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Veto da UE atinge carne e mel brasileiros enquanto ganhavam espaço no mercado europeu

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 05/08/2026 02:57

Agro Veto da UE atinge carne e mel brasileiros enquanto ganhavam espaço no mercado europeu Empresários afirmam que a medida tem caráter protecionista e alertam para a dificuldade de substituir esse destino no curto prazo. Por Amanda Lüder, GloboNews — São Paulo

A carne bovina e o mel brasileiros vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado europeu nos últimos anos. Esse cenário pode mudar com a proibição da exportação desses produtos para a União Europeia a partir de 3 de setembro.

O bloco europeu alega que o governo brasileiro não fiscaliza adequadamente o uso de antimicrobianos na produção de proteína animal. Empresários brasileiros dos setores afetados, no entanto, afirmam que a medida é protecionista.

A carne bovina, por exemplo, registrou aumento de 19% no volume exportado no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Foram enviadas 51,2 mil toneladas aos países do bloco europeu. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec).

O crescimento já vinha sendo registrado nos anos anteriores. Em 2025, o Brasil exportou 7% mais carne bovina para a UE do que em 2024.

Esse aumento também se refletiu na receita das exportações do setor. Entre 2024 e 2025, o valor das vendas brasileiras de carne bovina para a União Europeia aumentou 18%, passando de US$ 895,7 milhões para US$ 1,06 bilhão.

O mel orgânico brasileiro também vem ganhando espaço no mercado europeu. Entre janeiro e junho deste ano, as exportações para o bloco renderam US$ 6,35 milhões — o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando somaram US$ 3,18 milhões. Os dados são da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).

No ano passado, as vendas de mel para a UE corresponderam a cerca de 5% do total exportado pelo Brasil. No primeiro semestre deste ano, essa participação ficou próxima de 10%.

Para qualquer produto de exportação, é necessário tempo para encontrar novos mercados e negociar com compradores.

No caso da carne bovina, o bloco europeu importa principalmente cortes nobres de alto valor agregado, como filé mignon, contrafilé e alcatra. Por isso, a União Europeia lidera em preço médio pago pela carne brasileira.

O mercado asiático também está entre os destinos para os quais o Brasil ampliou as exportações de carne nos últimos anos. No entanto, esses países têm interesse em outros tipos de corte, como os miúdos.

Em 2025, o Brasil foi o 7º maior exportador de mel do mundo em volume e o 8º em valor. Os principais destinos foram Estados Unidos (84%), Canadá (8%) e Alemanha (4%).

A proibição europeia preocupa ainda mais os setores diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Apesar de a carne bovina e o mel terem ficado isentos, empresários consideram imprevisível a relação com o mercado norte-americano. Até então, a Europa era vista como um destino mais seguro.

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Como uma granola artesanal deu origem a uma empresa de catering que fatura R$ 100 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 05/08/2026 01:52

Após descobrir quatro aneurismas cerebrais, a publicitária Lilian Santos decidiu deixar uma carreira de 25 anos no mercado corporativo para investir no sonho de trabalhar com gastronomia.

O recomeço começou com a venda de granola artesanal feita em casa e, aos poucos, deu origem a uma empresa de catering. Hoje, o negócio atende principalmente o mercado corporativo, além de realizar eventos sociais.

Juntas, elas estruturaram o negócio, ampliaram a capacidade de atendimento e conquistaram uma base de clientes fiéis. Atualmente, a empresa fatura cerca de R$ 100 mil por mês.

A mudança, porém, só aconteceu depois de um episódio que transformou sua forma de enxergar a vida. Em janeiro de 2022, Lilian descobriu que tinha quatro aneurismas cerebrais e precisou colocar dois stents.

O diagnóstico fez com que ela repensasse prioridades e decidisse investir naquilo que sempre gostou de fazer. "A vida dá sinais. Eu pensei que precisava aproveitar esse tempo e fazer o que eu realmente amava: a gastronomia", conta.

O recomeço aconteceu de forma simples: dentro da própria cozinha. Ela começou produzindo granola artesanal para amigos, que insistiam para que transformasse a receita em um negócio.

A empreendedora criou uma marca, passou a divulgar o produto nas redes sociais e, pouco tempo depois, começou a participar de pequenos eventos.

A estratégia funcionou. A granola virou uma vitrine para novos clientes e abriu caminho para um mercado muito maior: o de catering, serviço especializado em preparar e servir alimentos em eventos corporativos e sociais.

Hoje, cerca de 80% da receita da empresa vem do atendimento a empresas, mas o negócio também realiza festas particulares. Os pratos são preparados previamente na cozinha da empresa e finalizados no local do evento.

O crescimento acelerado trouxe um desafio logo no início: organizar um evento para 160 convidados. Mesmo sem ter realizado algo daquela dimensão anteriormente, Lilian aceitou o trabalho.

Segundo ela, a experiência acumulada ao longo da carreira anterior foi determinante para enfrentar esse momento.

"Quando as pessoas dizem que começaram do zero, eu discordo. A gente nunca começa do zero. Leva toda a história, o repertório e os aprendizados da carreira anterior", afirma.

Com o aumento da demanda, a empreendedora convidou Camila Cezário dos Santos para integrar a sociedade. Enquanto Lilian concentra esforços na gestão e no relacionamento com clientes, a sócia assumiu a coordenação das operações, da equipe e das compras.

Para Camila, o sucesso da parceria está na confiança construída entre as duas. "Acho que uma sociedade de sucesso depende de lealdade, conversa e entendimento."

Hoje, a empresa registra faturamento médio de R$ 100 mil por mês e aposta principalmente na fidelização dos clientes. Um dos exemplos é o de Tatiane Ruiz, que há dois anos contrata o buffet para os encontros mensais de seu clube de leitura.

Segundo a cliente, cada evento recebe um cardápio diferente, muitas vezes temático, e o cuidado com a experiência é um dos diferenciais do negócio.

"Elas sempre surpreendem meus convidados e entregam uma experiência incrível, com uma culinária afetiva e, ao mesmo tempo, surpreendente", afirma.

Agora, o próximo passo é ampliar a atuação da empresa. Além de continuar investindo no mercado corporativo, Lilian pretende aumentar a participação em eventos sociais e promover oficinas gastronômicas em seu espaço.

Como uma granola artesanal deu origem a uma empresa de catering que fatura R$ 100 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

📍 Endereço: Rua Tavares Bastos, 692- Pompéia São Paulo/SP – CEP: 05012-020📞Telefone: (11) 997950463📧 Email: comercial@xodogastronomia.com.br🌐 Site: https://xodogastronomia.com.br/📸 Instagram: https://www.instagram.com/xodo.gastronomia/

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UE compra pouco da carne bovina do Brasil, mas paga mais e abre portas para outros mercados

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 10:52

Agro UE compra pouco da carne bovina do Brasil, mas paga mais e abre portas para outros mercados UE excluiu o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Medida começa a valer dia 3 de setembro. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

A partir do dia 3 de setembro, a União Europeia prevê interromper as suas compras de produtos de origem animal do Brasil.

No caso da carne bovina, a suspensão não preocupa pelo volume, mas pelo peso estratégico do bloco para pecuaristas e frigoríficos nacionais.

A UE é destino de apenas 3,7% do volume total que o Brasil exporta em carne bovina, mas compra cortes nobres e é considerada uma espécie de "vitrine" para o mundo.

Atender às exigências dos europeus é visto como um selo de qualidade que ajuda a abrir portas em outros mercados.

UE excluiu o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Medida começa a valer dia 3 de setembro. — Foto: Foto de David Foodphototasty na Unsplash

A partir do dia 3 de setembro, a União Europeia vai interromper as suas compras de produtos de origem animal do Brasil e, no caso da carne bovina, a suspensão não preocupa pelo volume, mas pelo peso estratégico do bloco para pecuaristas e frigoríficos nacionais.

➡️A UE excluiu o Brasil da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne nacional, mas porque a União Europeia considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias.

A UE é destino de apenas 3,7% do volume total que o Brasil exporta em carne bovina – e por 5,8% do valor –, mas compra cortes nobres e é considerada uma espécie de "vitrine" para o mundo: atender às exigências dos europeus é visto como um selo de qualidade que ajuda a abrir portas em outros mercados, afirmam especialistas ouvidos pelo g1.

"A Europa é uma vitrine seja por causa das exigências em termos de rastreabilidade, seja pela remuneração. Ela compra praticamente só cinco cortes do nosso boi, só que paga bem", ressalta Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do mercado de pecuária do Cepea-USP.

Segundo Carvalho, enquanto a China paga, em média, US$ 6,50 pelo quilo da carne bovina brasileira, a União Europeia desembolsa cerca de US$ 10 pelo mesmo volume.

A preferência europeia é por cortes do traseiro do boi, como filé mignon, contrafilé, alcatra e coxão mole, mas também pelo filé de costela, que é retirado do dianteiro. O restante da carne desses animais é comercializado no mercado brasileiro, como a picanha.

Veto à carne do Brasil: UE proíbe promotores de crescimento em animais e antiobióticos de uso humano; entenda

Como maior produtor e exportador de carne bovina do mundo, o Brasil segue padrões sanitários rigorosos para abastecer todos os mercados em que atua, inclusive o interno. Mas, no caso da União Europeia, o processo de habilitação de fazendas e frigoríficos é mais complexo.

Para começar, nem todos os estados brasileiros podem exportar carne para a UE. Hoje, apenas Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm essa autorização.

Além disso, estar em um desses estados não garante venda para os europeus. As fazendas interessadas precisam receber uma comitiva da UE, que avalia se a propriedade cumpre os requisitos sanitários, veterinários e de bem-estar animal exigidos pelo bloco.

Outro detalhe é que cada boi que vira carne para a União Europeia precisa ser rastreado individualmente.

É justamente essa série de exigências que faz da UE um mercado vitrine. "Se um país recebe o aval para exportar para a Europa, ele está recebendo um certificado de alto padrão regulatório", comenta Fernando Enrique Iglesias, analista do Safras & Mercado.

Adaptar-se ao rigoroso sistema europeu também facilita o acesso a outros países exigentes, como o Japão e a Coreia do Sul, países com os quais o Brasil negocia a abertura no setor de carne bovina.

Por trabalhar com a União Europeia há mais de 20 anos, o pecuarista André Bartocci, de Mato Grosso do Sul, diz que está preparado para atender a esses mercados quando eles forem abertos. Ele lamenta, contudo, que o bloqueio da UE possa desestimular outros pecuaristas a manter os padrões de rastreabilidade.

O economista do Cepea-USP tem a mesma preocupação. Segundo ele, como o boi padrão Europa é mais caro de produzir, uma boa parte dos produtores pode acabar deixando os protocolos de lado. "É natural que isso ocorra porque eles não estarão recebendo a mais por isso", diz Carvalho.

"Geralmente um boi Europa recebe até 10% de premiação", afirma Carvalho, explicando que o prêmio é o valor extra pago por um boi criado para atender às regras da UE em relação à cotação nacional.

A estratégia de pecuaristas entrevistados pelo g1 é negociar essa premiação em outros mercados. A ideia do pecuarista Rafael Andrade Asato, que também é do MS, é encaixar o gado de padrão europeu em programas de exportação para os EUA ou em protocolos de carnes nobres voltadas para o consumo interno.

Caso o mercado não pague um valor adicional pelo seu rebanho, Asato diz que vai parar de seguir os protocolos europeus. "Não faz sentido eu agregar um custo de rastreabilidade, de chip, se eu não tiver um prêmio por isso", afirma.

Carvalho, do Cepea-USP, lembra que, mesmo que a UE volte a liberar as exportações do Brasil, ainda leva um tempo para que os produtores voltem a vender para o bloco. Isso porque a UE vai passar a exigir comprovações de que um boi não usou antimicrobianos durante toda a sua vida.

"Um bezerro que nascer em agosto ou setembro de 2026, por exemplo, só vai estar pronto para o abate por volta de 2028 ou início de 2029", explica.

O pecuarista André Bartocci explica que seu rebanho já não usa antimicrobianos há muitos anos porque exporta pela Cota Hilton, uma modalidade de exportação de carnes nobres com tarifa reduzida que proíbe o uso dessas substâncias durante toda a vida do animal.

"Quem faz cota Hilton não usa antimicrobiano há muito tempo. Mas a maioria da carne que vai para a Europa não é Hilton, é lista Trace, uma categoria [de exportação] onde o produtor só precisa comprovar que não usou antimicrobiano nos últimos 100 dias [de vida do animal]. Agora vai mudar, todo o ciclo vai precisar de comprovação", diz Bartocci.

O veto da União Europeia chega em um momento sensível para o Brasil, que também lida com a imposição de cotas de exportação de carne bovina por parte da China, maior comprador do produto nacional, diz Juliana Torres, analista de inteligência de mercado da StoneX Brasil.

"O primeiro semestre foi marcado por uma aceleração das exportações para a China para atender às cotas e talvez, agora, o Brasil olhasse mais para os países europeus. Historicamente o Brasil exporta mais para a União Europeia no segundo semestre", diz Torres.

Sem China e UE, a analista diz que dificilmente o volume de carne será totalmente absorvido por outros países e a tendência é que ocorra um aumento da oferta de carne no mercado interno brasileiro nos próximos meses.

"Os cortes mais nobres que tradicionalmente vão para a União Europeia podem ficar mais baratos. Claro que não é volume tão grande, mas podemos encontrar preços mais reduzidos", afirma Carvalho.

Apesar da perspectiva de maior oferta, Juliana Torres ressalta que o Brasil atravessa uma virada do ciclo pecuário, marcada por uma diminuição da oferta de animais para abate, que deve evitar quedas muito expressivas de preços.

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‘Investimos anos para atender à Europa’, ‘é frustrante’: pecuaristas buscam novos mercados e correm para exportar antes do veto da UE

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 10:52

Agro 'Investimos anos para atender à Europa', 'é frustrante': pecuaristas buscam novos mercados e correm para exportar antes do veto da UE UE retirou Brasil da lista de países que cumprem suas regras de antimicrobianos e vão interromper compras em 3 de setembro. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

A UE excluiu o Brasil da lista de países que seguem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Com isso, vai interromper as suas compras de produtores de origem animal a partir de 3 de setembro.

Com a decisão, pecuaristas estudam redirecionar vendas para o mercado interno e para outros países.

Mesmo que o embargo seja revertido, a retomada das exportações para a Europa pode demorar até dois anos devido ao ciclo de produção dos animais.

À esquerda, o pecuarista Rafael Andrade Asato; à direita, André Bartocci. Ambos têm fazendas em Mato Grosso do Sul. — Foto: Arquivo pessoal

As falas dos pecuaristas Rafael Andrade Asato e André Bartocci, do Mato Grosso do Sul, refletem o sentimento do setor a um mês de a União Europeia interromper as compras de produtos de origem animal do Brasil.

O bloco é destino de apenas 5,8% das exportações brasileiras de carne bovina, mas, na fazenda de Asato e Bartocci, 100% do rebanho é criado para atender às exigências do mercado europeu.

A UE tomou essa decisão após alegar que o Brasil não segue as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne nacional, mas porque a União Europeia considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias.

🔎Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser usados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia. (entenda aqui).

O embargo está previsto para começar em 3 de setembro, mas, mesmo que o bloco volte a autorizar o Brasil, as exportações não serão retomadas de imediato.

"A Europa disse que não volta a comprar carne [bovina] do Brasil antes de 2 anos", diz Bartocci, que também preside a Câmara Setorial da Carne Bovina, órgão consultivo do Ministério da Agricultura.

Ele conta que recebeu essa informação em uma reunião com integrantes do Ministério, há duas semanas, e explica que o período de 2 anos está ligado ao ciclo de vida do boi. O entendimento é de que, se um animal começar a seguir, hoje, novos protocolos sobre antimicrobianos, ele vai levar cerca de 24 meses para ficar pronto dentro dos novos padrões.

Ao g1, o escritório de Saúde e Bem-Estar Animal da Comissão Europeia não citou o prazo de dois anos, mas confirmou que a retomada das exportações "dependerá dos ciclos de produção dos animais". O Ministério da Agricultura não respondeu ao pedido de entrevista da reportagem.

Desde maio, quando a UE anunciou a decisão, o governo brasileiro negocia com os europeus para reverter a medida. Em junho, o Ministério da Agricultura criou novas regras para atender às exigências do bloco, mas, até o momento, os europeus não voltaram atrás. Enquanto isso, o prazo aperta para os exportadores, que precisam colocar a carne no navio bem antes do dia 3 de setembro.

"Se eu conseguir vender os animais para o frigorífico até 21 de agosto, ainda recebo o prêmio pago pelo boi padrão Europa. A partir do dia 22, esse prêmio deixa de existir", conta Asato, diretor da Fazenda Campanário.

O prêmio a que ele se refere é o quanto se paga a mais por um boi criado para atender às normas da UE em relação à cotação nacional. "Geralmente um boi Europa recebe até 10% de premiação", diz Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do mercado de pecuária do Cepea.

Tudo isso porque além de a União Europeia ser um destino de cortes nobres, como filé-mignon e alcatra, as normas para exportar para lá são mais exigentes em comparação a outros mercados. Exemplo disso é a obrigatoriedade de rastrear cada boi individualmente.

"Aqui na fazenda, cada animal recebe um brinco com chip na orelha e isso permite acompanhar toda a vida dele, incluindo o registro de cada medicamento aplicado, o manejo realizado e a dieta", conta Asato.

Inclusive, tanto ele como Bartocci afirmam que não usam antimicrobianos em seus rebanhos há anos porque exportam pela Cota Hilton, uma modalidade de exportação de carnes nobres com tarifa reduzida que proíbe o uso dessas substâncias durante toda a vida do animal.

"Quem faz cota Hilton não usa antimicrobiano há muito tempo. Mas a maioria da carne que vai para a Europa não é Hilton, é lista Trace, uma categoria [de exportação] onde o produtor só precisa comprovar que não usou antimicrobiano nos últimos 100 dias [de vida do animal]. Agora vai mudar, todo o ciclo vai precisar de comprovação", diz Bartocci.

Sem expectativa de que a União Europeia volte a comprar carne do Brasil tão cedo, pecuaristas já começam a redesenhar seus planos para reduzir os impactos do embargo. Rafael Asato, por exemplo, conta que tem conversado com frigoríficos próximos para tentar não perder o prêmio pago pelo boi Europa.

A ideia dele é encaixar o gado de padrão europeu em programas de exportação para os Estados Unidos ou em protocolos de carnes nobres voltados para o consumo interno, como o mercado de carne Angus.

"Temos uma conversa bem aberta com os frigoríficos porque isso impacta não só a nossa margem de lucro, como a margem deles também", diz o pecuarista.

Além disso, ele estuda redirecionar parte da produção para a China e aproveitar as cotas de importação com isenção de tarifa no próximo ano. "Como o transporte para a China demora entre 60 e 70 dias, a ideia é retomar os abates com força na segunda quinzena de setembro para a carne chegar ao destino em janeiro", afirma.

Caso o mercado não pague um valor adicional pelo seu rebanho, Asato diz que vai parar de seguir os protocolos da Europa.

"Não faz sentido eu agregar um custo de rastreabilidade, de chip, se eu não tiver um prêmio por isso", diz.

Já André Bartocci afirma que pretende manter os protocolos de rastreabilidade por pelo menos seis meses, enquanto acompanha o andamento das negociações entre o governo brasileiro e a União Europeia. A avaliação dele é que, quando a UE voltar a importar carne brasileira, quem já estiver preparado terá vantagem para conquistar os melhores contratos.

"Em vez, por exemplo, de terminar os animais em 6 meses, a gente pode passar a terminá-los em 10 meses. A ideia é não acelerar muito a produção justamente para esperar essa reabertura da Europa", destaca.

Caso o bloqueio se prolongue, porém, ele cogita voltar a utilizar antimicrobianos como a monensina, substância permitida no Brasil e em diversos mercados, mas proibida pela União Europeia como promotora de crescimento.

Segundo ele, a medida aumentaria a produtividade e ajudaria a recuperar parte da rentabilidade perdida.

Bartocci afirma que o veto frustra um momento em que o Brasil negocia para ampliar o acesso a mercados internacionais. "A gente tinha tudo para acessar os grandes mercados hoje. Então esse veto da Europa frustra", diz.

"Estar no mercado europeu funciona como um selo de qualidade para abrir portas em outros mercados de elite, como o Japão e a Coreia do Sul", explica.

Para os dois pecuaristas, a decisão da UE vai além da discussão sobre o uso de antimicrobianos e tem motivação política.

Na avaliação dele, a medida funciona como um pretexto comercial após o acordo entre Mercosul e União Europeia. "Eu realmente acho que a questão dos antimicrobianos é um pano de fundo. É uma estratégia para segurar essa carga", afirma.

"A gente acredita que é algo parecido com o que aconteceu com a imposição de cotas por parte da China. É uma questão política, é um protecionismo dos produtores", acrescenta Asato.

O pecuarista também questiona o fato de a União Europeia manter outros países entre seus fornecedores de carne. "Não faz muito sentido você ter países como o Irã [na lista de fornecedores] e tirar o Brasil", afirma.

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O que aconteceu com a bolsa? B3 atrasa abertura de negócios nesta sexta

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 31/07/2026 11:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0770,3%Dólar TurismoR$ 5,2790,17%Euro ComercialR$ 5,834-0,04%Euro TurismoR$ 6,080-0,18%B3Ibovespa177.159 pts1,88%MoedasDólar ComercialR$ 5,0770,3%Dólar TurismoR$ 5,2790,17%Euro ComercialR$ 5,834-0,04%Euro TurismoR$ 6,080-0,18%B3Ibovespa177.159 pts1,88%MoedasDólar ComercialR$ 5,0770,3%Dólar TurismoR$ 5,2790,17%Euro ComercialR$ 5,834-0,04%Euro TurismoR$ 6,080-0,18%B3Ibovespa177.159 pts1,88%Oferecido por

A B3, bolsa de valores brasileira, atrasou a abertura da negociação de ativos nesta sexta-feira (31). Segundo a companhia, o atraso aconteceu devido ao "atraso no envio dos arquivos e na abertura da Câmara B3", documentos necessários para funcionamento do mercado.

A Câmara B3 é a estrutura responsável por processar e garantir as operações realizadas na bolsa. Ainda segundo a companhia, os ativos devem permanecer em leilão até que o problema seja resolvido.

"Em decorrência do atraso no envio dos arquivos e na abertura da Câmara B3 […] postergaremos a abertura da negociação dos contratos Mini Índice e Mini Dólar. Todos os demais ativos e contratos permanecerão em leilão", informou a B3 em comunicado aos clientes.

🔎 Mini índice e mini dólar são contratos negociados na bolsa que permitem apostar na alta ou na queda do Ibovespa e da cotação do dólar sem precisar comprar ações ou a moeda americana.

Segundo a B3, a expectativa é que a retomada da negociação de todos os ativos e contratos aconteça a partir de 12h30.

Com isso, os investidores que tentaram acessar as plataformas de compra e venda de ações das corretoras, conhecidas no mercado como home broker, não conseguiram concluir as operações.

O g1 questionou a B3 sobre uma eventual mudança no horário de fechamento do pregão, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

O atraso gerou uma série de comentários de investidores e internautas nas redes sociais. Veja alguns abaixo:

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Anthropic diz que Claude escapou de bloqueios e fez ataque hacker contra três empresas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 30/07/2026 21:51

Tecnologia Após ataque de IA da OpenAI, Anthropic diz que seus modelos também invadiram outras empresas Empresa comunicou incidentes dias após a OpenAI, dona do ChatGPT, revelar que dois de seus modelos de IA encontraram formas de invadir um sistema e fazer ataque 'sem precedentes'. Por Redação g1 — São Paulo

O chatbot Claude, da Anthropic, está entre os mais populares, rivalizando com o ChatGPT e o Gemini — Foto: Reuters via BBC

A Anthropic informou nesta quinta-feira (30) que seu assistente de inteligência artificial Claude realizou ataques virtuais contra três empresas durante testes. Segundo a empresa, um erro de configuração permitiu que a ferramenta tivesse acesso à internet.

A revelação dos incidentes acontece dias após a OpenAI, dona do ChatGPT, informar que dois de seus modelos de IA encontraram formas de invadir um sistema e fizeram um ataque "sem precedentes".

Segundo a Anthropic, os ataques do Claude foram identificados após a análise de mais de 141 mil sessões de teste. A revisão começou a ser feita justamente após a divulgação do incidente com os modelos da OpenAI.

"O Claude comprometeu a infraestrutura das organizações afetadas usando técnicas básicas, como explorar senhas fracas e pontos de acesso não autenticados", disse a Anthropic.

Segundo a Anthropic, os ataques começaram em abril e envolveram o Claude Opus 4.7, o Claude Mythos 5 e um terceiro modelo de IA voltado para pesquisa.

Os ataques aconteceram durante exercícios em que os modelos são orientados a buscar informações ocultas em redes simuladas.

Os comandos indicavam para os modelos do Claude que eles não tinham acesso à internet, mas um mal-entendido com a empresa parceira Irregular deixou os sistemas conectados à internet, afirmou a Anthropic.

Em comunicado, a empresa disse que começou a revisar os registros em 23 de julho. No mesmo dia, suspendeu as avaliações depois de encontrar indícios de que o Claude poderia ter acessado a internet.

A companhia informou que identificou os três incidentes até 24 de julho e notificou as organizações afetadas em 27 de julho.

A Anthropic afirmou ainda que duas das empresas que sofreram os ataques não sabiam da atividade indevida antes de serem notificadas e que ainda buscava contato com a terceira companhia.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Tecnologia, carne e IA: o que empresas de Brasil e Coreia do Sul negociaram em reunião fechada

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 30/07/2026 05:52

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,108-0,27%Dólar TurismoR$ 5,308-0,33%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0910,22%B3Ibovespa173.885 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,108-0,27%Dólar TurismoR$ 5,308-0,33%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0910,22%B3Ibovespa173.885 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,108-0,27%Dólar TurismoR$ 5,308-0,33%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0910,22%B3Ibovespa173.885 pts-1,52%Oferecido por

Mais do que uma cerimônia de assinatura de acordos, o Brazil-Korea Business Roundtable foi estruturado como uma grande mesa de negociação entre os principais líderes empresariais dos dois países. O g1 acompanhou as discussões com exclusividade.

Mediados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, cerca de 30 executivos brasileiros e sul-coreanos se revezaram em três painéis temáticos — manufatura e infraestrutura, indústrias avançadas e bens de consumo e distribuição — para apresentar diretamente aos chefes de Estado os principais gargalos, oportunidades de investimento e propostas de cooperação bilateral.

Ao fim das apresentações, parte das discussões foi formalizada por meio da assinatura de memorandos de entendimento entre empresas e instituições dos dois países.

A divisão dos debates refletiu as prioridades da agenda econômica entre Brasil e Coreia do Sul. No primeiro bloco, executivos de empresas como Hyundai, Posco, LG Electronics, Hanwha Ocean, Vale, Suzano, Braskem, Inpasa, Tupy e HD Hyundai Construction Equipment discutiram projetos ligados à indústria, infraestrutura e transição energética.

vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin discursa durante uma mesa-redonda empresarial com líderes empresariais sul-coreanos e brasileiros em um hotel de São Paulo, em 28 de julho de 2026 — Foto: Divulgação

Em seguida, representantes de Samsung Electronics, Embraer, Eurofarma, WEG, Stefanini, SK Biopharmaceuticals, NAVER, Korean Air e Korea Aerospace Industries concentraram as discussões em inteligência artificial, semicondutores, saúde, inovação e setor aeroespacial.

O último painel reuniu executivos de JBS, Minerva Foods, Ambev, Amorepacific, APR, Silicon2 e Korea Importers Association (KOIMA), com foco em alimentos, bebidas, cosméticos e distribuição.

A escolha desses setores chamou atenção por coincidir com áreas consideradas estratégicas pelo governo brasileiro no momento em que o país busca diversificar seus mercados externos após o aumento das tarifas impostas pelos EUA.

Proteínas animais e bebidas — dois dos segmentos preservados das novas tarifas americanas — estiveram entre os temas mais debatidos pelos executivos, que defenderam ampliar a presença brasileira na Coreia do Sul e acelerar acordos comerciais e sanitários.

Os EUA sequer foram citados durante os debates, embora Brasil e Coreia estejam sendo alvo de tarifas americanas. Após o encerramento do evento, durante entrevistas, Alckmin reiterou que Trump "não esteve na pauta".

ApexBrasil × KOTRA: aprofundamento da cooperação comercial e de investimentos.Embrapii × KIAT e Finep × KIAT: pesquisa, inovação, inteligência artificial e descarbonização.Eurofarma × SK Biopharmaceuticals: parceria em neurociências, IA e terapias para epilepsia.JBS × Highland Foods: expansão da presença da JBS na Coreia e em outros mercados estratégicos.Embraer × Korea Aerospace Industries (KAI): cooperação para futuras parcerias no setor aeroespacial.

No painel de bens de consumo, o CEO da Minerva Foods, Fernando Queiroz, afirmou que a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira representa uma oportunidade para os dois países.

Segundo ele, a Coreia importa mais de 60% dos alimentos que consome e depende principalmente de Estados Unidos e Austrália para abastecer seu mercado. Já o rebanho brasileiro "soma mais de duas vezes a soma da Austrália e da Índia", disse.

"Nós podemos dar à Coreia segurança alimentar, controle da inflação — especialmente para as classes menos privilegiadas —, constância e diminuir a dependência de um mercado que não é promissor", afirmou.

O CEO afirmou que a mesa representou uma oportunidade para acelerar o acordo sanitário e viabilizar o fornecimento de carne bovina brasileira ao mercado sul-coreano.

A avaliação foi reforçada pelo presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O’Callaghan, que destacou que a companhia já possui estrutura logística consolidada para atender ao mercado asiático e que a parceria pode ir além das proteínas animais.

Segundo ele, a empresa também produz biodiesel, colágeno utilizado pela indústria de cosméticos e ingredientes de alto teor proteico para alimentação humana.

"Já conhecemos bem o mercado, conhecemos a logística […] atendemos subprodutos da nossa produção, como biocombustíveis — particularmente o biodiesel —, sebo bovino e colágeno, que serve como matéria-prima para os colegas aqui do setor de beleza", disse.

O’Callaghan acrescentou que o sorgo para consumo humano, com alto teor de proteína, "está bastante demandado pelos produtores".

As discussões sobre proteínas dialogaram diretamente com um dos memorandos assinados ao fim do encontro: a parceria estratégica entre a JBS e a sul-coreana Highland Foods para ampliar a cooperação comercial de longo prazo, expandir oportunidades de mercado e aumentar a presença dos produtos da companhia brasileira na Coreia e em outros mercados estratégicos.

Presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O’Callaghan, (à direita), apertando a mão da fundadora e CEO da Highland Foods, Young Mi Youn (à esquerda) — Foto: Isabela Ortiz/g1

Na mesma mesa, a vice-presidente da Ambev, Carla Crippa, afirmou que Brasil e Coreia já compartilham uma integração empresarial relevante, lembrando que a cervejaria brasileira faz parte do mesmo grupo controlador da sul-coreana OB. Segundo ela, cadeias produtivas complexas, como a de bebidas, dependem de um ambiente regulatório estável para sustentar investimentos de longo prazo.

"Para manter os investimentos de longo prazo, precisamos cada vez mais de previsibilidade e segurança jurídica nos nossos países", afirmou.

Já no painel de indústrias avançadas, a aproximação entre empresas de tecnologia e saúde também resultou em acordos concretos.

A Eurofarma e a SK Biopharmaceuticals firmaram um memorando para ampliar a colaboração em neurociências na América Latina, incluindo terapias para epilepsia, expansão do uso do medicamento cenobamato e aplicação de inteligência artificial em saúde.

Embraer e Korea Aerospace Industries (KAI), por sua vez, assinaram um acordo para identificar novas oportunidades de cooperação no setor aeroespacial.

Durante o evento, Alckmin lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara.

Marco Billi, CEO Internacional da Eurofarma (à direita), assina acordo com Donghoon Lee, CEO da SK Biopharmaceuticals Co. (à esquerda) — Foto: Isabela Ortiz/g1

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Anac limita venda de passagens de empresa argentina após cancelamento de 79% dos voos no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 10:06

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%Oferecido por

A Anac limitou a venda de passagens da Flybondi nesta quarta-feira (29). A medida ocorre após a aérea argentina cancelar 79% de seus voos no Brasil.

A fiscalização apontou indícios de deterioração operacional da companhia aérea. Com a restrição, a Flybondi fica impedida de vender bilhetes para novos destinos e ampliar sua malha.

A agência determinou a suspensão das vendas para a rota Buenos Aires-Rio de Janeiro a partir de 3 de agosto de 2026. A aérea deve comprovar os ajustes antes.

O monitoramento identificou divergências em voos e aumento de reclamações. Os problemas incluem dificuldades nos canais de comunicação, atrasos em reembolsos, alterações de voos e falta de assistência.

Passagens já compradas não são afetadas e reembolsos devem ocorrer em até 7 dias. A restrição poderá ser suspensa se a Flybondi restabelecer a regularidade de suas operações.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou nesta quarta-feira (29) ter limitado a venda de passagens da companhia aérea argentina Flybondi no Brasil após identificar uma sequência de cancelamentos de voos, redução das operações e problemas no atendimento aos passageiros.

A decisão foi tomada por meio de medida cautelar e entrou em vigor nesta quarta. Segundo a agência, entre 1º e 27 de julho, a empresa cancelou 79% dos voos registrados no país.

De acordo com a Anac, a fiscalização apontou indícios de deterioração da capacidade operacional da companhia e riscos de prejuízos aos consumidores.

Com a medida, a Flybondi fica impedida de vender passagens para destinos brasileiros ainda não atendidos efetivamente por sua operação: Florianópolis (SC), Maceió (AL) e Salvador (BA) (leia mais abaixo).

Além disso, a empresa não poderá ampliar a malha aérea cadastrada junto à Anac. Na prática, a companhia está proibida de incluir novos destinos, frequências ou operações no Brasil.

A agência também determinou a suspensão da venda de passagens para a rota Buenos Aires-Rio de Janeiro (Galeão) a partir de 3 de agosto de 2026, caso a empresa não comprove, até essa data, a adoção de ajustes operacionais capazes de garantir a regularidade do serviço.

Segundo a Anac, o monitoramento das operações identificou uma sequência de cancelamentos de voos, divergências entre a programação cadastrada e os voos efetivamente realizados e aumento no número de reclamações de passageiros.

Os dados analisados pela agência também indicam queda contínua na quantidade de operações realizadas pela companhia ao longo de 2026 e aumento dos cancelamentos.

A fiscalização apontou ainda problemas relacionados ao atendimento aos consumidores, incluindo dificuldades nos canais de comunicação, reclamações sobre reembolsos, alterações de voos e assistência a passageiros afetados.

Em caso de cancelamento de voo, a Flybondi continua responsável pela assistência aos clientes e por oferecer opções de reacomodação gratuita ou reembolso integral. Segundo a Anac, o reembolso deve ser feito em até sete dias após a solicitação.

A Anac informou que a restrição poderá ser revista ou revogada caso a companhia apresente medidas capazes de restabelecer a regularidade das operações e afastar os riscos identificados pela fiscalização.

Segundo a agência, a análise levará em conta documentos e informações que comprovem capacidade operacional, atendimento adequado aos passageiros e cumprimento das obrigações regulatórias.

A Flybondi é uma companhia aérea de baixo custo da Argentina e opera rotas entre cidades argentinas e destinos brasileiros.

A empresa já foi alvo de medidas da Anac anteriormente relacionadas a atrasos e cancelamentos em suas operações no Brasil.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

‘Não queremos perder o mercado americano’, diz presidente da ApexBrasil ao anunciar plano de diversificação

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/07/2026 20:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%Oferecido por

Laudemir Müller , presidente da agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), afirmou que a estratégia comercial do Brasil, neste momento, não é de abandono do mercado norte-americano, mas de ampliação a presença brasileira em outros destinos.

"Não queremos perder o mercado americano. Estamos trabalhando para aumentar nossa participação nos produtos que foram isentos, mas, ao mesmo tempo, fazendo um trabalho forte de diversificação", afirmou.

Durante o evento Brazil-Korea Business Roundtable, realizado nesta terça-feira (28), em São Paulo, Laudemir foi questionado sobre a estratégia brasileira para reduzir a dependência de mercados específicos, como o norte-americano.

Além de demonstrar otimismo com a balança comercial e futuras parcerias, anunciou que a agência lançará, em 11 de agosto, um plano de diversificação voltado aos setores afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller (à direita), ao lado de Márcio Elias Rosa, Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (à esqueda), durante evento Brazil-Korea Business Roundtable. — Foto: Isabela Ortiz/g1

Segundo ele, a iniciativa reunirá ações específicas para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos mercados, com base em estudos de inteligência comercial realizados em parceria com entidades setoriais e o setor produtivo.

"No dia 11, em São Paulo, vamos lançar um plano de diversificação junto com os setores empresariais. Para cada um dos 43 setores afetados pelas tarifas, vamos apontar quais são as prioridades e onde vamos investir para ampliar a diversificação dos mercados", afirmou.

Müller explicou que a estratégia faz parte de um movimento mais amplo da ApexBrasil para reduzir a concentração das exportações brasileiras e ampliar a presença do país em mercados considerados estratégicos.

"É isso que a gente vai acelerar daqui para frente: trabalhar para diversificar os nossos parceiros e os nossos mercados", disse.

De acordo com o presidente da agência, esse processo já começou entre empresas que exportam para os Estados Unidos. Segundo ele, 72% das 2.400 empresas atendidas pela ApexBrasil que exportam para o mercado americano já passaram a atuar em pelo menos um mercado adicional, como forma de reduzir riscos.

A instabilidade no comércio internacional tem levado empresas e governos a buscar parceiros considerados mais previsíveis.

China reconhece que Brasil está livre da febre aftosa e suspende restrições à exportação de carne bovina brasileira — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

"Essa instabilidade no comércio internacional não ajuda as empresas. Ela faz com que todo mundo reveja quem são os seus parceiros e trabalhe a diversificação. Bons parceiros, estáveis, confiáveis e capazes de desenvolver uma relação de longo prazo", disse.

Ao citar a Coreia do Sul como exemplo dessa estratégia, Müller afirmou que o país asiático reúne oportunidades relevantes para ampliar as exportações brasileiras, especialmente em alimentos, biocombustíveis, minerais críticos e tecnologia. Hoje, o Brasil responde por cerca de 1% das importações sul-coreanas, apesar de a Coreia importar aproximadamente US$ 600 bilhões por ano.

O presidente da ApexBrasil acrescentou que o objetivo brasileiro é atrair investimentos para desenvolver a cadeia de minerais críticos no país, em vez de apenas exportar matérias-primas.

"O Brasil espera construir a cadeia de minerais críticos e raros aqui. Para isso, precisamos principalmente de investimento internacional e de mercado. A Coreia tem tecnologia, capital e demanda, o que torna esse diálogo estratégico", afirmou.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

IA da OpenAI invadiu outra empresa antes de fazer ataque ‘sem precedentes’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/07/2026 19:53

Tecnologia IA da OpenAI invadiu outra empresa antes de fazer ataque 'sem precedentes' Infraestrutura de cliente da Model Labs serviu de intermediário para comprometer sistema da plataforma de IA Hugging Face. Por Redação g1 — São Paulo

O ataque virtual "sem precedentes" realizado por modelos de inteligência artificial da OpenAI, dona do ChaGPT, exigiu a invasão de um sistema intermediário mantido por outra empresa, informou a Reuters nesta terça-feira (28).

A infraestrutura de um cliente da empresa de tecnologia Model Labs foi usada pelos modelos de IA da OpenAI para comprometer o sistema da Hugging Face, uma plataforma para compartilhamento de modelos de inteligência artificial.

"Estamos cientes de que um cliente da Modal publicou um ponto de acesso sem autenticação que permitia a qualquer pessoa na internet usar seus ambientes isolados de execução de código", disse Akshat Bubna, diretor de tecnologia da Model Labs, em comunicado.

A Hugging Face disse na segunda-feira (27) que um agente malicioso explorou um ambiente de teste controlado "hospedado na infraestrutura de um provedor terceirizado", mas não havia revelado o nome da empresa.

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT — Foto: AP/Michael Dwyer, Arquivo

Ainda segundo a Hugging Face, esse ambiente controlado foi transformado em uma plataforma de lançamento de ataques que permitiu uma invasão durante dois dias e meio à sua infraestrutura.

A Model Labs afirmou que a ação na conta de seu cliente foi explorada por um agente malicioso e que sua plataforma principal não foi comprometida.

IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI

A OpenAI revelou que o GPT-5.6 Sol, lançado no início de julho, e em um modelo ainda não divulgado conseguiram invadir o sistema da Hugging Face, uma plataforma para compartilhamento de modelos de inteligência artificial.

A própria Hugging Face já havia revelado na última quinta-feira (16) que detectou uma invasão feita por um agente de IA. A empresa afirmou que ação permitiu acesso indevido a dados e credenciais.

O incidente aconteceu durante testes em que OpenAI faz os modelos de IA buscarem falhas em outros sistemas para melhorarem suas capacidade de segurança.

Esses experimentos costumam acontecer em ambientes controlados, mas com uma versão sem as barreiras de proteção que costumam existir em modelos disponíveis para usuários comuns.

Em seu comunicado, a OpenAI afirmou que o GPT-5.6-Sol e o sistema que ainda será lançado atuaram em conjunto para encontrar brechas no ambiente de pesquisa da empresa e na infraestrutura da Hugging Face.

A Hugging Face, por sua vez, disse que sua plataforma executou dois códigos enviados por um agente de IA, que então conseguiu aumentar suas permissões na infraestrutura da empresa e obter credenciais para atacar outros sistemas internos.

Esse tipo de ataque deverá se tornar mais comum com o avanço de modelos de IA que entendem de cibersegurança, avaliou a OpenAI ao revelar o ataque. "Consideramos este um incidente cibernético sem precedentes, envolvendo recursos de última geração", afirmou.

Para a Hugging Face, a invasão alerta para o cenário de ataques virtuais conduzidos por agentes como já vinha sendo projetado por especialistas. "Foi diferente de tudo que havíamos enfrentado antes", disse a companhia, em sua primeira manifestação sobre o caso.

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