RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Dólar abre em alta na última sessão do mês, com foco em balanços corporativos e maior otimismo global

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 31/07/2026 09:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,061-0,92%Dólar TurismoR$ 5,271-0,7%Euro ComercialR$ 5,835-0,21%Euro TurismoR$ 6,0910,000%B3Ibovespa177.159 pts1,88%MoedasDólar ComercialR$ 5,061-0,92%Dólar TurismoR$ 5,271-0,7%Euro ComercialR$ 5,835-0,21%Euro TurismoR$ 6,0910,000%B3Ibovespa177.159 pts1,88%MoedasDólar ComercialR$ 5,061-0,92%Dólar TurismoR$ 5,271-0,7%Euro ComercialR$ 5,835-0,21%Euro TurismoR$ 6,0910,000%B3Ibovespa177.159 pts1,88%Oferecido por

O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (31) em alta, dando início à última sessão do mês de julho. A moeda avançava 0,23% perto das 9h40, cotada a R$ 5,0725. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.

▶️ Essa semana é de reajuste nos mercados financeiros. Após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter decidido manter os juros inalterados pela quinta vez seguida, dados de atividade e inflação dos Estados Unidos divulgados na véspera ficaram no radar, fazendo com que o mercado calibrasse suas projeções e voltasse para ativos um pouco mais seguros ou com maior previsibilidade.

▶️ Além disso, resultados corporativos positivos também impulsionam os mercados globais. Entre os destaques estão papéis do setor de tecnologia, em meio ao foco do mercado em inteligência artificial, e do segmento de energia, com empresas que tiveram bom desempenho no segundo trimestre por conta da alta dos preços do petróleo no mercado internacional.

▶️ No Brasil, as atenções estão voltadas para o cenário fiscal. Segundo dados do Banco Central divulgados hoje, a dívida do setor público consolidado registrou uma alta em junho, atingindo 81,9% do PIB — o equivalente a R$ 10,8 trilhões. Entenda mais detalhes nesta reportagem:

A temporada de balanços corporativos segue na mira dos investidores nesta sexta-feira. Os papéis da Amazon disparam mais de 10% no pré-mercado, após a empresa divulgar receitas acima do esperado, impulsionadas pelo bom desempenho da divisão de computação em nuvem.

Os dados reforçam a percepção dos investidores de que os investimentos em inteligência artificial devem continuar fortes no setor e dão fôlego para o segmento.

Em contrapartida, as ações da Apple sinalizam queda na sessão desta sexta-feira, após a empresa indicar uma perspectiva mais pessimista, alertando que a redução na capacidade de produção de chips avançados estava limitando o fornecimento de seus produtos.

Já no setor de energia, Crevron e ExxonMobil apresentaram resultados fortes no trimestre, com um lucro crescente em meio aos preços mais altos do petróleo por conta da guerra no Irã.

A recuperação do setor de tecnologia trouxe um dia positivo para os mercados asiáticos, que tiveram uma alta generalizada na última sessão do mês.

O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, subiu 0,85%, enquanto o Índice de Xangai, o SSEC, aumentou 0,7%.

Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,1% e o Nikkei, do Japão, subiu 4,03%. O Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 17,91%.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

‘Dinheiro esquecido’: Banco Central atualiza balanço e diz que R$ 6,2 bilhões podem ser resgatados

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 11:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,072-1,18%Dólar TurismoR$ 5,303-0,66%Euro ComercialR$ 5,806-0,64%Euro TurismoR$ 6,070-0,34%B3Ibovespa176.487 pts0,43%MoedasDólar ComercialR$ 5,072-1,18%Dólar TurismoR$ 5,303-0,66%Euro ComercialR$ 5,806-0,64%Euro TurismoR$ 6,070-0,34%B3Ibovespa176.487 pts0,43%MoedasDólar ComercialR$ 5,072-1,18%Dólar TurismoR$ 5,303-0,66%Euro ComercialR$ 5,806-0,64%Euro TurismoR$ 6,070-0,34%B3Ibovespa176.487 pts0,43%Oferecido por

O Banco Central (BC) atualizou os dados e informou nesta terça-feira (14) que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 6,241 bilhões em "recursos esquecidos" pelos clientes.

R$ 4.437.422.917,99 são recursos de 24.080.039 milhões de pessoas físicas;R$ 1.804.196.767,06 bilhões são valores de 2.274.851 milhões de empresas.

Em março, segundo o Banco Central, havia R$ 10,6 bilhões de valores esquecidos nas instituições financeiras. Parte do montante foi transferida para um fundo público para viabilizar o Desenrola 2.0.

O sistema do BC permite consultar se pessoas físicas (inclusive falecidas) e empresas deixaram valores para trás em bancos, consórcios ou outras instituições.

No começo de maio, o governo anunciou o uso, de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, dos recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas.

No fim de maio, parte do dinheiro, cerca de R$ 5,7 bilhões, foi encaminhada para um fundo público, o Fundo de Garantia de Operações (FGO), para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.

"Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo à época.

Como informou o g1 em junho, o caso entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do tribunal apuram o uso de recursos para programas federais por fora do orçamento público.

Por não passar pelo orçamento da União, os recursos não estão dentro dos limites de gastos que têm de ser obedecido. Pelas regras, os gastos não podem crescer mais de 2,5% ao ano (acima da inflação).

Se fosse incluído formalmente no orçamento, e consequentemente no limite de gastos, o governo teria de bloquear igual montante em outras despesas livres (discricionárias), aumentando as dificuldades em um ano eleitoral.

No mês passado, o governo informou que, justamente para obedecer ao limite de despesas existente, R$ 23,7 bilhões do orçamento dos ministérios já foram bloqueados neste ano.

A limitação de recursos já está afetando áreas importantes, como atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e a prestação de serviços à população, como as agências reguladoras.

O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br.

🔑Via sistema do Banco Central, os valores só serão liberados para aqueles que fornecerem uma chave PIX para a devolução.

📞Caso não tenha uma chave cadastrada, é preciso entrar em contato com a instituição para combinar a forma de recebimento. Outra opção é criar uma chave e retornar ao sistema para fazer a solicitação.

💰No caso de valores a receber de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para consultá-los. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade.

Após a consulta, é preciso entrar em contato com as instituições nas quais há valores a receber e verificar os procedimentos.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

PF faz nova operação sobre fraude nas Americanas; relembre o escândalo contábil que levou a varejista à crise

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/06/2026 09:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,2020,29%Dólar TurismoR$ 5,4090,23%Euro ComercialR$ 5,9060,07%Euro TurismoR$ 6,1550,000%B3Ibovespa170.507 pts-0,44%MoedasDólar ComercialR$ 5,2020,29%Dólar TurismoR$ 5,4090,23%Euro ComercialR$ 5,9060,07%Euro TurismoR$ 6,1550,000%B3Ibovespa170.507 pts-0,44%MoedasDólar ComercialR$ 5,2020,29%Dólar TurismoR$ 5,4090,23%Euro ComercialR$ 5,9060,07%Euro TurismoR$ 6,1550,000%B3Ibovespa170.507 pts-0,44%Oferecido por

A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda etapa da Operação Disclosure, que apura as irregularidades contábeis bilionárias envolvendo as Americanas.

Na ação, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o bloqueio de bens e ativos dos investigados até o montante de R$ 54 bilhões, quantia que, segundo perícias técnicas, corresponde ao prejuízo estimado causado pelas fraudes.

Nesta nova fase, as investigações se concentram em verificar se acionistas da varejista e representantes de alguns dos maiores bancos privados do país tiveram participação no esquema sob apuração.

A operação representa mais um capítulo de um escândalo que veio à tona em janeiro de 2023 e levou uma das maiores empresas do varejo brasileiro à recuperação judicial. Relembre o caso:

O escândalo veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando as Americanas divulgaram um fato relevante informando que haviam sido identificadas "inconsistências em lançamentos contábeis" nos balanços corporativos, estimadas inicialmente em cerca de R$ 20 bilhões.

Segundo a companhia, os valores referentes aos primeiros nove meses de 2022 e a exercícios anteriores não haviam sido registrados de forma adequada.

À época, o então presidente Sergio Rial deixou o cargo apenas nove dias após assumir a função, assim como o diretor financeiro André Covre.

Na ocasião, a empresa informou que havia detectado operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem de grandeza, nas quais era devedora perante instituições financeiras, mas que não estavam adequadamente refletidas nas demonstrações financeiras.

No dia seguinte, 12 de janeiro, a revelação provocou forte turbulência no mercado financeiro. Instituições financeiras colocaram as ações das Americanas sob revisão, enquanto a B3 chegou a submeter os papéis da companhia a leilão diante da volatilidade.

Ao final do pregão, as ações acumulavam queda de 77,33%, uma das maiores perdas diárias já registradas por uma empresa de capital aberto no Brasil.

Naquele momento, Sergio Rial afirmou que o problema não se referia a valores inexistentes, mas sim a registros contábeis feitos de forma inadequada ao longo dos anos. Ele também explicou que a origem das inconsistências estava nas operações de risco sacado.

O risco sacado é uma modalidade comum no varejo em que uma instituição financeira antecipa o pagamento devido a fornecedores e passa a ser credora da empresa.

Segundo especialistas ouvidos à época, no caso das Americanas essas obrigações deixavam de aparecer corretamente nos balanços.

🔍Em vez de serem reclassificadas como dívidas financeiras junto aos bancos, eram simplesmente retiradas das contas de fornecedores, reduzindo artificialmente o endividamento apresentado pela companhia.

As investigações também apontam irregularidades envolvendo verbas de propaganda cooperada (VPCs), incentivos comerciais concedidos por fornecedores ao varejo.

Em 13 de janeiro de 2023, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma medida cautelar protegendo as Americanas contra o vencimento antecipado de dívidas, suspendendo temporariamente cobranças enquanto a empresa avaliava um eventual pedido de recuperação judicial.

A decisão buscava impedir que credores esgotassem rapidamente os ativos da companhia e preservasse sua atividade econômica.

Na mesma época, também vieram à tona informações de que executivos haviam vendido aproximadamente R$ 212 milhões em ações da empresa durante o segundo semestre de 2022, levantando suspeitas de uso de informação privilegiada.

No dia 14 de janeiro, a empresa informou que a correção das inconsistências exigiria revisão dos resultados financeiros de exercícios anteriores e alteraria significativamente seus indicadores de endividamento e capital de giro.

Enquanto isso, credores como o BTG Pactual passaram a contestar judicialmente as medidas de proteção concedidas à varejista.

Nos dias seguintes, as ações continuaram em forte queda, refletindo a deterioração da confiança do mercado.

Em 19 de janeiro de 2023, apenas oito dias após revelar as inconsistências contábeis, as Americanas ingressaram com pedido de recuperação judicial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.

Na ocasião, a companhia informou possuir apenas R$ 800 milhões em caixa, valor muito inferior aos R$ 8,6 bilhões divulgados no balanço do terceiro trimestre de 2022, tornando sua situação financeira insustentável.

Posteriormente, a recuperação judicial tornou-se uma das maiores da história empresarial brasileira, envolvendo dívidas superiores a R$ 50 bilhões.

Em março de 2026, a companhia informou que havia cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação judicial com vencimento até dois anos após sua homologação e protocolou o pedido de encerramento do processo. A Justiça aceitou o encerramento, marcando a saída formal da empresa da recuperação judicial.

No processo de reestruturação, a Americanas já promoveu a venda de ativos estratégicos como a holding Uni.Co, que reúne marcas como Imaginarium e Puket, em uma operação adquirida pelo grupo BandUP!.

A companhia também vem reduzindo sua estrutura por meio do fechamento ou desmobilização de unidades menos rentáveis, dentro da estratégia de simplificação do negócio e geração de caixa no contexto da recuperação judicial.

Com o aprofundamento das apurações, a Polícia Federal concluiu que ex-executivos da companhia teriam manipulado deliberadamente os resultados financeiros para apresentar um caixa artificialmente elevado e melhorar indicadores da empresa perante investidores e o mercado.

Segundo os investigadores, a maquiagem contábil permitia ocultar dívidas, inflar lucros e gerar valorização indevida das ações negociadas na Bolsa, beneficiando diretamente os responsáveis por meio de bônus e operações com papéis da companhia.

Em junho de 2024, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Disclosure. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão contra ex-executivos das Americanas, além de pedidos de prisão preventiva contra o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Christina Ramos Saicali, que estavam no exterior.

As investigações identificaram indícios de crimes como manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Na segunda fase da operação, realizada nesta quinta-feira (25), a PF ampliou o foco das investigações para apurar se acionistas da empresa e representantes dos principais bancos privados do país também tiveram participação no esquema.

Além dos nove mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 54 bilhões em bens e valores dos investigados, montante correspondente ao prejuízo estimado pelas fraudes apontadas nos laudos técnicos periciais.

Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, ex-executivos da companhia montaram um esquema para inflar artificialmente os lucros e o caixa da empresa, ocultando dívidas e manipulando balanços para valorizar as ações negociadas na Bolsa.

De acordo com a investigação, os envolvidos recebiam bônus milionários atrelados ao desempenho financeiro e lucravam com a venda de papéis valorizados artificialmente.

“Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, afirmou a PF.

“As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa”, emendou.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

O ‘xadrez do petróleo’ com que Trump pressiona a China — e os limites dessa estratégia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/05/2026 07:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,891-0,06%Dólar TurismoR$ 5,092-0,05%Euro ComercialR$ 5,761-0,08%Euro TurismoR$ 6,010-0,07%B3Ibovespa181.909 pts-1,19%MoedasDólar ComercialR$ 4,891-0,06%Dólar TurismoR$ 5,092-0,05%Euro ComercialR$ 5,761-0,08%Euro TurismoR$ 6,010-0,07%B3Ibovespa181.909 pts-1,19%MoedasDólar ComercialR$ 4,891-0,06%Dólar TurismoR$ 5,092-0,05%Euro ComercialR$ 5,761-0,08%Euro TurismoR$ 6,010-0,07%B3Ibovespa181.909 pts-1,19%Oferecido por

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente chinês, Xi Jinping — Foto: AFP via Getty Images/BBC

Pressão sobre a Venezuela, bloqueio do petróleo iraniano no estreito de Ormuz , movimentações no entorno do estreito de Malaca. Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram sua atuação em pontos estratégicos das rotas globais de energia e comércio, ampliando sua presença em diferentes frentes da disputa geopolítica atual.

Mas o que parecem ser, à primeira vista, crises distintas, com dinâmicas próprias, pode indicar um padrão observado em conjunto: o uso crescente do controle sobre gargalos marítimos, fornecedores de petróleo e corredores comerciais como instrumento de pressão na disputa estratégica com a China.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em 1º de maio que sua viagem a Pequim nesta semana, entre 13 e 15 de maio, será "incrível". Será a primeira viagem de um presidente americano à China em quase uma década.

Em sua bagagem, porém, Trump levará mais do que uma agenda diplomática: a visita de Estado será, inevitavelmente, marcada por um cenário de tensões ampliadas que se estende do Oriente Médio à América Latina e ao Sudeste Asiático.

Após um primeiro ano de governo marcado por uma escalada da guerra comercial com Pequim, a primeira viagem de Trump à China desde seu retorno à Casa Branca tende a funcionar como um teste para a capacidade dos dois países de administrar tensões crescentes sem romper canais de diálogo.

Na véspera das declarações de Trump, autoridades dos dois países já haviam sinalizado essa preocupação.

Em 30 de abril, o chanceler chinês conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos sobre os preparativos da visita, além de discutir temas sensíveis como Taiwan e o Oriente Médio.

O gesto foi interpretado como uma tentativa de manter a comunicação aberta em um momento de incerteza crescente e de evitar que crises paralelas contaminem diretamente a relação bilateral.

Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, esse contexto ajuda a entender por que os movimentos recentes dos Estados Unidos vão além de episódios isolados e incidem diretamente sobre um dos pontos mais sensíveis da economia chinesa: o abastecimento de energia.

Antes da crise mais recente no Golfo Pérsico, cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã tinham como destino a China. Ao interferir nesse fluxo, os Estados Unidos não apenas pressionam Teerã, mas também ampliam a volatilidade em um mercado cujos efeitos são sentidos muito além da Ásia, com impacto sobre preços globais de energia, cadeias de abastecimento e inflação em diferentes regiões do mundo.

A pressão sobre a Venezuela, em uma ofensiva que culminou na captura de Nicolás Maduro, segue lógica semelhante ao atingir outro fornecedor relevante de petróleo para Pequim, enquanto as movimentações no Sudeste Asiático ampliam a atenção sobre rotas marítimas críticas para o abastecimento chinês.

A questão central é até que ponto essas ações refletem uma estratégia deliberada de pressão sobre a China ou se são, sobretudo, respostas a crises regionais que acabam produzindo efeitos colaterais globais.

Para o cientista político Mauricio Santoro, as duas interpretações não são excludentes. Segundo ele, os Estados Unidos vivem há pelo menos uma década um período marcado por instabilidade política interna, polarização e decisões frequentemente erráticas. Ainda assim, há um elemento que atravessa governos e partidos: a percepção de que a ascensão da China representa uma ameaça estratégica.

"Existe realmente um tema de política pública que une o Partido Democrata e o Partido Republicano: a preocupação com a China", afirma.

"A ascensão chinesa é vista como uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos, e isso tem levado a uma série de iniciativas para criar obstáculos ao desenvolvimento econômico da China."

Nesse contexto, ações militares indiretas, sanções econômicas e pressões diplomáticas passam a ser mobilizadas de forma combinada. Ainda que não tenham a China como alvo imediato, acabam afetando diretamente seus interesses, afirma Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha.

"Eu não diria que a China é a motivação essencial dessas ações, mas ela é parte desse cálculo", diz

Antes da crise mais recente no Golfo Pérsico, cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã tinham como destino a China. — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein/File Photo via BBC

Para o analista Lucas Leite, o cenário atual não corresponde exatamente a um plano único e coordenado. O que emerge, segundo ele, é um conjunto de decisões que convergem sobre as mesmas vulnerabilidades. Professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Leite descreve esse movimento como uma forma de "pressão por fricção".

"Essas ações, juntas, servem para pressionar a China em seu ponto de maior vulnerabilidade estrutural, que é o abastecimento de energia. Mas não está claro se isso é um plano deliberado, integrado ou é uma convergência de coisas distintas", afirma.

Segundo ele, o ponto central não está na intenção declarada de Washington, mas no efeito acumulado dessas decisões, que, na prática, encarecem o acesso da China à energia e aumentam a incerteza sobre suas rotas de abastecimento.

Esse deslocamento da disputa — do campo das tarifas e sanções econômicas para o controle de rotas marítimas, cadeias de abastecimento e pontos estratégicos do comércio global — reflete um desequilíbrio crescente entre as duas potências.

De um lado, a China avança rapidamente em setores como comércio internacional, indústria e tecnologia de ponta. De outro, os Estados Unidos ainda mantêm uma vantagem significativa no campo militar, especialmente na capacidade de projetar poder global por meio de sua Marinha.

"É muito nítido o quanto os Estados Unidos estão perdendo terreno para a China em áreas como comércio e tecnologia", afirma Santoro.

"Fica muito grande essa tentação de usar o poder militar, de usar essa coerção, para tentar obter resultados econômicos."

É nesse ponto que entram os chamados "chokepoints" — gargalos marítimos por onde passa uma parte significativa do comércio global de energia. Entre eles, os estreitos de Ormuz e Malaca ocupam posições centrais.

Ormuz conecta os produtores de petróleo do Golfo aos mercados globais e responde por cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo transportado por via marítima. Já Malaca, localizado entre Malásia, Indonésia e Singapura, liga o Oceano Índico ao Mar do Sul da China e funciona como uma artéria vital para a economia chinesa: mais de 80% das importações de petróleo do país passam por esse corredor marítimo.

Essa dependência ficou conhecida como o "Dilema de Malaca", expressão popularizada em 2003 pelo então presidente chinês, Hu Jintao, para descrever o temor de Pequim de que uma potência rival possa interromper o fluxo de energia nessa rota crítica.

"A China sabe que há uma vulnerabilidade histórica no seu acesso ao mar", explica Santoro.

"Embora tenha um litoral muito extenso, esse acesso depende de pontos de estrangulamento que podem ser explorados em um cenário de conflito."

Esse temor voltou ao centro do debate estratégico nos últimos meses. Em abril, os Estados Unidos firmaram com a Indonésia uma parceria de cooperação de defesa e passaram a negociar maior acesso ao espaço aéreo do país, ampliando sua capacidade de vigilância sobre o estreito.

Para analistas, o movimento não implica controle direto da rota, mas reforça a capacidade americana de monitorar e, em um cenário extremo, influenciar o fluxo marítimo.

A aproximação entre Washington e Jacarta, porém, também expôs resistências internas na Indonésia, que historicamente adota uma política externa de neutralidade e evita se alinhar de forma explícita às disputas entre grandes potências.

"O ponto não é fechar o estreito, mas mostrar que ele pode ser pressionado. Isso já é suficiente para gerar custo e incerteza", diz Leite.

A geografia reforça essa lógica. Em seu trecho mais estreito, o estreito de Malaca tem pouco mais de 2 km de largura, o que o torna particularmente sensível a interrupções. No entanto, essa vulnerabilidade não significa que a China esteja à beira de um colapso em caso de crise. Segundo Leite, a China desenvolveu mecanismos de resiliência que reduzem o impacto de crises externas.

"A China tem reservas estratégicas muito grandes, uma frota de petroleiros paralela e vem acelerando a transição energética", afirma.

Hoje, veículos elétricos e híbridos já representam mais da metade das vendas no país, reduzindo gradualmente a dependência de combustíveis fósseis. Na prática, isso significa que a pressão americana tende a gerar impacto, mas não necessariamente um colapso.

"O que acontece é uma fricção. O petróleo fica mais caro, a logística mais complicada, mas não há um estrangulamento sistêmico."

Os efeitos já são visíveis: aumento de preços, ajustes nas cadeias de importação e pressão sobre refinarias independentes, especialmente aquelas que dependem de petróleo sancionado. Mas, até agora, esses efeitos têm sido administrados.

Ao mesmo tempo, a China dispõe de instrumentos próprios de pressão. Pequim domina cerca de 70% da extração e 90% do processamento global de minerais críticos, insumos essenciais para setores como tecnologia, defesa e energia limpa. Essa posição dominante oferece uma poderosa alavanca de negociação.

"Essa dependência dos Estados Unidos em relação aos minerais chineses é, no curto prazo, mais difícil de contornar do que a dependência da China em relação ao petróleo", avalia Leite.

Além disso, a China tem buscado reduzir sua exposição ao sistema financeiro internacional dominado pelos EUA, ampliando o uso do yuan em transações energéticas e mantendo relações comerciais com países sob sanção.

Diante disso, cresce o risco de que a estratégia americana produza efeitos adversos. Para Santoro, o uso da força militar como instrumento econômico tende a aumentar a instabilidade global, ainda que não garanta ganhos estratégicos claros.

"Será que isso vai dar resultado ou só vai criar um mundo mais instável, mais violento e mais imprevisível? Por enquanto, está criando simplesmente uma situação de caos."

Nesse contexto, a visita de Trump a Pequim se torna um teste importante. De um lado, os Estados Unidos ampliam seus instrumentos de pressão. De outro, Pequim demonstra capacidade de absorver custos e se adaptar a um ambiente mais adverso.

O encontro pode indicar até que ponto essa estratégia de pressão sobre as rotas energéticas será usada como ferramenta de negociação ou se tende a se consolidar como um fator permanente de tensão.

No fim, a disputa entre Estados Unidos e China já não se limita a tarifas ou tecnologia. Ela passa também pelas rotas do petróleo, pelos gargalos marítimos e pela capacidade de transformar fluxos comerciais e energéticos em instrumentos de pressão.

Mas, como mostram os eventos recentes, pressionar nem sempre significa controlar — e o custo dessa estratégia pode acabar sendo compartilhado por todos.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Correios: balanço prévio aponta prejuízo de R$ 3,4 bilhões no 1º trimestre de 2026

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/04/2026 14:06

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,979-0,05%Dólar TurismoR$ 5,1960,3%Euro ComercialR$ 5,830-0,16%Euro TurismoR$ 6,0960,18%B3Ibovespa188.476 pts-0,58%MoedasDólar ComercialR$ 4,979-0,05%Dólar TurismoR$ 5,1960,3%Euro ComercialR$ 5,830-0,16%Euro TurismoR$ 6,0960,18%B3Ibovespa188.476 pts-0,58%MoedasDólar ComercialR$ 4,979-0,05%Dólar TurismoR$ 5,1960,3%Euro ComercialR$ 5,830-0,16%Euro TurismoR$ 6,0960,18%B3Ibovespa188.476 pts-0,58%Oferecido por

Dados do balancete contábil da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, os Correios, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam um prejuízo prévio de R$ 3,4 bilhões já no 1º trimestre de 2026.

🔎Um balancete contábil nada mais é que um demonstrativo provisório com uma fotografia de como estão as receitas, despesas, bens e dívidas de uma empresa até um determinado momento — normalmente ao fim de um mês ou trimestre.

Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão da estatal divulgar oficialmente as informações contábeis. A reportagem entrou em contato com os Correios, mas não recebeu retorno.

Enquanto as receitas registradas até 31 de março de 2026 se mantiveram estáveis, os gastos subiram nesse mesmo período (entenda mais abaixo).

Receitas: R$ 4,1 bilhões em 2025 e R$ 4 bilhões em 2026; Despesas: R$ 6,4 bilhões em 2025 e R$ 7,4 bilhões em 2026.

Entretanto, esse aumento nas despesas já era previsto pelo departamento financeiro da estatal, que estimou gastos totais de R$ 7,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

🔎Ou seja, houve uma redução de R$ 200 milhões (3%) nos gastos reais em comparação a estimativa.

Na semana passada, os Correios divulgaram o resultado de 2025, com um prejuízo total de R$ 8,5 bilhões em 2025, fechando 14 trimestres seguidos com resultados negativos.

O valor acumulado no ano passado superou em mais de três vezes o prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões.

Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Nos gastos, a despesa com pessoal — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios por ter afetado diretamente a situação financeira da empresa — permaneceu controlada no primeiro trimestre de 2026.

Os dados contábeis apontam que esses gastos mantiveram cerca estabilidade, saindo de R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre do ano passado para R$ 2,6 bilhões no mesmo período deste ano — um aumento de R$ 80 milhões de um ano para o outro.

O grupo de despesas que justificou o aumento dos gastos foram as financeiras e as provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais, que posteriormente vão virar precatórios.

🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica.

As despesas financeiras tiveram um aumento expressivo de 312%, passando de R$ 224 milhões para R$ 925 milhões em 2026.

Nessa rubrica entram gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões tomados pela estatal no fim do ano passado, cuja previsão é de gerar um custo total de R$ 22,4 bilhões em juros.

Já as despesas com provisões e perdas ficaram acima do previsto. Enquanto a estimativa inicial era de R$ 1,2 bilhão, o valor executado chegou a R$ 1,4 bilhão.

O montante também representa uma alta de 66,7% em relação às despesas registradas em 2025, que somaram R$ 834 milhões.

As receitas com prestação de serviços e venda de produtos permaneceram praticamente estáveis, com uma leve redução de R$ 84 milhões na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. O principal impacto veio da queda nas receitas com encomendas internacionais.

Até 31 de março de 2025, os Correios haviam registrado R$ 393 milhões nesse tipo de receita. Nos três primeiros meses de 2026, o valor caiu para R$ 156 milhões — R$ 237 milhões (60,3%) a menos do que no mesmo período do ano anterior.

Segundo a estatal, o desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais.

O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.

Em 2024, os Correios registraram R$ 3,9 bilhões em receitas com encomendas internacionais, já com uma redução de R$ 530 milhões em relação a 2023.

No ano seguinte, o valor despencou para R$ 1,3 bilhão, uma queda de R$ 2,6 bilhões em comparação com 2024.

Com isso, essa fonte de receita, que chegou a representar 22% do total em 2023, passou a responder por apenas 7,8%.

A estatal também registrou redução nas receitas com encomendas gerais, de 5,4%, o equivalente a R$ 128 milhões. Em contrapartida, houve aumento expressivo nas receitas de outros serviços.

O principal destaque foi a área de logística, cuja receita saltou de R$ 103 milhões para R$ 258 milhões em 2026, crescimento de 150%. Em seguida, aparecem os serviços de conveniência, que avançaram 56%, passando de R$ 32,6 milhões para R$ 50,9 milhões.

Também houve alta nas receitas com malotes, de 19,2%, e com mensagens — geralmente cartas de comunicação entregues em domicílios —, que cresceram 11,4%, ou R$ 124,8 milhões, saindo de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,2 bilhão.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/04/2026 16:03

Agro Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai Proposta prevê a venda antecipada de energia produzida com água que hoje sobra nos reservatórios das hidrelétricas. Por Reuters

O governo quer propor uma nova modalidade de exportação de energia elétrica do Brasil para a Argentina e o Uruguai, baseada na venda antecipada de energia elétrica que ainda será gerada.

A medida permitiria gerar receita com uma energia que hoje não é usada para atender ao consumo do país e ajudaria a aliviar o excesso de energia disponível.

A ideia já vinha sendo defendida por grandes geradores de energia elétrica, que vinham discutindo com o governo, nos últimos anos, formas de viabilizá-la.

O Brasil criou, em 2022, regras para exportar aos países vizinhos a geração hidrelétrica excedente com base em vertimentos “iminentes” — e não futuros, como está sendo proposto agora.

Essa primeira modalidade de exportação, no entanto, só foi usada em 2023, quando um período de chuvas abundantes levou as usinas hidrelétricas a abrirem seus vertedouros.

O governo pretende propor uma nova modalidade de exportação do Brasil para a Argentina e o Uruguai, baseada na venda antecipada de energia que ainda será gerada, mecanismo conhecido como “vertimento turbinável antecipado”.

As informações constam em documentos da consulta pública aberta pelo governo nesta segunda-feira (27).

🔎 Essa modalidade permite antecipar a venda de energia que poderia ser produzida com água excedente dos reservatórios e que, sem essa medida, acabaria sendo desperdiçada.

A medida permitiria gerar receita com uma energia que hoje não é usada para atender ao consumo do país e ajudaria a aliviar o excesso de energia disponível — situação que gera prejuízos às usinas solares e eólicas e dificulta a operação do sistema elétrico nacional.

A ideia já vinha sendo defendida por grandes geradores de energia elétrica, que vinham discutindo com o governo, nos últimos anos, formas de viabilizá-la.

O Brasil criou, em 2022, regras para exportar aos países vizinhos a geração hidrelétrica excedente com base em vertimentos “iminentes” — e não futuros, como está sendo proposto agora.

🔎 Vertimentos iminentes são sobras de água que devem ocorrer em breve. Já os vertimentos futuros são excedentes previstos para os próximos meses, com tempo para planejamento.

Essa primeira modalidade de exportação, no entanto, só foi usada em 2023, quando um período de chuvas abundantes levou as usinas hidrelétricas a abrirem seus vertedouros. Desde então, esse tipo de operação somou um benefício financeiro de R$ 788,2 milhões.

Segundo a proposta anunciada nesta segunda-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) poderá autorizar a exportação antecipada pelas hidrelétricas quando houver previsão de sobra futura de água capaz de gerar energia.

Essa nova modalidade poderá ocorrer a partir da operação, pelo ONS, de usinas localizadas nos subsistemas Sul e Norte, preservando a energia de subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, considerados essenciais para garantir o abastecimento do país.

A proposta considera dois períodos distintos ao longo do ano, definidos pelo ciclo de chuvas no Norte, que influencia o volume de geração das grandes hidrelétricas da região.

No primeiro intervalo, de junho a novembro, correspondente ao período seco no Norte, quando normalmente as hidrelétricas da região não vertem água, poderá ocorrer a exportação antecipada, desde que haja bons níveis de água nos reservatórios do Sul do país.

Já no segundo intervalo, de dezembro a maio, período mais chuvoso no Norte, a ideia é recuperar o nível de armazenamento do Sul após a exportação realizada no intervalo anterior, ampliando o uso das hidrelétricas do Norte e reduzindo a geração no Sul

A modalidade abre uma oportunidade relevante para os geradores hidrelétricos, ao permitir evitar desperdícios de recursos por falta de demanda, e também deve trazer benefícios ao sistema brasileiro e aos consumidores, afirmou Marisete Dadald Pereira, presidente da Abrage, associação que reúne grandes investidores do setor, como Axia, Engie Brasil, CTG Brasil e Auren.

Segundo ela, a entidade vinha mostrando ao governo que o Brasil já poderia ter exportado aos países vizinhos seus excedentes hidrelétricos nos últimos anos, assim como ocorreu com a energia termelétrica.

"Em um sistema cada vez mais renovável, o desafio não é só gerar energia limpa, mas evitar que ela seja desperdiçada", disse Pereira, acrescentando que a fonte hidrelétrica costuma ser a primeira a ter sua geração reduzida pela ONS, por permitir ajustes mais rápidos no volume produzido.

A nova modalidade de exportação antecipada dependerá da adesão de geradores hidrelétricos interessados e não incluirá usinas que operam sob o regime de cotas — modelo em que a energia é destinada ao mercado regulado — nem a Itaipu Binacional. A operação será conduzida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

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BRB aprova aumento do capital em até R$ 8,8 bilhões para recompor balanço afetado pelo caso Master

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/04/2026 15:52

Distrito Federal BRB aprova aumento do capital em até R$ 8,8 bilhões para recompor balanço afetado pelo caso Master Decisão aconteceu em assembleia com acionistas nesta quarta (22). O aumento do capital permite, por exemplo, expandir as operações do banco, seja com ações, fundos ou empréstimos. Por Isabela Camargo, GloboNews

O BRB aprovou, nesta quarta-feira (22), o aumento do capital social do banco em até R$ 8,8 bilhões.

A decisão aconteceu durante uma assembleia com acionistas. O BRB tenta recuperar o balanço patrimonial afetado pelo caso Master.

O aumento do capital permite, por exemplo, expandir as operações do banco, seja com ações, fundos ou empréstimos.

O Banco de Brasília (BRB) aprovou, nesta quarta-feira (22), o aumento do capital social do banco em até R$ 8,8 bilhões. A decisão aconteceu durante uma assembleia com acionistas.

O BRB, que é controlado pelo governo do Distrito Federal, tenta se recuperar financeiramente após operações malsucedidas com o Banco Master.

"Isso [aumento do capital] é muito importante e já demonstra que o banco tem um cronograma para integralização do capital no prazo de 29 de maio. Grande passo", disse o presidente do BRB, Nelson Souza, nesta quarta (22).

🔎 O aumento de capital abre espaço para uma "injeção" de recursos no BRB. A medida permite, por exemplo, expandir operações, seja com ações, fundos ou empréstimos.

🔎 O aumento de capital também permite ao governo do DF executar medidas já anunciadas, como o uso de imóveis públicos como garantia para empréstimos e o pedido de empréstimo ao FGC. Com 53% do controle do banco, o governo terá de aportar pelo menos R$ 4 bilhões para acompanhar a capitalização.

A assembleia desta quarta também tem o objetivo de homologar a indicação do atual presidente, Nelson Antônio de Souza, e do executivo Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros do BRB. Essa formalização está pendente desde o fim do ano passado.

O BRB informou nesta segunda-feira (20) que assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento voltado à transferência de ativos atualmente detidos pela instituição.

Segundo o banco, a operação tem valor de referência de até R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será criado para administrar e monetizar esses ativos.

A governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o assunto nesta terça-feira (21). Para ela, o acordo mostra a "responsabilidade e seriedade como nós estamos tratando esse momento".

O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master – operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude.

O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária.

Diante do avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense.

A decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público. Com isso, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o atendimento do banco às regras em vigor no país.

Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado.

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BRB anuncia que não divulgará balanço de 2025 nesta terça, último dia do prazo definido por lei

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 31/03/2026 19:52

Distrito Federal BRB anuncia que não divulgará balanço de 2025 nesta terça, último dia do prazo definido por lei Atraso nos relatórios vem derrubando rating da instituição e pode gerar punições. Em nota, BRB afirmou que precisa aguardar conclusões de auditoria – e avaliar o impacto dessas conclusões. Por Ygor Wolf, Vladimir Netto, Ana Paula Castro, Mateus Rodrigues, g1 DF e TV Globo — Brasília

Banco Central determina que BRB reserve R$ 3 bilhões para manter operações em segurança — Foto: Reprodução/TV Globo

O Banco de Brasília (BRB) anunciou, na noite desta terça-feira (31), que não cumprirá o prazo definido em lei para divulgar o balanço consolidado de 2025.

A legislação brasileira prevê que todas as instituições financeiras no país têm até o fim de março para divulgar suas demonstrações financeiras do ano anterior. O prazo termina às 23h59 desta terça.

No comunicado de "fato relevante", o BRB informou aos acionistas e ao mercado que a divulgação será postergada em razão da necessidade:

"de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação 'Compliance Zero';"da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos."

"A medida visa assegurar a fidedignidade, transparência e integridade das demonstrações financeiras, em observância aos deveres legais e fiduciários da Administração e à proteção dos interesses da Companhia e de seus acionistas", diz o comunicado.

"A apreciação do tema ocorrerá tão logo concluídas as avaliações e providências em curso, mediante convocação específica para a continuidade da Assembleia Geral Ordinária", segue.

Além da divulgação da demonstração financeira anual, os acionistas esperavam que o banco indicasse o pacote de soluções que usará para cobrir os prejuízos acumulados nas transações realizadas com o Banco Master.

Ao desrespeitar o prazo, o banco terá de prestar esclarecimentos a órgãos reguladores como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

➡️As regras da CVM preveem multa diária caso os prazos sejam descumpridos. Os valores são baixos – o impacto maior é de imagem.

➡️ Se a infração ultrapassar 12 meses, o registro do BRB como companhia aberta (ou seja, que negocia ações em bolsa) pode inclusive ser suspenso.

A não divulgação das contas dentro do prazo tende, também, a afetar a confiança de investidores e analistas.

Essa incerteza pode aumentar a volatilidade dos papéis ligados ao banco e pressionar ainda mais a imagem institucional do BRB.

🔎Volatilidade é uma medida econômica que indica a frequência e intensidade das mudanças no valor de um ativo em um período específico. No caso do BRB, a volatilidade pode se refletir nos ativos ligados ao banco, como títulos de dívida, e na percepção de risco do mercado.

O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master – operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude.

O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária.

Diante do avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense.

A decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público. Com isso, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o atendimento do banco às regras em vigor no país.

Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

PIB acima do esperado, dívida em alta: o balanço da gestão Haddad em 10 gráficos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/03/2026 06:03

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,199-0,58%Dólar TurismoR$ 5,399-0,63%Euro ComercialR$ 5,997-0,36%Euro TurismoR$ 6,242-0,43%B3Ibovespa180.410 pts0,3%MoedasDólar ComercialR$ 5,199-0,58%Dólar TurismoR$ 5,399-0,63%Euro ComercialR$ 5,997-0,36%Euro TurismoR$ 6,242-0,43%B3Ibovespa180.410 pts0,3%MoedasDólar ComercialR$ 5,199-0,58%Dólar TurismoR$ 5,399-0,63%Euro ComercialR$ 5,997-0,36%Euro TurismoR$ 6,242-0,43%B3Ibovespa180.410 pts0,3%Oferecido por

Economia teve resultados melhores do que o esperado nos últimos anos — com crescimento do PIB, inflação controlada e mercado de trabalho aquecido.

Mesmo assim, a relação entre o ministro Fernando Haddad (PT) e o mercado financeiro continuou marcada por altos e baixos.

Pouco mais de três anos após assumir o Ministério da Fazenda, economistas avaliam que Haddad não avançou em reformas importantes para melhorar a economia no longo prazo.

O principal problema foi a dificuldade de controlar os gastos públicos, marcada por revisões e mudanças nas metas.

Nesta reportagem, veja o que os números da economia mostram sobre a passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda.

A economia teve resultados melhores do que o esperado nos últimos anos — com crescimento do PIB, inflação controlada e mercado de trabalho aquecido. Mesmo assim, a relação entre o ministro Fernando Haddad (PT) e o mercado financeiro continuou marcada por altos e baixos.

Pouco mais de três anos após assumir o Ministério da Fazenda, economistas avaliam que Haddad não avançou em reformas importantes para melhorar a economia no longo prazo. O principal problema foi a dificuldade de controlar os gastos públicos, marcada por revisões e mudanças nas metas.

Nesta reportagem, veja o que os números da economia mostram sobre a passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda.

Embora Haddad tenha conquistado parte do mercado financeiro no início do mandato — com um discurso focado em melhorar as contas públicas e controlar gastos — seus planos acabaram enfrentando resistências dentro do próprio governo.

Nos primeiros dias de governo, em 2023, Haddad chegou a afirmar que “não aceitaria” o déficit previsto para aquele ano e que trabalharia para reduzi-lo.

“Um dos méritos de Haddad é que ele sempre buscou dialogar com o mercado e com analistas, explicando a agenda econômica e os objetivos do governo”, afirma Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria.

A aprovação do arcabouço fiscal, ainda em 2023, foi um passo importante para mostrar o compromisso do ministro com as contas públicas. Mas o resultado fiscal daquele ano — com déficit de R$ 249 bilhões — acabou pesando na avaliação do mercado.

Segundo o economista-chefe da Warren Investimentos e ex-secretário da Fazenda de São Paulo, Felipe Salto, embora Haddad tenha herdado despesas do governo Bolsonaro (PL) que precisaram ser pagas em 2023, o ministro também tem parte da responsabilidade pelo aumento dos gastos naquele ano.

“Ele manteve regras que aumentam despesas automaticamente e não discutiu mudanças em benefícios como aposentadorias, abono salarial, seguro-desemprego e BPC. Isso também aumentou a pressão sobre as contas públicas”, afirma Salto.

No ano seguinte, o déficit caiu para R$ 47,6 bilhões — uma redução de mais de 80% em relação a 2023. Mesmo assim, problemas no orçamento, dificuldade para cortar gastos e a autorização de despesas fora da meta fiscal voltaram a reduzir a confiança do mercado em Haddad.

Em abril de 2024, por exemplo, o governo propôs reduzir as metas de superávit primário para os anos seguintes no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Com isso, o superávit que era esperado para 2025 passou a ser previsto apenas para 2026.

A medida abriu espaço para aumento dos gastos públicos e foi duramente criticada pelo mercado financeiro.

“A mudança foi mal recebida pelo mercado, e com razão. Ela mudou o caminho esperado para as contas públicas e reacendeu a percepção de que o governo poderia recorrer a manobras contábeis para ajustar o resultado fiscal”, afirma Salto, da Warren.

Apesar dos esforços de Haddad para manter a confiança nas contas públicas, especialistas dizem que faltaram medidas concretas para cortar despesas.

O ministro fez uma nova tentativa de cortar gastos em novembro de 2024, ao anunciar um pacote de medidas que previa economizar R$ 70 bilhões em dois anos.

O gesto, porém, não foi suficiente para recuperar a confiança do mercado. Isso porque também foi anunciado, no mesmo dia, o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A promessa de campanha de Lula foi vista imediatamente como um novo gasto.

“O governo também enfrentou dificuldades para reduzir gastos por causa do Congresso. Haddad tentou discutir várias propostas, mas muitas acabaram sendo enfraquecidas pelos próprios parlamentares”, diz André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.

Entre as medidas que ajudaram a aumentar a arrecadação estão mudanças em impostos, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a chamada “taxa das blusinhas”, que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.

“Ainda que o ministro tenha adotado algumas medidas corretas para aumentar a arrecadação, elas não foram suficientes para mostrar estabilidade da dívida. O ponto mais sensível, que seria controlar o crescimento das despesas obrigatórias, não foi enfrentado”, diz Ribeiro, da Tendências.

Segundo dados do Banco Central, desde o início do mandato de Haddad a dívida bruta do governo em relação ao PIB subiu cerca de sete pontos percentuais, para 78,66%. Para este ano, a previsão do Tesouro Nacional é que a dívida chegue a 83,6%.

“Não chegamos a uma situação fiscal desastrosa, mas o déficit primário do governo ainda não é compatível com uma trajetória sustentável da dívida”, completa Salto.

Apesar das dificuldades para cortar gastos, os especialistas ouvidos pelo g1 reconhecem o mérito de Haddad na defesa e na aprovação da reforma tributária, após três décadas de discussões no Congresso.

A reforma, aprovada em dezembro de 2023, criou um imposto sobre valor agregado (IVA), definiu uma cesta básica nacional isenta de tributos e estabeleceu o Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”.

“Essa é uma reforma extremamente difícil e que, no início, poucos acreditavam que sairia do papel. Ainda não é o modelo ideal, mas deve gerar efeitos positivos para a economia ao longo do tempo e conta a favor de Haddad”, afirma Ribeiro, da Tendências.

Os especialistas, porém, dizem que ainda há um longo caminho para completar a reforma tributária no país.

Segundo o economista e coordenador do curso de administração pública da Fundação Getulio Vargas (FGV), Nelson Marconi, uma parte importante que ainda precisa ser discutida é a reforma sobre a renda.

“O governo poderia ter feito uma reforma tributária mais ampla, que também incluísse a tributação da renda e a revisão de despesas e desonerações. A taxa de 10% sobre a renda dos mais ricos é um passo, mas ainda é insuficiente”, afirma.

A dificuldade para implementar um plano de gastos mais alinhado ao que o mercado esperava, porém, não impediu que Haddad entregasse crescimento e inflação melhores do que o previsto.

Durante seu mandato, o PIB cresceu acima das projeções do mercado em todos os anos. A inflação também ficou dentro do intervalo de tolerância da meta em dois dos três anos em que esteve à frente da Fazenda — muito em virtude do rigor do Banco Central em manter juros mais altos, apesar das pressões do governo federal.

“A economia tem apresentado um desempenho positivo, com crescimento elevado. Mesmo com a desaceleração em 2025, a atividade ainda cresceu bastante para o padrão recente do país”, avalia Salto.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025. O resultado representa uma desaceleração em relação ao ano anterior, mas marcou o quinto ano seguido de crescimento da economia.

Parte dessa desaceleração também é reflexo dos juros elevados, que estão em 15% ao ano desde junho de 2025.

"A política monetária restritiva [juros altos] e o alto endividamento das famílias, que bateu recorde no ano passado, têm puxado um pouco o consumo para baixo", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do instituto, em coletiva de imprensa para falar sobre o resultado do PIB. Segundo ela, o alto nível da Selic foi o "vilão" do PIB no ano passado.

“Além disso, o fato de Haddad ter respeitado a autonomia do Banco Central e permitido que a instituição atuasse sem interferência também é um ponto positivo”, afirma Salto.

Nesse ponto, o ministro também ajudou a manter a inflação controlada nos últimos anos — mesmo com uma meta considerada exigente, de 3%.

Comparação entre a inflação acumulada em 12 meses e a evolução da taxa básica de juros. — Foto: Arte/g1

“Hoje vemos as expectativas caminhando para níveis mais baixos, e em nenhum momento houve descontrole da inflação ou sinal de que o governo tenha abandonado o compromisso de mantê-la sob controle”, completa.

Por fim, os especialistas consultados pelo g1 também destacam os bons resultados do mercado de trabalho e da renda como parte do legado de Haddad.

“Esse é um indicador ligado ao crescimento da economia e que também ficou melhor do que o mercado previa. O mercado de trabalho está realmente muito positivo”, avalia Alessandra Ribeiro, da Tendências.

Segundo o IBGE, a taxa média de desemprego no Brasil ficou em 5,6% em 2025 — o menor nível da série histórica, iniciada em 2012.

Já o rendimento médio real das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, alta de 5,7% em relação a 2024.

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Procons e ANP fiscalizam postos para combater preços abusivos do diesel; veja balanço

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/03/2026 22:05

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,199-0,58%Dólar TurismoR$ 5,399-0,63%Euro ComercialR$ 5,997-0,36%Euro TurismoR$ 6,242-0,43%B3Ibovespa180.410 pts0,3%MoedasDólar ComercialR$ 5,199-0,58%Dólar TurismoR$ 5,399-0,63%Euro ComercialR$ 5,997-0,36%Euro TurismoR$ 6,242-0,43%B3Ibovespa180.410 pts0,3%MoedasDólar ComercialR$ 5,199-0,58%Dólar TurismoR$ 5,399-0,63%Euro ComercialR$ 5,997-0,36%Euro TurismoR$ 6,242-0,43%B3Ibovespa180.410 pts0,3%Oferecido por

Uma gota de gasolina cai do bico de uma bomba de combustível em um posto. — Foto: Alain Jocard/AFP

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) iniciou, nesta terça-feira (17), uma fiscalização para identificar possíveis preços abusivos em postos de combustíveis de nove estados, além do Distrito Federal.

A ação é realizada por fiscais da agência, em parceria com Procons municipais e estaduais dos seguintes locais:

Amazonas;Bahia;Distrito Federal;Mato Grosso;Minas Gerais;Pará;Paraná;Rio de Janeiro;Rio Grande do Sul;São Paulo.

AANP realizou hoje (17/3) uma operação de fiscalização em nove estados e no Distrito Federal, em conjunto com a Senacon e Procons estaduais e municipais, que são órgãos conveniados à ANP e podem autuar quem pratique infrações previstas na legislação da Agência.

As ações foram focadas na coleta de preços em postos de combustíveis para análise, pela Agência, sobre possíveis preços abusivos, em consonância com as atribuições recebidas pela Medida Provisória nº 1.340, publicada em 12/3/2026. Também foram verificados aspectos de qualidade dos combustíveis e quantidade fornecida pelas bombas. As equipes estiveram presentes em 22 cidades, no Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

De acordo com os dados preliminares, foram fiscalizados hoje 43 agentes econômicos, sendo 42 postos e uma distribuidora de combustíveis, nessas 22 cidades. Foram lavrados 13 autos de infração por motivos diversos. A ANP realizou notificações para envio, pelos postos à Agência, das notas fiscais de aquisição dos combustíveis dos últimos períodos.

Esses dados serão analisados pela ANP e, em caso de caracterização de preços abusivos, poderão gerar autuações, processos administrativos e, ao final dos processos, multas. As multas criadas pela MP 1.340/2026, que a ANP e seus órgãos conveniados podem aplicar, variam de R$ 50 mil e R$ 500 milhões de reais, dependendo da gravidade da conduta e do porte do eventual infrator.

Segundo a ANP, a fiscalização coletou os preços praticados nos postos desses estados para acompanhar a evolução do valor do diesel, especialmente após a medida provisória 1.340, publicada na última sexta-feira (13).

A medida zera os impostos federais PIS/Cofins sobre o diesel e pode reduzir o preço em R$ 0,32 por litro, além do pagamento de uma subvenção a produtores e importadores deste combustível, no valor de R$ 0,32, por litro.

Até a publicação da medida, o preço do diesel já havia subido 11,8% e chegado a R$ 6,80, segundo levantamento da ANP.

Além dos preços do diesel, a fiscalização também vai verificar a quantidade de combustível fornecida pelas bombas e a qualidade do produto.

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