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Avião que fará rota mais longa do mundo faz primeiro voo de teste; veja como foi a viagem

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/06/2026 03:47

Inovação Avião que fará rota mais longa do mundo faz primeiro voo de teste; veja como foi a viagem Modelo da Airbus foi projetado para voar até 22 horas sem escalas e permitirá ligações diretas entre Sydney e cidades como Londres e Nova York. Por Redação g1 — São Paulo

O avião fez um teste de 3h43min em Toulouse na França e alcançou 12.500 metros de altitude, segundo a Airbus.

Uma das diferenças do modelo é a presença de um tanque de combustível adicional, capaz de aumentar sua autonomia.

O avião permitirá pela primeira vez voos sem paradas entre Sidney, na Austrália, e destinos coo Londres e Nova York.

A fabricante aeronáutica europeia Airbus concluiu na terça-feira (2) o primeiro voo de teste do avião A350-1000ULR. O avião foi projetado para voar até 22 horas seguidas e superar o recorde de voo comercial direto mais longo do mundo.

O modelo MSN 707 voou por 3 horas e 43 minutos em um trajeto com origem e destino em Toulouse, na França, e alcançou altitude levemente superior a 41.000 pés ou 12.500 metros, informou a Airbus.

A aeronave foi pilotada por uma equipe dedicada aos testes da empresa e estava equipada com instrumentos específicos para o experimento.

Pela primeira vez, será possível voar sem paradas entre Sidney, na Austrália, e destinos como Londres, no Reino Unido, e Nova York, nos Estados Unidos. Na prática, essa mudança pode reduzir em até quatro horas o tempo total das viagens.

O voo comercial mais longo em operação neste momento é o da Singapore Airlines, entre Singapura e Nova York, com aproximadamente 15.350 km e duração de mais de 18 horas. O voo entre Sidney e Londres, por exemplo, alcançaria 18.500 km.

O A350-1000ULR (ULR é a sigla em inglês para "alcance ultralongo") é uma variação do A350-1000. Uma das diferenças para a versão padrão é um tanque adicional com capacidade para mais 20 mil litros de combustível, o que aumenta a autonomia em mais de 1.800 km, segundo a Airbus.

"Durante o primeiro voo, a tripulação realizou verificações gerais de desempenho da aeronave e testou a nova arquitetura do sistema de combustível. Isso marca o início de uma campanha de teste de voo por dois meses para certificar a modificações", disse a Airbus.

A fabricante disse ainda que fará certificações sobre a ventilação e o controle de temperatura dentro da cabine, além de um novo sistema de refrigeração na cozinha de bordo, criada para ser mais leve e eficiente para voos de longa duração.

A entrega sofreu atrasos, mas a companhia aérea deve receber a primeira unidade em abril de 2027 – o prazo inicial para inaugurar a rota era 2025 e já tinha sido adiado para o final de 2026.

O investimento faz parte do que a empresa chamou de Projeto Sunrise ("nascer do Sol"). Ele ganhou esse nome porque, devido à diferença do fuso horário entre a Austrália e o restante do mundo, os passageiros poderão ver o nascer do sol duas vezes nos voos mais longos.

A companhia aérea também encomendou outras 12 unidades do A350-1000, destinados a voos de longa distância, mas com percursos um pouco mais curtos.

Avião A350-1000ULR, fabricado pela Airbus, foi encomendado pela companhia aérea australiana Qantas — Foto: Divulgação/Qantas

A Qantas informou em 2025 que, para oferecer mais conforto, levará até 238 passageiros por voo, abaixo dos cerca de 300 lugares da versão padrão da aeronave.

O projeto da Qantas inclui uma zona de bem-estar com opções para passageiros alongarem as pernas, se alimentarem e se hidratarem. Além disso, todos terão acesso a Wi-Fi durante o voo.

O avião terá 6 assentos na primeira classe, 52 na classe executiva, 40 na classe econômica premium e 140 na classe econômica. Saiba mais sobre cada uma delas:

Primeira classe com quarto privativo com poltrona reclinável, cama, TV de 32", seis áreas para armazenar objetos, guarda-roupa e espaço para trabalhar e comer;Classe executiva com poltrona larga de 2 metros de comprimento (que pode virar cama), TV de 18", mesa de apoio, carregador sem fio, área de armazenamento e opção para fechar a cabine;Classe econômica premium com apoios para pernas e cabeça, tela de 13,3" e porta-luvas pessoal;Classe econômica com apoio para cabeça, espaço extra para pernas, tela de 13,3".

A empresa também disse ter trabalhado com especialistas em sono para reduzir os efeitos do jet lag com a adoção de iluminação e horários de refeição mais adequados.

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Tarifas propostas ao Brasil são ‘diferenciadas’, diz representante do comércio dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 11:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,012-0,28%Dólar TurismoR$ 5,202-0,36%Euro ComercialR$ 5,837-0,16%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.176 pts1,15%MoedasDólar ComercialR$ 5,012-0,28%Dólar TurismoR$ 5,202-0,36%Euro ComercialR$ 5,837-0,16%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.176 pts1,15%MoedasDólar ComercialR$ 5,012-0,28%Dólar TurismoR$ 5,202-0,36%Euro ComercialR$ 5,837-0,16%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.176 pts1,15%Oferecido por

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. — Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters

O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse nesta terça-feira (2) que o governo Trump divulgará os resultados de várias investigações comerciais da Seção 301 nas próximas semanas. As informações são da agência Reuters.

Ele acrescentou que as tarifas de 25% propostas para o Brasil são "bastante diferenciadas" devido às exclusões de carne bovina, café, metais, energia e outros produtos. Veja a lista completa de produtos isentos no fim da reportagem.

Greer, falando no programa Squawk Box da CNBC, disse que o governo tem obtido resultados muito bons com seu programa de tarifas para aumentar as exportações dos EUA.

Ele disse que tarifas substanciais são necessárias para corrigir práticas comerciais injustas persistentes em todo o mundo e um déficit comercial "gigantesco" dos EUA.

🔎 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um mecanismo criado pelo Congresso dos EUA que permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores dos EUA.

A declaração vem logo após os Estados Unidos divulgarem o relatório de uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.

A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor.

Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano.

Ela foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras.

Na época, Jamieson Greer afirmou que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação.

O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009.

Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington — Foto: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO

"Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou Greer.

Apesar da proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma série de itens deve ficar de fora da medida, como materiais informativos, doações e produtos incluídos em uma lista específica de exceções.

Entre os produtos isentos estão: determinadas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem.

Aeronaves e peças produzidas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos e fertilizantes também estariam entre os itens isentos.

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‘Pode ser que no futuro eu seja dona de um clube’, diz Leila Pereira, do Palmeiras

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 05:54

GloboNews Podcast POD_i 'Pode ser que no futuro eu seja dona de um clube', diz Leila Pereira, do Palmeiras Em entrevista ao POD_i com Andréia Sadi, a presidente do Palmeiras — cujo mandato termina em dezembro de 2027 — diz que 'não tem mais paciência para pedir votos'. Por GloboNews

Convidada para a estreia do POD_i, Leila Pereira, presidente do Palmeiras, disse que, no futuro, pensa em ser dona de um clube. O mandato dela no Palmeiras termina em dezembro de 2027.

"Olha que espetáculo, você não precisar pedir voto… Eu não tenho mais essa paciência."

"As coisas surgem na vida da gente. (…) Você acha que eu, 15 anos atrás, imaginei que em 2015 eu seria patrocinadora do Palmeiras e conselheira… Não. A vida apresenta as oportunidades para você. Costumo dizer que a vida é um grande meia. A vida passa a bola para você, e você tem que chutar forte. Eu chuto forte e não perco gol. Eu sou uma boa centroavante."

O POD_i é primeiro programa da GloboNews no YouTube, apresentado por Andréia Sadi e que vai ao ar toda segunda-feira, às 20h. INSCREVA-SE NO CANAL e não perca!

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, dá entrevista a Andréia Sadi no POD_i, que vai ao ar toda segunda-feira, no canal da GloboNews no YouTube — Foto: GloboNews

Há 3 anos GloboNews EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas ‘irrazoáveis’

Escritório de Representação Comercial americano aponta que práticas brasileiras restringem comércio dos EUA. Prazo legal para aplicação de medidas corretivas vai até 15 de julho de 2026, segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.

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Em entrevista ao POD_i com Andréia Sadi, a presidente do Palmeiras — cujo mandato termina em dezembro de 2027 — diz que ‘não tem mais paciência para pedir votos’.

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Crime organizado na Faria Lima: por que fintechs viraram meio ‘fácil’ de lavar dinheiro?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 05:54

São Paulo Crime organizado na Faria Lima: por que fintechs viraram meio 'fácil' de lavar dinheiro? A Operação Fluxo Oculto apontou que 6 empresas do setor movimentaram R$ 26 bilhões para organizações criminosas. Papel crescente do setor financeiro nos negócios das facções acende alerta entre autoridades e mobiliza o próprio mercado financeiro após os EUA classificarem PCC e CV como terroristas. Por BBC

Seis fintechs alvo da Fluxo Oculto movimentaram R$ 26 bilhões em quatro anos — Foto: Receita Federal

O crime organizado continuou lavando dinheiro e ocultando patrimônio no coração financeiro de São Paulo mesmo depois da deflagração da Carbono Oculto, a operação que chamou atenção para a entrada do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal.

Nove meses depois, a segunda fase da operação, batizada de Fluxo Oculto, cumpriu parte dos 59 mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (29/5) em seis fintechs, empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros, e quatro fundos de investimentos.

Eles eram a ponta final de um esquema de desvio de nafta, um solvente químico, importado por empresas de fachada e repassado para distribuidoras e postos de gasolina para adulteração de combustíveis.

O papel crescente da Faria Lima nos negócios do crime organizado chama atenção. Nos últimos anos, organizações criminosas se aproveitaram de exigências regulatórias e de transparência mais brandas às quais as fintechs eram sujeitas para movimentarem bilhões de reais com contas e operações de difícil rastreamento, segundo apontam as investigações.

As práticas acenderam um alerta entre as autoridades, que têm tentado fechar essas brechas e o fluxo de dinheiro.

E também podem mobilizar o próprio mercado financeiro, especialmente depois que os Estados Unidos passaram a classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que, para alguns analistas, pode trazer consequências para empresas de diversos segmentos.

De acordo com porta-vozes do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), da Receita Federal e da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as fintechs alvo da Fluxo Oculto funcionavam como "bancos paralelos", responsáveis por introduzir dinheiro de origem ilícita no sistema financeiro. Por elas, passaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

"Nesse caminho do dinheiro sujo — tanto das atividades da organização criminosa quanto aquele ganho com a própria venda do combustível adulterado —, ele entra no sistema financeiro via fintech", afirmou o secretário da Receita Federal Robinson Barreirinhas em coletiva de imprensa logo após a deflagração da operação.

"O valor é investido em um fundo de investimento, que investe em outro, que investe outro, buscando nessa cadeia dificultar o rastreamento", explicou o secretário.

"E, na ponta final, o próprio fundo faz os investimentos, e pode investir em empresas, adquirir bens ou inclusive remeter recursos ao exterior, que depois voltam e beneficiam o próprio criminoso", afirmou Barreirinhas.

Provas colhidas nos últimos meses, inclusive os celulares de contadores do PCC, apontaram que essas seis fintechs haviam substituído as três que foram alvo da Carbono Oculto em agosto de 2025 e foram usadas para que o crime continuasse lavando dinheiro mesmo depois da primeira operação.

"Identificamos toda uma movimentação dos principais líderes do esquema redirecionando todo o dinheiro pra essas novas fintechs", afirmou o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP João Paulo Gabriel.

Outro ponto que chamou atenção foi o fato de que a estrutura não era usada apenas por uma organização criminosa — no caso, o PCC. "O eixo que talvez seja o mais preocupante é o fenômeno que a gente vem identificando das convergências criminosas", destacou Gabriel.

"Essas fintechs estão sendo exploradas não apenas por essa organização criminosa, como também por outros grupos criminosos. [São] diversas organizações criminosas compartilhando os mesmos espaços de fluxo financeiro."

Ainda que atuem no setor financeiro, as fintechs não são bancos, de acordo com a classificação do Banco Central — e essa é uma diferença relevante.

Ao contrário dos bancos, instituições de pagamentos não podem usar o dinheiro depositado pelos clientes para oferecer empréstimos, por exemplo. Também é exigida das fintechs uma reserva financeira de segurança bem menor para poderem operar do que as regras estipulam para bancos tradicionais.

Nos últimos anos, as organizações criminosas se aproveitaram de uma série de particularidades da regulamentação das fintechs para lavar bilhões de reais em dinheiro ilícito, de acordo com as investigações. Entre elas, exigências mais brandas de transparência e a possibilidade de criação de contas de difícil rastreamento.

Desde a Carbono Oculto, as autoridades têm tentado bloquear algumas dessas vias. Em agosto de 2025, a Receita Federal equiparou o tratamento de fintechs ao de bancos, obrigando-as a apresentarem informações detalhadas sobre suas movimentações por meio da e-Financeira, um conjunto de arquivos digitais que bancos, corretoras, seguradoras e administradoras de consórcios enviam para a Receita.

"A Receita passou a exigir a identificação de cada pessoa que fazia uma movimentação bancária, isso antes não era necessário", diz a professora do Insper Juliana Facklmann.

A norma deveria ter começado a valer em janeiro do ano passado, mas foi alvo de uma onda de desinformação, que ficou conhecida como a "fake news do Pix", e acabou sendo temporariamente suspensa.

"Fomos vítimas da maior onda de fake news da história da Receita", afirmou o secretário da Receita durante a coleta.

"Mentiras dizendo que a Receita iria monitorar ou tributar o Pix, que volta e meia tentam emplacar novamente. Vimos quem era o interessado nisso: as organizações criminosas que se valiam e valem ainda dessas fintechs para lavagem de dinheiro."

Um dia depois da deflagração da Carbono Oculto, quando as investigações revelaram o uso das fintechs como braços financeiros do crime organizado, a norma passou a valer.

Três meses depois, a Receita institui também a DeCripto, uma declaração que as prestadoras de serviços de ativos financeiros virtuais passaram a ter que enviar todos os meses, informando sobre as transações realizadas em criptomoedas.

Esse tipo de ativo também é popular entre criminosos, porque é fácil de ser movimentado internacionalmente, e seus donos são mantidos em relativo anonimato. A Fluxo Oculto identificou a movimentação de R$ 365 milhões em criptoativos nas instituições alvo da operação.

O Banco Central também divulgou medidas no mesmo sentido. Em setembro do ano passado, determinou que todas as novas instituições de pagamento peçam autorização formal do BC para começar a operar.

Dois meses depois, fechou o cerco contra as chamadas contas-bolsão, modalidade que reúne recursos de várias pessoas em uma única conta, sem identificação individualizada dos titulares.

Fluxo Oculto envolveu a cooperação de diferentes órgãos, que detalharam as investigações em coletiva de imprensa na última quinta — Foto: Receita Federal

Eles se aproveitavam do fato de que muitas fintechs não têm acesso direto ao sistema de liquidação do Banco Central e precisam de um terceiro (um banco tradicional, por exemplo) para acessar essa infraestrutura, onde a transferência de fato dos recursos entre bancos e instituições de pagamentos é realizada todos os dias.

A conta-bolsão entrava aí. Era a modalidade que a fintech usava para movimentar recursos com a instituição que tinha acesso ao sistema de liquidação do Banco Central. Como as operações não eram detalhadas por titular, mas um bolo só, o BC não conseguia fiscalizá-las.

"Da parte dela, [para evitar que o dinheiro que circulava por ela tivesse origem ilícita], a fintech deveria ter todos os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo e seguir o princípio do 'conheça o seu cliente' para saber quem está movimentando o que ali dentro", acrescenta Facklmann.

"Então, foi esse mecanismo que esses grupos criminosos utilizaram para conseguir infiltrar dinheiro dentro da Faria Lima: essa questão de não identificação das contas-bolsões, mais o ponto de que fintechs — mais especificamente instituições de pagamento — não tinham bons controles de prevenção à lavagem de dinheiro."

Ela considera "importantes" as medidas tomadas pelo Banco Central e pela Receita nos últimos meses e avalia que elas devem evitar muitas situações parecidas com as reveladas pela Carbono Oculto e pela Fluxo Oculto.

"Agora, o Banco Central consegue fazer os cruzamentos que ele precisa, as verificações e as análises que ele precisa para entender que a 'padaria do seu Francisco' está movimentando muito mais do que deveria e ir atrás para questionar", ilustra ela.

Fintechs e fundos eram elo final de esquema de desvio de nafta para adulteração de combustíveis — Foto: Receita Federal

O superintendente-adjunto da Receita Federal em São Paulo, Claudio Ferrer de Souza, ressaltou que, das seis fintechs alvo da Fluxo Oculto, três cumpriam as obrigações com a e-Financeira. Ou seja, submetiam dados detalhados ao Fisco.

As outras três não enviavam as informações, chamando atenção para outro ponto importante no problema da infiltração do crime na Faria Lima: a fiscalização.

À reportagem da BBC News Brasil, Souza comentou após a coletiva de imprensa que a fiscalização é fundamental e que o problema não vai ser resolvido apenas com repressão.

No início de abril, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado que a autarquia não tem recursos suficientes para supervisionar de forma satisfatória as empresas do setor financeiro.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por sua vez, responsável pela regulação do mercado de capitais, sobre quem recai a responsabilidade sobre os fundos de investimentos, tem se visto no centro de diversas polêmicas e é acusada por críticos de falhar em sua missão.

Questiona-se, por exemplo, por que ela não foi capaz de identificar as diversas irregularidades cometidas pelo Banco Master no que se desenha como a maior fraude bancária do país.

O delegado-chefe de repressão a crimes financeiros da Polícia Federal (PF), Guilherme Siqueira, disse em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) no início de maio que a CVM opera com déficit de capacidade humana e tecnológica e não consegue acompanhar a expansão do mercado. Essas fragilidades, segundo ele, são exploradas pelo crime organizado.

Além da repressão, é preciso focar também em fiscalização, diz superintendente-adjunto da Receita — Foto: Receita Federal

A pressão para melhorar a fiscalização e fechar as brechas regulatórias ganhou novo impulso quando os Estados Unidos anunciaram que passariam a classificar PCC e CV como organizações terroristas.

De um lado, especialistas alertam que a medida pode abrir possibilidade para que o governo Trump promova intervenções militares em território brasileiro. De outro, para que imponha, por meio do Departamento do Tesouro, sanções a organizações financeiras que mantenham relação com as facções.

Para alguns analistas, é aí que o mercado financeiro brasileiro e empresas de outros segmentos poderiam ser impactados.

Pedro Henrique Rezende, sócio especialista em compliance (mecanismo para garantir que a operação esteja de acordo com as normas legais) e investigações do Aroeira Salles Advogados, avalia que a medida "tem potencial para ampliar significativamente o risco regulatório para empresas brasileiras com exposição ao sistema financeiro internacional ou com relações comerciais com os Estados Unidos".

Ele recomenda a empresas que tenham negócios com vínculos com os EUA que façam uma análise minuciosa das organizações com as quais trabalham para conhecer de fato seus beneficiários finais e garantir que estes não tenham qualquer relação com o crime organizado para que não estejam sujeitas a punições como bloqueio de recursos aplicados no sistema bancário americano.

A professora do Insper Juliana Facklmann, por sua vez, avalia que "quem já está trabalhando da forma correta não vai ter maiores impactos".

"Acho que seria somente sobre o aumento da eficácia das regras de compliance, ou seja, ter certeza, por exemplo, que uma fintech conhece o cliente que está entrando, que tem um monitoramento eficiente, que percebe a movimentação de grandes fluxos e se pergunta: 'Mas por que esse cliente está movimentando grandes fluxos?' E vai atrás do cliente para entender."

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Acordo do Itaú com MPMG determina que banco faça ressarcimento de cobranças indevidas; saiba se você tem direito e veja como solicitar

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 20:44

Minas Gerais Acordo do Itaú com MPMG determina que banco faça ressarcimento de cobranças indevidas; saiba se você tem direito e veja como solicitar Instituição bancária cobrou tarifas de correntistas indevidamente entre 2011 e 2018, segundo o Procon. Empresa será multada caso descumpra medidas. Por g1 Minas — Belo Horizonte

O Itaú assinou um acordo com o MPMG e o Idec para devolver valores cobrados indevidamente por seguros não contratados a clientes de todo o país.

A medida abrange cobranças sem consentimento feitas entre 13 de junho de 2011 e 18 de dezembro de 2025. O descumprimento gerará multa diária de R$ 10 mil.

Para informar os consumidores, a instituição financeira realizará uma campanha nacional. Clientes prejudicados têm até 2 anos para solicitar o ressarcimento.

Pedidos de devolução exigem o envio de documentos específicos. Reclamações devem ocorrer por canais oficiais do banco ou plataformas de defesa do consumidor.

O reembolso poderá ser feito em conta corrente, poupança ou ordem de pagamento. Após a solicitação, o Itaú terá até três faturas para efetuar o estorno.

Após acordo firmado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o banco Itaú terá que devolver a clientes valores cobrados indevidamente por seguros não contratados.

A medida foi divulgada em 29 de maio de 2026 e vale para correntistas de todo o país. Caso descumpra o combinado, a instituição financeira poderá pagar multa de R$ 10 mil por dia e por irregularidade cometida.

Segundo a promotoria, a instituição bancária feriu o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e cometeu uma prática abusiva ao cobrar tarifas sem consentimento entre 13 de junho de 2011 e 18 de dezembro de 2025.

O g1 procurou o Itaú para um posicionamento, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.

➡️ Veja, a partir dos pontos abaixo, como saber se sua conta passou por cobranças indevidas e, caso sim, como pedir ressarcimento:

O que foi decidido?Quem pode pedir ressarcimento?Quais são os requisitos para solicitar a devolução?Quais canais de reclamação valem?Ainda posso reclamar se descobri agora?Como os clientes serão avisados?Qual é o prazo para pedir o dinheiro?Como solicitar o ressarcimento?Como será feito o pagamento?E casos após dezembro de 2025?E se houver cobrança depois do cancelamento?O que acontece se o acordo não for cumprido?

O acordo encerra uma ação civil pública movida pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) do MPMG e pelo Idec contra o Itaú.

O banco terá que ressarcir clientes que foram cobrados por seguros sem consentimento, além de adotar medidas de transparência, prevenção e comunicação sobre o caso.

Para solicitar a devolução dos valores, é necessário atender aos seguintes critérios, simultaneamente:

ter evidências de cobrança de seguro não contratado ou mantido após cancelamento;ter feito reclamação até 18 de dezembro de 2025;não ter sido ressarcido anteriormente.

Proconsconsumidor.gov.brMinistério PúblicoDefensoria PúblicaIdec (para associados)Reclame AquiSistemas como Sindec e Pró-ConsumidorReclamações feitas diretamente ao Itaú

jornais de grande circulação;site do banco;redes sociais, como Instagram;comunicação aos órgãos de defesa do consumidor.

Os consumidores terão até dois anos para solicitar o ressarcimento, a partir do início da campanha previsto no acordo.

documentos que comprovem a cobrança;registro da reclamação anterior;dados bancários para eventual restituição.

exigir autorização prévia;informar a contratação por mensagem de texto (SMS), WhatsApp ou e-mail;facilitar o cancelamento;estornar os valores após o cancelamento.

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Correios registram prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, aponta relatório

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 11:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,029-0,26%Dólar TurismoR$ 5,231-0,29%Euro ComercialR$ 5,840-0,71%Euro TurismoR$ 6,097-0,58%B3Ibovespa172.741 pts-0,6%MoedasDólar ComercialR$ 5,029-0,26%Dólar TurismoR$ 5,231-0,29%Euro ComercialR$ 5,840-0,71%Euro TurismoR$ 6,097-0,58%B3Ibovespa172.741 pts-0,6%MoedasDólar ComercialR$ 5,029-0,26%Dólar TurismoR$ 5,231-0,29%Euro ComercialR$ 5,840-0,71%Euro TurismoR$ 6,097-0,58%B3Ibovespa172.741 pts-0,6%Oferecido por

Os Correios registraram um prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, apontou um balanço divulgado pela estatal neste fim de semana.

O rombo nos três primeiros meses deste ano é 82,35% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado, quando a estatal registrou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão.

Balanço prévio antecipado pelo g1 em abril deste ano já mostrava que os correios teriam um prejuízo acima dos R$ 3 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Em todo o ano de 2025, o rombo foi de R$ 8,5 bilhões e a previsão para 2026 é de um resultado ainda pior nas contas, segundo cálculos da própria estatal.

Os Correios têm tomado uma série de medidas para sanear as contas e projetam chegar a um superávit somente em 2027.

O último ano da estatal com primeiro trimestre no azul foi em 2022, quando foi registrado um lucro de R$ 216,7 milhões (veja a curva descendente no gráfico acima).

Nos primeiros trimestres dos anos seguintes, os resultados foram de déficit: R$ 328 milhões em 2023; R$ 801 milhões (2024); R$ 1,7 bilhão (2025); R$ 3,1 bilhões (2026).

Para estancar o rombo e buscar o reequilíbrio fiscal — com a meta interna de voltar a operar no azul —, a diretoria da estatal elaborou um plano de reestruturação focado em três frentes: corte de despesas com pessoal e administração, otimização de ativos e renegociação e captação de recursos.

Entre as medidas anunciadas, estão: tomada de empréstimos bilionários, plano de demissão voluntária (PDV), reformulação do plano de saúde dos funcionários, fechamento de pontos deficitários, venda de imóveis e revisão de contratos.

Parte das medidas dos Correios para enfrentar crise histórica, PDV tem baixa adesão de funcionários — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

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Haddad defende a ‘taxa das blusinhas’ mesmo após recuo de Lula: ‘Eu não mudei de opinião’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 06:18

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%Oferecido por

Em campanha para o governo de São Paulo, Fernando Haddad manteve sua defesa à taxação de compras internacionais de até US$ 50, alegando isonomia tributária com o comércio físico.

O petista criticou duramente a gestão de Tarcísio de Freitas, apontando irregularidades na privatização da Sabesp e a suposta ligação de aliados com fraudes no Banco Master.

Para a segurança pública paulista, Haddad planeja focar na cooperação com órgãos federais de inteligência, criticando o boicote do atual governador à PEC proposta pelo presidente Lula.

Projetando o futuro do PT após a provável última candidatura de Lula em 2026, Haddad sugeriu a realização de prévias internas para definir o próximo candidato presidencial.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) está em uma difícil campanha para o governo do Estado de São Paulo, mas, fiel a seu estilo e orgulhoso de sua coerência, não teme seguir abraçando um tema impopular como a chamada "taxa das blusinhas", a cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.

Fazia poucos dias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha dito, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que Haddad acreditava que a taxa, criada em 2024 e revogada agora em ano eleitoral, "realmente era uma coisa boa", "para proteger a indústria nacional", e que havia transmitido a ele essa "convicção".

Haddad tinha errado na avaliação lá atrás, então? "Não mudei de opinião", disse ele em entrevista à BBC News Brasil nesta quarta-feira (27/5).

"Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", diz, em consonância com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) — que afirmou, em abril, quando a medida ainda estava valendo, que foram preservados 135 mil empregos graças a ela — e com os governos estaduais, que mantiveram os impostos estaduais, o ICMS, sobre essas compras internacionais.

"Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] se ele é contra ou a favor do ICMS que ele está cobrando."

A mira contra o Tarcísio de Freitas (Republicanos) se repetiria muitas vezes na entrevista por motivos óbvios. Haddad quer convencer o eleitor de que é capaz de entregar um governo melhor que o do adversário em áreas como segurança, por exemplo.

Segundo levantamento realizado pela Quaest e divulgado no fim de abril, Tarcísio tem até 38% das intenções de voto para a reeleição, e Haddad, até 26%, dependendo do cenário, uma disputa considerada dificil.

Embora o período oficial de campanha não tenha começado, Haddad já está em campo, viajando pelo interior e visitando especialmente universidades.

Ainda não há definição sobre quem será candidato a vice na chapa do petista, algo que ele afirma que deve ser decidido "até dia 10, 15 de junho".

Outro assunto ainda está para ser decidido, segundo ele, é de que forma o PT fará sua grande sucessão, uma vez que é provável que 2026 seja a última disputa eleitoral presidencial de que Lula participa.

"Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", afirma Haddad, sobre a 'taxa das blusinhas', que foi revogada — Foto: Victor Parolin/BBC News Brasil

Haddad é o único petista que já disputou uma eleição presidencial além de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2018, quando o atual presidente estava preso, Haddad perdeu para Jair Bolsonaro (PL).

"Não dá para planejar desse jeito", disse, ao ser perguntado se está preparado para receber o bastão de Lula. "Tem muita coisa para acontecer no Brasil."

Mas, no fim, levanta uma possibilidade. "Imagina se tiver uma prévia no PT? Seria o máximo."

O partido tradicionalmente realiza votações internas com seus filiados para decidir quem disputará governos municipais e, mais raramente, estaduais.

Nos 46 anos de história do PT, houve eleição prévia para presidente uma única vez, em 2002, quando o hoje deputado estadual Eduardo Suplicy manteve sua pré-candidatura e forçou eleições internas. Lula venceu com 84% dos votos contra 15% de Suplicy, sendo depois eleito presidente, pela primeira vez, naquele ano.

"Eu acredito que, se tivesse uma prévia no PT — e estou te respondendo assim porque nem sei se vai ter —, poderia ser um negócio muito bonito", disse Haddad.

BBC News Brasil – Estamos quase em junho e três pessoas ainda disputam a candidatura ao Senado em São Paulo, no campo da centro-esquerda: Simone Tebet, Marina Silva e Marcio França. O que falta para decidir? Falta a palavra de quem?

Fernando Haddad – Eu vejo com uma certa naturalidade essa situação, até porque, se você for ver do outro lado, também tem mais de dois candidatos. E é natural que haja um processo de decantação. Nós estamos falando de três pessoas com uma trajetória incrível.

Simone foi prefeita da cidade dela, senadora da República, ministra do Planejamento, Márcio França foi governador de São Paulo, ministro da Micro e Pequena Empresa, de Portos e Aeroportos. A Marina tem uma trajetória internacional incrível, foi senadora da República, candidata a presidente.

Nós estamos falando de três pessoas muito valorosas e é normal que isso aconteça. Imaginar que, arbitrariamente, alguém vai decidir uma composição em uma conversa… O presidente Lula está muito envolvido no tema, mas ninguém está preocupado porque é um problema bom para resolver. Seria ruim se ele não tivesse figuras de tanta expressão política como eles são.

BBC News Brasil – Mas esse impasse envolve também a discussão do seu vice, por exemplo. Qual seria uma chapa dos sonhos?

Haddad – Eu não vou dizer isso pelo seguinte: eu não quero arbitrar, não quero ser parte de uma atitude desrespeitosa em relação a nenhum dos três. São meus colegas de ministério, são parceiros, são amigos, além de termos uma visão de mundo comum em relação à democracia, à justiça social.

São pessoas de altíssima respeitabilidade e sobre as quais não paira dúvida sobre conduta ética.

Haddad – Até dia dez, dia 15 de junho, a gente resolve. Eu fui resolver isso em 2022, era final de julho.

BBC News Brasil – Agora falando da sua pré-candidatura ao governo de São Paulo: por que um produtor de Barretos ou de Jaguariúna deveria votar no senhor e não no Tarcísio?

Haddad – Infelizmente, eu me deparei com uma realidade em São Paulo que eu não esperava. Eu discuti longamente com o presidente [Lula] qual deveria ser minha função em 2026. Inicialmente, nós divergimos sobre o que seria o melhor a fazer.

E uma das razões pelas quais eu topei foi que ele começou a me expor o que estava se passando em São Paulo, pelos dados que ele recebia. Efetivamente, nós estamos diante de um governo muito precário, em várias áreas.

Na área de finanças, como há muito tempo não se vê. O crescimento do Estado é medíocre. No ano passado, São Paulo ficou para trás num patamar inaceitável. A situação das escolas públicas paulistas é muito precária.

O que se tornou a Sabesp é um escândalo. Desde o começo, foi tudo mal feito: a venda de uma das maiores companhias de saneamento do mundo com um único interessado, aquela venda de ações, a chamada segunda tranche, a preços muito abaixo do mercado, o envolvimento do complexo [do Banco] Master na compra da Emae [Empresa Metropolitana de Águas e Energia], depois na compra de títulos de CDBs do próprio Banco Master… Tudo muito mal explicado. A própria doação de campanha [de R$ 2 milhões feita à campanha de Tarcísio de Freitas em 2022 por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e também preso no âmbito das investigações do Banco Master]…

Marina Silva (Rede) disputa a candidatura ao Senado da centro-esquerda em São Paulo — Foto: Sergio Lima / AFP via Getty Images

[Nota da redação: Em julho de 2024, o governo de São Paulo vendeu cerca de 32% das ações da Sabesp na bolsa, passando o comando à privada Equatorial. Paralelamente, o governo estadual também privatizou a Emae em abril de 2024, vendendo o controle ao fundo Phoenix, cujo principal investidor apontado pela imprensa é o empresário Nelson Tanure, apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como sócio oculto do Banco Master. Pouco mais de um ano depois, já privatizada, a própria Sabesp comprou cerca de 70% da EMAE.

Procurada, a Sabesp afirmou que a desestatização seguiu a lei e foi conduzida com transparência. Destacou que a Justiça de São Paulo julgou improcedente a ação que questionava a venda de ações. Disse ainda que a compra da EMAE atende a critérios técnicos e classifica de "leviana e irresponsável" qualquer ligação com o caso Master.]

A Sabesp foi privatizada em 2024, com uma cerimônia na B3, tendo a maior parte das suas ações sendo vendidas para a Equatorial — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Haddad – Não, na realidade do produtor de Barretos chega que nós estamos no terceiro recorde de produção agrícola da história do Brasil, porque o Ministério da Fazenda fez os três maiores Planos Safra da história.

Nunca o agro foi tão atendido por um governo. Aliás, não é a primeira vez que o presidente Lula faz isso. Quantos mercados nós abrimos para os produtos de São Paulo? Quantos mercados o Bolsonaro e Tarcísio abriram? Nenhum.

Como foi o enfrentamento do tarifaço do Trump? Como nós lidamos com o suco de laranja, com a carne? Com os produtos de São Paulo que são vendidos fora, com o café?

Enquanto Eduardo Bolsonaro estava do lado dos Estados Unidos, defendendo a retaliação ao Brasil em virtude do julgamento do pai, nós estávamos lutando pelos interesses nacionais.

Aí me aparece o Tarcísio dizendo "vamos entregar alguma coisa para satisfazer o presidente americano". E nós ali, muito sobriamente, com a melhor diplomacia do mundo, ganhando o terreno nas negociações até a rendição dos Estados Unidos.

Se deixar o preconceito de lado, se a pessoa se debruçar sobre números, sobre política pública, inclusive sobre o desbaratamento dessas quadrilhas todas que a nossa Polícia Federal está fazendo… O caso Master é todo ligado ao bolsonarismo. Quatro ex-ministros do Bolsonaro envolvidos, o presidente do Banco Central do Bolsonaro [Roberto Campos Neto] foi totalmente leniente com a escalada de emissões de CDBs impagáveis.

Qualquer criança sabe que aquilo era insustentável e o BC do Bolsonaro soltando a rédea para o banco crescer.

É a maior fraude bancária da história. E poderia ter sido evitada com muita facilidade. Corromperam diretores do Banco Central que hoje estão com tornozeleira eletrônica. Quando você vai imaginar um diretor do Banco Central ser corrompido?

Haddad – Acho que o foco está fora do BC, e na minha opinião o foco deveria ser o BC. O que aconteceu para um Banco Central, qualquer que seja, não só ser corrompido, mas não ter mecanismo de reação?

Foram feitas várias reuniões de alerta com o Roberto Campos Neto e com o diretor da área. Houve muitos alertas feitos pela Febraban [Federação Brasileira de Bancos], grandes bancos, FGC, e esses alertas foram ignorados.

A minha equipe do Tesouro descobriu em duas semanas, sendo que não é competência do Tesouro ver isso, algo que o Banco Central não viu em seis anos.

PT só teve eleições prévias para presidente em 2022, quando seus filiados escolheram Lula, que concorreu com Eduardo Suplicy — Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images

BBC News Brasil – O senhor acabou de lançar um livro que trata das classes sociais e relações de trabalho. O governo não conseguiu aprovar um projeto para regulamentar a situação dos entregadores de aplicativo, encontrando resistência, inclusive, da própria categoria. O PT perdeu a linguagem de falar com essa classe trabalhadora, o precariado, como o senhor diz no seu livro?

Haddad – O PT é um partido da classe operária tradicional, chão de fábrica, nascido no ABC industrializado…

É muito interessante que a tua pergunta tenha sido precedida de um comentário sobre o meu livro, porque um dos recados do meu livro é o seguinte: não existe uma classe social que represente os interesses de toda a humanidade, como se pensou no século 19.

O marxismo, por exemplo, pensava que a classe operária era portadora dos interesses emancipatórios de toda a humanidade.

Hoje você tem, dentre os não proprietários do meio de produção, um conjunto de cientistas e técnicos e programadores e formuladores que são contratados pelo capital como força criativa. Você tem o velho proletariado, que é contratado como força produtiva, e você tem muita força destrutiva das relações e da proteção social.

Um partido que se pretenda representante de um projeto emancipatório, com uma dimensão utópica, um horizonte mais generoso, tem que partir do pressuposto de que isso mudou e ele tem que se abrir para esses novos segmentos sociais.

Haddad – Eu acredito que está, pelo fato de ter voltado ao poder agora e ter se deparado com uma realidade muito diferente da sua origem.

Por exemplo, a última iniciativa teve uma adesão da categoria muito legal, a ponto de subirem no palanque para defender o presidente.

[Nota da redação: O governo Lula anunciou neste mês uma nova linha de crédito de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas comprarem veículos]

Nós estamos tateando. Não tenho a menor dúvida de que o PT quer entender essa categoria, ajudar. E não vai aparecer um [outro] partido, na minha opinião, com essa preocupação. Só que o PT precisa dominar uma tecnologia que ele não domina hoje. Ele precisa aprender.

A melhor coisa que nós podemos fazer é aprender com esses novos atores, chamados na literatura de precariado, que são essas pessoas que não têm relações estabelecidas de uma maneira tradicional, são novas relações que estão surgindo de vínculo de trabalho e que não têm a cabeça do proletariado tradicional.

Se eles não forem convidados a participar da política, não vão construir uma visão de sociedade mais interessante.

BBC News Brasil – Críticos dizem que a segurança pública é um dos calcanhares de Aquiles da esquerda. Ceará e a Bahia têm índices muito ruins nessa área. E São Paulo é um Estado totalmente infiltrado pelo crime organizado, de acordo com os próprias autoridades. Se o senhor for eleito, qual seria a medida número um 1 para a segurança pública?

Haddad – Eu comecei a ouvir muito as pessoas para entender quais são as prioridades do Estado. E o que eu posso te assegurar é que a segurança pública vai estar no alto das minhas prioridades. E eu vou dizer, nas próximas semanas, o que eu vou fazer, com começo, meio e fim.

Eu já tenho um plano muito adiantado de segurança pública que faz um balanço crítico da atual gestão, que desmontou uma série de mecanismos e não colocou nada no lugar.

Meu plano de trabalho tem uma dimensão que é o andar de cima, que é muito desassistido pelo governador.

São Paulo tem uma deficiência muito grande no combate ao andar de cima. Modéstia à parte, eu acho que aprendi muito com a Receita Federal atual, que começou a desbaratar os grandes esquemas de corrupção, que foram desbaratados pelo governo federal, Polícia Federal, Receita Federal e Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras].

Haddad – Eu diria para você que eu já até tenho nome. Mas não posso dar pista nenhuma ainda. Talvez eu antecipe o lançamento do plano de segurança, porque, como vai ser uma prioridade absoluta, talvez eu antecipe o anúncio dele.

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera as pesquisas para a reeleição no Estado — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg via Getty Images

Uma das coisas mais erradas que o Tarcísio fez foi boicotar a PEC de Segurança Pública do presidente Lula.

O constituinte de 88 falhou no capítulo sobre segurança pública, porque só tem um artigo ali na Constituição, o 144. E nada mudou de 88 para cá. O presidente Lula foi o único presidente que teve a coragem de reconhecer que a Constituição tem uma falha genética, que ele queria corrigir.

O objetivo da PEC era fazer da cooperação entre os órgãos de inteligência a regra, e não a exceção. Compartilhamento de dados, compartilhamento de informações, acesso a sistemas de informação, isso tem que ser a regra, senão você não combate crime nenhum.

[Tarcísio] manda o secretário da Segurança Pública [deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP)] desfigurar a Lei Antifacção justamente no capítulo da cooperação, que era o mais importante, eu diria. Todo o resto era mais do mesmo. Mas o eixo da ação é a cooperação, não pode ser outro. Porque o crime está organizado e o Estado não. É isso que está acontecendo.

O que o presidente Lula fez foi de muita coragem. Tanto é que ele não criou o Ministério da Segurança Pública porque o ministro da Segurança vai fazer o quê se ele não tiver os dados? Se ele não tiver uma inteligência?

[Procurado, Derrite disse, por meio de nota, que "Haddad entende tanto de segurança pública quanto entende de economia: absolutamente nada" e que mudou o PL Antifacção pra "para torná-lo o mais duro já debatido no Congresso".]

BBC News Brasil – O PCC cresceu durante o governo de Geraldo Alckmin (PSB) em São Paulo. Ele falhou nisso?

Haddad – Nós não tínhamos um diagnóstico preciso sobre por qual razão a segurança pública não andava bem no Brasil. Foi isso que o governo Lula fez. O diagnóstico não anda por falta de integração, então vamos fazer uma PEC para integrar.

BBC News Brasil – Sim, mas que o crime organizado estava avançando, esse diagnóstico já existia há muito.

Haddad – Mas qual era o antídoto para isso? Com essa experiência que nós acumulamos, eu estou muito seguro de que se eu for eleito governador, eu vou fazer o oposto do que o Tarcísio fez, que é buscar a cooperação com a Polícia Federal, com a Receita Federal, com o Coaf, entregar informações, receber informações, montar um núcleo duro de combate ao crime organizado. O governo de São Paulo não realiza essa cooperação.

BBC News Brasil – Analistas consideram que a gente está num momento de rombo fiscal, com o maior déficit nominal da série histórica, de R$ 1,2 trilhão. Se Lula for reeleito, ele vai ter que fazer um ajuste fiscal, como a Dilma fez em 2015?

Eu recebi um projeto de lei orçamentária com mais de R$ 60 bilhões de rombo, desconsiderado o reajuste do Bolsa Família, que era de R$ 52 bilhões, desconsiderado o calote dos precatórios, que era de R$ 44 bilhões, desconsiderando a indenização dos governadores por conta do ICMS de combustível, que era de R$ 45 bilhões, e eu fiz acordo para baixar para R$ 27 bilhões.

Você soma isso, dá R$ 200 bilhões, fora a inflação de quatro anos. Além disso, eu recebi um BPC [Benefício de Prestação Continuada] desorganizado, e um Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] que foi multiplicado por três.

Soma tudo isso. Qualquer que seja o presidente eleito, ele vai receber uma situação fiscal infinitamente melhor.

Haddad – É só ver as contas públicas. Pega a despesa primária como proporção do PIB. É assim no mundo inteiro.

Haddad – Não aconteceu nada. Eu tenho uma relação de independência. Não existe no Brasil, há muito tempo, sintonia entre a Fazenda e o Banco Central. São visões diferentes sobre como lidar com o problema. Poucas vezes na história do Real, você teve momentos de sintonia fina entre a política monetária e a política fiscal.

BBC News Brasil – Eu volto à pergunta inicial então: Lula vai ter que fazer um ajuste no ano que vem se ele for reeleito?

Haddad – Todo ministro da Fazenda tem que entrar com o plano de trabalho. Eu recebi o orçamento com R$ 200 bi de déficit, conforme eu relatei aqui para você, e já me coloquei à disposição para conversar com qualquer ex-ministro da Fazenda, do [Pedro] Malan para cá, para bater esses dados, porque não é possível a gente discordar sobre um número.

O próximo presidente, seja quem for, e eu espero que seja o presidente Lula, vai receber um Brasil muito melhor do ponto de vista das finanças. O que está fora do lugar é a taxa de juro. Agora teve a guerra no Irã, que, na minha opinião, atrapalhou muito o ciclo de corte. Mexeu com o mundo inteiro essa bobagem que foi atacar o Irã.

Mas talvez a gente pudesse ter chegado num patamar de juros menor do que os 15%. Talvez a gente pudesse ter começado a cortar antes. Mas enfim, está contratado o ciclo de corte, que eu acho que vai ser um ciclo longo, e o corte do juro vai acertar o déficit nominal, porque o déficit primário também depende da queda do déficit nominal. Porque se você quer rotear o crescimento econômico, você vai ter impacto fiscal também.

Haddad – Essa questão da rede social…. Quando você faz uma pessoa tomar detergente, você está lidando com um universo novo.

Estou falando de uma pessoa, um adulto, que, por fidelidade canina, uma seita, se filma tomando detergente porque a Anvisa preveniu a população sobre um lote de um produto que poderia estar contaminado.

Nós estamos numa situação grave. Quando pessoas agem dessa maneira, elas não estão mais se importando com nada. E a atuação dessas pessoas na rede social confunde a opinião pública.

Nunca se vendeu tanto apartamento e casa, nunca se vendeu tanto carro, nunca se vendeu tanta moto. O IDH do Brasil é o maior da história, a distribuição de renda é a maior da história, o desemprego está na mínima histórica, a inflação de quatro anos é a menor do Plano Real.

Haddad – Mas aí você está jogando uma responsabilidade em cima das pessoas também, que eu não acho justo. Há falhas de percepção, falhas de comunicação, fatores sociais que não estão sendo considerados.

Não pense você que o vício em jogos online afeta pouco a vida das famílias. Oficialmente, os cassinos online estão levando R$ 50 bilhões em apostas. Fora o universo digital não oficial, que, dizem, leva outros R$ 50 bilhões. Estou falando de perto de 1% do PIB.

Outra coisa é a educação financeira. Nós ainda temos uma cultura de crédito que precisa ser muito aperfeiçoada. Não é porque a prestação cabe no seu bolso que você tem que tomar o crédito.

O mundo digital envolve muita coisa. Envolve crédito, compra online, jogos, envolve quase que um universo paralelo. Nós vamos ter que fazer um trabalho de educação.

Eu sou do tempo em que você entrava em dez lojas antes de comprar uma camisa para saber qual era a mais barata.

BBC News Brasil – Pois, falando em camisa, vamos falar da taxa das blusinhas. O presidente Lula disse nesta semana que o senhor acreditou que a taxa das blusinhas era uma coisa boa.

Haddad – Você acha que todas essas pessoas erraram? Sabe o que é interessante? Nenhum órgão de imprensa escreveu um editorial sobre o tema. Nem contra, nem a favor. O que está por trás disso? Por que ninguém se manifestou sobre isso?

Afinal de contas, o certo é o comércio eletrônico pagar o mesmo imposto do comércio presencial, ou não? Do meu ponto de vista, deveria ser uma regra só. Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual.

BBC News Brasil – Mas o discurso virou uma guerra de rico contra pobre. O rico pode viajar e comprar lá fora, enquanto o pobre não pode comprar.

Haddad – Mas estou falando de um conceito. Uma loja aberta tem que pagar mais ou menos impostos que uma loja virtual?

O Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária, responsável, dentre outras coisas, pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS] está cobrando o ICMS até hoje.

Não revogou a taxa das blusinhas. Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio se ele é contra ou a favor o ICMS que ele está cobrando.

Porque há, efetivamente, uma coisa que está por trás disso. Como isso não ficou na conta dos governadores, nem do Congresso, nas redes sociais estava ficando na conta do presidente, que foi levado a revogar, porque ele é o único que não queria [a taxa das blusinhas]. A única pessoa que não queria era ele.

BBC News Brasil – Aí ele jogou na sua conta, dizendo que "o Haddad acreditava que era uma coisa boa".

Haddad – E eu não mudei de opinião. Eu não mudei de opinião porque eu ouvi todos os governadores, todos os líderes partidários, a indústria, o comércio e cheguei a essa conclusão.

Haddad, na eleição municipal de 2012 em que foi eleito prefeito de São Paulo — Foto: YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Images

BBC News Brasil – Sobre a redução da jornada 6×1, alguns críticos dizem que é uma mudança muito brusca, que a proposta é que seja feita a redução de jornada de um jeito muito rápido. Qual é a opinião do senhor?

Haddad – A redução da jornada de trabalho é uma demanda histórica, que ganhou tração social agora, e é natural que as pessoas queiram uma regra de transição. E quem tem que estabelecer essa regra de transição é o Congresso Nacional.

Agora, o que a direita está pedindo? O Tarcísio, o Flávio? Dez anos de transição. Aí é um pouco demais.

Haddad – Mas eles pediram isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 10 mil, quando a gente apresentou até R$ 5 mil. Isso é um jogo de cena para confundir a opinião de novo.

Eu negociei durante meses o Imposto de Renda para chegar a um consenso e todo mundo votar a favor. Todo mundo votou a favor, não teve um voto contra. Porque houve negociação.

A Fazenda aprovou 77 projetos de lei na minha gestão, sendo que 40 estruturais. Estou fazendo a maior reforma tributária da história do Brasil. Tudo passou porque foi negociado.

BBC News Brasil – Mas para negociar é preciso ter interlocução com o Congresso. O senhor acha que neste momento, depois que o Senado não aprovou a indicação do Jorge Messias para o Supremo, há interlocução?

Haddad – Quando caiu a medida provisória da desoneração, nós fomos para o Supremo Tribunal Federal e ganhamos. Quando eles derrubaram o decreto do presidente do IOF, nós fomos para o Supremo e ganhamos.

E todo mundo dizia "agora acabou", "não tem mais clima para nada". Eu aprovei tudo. Você reconstrói o clima. Isso depende da sua capacidade de reconstruir a ponte.

BBC News Brasil – O presidente Lula está com 80 anos e provavelmente essa é a última eleição que ele disputa. O senhor está preparado para receber esse bastão daqui a quatro anos?

Haddad – Mas não existe isso. Quatro anos no Brasil são 40 anos em qualquer lugar do mundo. É muito tempo.

Quem imaginou que o Flávio Bolsonaro, que até outro dia estava ameaçado de prisão por rachadinha, por compra de imóvel sem fonte de renda, por vender chocolate, agora estaria disputando a Presidência da República?

Tem como planejar alguma coisa? Agora, se eu ganhar o governo do Estado, vou trabalhar bem, vou fazer um bom governo. E aí o destino encaminha.

Quando fui ministro da Educação, eu não pensava em ser candidato. E acabei sendo candidato a prefeito e ganhando a eleição. Podia ter perdido, mas não dá para planejar desse jeito.

BBC News Brasil – Não parece que o PT está trabalhando para a sucessão de Lula. Quais são os nomes, quem são os quadros que estão sendo preparados?

Haddad – O Rafael Fonteles [governador do Piauí] é um quadro que vai despontar no Brasil, por exemplo, para citar um. Mas você está pedindo nomes, os outros vão ficar com ciúmes…

Haddad – Todo governador ou ex-governador do Estado pode ser candidato. Todo senador pode ser candidato.

Haddad – Mas nem o Lula vai dizer isso, porque o Lula sabe da complexidade do processo. Não são processos simples.

Mas eu acho que pode ser divertido esse processo. Se ele for arejado, participativo, ele pode ser muito legal. Pode ser uma excelente oportunidade para o PT de se repensar, se reavaliar, discutir programa, discutir futuro. Se o PT fizer um processo aberto, menos fechado, pode ser celebrativo até.

Eu acredito que, se tivesse uma prévia no PT — e estou te respondendo assim porque nem sei se vai ter —, poderia ser um negócio muito bonito.

Tem gente muito boa no PT com boas ideias, com boas cabeças. E se você numa prévia envolve a militância, já na escolha do nome você já dá impulso à campanha. Pode ser uma coisa muito legal.

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Lula amplia crédito com taxas favorecidas em terceiro mandato, preocupa BC e pressiona juros

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 31/05/2026 04:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa175.063 pts-0,39%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa175.063 pts-0,39%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa175.063 pts-0,39%Oferecido por

O chamado crédito direcionado, que conta com juros menores, voltou a subir no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo números do Banco Central. O aumento dessa modalidade faz o Banco Central (BC) manter a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, em um patamar maior.

🔎 O crédito direcionado é um financiamento em que os recursos têm uma finalidade específica obrigatória, regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Esses empréstimos têm juros menores e prazos mais longos e destinam-se a atividades setoriais, como imobiliária, rural e de infraestrutura.

🔎 O crédito direcionado possui taxas menores por ter subsídio do governo, fontes mais baratas de recursos e garantias públicas.

O próprio BC, responsável por fixar o juro básico da economia para conter a inflação, explica que esse é um fator que pressiona para cima a taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Em termos reais, é o segundo juro mais alto do mundo.

🔎 A Selic representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor. O crédito fica mais caro quando ela sobe, o que reduz o o consumo, investimentos e contratações. Isso ajuda a conter a inflação. Já a queda da Selic barateia o crédito e estimula a atividade econômica.

"O aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade", informa a ata última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que é responsável por definir a Selic, em 29 de abril.

A explicação é que o BC tem de manter a taxa Selic em um patamar mais elevado do que o normal porque boa parte do crédito em mercado não está atrelado à taxa básica da economia.

💰 Esse tipo de crédito teve um aumento no terceiro mandato do presidente Lula, após queda durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (veja mais detalhes)

empréstimos para compra da casa própria; crédito rural e as linhas operacionalizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor produtivo;linhas com garantias oferecidas pelo governo, como o Pronampe e o FGI, e para segmentos específicos.

Na série histórica do Banco Central, que tem início em março de 2011, a taxa média de juros do crédito direcionado somou 9,3% ao ano, até março de 2026.

Ao mesmo tempo, a taxa média dos empréstimos normais, que não juros favorecidos, somou 38,8% ao ano no mesmo período.

Com isso, a taxa média de juros do crédito com recursos livres foi cerca de quase quatro vezes maior do que a do crédito direcionado entre março de 2011 e o mesmo mês deste ano.

De acordo com a série histórica do BC, as linhas de empréstimos subsidiadas, ou seja, que estão abaixo das taxas de mercado, representaram 43,1% do volume total em mercado em março deste ano, o maior nível desde o fim de 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro.

💰Analistas observam que, diante dos limites para gastos da regra fiscal, o governo Lula tem aumentado as linhas de crédito com juros favorecidos em um ano eleitoral, dificultando a queda da taxa básica e, consequentemente, das linhas de empréstimos para os demais setores da economia.

💵No terceiro mandato de Lula, o movimento de crescimento do crédito direcionado se intensificou com a proximidade das eleições, foram anunciadas linhas de crédito com juros mais baratos, impulsionando o crédito direcionado, para:

Máquinas agrícolas;Minha Casa, Minha Vida;Taxistas e motoristas de aplicativos; Plano Safra;Caminhões e ônibus; Microempreendedores de baixa renda;Setores afetados pelo tarifaço e guerra no Oriente Médio;Programa para reforma de imóveis;Renegociação de dívidas no Desenrola 2.0;Nova política industrial Pessoas físicas, um novo modelo de crédito imobiliário;Fundo Clima, para projetos de combate às mudanças climáticas;Fundo de florestas tropicais;Renegociação de dívida agropecuária, em curso.

Para Sergio Vale, economista-chefe MB Associados, em vez de injetar recursos nessa intensidade por meio de linhas de crédito específicas, o governo deveria fazer o caminho contrário: um corte de gastos mais intenso para promover a redução dos juros para todos os segmentos e setores da sociedade.

"O governo escolhe o caminho que parece ser mais fácil, mas na verdade é o mais difícil. Atrapalha o Banco Central e gera resultados que, muitas vezes, são só de curto prazo e são agravantes para a situação econômica do país quando a gente olha no longo prazo", avaliou.

Lula no lançamento do Plano Safra 2025, que oferece crédito com juros subsidiados a agricultores — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em 2023, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, recorreu à explicação da meia-entrada no cinema para explicar esse fenômeno.

"No crédito direcionado, a gente pode fazer a análise do cinema que vende a meia-entrada. Se eu vendo muita meia-entrada e quero ter o mesmo lucro, a entrada inteira eu tenho que subir o preço. O crédito funciona um pouco assim", afirmou Campos Neto, na ocasião.

Ele comparou o volume total do crédito no país a um "tubo" para explicar porque a concessão de empréstimos, com juros menores, afetam o patamar da taxa Selic, fixada pelo Banco Central para conter a inflação.

"Se um pedaço do tubo está imobilizado [crédito direcionado, com juro mais baixo], eu tenho que aumentar a pressão no outro [subindo mais a taxa total]. Quando você tem muito crédito subsidiado, a sua potência de influenciar com o juro diminui. Então tem que ter um juro mais alto do que você teria", declarou o ex-presidente do BC, Campos Neto.

Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, afirmou em audiência pública no Senado Federal neste mês que há algo de "idiossincrático" (peculiar) que permita que o país tenha juro real, após descontada a projeção de inflação para os próximos 12 meses, perto de 10% ao ano, inflação acima da meta e desemprego na mínima histórica.

"Vai demandar uma série de reformas para desobstruir os canais, e ter uma política [monetária, de fixação dos juros] que pese menos com um efeito mais eficaz no controle da inflação", disse Galípolo.

De acordo com o BC, pelo fato de o direcionado não ser uma forma prevalente de crédito, os países em geral não possuem estatísticas específicas sobre crédito direcionado, o que torna a comparação internacional um exercício complexo e não recorrente.

Mesmo assim, suas estimativas, que consideram apenas os dados internacionais disponíveis para países parecidos, como Colômbia, China, Coreia do Sul, México e Peru.

Em cerca de 43% do crédito total, o Brasil está muito na frente de outros países, como o México, com 26%. A instituição informou, também, que a maioria dos outros países possui percentual abaixo de 5%.

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) concordou que, quanto maior a participação das linhas de empréstimos com recursos direcionados, com taxas de juros abaixo de mercado, menor a potência da política monetária, taxa Selic fixada pelo BC.

Mas ponderou que a trajetória recente de aceleração das linhas de crédito com juros favorecidos é bem menos acentuada em relação à verificada no início da década de 2010, com a participação encontrando-se em nível bem distante dos 50% ocorridos entre 2016/2017.

"A interferência governamental na definição de taxa de juros no crédito é sempre ruim, gerando em muitas situações ineficiências e distorções na alocação de recursos. Assim, em uma análise inicial, as demais taxas deveriam ser mais altas para preservar a rentabilidade das carteiras", explicou a ABBC.

Juros básicos altos, por sua vez, geram outra consequência negativa para a economia brasileira, o crescimento da dívida (pois são base para a emissão de títulos públicos). Em 80% do PIB, o endividamento brasileiro está no maior nível em cinco anos e, também, em patamar semelhante à Zona do Euro. Por ser elevada, a dívida brasileira também é um fator de pressão para cima nos juros. É um ciclo vicioso que se retroalimenta e compromete recursos para gerações futuras.

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Guerra no Oriente Médio: Governo prorroga medidas para combustíveis

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 30/05/2026 16:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%Oferecido por

Para frear a alta dos combustíveis em função da guerra no Oriente Médio, o governo federal decidiu prorrogar uma série de medidas. Uma delas é uma subvenção de R$ 1,12 por litro de óleo diesel às refinarias nacionais e aos importadores do combustível, que entra em vigor nesta segunda-feira (01).

Custeada com recursos federais, a medida substituirá duas subvenções que se encerram neste domingo (31): a que concedia subsídio de R$ 0,32 por litro de diesel desde 12 de março. E outra, criada em abril, cujo auxílio era de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no país e de R$ 1,20 por litro para o combustível importado, sendo metade financiada pelo governo federal e metade pelos estados e pelo Distrito Federal.

Também a partir de segunda-feira (01) passa a valer uma nova subvenção de R$ 0,35 por litro ao óleo diesel A de uso rodoviário. Na prática, o benefício substitui a desoneração de PIS/Cofins sobre o combustível, que tem o mesmo valor e perde a validade neste domingo.

Segundo o governo, a medida funciona como uma espécie de “cashback” para compensar a retomada da cobrança dos tributos federais sobre o diesel. Com o fim da alíquota reduzida, produtores e importadores voltarão a recolher os impostos, mas receberão uma subvenção equivalente ao valor da tributação.

A estratégia foi adotada após o Congresso Nacional não avançar na análise de um projeto de lei complementar enviado pelo Executivo em abril. A proposta autorizava o uso de receitas extraordinárias geradas pela alta do petróleo para compensar a redução de tributos sobre combustíveis.

Diante da demora na tramitação da matéria, o governo editou, em 13 de maio, uma medida provisória autorizando a concessão de subvenções econômicas a produtores e importadores de combustíveis em valor equivalente aos benefícios tributários que deixariam de vigorar. A iniciativa começou pela gasolina e agora é ampliada para o diesel.

O governo também prorrogou até 31 de julho a subvenção destinada aos produtores e importadores de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha. Os recursos federais para a medida foram ampliados de R$ 330 milhões para R$ 660 milhões.

Segundo o Executivo, o montante permitirá conceder um benefício equivalente a R$ 11 por botijão de 13 quilos comercializado no período.

A desoneração dos tributos federais sobre o querosene de aviação e sobre o biodiesel também foram prorrogadas até o dia 31 de julho. 

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Colômbia acusa Equador de ‘interferência deliberada’ na eleição presidencial em meio a disputa tarifária

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 30/05/2026 16:47

Mundo Colômbia acusa Equador de 'interferência deliberada' na eleição presidencial em meio a disputa tarifária O presidente do Equador, Daniel Noboa, disse que removeria tarifas bilaterais após acordo com o candidato de direita Abelardo De La Espriella, opositor do governo de Gustavo Petro. Por Reuters

O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia acusou neste sábado o Equador de "interferência deliberada" na eleição presidencial colombiana de domingo, depois que o presidente do Equador concordou em suspender tarifas comerciais em uma conversa com um candidato presidencial.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, disse na sexta-feira que seu país removeria as tarifas bilaterais em 1º de junho, depois de chegar a um acordo com o candidato presidencial colombiano de direita Abelardo De La Espriella, opositor do governo de Gustavo Petro.

Petro não pode se reeleger para um segundo mandato consecutivo. Ele apoia Iván Cepeda, de esquerda, como sucessor.

Noboa disse no X que a medida seria tomada depois de "confirmar a disposição (de De La Espriella) de promover uma luta real e conjunta contra o narcoterrorismo". Ele também disse que eles haviam concordado com a entrega de criminosos equatorianos que estão na Colômbia.

O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia rejeita "a apresentação enganosa da decisão de remover as tarifas como uma medida de boa fé do governo equatoriano", disse a pasta em nota, embora tenha acrescentado que removeria as medidas adotadas para mitigar as tarifas do Equador.

Os dois países estão envolvidos há meses em uma disputa comercial, com o Equador cobrando tarifas devido ao fracasso da Colômbia em combater o tráfico de drogas ao longo da fronteira de 586km entre os dois países, uma afirmação que o presidente colombiano Gustavo Petro rejeitou.

De La Espriella, um candidato independente, enfrentará o aliado de Petro, Ivan Cepeda, e a senadora de direita Paloma Valencia, entre outros, na eleição de domingo.

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