claro, seu próprio catálogo musical.

Jay-Z lucrou com suas marcas de bebidas em 2021 e 2023, vendendo participações para a LVMH e Bacardi por centenas de milhões.

Taylor Swift se tornou bilionária em 2023 após ganhar cerca de US$ 190 milhões na primeira etapa de sua famosa The Eras Tour.

O restante de sua fortuna vem do valor de seu catálogo musical, além de royalties de música e turnês adicionais. Ela acumulou cerca de US$ 115 milhões em casas em Rhode Island e Tennessee.

Kim Kardashian ganhou destaque através da TV de realidade, mas alcançou o status de bilionária graças à sua linha de roupas modeladoras Skims, que um fundo avaliou em 2023 em US$ 4 bilhões.

Kardashian lançou uma marca de cuidados com a pele, SKKN By Kim, em 2022. Ela também possui uma coleção de casas, incluindo uma de US$ 40 milhões nos arredores de Los Angeles que compartilhava com o ex-marido Kanye West.

Os filmes de O Senhor dos Anéis renderam a Peter Jackson US$ 10 milhões cada um. Mas isso é pouco comparado ao que ele ganhou quando vendeu parte de sua empresa de efeitos visuais, Weta Digital, para a Unity Software em 2021.

A Weta deu a Jackson US$ 1,6 bilhões em dinheiro e ações, dos quais ele obteve quase US$ 1 bilhão.

Membro do Hall da Fama do basquete, Magic Johnson fez sua fortuna por meio de investimentos inteligentes após o término de sua carreira.

Eles incluem a compra de participações minoritárias nos Los Angeles Dodgers da MLB (com Todd Boehly) e nos Washington Commanders da NFL (com Justin Harris), além da compra da maioria da seguradora EquiTrust, com sede em Iowa, em 2015.

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Disparada do petróleo: Haddad defende evitar ‘decisões açodadas’, mas diz que BC é autônomo sobre juros

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/03/2026 11:13

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1790,29%Dólar TurismoR$ 5,375-0,67%Euro ComercialR$ 6,0240,46%Euro TurismoR$ 6,264-0,34%B3Ibovespa181.198 pts0,16%MoedasDólar ComercialR$ 5,1790,29%Dólar TurismoR$ 5,375-0,67%Euro ComercialR$ 6,0240,46%Euro TurismoR$ 6,264-0,34%B3Ibovespa181.198 pts0,16%MoedasDólar ComercialR$ 5,1790,29%Dólar TurismoR$ 5,375-0,67%Euro ComercialR$ 6,0240,46%Euro TurismoR$ 6,264-0,34%B3Ibovespa181.198 pts0,16%Oferecido por

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (10) que não se tomem o que ele chamou de "decisões açodadas" por conta da dispara do preço do petróleo, que, se não revertido, contaminará a inflação (via alta dos preços dos combustíveis).

Questionado por jornalistas se a forte alta no preço do petróleo não pode prejudicar a intenção do Banco Central de iniciar o processo de corte de juros na próxima semana, ele lembrou os primeiros dias do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump — posteriormente revertido em parte.

"Nós não podemos correr risco de tomar decisões açodadas. Você lembra no caso do tarifaço? No caso do tarifaço, houve um pânico gerado pela extrema direita de que aquilo ia quebrar a economia brasileira que o Brasil finalmente ia se render ao império do norte, que ia ter que aceitar as exigências deles em relação ao Bolsonaro e nada disso aconteceu", disse Haddad.

O ministro, no entanto, acrescentou que o Banco Central é autônomo em suas decisões sobre a taxa de juros, ou seja, independente, tanto do governo quanto do mercado.

"Nós temos uma doença [inflação], um remédio [taxa de juros], e o que a Banco Central faz é administrar a dose. É só isso. Não faz outra coisa a não ser administrar a dose. Com base no quê? Nos dados, nas expectativas e tal. Então, o Banco Central é independente, porque ele tem uma metodologia de trabalho que ele vai seguir. Entendeu? Agora, vamos ver o que vai acontecer. Eu não posso antecipar, porque eu não sei. Não voto no Copom", disse o ministro.

Atualmente, a taxa básica de juros da economia está em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Em janeiro, o Banco Central indicou que deverá iniciar o ciclo de redução da Selic em seu próximo encontro, marcado para a próxima semana. O mercado acreditava que a redução seria de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano, mas já precifica, nesta semana, uma redução menor: de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, por conta da guerra no Oriente Médio.

Em maio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou em Los Angeles, nos EUA, uma política nacional de data centers que prevê a desoneração de investimentos no setor — Foto: Getty Images

Após ultrapassar a barreira dos US$ 120 no decorrer desta semana, o nível mais alto em mais de três anos, os preços do petróleo caíam nesta terça após Donald Trump afirmar que a guerra no Oriente Médio pode terminar em breve, o que reduziu as preocupações com interrupções prolongadas no abastecimento global.

Os contratos futuros do Brent crude oil recuavam US$ 6,28, ou 6,3%, para US$ 92,68 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía US$ 6,19, ou 6,5%, para US$ 88,58 por barril.

"Você veja como o preço do petróleo está oscilando dia a dia. Você não pode, com base nisso, já ir tomando decisões estruturais que vão comprometer. E nós temos que observar, verificar o andar das coisas, estabelecer cenários, como nós fizemos no caso do tarifaço, desenhar cenários, o cenário A, o cenário B, o cenário C, desenhar o pior cenário também", afirmou o ministro Haddad, nesta terça.

De acordo com economistas ouvidos pelo g1 na semana passada, a escalada de tensões e a eclosão da guerra no Oriente Médio, com o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a propagação do conflito a países vizinhos, como o Líbano, pressionam o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil. Também pode haver alguma pressão sobre o dólar.

Com dólar e petróleo mais caros, cresce a expectativa de aumento nos preços de combustíveis e de energia, que têm efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e até o agronegócio — limitando, também, o ritmo de crescimento da atividade doméstica.

Segundo economistas, essa "mudança de preços relativos" de ativos (petróleo e dólar), no jargão da economia, pode contaminar não somente os preços correntes, mas também as projeções do mercado e da autoridade monetária para a inflação neste e nos próximos anos.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), colegiado responsável buscar o atingimento das metas de inflação, toma suas decisões olhando para a frente, pois elas demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.Neste momento, por exemplo, o Banco Central está buscando atingir, por meio da fixação da taxa de juros, a meta central de inflação de 3% em doze meses até setembro de 2027.

➡️A lógica é que se a guerra não acabar no curto prazo, seu impacto na inflação (via aumento do petróleo e do dólar) pode ser mais duradouro, contaminando as projeções de inflação dos próximos anos e limitando intensidade e o ritmo dos cortes na taxa de juros no país.

➡️O Copom, do Banco Central, diz que apenas reage ao cenário da economia na fixação dos juros. Se há uma piora com impacto inflacionário, tem de adequar seu panorama esperado para o futuro. Na ata de sua última reunião, em janeiro, o Copom avaliava que o cenário externo seguia incerto.

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Bancos de Wall Street liberam home office ou saída do país em meio a ataques no Oriente Médio

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/03/2026 04:08

Trabalho e Carreira Bancos de Wall Street liberam home office ou saída do país em meio a ataques no Oriente Médio Segundo a Bloomberg, instituições como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup passaram a permitir que equipes nos Emirados Árabes Unidos e realoquem temporariamente ou trabalhem do exterior. Por Redação g1 — São Paulo

Alguns dos maiores bancos de Wall Street, principal centro financeiro dos Estados Unidos, passaram a oferecer a funcionários nos Emirados Árabes Unidos a possibilidade de deixar o país temporariamente e trabalhar de forma remota enquanto continuam os ataques contra o país do Golfo.

Instituições como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup passaram a permitir que funcionários se mudem temporariamente para outros países, segundo a Bloomberg. A medida busca dar mais segurança às equipes que atuam na região.

A consultoria McKinsey & Company também adotou medidas semelhantes. De acordo com as fontes citadas pela Bloomberg, a empresa fretou um voo para a Turquia para retirar consultores que estavam fora da região.

A companhia também passou a permitir que funcionários baseados em Dubai deixem o país em caso de emergência.

Ainda não está claro quantos profissionais aceitaram a oferta de mudança temporária. Um dos bancos afirmou à Bloomberg que a adesão foi muito limitada até o momento.

Uma vista geral do luxuoso Hotel Burj al-Arab na área de Jumeirah, em Dubai, Emirados Árabes Unidos — Foto: Karim Sahib/Reuters

Alguns dos maiores bancos de Wall Street, principal centro financeiro dos Estados Unidos, passaram a oferecer a funcionários nos Emirados Árabes Unidos a possibilidade de deixar o país temporariamente e trabalhar de forma remota enquanto continuam os ataques contra o país do Golfo. A informação foi divulgada pela Bloomberg.

Instituições como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup passaram a permitir que funcionários se mudem temporariamente para outros países, segundo o jornal. A medida busca dar mais segurança às equipes que atuam na região.

➡️ A medida ocorre em um momento de atenção redobrada em cidades como Dubai e Abu Dhabi, que se consolidaram como importantes centros financeiros globais. As duas atraem bancos internacionais, fundos de investimento e consultorias e funcionam como porta de entrada para negócios no Oriente Médio, na África e em partes da Ásia.

A consultoria McKinsey & Company também adotou medidas semelhantes. De acordo com as fontes citadas pela Bloomberg, a empresa fretou um voo para a Turquia para retirar consultores que estavam fora da região.

A companhia também passou a permitir que funcionários baseados em Dubai deixem o país em caso de emergência.

Ainda não está claro quantos profissionais aceitaram a oferta de mudança temporária. Um dos bancos afirmou à Bloomberg que a adesão foi muito limitada até o momento.

Em muitos casos, os funcionários podem continuar trabalhando a partir de outro país. No entanto, as empresas não oferecem compensação financeira pela mudança.

Mesmo quando a mudança é possível, a decisão pode trazer complicações. Alterações de residência, ainda que temporárias, podem gerar impactos fiscais. Alguns profissionais também precisam obter autorização de órgãos reguladores para trabalhar em outros países.

A Bloomberg informou ainda que algumas empresas locais passaram a oferecer flexibilidade semelhante aos funcionários. Outras, porém, continuam operando normalmente nos Emirados Árabes Unidos.

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Bolsas registram fortes quedas e petróleo dispara com guerra no Oriente Médio

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 09/03/2026 08:08

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%MoedasDólar ComercialR$ 5,244-0,81%Dólar TurismoR$ 5,456-0,61%Euro ComercialR$ 6,084-0,54%Euro TurismoR$ 6,342-0,41%B3Ibovespa178.982 pts-0,82%Oferecido por

As Bolsas desabaram nesta segunda-feira (9) e os preços do petróleo dispararam até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630), em meio aos temores provocados pela guerra no Oriente Médio, que entra na segunda semana sem qualquer sinal de trégua.

Com a perspectiva de impactos do conflito sobre a economia global, os mercados asiáticos ampliaram as perdas registradas na semana passada.

A Bolsa de Seul, que até o início do conflito apresentava desempenho forte impulsionado por empresas de tecnologia, fechou o dia em queda de 5,96%, enquanto Tóquio recuou 5,2%.

Na Europa, os principais mercados também operavam no vermelho: Paris caía 2,59%, Frankfurt recuava 2,47%, Londres perdia 1,57%, Madri cedia 2,87% e Milão, 2,71%.

As Bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também encerraram o pregão em baixa nesta segunda-feira.

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street já haviam acumulado queda superior a 2% na semana passada, enquanto o dólar recuperou parte de seu valor por ser considerado um ativo de proteção em momentos de incerteza.

O impacto mais intenso do conflito aparece no mercado de petróleo. Às 6h30 GMT (3h30 em Brasília), o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 15,51%, para US$ 104,96. Momentos antes, chegou a avançar 30%, atingindo US$ 119,48 por barril.

Já o Brent do Mar do Norte, referência global, avançava 17,42%, a US$ 108,82 por barril, após ter superado a marca de US$ 119.

O preço do gás natural na Europa também disparava. Os contratos futuros do TTF holandês, referência regional, registravam alta de 30%, para 69,50 euros (quase US$ 80).

Fumaça sobe após ataque à refinaria de petróleo da Bapco em Sitra, no Bahrein, em 9 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer

Nos últimos dias, ataques atingiram campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda, no norte do país, provocando redução na produção.

Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait também reduziram a produção em meio a ataques iranianos contra seus territórios.

Os países do G7 estudam recorrer de forma coordenada às reservas estratégicas de petróleo para tentar conter a alta dos preços. Uma fonte do governo francês confirmou que a possibilidade será discutida em uma videoconferência entre os ministros das Finanças.

A Agência Internacional de Energia (AIE) exige que seus membros mantenham reservas equivalentes a 90 dias de importações de petróleo.

O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Com a perspectiva de que os preços da energia permaneçam elevados por um período prolongado, cresce o temor de uma onda inflacionária capaz de afetar a economia global.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta do petróleo, destacando a importância de eliminar "a ameaça nuclear do Irã".

"O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo", escreveu Trump na plataforma Truth Social. "APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!", acrescentou.

"O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva", afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Segundo ele, "o petróleo acima de 100 dólares não representa apenas uma alta das commodities. Torna-se um imposto sobre a economia global".

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Petróleo supera barreira dos US$ 100 pela primeira vez em quatro anos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/03/2026 20:32

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,286-0,03%Dólar TurismoR$ 5,4980,16%Euro ComercialR$ 6,115-0,06%Euro TurismoR$ 6,3730,08%B3Ibovespa180.681 pts-2,53%MoedasDólar ComercialR$ 5,286-0,03%Dólar TurismoR$ 5,4980,16%Euro ComercialR$ 6,115-0,06%Euro TurismoR$ 6,3730,08%B3Ibovespa180.681 pts-2,53%MoedasDólar ComercialR$ 5,286-0,03%Dólar TurismoR$ 5,4980,16%Euro ComercialR$ 6,115-0,06%Euro TurismoR$ 6,3730,08%B3Ibovespa180.681 pts-2,53%Oferecido por

O petróleo de referência dos Estados Unidos disparou para mais de US$ 100 por barril na abertura do mercado neste domingo (8).

O West Texas Intermediate (WTI) subiu 20%, chegando a US$ 109,17 por barril, nível que não era visto desde fevereiro de 2022.

Já o contrato internacional de referência Brent avançou 19%, sendo negociado a US$ 110,35 por barril.

O petróleo de referência dos Estados Unidos disparou para mais de US$ 100 por barril na abertura do mercado neste domingo (8), com investidores se preparando para mais turbulências após o Irã nomear Mojtaba Khamenei como novo líder supremo. Esta é a primeira vez em quatro anos que o barril é negociado acima de US$ 100.

O West Texas Intermediate (WTI) subiu 20%, chegando a US$ 109,17 por barril, nível que não era visto desde fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou sua invasão da Ucrânia.

Já o contrato internacional de referência Brent avançou 19%, sendo negociado a US$ 110,35 por barril (cerca de R$ 583,44).

Ainda neste domingo, Donald Trump disse que o aumento do preço do petróleo é um preço "muito pequeno a se pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo". Em seu perfil no Truth Social, o presidente dos EUA afirmou que os preços cairão rapidamente quando "a destruição da ameaça nuclear do Irã terminar".

A Assembleia de Especialistas do Irã nomeou Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país, segundo informou a mídia estatal neste domingo (8). Em comunicado, o órgão convocou o povo iraniano a manter a unidade e jurar lealdade ao novo líder.

Mojtaba é filho de Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro durante bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em Teerã.

Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e candidato a novo líder supremo do Irã. Foto de 2019. — Foto: AP Photo/Vahid Salemi/File

Mojtaba, clérigo de escalão médio com laços estreitos com os Guardas Revolucionários, já era visto há anos como possível sucessor de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei.

Apesar de a ideologia dominante do Irã não favorecer a sucessão hereditária, ele conta com apoio significativo dentro da Guarda e da estrutura política que ainda mantém a influência do falecido líder.

Segundo a imprensa iraniana, além do pai, Mojtaba perdeu a esposa e um filho pequeno. Apesar das tragédias pessoais, mesmo ostentando o título de aiatolá, Mojtaba é um clérigo de nível intermediário e uma das figuras mais influentes do establishment clerical iraniano.

Ele é conhecido por ter uma postura linha-dura e tem laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã.

O anúncio da nomeação foi confirmado pelo membro do conselho Ahmad Alamolhoda e dependia do chefe do secretariado da Assembleia de Especialistas, Hosseini Bushehri, responsável por tornar pública a decisão, segundo a agência iraniana Mehr.

De acordo com o The New York Times, a nomeação também reflete a tentativa do governo iraniano de manter a continuidade em meio aos ataques crescentes dos Estados Unidos e de Israel, nove dias após o início da guerra.

Mojtaba assume não apenas como a nova autoridade religiosa e política do país, mas também como comandante-em-chefe das Forças Armadas, reforçando sua posição de influência no Irã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (8) que o próximo líder supremo do Irã “não vai durar muito” se Teerã não obtiver sua aprovação. A afirmação foi feita antes de o regime iraniano ter nomeado Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como o sucessor.

“Ele vai ter que obter nossa aprovação”, disse Trump ao canal ABC News. "Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito".

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou neste domingo (8) que cabe ao povo iraniano, e não ao presidente dos Estados Unidos, escolher o novo líder do país. O chanceler também exigiu um pedido de desculpas do presidente americano por, segundo ele, ter iniciado a guerra no Oriente Médio.

"Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder", declarou Abbas Araghchi no programa "Meet the Press", do canal NBC, depois que Trump afirmou que deveria participar da escolha do próximo líder supremo do Irã.

Araghchi também afirmou que o presidente republicano "deveria pedir desculpas ao povo da região e ao povo iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram".

O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), o que faz dele o quarto maior produtor de petróleo da Opep. É também um dos maiores produtores de gás natural do mundo. O país possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, representando cerca de um quarto das reservas do Oriente Médio e 12% das mundiais, de acordo com a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês). No entanto, a produção iraniana se manteve limitada devido a anos de investimentos baixos e sanções internacionais.

Mas o Irã encontrou maneiras de contornar as sanções ocidentais e, atualmente, exporta 90% do seu petróleo para a China. Na realidade, foi a demanda da China que levou o Irã a aumentar a produção de petróleo bruto em cerca de 1 milhão de barris por dia entre 2020 e 2023.

A economia iraniana é relativamente diversificada em comparação com outras do Oriente Médio dependentes do petróleo, mas as exportações de energia constituem uma fonte significativa de receita para o governo em Teerã. Em 2023, as empresas petrolíferas do país registraram cerca de 53 bilhões de dólares (R$ 275 bilhões) em receitas líquidas com a exportação do combustível fóssil, de acordo com estimativas da EIA.

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A pesquisadora que estuda o mercado de trabalho das mães solo no Brasil: ‘Ganham 40% menos que pais casados’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 08/03/2026 08:45

Trabalho e Carreira Vagas de Emprego A pesquisadora que estuda o mercado de trabalho das mães solo no Brasil: 'Ganham 40% menos que pais casados' Mariene Ramos cresceu ajudando a mãe a cuidar dos filhos de mães solo, e se tornou uma delas na vida adulta. Agora, ela busca entender como trabalham essas quase 11 milhões de brasileiras, que ganham menos, são mais informalizadas e estão mais relegadas ao trabalho doméstico. Por Thais Carrança — São Paulo

Mariene Ramos cresceu cercada de mães solo — mulheres que criam seus filhos sem o apoio de um parceiro ou parceira.

Com pai e mãe que não concluíram o ensino fundamental, Mariane se formou no ensino médio, tornou-se funcionária pública e completou duas faculdades, de gestão pública e jornalismo.

Nesse meio tempo, porém, tornou-se ela mesma uma mãe solo — tema que decidiu estudar em seu mestrado em políticas públicas no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Desde 2022, as mulheres passaram à frente dos homens na chefia dos lares brasileiros, tornando-se responsáveis por 52% dos domicílios.

Mariene Ramos cresceu ajudando a mãe a cuidar dos filhos de mães solo. Agora, ela busca entender como trabalham essas quase 11 milhões de brasileiras — Foto: Janaíne Meira via BBC

A pesquisadora Mariene Ramos cresceu cercada de mães solo — mulheres que criam seus filhos sem o apoio de um parceiro ou parceira.

Nascida em Ponte Alta do Bom Jesus, cidade com pouco mais de 4 mil habitantes no interior do Tocantins, Mariene se mudou com a família para o Distrito Federal aos 7 anos, por motivo de doença de um irmão mais novo.

Após o falecimento deste irmão e com o pai aposentado precocemente por um acidente de trabalho, sua mãe passou a complementar a renda da família cuidando dos filhos de vizinhas em Novo Gama, cidade goiana da periferia de Brasília.

"Passei cerca de três anos morando com amigos da família para poder estudar, enquanto meus pais trabalhavam no setor de chácaras de Brasília", lembra Mariane, que antes disso estudou em escola rural, onde alunos de diversas idades convivem em uma mesma série.

"Quando mudamos para o Novo Gama, eu já tinha 13 para 14 anos, e ajudava minha mãe com essa dinâmica, de deixar e buscar criança na escola, de fazer comida", conta a pesquisadora, hoje com 36 anos.

"Eu eu via a luta daquelas mulheres. A maioria eram domésticas, nem todas eram mães solo — mas muitas eram. Enquanto outras eram casadas, mas não podiam contar com os maridos, por questões como o vício em bebida, então, na prática, se tornavam meio mães solo também."

Com pai e mãe que não concluíram o ensino fundamental, Mariane se formou no ensino médio, tornou-se funcionária pública e completou duas faculdades, de gestão pública e jornalismo.

Nesse meio tempo, porém, tornou-se ela mesma uma mãe solo — tema que decidiu estudar em seu mestrado em políticas públicas no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

"Sem rede de apoio, após me mudar do Novo Gama para Brasília para o mestrado, precisei levar minha filha para muitas das aulas", lembra Mariene. "Todas as aulas à noite, eu levava, então, no aniversário dela de 14 anos, ela estava em uma aula de Econometria junto comigo."

"Foi aí que me deu mais vontade ainda de estudar sobre esse tema", conta a pesquisadora, destacando a importância do assunto em um momento em que o Brasil passou a ter maioria de domicílios chefiados por mulheres.

Desde 2022, elas passaram à frente dos homens na chefia dos lares brasileiros, tornando-se responsáveis por 52% dos domicílios.

Nos lares monoparentais — aqueles onde apenas um adulto vive com os filhos, sem a presença de um cônjuge — a chefia feminina chega a 92%, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Coorientada pelos pesquisadores Carlos Corseuil e Marcos Hecksher, a pesquisa de mestrado de Mariene traça um retrato de como trabalham as mães que criam seus filhos sozinhas no Brasil, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, de 2022.

No estudo, a pesquisadora considera como mães solo as mulheres chefes de domicílio, com filhos e sem cônjuge. Em 2022, o Brasil somava mais de 10,9 milhões de mães solo responsáveis por domicílio, o equivalente à população total de países como Portugal ou Bélgica.

"Sempre ouvimos falar de penalidade pela maternidade, mas tratando as mulheres como um grupo homogêneo — mas elas não são iguais."

Penalidades pela maternidade são desvantagens profissionais e econômicas que mulheres enfrentam no mercado de trabalho após se tornarem mães, incluindo menor probabilidade de contratação ou promoção e percepção de menor competência, que se expressam, por exemplo, em rendimentos mais baixos.

Em 2022, mães solo tinham o menor rendimento médio (R$ 2.322) entre os arranjos familiares, quase 40% abaixo dos pais com cônjuge (R$ 3.869) e 11,5% inferior à renda média das mães com cônjuge — pessoas com cônjuge contam ainda com o rendimento do parceiro para compor a renda familiar.

"As mães solo não sofrem penalidade apenas no rendimento, elas sofrem também na questão da precariedade do trabalho", observa Mariene.

Em 2022, o grupo apresentava uma taxa de ocupação de 50,2%, inferior aos pais com cônjuges (81%) e às mães com cônjuge (53,2%).

Elas também tinham a menor taxa de contribuição previdenciária (28,3%), significativamente inferior aos pais com cônjuge (54,8%) e mesmo às mães com cônjuge (34,7%).

"Essa baixa cobertura previdenciária representa uma vulnerabilidade de longo prazo para as mães solo, comprometendo a segurança social na velhice ou em situações de incapacidade", destaca a autora do estudo.

Analisando a população ocupada por setores da atividade econômica, Mariene observa que há uma concentração de mães solo em setores historicamente desvalorizados e marcados por baixos salários, como serviços domésticos (21,9%).

O percentual de mães solo trabalhando como empregadas domésticas é significativamente superior ao das mães com cônjuge (11,8%) e quase 27 vezes maior que o dos pais com cônjuge (0,8%).

"Isso reforça a hipótese de que as mães solo estão confinadas em setores com menores remunerações", destaca a pesquisadora, em sua dissertação.

A escolaridade é um fator importante para compreender essa precária inserção das mães solo no mercado de trabalho.

Pouco mais de 55% têm, no máximo, o ensino médio incompleto, percentual superior ao de pais com cônjuge (46,6%), mães com cônjuge (39,9%) e mulheres sem filhos (47,9%), ficando atrás apenas dos pais solo (61,4%).

E apenas 13,7% das mães solo concluíram o ensino superior, abaixo das mulheres sem filhos (22,1%) e também das mães com cônjuge (19,9%).

Mariene destaca, porém, que a escolaridade não explica tudo, e que é preciso levar em conta também a discriminação sofrida pelas mães solo no mercado de trabalho.

"Muitas vezes, o empregador supõe que aquela pessoa vai ter menos disponibilidade, menos flexibilidade e vai render menos", observa a pesquisadora.

"Então, ela acaba não conseguindo ocupar cargos mais altos ou ocupa aqueles com salário um pouco mais baixo."

Analisando o perfil racial, 62% das mães solo são negras, sendo 14% pretas e 47% pardas, enquanto 37% são brancas e 2% de outras raças ou cor. O percentual de pessoas negras no grupo é superior ao do conjunto de pais solo (60%), mães com cônjuge (59%), pais com cônjuge (56%) e mulheres sem filhos (50%).

Mariene destaca ainda a questão da "geração sanduíche" — mulheres pressionadas simultaneamente pelo cuidado de filhos e de pais idosos.

No caso das mães solo, 33,5% residem em domicílios com pessoas acima de 60 anos. Essa proporção é mais que o dobro das mães com cônjuge (15,7%) e supera significativamente a dos pais com cônjuge (19,4%).

Mais de 33% das mães solo residem em domicílios com idosos, o que pode implicar em uma rede de apoio, mas também em uma dupla jornada de cuidado — Foto: Getty Images via BBC

"Esses idosos podem representar uma rede de apoio, mas também podem precisar da ajuda dessa mãe, então, muitas delas vivem uma jornada dupla de cuidado, ou uma jornada tripla", diz a pesquisadora.

Por fim, ela observa que 57% das mães solo recebem algum tipo de benefício social do Estado, proporção substancialmente superior à dos pais com cônjuge (19%) e também superior à das mães com cônjuge (34%), dos pais solo (49,9%) e das mulheres sem filhos (48,6%).

A pesquisadora destaca que isso é consequência direta da falha do mercado de trabalho em absorver adequadamente a mão de obra dessas mulheres.

"Como essas mães não estão conseguindo receber [através do trabalho] um rendimento que consiga arcar com suas despesas, o Estado acaba tendo que entrar com benefícios", afirma.

Para mudar esse quadro, Mariene defende que é preciso aumentar a oferta de creches em tempo integral no país.

Um estudo recente da ONG Todos pela Educação mostrou que, em 2024, apenas 41,2% das crianças de até 3 anos eram atendidas por creches no país — ainda distante da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE).

Entre os mais pobres, 30,6% das crianças eram atendidas, enquanto entre as mais ricas, a taxa chegava a 60%.

O levantamento também mostrou que quase 2,3 milhões de crianças de até 3 anos estavam fora da creche em 2024, por dificuldades de acesso, como falta de vagas ou de unidades próximas.

Quase 2,3 milhões de crianças de até 3 anos estavam fora da creche em 2024, por dificuldades de acesso, como falta de vagas ou de unidades próximas — Foto: Altemar Alcantara/Semcom/Agência Senado

A pesquisadora do Ipea diz ainda que é preciso reconhecer o tempo de cuidado dessas mães, debate que vem ganhando espaço no Brasil, a partir da aprovação da Política Nacional de Cuidado.

Estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), com base em dados da Pnad Contínua de 2019, mostra que, somadas as horas remuneradas e não remuneradas, as mulheres brasileiras trabalham em média 58,1 horas semanais, ante 50,3 horas dos homens.

A carga de trabalho não remunerado das mulheres chega a 21,3 horas semanais, mais do que o dobro das 8,8 horas masculinas, "configurando uma jornada total equivalente a uma escala 7×0: todos os dias da semana, sem folga", destacam os pesquisadores do Made, em estudo lançado neste domingo (8/3), por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

Por fim, Mariene defende ainda que é preciso investir na qualificação profissional das mães solo, para que um maior número delas possa obter renda suficiente por meio do trabalho. Mas, para isso, ela reforça novamente a importância da oferta de creches, para que essas mães possam estudar e trabalhar.

"Hoje, eu entendo minha mãe como uma política pública ambulante", brinca a pesquisadora, sobre o trabalho de sua mãe como cuidadora dos filhos de vizinhas. "Naquela época, eu não entendia assim, mas, hoje, entendo que é isso."

"Precisamos olhar para essas mulheres — essa maioria de mulheres nas chefias de lar, essas 11 milhões de mães solo. Não se trata mais de um grupo marginal, mas de uma transformação estrutural do país", considera a pesquisadora.

"Quando o mercado e as políticas públicas se ajustam a essa realidade, toda a economia ganha", diz Mariene.

"Precisamos inseri-las no mercado de trabalho, não de forma assistencialista, mas para que elas consigam viver do seu próprio trabalho."

Fazendo isso, afirma a pesquisadora, será possível ter uma próxima geração, que são os filhos dessas mulheres, talvez com menos dificuldades.

"Eu furei essa bolha: me tornei servidora pública, fiz mestrado, e pretendo continuar esse estudo no doutorado. Mas, para que mais pessoas possam furar a bolha, é preciso trazer essas mulheres, essas mães, para um mercado de trabalho menos precário."

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